21/03/2021

São Josemaria – Textos

 


Servir Nosso Senhor e os homens

Qualquer actividade – quer seja ou não humanamente muito importante – tem de converter-se para ti num meio de servir Nosso Senhor e os homens: aí está a verdadeira dimensão da sua importância. (Forja, 684)

Não me afasto da mais rigorosa verdade se vos digo que Jesus continua agora a buscar pousada no nosso coração. Temos de Lhe pedir perdão pela nossa cegueira pessoal, pela nossa ingratidão. Temos de Lhe pedir a graça de nunca mais Lhe fechar a porta das nossas almas. Aprendamos a obedecer, aprendamos a servir. Não há maior fidalguia do que entregar-se voluntariamente ao serviço dos outros. Quando sentimos o orgulho que referve dentro de nós, a soberba que nos leva a pensar que somos super-homens, é o momento de dizer que não, de dizer que o nosso único triunfo há-de ser o da humildade. Assim nos identificaremos com Cristo na Cruz, não aborrecidos ou inquietos, nem com mau humor, mas alegres, porque essa alegria, o esquecimento de nós mesmos, é a melhor prova de amor. (Cristo que passa, 19)

Leitura Espiritual Mar 21

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc X, 38-42; Lc XI, 1-13

 

Marta e Maria

38 Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39 Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. 40 Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.» 41 O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; 42 mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»

 

Sobre a oração

XI 1 Sucedeu que Jesus estava algures a orar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos.»

 

O Pai-Nosso

2 Disse-lhes Ele: «Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; 3 dá-nos o nosso pão de cada dia; 4 perdoa os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixes cair em tentação.»

 

Perseverança e confiança

5 Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo e for ter com ele a meio da noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, 6 pois um amigo meu chegou agora de viagem e não tenho nada para lhe oferecer’, 7 e se ele lhe responder lá de dentro: ‘Não me incomodes, a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados; não posso levantar-me para tos dar’. 8 Eu vos digo: embora não se levante para lhos dar por ser seu amigo, ao menos, levantar-se-á, devido à impertinência dele, e dar-lhe-á tudo quanto precisar.» 9 «Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; 10 porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á. 11 Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? 12 Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? 13 Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!» 14 Jesus estava a expulsar um demónio mudo. Quando o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada. 15 Mas alguns dentre eles disseram: «É por Belzebu, chefe dos demónios, que Ele expulsa os demónios.»

 

Texto


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1986

 

 Amados irmãos e irmãs em Cristo!

 

O Evangelho apresenta-nos a lei da caridade, enunciada de maneira bem clara com palavras e com os exemplos constantes de Cristo, o Bom Samaritano. Ele solicita-nos a amar a Deus e a amar a todos os nossos irmãos, especialmente os mais necessitados. A caridade, de facto, esvazia-nos do nosso egoísmo, abate as barreiras do nosso isolamento, faz-nos abrir os olhos e leva-nos a descobrir o próximo, naqueles que estão junto de nós, naqueles que estão longe de nós e em toda a humanidade. A caridade é exigente mas reconfortante, porque ela constitui a realização da nossa vocação cristã fundamental e leva-nos a participar no Amor do Senhor.

 

A nossa época, como aliás todas as épocas, é tempo de caridade. Não faltarão, certamente, as oportunidades para viver a caridade. Os meios de comunicação todos os dias atraem os nossos olhares e impressionam os nossos corações, fazendo chegar até nós os apelos angustiados e urgentes de milhões de irmãos nossos menos favorecidos atingidos por algum cataclismo, natural ou provocado pelo homem; põem-nos diante de irmãos famintos, feridos no próprio corpo ou na própria alma, enfermos, espoliados, prófugos, isolados e desprovidos de qualquer auxílio. Todos eles estendem a mão para nós cristãos, que queremos viver o Evangelho e o maior e único Mandamento do Amor.

 

Nós, portanto, estamos bem ao corrente. Mas sentir-nos-emos nós interpelados? Como e possível, diante do jornal que lemos ou ouvimos e das imagens do nosso televisor, nós continuarmos a passear como turistas, calma a tranquilamente, a emitir juízos de valor sobre os acontecimentos, sem contudo abandonar o nosso conforto? Poderemos nós recusar-nos a ser importunados, incomodados, aborrecidos mesmo e sacudidos na nossa passividade por esses milhões de seres humanos que são também eles nossos irmãos e nossas irmãs, criaturas de Deus, como nós chamados à vida eterna? Como se poderá permanecer impassível diante de crianças de olhar desvairado e com corpos esqueléticos? Poderá a nossa consciência de cristãos continuar despreocupada neste mundo de sofrimentos? A parábola do Bom Samaritano terá ainda alguma coisa a dizer-nos?

