12/11/2018

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







El reto del amor


Hoy el reto del amor es que des la vuelta a esa persona con la que te cuesta estar.




por El Reto Del Amor

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 
Vida de São Francisco de Assis)

TERCEIRA PARTE

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO

O PODER DOS ESTIGMAS

CAPÍTULO I

1. Cabendo-me narrar, para honra e glória de Deus omnipotente e do bem-aventurado Pai Francisco, alguns dos milagres aprovados, que sucederam após a sua glorificação no céu, julguei necessário principiar com aquele que mais do que qualquer outro revela o poder da cruz de Cristo e renova a sua glória.    
Homem novo e celestial, brilhou Francisco com um milagre novo e estupendo, ao ser distinguido com um privilégio jamais concedido a criatura humana antes dele: a impressão dos sagrados estigmas que conformava o seu corpo mortal ao do Crucificado.
Tudo o que se possa dizer com a língua de um mortal a respeito desse prodígio estará sempre aquém daquilo que exige o mérito do seu louvor.
Todo o esforço do santo, em público como em particular, era pensar na cruz do Senhor.
E a fim de marcar exteriormente o seu corpo com o sinal da cruz, que desde o principio da sua entrega total ao Senhor levava impressa no coração, quis encerrar-se na própria cruz, vestindo-se com o hábito de penitência feito em forma de cruz, para que, assim como em seu espírito ele se havia revestido interiormente de Cristo, assim também o seu corpo se fortificasse com as armas da cruz, e para que o exército de Francisco iniciasse sob aquela gloriosa insígnia com que o invicto chefe Cristo havia triunfado sobre os poderes infernais.
Com efeito, desde aquele primeiro instante em que o santo decidiu militar sob o estandarte do Crucificado, começaram a realizar-se nele os grandes mistérios da cruz, como claramente pode compreender todo aquele que considere com atenção toda a sua vida em que foi mudando completamente os seus pensamentos, acções e afectos e, por impulso do seu amor ser fico, se transformou em imagem perfeita do Crucificado por força das repetidas aparições da cruz.
A misericórdia divina condescendeu, pois, com o seu servo Francisco, tal como faz com os demais que de facto o amam, e imprimiu no corpo do santo o sinal da cruz, para que aquele que havia sido prevenido com amor tão intenso ... cruz também se tornasse admirável pela honra maravilhosa que a própria cruz havia de proporcionar.

2. A fim de afastar qualquer sombra de dúvida e comprovar a autenticidade desse milagre estupendo e incontestável, aí estão não só os testemunhos absolutamente dignos de fé daqueles que viram e tocaram as chagas do santo, mas também as admiráveis aparições e prodígios, ocorridos depois da sua morte.
O Papa Gregório IX, de feliz memória, a quem o santo profetizara a eleição ... cátedra de São Pedro, nutria no seu coração, antes de canonizar o porta-estandarte da cruz, algumas dúvidas a respeito da chaga do lado.
Uma noite, porém, como ele mesmo referia entre lágrimas, apareceu-me em sonhos o bem-aventurado Francisco, mostrando na fisionomia certa amargura e repreendendo-o por causa da dúvida que alimentava no seu coração, levantou o braço direito, descobriu a chaga e pediu-lhe que chegasse com uma taça para nela receber o sangue que dela brotava.
O papa aproximou da chaga a taça, a qual parecia encher-se até às bordas de sangue que corria em abundância.
Desde então nutriu tal devoção a esse extraordinário milagre e sentiu tanto zelo por ele, que de nenhum modo podia consentir que alguém se atrevesse a impugnar com temerária ousadia aquelas chagas benditas sem repreendê-lo com grande severidade.

3. Certo Irmão, menor pela profissão, pregador por ofício e eminentíssimo pelas famas das suas virtudes, acreditava firmemente na realidade dos estigmas.
Mas procurando em si uma explicação para esse milagre segundo a lógica humana, sentiu nascer em si uns vislumbres de dúvida.
Sentindo-se abatido por muitos dias com essa luta e incerteza por ter a sensualidade aumentado, apareceu-lhe em sonho o bem-aventurado Francisco com os pés enlameados, humilde e severo, paciente e irado. E disse-lhe:
“Que incertezas São essas que te afligem e que dúvidas São estas que te molestam? Vê minhas mãos e meus pés”.
Mas, embora visse as mãos chagadas, não podia ver as chagas dos pés por causa do lodo que as cobria.
Então disse-lhe o seráfico Pai: “Tira o lodo de meus pés e poderás contemplar a ferida produzida pelos cravos”.
O Irmão tomou em suas mãos os pés e parecia-lhe que realmente estava separando deles a lama e que estava tocando com as próprias mãos os cravos.
Logo que despertou daquele sonho, começou a chorar amargamente e purificou, não só com as suas lágrimas copiosas mas também com a confissão pública de suas dúvidas, os primeiros afectos da sua alma, de certa forma prejudicados pelo lodo da incredulidade.

