06/02/2021

Santidade




 O preço da santidade

Leitura espiritual Fev 06

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc VIII, 10-26

 

Os fariseus pedem um prodígio

10 Subindo logo para o barco com os discípulos, foi para os lados de Dalmanuta. 11 Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova. 12 Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» 13 E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem.

 

O fermento dos fariseus

14 Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco. 15 Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.» 16 E eles discorriam entre si: «Não temos pão.» 17 Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido? 18 Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais 19 de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.» 20 «E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.» 21 Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»

 

O cego de Betsaida

22 Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. 23 Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: «Vês alguma coisa?» 24 Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar.» 25 Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez. 26 Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na aldeia.»


Texto:

 


  Castidade

  Como já se disse o prazer é sempre efémero por isso a busca de novas sensações e momentos de satisfação torna-se uma verdadeira necessidade e não poucas vezes uma obsessão.

A imaginação joga um papel decisivo e deixá-la “à solta” acaba quase sempre por forçar a atitude.

  Muitas vezes a pessoa dominada por este vício ultrapassa os limites da normalidade - por assim dizer - de uma actuação própria que não existiria se o não tivesse. Chega a cometer autênticos crimes contra si próprio ou contra terceiros. Configura um desprezo ou pelo menos falta de consideração pelo próprio corpo e pelo dos outros.

O respeito pelo corpo é sem dúvida alguma uma característica do carácter bem formado.

A pessoa sabe que o corpo é como que o invólucro da alma e portanto deve ser respeitado na sua integridade e nunca usado como um meio objecto de prazer ou deleite.

A modéstia e o decoro pessoais caracterizam a pessoa consciente desta realidade.

  Ter a noção correcta do que é permitido e que não o é, dos limites onde se deve actuar, faz parte integrante desse carácter bem formado e bem informado.

  Não se deve encarar este tema pela negativa com uma posição redutora do seu âmbito ou da sua importância; pelo contrário, é conveniente ter bem claro que a castidade é uma das mais belas e gratificantes virtudes como, no fim e ao cabo são todas a virtudes que exigem luta, perseverança, vigilância e vontade expressas da sua defesa.

  Quanto maior a luta e mais árduo o esforço maior o prémio e a satisfação pessoal quando se vence.

  Ora bem, como pode estranhar-se que uma virtude exija luta e coragem para se manter e conservar quando o vício também os exige para a sua satisfação?

  Ao discorrer sobre a castidade é fundamental ter uma atitude positiva porque não se trata nem de algo estranho, raro e muito menos impossível.

Ser casto nas palavras, atitudes, comportamentos não é de modo nenhum algo reservado a pessoas com alguma vocação especial.

  Algumas têm a castidade pessoal como uma exigência atinente a essa mesma vocação havendo até nalguns casos compromisso solene de a observar.

O comum das pessoas não têm esse compromisso mas sim esse dever, muito particularmente como dever de estado. Isto é, a pessoa consciente sabe que a castidade pessoal joga forte na sua vida.

Longe de ser um “problema” observar a castidade é uma vitória pessoal sobre as inclinações naturais, um triunfo da vontade, uma escolha gratificante.

  A cedência causa sempre amargura e insatisfação, não ceder, bem ao contrário, traz consigo o doce sabor da vitória.

  Durante muito tempo a direcção espiritual dos jovens centrava-se muito na castidade e não poucas vezes esta forma de proceder causava no jovem um autêntico obstáculo à sua vida interior tornando-se, com o  desenvolvimento pessoal, numa quase obsessão limitando muito o critério, a tranquilidade e a visão correcta e desapaixonada da consideração da sexualidade.

  Algo natural e comum tornava-se assim num problema de proporções por vezes desmedidas num misto de sentimentos de fraqueza, cedências, descontrolo e, evidentemente, de vergonha.

Por causa disso muitos jovens se afastaram da direcção espiritual e da prática dos sacramentos  nomeadamente da confissão sacramental.

Bem se sabe que meses tempos o tema era de difícil abordagem nomeadamente entre filhos e pais. Era como que um tema “tabu” que por costume não se abordava.

