Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
06/02/2021
Leitura espiritual Fev 06
Novo Testamento [i]
Mc VIII, 10-26
Os fariseus pedem um prodígio
10 Subindo logo para o barco com os
discípulos, foi para os lados de Dalmanuta. 11
Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do
céu para o pôr à prova. 12 Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede
esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta
geração.» 13 E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem.
O fermento dos fariseus
14
Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco.
15 Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos
fariseus e com o fermento de Herodes.» 16 E eles discorriam entre si: «Não
temos pão.» 17 Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não
tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração
endurecido? 18 Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos
lembrais 19 de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os
cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.» 20 «E quando parti os
sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?»
Responderam: «Sete.» 21 Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»
O cego de Betsaida
22 Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe
um cego, pedindo-lhe que o tocasse. 23 Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para
fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou:
«Vês alguma coisa?» 24 Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens;
vejo-os como árvores a andar.» 25 Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos
sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo
com nitidez. 26 Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na
aldeia.»
Texto:
Castidade
Como já se disse o prazer é sempre
efémero por isso a busca de novas sensações e momentos de satisfação torna-se
uma verdadeira necessidade e não poucas vezes uma obsessão.
A imaginação joga um papel decisivo e deixá-la “à solta” acaba quase sempre
por forçar a atitude.
Muitas vezes a pessoa dominada por
este vício ultrapassa os limites da normalidade - por assim dizer - de uma
actuação própria que não existiria se o não tivesse. Chega a cometer autênticos
crimes contra si próprio ou contra terceiros. Configura um desprezo ou pelo
menos falta de consideração pelo próprio corpo e pelo dos outros.
O respeito pelo corpo é sem dúvida alguma uma característica do carácter
bem formado.
A pessoa sabe que o corpo é como que o invólucro da alma e portanto deve
ser respeitado na sua integridade e nunca usado como um meio objecto de prazer
ou deleite.
A modéstia e o decoro pessoais caracterizam a pessoa consciente desta
realidade.
Ter a noção correcta do que é
permitido e que não o é, dos limites onde se deve actuar, faz parte integrante
desse carácter bem formado e bem informado.
Não se deve encarar este tema pela
negativa com uma posição redutora do seu âmbito ou da sua importância; pelo
contrário, é conveniente ter bem claro que a castidade é uma das mais belas e
gratificantes virtudes como, no fim e ao cabo são todas a virtudes que
exigem luta, perseverança, vigilância e vontade expressas da sua defesa.
Quanto maior a luta e mais árduo o
esforço maior o prémio e a satisfação pessoal quando se vence.
Ora bem, como pode estranhar-se que
uma virtude exija luta e coragem para se manter e conservar quando o vício
também os exige para a sua satisfação?
Ao discorrer sobre a castidade é
fundamental ter uma atitude positiva porque não se trata nem de algo estranho,
raro e muito menos impossível.
Ser casto nas palavras, atitudes, comportamentos não é de modo nenhum algo
reservado a pessoas com alguma vocação especial.
Algumas têm a castidade pessoal
como uma exigência atinente a essa mesma vocação havendo até nalguns casos
compromisso solene de a observar.
O comum das pessoas não têm esse compromisso mas sim esse dever, muito
particularmente como dever de estado. Isto é, a pessoa consciente sabe que a
castidade pessoal joga forte na sua vida.
Longe de ser um “problema” observar a castidade é uma vitória pessoal sobre
as inclinações naturais, um triunfo da vontade, uma escolha gratificante.
A cedência causa sempre amargura e
insatisfação, não ceder, bem ao contrário, traz consigo o doce sabor da
vitória.
Durante muito tempo a direcção
espiritual dos jovens centrava-se muito na castidade e não poucas vezes esta
forma de proceder causava no jovem um autêntico obstáculo à sua vida interior
tornando-se, com o desenvolvimento pessoal, numa quase obsessão limitando
muito o critério, a tranquilidade e a visão correcta e desapaixonada da
consideração da sexualidade.
Algo natural e comum tornava-se assim
num problema de proporções por vezes desmedidas num misto de sentimentos de
fraqueza, cedências, descontrolo e, evidentemente, de vergonha.
