07/05/2016

Maio - Santo Rosário - Primeiro Mistério Doloroso



Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras

O meu Senhor retirou-se para rezar.
Procurou a solidão no silêncio do fim do dia.
A Sua Humanidade sofria intensamente com a visão dos tormentos que se aproximavam.
Poderia Jesus ter suportado a flagelação, as vergastadas, os espinhos cravando-se na Sua cabeça, os pregos rasgando a carne, o horror do suplício da Cruz?

Estou certo que sim. Jesus era um homem perfeito e o sofrimento, por excessivo que fosse não deveria atemorizá-lo de forma tão absoluta.
Outros sofreram também horrores, sacrifícios inauditos de incrível crueldade.
Julgo que o atroz sofrimento de Jesus, no Horto das Oliveiras, nascia principalmente no Seu espírito, no Seu coração.
Ele tinha dado tudo quanto tinha para dar, oferecido todos os meios, apontado todos os caminhos e, agora, iam fazer pouco, escarnecê-lo, violentá-lo na sua inteireza de homem bom e recto, iam negá-lo como Filho de Deus, Deus verdadeiro feito homem.
Tudo isto, e muito mais, e não só nessa noite e no dia seguinte, mas depois, em todas as noites e todos os dias até ao final dos tempos.

Milhões de homens e mulheres que sempre O iriam negar, escarnecer, cuspir e crucificar outra vez. Que peso, Senhor, que peso incrível seria o conhecimento de tudo isto!

Ah! meu Jesus, se ainda se salvassem todos os homens!
Se, apesar de tudo, essas almas conhecessem a Vida Eterna no seio de Deus Pai, como tinhas previsto e desejado desde o início dos tempos!
Mas não, Jesus, o que mais te dói agora, neste fim de dia no Horto das Oliveiras é que tantos milhões de homens e mulheres se percam eternamente.

Dói-te tanto, Senhor, não pelo teu sacrifício ter sido inútil para esses, mas porque o Teu coração bondoso, a Tua misericórdia infinita se entristece mortalmente com esse fim trágico dos teus filhos.
Não foi isso que quiseste. Nunca desejas-te outra coisa senão a eterna felicidade de todos os homens, que todos, absolutamente todos, se salvassem e pudessem estar contigo, com o Pai, com o Espírito Santo, com a Tua Santíssima Mãe, com a legião de Anjos e Santos, por toda a eternidade.

Não tens, ali, a Tua Mãe extremosa, para te amparar e dar consolo. Nesta hora tão triste, de certeza que o seu coração se contrai também na dor que não pode deixar de sentir em uníssono com o seu Filho.
Talvez, na casa onde pernoita, vele angustiada, esperando o horror que adivinha.
Decerto que Tu, Filho fiel, com todo o carinho e ternura lhe terás desvendado algo do que irá acontecer nas próximas horas.
Soube, antes que lho contasses, da tristeza que já Te invadia o coração, bastava-lhe olhar o rosto adorado do seu divino Filho para se aperceber do vendaval de emoções que n'Ele se chocavam.

Também ela, a Tua Santíssima Mãe, reza com fervor repetindo o “Fiat” que pronunciara trinta e três anos antes. Punha nas mãos de Deus, Teu e seu Pai, toda a vida, toda a morte, todos os sofrimentos do seu Filho.
Tem confiança, tem esperança mas, sobretudo, sabe, que há-de voltar a ver-te ressuscitado e glorioso.
Esta certeza, do sofrimento de Tua Mãe, junta-se às dores que Te partem o coração e tornam tão grande, tão incomensurável a tua dor, tens tanta pena, que suas sangue [1] e, numa fraqueza momentânea, pedes a Teu Pai que afaste esse cálice. [2]

Por momentos, Senhor, a Tua humanidade tornou-se mais evidente. Mas logo, a Tua perfeição absoluta, reduziu a nada esse desejo legítimo, a esse desabafo: «não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres[3]

Também eu digo, faça-se a Tua vontade, Deus e Senhor de tudo e de todas as coisas e não a minha vontade de homem!
A Tua dor, Senhor, é uma dor de amor que só pode ser mitigada com amor.

Posso eu, Senhor, ter sempre presente a Tua agonia enorme e inimaginável, ou estou sempre tão ocupado, tão absorvido, tão disperso que nem sequer sou capaz de estar contigo uma simples hora do meu dia, inteiramente dedicada a Ti, fazendo-te companhia, compartilhando a Tua dor, carregando um pouco do Teu sofrimento?

