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13/06/2011

Criação, Fé e Ciência



Caminho e Luz
A debilidade do relativismo


12. O relativismo é outra moral

O relativismo presume estar acima da moral e da ética ao afirmar que não existem absolutos desse tipo.
Todavia, o relativista é na realidade também um moralista e não o pode negar, pois as suas ideias necessariamente pressupõem que são boas e que as restantes ideias são más. Quer dizer, também faz uma distinção entre o devido e o indevido.
O relativista também tem um padrão moral que usa para julgar acções e crenças, qualificando de más as que não coincidem com as suas ideias. Este padrão moral do relativista é em si mesmo um princípio absoluto que são os que o relativista combate. Ao combater os valores absolutos, o relativista termina criando um deles.


eduardo garcía gaspar
, conoZe, 2011.04.13, trad ama

12/06/2011

Educação, Fé e Ciência

Caminho e Luz
A debilidade do relativismo


11. O relativismo socava a liberdade


Para o relativismo não existem valores absolutos. Quem crê que a liberdade humana é um direito universal, tem tanta razão como o que pensa que essa liberdade não existe.
O relativismo, portanto, vai contra as noções de dignidade humana, propriedade privada, liberdade, estado de direito e outras que servem de contrapeso ao despotismo.
Para o relativismo nenhum princípio é digno de ser defendido (excepto o de que tudo é relativo). Como consequência, sob uma mentalidade relativista, o totalitarismo é perfeitamente aceitável e nenhum princípio poderia opor-se-lhe.
Tal é o efeito da tese que defende, por exemplo, que a moralidade é um simples produto da classe social a que se pertence.
Escolas de pensamento como o marxismo, o fascismo e o nazismo justificam dessa formas acções dos seus governos às quais não põem limites. Igualmente, as formas de pensar que tornam flexíveis princípios que deviam ser absolutos, facilitam praticas que os violam, como no caso do aborto.
O relativismo cria uma impressão paradoxal. Quem o defende pretende estar sendo libertado da tirania dos absolutos, que considera como opressores de sua liberdade.
Sem esses absolutos, pensa-se, chegará a real e total liberdade. Daqui surgem os conceitos de tolerância, pluralismo, diversidade e que em última instância solicitam que se suspenda a emissão de juízos, pois nada é mal nem nada é falso.
O resultado dessa mentalidade é a perda de um eixo moral, cujo vazio é cheio pelas decisões de governo, as que forem, quando, então, essa liberdade que se julgava ter conquistado se perde.
Crendo que todo o juízo moral é uma imposição indevida na pessoa, perde-se a defesa moral da liberdade e o governante fica como árbitro do que é bom e certo.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


11/06/2011

Criação, Fé e Ciência



Caminho e Luz
A debilidade do relativismo


10. O relativismo da legitimidade do autoritarismo

Antes tinha-se assinalado que os relativistas afirmam que as crenças pessoais ou culturais devem ser consideradas como certas para essa pessoa ou cultura, concluindo que isso implica não poder melhorar nada. Já que o que se crê ou faz é certo e bom, não há possibilidade de mudança para melhor.
A consequência disto é vital: justifica-se e valida-se o que seja que se acredite e faça numa sociedade, quer dizer, dá-se legitimidade e continuidade a formas autoritárias de governo e práticas cruéis existentes, as que forem.
O relativismo toma o que existe e sem mais requisito que esse afirma que é bom e verdadeiro, seja um governo genocida ou um democrático.
Mais ainda, o relativismo pressupõe que o que existe é bom e verdadeiro, que não tem possibilidade de melhorar. Por consequência, opõe-se a sistemas políticos que admitem essa possibilidade por meio de diálogos, discussão e procura de melhorias.
Já que para o relativismo o que existe, se pensa ou crê é a verdade e o bom, todo diálogo carece de sentido e não existe assim possibilidade de evitar práticas totalitárias.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


10/06/2011

Criação, Fé e Ciência



Caminho e Luz
A debilidade do relativismo 
9. Nem o crer nem o fazer mudam a natureza do objecto

Gairdner assinala um ponto adicional de mero sentido comum, as coisas não podem ser mudadas, a realidade não muda por efeito de um acto da vontade.
Querer que algo seja bom ou mau, ou que seja verdadeiro ou falso, não pode ser logrado por um simples querer que seja assim. Que algo se faça ou pense, não o torna nem bom nem verdadeiro.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


09/06/2011

Criação, Fé e Ciência

Observando
A debilidade do relativismo 

8. Três falhas fatais do relativismo moral e cultural


Sob este enunciado, Gairdner aponta três faltas de esses dois relativismos.