 

No princípio desta Quaresma, tempo de penitência, tempo de reflexão e tempo de generosidade, uma vez mais Cristo faz apelo a todos vós. A Igreja, que quer estar presente no mundo, sobretudo no mundo que sofre, conta convosco. Os sacrifícios que ireis fazer, por pequenos que sejam, salvarão corpos e reanimarão almas e a «civilização do Amor» não há-de ser doravante uma palavra vã.

 

A caridade não hesita, porque ela é a expressão da nossa fé. Que as vossas mãos se abram cordialmente, pois, para partilhar com todos aqueles em quem ireis reconhecer o vosso próximo.

 

«Tornai-vos servos uns dos outros, pela caridade» (Gal 5, 13).

 

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

 

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Sacramentos

 


Que são os sacramentos – vestígios da Encarnação do Verbo, como afirmaram os antigos – senão a mais clara manifestação deste caminho que Deus escolheu para nos santificar e levar para o Céu? Não vedes que cada sacramento é o amor de Deus, com toda a sua força criadora e redentora, que se nos dá servindo-se de meios materiais? O que é esta Eucaristia – já iminente – senão o Corpo e o Sangue adoráveis do nosso Redentor, que Se nos oferece através da humilde matéria deste mundo – vinho e pão – através dos elementos da natureza cultivados pelo homem, como o último Concílio Ecuménico quis recordar?

(São Josemaria, Temas atuais do cristianismo, 115).

Reflexão na Quaresma

 


Quinto Domingo da Quaresma

Só morrendo é que a semente dá origem a uma vida nova, revelando assim a sua maravilhosa fecundidade.

Também para Jesus a morte é semente de uma vida maravilhosamente nova e fecunda. Graças à Sua morte redentora, os benefícios da salvação são, com efeito, comunicados a todos os homens, judeus ou pagãos. A Sua morte é a conclusão da Sua missão é, por isso, a hora da Sua glorificação.

Aceitando voluntariamente a morte, em filial e amorosa obediência ao Pai e aos Seus planos de salvação, Jesus «deu-nos a vida imortal».

Doutrina

 

A oração

 

2. Conteúdos da oração

Acção de graças.

 

O reconhecimento dos bens recebidos e, através deles, da magnificência e misericórdia divinas, impele a dirigir o espírito a Deus para proclamar e Lhe agradecer os seus benefícios. A atitude de acção de graças enche a Sagrada Escritura, do princípio ao fim e toda a história da espiritualidade. Uma e outra põem em evidência que, quando essa atitude se arraiga na alma, dá lugar a um processo que leva a reconhecer como dom divino, a totalidade do que acontece, não só aquelas realidades que a experiência imediata acredita como gratificantes, mas também as outras que podem parecer negativas ou mesmo adversas.

Consciente de que o acontecer está situado na dependência do desígnio amoroso de Deus, o crente sabe que tudo redunda em bem daqueles – cada homem – que são objecto do amor divino (cf. Rm 8, 28). “Acostuma-te a elevar o coração a Deus, em acção de graças, muitas vezes ao dia. — Porque te dá isto e aquilo. — Porque te desprezaram. — Porque não tens o que precisas ou porque o tens. Porque fez tão formosa a sua Mãe, que é também tua Mãe. — Porque criou o Sol e a Lua este animal e aquela planta. — Porque fez aquele homem eloquente e a ti te fez difícil de palavra... Dá-Lhe graças por tudo, porque tudo é bom”. [1]

 



[1] São Josemaria, Caminho, 268.

Pequena agenda do cristão - Domingo

    


DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)



























20/03/2021

São Josemaria – Textos

 


Dispostos a uma nova rectificação

Os teus parentes, os teus colegas, os teus amigos, vão notando a diferença, e reparam que a tua mudança não é uma mudança passageira; que já não és o mesmo. Não te preocupes. Para a frente! Cumpre o "vivit vero in me Christus" – agora é Cristo quem vive em ti! (Sulco, 424)

“Qui habitat in adiutorio Altissimi in protectione Dei coeli commorabitur” – Habitar sob a protecção de Deus, viver com Deus: eis a arriscada segurança do cristão. É necessário convencermo-nos de que Deus nos ouve, de que está sempre solícito por nós, e assim se encherá de paz o nosso coração. Mas viver com Deus é indubitavelmente correr um risco, porque o Senhor não Se contenta compartilhando; quer tudo. E aproximar-se d'Ele um pouco mais significa estar disposto a uma nova rectificação, a escutar mais atentamente as suas inspirações, os santos desejos que faz brotar na nossa alma, e a pô-los em prática.

