15/11/2011

Evangelho do dia e comentário

 São Alberto Magno [i]












T. Comum– XXXIII Semana




Evangelho: Lc 19, 1-10

1 Tendo entrado em Jericó, atravessava a cidade. 2 Eis que um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos publicanos e rico, 3 procurava conhecer de vista Jesus, mas não podia por causa da multidão, porque era pequeno de estatura. 4 Correndo adiante, subiu a um sicómoro para O ver, porque havia de passar por ali. 5 Quando chegou Jesus àquele lugar, levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, porque convém que Eu fique hoje em tua casa». 6 Ele desceu a toda a pressa, e recebeu-O alegremente. 7 Vendo isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa de um homem pecador». 8 Entretanto, Zaqueu, de pé diante do Senhor, disse-Lhe: «Eis, Senhor, que dou aos pobres metade dos meus bens e, naquilo em que tiver defraudado alguém, restituir-lhe-ei o quádruplo». 9 Jesus disse-lhe: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão. 10 Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido».

Comentário:

Procurar Jesus Cristo é o que devem fazer todos os homens. Os cristãos sabem que Ele anda pelos caminhos da terra, a cada passo Se cruza connosco, que está sempre presente nas nossas vidas.
Mas não Se impõe, nunca!
Respeitando a liberdade que nos outorgou espera sem descanso que vamos ter com Ele.

Em muitas zonas deste mundo em que vivemos não é possível procurá-lo às claras, isto é, ir ter com Ele onde está fisicamente no Seu Corpo, Alma e Divindade oculto sob as espécies do pão. Corre grande risco – às vezes da própria vida – quem o faz arrostando com todas as dificuldades.

E nós?
Não somos, acaso, felizes por O ter disponível, permanentemente, em da Igreja da nossa terra?
E vamos ter com Ele?
Ao menos, por breves minutos, fazemos-lhe uma visita de cortesia nem que seja breve, só para Lhe dizer que estamos ali, que O amamos, O adoramos e lhe pedimos por todos aqueles que acima se referem que não podem fazer como nós?

O Supremo Acto de Amor que é a Santíssima Eucaristia não requer um pouco de amor da nossa parte?

(ama, comentário sobre Lc 19, 1-10, 2011.10.17)


[i] Nota Histórica 
Nasceu em Lauingen, junto do Danúbio (Alemanha), cerca do ano 1206. Fez os seus estudos em Pádua e em Paris. Entrou na Ordem dos Pregadores e exerceu o magistério em vários lugares com grande competência. Ordenado bispo de Ratisbona, pôs todo o seu empenho em estabelecer a paz entre os povos e cidades. É autor de muitas e importantes obras, tanto de cultura sagrada como profana. Morreu em Colónia no ano 1280.

Novembro

Navegando pela minha cidade
Em Novembro já estamos plenamente no Outono embora pelas regras do 
movimento dos astros que os homens estudam e sistematizam ele tenha começado já em Setembro. Talvez para dizer aos homens que quem manda são eles (os astros) o mês de Outubro deste ano foi um Verão muito melhor do que em Agosto.

Toda a natureza se vai aos poucos despindo e despedindo num até breve. Convida ao recolhimento e à meditação escatológica porque essa vida abundante, fértil e generosa que a natureza viveu desde a Primavera vai morrendo aos poucos diante de nós num grafismo vegetal de uma plasticidade incontornável.

Não sei, mas talvez seja por isto que a rua que vai direita da Rotunda da Boavista (Praça Mouzinho de Albuquerque) ao portão do cemitério de Agramonte se chame Rua da Meditação.

De facto, quem não meditou sobre a vida e sobre a morte quando teve de entrar por aqueles enormes portões de ferro acompanhando numa imensa dor um familiar ou um amigo que lhe morreu?

Quando assim não acontece. Isto é, quando se vai ao cemitério no dia dos Fiéis Defuntos ou num outro dia qualquer em que a dor não nos cega para tudo que não seja aquele amor ou aquela amizade que perdemos, vêem-se outras coisas que nos foram invisíveis então.

E aí é uma outra espécie de escatologia arquitectónica e literária que se afirma na monumentalidade dos jazigos; na estatuária; nos pensamentos e nas poesias saudosisticas. Tudo de uma maneira geral de fraco gosto estético e sempre assustador. Porque a morte e a eternidade são enormes mistérios. São os grandes mistérios do Homem.

