21/05/2016

Maio - Intercessão


A ti, Mãe, recorro nesta hora de preocupação.

Como em Caná, intervieste em favor dos noivos que, sem terem pedido, obtiveram por teu intermédio uma graça inesperada, diz-lhe, também agora: 

O António não tem!

E como é uma graça que por tua maternal intercessão, solicito, tenho a certeza que a obterei. [1]

ama, 1988




[1] Obtive esta graça passados mais ou menos 40 dias

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo ComumPáscoa

Evangelho: Mc 10, 13-16

13 Apresentavam-Lhe umas criancinhas para que as tocasse mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam. 14 Vendo isto, Jesus ficou muito desgostoso e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as crianças, não as estorveis, porque dos que são como elas é o reino de Deus. 15 Em verdade vos digo: quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». 16 Depois, abraçou-as e, impondo-lhes as mãos, as abençoava.

Comentário:

Rodeado de pessoas que O perseguem pelas Suas palavras e obras, por querer bem e apregoar o Reino de Deus como a última felicidade do homem, Jesus Cristo sente-se muito bem entre as crianças, espelho da inocência que falta aos outros.

É Natural!

Ele próprio é o “Grande Inocente” que se entrega em holocausto sublime por toda a humanidade ferida pelo pecado.


(ama, comentário sobre Mc 10, 13-16, 2014.03.01)


Leitura espiritual



INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

INTRODUÇÃO

“CREIO – AMÉM”

CAPÍTULO SEGUNDO


PRIMEIRA PARTE

DEUS

«Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra"

CAPÍTULO SEGUNDO

A Fé em Deus na Bíblia

3. Iahvé, Deus dos patriarcas e de Jesus Cristo

Mas, com todas essas considerações só encaramos metade da questão, pois que, em todo caso, Moisés fora autorizado a dizer: "EU SOU mandou-me a vós" [1]. Dispõe de uma resposta, mesmo que seja um enigma. E não se pode, não se deve decifrá-la um pouco mais? A exegese moderna em geral vê nesta palavra a expressão de uma proximidade auxiliadora. Deus não se identifica ali – como na filosofia – pela sua natureza, como é em si, mas revela-se como um Deus para Israel, um Deus para o homem. "Eu sou" é o mesmo que "eu estou aí!", "estou aí para vós"; acentua-se a presença de Deus em função do bem de Israel; seu ser (sua natureza) não é explicado como um ser em si, mas como um ser-para. Aliás, Eissfeldt considera possível não só a versão "ele ajuda", mas também "ele chama para a vida, ele é criador", e até "ele é", e "o existente". O exegeta francês Edmond Jacob acha que o nome "EI" exprime a vida como força, "Iahvé" como duração e presença. Se Deus se chama aqui "eu sou", explicar-se-ia como aquele que "é", como o ser em contraposição ao devir, como o permanente e existente em oposição ao transitório. "Toda a carne é como erva, e toda glória, como flor do campo... A erva seca, a flor fenece, mas a palavra do nosso Deus permanece perene" [2].

Atendendo-se a este texto, torna-se visível um nexo que, até agora, tinha sido pouco ponderado. Para o Deutero-Isaías era uma das ideias básicas da sua mensagem: a caducidade das coisas deste mundo; os homens, por poderosos que aparentem ser, no fim são como as flores que desabrocham um dia e são colhidas e secam no dia seguinte, enquanto, no centro desse gigantesco espetáculo de caducidade, o Deus de Israel "é", não "devém". Ele "é" em todo o devir e perecer. Certamente, este "é" de Deus, a pairar estável por cima da mutabilidade do devir não se acentua sem nexo. Ele é muito mais que, simultaneamente se aprova, se firma; ele está ali para nós e, através do seu "estar", dá-nos firmeza no meio da nossa insegurança. O Deus que "é", simultaneamente é um Deus que está connosco; não é um mero Deus em si, mas o nosso Deus, o Deus dos nossos pais.