Por causa disso muitos jovens se afastaram da direcção espiritual e da
prática dos sacramentos nomeadamente da confissão sacramental.
Bem se sabe que meses tempos o tema era de difícil abordagem nomeadamente
entre filhos e pais. Era como que um tema “tabu” que por costume não se
abordava.
A juventude educada na escola oficial era a que mais sofria com esta situação
já que normalmente os
estabelecimentos de ensino não proporcionavam direcção espiritual aos
seus alunos deixando assim os jovens como que entregues a si mesmos procurando
adrede respostas para as questões que inevitavelmente vão surgindo com o
avançar dos anos.
E não poucas vezes não encontrando o esclarecimento que procuram ou,
o que é pior, as respostas vêm daqueles que não têm nem seriedade, nem
critério, nem conhecimentos que lhes permitam responder de uma forma
séria e conclusiva, o jovem vai mergulhando num poço ao qual não encontra fundo
e ou se deixa ir nesse mergulho sem objectivo, ou se desinteressa completamente
por interrogar-se, esclarecer as suas dúvidas e se comporta como se não
houvesse nem limites a observar nem regras a ter em conta.
Nestes casos e situações encontram terreno fértil as solicitações próprias
da sexualidade juvenil.
Seria, pois, na minha opinião,
muito mais eficaz falar-se de pureza e amor.
O problema da sexualidade está
intimamente ligado a estes dois parâmetros já que a sexualidade tem um âmbito
muitíssimo mais abrangente que a mera acção sexual que, se não envolve ou
considera o amor como motor e causa, não passa de um acto de mera satisfação
pessoal.
De facto é recorrente chamar-se à
acção do acto “fazer amor” o que quer dizer exactamente que se aceita aquele
como a expressão física e emocional daquela.
E porque segundo as leis da própria natureza o acto sexual está
intrinsecamente orientado para um fim que é a procriação e a propagação da
espécie, não se deve admitir sob outro pretexto qualquer.
Posto isto é bem de ver que os dois
envolvidos no acto sexual têm forçosamente de ser de géneros diferentes,
ou seja, macho e fêmea.
Estes, pelas mesmas leis da
natureza, elegem-se mutuamente para levarem a cabo essa acção procriadora, quer
levados pelos seus instintos apelativos, no caso dos irracionais, quer pelos
sentimentos que os atraírem mutuamente no que se refere ao ser humano e,
neste caso, é o amor.
Claro... também existe a atracção que suscita o desejo mas esta é a acção primária que deve levar àquele. E, a verdade é que, mesmo desvanecidas a atracção e mitigado o desejo com o passar dos anos e o "amortecimento" do libido, o amor permanece cada vez mais forte e seguro, construído passo a passo no dia-a-dia da vida em comum e pode afirmar-se que já não necessita de exercitar o sexo para continuar a existir.
Se assim não fosse, as pessoas de idade mais avançada não encontrariam
o amor mútuo nas suas vidas.
São José
EXORTAÇÃO
APOSTÓLICA
REDEMPTORIS
CUSTOS
DO
SUMO PONTÍFICE
JOÃO
PAULO II
SOBRE
A FIGURA E A MISSÃO
DE
SÃO JOSÉ
NA
VIDA DE CRISTO E DA IGREJA
O
CONTEXTO EVANGÉLICO
III
O
HOMEM JUSTO - O ESPOSO
17.
No decorrer da sua vida, que foi uma peregrinação na fé, José, como Maria,
permaneceu fiel até ao fim ao chamamento de Deus. A vida de Maria foi o
cumprimento até às últimas consequências daquele primeiro fiat (faça-se)
pronunciado no momento da Anunciação; ao passo que José - como já foi dito -
não proferiu palavra alguma, aquando da sua «anunciação»: «fez como o anjo do
Senhor lhe ordenara» (Mt 1, 24). E este primeiro «fez» tornou-se o princípio da
«caminhada de José». Ao longo desta caminhada, os Evangelhos não registram
palavra alguma que ele tenha dito. Mas esse silêncio de José tem uma especial
eloquência: graças a tal atitude, pode captar-se perfeitamente a verdade
contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o «justo» (Mt 1, 19).