Mas quando fracamente se fala de um grande mistério - ou de um grande amor – súbita e subtilmente ele transforma-se em algo ridículo e motivo de riso. Se não vejamos este tenebroso escrito numa placa de mármore no alto do portão do cemitério da Lapa: “Eis ossos carcomidos cinzas frias / em que parâo da vida os breves dias / Mortal se quanto vês te não abala / Houve a tremenda voz que assim te fala / Lembra-te ó homem que és pó e que destarte / em pó ou cêdo ou tarde hás-de tornar-te”[1]. Por baixo desta frase jazem gravadas em alto-relevo no granito, uma caveira sobre duas tíbias cruzadas e uma ampulheta com asas. É um Tempus fugit[2] na pedra como havia nos mostradores dos relógios antigos.

Ou este pedido gravado de cada lado da porta de um jazigo, num lado em latim e no outro em português: “Lembra-te de mim que fui e já não sou. / Tu que és e não serás”. Parece-se mais com uma ameaça ou uma praga do que com um pedido.

No cemitério de Agramonte, logo à direita de quem entra, uma grande placa de chapa pintada de branco com letras pretas é a demonstração acabada ou o exemplo perfeito da nossa burocracia. Ou seja, avisa o que não seria necessário avisar se os funcionários do cemitério fizessem cumprir o regulamento e a sua proibição desmente-se e desautoriza-se a si própria com a evidência de dezenas e dezenas de gordos e luzidios gatos que ornamentam os jazigos em figuras tão esfíngicas como as de pedra. Ei-la: “NÃO É AUTORIZADO DAR DE COMER AOS GATOS E CÃES VISTO QUE O REGULAMENTO PROÍBE A PRESENÇA DE ANIMAIS DOMÉSTICOS NO CEMITÉRIO”.

Parece – avant la lettre – a expressão: “uma anedota ordinária contada num enterro”.

Mas tudo isto é à superfície, porque o que fica sempre neste Novembro que vai passando e em que de um modo especial lembro o irmão que morreu no dia 28 é a saudade que às vezes se interroga: e se tivesse sido de outra maneira? E a afirmação que lhe responde: tudo é para bem.

Por coincidência no jornal Público do dia 11 do 11 de 11 a citação do Escrito na pedra foi: A recordação da felicidade já não é felicidade; A recordação da dor ainda é dor.”[3]


Afonso Cabral


[1] Sic
[2] O tempo foge
[3] Lord Byron (1788-1824), poeta inglês

Pensamentos inspirados à procura de Deus

À procura de Deus





Não julgues que tens mais tempo,
que o tempo que Deus quiser.

jma





14/11/2011

Música e entretenimento

2011.11.21  -  Música -  Victor Borge plays Chopin

selecção JMA

Novíssimos – A Morte 6

O dia da Morte
William-Adolphe Bourgerau




Cremos na vida eterna. Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que devem ser purificadas pelo fogo do Purgatório como as que imediatamente depois de se separarem do corpo, como o bom ladrão, são recebidas por Jesus no Paraíso - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída totalmente no dia da Ressurreição em que estas almas se unirão aos seus corpos.







(paulo VI, Somlenis Professio fidei, Roma, 30.06.1968.06.30, nr. 28)

Perfeição

Reflectindo





O desejo de perfeição é um acto da vontade que, sob a influência da graça, aspira sem cessar ao progresso espiritual.













(adolphe tanqueray, Compêndio de Teologia Ascética e Mística, LAI, 1961, nr. 411)

Pensamentos inspirados à procura de Deus

À procura de Deus


Mais vale dar um bom testemunho à má 

companhia,

do que andar só.





jma

Santidade






Estamos obrigados a procurar a perfeição cristã, a ser santos, a não defraudar, não só Deus pela eleição de que nos faz objecto, mas também a todas essas criaturas que tanto esperam do nosso trabalho apostólico.



(
s. josemaria, Carta, 1931.03.24, n 57)

Evangelho do dia e comentário













T. Comum– XXXIII Semana




Evangelho: Lc 18, 35-43

35 Sucedeu que, aproximando-se eles de Jericó, estava sentado à beira da estrada um cego a pedir esmola. 36 Ouvindo a multidão que passava, perguntou que era aquilo. 37 Disseram-lhe que era Jesus Nazareno que passava. 38 Então ele clamou: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!». 39 Os que iam adiante repreendiam-no para que se calasse. Porém, ele, cada vez gritava mais: «Filho de David, tem piedade de mim!». 40 Jesus, parando, mandou que Lho trouxessem. Quando ele chegou, interrogou-o: 41 «Que queres que te faça?». Ele respondeu: «Senhor, que eu veja». 42 Jesus disse-lhe: «Vê; a tua fé te salvou». 43 Imediatamente, recuperou a vista, e foi-O seguindo, glorificando a Deus. Todo o povo, vendo isto, deu louvores a Deus.
Comentário:

Porque é Jesus pergunta ao cego o que quer que lhe faça?