Minha Mãe Santíssima, ajuda-me a ter uma dor de amor tão completa que me faça despertar deste sono que me carrega o espírito e permanecer ao lado do teu divino Filho, vigilante e decidido a não ceder nem à dor nem ao cansaço.

Jesus, ajuda-me a acompanhar a Tua Santíssima Mãe e compartilhar com Ela estes Mistérios Dolorosos, animando-a e confortando-a na sua dor e angústia.


[1] Cfr Lc 22, 44
[2] Cfr. Mc 14, 36
[3] Cfr. 14,36

Doutrina – 136

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ

40. Porque é importante a revelação do nome de Deus?

Ao revelar o seu Nome, Deus dá a conhecer as riquezas do seu mistério inefável: só Ele é, desde sempre e para sempre, Aquele que transcende o mundo e a história. Foi Ele que fez o céu e aterra. Ele é o Deus fiel, sempre próximo do seu povo para o salvar. É o Santo por excelência, «rico de misericórdia», [1] sempre pronto a perdoar. É o Ser espiritual, transcendente, omnipotente, eterno, pessoal, perfeito. É verdade e amor.

«Deus é o ser infinitamente perfeito que é a Santíssima Trindade». [2]



[1] Ef 2,4
[2] S. Turíbio de Mongrovejo

Evangelho, comentário, L. espiritual


Páscoa

Evangelho: Jo 16, 23-28

23 Naquele dia, não Me interrogareis sobre nada. «Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará. 24 Até agora não pedistes nada em Meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa. 25 «Disse-vos estas coisas em parábolas. Mas vem o tempo em que não vos falarei já por parábolas, mas vos falarei abertamente do Pai. 26 Nesse dia pedireis em Meu nome, e não vos digo que hei-de rogar ao Pai por vós, 27 porque o próprio Pai vos ama, porque vós Me amastes e acreditastes que saí do Pai. 28 Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo e vou para o Pai».

Comentário:

A primeira frase com que começa este texto deixa bem claro que a vinda do Espírito Santo trará todo o conhecimento e revelará todas as coisas que, por enquanto, permaneciam na penumbra.

Jesus tem de falar em parábolas porque é a única forma de os que o rodeiam e seguem irem fixando os pontos principais da Sua Doutrina já que a sua pouca cultura e, também, a “novidade” da própria doutrina os incapacitavam para apreender cabalmente.

O Espírito Santo é o portador dos Dons e Frutos necessários a essa compreensão e assim permanecerá até ao final dos tempos quando toda a Verdade for conhecida e todos os mistérios revelados.

(ama, comentário sobre Jo 16, 23-28, 2015.05.16)



Leitura espiritual



CARTA ENCÍCLICA

LAETITIAE SANCTAE

DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII
A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS IRMÃOS, OS PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS E BISPOS DO ORBE CATÓLICO,
EM GRAÇA E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA
SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA



Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica

Gratidão do Papa para com Maria

1. A santa alegria que nos trouxe o feliz transcurso do quinquagésimo aniversário da Nossa sagração episcopal foi intensamente aumentada pelo facto de termos tido como participantes da Nossa alegria os católicos de todo o mundo, estreitados como filhos em torno do Pai, numa esplêndida manifestação de fidelidade e de amor. Nisto, com renovada gratidão, reconhecemos e exaltamos um desígnio da Divina Providência sumamente benévolo para connosco, e, ao mesmo tempo, assaz profícuo para a sua Igreja. Mas o Nosso ânimo sente-se impelido a saudar e louvar também a augusta Mãe de Deus, que deste benefício foi poderosa mediadora junto a Deus. A sua singular bondade, que no longo e mutável período da Nossa vida temos experimentado em vários modos eficaz, brilha cada dia mais manifesta diante dos nossos olhos, e, ferindo-nos suavissimamente o coração, robustece-o com confiança sobrenatural.