A juventude educada na escola oficial era a que mais sofria com esta situação já que  normalmente os  estabelecimentos de ensino não proporcionavam direcção espiritual aos seus alunos deixando assim os jovens como que entregues a si mesmos procurando adrede respostas para as questões que inevitavelmente vão surgindo com o avançar dos anos.

E não poucas vezes não encontrando o  esclarecimento que procuram ou, o que é pior, as respostas vêm daqueles que não têm nem seriedade, nem critério, nem  conhecimentos que lhes permitam responder de uma forma séria e conclusiva, o jovem vai mergulhando num poço ao qual não encontra fundo e ou se deixa ir nesse mergulho sem objectivo, ou se desinteressa completamente por interrogar-se, esclarecer as suas dúvidas e se comporta como se não houvesse nem limites a observar nem regras a ter em conta.

Nestes casos e situações encontram terreno fértil as solicitações próprias da sexualidade juvenil.

  Seria, pois, na minha opinião, muito mais eficaz falar-se de pureza e amor.

  O problema da sexualidade está intimamente ligado a estes dois parâmetros já que a sexualidade tem um âmbito muitíssimo mais abrangente que a mera acção sexual que, se não envolve ou considera o amor como motor e causa, não passa de um acto de mera satisfação pessoal.

  De facto é recorrente chamar-se à acção do acto “fazer amor” o que quer dizer exactamente que se aceita aquele como a expressão física e emocional daquela.

E porque segundo as leis da própria natureza o acto sexual está  intrinsecamente orientado para um fim que é a procriação e a propagação da espécie, não se deve admitir sob outro pretexto  qualquer.

  Posto isto é bem de ver que os dois envolvidos no acto sexual têm  forçosamente de ser de géneros diferentes, ou seja, macho e fêmea.

  Estes, pelas mesmas leis da natureza, elegem-se mutuamente para levarem a cabo essa acção procriadora, quer levados pelos seus instintos apelativos, no caso dos irracionais, quer pelos  sentimentos que os atraírem mutuamente no que se refere ao ser humano e, neste caso, é o amor.

  Claro... também existe a atracção que suscita o desejo mas esta é a acção primária que deve levar àquele. E, a verdade é que, mesmo desvanecidas a atracção e mitigado o desejo com o passar dos anos e o "amortecimento" do libido, o amor permanece cada vez mais forte e seguro, construído passo a passo no dia-a-dia da vida em comum e pode afirmar-se que já não necessita de exercitar o sexo para continuar a existir. 

Se assim não fosse, as pessoas de idade mais avançada não encontrariam o amor mútuo nas suas vidas.

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

São José

 


EXORTAÇÃO APOSTÓLICA

REDEMPTORIS CUSTOS

DO SUMO PONTÍFICE

JOÃO PAULO II

SOBRE A FIGURA E A MISSÃO

DE SÃO JOSÉ

NA VIDA DE CRISTO E DA IGREJA

 

O CONTEXTO EVANGÉLICO

 

III

 

O HOMEM JUSTO - O ESPOSO

 

17. No decorrer da sua vida, que foi uma peregrinação na fé, José, como Maria, permaneceu fiel até ao fim ao chamamento de Deus. A vida de Maria foi o cumprimento até às últimas consequências daquele primeiro fiat (faça-se) pronunciado no momento da Anunciação; ao passo que José - como já foi dito - não proferiu palavra alguma, aquando da sua «anunciação»: «fez como o anjo do Senhor lhe ordenara» (Mt 1, 24). E este primeiro «fez» tornou-se o princípio da «caminhada de José». Ao longo desta caminhada, os Evangelhos não registram palavra alguma que ele tenha dito. Mas esse silêncio de José tem uma especial eloquência: graças a tal atitude, pode captar-se perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o «justo» (Mt 1, 19).

 

É necessário saber ler bem esta verdade, porque nela está contido um dos mais importantes testemunhos acerca do homem e da sua vocação. No decurso das gerações a Igreja lê, de maneira cada vez mais atenta e mais cônscia este testemunho, como que tirando do tesouro desta insígne figura «coisas novas e coisas velhas» (Mt 13, 52).