É
necessário saber ler bem esta verdade, porque nela está contido um dos mais
importantes testemunhos acerca do homem e da sua vocação. No decurso das
gerações a Igreja lê, de maneira cada vez mais atenta e mais cônscia este
testemunho, como que tirando do tesouro desta insígne figura «coisas novas e
coisas velhas» (Mt 13, 52).
18.
O homem «justo» de Nazaré possui sobretudo as características bem nítidas do
esposo. O Evangelista fala de Maria como de «uma virgem desposada com um homem
... chamado José» (Lc 1, 27). Antes de começar a realizar-se «o mistério
escondido desde todos os séculos em Deus» (Ef 3, 9), os Evangelhos põem diante
de nós a imagem do esposo e da esposa. Segundo o costume do povo hebraico, o
matrimónio constava de duas fases: primeiro, era celebrado o matrimónio legal
(verdadeiro matrimónio); e depois, só passado um certo período, é que o esposo
introduzia a esposa na própria casa. Antes de viver junto com Maria, portanto,
José já era o seu «esposo»; Maria, porém, conservava no seu íntimo o desejo de
fazer o dom total de si mesma exclusivamente a Deus. Poder-se-ia perguntar de
que modo este desejo se conciliava com as «núpcias». A resposta vem-nos somente
do desenrolar dos acontecimentos salvíficos, isto é, da acção especial do
próprio Deus. Desde o momento da Anunciação, Maria sabe que deve realizar-se o
seu desejo virginal, de entregar-se a Deus de modo exclusivo e total,
precisamente tornando-se mãe do Filho de Deus. A maternidade por obra do
Espírito Santo é a forma de doação que o próprio Deus espera da Virgem,
«desposada» com José. E Maria pronuncia o seu fiat (faça-se).
O
facto de ela ser «desposada» com José está incluído no mesmo desígnio de Deus.
Isso é indicado por ambos os Evangelistas citados, mas de maneira particular
por São Mateus. São muito significativas as palavras ditas a José: «Não temas
receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito
Santo» (Mt 1, 20). Elas explicam o mistério da esposa de José: Maria é virgem
na sua maternidade. Nela «o Filho do Altíssimo» assume um corpo humano e
torna-se «o Filho do homem».
Dirigindo-se
a José com as palavras do anjo, Deus dirige-se a ele como sendo esposo da
Virgem de Nazaré. Aquilo que nela se realizou por obra do Espírito Santo
exprime ao mesmo tempo uma confirmação especial do vínculo esponsal, que já
existia antes entre José e Maria. O mensageiro diz claramente a José: «Não
temas receber contigo, Maria, tua esposa». Por conseguinte, aquilo que tinha
acontecido anteriormente — os seus esponsais com Maria — tinha acontecido por
vontade de Deus e, portanto, devia ser conservado. Na sua maternidade divina,
Maria deve continuar a viver como «uma virgem, esposa de um esposo» (cf. Lc 1,
27).
Reflexão
Na hora da secura, do fastio, inclusive ante o espiritual; na hora do esgotamento da inteligência; e – só no que se refere a nós – na hora da tibieza, voltemos os olhos para Jesus Cristo orante no Horto e saberemos tirar partido dessas situações, recobrando forças – ainda que não desapareçam os sintomas externos – até saltar para for a do sepulcro da apatia.
(Javier Echevarria, Getsemani,
Planeta, 3ª Ed. Pg. 180)
Filosofia, Religião, Condição Humana
A
doutrina sagrada é uma ciência?
QUANTO
AO SEGUNDO ARTIGO, ASSIM SE PROCEDE: Parece não ser ciência a doutrina sagrada.
1.
– Pois toda ciência provém de princípios por si evidentes, ao passo que procede
a doutrina sagrada dos artigos da fé, inevidentes em si, por serem não
universalmente aceitos; porque a fé não é de todos, diz a Escritura (II Ts. 3,
2). Logo, não é ciência a doutrina sagrada.
2.
– Ademais, do indivíduo não há ciência. Mas a doutrina sagrada trata de factos
individuais, como sejam os feitos de Abraão, Isaac, Jacó e semelhantes. Logo,
não é ciência a doutrina sagrada.