A. Segundo o relativismo, todas as crenças e práticas são aceitáveis. Se tal é sustentado, então nada há que dizer sobre a bondade ou a verdade das coisas e todas as culturas e sistemas de moral se encontram numa posição óptima que não admite a ideia de melhoria.
Nada existiria que uns pudessem aprender de outros pois tudo atingiu o ponto da perfeição.

B. O relativismo afirma que a moralidade está determinada pelas crenças culturais e suas práticas. Se se defende isso, deve concluir-se que o canibalismo pode ser mau aqui e agora, mas que foi bom noutro momento ou é bom noutro local.
Quer dizer, o que num lugar ou num momento se crê tem o poder de alterar a natureza do objecto. E, mais ainda, a verdade e a moral dependerão do número de pessoas que creiam em algo.

C. Segundo o relativismo, todas as culturas são igualmente boas. Se isto se sustenta, então chega-se a conclusões que são absurdas: considerar como desejáveis e positivos costumes como a escravidão, os sacrifícios humanos, os genocídios, se é que essas práticas são parte da cultura num momento e lugar.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


08/06/2011

Criação, Fé e Ciência

Caminho e Luz
A debilidade do relativismo 

7. Não é o mesmo variação que relatividade


O relativismo pode ser provocado pela confusão que produz o não diferenciar entre variações e relatividade. Um mesmo principio, invariável, pode ter variações de aplicação ou interpretação, mas isso não implica que o princípio seja relativo.
Um princípio como não roubar, que é equivalente ao respeito da propriedade privada, não pode anular-se considerando-o como relativo por causa de ter sido aplicado de maneiras diferentes em diversos lugares.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


07/06/2011

Criação, Fé e Ciência

Caminho e Luz
A debilidade do relativismo

6. O relativismo cultural é uma teoria débil


O autor agora põe a sua atenção num dos conceitos mais populares, o do relativismo cultural, assinalando os pontos seguintes.
Primeiro, contradiz-se a si mesmo. O relativismo cultural parte da noção de que não existe o bom nem o mau nas culturas, quer dizer, aplica um critério que é o da flexibilidade para comparar culturas.
Necessariamente supõe que esse padrão de comparação é bom e se o bom e o mau são impossíveis de identificar, então esse padrão não existiria. Usar um padrão de bom-mau significa admitir que é possível diferenciar entre o certo-falso, o entre o bom-mau.
Segundo, tudo seria admissível. Se se admite como bom o que se pensa, crê e faz numa cultura, então teria que aceitar-se que, por exemplo, o nazismo deve ser visto positivamente. Se nalgumas culturas a escravidão foi considerada aceitável, deve admitir-se que a escravidão é boa, pelo menos em alguns tempos, mas que agora já não o é.
Além disso, o relativismo cultural é uma ideia das culturas ocidentais. Aceitá-lo seria admitir que esse traço é positivo e deve ser imposto em culturas nas quais não existe, o que contradiz a expectativa lógica: que a não existência do relativismo cultural nalgumas culturas deve ser visto como bom.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


06/06/2011

Criação, Fé e Ciência

Caminho e Luz
A debilidade do relativismo 

5. A dificuldade em encontrar a verdade


As verdades não são conhecidas de imediato. Algumas delas levam tempo. Tardam em ser descobertas, o que significa que não conhecê-las queira dizer que não existam.
Simplesmente ainda não se conhecem, e os peritos costumam estar divididos em crenças opostas e explicações alternativas.
O que o autor assinala aqui é o risco de confundir a dificuldade em encontrar verdades com a impossibilidade de o fazer. Mais ainda, nessa dificuldade encontram-se discussões árduas que tampouco significam a não existência de uma verdade.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


05/06/2011

Criação, Fé e Ciência

Caminho e Luz
A debilidade do relativismo

4. Uma crença não se prova a si mesma


Sobre uma mesma coisa podem existir opiniões muito variadas, diferentes e contraditórias, nas quais se crê com convicção.
Esta realidade não prova que não exista uma realidade que pode coincidir com algumas das opiniões ou com nenhuma. É possivel que todas as opiniões sejam falsas.
Uma crença ou opinião é uma afirmação que se defende na expectativa de que seja certa, quer dizer, corresponda à realidade. Essa expectativa de correspondência não é uma prova em favor da opinião sustentada.
A crença num sistema em que o sol gira em redor da terra era falsa, sempre o foi e será, sem que tenha tido importância o vigor com que sobre isso se opinava.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


04/06/2011

Criação, Fé e Ciência

Observando
A debilidade do relativismo 

3. A questão das «verdades» em conflito



Gairdner aponta a situação na qual duas pessoas sustêm opiniões que são contraditórias e opostas entre si. Segundo o relativismo, ambas opiniões devem aceitar-se como verdadeiras. Mas isto significa aceitar que algo pode ser e não ser ao mesmo tempo.