Não parece óbvio que desejava ver?

O Mestre quer aproveitar a ocasião, como sempre faz, para nos ensinar a pedir.

“Senhor, quero isto ou quero aquilo”, assim, com a simplicidade das crianças é como devemos pedir.

Ele saberá o que fazer.

(AMA, Comentário sobre Lc 18, 35-43, 2010.11.14)

Educar a afectividade 5

A FORÇA DA EDUCAÇÃO

Entre o sentimento e a conduta há um passo importante. Por exemplo, pode sentir-se medo e actuar valentemente. Ou sentir ódio e perdoar. Nesse espaço entre sentimentos e acção está a liberdade pessoal. Produz-se então uma decisão pessoal, que se situa em parte nesse momento concreto e em parte antes, no processo prévio de educação e auto-educação. Ao longo da vida vai-se criando um estilo de sentir, e também um estilo de actuar. 
Continuando com o exemplo, uma pessoa medrosa ou rancorosa acostumou-se a reagir cedendo ao medo ou ao rancor que espontaneamente lhe produzem determinados estímulos, e isto criou nele um hábito mais ou menos permanente. Esse hábito leva-o a ter uma forma própria de responder afectivamente a essas situações, até acabar por constituir um rasgo do seu carácter.
Em resumo, não podemos mudar a nossa herança genética, nem a nossa educação até ao dia de hoje, mas podemos sim pensar no presente e no futuro, com uma confiança profunda na grande capacidade de transformação do homem através da formação, do esforço pessoal e da graça de Deus.

a. aguiló

13/11/2011

Qualquer um pode fazer leis?

O imperador Justiniano,
mosaico na Basílica de San Vitale, Ravena
Parece que a razão de qualquer um pode fazer leis:


1. Com efeito, diz o Apóstolo nas Carta aos Romanos que “os gentios, que não têm a lei, naturalmente fazem o que é da lei e são lei para si mesmos” (2, 14). Ora, diz isto comummente de todos. Logo, qualquer um pode fazer-se a lei.
2. Além disso, como diz o Filósofo, “a intenção do legislador é de induzir o homem à virtude” (livro II da Ética). Ora, qualquer homem pode induzir à virtude. Logo, a razão de qualquer homem pode fazer leis.
3. Ademais, como o príncipe da cidade é dela o governante, assim qualquer pai de família é o governante da casa. Ora, o príncipe da cidade pode fazer a lei na cidade. Logo, qualquer pai de família pode fazer a lei em sua casa.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, diz Isidoro e está nas Decretais: “A lei é a constituição do povo, segundo a qual os que são maiores por nascimento, juntamente com as plebes, sancionaram algo”. Não é, portanto, de qualquer um fazer a lei.
A lei propriamente, por primeiro e principalmente, visa a ordenação ao bem comum. Ordenar, porém, algo para o bem comum é ou de toda a multidão ou de alguém que faz as vezes de toda a multidão. E assim constituir a lei ou pertence a toda a multidão, ou pertence à pessoa pública que tem o cuidado de toda a multidão. Porque em todas as coisas ordenar para o fim é daquele de quem este fim é próprio.
Quanto às objecções iniciais, portanto, deve-se dizer que:
1. Como foi afirmado acima (a.1), que a lei está em algo não só como em quem regula, mas também, participativamente, como em quem é regulado. E desse modo cada um é lei para si mesmo, enquanto participa da ordem de alguém que regula. Por isso, aí mesmo se acrescenta: “Aqueles que mostram a obra da lei, escrita em seus corações”.
2. A pessoa privada não pode induzir eficazmente à virtude. Pode, com efeito, somente admoestar, mas, se sua admoestação não é recebida, não tem força coactiva, que a lei deve ter, para que eficazmente induza à virtude, como diz o Filósofo. Tal virtude coactiva tem a multidão ou a pessoa pública à qual pertence infligir penas, como se dirá abaixo (q.92, a.2). E assim é apenas dela o fazer leis.
3. Como o homem é parte da casa, assim a casa é parte da cidade; e a cidade é a comunidade perfeita, como se diz no livro I da Política. E assim, como o bem de um só homem não é o fim último, mas ordena-se ao bem comum, assim também o bem de uma só casa ordena-se ao bem de uma cidade, que é a comunidade perfeita. Portanto, aquele que governa uma família, pode certamente fazer alguns preceitos ou estatutos; não porém, aqueles que têm propriamente razão de lei.

ST 1ª 2ae, q.90. a.