Afigura-se-nos ouvir a própria voz da Rainha do Céu, ora benevolamente encorajar-nos no meio das terríveis adversidades da Igreja, ora ajudar-nos, com largueza de inspirações, nas decisões a tomar para o bem comum, ora também advertir-nos a estimular o povo cristão à piedade e ao culto da virtude. Já muitas vezes, no passado, fizemos para nós um grato dever de corresponder a estes desejos da Virgem. Ora, entre as utilidades que com a sua bênção recolhemos das Nossas exortações, justo é recordar o extraordinário desenvolvimento da devoção do seu santo Rosário, seja pelo incremento e pela constituição de confrarias sob este título, seja pela divulgação de escritos doutos e oportunos, seja também pela inspiração dada a verdadeiras obras-primas artísticas.

O Rosário e os males do nosso tempo

2. E hoje, como que acolhendo a mesma voz da amorosíssima Mãe, com a qual ela nos repete: "Clama, nunca te canses", apraz-nos tornar a falar-vos, Veneráveis Irmãos, do Rosário mariano, agora que se aproxima o mês de Outubro: mês que quisemos consagrado a esta cara devoção, e que enriquecemos com os tesouros das santas indulgências. A Nossa palavra, todavia, não terá o fim imediato de tributar novos louvores a uma oração já, por si mesma, tão excelente, nem de estimular os fiéis a praticá-la com sempre maior fervor; falaremos, antes, de algumas preciosíssimas vantagens que dela podem derivar, o mais possível correspondentes às condições e às necessidades dos homens e dos tempos presentes. Porque estamos absolutamente convencido de que, se a prática do Rosário for rectamente seguida, de modo a poder ostentar toda a eficácia que lhe é intrínseca, não somente aos simples indivíduos, mas também a toda a sociedade, trará a maior utilidade.

3. Sabem todos o quanto Nós, pelo dever do Nosso supremo apostolado, nos temos aplicado a contribuir para o bem da sociedade, e o quarto ainda estamos disposto a fazê-lo, com o auxílio de Deus. Com frequência temos advertido os governantes a não fazerem e a não aplicarem leis que não sejam conformes à mente divina, norma de suma justiça. E, por outra parte, mais de uma vez temos exortado aqueles cidadãos que, ou por inteligência, ou por méritos, ou por nobreza do sangue, ou por haveres, estão em posição de privilégio em relação aos outros, a defenderem e a promoverem, em união de entendimentos e de forças, os supremos e fundamentais interesses da sociedade.

4. Mas, no estado presente da sociedade civil, sobejas são as causas que debilitam os ligames da ordem pública e desviam os povos da justa honestidade dos costumes. Todavia, os males que mais perigosamente minam o bem comum parecem-nos ser principalmente os três seguintes: "aversão à vida humilde e laboriosa; o horror ao sofrimento; o esquecimento dos bens futuros, objecto das nossas esperanças".

A aversão ao viver moderno

5. Lamentamos - e connosco devem reconhecê-lo e deplorá-lo mesmo aqueles que não admitem outra regra senão a luz da razão, nem outra medida afora a utilidade, - lamentamos que uma chaga verdadeiramente profunda tenha ferido o corpo social desde quando se começou a descurar os deveres e as virtudes que formam o ornamento da vida simples e comum. De facto, daí se segue que, nas relações domésticas, os filhos, intolerantes de toda educação que não seja a da moleza e da volúpia, recusam arrogantemente a obediência que a própria natureza lhes impõe. Por esse mesmo motivo os operários se afastam do seu próprio mister, fogem do labor, e, descontentes com a sua sorte, levantam o olhar a metas demasiado altas, e aspiram a uma inconsiderada repartição dos bens.

Ao mesmo tempo dai se segue o afanar-se de muitos que, depois de abandonarem o torrão natal, buscam o bulício e as numerosas seduções da cidade. Por este motivo ainda, veio a faltar o necessário equilíbrio entre as classes sociais; tudo é flutuante; os ânimos são agitados por invejas e rivalidades; a justiça é abertamente violada; e aqueles que foram iludidos nas suas esperanças procuram perturbar a tranquilidade pública com sedições, com desordens e com a resistência aos defensores da ordem pública.

As lições dos mistérios gozosos

6. Pois bem: contra estes males pensamos que se deve buscar remédio no Rosário de Maria, composto por uma bem ordenada série de orações e da piedosa contemplação de mistérios relativos a Cristo Redentor e a sua Mãe. Expliquem-se de forma exata e popular os mistérios gozosos, apresentando-os aos olhos dos fiéis como outros tantos quadros e vivas figurações das virtudes. E assim cada um verá que fácil e rica mina eles oferecem de ensinamentos aptos para arrastar com maravilhosa suavidade as almas à honestidade da vida.