 

18. O homem «justo» de Nazaré possui sobretudo as características bem nítidas do esposo. O Evangelista fala de Maria como de «uma virgem desposada com um homem ... chamado José» (Lc 1, 27). Antes de começar a realizar-se «o mistério escondido desde todos os séculos em Deus» (Ef 3, 9), os Evangelhos põem diante de nós a imagem do esposo e da esposa. Segundo o costume do povo hebraico, o matrimónio constava de duas fases: primeiro, era celebrado o matrimónio legal (verdadeiro matrimónio); e depois, só passado um certo período, é que o esposo introduzia a esposa na própria casa. Antes de viver junto com Maria, portanto, José já era o seu «esposo»; Maria, porém, conservava no seu íntimo o desejo de fazer o dom total de si mesma exclusivamente a Deus. Poder-se-ia perguntar de que modo este desejo se conciliava com as «núpcias». A resposta vem-nos somente do desenrolar dos acontecimentos salvíficos, isto é, da acção especial do próprio Deus. Desde o momento da Anunciação, Maria sabe que deve realizar-se o seu desejo virginal, de entregar-se a Deus de modo exclusivo e total, precisamente tornando-se mãe do Filho de Deus. A maternidade por obra do Espírito Santo é a forma de doação que o próprio Deus espera da Virgem, «desposada» com José. E Maria pronuncia o seu fiat (faça-se).

 

O facto de ela ser «desposada» com José está incluído no mesmo desígnio de Deus. Isso é indicado por ambos os Evangelistas citados, mas de maneira particular por São Mateus. São muito significativas as palavras ditas a José: «Não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). Elas explicam o mistério da esposa de José: Maria é virgem na sua maternidade. Nela «o Filho do Altíssimo» assume um corpo humano e torna-se «o Filho do homem».

 

Dirigindo-se a José com as palavras do anjo, Deus dirige-se a ele como sendo esposo da Virgem de Nazaré. Aquilo que nela se realizou por obra do Espírito Santo exprime ao mesmo tempo uma confirmação especial do vínculo esponsal, que já existia antes entre José e Maria. O mensageiro diz claramente a José: «Não temas receber contigo, Maria, tua esposa». Por conseguinte, aquilo que tinha acontecido anteriormente — os seus esponsais com Maria — tinha acontecido por vontade de Deus e, portanto, devia ser conservado. Na sua maternidade divina, Maria deve continuar a viver como «uma virgem, esposa de um esposo» (cf. Lc 1, 27).

Reflexão

 

Na hora da secura, do fastio, inclusive ante o espiritual; na hora do esgotamento da inteligência; e – só no que se refere a nós – na hora da tibieza, voltemos os olhos para Jesus Cristo orante no Horto e saberemos tirar partido dessas situações, recobrando forças – ainda que não desapareçam os sintomas externos – até saltar para for a do sepulcro da apatia.

 

(Javier Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Pg. 180)

Filosofia, Religião, Condição Humana

 

A doutrina sagrada é uma ciência?

 

QUANTO AO SEGUNDO ARTIGO, ASSIM SE PROCEDE: Parece não ser ciência a doutrina sagrada.

1. – Pois toda ciência provém de princípios por si evidentes, ao passo que procede a doutrina sagrada dos artigos da fé, inevidentes em si, por serem não universalmente aceitos; porque a fé não é de todos, diz a Escritura (II Ts. 3, 2). Logo, não é ciência a doutrina sagrada.

2. – Ademais, do indivíduo não há ciência. Mas a doutrina sagrada trata de factos individuais, como sejam os feitos de Abraão, Isaac, Jacó e semelhantes. Logo, não é ciência a doutrina sagrada.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, diz Agostinho: “A esta ciência pertence apenas aquilo pelo qual a fé, bem salutar, é gerada, alimentada, defendida, corroborada”. Ora, tais funções não pertencem a ciência alguma, a não ser à doutrina sagrada. Logo, a doutrina sagrada é uma ciência.