4. Havia na cidade de Roma uma senhora, nobre pela pureza do seus costumes e pelas suas raízes ancestrais.
Ela escolhera São Francisco como seu advogado e tinha um quadro dele no seu quarto, onde orava a Deus em segredo.
Certo dia ao orar, olhou ela com atenção a imagem do santo e não viu nenhum sinal dos estigmas.
Ficou surpreendida e contrariada.
Na verdade não havia motivo nenhum para ficar surpresa, pois o artista havia omitido as chagas.
Por alguns dias esteve ela ponderando qual teria sido a razão daquela omissão.
Um dia, porém, os estigmas apareceram de repente no quadro, tal como aparecem em outras pinturas do santo.
Ficou atemorizada e imediatamente chamou a filha, que também era muito religiosa, e perguntou-lhe se os estigmas realmente estavam no quadro anteriormente.
Ela respondeu que não e jurou que os estigmas tinham sido omitidos e que agora aí estavam.
No entanto, muitas vezes acontece que o coração humano arma uma cilada para si mesmo, pondo em dúvida a verdade.
E foi o que lhe aconteceu a ela: começou com incertezas e vacilações, duvidando se a imagem já não estaria com as chagas desde o início.
Mas o poder de Deus acrescentou mais um milagre, para que não ficasse desprezado o primeiro.
De repente desapareceram aquelas chagas, ficando o quadro desprovido de tão singular privilégio, para que pelo prodígio seguinte ficasse o anterior perfeitamente confirmado.

5. Aconteceu também na cidade de Lérida, na Catalunha, que certo homem chamado João, muito devoto de São Francisco, andava por um caminho ao anoitecer, quando lhe saíram ao encontro uns homens com intenção de matá-lo, não precisamente a ele, que não tinha inimigos, mas a um outro que lhe era muito parecido e costumava andar em sua companhia.
Aproximando-se um dos homens que estavam ocultos, pensando ser seu inimigo, causou-lhe tão graves ferimentos, que o deixou sem esperança alguma de recuperar a saúde, pois ao primeiro golpe que lhe deu, quase lhe cortou o braço pela altura do ombro, e o outro golpe lhe causou tão profunda ferida no peito, que o ar que por ali escapava bastou para apagar a luz de seis velas que ardiam juntas.
Os médicos estavam convencidos de que ele não poderia salvar-se porque, tendo gangrenado, a ferida exalava um mau cheiro tão intolerável, que a própria esposa mal aguentava.
Nem havia remédio humano que pudesse aliviar-lhe a dor.
Então recorreu a São Francisco pedindo a sua intercessão tão fervorosamente quanto pôde.
E mesmo quando atacado, recomendara-se a ele e ... Santíssima Virgem.
Enquanto estava deitado sozinho no seu leito de dor, perfeitamente consciente e repetindo o nome de Francisco continuamente, entrou pela janela um homem vestido do hábito franciscano e se pôs a seu lado.
Assim lhe pareceu. A visão lhe falou, chamando-o pelo nome:
“Tiveste confiança em mim e por isso Deus te há-de curar”.
Quando o homem lhe perguntou quem era ele, disse que era Francisco e logo se inclinou para ele e desatou-lhe as feridas.
Em seguida, parecia untá-las com unguento.
Logo que sentiu o suave contacto daquelas mãos, que por virtude das chagas do Senhor tinham força para restituir a saúde, desapareceu a gangrena, sua carne ficou sã e cicatrizaram-se as feridas, voltando ao estado de perfeita saúde de que anteriormente gozava.
Depois disso desapareceu São Francisco.
Ao perceber que tinha sido curado, João chamou a esposa e prorrompeu alegre em louvores a Deus e a seu santo servo Francisco.
Ela veio correndo e ao ver de pé seu marido, que supunha ter que enterrar no dia seguinte, ficou amedrontada, e com os seus clamores chamou a atenção de toda a vizinhança.
Quando as pessoas da família chegaram, tentaram reconduzir João para a cama, pensando que estivesse louco, mas ele não quis ouvir a ninguém; procurando explicar-lhes que estava curado. Tão grande foi o pavor que os dominou, que ficaram como fora de si, parecendo-lhes estar vendo um fantasma, pois aquele a quem há pouco haviam contemplado cheio de chagas e mais ou menos já corrompido, apresentava-se a eles agora alegre e completamente restabelecido. “Não temais”, disse-lhes. “Não penseis que estais vendo fantasma. São Francisco acaba de sair daqui e foi ele quem curou todas as minhas chagas com o contacto de suas santas mãos”.
Divulgada a fama desse milagre, reuniu-se todo o povoado e, reconhecendo nesse estupendo prodígio a virtude das santas chagas de Francisco, ficaram todos cheios de admiração e alegria e com grandes manifestações aclamavam e bendiziam o porta-estandarte de Cristo.
Francisco levou os estigmas de Cristo, que por nós morreu em sua grande misericórdia e ressuscitou milagrosamente dos mortos e pelo poder de suas chagas curou o género humano que tinha sido ferido e estava semimorto.
Era justo, portanto, que aquele que morrera para este mundo e vivia com Cristo curasse um homem ferido aparecendo-lhe milagrosamente e tocando-o com suas mãos.