7. Eis diante do nosso olhar a Casa de Nazaré, onde toda santidade, a humana e a divina, colocou a sua morada. Que exemplo de vida comum! Que perfeito modelo de sociedade! Ali há simplicidade e candura de costumes; perpétua harmonia de almas; nenhuma desordem; respeito mútuo; e, enfim, o amor: mas não o amor falso e mendaz, e sim aquele amor integral, que se alimenta na prática dos próprios deveres, e tal que atrai a admiração de todos.

Ali não falta a solicitude de se proporcionar a si mesmos tudo quanto é necessário à vida, mas com o "suor da fronte", e como convém àqueles que, contentando-se com pouco, se esforçam antes por diminuir a sua pobreza do que por multiplicar os seus haveres. E, sobre tudo isto, reina ali a maior serenidade de ânimo e alegria de espírito: duas coisas que sempre acompanham a consciência do dever cumprido.

8. Ora, estes exemplos de modéstia e de humildade, de tolerância da fadiga, de bondade para com o próximo e de fiel observância dos pequenos deveres da vida quotidiana, e, numa palavra, os exemplos de todas estas virtudes, assim que entram nos corações e nele se imprimem profundamente, certamente produzem nele pouco a pouco a desejada transformação dos pensamentos e dos costumes.

Então os deveres do próprio estado não mais serão nem descurados nem considerados enfadonhos, mas serão, antes, agradáveis e deleitáveis; e a consciência do dever, imbuída de senso de alegria, será sempre mais decidida no obrar o bem.

Por consequência, os costumes tornar-se-ão mais brandos sob todos os aspectos; a convivência familiar transcorrerá no amor e na alegria; as relações com os outros serão pautadas por um maior respeito e caridade. E, se estas transformações se estenderem dos indivíduos às famílias, às cidades, aos povos e às suas instituições, é fácil ver que imensas vantagens devam daí derivar para a sociedade inteira.

A aversão ao sacrifício

9. O segundo mal funestíssimo, que Nós nunca deploraremos bastante, porque ele sempre mais difunde e ruinosamente envenena as almas, é a tendência a fugir da dor e a afastar por todos os meios as adversidades.

De feito, a maioria dos homens não consideram mais, como deveriam, a serena liberdade de espírito como um prêmio para quem exercita a virtude e suporta vitoriosamente perigos e trabalhos; mas excogitam uma quimérica perfeição da sociedade, em que, removido todo sacrifício, se deparem todas as comodidades terrenas.

Ora, este agudo e desenfreado desejo de uma vida cômoda debilita fatalmente as almas, que, mesmo quando não se arruínam totalmente, ficam, sem embargo, tão enervados, que primeiro cedem vergonhosamente em face dos males da vida, e depois sucumbem miseravelmente.

As lições dos mistérios dolorosos

10. Pois bem: ainda contra este mal é bem justificado esperar-se do Rosário de Maria um remédio que, pela força do exemplo, pode grandemente contribuir para fortalecer os ânimos. E isto se obterá se os homens, desde a sua primeira infância, e depois constantemente em toda a sua vida, se aplicarem, no recolhimento, à meditação dos mistérios dolorosos.

Através destes mistérios vemos que Jesus, "guia e aperfeiçoados da fé", começou a fazer e a ensinar, a fim de que víssemos n'Ele próprio o exemplo prático dos ensinamentos que Ele daria à nossa humanidade, acerca da tolerância da dor e dos trabalhos; e o exemplo de Jesus chegou a tal ponto, que, voluntariamente e de grande coração, Ele mesmo abraçou tudo o que há de mais duro de suportar.

Com efeito, vemo-lo como um ladrão, julgado por homens iníquos, e feito alvo de ultrajes e de calúnias. Vemo-lo flagelado, coroado de espinhos, crucificado considerado indigno de continuar a viver, e merecedor de morrer entre os clamores de todo um povo.

Consideremos a aflição de sua santíssima Mãe, cuja alma não foi somente roçada, mas verdadeiramente "trespassada" pela "espada da dor"- de modo que ela mereceu ser chamada, e realmente se tornou, a Mãe das dores.