RESPONDO. A doutrina sagrada é ciência. Porém, cumpre saber que há dois géneros de ciências. Umas partem de princípios conhecidos à luz natural do intelecto, como a aritméctica, a geometria e semelhantes. Outras provém de princípios conhecidos por ciência superior; como a perspectiva, de princípios explicados na geometria, e a música, de princípios aritmécticos. E deste modo é ciência a doutrina sagrada, pois deriva de princípios conhecidos à luz duma ciência superior, a saber: a de Deus e dos santos. Portanto, como aceita a música os princípios que lhe fornece o aritméctico, assim a doutrina sagrada tem fé nos princípios que lhe são revelados por Deus.

QUANTO AO 1º, portanto, deve dizer-se que os princípios de qualquer ciência, ou são por si mesmos evidentes, ou se reduzem à evidência de alguma ciência superior. E tais são os princípios da doutrina sagrada, como dissemos.

QUANTO AO 2º, deve dizer-se que na doutrina sagrada, os factos individuais não são tratados principalmente, senão apenas introduzidos a título de exemplo prático, como nas ciências morais; ou também no intuito de apurar a autoridade dos homens que nos transmitiram a revelação divina, na qual se funda a Sagrada Escritura ou doutrina.

 

São Tomás de Aquino, Summa Theológica

Pequena agenda do cristão

   



SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

05/02/2021

Vivei uma particular Comunhão dos Santos

Comunhão dos Santos. – Como to hei-de dizer? – Sabes o que são as transfusões de sangue para o corpo? Pois assim vem a ser a Comunhão dos Santos para a alma. (Caminho, 544)

Vivei uma particular Comunhão dos Santos: e cada um sentirá, à hora da luta interior, e à hora do trabalho profissional, a alegria e a força de não estar só. (Caminho, 545)

Leitura espiritual Fev 05

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc VII, 24-37; Mc VIII, 1-9

 

Jesus e a cananeia

24 Partindo dali, Jesus foi para a região de Tiro e de Sídon. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse, mas não pode passar despercebido, 25 porque logo uma mulher que tinha uma filha possessa de um espírito maligno, ouvindo falar dele, veio lançar-se a seus pés. 26 Era gentia, siro-fenícia de origem, e pedia que lhe da filha o demónio. 27 Ele respondeu: «Deixa que os filhos comam primeiro pois não está bem tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos.» 28 Mas ela replicou: «Dizes bem, Senhor, mas até os cachorrinhos comem debaixo da mesa <as migalhas dos filhos.» 29 «Em atenção a essa palavra, vai: o demónio saiu de tua filha.» 30 Ela voltou para casa e encontrou a menina recostada na cama. O demónio tinha-a deixado.

 

O surdo mudo

31 Tornando a sair da região de Tiro, veio por Sídon para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. 32 Trouxeram-lhe um surdo tartamudo e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. 33 Afastando-se com ele da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos e fez saliva com que lhe tocou a língua. 34 Erguendo depois os olhos ao céu, suspirou dizendo: «Effathá», que quer dizer «abre-te.» 35 Logo os ouvidos se lhe abriram, soltou-se a prisão da língua e falava correctamente. 36 Jesus mandou-lhes que a ninguém revelassem o sucedido; mas quanto mais lho recomendava, mais eles o apregoavam. 37 No auge do assombro, diziam: «Faz tudo bem feito: faz ouvir os surdos e falar os mudos.»

 

Segunda multiplicação dos pães

VIII 1 Naqueles dias, havia outra vez uma grande multidão e não tinham que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: 2 «Tenho compaixão desta multidão. Há já três dias que permanecem junto de mim e não têm que comer. 3 Se os mandar embora em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, e alguns vieram de longe.» 4 Os discípulos responderam-lhe: «Como poderá alguém saciá-los de pão, aqui no deserto?» 5 Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes?» Disseram: «Sete.» 6 Ordenou que a multidão se sentasse no chão e, tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e dava-os aos seus discípulos para eles os distribuírem à multidão. 7 Havia também alguns peixinhos. Jesus abençoou-os e mandou que os distribuíssem igualmente. 8 Comeram até ficarem satisfeitos, e houve sete cestos de sobras. 9 Ora, eram cerca de quatro mil. Em seguida despediu-os.