E tornamos à pergunta feita no início das considerações sobre a narrativa da sarça: que relação existe entre o Deus da fé bíblica e a ideia platónica de Deus? O Deus que se identifica e que tem um nome, o Deus que auxilia e está presente, seria algo radicalmente diverso do esse subsistens, o ser simplesmente, encantoado no ermo silencioso do pensamento filosófico, ou...? Creio ser necessário olhar ainda um pouco mais de perto para a ideia bíblica de Deus e para a opinião dos filósofos, para tirar a limpo esta questão e compreender o sentido do falar cristão sobre Deus. Primeiramente quanto à Bíblia, é importante não isolar a cena da sarça-ardente. Acabamos de ver que ela deve ser compreendida a partir do ambiente de um mundo saturado de deuses, no qual, relacionando e diferenciando, ela torna visível a fé de Israel e, simultaneamente, impulsiona o seu desenvolvimento, aceitando como elemento racional a ideia do ser, tão rica de cambiantes. O processo interpretativo com o qual deparamos na nossa narrativa não terminou ali, mas foi retomado sempre de novo e desenvolvido no correr da luta bíblica em torno de Deus. Ezequiel e, sobretudo, o Deutero-Isaías bem mereceriam o cognome de teólogos do nome de Iahvé, pois a partir dele desdobraram a sua pregação profética de modo acentuado. O Deutero-Isaías, como se sabe, fala no fim do exílio babilónico, no momento em que Israel começa a encarar o futuro com esperança renovada. O poder babilónico, aparentemente invencível, que tinha escravizado os israelitas, está despedaçado; Israel, tido como morto, ressurge da ruína. Assim para o profeta torna-se ideia central opor o Deus que "é" aos deuses que passam. "Eu, Iahvé, sou o primeiro e estou também entre os últimos" [3]. O último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, repetirá o mesmo pensamento visando dificuldades parecidas: diante de todas as potências ele já está, e continua estando atrás e depois delas [4]. Mas, tomemos a Isaías: "Eu sou o primeiro, e depois deste e fora de mim não há Deus" [5]. "Sou eu, eu sou o primeiro, e também serei o último" [6]. O profeta cunhou aí uma fórmula nova na qual se retoma o fio condutor da história da sarça e só a enriquece de acentos novos. A fórmula foi objectivamente reproduzida de modo certo no texto grego: "eu o sou" [7]. Neste simples "eu o sou" coloca-se o Deus de Israel frente aos deuses, e identifica-se como aquele que é, em oposição àqueles que foram destruídos e passaram. O enigmático e tão conciso "eu o sou" torna-se o eixo da pregação do profeta, em que se manifesta a sua luta contra as divindades, contra o desespero de Israel, a sua mensagem de esperança e de certeza. Em oposição ao mesquinho panteão babilónico e aos seus destronados ídolos, ergue-se o poder de Iahvé, simples e sem retoques, na expressão "eu o sou" a acentuar a sua total superioridade acima de todos os poderes divinos e não divinos deste mundo. O nome de Iahvé, cujo sentido assim se torna presente, avança um passo a mais no rumo da ideia daquele que "é" no meio de toda a caducidade das coisas e aparências, às quais não cabe nenhuma duração.

Demos um último passo que nos leve ao Novo Testamento. A linha que coloca, sempre em crescendo, a ideia de Deus sob a luz do conceito do ser, interpretando a Deus com o simples "eu sou", torna a surgir no Evangelho de S. João, ou seja, no derradeiro intérprete bíblico; João traça a síntese da fé em Jesus, fé que, para os cristãos, representa ao mesmo tempo o último passo da auto-interpretação do movimento bíblico. O pensamento de João entrosa-se exactamente com a literatura dos livros sapienciais e o Deutero-Isaías; e somente com este fundo literário é que pode ser compreendido. João eleva o "eu o sou" de Isaías à ideia central da sua fé em Deus, mas fá-lo colocando-o como núcleo da sua cristologia: processo decisivo tanto para a ideia de Deus, como para a imagem de Cristo. A fórmula que, pela primeira vez, se destaca no episódio da sarça; que, no fim do exílio, se transforma em expressão da esperança e da certeza face às divindades em derrocada; e que representa a presença permanente de Iahvé acima de todas estas potências, essa fórmula encontra-se agora no centro da fé em Deus, através do testemunho prestado em Jesus de Nazaré.