(cont)

Revisão da versão portuguesa por ama


Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Tratado da vida de Cristo 100

Questão 46: Da Paixão de Cristo

Art. 4 — Se Cristo devia ter sofrido na cruz.


O quarto discute-se assim. — Parece que Cristo não devia ter sofrido na cruz.

1. — Pois, a verdade deve corresponder à figura. Ora, eram figuras de Cristo todos os sacrifícios do Antigo Testamento, nos quais se matavam animais com a espada, que eram depois queimados no fogo. Logo, parece que Cristo não devia ter sofrido na cruz, mas antes ser sacrificado pela espada ou no fogo.

2. Demais. — Damasceno diz, que Cristo não devia assumir sofrimentos degradantes. Ora a morte da cruz era considerada como degradante e ignominiosa por excelência; por isso diz a Escritura: Condenemo-lo a uma morte a mais infame. Logo, parece que Cristo não devia sofrer a morte da cruz.

3. Demais. — De Cristo diz o Evangelho: Bendito o que vem em nome do Senhor. Ora, a morte da Cruz era uma morte de maldição, segundo a Escritura: Maldito é de Deus aquele que está pendente de um lenho. Logo, parece que não foi conveniente que Cristo fosse crucificado.

Mas, em contrário, o Apóstolo: Feito obediente até a morte e morte de cruz.

Era convenientíssimo que Cristo sofresse a morte da cruz. Primeiro, para dar o exemplo da virtude. Por isso diz Agostinho: A sabedoria de Deus assumiu o homem para nos dar o exemplo de uma vida recta. Ora, é próprio de uma vida recta não temer o que não deve ser temido. Há porém homens que, embora não temam a morte em si mesma, contudo têm horror de um determinado género de morte. Por isso, a fim de o homem, que vive rectamente, não temer nenhum género de morte o Homem-Deus quis morrer ostensivamente na cruz; pois, dentre todos os géneros de morte, nenhum era mais execrável e temível que esse. Segundo, porque esse género de morte era por excelência conveniente à satisfação pelo pecado dos nossos primeiros pais, que consistiu em tomarem do fruto da árvore, contra a ordem de Deus. Por isso era conveniente que Cristo, para satisfazer por esse pecado, consentisse ele próprio ser pregado no madeiro, quase para restituir o que Adão subtraíra, como o diz a Escritura: Paguei então o que não tinha roubado: Donde o dizer Agostinho: Adão desprezou o preceito, colhendo o pomo da árvore; mas tudo o que Adão perdeu Cristo recuperou na cruz. A terceira razão é que, como diz Crisóstomo. Cristo sofreu num madeiro elevado e não debaixo de um teto, a fim de purificar também o ar. Mas também a terra sentiu um benefício semelhante, purificada pelo sangue que corria gota a gota do lado do crucificado. E o Evangelho - Importa que seja levantado o Filho do Homem - diz: Por levantado entende que foi elevado para o alto; para que santificasse o ar quem havia santificado a terra, andando nela (Teofilacto). A quarta razão é que, morrendo no alto de um madeiro, preparou a nossa subida ao céu, como diz Crisóstomo (Atanásio). Por isso ele próprio o diz no Evangelho: Eu, quando for levantado da terra, todas as coisas atrairei a mim mesmo. A quinta razão é que isso convinha também à completa libertação de todo o género humano. Por isso diz S. Gregório Nisseno, que a figura da cruz, esgalhando-se, de um centro único, em quatro extremos opostos, significa o poder e a providência daquele que dela pende, espalhados por toda parte. E Crisóstomo também diz que Cristo morreu na cruz com os braços abertos, para com uma das mãos, atrair para si o povo fiel e, com a outra, os que constituem a gentilidade. A sexta razão é que esse género de morte designa diversas virtudes. E por isso diz Agostinho: Não escolheu em vão tal género de morte, a fim de que fosse o mestre da largura, do comprimento, da altura e da profundidade, de que fala o Apóstolo. Assim, a largura desse madeiro é representada pela travessa que nele está fixada — símbolo das boas obras, porque nela estão estendidos os braços. O comprimento vai do ápice do madeiro à terra e nele é que o crucificado de certo modo se apoia - símbolo da estabilidade e da perseverança atribuídas à longanimidade. A altura é representada pela parte do lenho que se eleva acima da travessa e em que foi presa a cabeça do crucificado — suprema expectativa dos que tem esperança perfeita. Enfim, a profundidade é representada pela parte do madeiro oculta na terra e donde parece elevar-se toda a cruz - símbolo da profundidade da graça gratuita. E como ainda o nota Agostinho, o lenho onde estavam fixos os membros do crucificado era uma como cátedra donde o mestre ensinava. A sétima razão é que esse género de morte corresponde a várias figuras. Pois, como diz Agostinho, uma arca de madeira salvou o género humano do dilúvio das águas. Quando o povo de Deus fugia do Egipto, Moisés dividiu o mar com uma vara, aniquilou o Faraó e remiu o povo de Deus. Essa mesma vara Moisés a mergulhou na água, tornando-a doce, de amarga que era. Ainda com essa vara fez jorrar da pedra espiritual uma água salutar. Para vencer Amalec, Moisés conservava as mãos estendidas ao longo da vara. E a lei de Deus estava encerrada na arca do Testamento, que julgavam de madeira. Assim, pois, o género humano era conduzido, como gradativamente, ao lenho da cruz.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O altar dos holocaustos, onde eram oferecidos os sacrifícios dos animais, era feito de madeira, como se lê na Escritura; e, assim, a verdade corresponde à figura. Mas não é necessário que a correspondência seja total, porque então já não seria semelhança, mas identidade, como diz Damasceno. - Contudo e especialmente como diz Crisóstomo Atanásio, não se lhe amputou a cabeça, como a João; nem foi serrado, como Isaías; para que, morto, conservasse integro o corpo e indivisível, a fim de não dar ocasião aos que querem dividir a Igreja. — E em lugar do fogo material estava, no holocausto de Cristo, o fogo da caridade.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Cristo não quis assumir sofrimentos degradantes, que implicassem falta de ciência ou de graça, ou ainda de virtude. Não porém os resultantes de injúrias externas; antes, como diz o Apóstolo, sofreu a cruz, desprezando a ignomínia.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Como diz Agostinho, o pecado é maldito, e por consequência a morte e a mortalidade proveniente do pecado. Pois, a carne de Cristo era mortal, tendo a semelhança da carne de pecado. E por isso Moisés lhe chama maldito, como o Apóstolo lhe chama pecado, quando diz: Aquele que não havia conhecido pecado o fez pecado por nós, isto é, pela pena do pecado. Nem indica maior ódio da parte de Deus o ter predito Moisés que Cristo é maldito de Deus. Pois, se Deus não odiasse o pecado não teria mandado o seu Filho tomar a morte sobre si e a destruí-la. É, portanto a mesma coisa proclamar que ele aceitou a maldição em nosso lugar e dizer que morreu por nós. Donde o dito do Apóstolo: Cristo nos remiu da maldição da lei, feito ele mesmo maldição por nós.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Ensina-me a relacionar-me com o teu Filho!