(cont)

São Boaventura

Revisão da versão portuguesa por AMA

Tu, sempre tu, sempre o que é ‘teu’


Egoísta! – Tu, sempre tu, sempre o que é "teu". – Pareces incapaz de sentir a fraternidade de Cristo: nos outros, não vês irmãos; vês "degraus". Pressinto o teu rotundo fracasso. – E, quando te tiveres afundado, quererás que tenham para contigo a caridade que agora não queres ter. (Caminho, 31)

Repito-vos com S. Paulo: ainda que eu falasse as línguas dos homens e a linguagem dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que ressoa ou como o címbalo que tine. E ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e possuísse toda a ciência, e tivesse toda a fé, de modo a mover montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, nada me aproveita.

Perante estas palavras do Apóstolo dos gentios, não faltam os que se assemelham àqueles discípulos de Cristo, que, ao anunciar-lhes Nosso Senhor o Sacramento da sua Carne e do seu Sangue, comentaram: – É dura esta doutrina; quem a pode escutar? É dura, sim. Porque a caridade que o Apóstolo descreve não se limita à filantropia, ao humanitarismo ou à natural comiseração pelo sofrimento alheio; exige a prática da virtude teologal do amor a Deus e do amor, por Deus, aos outros. (Amigos de Deus, 235)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Lc 17, 1-6

1 Disse, depois, aos discípulos: «É inevitável que haja escândalos; mas ai daquele que os causa! 2 Melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem ao mar, do que escandalizar um só destes pequeninos. 3 Tende cuidado convosco! Se o teu irmão te ofender, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4 Se te ofender sete vezes ao dia e sete vezes te vier dizer: ‘Arrependo-me’, perdoa-lhe.» 5 Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé.» 6 O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a essa amoreira: ‘Arranca-te daí e planta-te no mar’, e ela havia de obedecer-vos.»

Comentário:

Entendemos, por este trecho de S. Lucas, que a fé tem graus, dimensões.

Pouca fé; muita fé; fé suficiente?

Admite-se considerar as duas primeiras já a terceira não tem cabimento, nem vale a pena apreciá-la.

Sabemos que a fé é um dom de Deus e, como tal, é Ele quem no-la concede conforme – estou convencido – a nossa vontade e desejo.

Porque desejamos uma fé forte e sólida?

Porque, evidentemente, sentimos que nos coloca ao abrigo de dúvidas e tentações e nos faz ver e entender os desígnios de Deus nas nossas vidas.
Tem um preço? Um custo? Uma condição?
Evidentemente: fazer, em tudo a vontade de Deus.

Não será possível – nunca – ter esta fé se não estivermos dispostos a cumprir a vontade de Deus, porque, ao fazê-lo, declaramos sem margem para dúvidas que acreditamos que é o melhor e mais conveniente.

(AMA, comentário sobre, Lc 17, 1-6, 13.11.2017)




Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 106



O Santo Rosário que nos esforçamos por recitar diariamente, é essa "coroa de rosas" com que ornamos a sua fronte.
Que belíssima oferta!

Por exemplo, podemos pedir-lhe que nos mostre, torne claro para nós o que é que Ele quer que façamos em cada momento, e, evidentemente, que nos ajude nessa tarefa.

AMA, reflexões.

11/11/2018

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 15

Sua canonização e trasladação de seus restos mortais

1. Por uma ascensão contínua e com a ajuda da graça divina, chegara Francisco, amigo e servo do Altíssimo, às maiores culminâncias de sua existência: fundador e chefe da Ordem dos Frades Menores, propagador da pobreza, modelo de penitência, pregador da verdade, espelho de santidade e exemplo acabado da mais alta perfeição evangélica.
O Senhor que havia dado uma glória magnífica ainda em vida a este homem admirável, riquíssimo na pobreza, sublime na humildade, portentoso na mortificação, prudente na simplicidade e extraordinário na honestidade de todo seu comportamento, tornou-o incomparavelmente mais resplandecente de glória depois da sua morte.
Efectivamente, ao deixar este mundo aquele homem santo e ao entrar seu espírito seráfico na mansão ditosa da eternidade, para aí se inebriar suavemente na fonte inesgotável da vida, a sua alma deixava neste mundo, impressas em seu corpo, provas evidentes da glória que o aguardava: a carne santíssima, que ele havia crucificado com todos os seus vícios, tinha-se transformado em nova criatura já nesta vida e oferecia a todos, por um privilégio singular, uma imagem da paixão de Cristo e uma prefiguração da ressurreição.