EM
SENTIDO CONTRÁRIO, diz Agostinho: “A esta ciência pertence apenas aquilo pelo
qual a fé, bem salutar, é gerada, alimentada, defendida, corroborada”. Ora,
tais funções não pertencem a ciência alguma, a não ser à doutrina sagrada.
Logo, a doutrina sagrada é uma ciência.
RESPONDO.
A doutrina sagrada é ciência. Porém, cumpre saber que há dois géneros de
ciências. Umas partem de princípios conhecidos à luz natural do intelecto, como
a aritméctica, a geometria e semelhantes. Outras provém de princípios
conhecidos por ciência superior; como a perspectiva, de princípios explicados
na geometria, e a música, de princípios aritmécticos. E deste modo é ciência a
doutrina sagrada, pois deriva de princípios conhecidos à luz duma ciência
superior, a saber: a de Deus e dos santos. Portanto, como aceita a música os princípios
que lhe fornece o aritméctico, assim a doutrina sagrada tem fé nos princípios
que lhe são revelados por Deus.
QUANTO
AO 1º, portanto, deve dizer-se que os princípios de qualquer ciência, ou são
por si mesmos evidentes, ou se reduzem à evidência de alguma ciência superior.
E tais são os princípios da doutrina sagrada, como dissemos.
QUANTO
AO 2º, deve dizer-se que na doutrina sagrada, os factos individuais não são
tratados principalmente, senão apenas introduzidos a título de exemplo prático,
como nas ciências morais; ou também no intuito de apurar a autoridade dos
homens que nos transmitiram a revelação divina, na qual se funda a Sagrada
Escritura ou doutrina.
São
Tomás de Aquino, Summa Theológica
Pequena agenda do cristão
05/02/2021
Vivei uma particular Comunhão dos Santos
Comunhão dos Santos. – Como to hei-de dizer? – Sabes o que são as transfusões de sangue para o corpo? Pois assim vem a ser a Comunhão dos Santos para a alma. (Caminho, 544)
Leitura espiritual Fev 05
Novo Testamento [i]
Evangelho
Mc VII, 24-37; Mc VIII, 1-9
Jesus e a cananeia
24
Partindo dali, Jesus foi para a região de Tiro e de Sídon. Entrou numa casa e
não queria que ninguém o soubesse, mas não pode passar despercebido, 25 porque
logo uma mulher que tinha uma filha possessa de um espírito maligno, ouvindo
falar dele, veio lançar-se a seus pés. 26 Era gentia, siro-fenícia de origem, e
pedia que lhe da filha o demónio. 27 Ele respondeu: «Deixa que os filhos comam
primeiro pois não está bem tomar o pão dos filhos para o lançar aos
cachorrinhos.» 28 Mas ela replicou: «Dizes bem, Senhor, mas até os cachorrinhos
comem debaixo da mesa <as migalhas dos filhos.» 29 «Em atenção a essa
palavra, vai: o demónio saiu de tua filha.» 30 Ela voltou para casa e encontrou
a menina recostada na cama. O demónio tinha-a deixado.
O surdo mudo
31
Tornando a sair da região de Tiro, veio por Sídon para o mar da Galileia,
atravessando o território da Decápole. 32 Trouxeram-lhe um surdo tartamudo e
rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. 33 Afastando-se com ele da
multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos e fez saliva com que lhe tocou a
língua. 34 Erguendo depois os olhos ao céu, suspirou dizendo: «Effathá», que
quer dizer «abre-te.» 35 Logo os ouvidos se lhe abriram, soltou-se a prisão da
língua e falava correctamente. 36 Jesus mandou-lhes que a ninguém revelassem o
sucedido; mas quanto mais lho recomendava, mais eles o apregoavam. 37 No auge
do assombro, diziam: «Faz tudo bem feito: faz ouvir os surdos e falar os
mudos.»
Segunda multiplicação dos pães
VIII 1
Naqueles dias, havia outra vez uma grande multidão e não tinham que comer.
Jesus chamou os discípulos e disse: 2 «Tenho compaixão desta multidão. Há já
três dias que permanecem junto de mim e não têm que comer. 3 Se os mandar
embora em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, e alguns vieram de
longe.» 4 Os discípulos responderam-lhe: «Como poderá alguém saciá-los de pão,
aqui no deserto?» 5 Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes?» Disseram: «Sete.»