Se não procuras a intimidade com Cristo na oração e no Pão, como podes dá-Lo a conhecer? (Caminho, 105)

Procura Deus no fundo do teu coração limpo, puro; no fundo da tua alma, quando lhe és fiel, e não percas nunca essa intimidade!


E se, alguma vez, não souberes como falar-lhe nem que dizer-lhe, ou não te atreveres a procurar Jesus dentro de ti, recorre a Maria, "tota pulchra", toda pura, maravilhosa, para lhe confiares: - Senhora, nossa Mãe, Nosso Senhor quis que fosses Tu, com as tuas mãos, quem cuidasse de Deus; ensina-me - ensina-nos a todos - a relacionar-nos com o teu Filho! (Forja, 84)

Um rei moribundo e os dois pratos da balança

Resultado de imagem para alfonso ixAlfonso IX (1188-1230), rei de Leão e Galícia, desejando que todos os seus criados honrassem a Santíssima Virgem com o rosário, resolveu, para animá-los com o seu exemplo, levar ostensivamente um grande rosário, mesmo sem rezá-lo.

Bastou isto para obrigar toda a corte a rezá-lo devotamente. O rei caiu enfermo com gravidade. Já o acreditavam morto, quando, arrebatado no espírito diante do tribunal de Jesus Cristo, viu os demónios que o acusavam de todos os crimes que havia cometido.

Quando o Divino Juiz já o ia condenar às penas eternas, interveio em seu favor a Santíssima Virgem. Trouxeram, então, uma balança: num um pratinho da mesma colocaram os pecados do rei.