A importância desse processo torna-se de uma clareza cristalina, se atendermos ao facto de João ter retomado o núcleo da narração da sarça, como nenhum autor antes dele, a saber, a ideia do nome de Deus. O pensamento de um Deus que se nomeia, que se torna invocável mediante um nome avança até o cerne do seu testemunho prestado pelo "eu o sou". João traça um paralelo entre Cristo e Moisés também neste sentido, descrevendo Cristo como o personagem no qual a história da sarça alcança o seu sentido pleno. Todo o capítulo 17 – a chamada "oração sacerdotal" e, provavelmente, o próprio núcleo do Evangelho em geral – gira em torno da ideia "Jesus, o revelador do nome de Deus", apresentando-se assim como o correlativo da narração da sarça. O tema do nome divino volta, qual ritornello, nos versículos 6, 11, 12, 26. Destaquemos apenas os dois principais: "Manifestei o teu nome aos homens que me deste, separando-os do mundo" [8]. "Eu dei-lhes a conhecer o teu nome e dar-lho-ei a conhecer ainda, para que o amor com que me amaste esteja neles e eu esteja neles" [9]. Cristo surge aqui como sendo a mesma sarça-ardente, da qual brota o nome de Deus para os homens. Mas, na perspectiva do quarto Evangelho, Jesus aplica a si o "eu o sou" de Ex 3 e de Is 43; torna-se claro ser ele próprio o nome, isto é, a invocabilidade de Deus. A ideia do nome entra agora numa fase nova e decisiva. Aqui "nome" não é mais somente uma palavra, mas uma pessoa: o próprio Cristo. A cristologia, e correspondentemente a fé em Cristo, em conjunto, é elevada a uma única interpretação do nome de Deus e do que ele significa. Com isto alcançamos um ponto onde, qual cúpula, se impõe uma questão que interessa o complexo inteiro tratado sobre o nome de Cristo.

4. A ideia do nome

Após estas considerações todas, urge, finalmente, fazer uma pergunta muito geral: que quer dizer, afinal, um nome? E que sentido há em falar no nome de Deus? Não penso em fazer uma análise detalhada desta questão, deslocada neste lugar, mas apenas indicar em poucos traços o que me parece essencial. Primeiramente podemos dizer que existe uma diferença fundamental entre a intenção visada por uma ideia e a intenção incluída em um nome. A ideia quer reconhecer a natureza da coisa como tal, tal como existe. O nome, pelo contrário, não procura a natureza da coisa, tal como existe, independente de mim, mas a ele lhe interessa tornar a coisa nominável, invocável, criar um nexo para com ela. Certamente também o nome deve atingir a própria coisa, mas com a finalidade de colocá-la em relação comigo e, torná-la, assim, acessível. Exemplifiquemos: saber que alguém se enquadra no conceito "homem" ainda não é suficiente para criar uma relação para com ele. Somente o nome o torna nominável; através do nome o outro penetra na estrutura da minha humanidade e pode ser chamado. Portanto o nome cria o entrosamento, a correlação com a estrutura social das relações. Quem é considerado como mero número é rejeitado da estrutura da comunidade. Ora, o nome cria a relação para com os outros. Confere a um ser a invocabilidade que completa a coexistência com o ser nomeado.

Mas é aqui também que se encontra o ponto de encaixe a partir do qual deveria tornar-se claro o que acontece quando João apresenta o Senhor Jesus Cristo como o verdadeiro e vivo nome de Deus. Nele se realiza o que nenhuma palavra estaria em condições de realizar. Nele alcançou a sua meta o sentido do diálogo sobre o nome de Deus e chegou à sua concretização o que sempre havia sido pretendido e intencionado com a ideia do nome. Em Cristo – é o que o Evangelho deseja exprimir com esta ideia – Deus de facto tornou-se o invocável. Com Cristo Deus entrou para sempre na coexistência connosco: o nome não é mais uma simples palavra a que nos apegamos; é carne da nossa carne e osso dos nossos ossos. Deus é um dos nossos. E assim se concretiza realmente o que vinha sendo intencionado com a ideia do nome desde o episódio da sarça, a saber, na pessoa daquele que, como Deus, é homem e, como homem, é Deus. Deus tornou-se um de nós, portanto um portador de nome e uma presença ao nosso lado em coexistência.

(cont)

joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)








[1] Ex 3,14
[2] Ex 3,14
[3] Is 41,4
[4] Ap 1,4; 1,17; 2,8; 22,13
[5] 44,6
[6] 48,12
[7] ἐγώ εἰμι
[8] 6
[9] 26

Doutrina – 150

 CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ

54. Como é que Deus criou o universo?

Deus criou o universo livremente, com sabedoria e amor. O mundo não é o produto duma necessidade, dum destino cego ou do acaso. Deus criou «do nada» [1] um mundo ordenado e bom, que Ele transcende infinitamente. Deus conserva no ser a sua criação e sustenta-a, dando-lhe a capacidade de agir, e conduzindo-a à sua realização, por meio do seu Filho e do Espírito Santo.