2. Nas mãos e pés do santo, podiam ver-se os cravos milagrosamente trabalhados em sua carne pelo poder de Deus e tão aderentes a ela que, quando se apertavam suavemente por um de seus lados, sobressaíam pelo lado oposto, como se fossem feitos de uma só peça.
No seu lado também se viu uma chaga semelhante em tudo à do lado do Salvador, a qual não lhe foi feita nem causada por artifício humano, como símbolo daquela que no próprio Redentor foi causa da salvação e regeneração dos homens.
Os cravos tinham cor negra, semelhante ao ferro; mas a chaga do lado parecia vermelha, formando, com a contracção da carne, uma espécie de círculo.
Dava a impressão de uma rosa belíssima.
O restante do corpo, que, pelas enfermidades e por sua própria natureza, aparentava uma cor morena, apareceu iluminado de uma brancura própria dos corpos glorificados.

3. Os seus membros, flexíveis e brandos aos que os tocavam, pareciam ter encontrado a frescura da infância p e não poucos viram nisso um sinal de sua inocência.
Os cravos destacavam-se em sua cor escura sobre aquela pele clara, ao passo que a chaga do lado, com a sua cor vermelha, parecia rosa na primavera: compreendem-se pois a alegria e admiração de todos os que podiam contemplar esse espectáculo de beleza tão diversa e tão maravilhosa.
Os irmãos lamentavam a perda de um Pai tão amável, mas não deixavam de se alegrar ao beijarem sobre ele as armas do, Grande Rei.
Um milagre tão inaudito transformava o luto em júbilo. A inteligência humana por mais que investigasse, não chegava a compreender esses factos, mas caía num profundo êxtase.
Para as testemunhas, esse espectáculo estranho e notável era um convite a crer e a amar ainda mais, e para aqueles que recebiam a notícia representava um motivo de admiração e um apelo a vir contemplá-lo.

4. Logo que ficou público o passamento do bem-aventurado Pai e se divulgou a fama dos milagres que o acompanharam, o povo acorreu em grande número ao lugar onde jazia o santo, para contemplar com os próprios olhos aquele portento, dissipando-se assim toda dúvida da inteligência e transformando-se em gozo o pesar que a morte lhes havia causado.
Muitos cidadãos de Assis puderam examinar com os seus próprios olhos as sagradas chagas e nelas imprimir o ósculo de seu amor.
Um desses cidadãos, cavaleiro instruído e prudente, chamado Jerónimo, homem muito famoso, duvidando da realidade das sagradas chagas e mostrando-se muito incrédulo, como Tomé, com maior resolução e atrevimento que os demais, começou a tocar, diante dos irmãos e dos seus concidadãos, as mãos e os cravos do santo, e a tocar com suas próprias mãos os pés e a chaga do lado direito, como se quisesse com aquele toque nas verdadeiras marcas das chagas de Cristo arrancar do seu coração e de todos os presentes as raízes mais profundas de qualquer dúvida ou ansiedade.
Esse homem tornou-se a seguir uma das testemunhas mais convictas de uma verdade que ele havia adquirido de modo tão irrefragável, dando testemunho da verdade e jurando sobre os santos Evangelhos.

5. Também os irmãos haviam sido chamados ao passamento do Pai: juntaram-se à multidão e na noite que seguiu à morte do bem-aventurado confessor de Cristo tantos louvores se deram a Deus, que parecia mais uma liturgia celebrada entre os anjos do que uma vigília funerária.
De manhã cedo a multidão, munida de ramos e velas, trasladou o sagrado corpo à cidade de Assis, e ao passar em frente da igreja de São Damião, onde morava então, com outras irmãs, a gloriosa virgem Clara, que já goza triunfante no céu, pararam um pouco para proporcionar àquelas sagradas virgens oportunidade de ver e beijar o venerável corpo, adornado de preciosas e celestiais pérolas.
Chegados, por fim, à cidade, depositaram, cheios de júbilo e com grande reverência, na igreja de São Jorge, o precioso tesouro que levavam.
E fizeram isso em atenção ao facto de que, naquele mesmo lugar, Francisco havia aprendido, em criança, as primeiras letras; aí pregou depois pela primeira vez e aí por fim encontrou, depois de morto, o primeiro lugar de seu descanso.