A Santíssima Virgem colocou no outro o rosário que Alfonso tinha usado para honrá-la e os que, graças ao seu exemplo, haviam recitado outras pessoas. Isto pesou mais que os pecados do rei.

A Virgem disse-lhe logo, olhando-o benignamente:

“Para recompensar-te pelo pequeno serviço que me fizeste ao levar o meu rosário, te alcanço do meu Filho o prolongamento da tua vida por alguns anos. Emprega-os bem e faz penitência!”.

Voltando a si, o rei exclamou:

“Oh, bendito rosário da Santíssima Virgem, que me livrou da condenação eterna!”.

Depois de recobrar a saúde, foi sempre devoto do rosário e recitou-o todos os dias.


(O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário, são luis maria grignion de montfort).

06/05/2016

Temas para meditar - 628


Sofrimento

Não posso lutar contra o sofrimento nem proteger-me ­dele. 
Também não preciso de me obrigar a suportá-lo com valentia ou a conter as minhas lágrimas. 
As dificuldades do sofrimento são, contudo, as dores de parto do nascimento Deus no fundo da minha alma. Sofrer conduz-me, portanto até ao mais profundo da minha alma. 
Lá, Deus nascerá mim. Depois disso, tal como acontecia antes, o sofrimento causar-me-à dor. 
E, muitas vezes, mal o consigo suportar. 
É como as dores de parto que também são insuportáveis as mulheres. 
A mulher suporta-as porque sabe que essa é forma de dar à luz o seu filho. 
Podemos assim aceitar o sofrimento como uma indicação de que o próprio Deus actua sobre nós e quer entrar na nossa alma.

(anselm grunA incompreensível existência de Deus, Paulinas, p. 64)

Ano Jubilar da misericórdia - Reflexão

oracao01Oração

Na misericórdia também se encerra um dever muito especial e de suma importância: rezar pelos outros.

Não precisamos saber o que necessitam, rezemos simplesmente encomendando a Deus, que sabe tudo, que "aplique" o mérito da nossa oração - terá sempre um mérito - por essa pessoa.

De certa forma poderemos considerar que rezar pelos outros não será mais que devolver um bem que recebemos.
Sim, muitos rezam por nós, desde logo os nossos amigos, familiares, quem nos quer bem e, depois a quantidade incomensurável de pessoas que nem sequer conhecemos e que rezam pelos outros.

Chamemos-lhe "orações anónimas" ou seja todas aquelas que não têm um "objectivo singular" mas multitudinário como, por exemplo, algumas orações que se usam na Santa Missa, ou – por exemplo -quando rezamos pelas almas do Purgatório.

A oração nunca se perde, o Senhor aplica as nossas preces com um critério justíssimo porque é o Seu.
Mais tarde, na vida eterna saberemos o verdadeiro "destino" das nossas orações e, também, quem rezou por nós.

Como disse, rezar pelos outros é a mais excelente obra de misericórdia porque estamos a dar, de facto, algo de inestimável valor que nem sabemos nem a dimensão nem o alcance.

Lembro, por exemplo, alguém que por costume diário, quando se deita na sua cama para passar a noite, costuma rezar desta forma:
‘Agradeço-te Senhor o conforto de que desfruto e peço-te por todos aqueles que não têm nem um pouco do que me concedes.’

Não é uma beleza?

E tantas outras ocasiões e motivos que podemos usar. [1]




[1] (ama, Reflexão, Ano Jubilar da Misericórdia, 2016.01.31)

Antigo testamento / Génesis 44

Génesis 44

A taça de prata no saco

1 José deu as seguintes ordens ao administrador de sua casa: "Enche as bagagens desses homens com todo o mantimento que puderem carregar e coloca a prata de cada um na boca da sua bagagem.

2 Depois coloca a minha taça, a taça de prata, na boca da bagagem do mais novo, juntamente com a prata paga pelo trigo". E ele fez tudo conforme as ordens de José.

3 Assim que despontou a manhã, despediram os homens com os seus jumentos.

4 Ainda não se tinham afastado da cidade, quando José disse ao administrador da sua casa: "Vai atrás daqueles homens e, quando os alcançares, diz-lhes: Por que retribuístes o bem com o mal?