[1] ex nihilo: 2Mac 7,28

Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Tratado da vida de Cristo 104

Questão 46: Da Paixão de Cristo

Art. 8 — Se a alma de Cristo, durante o tempo da sua paixão, fruía totalmente o gozo da bem-aventurança.

O oitavo discute-se assim. — Parece que a alma de Cristo, durante o tempo da sua paixão, não fruía totalmente o gozo da bem-aventurança.

1. — Pois, é impossível sofrer e gozar simultaneamente, por a dor e o prazer serem contrários. Ora, a alma de Cristo sofria totalmente a dor no tempo da paixão, como se estabeleceu. Logo, não podia fruir na sua totalidade.

2. Demais. — O Filósofo diz que a tristeza, sendo veemente, não só impede o prazer contrário, mas qualquer prazer; e inversamente. Ora, a dor da paixão de Cristo foi a dor máxima, como se demonstrou; e semelhantemente, o deleite do gozo é o máximo, como se estabeleceu na Segunda Parte. Logo, não era possível a alma de Cristo na sua totalidade, simultaneamente sofrer e gozar.

3. Demais. — O gozo da bem-aventurança funda-se no conhecimento e no amor divinos, como está claro em Agostinho. Ora, nem todas as potências da alma são capazes de conhecer e amar a Deus. Logo, Cristo não gozava com toda a sua alma.

Mas, em contrário, diz Damasceno, que a divindade de Cristo permitia à carne agir e sofrer como lhe era próprio. Logo, pela mesma razão, sendo próprio à alma de Cristo, enquanto bem-aventurada, gozar a sua paixão não lhe impedia o gozo.

Como dissemos antes, a alma na sua totalidade, podemos entendê-la, tanto na sua essência como em todas as suas potências. — Se, pois, a considerarmos na sua essência então toda a alma de Cristo gozava, enquanto o sujeito da sua parte superior, a que cabe gozar da divindade. De modo que, assim como a paixão, em razão da essência, se atribui à parte superior da alma, assim também e ao inverso, o gozo, em razão da parte superior da alma, há-de atribuir-se à essência. — Se, porém considerarmos toda a alma, em razão de todas as suas potências, então não era a alma na sua totalidade a que fruía. Nem directamente porque a fruição não pode ser acto de nenhuma parte da alma. Nem pela redundância da glória, pois enquanto Cristo era viandante, não havia nenhuma redundância de glória da parte superior para a inferior, nem da alma para o corpo. Mas porque, do inverso também a parte superior da alma não ficava impedida na sua acção própria pela parte inferior, resulta que a parte superior da alma de Cristo fruía perfeitamente, durante a sua paixão.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O gáudio da fruição não contraria a dor da paixão directamente porque um e outra não recaem sobre o mesmo objecto. Pois, nada impede os contrários existirem num mesmo sujeito, mas não sob o mesmo aspecto. E assim, o gáudio da fruição pode pertencer à parte superior da razão, pelo seu acto próprio: e a dor da paixão, pelo seu sujeito. Ora, à essência da alma concerne a dor da paixão, quanto ao corpo, de que ela é a forma e o gáudio da fruição, quanto à potência, de que depende.

RESPOSTA À SEGUNDA. — As palavras citadas do Filósofo são verdadeiras em razão da redundância, naturalmente resultante de uma potência da alma para outra. Mas isso não se deu com Cristo, como dissemos.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A objecção colhe no concernente à totalidade da alma, quanto às suas potências.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Auxílio dos cristãos

"Auxilium christianorum!", Auxílio dos cristãos!, reza com plena segurança a ladainha loretana. Já experimentaste repetir essa jaculatória nos teus transes difíceis? Se o fizeres com fé, com ternura de filha ou de filho, verificarás a eficácia da intercessão da tua Mãe Santa Maria, que te levará à vitória. (Sulco, 180)

É a hora de recorreres à tua Mãe bendita do Céu, para que te acolha nos seus braços e te consiga do seu Filho um olhar de misericórdia. E procura depois fazer propósitos concretos: corta de uma vez, ainda que custe, esse pormenor que estorva e que é bem conhecido de Deus e de ti. A soberba, a sensualidade, a falta de sentido sobrenatural aliar-se-ão para te sussurrarem: isso? Mas se se trata de uma circunstância tonta, insignificante! Tu responde, sem dialogar mais com a tentação: entregar-me-ei também nessa exigência divina! E não te faltará razão: o amor demonstra-se especialmente em coisas pequenas. Normalmente, os sacrifícios que o Senhor nos pede, os mais árduos, são minúsculos, mas tão contínuos e valiosos como o bater do coração.