Desde a nossa primeira decisão consciente de viver integralmente a doutrina de Cristo, é certo que avançámos muito pelo caminho da fidelidade à sua Palavra. Mas não é verdade que restam ainda tantas coisas por fazer? Não é verdade que resta, sobretudo, tanta soberba? É precisa, sem dúvida, uma outra mudança, uma lealdade maior, uma humildade mais profunda, de modo, que, diminuindo o nosso egoísmo, cresça em nós Cristo, pois “illum oportet crescere, me autem minui”,é preciso que Ele cresça e que eu diminua.

Não é possível deixar-se ficar imóvel. É necessário avançar para a meta que São Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim. A ambição é alta e nobilíssima: a identificação com Cristo, a santidade. Mas não há outro caminho, se se deseja ser coerente com a vida divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer nas nossas almas. O avanço é o progresso na santidade; o retrocesso é negar-se ao desenvolvimento normal da vida cristã. Porque o fogo do amor de Deus precisa de ser alimentado, de aumentar todos os dias arreigando-se na alma; e o fogo mantém-se vivo queimando novas coisas. Por isso, se não aumenta, está a caminho de se extinguir. (Cristo que Passa, 58)

Leitura Espiritual Mar 20

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc X, 21-37

 

Alegria de Jesus

21  Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22  Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lho.» 23 Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: «Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. 24 Porque - digo-vos - muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram!»

 

O bom samaritano

25 Levantou-se, então, um doutor da Lei e perguntou-lhe, para o experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?» 26 Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?» 27 O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.» 28 Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.» 29 Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?» 30 Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto. 31 Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. 32 Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. 33 Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. 35 No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.’ 36 Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?» 37 Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»

 

Texto

 


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1985

 

Amados irmãos e irmãs em Cristo!

 

Este ano, ao aproximar-se o tempo da Quaresma, desejo falar-vos da angustiosa situação criada pela fome no mundo. Diante de centenas de milhões de pessoas que carecem de alimentação e quando sucede que milhões de crianças por esse facto ficam marcadas irremediavelmente para o resto da vida e que morrem milhares dentre estas, não posso permanecer calado, nós não podemos ficar silenciosos ou inactivos.

 

São enviadas – sabêmo-lo – ajudas muito numerosas por parte de Governos, Organizações internacionais e Associações para as vítimas de tal carência alimentar; mas, infelizmente, isso não basta para que todos cheguem a receber aquilo que os salvaria. E sendo assim, para que esforço tão importante possa tornar-se decisivo, não poderia ele ser envidado mais resolutamente ainda no sentido de enfrentar as causas deste flagelo, que grassa a nível mundial?

 

É certo que as causas naturais, como as intempéries e os prolongados períodos de seca, actualmente se apresentam como inevitáveis; as suas consequências, porém, seriam em muitos casos menos graves se os homens não acrescentassem a isso os próprios erros e algumas vezes mesmo as próprias injustiças. Terá sido feito, realmente, tudo o que era possível para precaver, ao menos em parte, os efeitos perniciosos das intempéries, bem como para garantir a justa e rápida distribuição dos géneros de primeira necessidade e dos socorros? Por outro lado, deparamos com situações intoleráveis: pensemos, por exemplo, na situação dos agricultores braçais, que não recebem a justa remuneração pelo seu trabalho penoso; pensemos, igualmente, nos camponeses desapossados das próprias terras, que passam a produzir para pessoas ou grupos já abundantemente providos de sustento e que acumulam fortunas, à custa da fome e do sofrimento dos outros. E quantas e quantas outras causas e situações de fome não poderiam aqui ser citadas!

 

Será que na mesma família uns podem comer quanto lhes apetece, enquanto os seus irmãos e irmãs ficam excluídos da mesa? Entretanto, só o pensar naqueles que sofrem não basta. Neste tempo da Quaresma, a conversão do coração há-de levar-nos a juntar à oração o jejum, vivificando com a Caridade de Deus as diligências que nos são inspiradas pelas exigências da justiça para com o próximo.

 

«Tenho compaixão desta gente» (Mc 8, 2), dizia Jesus, antes de multiplicar os pães para alimentar aqueles que o seguiam, havia três dias, para ouvirem a sua Palavra. E não é somente pela fome do corpo que a humanidade sofre: muitos irmãos e irmãs nossos têm igualmente fome e sede de dignidade, de liberdade, de justiça, de alimento para a sua inteligência e para a sua alma; há desertos também para os espíritos e para os corações!