5 Não é esta a taça que o meu senhor usa para beber e para fazer adivinhações? Vós cometeste uma grande maldade!"

6 Quando ele os alcançou, repetiu-lhes essas palavras.

7 Mas eles responderam-lhe: "Por que o meu senhor diz isso? Longe dos seus servos fazer tal coisa!

8 Nós trouxemos-lhe de volta, da terra de Canaã, a prata que encontramos na boca da nossa bagagem. Como roubaríamos prata ou ouro da casa do teu senhor?

9 Se algum dos teus servos for encontrado com ela, morrerá; e nós, os demais, seremos escravos do meu senhor".

10 E disse ele: "Concordo. Somente quem for encontrado com ela será meu escravo; os demais estarão livres".

11 Cada um deles descarregou depressa a sua bagagem e abriu-a.

12 O administrador começou então a busca, desde a bagagem do mais velho até a do mais novo. E a taça foi encontrada na bagagem de Benjamim.

13 Diante disso, eles rasgaram as suas vestes. Em seguida, todos puseram a carga de novo nos seus jumentos e retornaram à cidade.

14 Quando Judá e os seus irmãos chegaram à casa de José, ele ainda lá estava. Então eles lançaram-se ao chão perante ele.

15 E José perguntou-lhes: "Que foi que fizeram? Não sabeis que um homem como eu tem poder para adivinhar?"

16 Respondeu Judá: "O que diremos ao meu senhor? Que podemos falar? Como podemos provar a nossa inocência? Deus trouxe à luz a culpa dos teus servos. Agora somos escravos do meu senhor, como também aquele que foi encontrado com a taça".

17 Disse, porém, José: "Longe de mim fazer tal coisa! Somente aquele que foi encontrado com a taça será meu escravo. Os demais podem voltar em paz para a casa do vosso pai".

18 Então Judá dirigiu-se a ele, dizendo: "Por favor, meu senhor, permite-me dizer-te uma palavra. Não se acenda a tua ira contra o teu servo, embora sejas igual ao próprio faraó.

19 O meu senhor perguntou a estes seus servos se ainda tínhamos pai e algum outro irmão.

20 E nós respondemos: Temos um pai já idoso, cujo filho mais novo nasceu na sua velhice. O irmão deste já morreu, e ele é o único filho da mesma mãe que restou, e o seu pai o ama muito.

21 "Então disseste aos teus servos que o trouxessem a ti para que os teus olhos pudessem vê-lo.

22 E nós respondemos ao meu senhor que o jovem não poderia deixar o seu pai, pois, caso o fizesse, o seu pai morreria.

23 Todavia disseste aos teus servos que, se o nosso irmão mais novo não viesse connosco, nunca mais veríamos a tua face.

24 Quando voltamos ao teu servo, a meu pai, contamos-lhe o que o meu senhor tinha dito.

25 "Quando o nosso pai nos mandou voltar para comprar um pouco mais de comida, nós lhe dissemos: 'Só poderemos voltar para lá, se o nosso irmão mais novo for connosco. Pois não poderemos ver a face daquele homem, a não ser que o nosso irmão maisnovo esteja connosco'.

26 "O teu servo, meu pai, disse-nos então: Sabeis que a minha mulher me deu apenas dois filhos.

27 Um deles foi-se, e eu disse: Com certeza foi despedaçado. E, até hoje, nunca mais o vi.

28 Se agora também levarem este de mim, e algum mal lhe acontecer, a tristeza que me causarão fará com que os meus cabelos brancos desçam à sepultura'.

29 "Agora, pois, se eu voltar ao teu servo, a meu pai, sem levar o jovem connosco, logo que meu pai, que é tão apegado a ele, perceber que o jovem não está connosco, morrerá. Os teus servos farão o seu velho pai descer os seus cabelos brancos à sepultura com tristeza.

30 "Além disso, o teu servo garantiu a segurança do jovem a seu pai, dizendo-lhe: 'Se eu não o trouxer de volta, suportarei essa culpa diante de ti pelo resto da minha vida!'

31 "Por isso agora te peço, por favor, deixa o teu servo ficar como escravo do meu senhor no lugar do jovem e permite que ele volte com os seus irmãos.

32 Como poderei eu voltar para meu pai sem levar o jovem comigo? Não! Não posso ver o mal que sobreviria a meu pai".

 (Revisão da versão portuguesa por ama)