Quantas mães conheceste como protagonistas de um acto heróico, extraordinário? Poucas, muito poucas. E contudo, mães heróicas, verdadeiramente heróicas, que não aparecem como figuras de nada espectacular, que nunca serão notícia – como se diz – tu e eu conhecemos muitas: vivem sacrificando-se a toda a hora, renunciando com alegria aos seus gostos e passatempos pessoais, ao seu tempo, às suas possibilidades de afirmação ou de êxito, para encher de felicidade os dias dos seus filhos. (Amigos de Deus, 134)

20/05/2016

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Os demónios do apostolado 13

A instalação

O demónio da instalação, às vezes com boas desculpas, corrói no apóstolo o espírito de superação em todos os aspectos. É uma tentação que costuma chegar, ainda que nem sempre, com o passar dos anos e a chegada da maturidade. Ela expressa-se no facto do apóstolo ter encontrado o seu cantinho, o seu ritmo e o seu modo de trabalhar, e de se ter arraigado nos seus critérios e ideias. Ele é consciente de que o apostolado da Igreja avançou, que ele apresenta novos desafios e exigências, mas não tem disposição para mudar e renovar-se. Aos mais jovens que trabalham junto dele, deixa-os fazer, mas não se deixa questionar. Pode até participar em reuniões e cursos de renovação, mas estes não têm influência sobre ele. Tudo o que ele espera é que o deixem em paz, instalado na sua pastoral que, além do mais, costuma realizar de forma irrepreensível. Apesar disso, é possível até que ocupe altos cargos na Igreja.

Esta tentação, que vai tomando conta lentamente e se torna inevitável quando o apóstolo perde a espiritualidade do trabalho, costuma ir combinada com a instalação nos seus próprios defeitos. Provavelmente nem se trata de algo realmente grave, mas o dinamismo espiritual está estancado. Sob uma aparência exterior honesta, há uma mediocridade interior. Desanimado, já não tem suficiente esperança e nem confiança em Deus para melhorar e, tacitamente, já fez um pacto com os seus defeitos e mediocridade que ele pensa, falsamente, que não pode ou não vale a pena superar. “Eu sou assim mesmo…”.

Este demónio induz a pensar, sobretudo depois de certa idade, que se tem o direito de procurar compensações e de aburguesar-se. E, então, o apóstolo termina contentando-se com as exigências mínimas.

Fonte: presbíteros

(revisão da versão portuguesa por ama)

Este texto é um extracto do livro do teólogo chileno segundo galilea, Tentación y Discernimiento, Narcea, Madrid 1991, p. 29-67.

Antigo testamento / Êxodo 9

Êxodo 9

A peste nos animais

1 Depois o Senhor disse a Moisés: "Vai ao faraó e diz-lhe que assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Deixa o meu povo ir para que me preste culto.

2 Se ainda não quiseres deixá-lo ir e continuar a impedi-lo, fica sabendo que a mão do Senhor trará uma praga terrível sobre os rebanhos do faraó que estão nos campos: os cavalos, os jumentos, os camelos, os bois e as ovelhas.

3 Mas o Senhor fará distinção entre os rebanhos de Israel e os do Egipto. Nenhum animal dos israelitas morrerá".

4 O Senhor estabeleceu um prazo: "Amanhã o Senhor fará o que prometeu nesta terra".

5 No dia seguinte o Senhor o fez. Todos os rebanhos dos egípcios morreram, mas nenhum rebanho dos israelitas morreu.

6 O faraó mandou verificar e constatou que nenhum animal dos israelitas havia morrido. Mesmo assim, o seu coração continuou obstinado e não deixou o povo ir.

A praga das chagas

7 Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: "Tirem um punhado de cinza de uma fornalha, e Moisés a espalhará no ar, diante do faraó.

8 Ela se tornará como um pó fino sobre toda a terra do Egipto, e feridas purulentas surgirão nos homens e nos animais em todo o Egipto".