6. Partiu deste mundo o seráfico Pai São Francisco no ano da encarnação do Senhor de 1226, ao anoitecer do Sábado 3 de Outubro, sendo sepultado no Domingo seguinte.
Logo começou o bem-aventurado Pai, já reinando na eterna glória, a resplandecer por seus muitos e estupendos milagres, fazendo o Senhor que a sublime santidade com que Francisco sobressaíra no mundo, como exemplo de santos costumes e perfeita justiça, recebesse um testemunho irrecusável do céu com os prodígios que operava, quando já reinava com Cristo na pátria celeste.
Logo se espalharam pelo mundo os milagres do santo; e os extraordinários benefícios que por sua intercessão se alcançavam acenderam em muitos o fogo do amor divino e os estimularam à devoção e ao culto do santo, a quem aclamavam com as palavras e as obras.
Por outro lado, também não demoraram a chegar aos ouvidos do Papa Gregório IX as grandes maravilhas que Deus operava por intercessão do servo de Deus.

7. O pastor da Igreja que nenhuma dúvida tinha sobre a sua admirável santidade, depois de todos os milagres a ele referidos desde a morte do santo e de todos aqueles prodígios de que fora testemunha durante a vida, tendo visto com os seus olhos e tocado com as suas mãos, por assim dizer, esses factos, não duvidando da glória que o Senhor já lhe reservara no céu, decidiu, para pautar a sua conduta com a de Cristo de quem ele era vigário, glorificá-lo também na terra propondo-o à veneração de todos.
A fim de dar ao mundo inteiro plena certeza sobre a glorificação do santo, mandou examinar pelos cardeais menos favoráveis à causa todos os milagres relatados e atestados por testemunhas fidedignas: foram cuidadosamente verificados, reconhecido seu valor, e uma vez obtida a unanimidade de julgamento e aprovação entre todos os seus irmãos e de todos os prelados presentes à Cúria, o papa decidiu canonizar Francisco.
Foi pessoalmente a Assis no ano de 1228 da encarnação do Senhor e, no dia 16 de Julho, que era um Domingo, durante solenidades que seria por demais longo descrever aqui, inscreveu o bem-aventurado Pai no rol dos santos.
8. No ano do Senhor de 1230, dia 25 de Maio, durante o capítulo geral reunido em Assis, os irmãos transportaram para a basílica construída em sua honra o corpo do santo consagrado ao Senhor.
Durante a trasladação desse tesouro sagrado marcado com o selo do Grande Rei, aquele cujas marcas ele trazia dignou-se, por seu intermédio, realizar numerosos milagres para que, ao odor suavíssimo que desprendia, fossem os fiéis atraídos a correr em seguimento de Cristo.
Efectivamente, era muito justo que aquele a quem Deus havia trasladado, como em outro tempo a Enoque (cf. Gn 5,24), ao paraíso da mais sublime contemplação, por ter sido durante a vida tão fiel ao amado, e a quem havia arrebatado ao céu num carro de fogo, por seu ardente zelo de caridade, como a outro Elias (cf. 4Rs 2,11), era muito justo que aqueles ossos benditos de Francisco, que haviam de germinar maravilhosamente, espalhassem agradabilíssimo perfume desde seu sepulcro, como flores de primavera plantadas nos jardins do céu.

9. Brilhara ele em vida por suas virtudes; e após sua morte resplandece de milagres, para a glória de Deus, em todos os cantos da terra. Cegos, surdos, mudos, coxos, hidrópicos, paralíticos, possessos e leprosos, náufragos e prisioneiros encontram, por seus méritos, um remédio para seus males.
Não existe doença, perigo ou necessidade às quais ele não acuda com seu auxílio, para não falar dos defuntos que ele ressuscitou milagrosamente. Dessa forma, a glória concedida a um santo manifesta a grandeza e o poder do Altíssimo, a quem pertencem a honra e a glória por infinitos séculos dos séculos.
Amém.

(cont)

São Boaventura

Revisão da versão portuguesa por AMA

El reto del amor






por El Reto Del Amor

Os perfeitos só se encontram no Céu


Que ele está cheio de defeitos!... Bom... Mas, além de que os perfeitos só se encontram no Céu, tu também tens os teus, e todavia suportam-te; e, mais ainda, estimam-te: porque te amam com o amor que Jesus Cristo tinha pelos seus, que bem carregados de misérias andavam! – Aprende! (Sulco, 758)

Queixas-te de que ele não é compreensivo... E eu tenho a certeza de que faz o possível por entender-te. Mas tu, quando te esforçarás um bocadinho por compreendê-lo a ele? (Sulco, 759)