Se todas as opiniões são verdadeiras, então necessariamente cai-se numa contradição: uma coisa qualquer pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo e no mesmo sentido. É uma violação do princípio da não contradição: é impossível que algo seja uma coisa ao mesmo tempo que não o seja.
O relativismo, por princípio, sustenta que as opiniões contrárias são verdadeiras ao mesmo tempo. Se se aceita isso, teria que declarar-se que uma pessoa pode ser ao mesmo tempo uma parede e que uma parede pode ser um barco. Só por pensar que uma pessoa não é um barco, a pessoa seria um não barco; mas pensar que uma pessoa é um barco, faria com que o fosse.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


03/06/2011

Criação, Fé e Ciência

Caminho e Luz
A debilidade do relativismo

2. O relativismo necessita usar absolutos



Para que o relativismo seja demonstrado como certo requer que as afirmações comparadas e o marco da comparação sejam absolutos. Isto pode ver-se no que segue.

Na compreensão clássica não relativista, a verdade é a correspondência entre uma afirmação e a realidade. Se o que se afirma não corresponde à realidade, a afirmação considera-se falsa. É uma relação que vai da forma seguinte  afirmação > mundo.
Os relativistas acrescentam um elemento a essa relação, a de uma espécie de filtro que torna impossível a observação directa do mundo:  afirmação > filtro > mundo.
Esse filtro é uma visão pessoal que pode ter a forma de uma opinião, uma crença cultural, um valor moral, ou uma simples percepção sobre o mundo. Esta visão pessoal é o que torna impossível o conhecimento da realidade, segundo o relativismo.
Tem uma aparência atractiva, mas é um engano: sendo lógicos, se o filtro existe, então não pode conhecer-se nada mais que o filtro ou visão pessoal; mas então o conhecimento desse filtro deve ser absoluto e não relativo (ainda que em cada pessoa seja diferente).
E se essas visões ou filtros são absolutos, segundo o relativismo, não podem ser conhecidos e a sua existência não pode ser demonstrada.
Mais ainda, se como dizem os relativistas nenhuma afirmação pode considerar-se falsa, então deve concluir-se que tampouco nenhuma afirmação é verdadeira.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


02/06/2011

Criação, Fé e Ciência

Caminho e Luz
A debilidade do relativismo 


1. O relativismo refuta-se a si mesmo



O coração do relativismo é a ideia de que todos os reclames de verdade que se fazem têm a mesma validade e são igualmente certos. Em estrita lógica, se essa afirmação é verdadeira, por consequência também é verdade a afirmação de que o relativismo é falso.
É a crítica mais popular do relativismo e talvez a mais devastadora. Dizer que todas as afirmações são relativamente verdadeiras é na realidade uma afirmação absoluta e que o relativismo nega que possam existir. É uma posição que se nega a si mesma.
Mas se acaso se ignora essa crítica, ficaria por estabelecer se o relativismo é absoluta ou relativamente certo. Se é absolutamente certo, então deve concluir-se que nem todas as verdades são relativas. E se é relativamente certo, então não o é para outros.
Mais ainda, se uma pessoa diz «isto é verdade para mim e o outro é verdade para ti», ela está afirmando que se trata de uma verdade absoluta o que diz e, portanto, usa uma ideia que trata de negar para provar estar certo. Quer combater a existência de verdades absolutas, mas usa uma ao dizer que todas as crenças são ao mesmo tempo certas e duvidosas.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama


01/06/2011

Criação, Fé e Ciência

Caminho e Luz
A deblidade do relativismo


William D. Gairdner — The Book of Absolutes: A Critique of Relativism and a Defence of Universals — começa assinalando que noutros tempos uma pessoa educada e instruída se gloriava da defesa de valores e conhecimentos que considerava absolutos e dignos de um convencimento sólido.
Em troca, agora uma pessoa que queira dar a aparência de ser educada e razoável faz o oposto. Presume de tolerante, aberto, plural e aceitar com flexibilidade e abertura o que todos digam e defendem.
Essa pessoa na actualidade é um relativista e dele se esperaria uma sólida justificação da sua posição. Deve ser capaz de defendê-la com lógica e responder às críticas com êxito.
Isto é o que, em seguida, o autor faz, uma lista de objecções do relativismo, doze das quais se apresentam agora.

eduardo garcía gaspar, conoZe, 2011.04.13, trad ama