9 Eles tiraram cinza duma fornalha e puseram-se diante do faraó. Moisés a espalhou pelo ar, e feridas purulentas começaram a estourar nos homens e nos animais.

10 Nem os magos podiam manter-se diante de Moisés, porque ficaram cobertos de feridas, como os demais egípcios.

11 Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele recusou-se a atender Moisés e Arão, conforme o Senhor tinha dito a Moisés.

A praga da saraiva

12 Disse o Senhor a Moisés: "Levanta-se logo cedo, apresenta-te ao faraó e diz-lhe que assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Deixa o meu povo ir para que me preste culto.

13 Caso contrário, mandarei desta vez todas as minhas pragas contra você, contra os teus conselheiros e contra o teu povo, para que saibas que em toda a terra não há ninguém como eu.

14 Porque eu já poderia ter estendido a mão, ferindo-te a ti e o seu povo com uma praga que o teria eliminado da terra.

15 Mas eu mantive-te em pé exactamente com este propósito: mostrar-te o meu poder e fazer que o meu nome seja proclamado em toda a terra.

16 Contudo ainda insistes em colocar-te contra o meu povo e não o deixas ir.

17 Amanhã, a esta hora, enviarei a pior tempestade de granizo que já caiu sobre o Egipto, desde o dia da sua fundação até hoje.

18 Agora, manda recolher os teus rebanhos e tudo o que tens nos campos. Todos os homens e animais que estiverem nos campos, que não tiverem sido abrigados, serão atingidos pelo granizo e morrerão".

19 Os conselheiros do faraó que temiam a palavra do Senhor apressaram-se em recolher aos abrigos os seus rebanhos e os seus escravos.

20 Mas os que não se importaram com a palavra do Senhor deixaram os seus escravos e os seus rebanhos no campo.

21 Então o Senhor disse a Moisés: "Estende a mão para o céu, e cairá granizo sobre toda a terra do Egipto: sobre homens, sobre animais e sobre toda a vegetação do Egipto".

22 Quando Moisés estendeu a vara para o céu, o Senhor fez vir trovões e granizo, e raios caíam sobre a terra. Assim o Senhor fez chover granizo sobre a terra do Egipto.

23 Caiu granizo, e raios cortavam o céu em todas as direcções. Nunca houve uma tempestade de granizo como aquela em todo o Egipto, desde que este se tornou uma nação.

24 Em todo o Egipto o granizo atingiu tudo o que havia nos campos, tanto homens como animais; destruiu toda a vegetação, além de quebrar todas as árvores.

25 Somente na terra de Gósen, onde estavam os israelitas, não caiu granizo.

26 Então o faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse-lhes: "Desta vez eu pequei. O Senhor é justo; eu e o meu povo é que somos culpados.

27 Orem ao Senhor! Os trovões de Deus e o granizo já são demais. Eu vos deixarei ir; não precisam mais ficar aqui".

28 Moisés respondeu: "Assim que eu tiver saído da cidade, erguerei as mãos em oração ao Senhor. Os trovões cessarão e não cairá mais granizo, para que saibas que a terra pertence ao Senhor.

29 Mas eu bem sei que tu e os teus conselheiros ainda não sabem o que é tremer diante do Senhor Deus!"

30 (O linho e a cevada foram destruídos, pois a cevada já havia amadurecido e o linho estava em flor.

31 Todavia, o trigo e o centeio nada sofreram, pois só amadurecem mais tarde.)

32 Assim Moisés deixou o faraó, saiu da cidade, e ergueu as mãos ao Senhor. Os trovões e o granizo cessaram, e a chuva parou.

33 Quando o faraó viu que a chuva, o granizo e os trovões haviam cessado, pecou novamente e obstinou-se no seu coração, ele e os seus conselheiros.

34 O coração do faraó continuou endurecido, e ele não deixou que os israelitas saíssem, como o Senhor tinha dito por meio de Moisés.


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Maio - Monstra te esse matrem


Monstra te esse matrem!

Sim, mostra que és Mãe, minha Mãe.

Como, apesar de tudo quanto não sou e deveria ser, tu és minha Mãe e me queres, e me proteges, e desejas a minha felicidade aqui na terra e, depois, no Céu.

Monstra te esse matrem!

Ajuda-me também a mostrar-me como teu filho, a comportar-me, a conduzir a minha vida como teu filho, e, sobretudo: 

Recordare Virgo Mater Di, dum steteris in conspectu Domini et loquaris pro me bona. Amen.

ama