De acordo; admito: essa pessoa portou-se mal; a sua conduta é censurável e indigna; não demonstra categoria nenhuma.
– "Merece humanamente todo o desprezo!", acrescentaste.
Insisto: compreendo-te, mas não compartilho a tua última afirmação. Essa vida mesquinha é sagrada; Cristo morreu para redimi-la! Se Ele não a desprezou, como podes tu atrever-te a desprezá-la? (Sulco, 760)

Realmente, a vida, já por si estreita e insegura, às vezes torna-se difícil... Mas isso contribuirá para te tornar mais sobrenatural, para que vejas em tudo a mão de Deus; e assim serás mais humano e compreensivo com os que te rodeiam. (Sulco, 762)

Evangelho e comentário


Tempo comum



Evangelho: Mc 12, 38-44

38 Continuando o seu ensinamento, Jesus dizia: «Tomai cuidado com os doutores da Lei, que gostam de exibir longas vestes, de ser cumprimentados nas praças, 39 de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e nos banquetes; 40 eles devoram as casas das viúvas a pretexto de longas orações. Esses receberão uma sentença mais severa.» 41 Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. 42 Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns tostões. 43 Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; 44 porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.»

Comentário:

Evidentemente que o Senhor não aconselha a que dê nos peditórios nas Igrejas tudo quanto se possui.
Não é disso que se trata mas sim de generosidade.

Sabemos bem, os cristãos, quantas Paróquias vivem com enormíssimas dificuldades quando o seu único “provento” vem dos óbulos dos cristãos.

Podemos – e devemos – rever o nosso critério dentro do razoável e, sobretudo, do justo.
O Senhor disse clarissimamente que «nos deitarão no regaço uma medida cheia, bem calcada, a transbordar».

E nós? Temos alguma medida ou limitamo-nos a procurar no fundo dos bolsos umas moeditas para lançar na bandeja que recolhe os óbulos?

(AMA, comentário sobre Mc 12, 38-44, 01.11.2018)




Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 105



Nunca será demais considerar esta realidade: a Mãe de Deus é, porque Ele assim o quer, nossa Mãe porque nos gerou no Amor no Altar da Cruz!

Habituamo-nos desde crianças à sua constante presença e solicitude.
Invocamo-la com os nomes mais carinhosos que conhecemos, damos-lhe os títulos mais importantes que nos ocorrem e, mesmo assim, sentimos sempre que ficamos muito aquém do que o nosso coração quer exprimir.

Quando nos dirigimos a ela seja para pedir o que for ou para agradecer algo que por seu intermédio nos foi concedido, revelamos uma atitude filial que, podemos estar certos, lhe agrada sobremaneira.

É que queremos nós que não seja agradar à Nossa Mãe do Céu?

E ao agradar-lhe não agradamos ao seu Divino Filho?

Ela tem sempre nos lábios as palavras que proferiu em Caná:
'façam o que Ele vos disser'!

Que maior alegria lhe poderemos dar que seguir o seu conselho?

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

10/11/2018

Evangelho e comentário


Tempo comum



São Leão Magno – Doutor da Igreja

Evangelho: Lc 16, 9-15

9 «E Eu digo-vos: Arranjai amigos com o dinheiro desonesto, para que, quando este faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. 10 Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco também é infiel no muito. 11 Se, pois, não fostes fiéis no que toca ao dinheiro desonesto, quem vos há-de confiar o verdadeiro bem? 12 E, se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? 13 Nenhum servo pode servir a dois senhores; ou há-de aborrecer a um e amar o outro, ou dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» 14 Os fariseus, como eram avarentos, ouviam as suas palavras e troçavam dele. 15 Jesus disse-lhes: «Vós pretendeis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. Porque o que os homens têm por muito elevado é abominável aos olhos de Deus.

Comentário:

Será que a fidelidade tal como a honestidade são situações controversas? Quer dizer: haverá mais que uma interpretação possível?
Não! Decididamente… não!

Tal como ser fiel não tem que ver com a importância do assunto – tenha o valor que tiver – assim a fidelidade não conhece graus nem limites.
Ou se é honesto ou não!
Ou se fiel em tudo ou não!

Não há nem medidas nem “graus”, consoante as circunstâncias, os valores ou as situações.

Quem não entende isto não é nem honesto nem fiel.

É alguém em quem não se pode confiar o que seja.