 

Texto:

 


  A grandeza e dignidade do amor

  E, assim, o ser humano tem, de facto uma dignidade e uma estatura que lhe permitem, com toda a propriedade, poder ser chamado colaborador de Deus na obra da Criação.

É esta grandiosa dignidade humana que tem de ser considerada e defendida, a todo o custo, contra os que, por desvario mental ou grave desvio de valores, querem fazer crer que, o ser humano é tão só mais um ser vivo existente na natureza podendo, portanto, ser manipulado e conduzido de qualquer forma julgada conveniente para alcançar inconfessáveis e mórbidos fins.

A alteração das regras iniciais, as estabelecidas pelo Criador, como seja a criação de seres humanos diferentes, homem e mulher, não pode nem deve ser admitida.

  Ao homem cabe um papel e à mulher outro, machos e fêmeas têm papéis diferentes com especificidades muito bem definidas, de resto como acontece na natureza.

A união dos dois destina-se a gerar novos seres - e esta é a maior e mais importante colaboração com o Criador, como se tivesse determinado: ‘a partir de agora, a continuação da vossa espécie fica a vosso cargo, já não é tarefa Minha mas sim trabalho vosso.’

  Deus poderia ter feito de mil maneiras diferentes, porque pode absolutamente tudo, mas quis que fosse assim e, mais uma vez por Amor, dando ao ser humano essa oportunidade de extraordinária relevância.

  Portanto é lícito concluir que a razão primeira porque um homem e uma mulher se unem - uma vez mais estando o amor na base e origem dessa decisão - é com a finalidade de provocar descendência.

  Tal é impossível, por natureza, entre pessoas do mesmo sexo e, assim, conclui-se que uma união assim é “contra natura” e não tem justificação séria.

  Ora ao legislar sobre este assunto, no que aos seres humanos respeita, o poder civil está a intrometer-se em algo que lhe está vedado, justamente porque não deve elaborar leis que vão contra a ordem natural.

Já quanto ao mundo animal, o caso pode ser diferente.

  Mas, de facto, o ser humano, é neste aspecto radicalmente diferente dos outros seres vivos que procuram a união sexual entre machos e fêmeas unicamente e só, impulsionados por um instinto irreprimível de procriar, enquanto no ser humano o impulso sexual é gerido pela inteligência, pela vontade.

Esta enormíssima diferença é fundamental para se perceber que a sexualidade humana não tem comparação absolutamente nenhuma com o cio dos animais.

  Há uns anos, um professor de filosofia contou que, depois de uma aula recheada com a argumentação de alguns alunos acerca das práticas homossexuais considerando-as algo natural e aceitável e, portanto, passível de ser legislado, já francamente incomodado com o assunto, lhe saiu uma consideração final: ‘Que fique bem claro, para todos, que nem o ânus nem a boca são órgãos sexuais do corpo humano e que, portanto, defender o contrário é, no mínimo, aberrante!’

  A crua dureza da argumentação só se aceita por ser verdade insofismável e indiscutível.

  De facto, sexualidade, para muitos, deixou de ser uma propriedade natural do ser humano destinada a altíssimos fins de colaboração com o Criador, para passar a ser tão só uma consideração mais ou menos vaga da satisfação do desejo, da utilização sem qualquer regra ou limites, das sensações, estímulos e prazer que se obtêm na exploração do libido sensual.

  Virá a propósito falar de:

 

Castidade

  Ao longo dos tempos este tema tem sido abordado por inúmeros autores espirituais e outros sob os mais diversos ângulos e perspectivas.

  De facto ao considerar a castidade como uma virtude de altíssima nobreza fazêmo-lo sob a consideração das dificuldades que apresenta ao comum das pessoas possuí-la e mantê-la viva e actuante.