6 Ordenou que a multidão se sentasse no chão e, tomando os sete pães, deu graças,
partiu-os e dava-os aos seus discípulos para eles os distribuírem à multidão. 7
Havia também alguns peixinhos. Jesus abençoou-os e mandou que os distribuíssem
igualmente. 8 Comeram até ficarem satisfeitos, e houve sete cestos de sobras. 9
Ora, eram cerca de quatro mil. Em seguida despediu-os.
Texto:
A grandeza e
dignidade do amor
E, assim, o ser humano tem, de facto uma dignidade
e uma estatura que lhe permitem, com toda a propriedade, poder ser chamado
colaborador de Deus na obra da Criação.
É esta grandiosa
dignidade humana que tem de ser considerada e defendida, a todo o custo, contra
os que, por desvario mental ou grave desvio de valores, querem fazer crer que,
o ser humano é tão só mais um ser vivo existente na natureza podendo, portanto,
ser manipulado e conduzido de qualquer forma julgada conveniente para alcançar
inconfessáveis e mórbidos fins.
A alteração das regras
iniciais, as estabelecidas pelo Criador, como seja a criação de seres humanos
diferentes, homem e mulher, não pode nem deve ser admitida.
Ao homem cabe um papel e à mulher outro,
machos e fêmeas têm papéis diferentes com especificidades muito bem definidas,
de resto como acontece na natureza.
A união dos dois
destina-se a gerar novos seres - e esta é a maior e mais importante colaboração
com o Criador, como se tivesse determinado: ‘a partir de agora, a continuação
da vossa espécie fica a vosso cargo, já não é tarefa Minha mas sim trabalho
vosso.’
Deus poderia ter feito de mil maneiras
diferentes, porque pode absolutamente tudo, mas quis que fosse assim e, mais
uma vez por Amor, dando ao ser humano essa oportunidade de extraordinária
relevância.
Portanto é lícito concluir que a razão
primeira porque um homem e uma mulher se unem - uma vez mais estando o amor na
base e origem dessa decisão - é com a finalidade de provocar descendência.
Tal é impossível, por natureza, entre pessoas
do mesmo sexo e, assim, conclui-se que uma união assim é “contra natura” e não
tem justificação séria.
Ora ao legislar sobre este assunto, no que
aos seres humanos respeita, o poder civil está a intrometer-se em algo que lhe
está vedado, justamente porque não deve elaborar leis que vão contra a ordem
natural.
Já quanto ao mundo
animal, o caso pode ser diferente.
Mas, de facto, o ser humano, é neste aspecto
radicalmente diferente dos outros seres vivos que procuram a união sexual entre
machos e fêmeas unicamente e só, impulsionados por um instinto irreprimível de
procriar, enquanto no ser humano o impulso sexual é gerido pela inteligência,
pela vontade.
Esta enormíssima
diferença é fundamental para se perceber que a sexualidade humana não tem
comparação absolutamente nenhuma com o cio dos animais.
Há uns anos, um professor de filosofia contou
que, depois de uma aula recheada com a argumentação de alguns alunos acerca das
práticas homossexuais considerando-as algo natural e aceitável e, portanto,
passível de ser legislado, já francamente incomodado com o assunto, lhe saiu
uma consideração final: ‘Que fique bem claro, para todos, que nem o ânus nem a
boca são órgãos sexuais do corpo humano e que, portanto, defender o contrário
é, no mínimo, aberrante!’
A crua dureza da argumentação só se aceita
por ser verdade insofismável e indiscutível.
De facto, sexualidade, para muitos, deixou de
ser uma propriedade natural do ser humano destinada a altíssimos fins de
colaboração com o Criador, para passar a ser tão só uma consideração mais ou
menos vaga da satisfação do desejo, da utilização sem qualquer regra ou
limites, das sensações, estímulos e prazer que se obtêm na exploração do libido
sensual.
Virá a propósito falar de:
Castidade
Ao longo dos tempos este tema tem
sido abordado por inúmeros autores espirituais e outros sob os mais diversos
ângulos e perspectivas.