(AMA comentário sobre Lc 16, 9-15, 11.11.2017)




Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assisLEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 14

Sua admirável paciência e morte

1. Crucificado agora com Cristo em sua carne e em seu espírito, ardia Francisco como ele de um amor seráfico por Deus e como ele tinha sede da salvação dos homens.
Por isso fazia transportar seu corpo quase desfalecido, que já não podia caminhar por causa dos cravos que repontavam dos pés, pelas cidades e aldeias, convidando todos os homens a carregar a cruz de Cristo.
E dizia a seus irmãos: “Meus irmãos, comecemos a servir ao Senhor, porque até agora pouco temos feito!”
Sentia, além disso, um intenso desejo de voltar aos inícios de sua vida humilde para consagrar-se outra vez ao serviço dos leprosos e submeter seu corpo à servidão, extenuado já por tantos sofrimentos e trabalhos.
Com a ajuda de Cristo, pretendia fazer coisas grandes, extraordinárias; e animado pela força de seu espírito, sem atender à debilidade de seus membros, esperava, em nova batalha, triunfar gloriosamente do inimigo; pois não há lugar para o temor e desídia onde o acicate do amor estimula a obras sempre maiores.
Era tão grande em Francisco a submissão do corpo ao espírito e tão grande a prontidão de sua obediência que, havendo o espírito proposto elevar-se ao cume da mais alta santidade, o corpo não só não lhe opôs obstáculo algum, mas também em certo modo se adiantava a seus desejos.

2. Deus, porém, queria aumentar os méritos do santo. Estes, no entanto, só encontram sua perfeição consumada na paciência: Francisco foi atormentado por toda espécie de doenças tão penosas, que nenhum de seus membros escapou a dores violentas.
Ficou em tal estado, por causa de dores tão repetidas, que, consumidas já as suas carnes, restavam-lhe apenas a pele e os ossos.
E embora fossem quase insuportáveis as dores do corpo, não lhes dava o nome de inimigas, mas o de irmãs.
Certo dia em que se exacerbavam notavelmente os seus padecimentos e compadecendo-se dele um irmão muito simples, disse-lhe:
“Pai, pede a Deus que te trate com alguma benignidade maior, pois parece que lhe agrada fazer-te sofrer com excessivo rigor”.
Santamente irritado, ao ouvir essas palavras, Francisco exclamou com um profundo gemido:
“Se eu não conhecesse, meu bom irmão, a tua excessiva simplicidade, eu haveria de me separar da tua companhia, porque te atreveste a considerar como repreensíveis os altos juízos de Deus a meu respeito”.
E embora extenuado pela enfermidade que se arrastava, atirou-se por terra, batendo com os ossos no chão, depois, beijando o solo, disse:
“Eu vos dou graças, meu Senhor e meu Deus, por todas essas minhas dores e peço-vos que as multipliqueis, se for do agrado de vossa divina vontade; pois será para mim coisa extremamente agradável que, afligindo-me com dores, não tenhais compaixão de mim, já que encontro os mais inefáveis consolos em cumprir vossa santíssima vontade”.
Os irmãos julgavam ver em Francisco um novo Job cuja força de alma aumentava, à medida que cresciam os sofrimentos do corpo.
Muito tempo antes ele conheceu a hora de sua morte.
E quando ela se aproximou, ele anunciou aos irmãos que muito em breve a sua alma deixaria o tabernáculo do seu corpo (cf. 2Pd 1,14), conforme o mesmo Cristo se dignara revelar-lhe.
3. Passados já dois anos dos estigmas sagrados, isto é, vinte anos após sua conversão, literalmente trabalhado sob os golpes redobrados, das angústias e enfermidades, como pedra destinada a entrar na construção da Jerusalém celeste, batido pelo martelo de múltiplas tribulações, devia ser elevado ao cume da perfeição.
Pediu que o conduzissem a Santa Maria dos Anjos ou da Porciúncula, a fim de exalar o último suspiro da vida, ali mesmo, onde anos antes recebera tão abundantemente os dons do espírito.
Tendo chegado aí, querendo mostrar pelo exemplo que nada tinha em comum com o mundo nesta enfermidade que deveria ser a derradeira, levado sempre pelo fervor, prostrou-se nu em terra nua para que nessa hora última, em que o inimigo desfecharia o assalto supremo, ele pudesse lutar nu contra um adversário nu.
Estava aí, deitado sobre a terra, despojado de seu cilício, a mão esquerda sobre a chaga do lado direito para ocultá-la, fixando com os olhos o céu como gostava de fazer e suspirando com toda a alma à glória eterna... Disse aos irmãos:
“Cumpri minha missão: que Cristo vos ensine a cumprir a vossa!’?