O nosso líbido é muito forte e permanece mais ou menos presente desde a tenra idade até aos últimos momentos da nossa vida.

Requer um controlo constante e uma vigilância permanente.

Ceder, deixar-se arrastar pelas chamadas “solicitações da carne” pode tornar-se um hábito e, naturalmente converter-se em vício difícil de extirpar.

  Como todos os vícios mantém a pessoa presa retirando-lhe a liberdade de escolher,  sujeitando-a à procura inconsequente do prazer que se revela sempre efémero e passageiro.

  E, ainda como todos os vícios, deixa marcas quer no carácter quer no comportamento. Enfraquece a vontade, debilita a nobreza de sentimentos, domina a imaginação.

  Quem se deixa manobrar - é o termo - abdica da vontade própria e tem enorme dificuldade em viver, pensar e agir correctamente.

 

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão

Não te assombres de que aos prazeres chamasse espinhos (…). Assim como os espinhos, por qualquer lado que se lhes pegue, ensanguentam as mãos, assim também os prazeres prejudicam os pés, as mãos, a cabeça, os olhos… Quando se põe o coração em coisas temporais sobrevém a velhice prematura, embotam-se os sentidos, entenebrece-se a razão.


 

(São Basílio, Homílias sobre São Lucas, 3, 12)

Perguntas e respostas

 

HOMOSSEXUALIDADE

C. PREGUNTAS FREQUENTES

6. Diz-se que a homossexualidade é um defeito. Perguntam, da Colômbia: isto é ódio e discriminação? Não, não é isso. Dizer que uma pessoa tem defeitos nunca pode ser discriminatório, pois todos os seres humanos os têm.

Pequena agenda do cristão

  

Sexta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Pequena agenda do cristão

 

Sexta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

04/02/2021

Leitura Espiritual Mar 03

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc III, 1-20

 

Pregação de João Baptista

1 No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes, tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilena, 2 sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. 3Começou a percorrer toda a região do Jordão, pregando um baptismo de penitência para remissão dos pecados, 4 como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas. 5 Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão planos. 6 E toda a criatura verá a salvação de Deus.’» 7 João dizia, então, às multidões que acorriam para serem baptizadas por ele: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para chegar? 8 Produzi frutos de sincero arrependimento e não comeceis a dizer para convosco: ‘Nós temos Abraão como pai’; pois eu vos digo que Deus pode, destas pedras, suscitar filhos a Abraão. 9 O machado já se encontra à raiz das árvores; por isso, toda a árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.» 10 E as multidões perguntavam-lhe: «Que devemos, então, fazer?» 11 Respondia-lhes: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo.» 12 Vieram também alguns cobradores de impostos, para serem baptizados e disseram-lhe: «Mestre, que havemos de fazer?» 13 Respondeu-lhes: «Nada exijais além do que vos foi estabelecido.» 14 Por sua vez, os soldados perguntavam-lhe: «E nós, que devemos fazer?» Respondeu-lhes: «Não exerçais violência sobre ninguém, não denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.»

 

Testemunho de João Baptista

15 Estando o povo na expectativa e pensando intimamente se ele não seria o Messias, 16 João disse a todos: «Eu baptizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo. 17 Tem na mão a pá de joeirar, para limpar a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; mas queimará a palha num fogo inextinguível.» 18 E, com estas e muitas outras exortações, anunciava a Boa-Nova ao povo.

 

João é encarcerado

19 Mas Herodes, o tetrarca, a quem João censurava por causa de Herodíade, mulher de seu irmão, e por todas as más acções que tinha praticado, 20 acrescentou a todas as más acções, mais esta: encerrou João na prisão.

 

Textos



  Morte

  Esta capacidade de inventar coisas novas, descobrir o que está oculto ou velado à evidência imediata, só é possível pela centelha divina que cada criatura humana tem dentro de si.

  O  seu corpo físico é um conjunto, magnífico, de células e órgãos que desempenham funções eficazes e imprescindíveis para a vida.