 

Como é que vamos, pois, manifestar de maneira concreta a nossa conversão e o nosso espírito de penitência, neste tempo de preparação para a Páscoa?

 

Em primeiro lugar, não devemos colaborar, de forma alguma, na medida das nossas responsabilidades, por vezes grandes, naquilo que possa reduzir à fome ainda que seja só um dos nossos irmãos e irmãs em humanidade, quer ele se encontre próximo quer esteja a milhares de quilómetros de nós; e se porventura o tivermos feito, procurar reparar.

 

Depois, naqueles Países em que se sofre a fome e a sede, os cristãos hão-de procurar participar na obra de socorros urgentes e nas lutas contra as causas desta catástrofe, de que eles mesmos, afinal, como os demais seus compatriotas, são vítimas. Ajudêmo-los, partilhando com eles o nosso supérfluo. e até daquilo que nos é necessário; está nisto exactamente a prática do jejum. Tomemos parte, com generosidade, nas actividades empreendidas pelas nossas Igrejas locais.

 

Tenhamos sempre presente que partilhar, no fim de contas, é fazer chegar aos outros aquilo que Deus lhes destina e que a nós mais não foi do que confiado. Dar fraternalmente, deixando-nos guiar pelo Amor que vem de Deus, é contribuir para saciar a fome corporal e para alimentar os espíritos e alegrar os corações.

 

«Tudo o que fazeis, fazei-o com caridade ... A graça do Senhor Jesus esteja convosco!» (1 Cor 16, 14.23).

 

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

 

Filosofia e Religião, Vida Humana

 


Ideais

Homem vazio e perplexo

  Se os grandes ideais deixam de motivar e polarizar a actividade do homem, tornado indiferente, cínico e “qualquer”, pela atomização social e pela socialização por homogeneização, não é de estranhar que ele se sinta interiormente vazio e radicalmente perplexo.

  A crise não é só de ideais religiosos, mas mesmo de ideais humanos profundos, reais e permanentes, substituídos - pela poderosa máquina da massificação ao serviço de todas as ideologias – por ideais  superficiais, fictícios e cambiantes (Isidoro Ribeiro, Totalitarismo e participação, BROTÈRIA, Vol I, 1, Janeiro 1973).

Os ídolos, as estrelas, as modas e as propagandas entretêm o sentimento de deriva à superfície de um mundo fascinante de perpétua novidade mas não colhem o homem em profundidade

 

(M. F. Manzanedo, Breve autocrítica del hombre de hoy, Studium, vol. XII, fasc, 2, 1972)

Reflexão na Quaresma

 


Optimismo

Os filhos de Deus, seguindo o Senhor, hão-de travar as suas lutas com oração filial; mais ainda, transformando a luta da própria existência em combate de oração, com optimismo, com paz.

 

(Javier Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Pg. 224)

Pequena agenda do cristão - Sábado

    



SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

19/03/2021

São Josemaria – Textos

 


Deves ter uma intensa devoção à nossa Mãe

Invoca a Santíssima Virgem; não deixes de pedir-lhe que se mostre sempre tua Mãe – "monstra te esse Matrem!" – e que te alcance, com a graça do seu Filho, clareza de boa doutrina na inteligência e amor e pureza no coração, com o fim de saberes ir até Deus e levar-lhe muitas almas. (Forja, 986)

Deves ter uma intensa devoção à nossa Mãe. Ela sabe corresponder com finura aos obséquios que Lhe fizermos. Além disso, se rezares o Terço todos os dias com espírito de fé e de amor, Nossa Senhora encarregar-se-á de te levar muito longe pelo caminho do seu Filho. (Sulco, 691)

O amor à nossa Mãe será sopro que transforme em lume vivo as brasas de virtude que estão ocultas sob o rescaldo da tua tibieza. (Caminho, 492)

Leitura Espiritual Mar 19



Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc X, 1-20

 

Missão dos setenta e dois discípulos

 

1 Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2 Disse-lhes: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. 3 Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós. 7 Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que lá houver, pois o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8 Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos for servido, 9 curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: ‘O Reino de Deus já está próximo de vós’ 10 Mas, em qualquer cidade em que entrardes e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: 11 ‘Até o pó da vossa cidade, que se pegou aos nossos pés, sacudimos, para vo-lo deixar. No entanto, ficai sabendo que o Reino de Deus já chegou.’» 12 «Digo-vos: Naquele dia haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade.