4. Choravam inconsoláveis os companheiros do santo, feridos pelo sentimento de uma terna compaixão, e um deles, a quem Francisco chamava de guardião, conhecendo por inspiração divina os desejos do moribundo, correu às pressas a buscar a túnica, o cordão e as outras roupas de baixo, e tudo isso ofereceu ao Pobrezinho de Cristo, dizendo-lhe ao mesmo tempo:
“Entrego-te estas coisas porque és um verdadeiro pobre; recebe-as tu, obrigado pelo preceito da santa obediência”.
Alegrou-se com isso o seráfico Pai e o seu coração inundou-se de júbilo ao ver que até ao fim da sua vida havia guardado a fidelidade prometida à sua senhora, a santa Pobreza; e elevando as mãos ao céu, louvou a Cristo, conhecendo que, livre de tudo o que é terreno, corria desimpedido para ele.
Tudo isso o fizera ele impelido pelo amor à pobreza, não querendo possuir nem um simples hábito para seu uso que não fosse recebido como esmola.
Em tudo quis conformar-se com Cristo crucificado, que esteve pendente da cruz, pobre, cheio de dores e completamente nu.
Francisco começou sua consagração total ao Senhor por um ato heróico, despojando-se de suas vestes em presença do bispo de Assis, e ao fim da vida, completamente nu quis sair deste mundo, ordenando por santa obediência aos irmãos que o assistiam que, quando o vissem morto, deixassem seu cadáver inteiramente despido no chão por tanto tempo quanto fosse necessário a uma pessoa para percorrer o espaço de uma milha.
Ó varão verdadeiramente cristão, que quiseste viver em tudo conforme com a vida de Cristo, morrer como ele morreu e como ele permanecer como cadáver abandonado depois de morto e que mereceste as honras da impressão no teu corpo dessa perfeita semelhança!

5. Chegada a hora, ele mandou chamar para perto de si todos os irmãos então presentes e com algumas palavras de consolo para amenizar o pesar dos que ficavam, exortou-os de todo coração de pai a amar a Deus.
Acrescentou algumas palavras sobre a paciência, a pobreza, a fidelidade à Igreja Romana, recomendando-lhes o santo Evangelho acima de qualquer Constituição.
Enfim, estendeu as mãos sobre todos os irmãos que o cercavam, com os dois braços em cruz, como sempre apreciara esse gesto, e abençoou a todos seus irmãos, ausentes e presentes, em nome do Crucificado e por seu poder.
Acrescentou: “Temei ao Senhor, meus filhos, e permanecer sempre unidos a ele. Virá a tentação, e a tribulação está perto, mas felizes aqueles que perseverarem até ao fim. De minha parte, volto para meu Deus e vos deixo confiados à sua graça”.
Mandou trazer o livro dos Evangelhos e pediu que lessem a passagem de São João que assim começa:
Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, havendo amado os seus que estavam no mundo, até ao extremo os amou...” (Jo 13,1).
E reunindo as suas pobres forças, começou a recitar o salmo que principia:
 “Lanço um grande brado ao Senhor, em alta voz imploro ao Senhor”, até as últimas palavras: “Os justos virão rodear-me, quando me fizerdes este benefício” (Sl 141,1-8).


6. Cumpridos enfim todos os desígnios de Deus em Francisco, sua alma santíssima livrou-se da carne para ser absorvida no abismo da claridade de Deus, e dormiu tranquilamente no Senhor.
Um dos seus irmãos e discípulos viu a sua alma subindo para o céu na forma de uma estrela esplêndida levada por uma branca nuvem por cima de imensa extensão de água, alma refulgente nos esplendores de sua sublime santidade e transbordante das riquezas da graça e da sabedoria do céu, que valeram ao santo penetrar na mansão de luz e de paz, onde ele goza agora do repouso eterno.
Na Terra di Lavoro, Frei Agostinho, homem de grande santidade, que então era ministro dos irmãos, encontrando-se próximo à morte e havendo perdido muito antes o uso da fala, recobrou-a subitamente e começou de repente a clamar:
“Espera-me, Pai, espera-me um pouco; quero unir-me a ti!”  
Cheios de admiração, perguntaram-lhe os irmãos a quem dirigia estas palavras, e ele respondeu:
“Então não vedes nosso Pai Francisco que parte para o céu?”
No mesmo instante, sua alma santa, deixando a carne, partia ao encalço do Pai santíssimo.
O bispo de Assis encontrava-se então em peregrinação ao santuário de São Miguel no monte Gargano. Apareceu-lhe o bem-aventurado Francisco na mesma noite da sua morte e disse-lhe: “Deixo o mundo e parto para o céu”.
Ao levantar-se o bispo na manhã seguinte, referiu aos companheiros o que lhe havia acontecido em sonho, e ao regressar à sua cidade de Assis, feitas as verificações oportunas prévias, ficou sabendo com certeza que o santo tinha deixado o mundo no momento em que lhe veio pessoalmente anunciar a notícia.
As cotovias, tão amantes da luz e tão inimigas das trevas nocturnas, aproximaram-se em grande número, pondo-se no lugar em que o santo acabava de exalar o último suspiro, já quando a noite caía, e em alegres revoadas, pareciam querer dar um testemunho tão espontâneo quanto evidente da glória daquele que tantas vezes as havia convidado a cantar os louvores do Criador.

(cont

São Boaventura

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