  Mas é a inteligência que lhe permite o saber, a memória, a evolução do pensamento e, a inteligência é a emanação da alma.

  Sendo o homem a imagem de Deus é natural que tenha parte, embora ínfima, da inteligência divina.

Mas, pergunta-se: nesse caso, todos os homens deveriam ter a mesma inteligência, quer dizer, a mesma capacidade de pensar?

Parece lógico que assim seja, mas para discutir o assunto, uma vez mais, esbarramos com a obra de Deus: a criação.

O Criador não tem como que um “armazém” de almas as quais vai distribuindo à medida que se forma um novo ser humano no seio de uma mulher.

  Não!

  Cada alma é criada para cada novo ser humano – Deus cria continuamente – e, assim, pode, embora palidamente, entender-se que não haja duas almas iguais.

  O que é absolutamente certo é que a alma é parte integrante do homem, ou, se quisermos dizer de outra forma o homem só é homem considerado como corpo e alma independentemente de estar completamente formado, adolescente ou na idade adulta.

A liberdade humana tem, assim, a sua expressão mais concreta e radical na opção, ou escolha, que o homem pode eleger em determinado sentido, coisa ou comportamento.

Mas, evidentemente, como já se disse, o conceito de liberdade absoluta só se aplica a Deus porque Ele é a Verdade.

  «A verdade vos tornará livres[1]

Temos, assim, que só de posse da verdade, o ser humano pode ser inteiramente livre porque, então, o seu exercício será orientado para Deus que é o único que convém.

Por outras palavras, seguir Deus, sendo um acto da vontade esclarecida, é a suma liberdade e exclusiva do ser humano.

  Quando algo - seja uma escolha ou opção - tem uma consequência, prémio ou castigo, a inteligência à qual o castigo repugna e o prémio seduz, está, de certo modo, condicionada no exercício da liberdade - o que parece demonstrado - daí que São Paulo tenha o conhecido desabafo: ‘Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero.’ [2]

  Mas, comummente, diz-se que ser livre é exercer o livre arbítrio e, pelas mesmas razões, tal não corresponde à verdade uma vez que o arbítrio não é intrinsecamente livre. Exercê-lo comporta sempre uma responsabilidade que, em suma, se traduz nas consequências emergentes.

  Estas responsabilidades não são enjeitáveis ou de qualquer modo imputáveis a outrem que não ao próprio que com a sua opção lhes deu lugar.

Daqui que só pode escolher, optar - exercer a liberdade pessoal - quem for responsável no verdadeiro significado da palavra.

Ora temos de convir que para ser responsável é fundamental estar plenamente informado.

Quem não sabe ou interpreta mal não tem condições para assumir uma qualquer responsabilidade e, consequentemente, não pode, em verdade, ser livre.

  A ignorância coacta, condiciona, fortemente, o exercício da liberdade.

  Como se poderá escolher, optar por algo que não se conhece bem?

Não é sério nem, em absoluto, conveniente.

 

Os abundantes exemplos de quem assim procede e as consequências que daí advêm, são disso prova bastante.

  Querer algo não é o mesmo que desejá-lo.

  Querer é a vontade expressa num determinado sentido, ao passo que, desejar é um sentimento nascido de um estímulo de vária ordem.

  Da mesma forma, transformar o desejo - que acontece sempre primeiro - em querer, envolve responsabilidade, logo, conhecimento.

Não se pode querer algo que, especificamente, não se conhece, ao passo que é possível desejar de uma forma abrangente ou mesmo vaga.

  Mas, Deus, pouco ou nada tem a ver com tudo isto já que o homem é livre de proceder como quiser mesmo que o seu procedimento possa não ser o mais correcto.

  No fundo de todo este problema reside uma questão fundamental: Até ao início da redenção que Cristo nos conseguiu na Cruz, o Seu nascimento em Belém, o homem era apenas um descendente de Adão.

Criado por Deus, naturalmente, mas uma criatura.

Este acontecimento opera uma mudança radical na criatura humana: torna-a filha de Deus.

 

 



[1] Cfr. Jo 8, 30

[2] Rom 719