De facto ao considerar a castidade
como uma virtude de altíssima nobreza fazêmo-lo sob a consideração das
dificuldades que apresenta ao comum das pessoas possuí-la e
mantê-la viva e actuante.
O nosso líbido é muito forte e permanece mais ou menos presente desde a
tenra idade até aos últimos momentos da nossa vida.
Requer um controlo constante e uma vigilância permanente.
Ceder, deixar-se arrastar pelas chamadas “solicitações da carne” pode
tornar-se um hábito e, naturalmente converter-se em vício difícil de extirpar.
Como todos os vícios mantém a
pessoa presa retirando-lhe a liberdade de escolher, sujeitando-a à
procura inconsequente do prazer que se revela sempre efémero e passageiro.
E, ainda como todos os vícios,
deixa marcas quer no carácter quer no comportamento. Enfraquece a vontade,
debilita a nobreza de sentimentos, domina a imaginação.
Quem se deixa manobrar - é o termo
- abdica da vontade própria e tem enorme dificuldade em viver, pensar e agir
correctamente.
Reflexão
(São Basílio, Homílias sobre São Lucas,
3, 12)
Perguntas e respostas
HOMOSSEXUALIDADE
C. PREGUNTAS FREQUENTES
6. Diz-se que a
homossexualidade é um defeito. Perguntam, da Colômbia: isto é ódio e
discriminação? Não, não é isso. Dizer que uma pessoa tem defeitos nunca pode
ser discriminatório, pois todos os seres humanos os têm.
Pequena agenda do cristão
Pequena agenda do cristão
04/02/2021
Leitura Espiritual Mar 03
Novo Testamento
Evangelho
Lc III, 1-20
Pregação de João Baptista
1 No décimo quinto ano do reinado do
imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes,
tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e
Lisânias, tetrarca de Abilena, 2 sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra
de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. 3Começou a
percorrer toda a região do Jordão, pregando um baptismo de penitência para
remissão dos pecados, 4 como está escrito no livro dos oráculos do profeta
Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor e endireitai
as suas veredas. 5 Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão
abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão
planos. 6 E toda a criatura verá a salvação de Deus.’» 7 João dizia, então, às
multidões que acorriam para serem baptizadas por ele: «Raça de víboras, quem
vos ensinou a fugir da cólera que está para chegar? 8 Produzi frutos de sincero
arrependimento e não comeceis a dizer para convosco: ‘Nós temos Abraão como
pai’; pois eu vos digo que Deus pode, destas pedras, suscitar filhos a Abraão.
9 O machado já se encontra à raiz das árvores; por isso, toda a árvore que não
der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.» 10 E as multidões
perguntavam-lhe: «Que devemos, então, fazer?» 11 Respondia-lhes: «Quem tem duas
túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo.»
12 Vieram também alguns cobradores de impostos, para serem baptizados e
disseram-lhe: «Mestre, que havemos de fazer?» 13 Respondeu-lhes: «Nada exijais
além do que vos foi estabelecido.» 14 Por sua vez, os soldados perguntavam-lhe:
«E nós, que devemos fazer?» Respondeu-lhes: «Não exerçais violência sobre
ninguém, não denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.»
Testemunho de João Baptista
15 Estando o povo na expectativa e
pensando intimamente se ele não seria o Messias, 16 João disse a todos: «Eu
baptizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou
digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito
Santo e no fogo. 17 Tem na mão a pá de joeirar, para limpar a sua eira e
recolher o trigo no seu celeiro; mas queimará a palha num fogo inextinguível.»
18 E, com estas e muitas outras exortações, anunciava a Boa-Nova ao povo.
João é encarcerado
19 Mas Herodes, o tetrarca, a quem João
censurava por causa de Herodíade, mulher de seu irmão, e por todas as más
acções que tinha praticado, 20 acrescentou a todas as más acções, mais esta:
encerrou João na prisão.
Morte
Esta capacidade de inventar coisas novas,
descobrir o que está oculto ou velado à evidência imediata, só é possível pela
centelha divina que cada criatura humana tem dentro de si.
O seu
corpo físico é um conjunto, magnífico, de células e órgãos que desempenham
funções eficazes e imprescindíveis para a vida.