 

Cidades impenitentes

 

13 Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sídon se tivessem operado os milagres que entre vós se realizaram, de há muito que teriam feito penitência, vestidas de saco e na cinza. 14 Por isso, no dia do juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon do que para vós. 15 E tu, Cafarnaúm, porventura serás exaltada até ao céu? É até ao inferno que serás precipitada. 16 Quem vos ouve é a mim que ouve, e quem vos rejeita é a mim que rejeita; mas, quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.»

 

Regresso dos díscípulos

17 Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios se sujeitaram a nós, em teu nome!» 18 Disse-lhes Ele: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. 19 Olhai que vos dou poder para pisar aos pés serpentes e escorpiões e domínio sobre todo o poderio do inimigo; nada vos poderá causar dano. 20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu.»

 

Texto

 


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1984

 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo:

 

Quantas vezes não teremos nós lido e ouvido e trecho perturbador do capítulo vinte e cinco do Evangelho de São Mateus: «Quando vier o Filho do homem na sua glória ... dirá então ... vinde benditos de meu Pai... porque tive fome e destes-me de comer ... »!

 

Sim, o Redentor do mundo tem fome de todas as fomes dos seus irmãos humanos. Sofre com aqueles que não podem alimentar o próprio corpo: de todas as populações vítimas da seca ou de más condições económicas, de todas aquelas famílias atingidas pelo desemprego ou pela precariedade do trabalho. E entretanto a nossa terra pode e deve alimentar todos os seus habitantes, a começar das crianças de tenra idade até às pessoas idosas, passando por todas as categorias de trabalhadores.

 

Cristo sofre igualmente com todos aqueles que estão legitimamente famintos de justiça e de respeito da sua dignidade humana; com aqueles que se sentem frustrados quanto às suas liberdades fundamentais e com os que são abandonados ou, pior ainda, explorados na sua situação de pobreza.

 

Cristo sofre com todos aqueles que aspiram a uma paz equitativa e geral, ao passo que esta é destruída ou ameaçada por numerosos conflitos e por um superarmamento desvairado. Será lícito esquecer que o mundo é para construir e não para destruir?

 

Numa palavra, Cristo sofre com todas as vítimas da miséria material, moral e espiritual.

 

«Tive fome e destes-me de comer ... era peregrino e acolhestes-me, estava doente e visitastes-me, estava no cárcere e fostes ver-me» (Mt 25, 35-36). É a cada um de nós que estas palavras vão ser dirigidas no dia de Juízo. Mas, já desde agora, elas nos interpelam e julgam.

 

Dar algo do nosso supérfluo ou mesmo até do que nos é necessário não é sempre impulso espontâneo da nossa natureza. É exactamente por este motivo que nós precisamos de incessantemente olhar com olhos fraternos para a pessoa e para a vida dos nossos semelhantes, estimular em nós próprios esta fome e esta sede de partilha, de justiça e da paz, a fim de passarmos realmente às obras que hão-de contribuir para ajudar as pessoas e as populações duramente experimentadas.

 

Queridos irmãos e irmãs: neste tempo da Quaresma do Ano Jubilar da Redenção, convertamo-nos ainda mais, reconciliemo-nos mais sinceramente com Deus e com os nossos irmãos. Este espírito de penitência, de partilha e de jejum tem de ser traduzido em acções concretas, para as quais, certamente, as vossas Igrejas locais vos irão convidar.

 

«Dê cada um conforme o impulso do seu coração, não com má vontade ou constrangimento, pois Deus ama o que dá com alegria» (2 Cor 9, 7). Esta exortação de São Paulo aos Coríntios continua, na verdade, a ser actual. Assim, que vos seja possível experimentar profundamente a alegria pelo alimento partilhado, pela hospitalidade oferecida aos peregrinos, pela contribuição dada para a promoção humana dos pobres, pelo trabalho arranjado para os desempregados, pelo exercício honesto e corajoso das vossas responsabilidades cívicas e sócio-profissionais, pela paz vivida no santuário familiar e em todas as vossas relações humanas! Nisto se manifesta o Amor de Deus, ao qual nos devemos converter. Amor inseparável do serviço, muitas vezes urgente, do nosso próximo. Vivamos como desejo e procuremos merecer ouvir Cristo a dizer-nos, no último dia, que na medida em que fizemos o bem a um dos mais pequeninos dentre os irmãos foi a Ele que nós o fizemos!

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

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