Mas é a inteligência que lhe permite o saber,
a memória, a evolução do pensamento e, a inteligência é a emanação da alma.
Sendo o homem a imagem de Deus é natural que
tenha parte, embora ínfima, da inteligência divina.
Mas,
pergunta-se: nesse caso, todos os homens deveriam ter a mesma inteligência,
quer dizer, a mesma capacidade de pensar?
Parece
lógico que assim seja, mas para discutir o assunto, uma vez mais, esbarramos
com a obra de Deus: a criação.
O
Criador não tem como que um “armazém” de almas as quais vai distribuindo à
medida que se forma um novo ser humano no seio de uma mulher.
Não!
Cada alma é criada para cada novo ser humano
– Deus cria continuamente – e, assim, pode, embora palidamente, entender-se que
não haja duas almas iguais.
O que é absolutamente certo é que a alma é
parte integrante do homem, ou, se quisermos dizer de outra forma o homem só é
homem considerado como corpo e alma independentemente de estar completamente
formado, adolescente ou na idade adulta.
A
liberdade humana tem, assim, a sua expressão mais concreta e radical na opção,
ou escolha, que o homem pode eleger em determinado sentido, coisa ou
comportamento.
Mas,
evidentemente, como já se disse, o conceito de liberdade absoluta só se aplica
a Deus porque Ele é a Verdade.
«A verdade vos tornará livres.» [1]
Temos,
assim, que só de posse da verdade, o ser humano pode ser inteiramente livre
porque, então, o seu exercício será orientado para Deus que é o único que
convém.
Por
outras palavras, seguir Deus, sendo um acto da vontade esclarecida, é a suma
liberdade e exclusiva do ser humano.
Quando algo - seja uma escolha ou opção - tem
uma consequência, prémio ou castigo, a inteligência à qual o castigo repugna e
o prémio seduz, está, de certo modo, condicionada no exercício da liberdade - o
que parece demonstrado - daí que São Paulo tenha o conhecido desabafo: ‘Não
faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero.’ [2]
Mas, comummente, diz-se que ser livre é
exercer o livre arbítrio e, pelas mesmas razões, tal não corresponde à verdade
uma vez que o arbítrio não é intrinsecamente livre. Exercê-lo comporta sempre
uma responsabilidade que, em suma, se traduz nas consequências emergentes.
Estas responsabilidades não são enjeitáveis
ou de qualquer modo imputáveis a outrem que não ao próprio que com a sua opção
lhes deu lugar.
Daqui
que só pode escolher, optar - exercer a liberdade pessoal - quem for
responsável no verdadeiro significado da palavra.
Ora
temos de convir que para ser responsável é fundamental estar plenamente
informado.
Quem
não sabe ou interpreta mal não tem condições para assumir uma qualquer
responsabilidade e, consequentemente, não pode, em verdade, ser livre.
A ignorância coacta, condiciona, fortemente,
o exercício da liberdade.
Como se poderá escolher, optar por algo que
não se conhece bem?
Não
é sério nem, em absoluto, conveniente.
Os
abundantes exemplos de quem assim procede e as consequências que daí advêm, são
disso prova bastante.
Querer algo não é o mesmo que desejá-lo.
Querer é a vontade expressa num determinado
sentido, ao passo que, desejar é um sentimento nascido de um estímulo de vária
ordem.
Da mesma forma, transformar o desejo - que
acontece sempre primeiro - em querer, envolve responsabilidade, logo,
conhecimento.
Não
se pode querer algo que, especificamente, não se conhece, ao passo que é
possível desejar de uma forma abrangente ou mesmo vaga.
Mas, Deus, pouco ou nada tem a ver com tudo
isto já que o homem é livre de proceder como quiser mesmo que o seu
procedimento possa não ser o mais correcto.
No fundo de todo este problema reside uma
questão fundamental: Até ao início da redenção que Cristo nos conseguiu na
Cruz, o Seu nascimento em Belém, o homem era apenas um descendente de Adão.
Criado
por Deus, naturalmente, mas uma criatura.
Este
acontecimento opera uma mudança radical na criatura humana: torna-a filha de
Deus.


















