02/11/2018

el Reto del Amor






por El Reto Del Amor

Evangelho e comentário


Tempo comum


Fiéis defuntos

Evangelho: Mt 11, 25-30

25 Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.» 28 «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»

Comentário:

Somos, a maioria dos cristãos, pessoas normais e correntes, isto é, sem nenhuns atributos especiais que nos distingam.

Somos, portanto, desses “pequeninos” que o Senhor elege com especial carinho.

Que afortunados somos!

(AMA, comentário sobre Mt 11, 25-30, Monte Real, Convento, 23.06.2017)




Queres deveras ser santo?


Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

Tens obrigação de te santificar. – Tu, também. – Quem pensa que é tarefa exclusiva de sacerdotes e religiosos? A todos, sem excepção, disse o Senhor: "Sede perfeitos, como meu Pai Celestial é perfeito".. (Caminho, 291)

Rectificar. – Todos os dias um pouco. – Eis o teu trabalho constante, se deveras queres tornar-te santo. (Caminho, 290)

Ser fiel a Deus exige luta. E luta corpo a corpo, homem a homem – homem velho e homem de Deus – palmo a palmo, sem claudicar. (Sulco, 126)

Hoje não bastam mulheres ou homens bons. Além disso, não é suficientemente bom quem se contenta em ser quase... bom; é preciso ser "revolucionário". Ante o hedonismo, ante a carga pagã e materialista que nos oferecem, Cristo quer inconformistas! Rebeldes de Amor! (Sulco, 128)

Se não for para construir uma obra muito grande, muito de Deus – a santidade –, não vale a pena entregar-se.
Por isso, a Igreja, ao canonizar os Santos, proclama a heroicidade da sua vida. (Sulco, 611)

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR  

Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

Capítulo 10

Zelo na oração e poder de sua prece

4. E o homem de Deus, estando só e em paz, fazia ecoar os bosques com os seus gemidos, regava o chão com as suas lágrimas, batia no peito e como se sentisse oculto, bem abrigado na câmara mais secreta do palácio, falava a seu Senhor, respondia ao seu Juiz, suplicava ao Pai, entretinha-se com o Amigo.
Aí também muitas vezes seus irmãos que o observavam piamente ouviram-no interceder com repetidas súplicas diante da divina clemência em favor dos pecadores e chorar em altas vozes como se estivesse presenciando a dolorosa paixão do Senhor.
Uma noite também o viram na solidão orar com os braços estendidos em forma de cruz, estando o seu corpo elevado da terra e envolto numa nuvem resplandecente, como se essa luz viesse a ser testemunha da admirável claridade de que gozava então Francisco na sua mente.
Aí também, como atestam provas seguras, lhe eram revelados os mistérios ocultos da sabedoria divina que ele não divulgava externamente a não ser na medida em que era impelido a isso por amor a Cristo ou pelo bem que poderiam proporcionar aos outros.
Dizia a respeito:
“As vezes perde-se um tesouro inestimável por uma vantagem medíocre, e é culpa nossa se Aquele que no-lo deu já não se mostra tão generoso”.
Ao voltar de suas orações, que o transformavam quase num outro homem, punha toda atenção em comportar-se em conformidade com os demais, para não acontecer que o vento do aplauso lhe roubasse de sua alma os favores divinos que ele deixasse transparecer externamente.
Ao ser surpreendido publicamente por uma visita do Senhor, ocultava-se de qualquer forma aos olhares das pessoas presentes a fim de nada desvendar dos favores do Esposo.
Ao orar em companhia dos irmãos, evitava com sumo cuidado as exclamações, os gemidos, os suspiros e movimentos externos, já porque em tudo isso amava o segredo, já também porque, voltando a entrar prontamente em si mesmo, ficava absorto novamente em Deus.
Costumava dizer aos da sua intimidade:
“Quando um servo de Deus; entregue à oração, é visitado pelo Senhor, deve dizer-lhe: ‘Esta consolação, Senhor, a enviastes do céu a um pecador e indigno; eu a confio a vossos amorosos cuidados, pois do contrário me consideraria um ladrão de vossos divinos tesouros’. E ao terminar a oração, de tal modo se deve julgar pobre e pecador, como se nenhuma nova graça houvesse recebido”.

5. Estava o homem de Deus certa vez na Porciúncula rezando, quando o bispo de Assis chegou para lhe fazer a visita habitual.
Logo que entrou no convento, dirigiu-se à cela em que o seráfico Pai estava orando; chamou à porta e, ansioso por entrar imediatamente, abusando um tanto de sua confiança, introduziu a cabeça para contemplar o santo em oração; mas de repente sentiu-se dominado de estranho temor, tremendo-lhe os membros, perdeu a fala e subitamente, por disposição divina, uma força estranha o tirou dali e o arrojou a uma grande distância.
Amedrontado, correu o bispo depressa para junto dos irmãos, e logo que Deus lhe restituiu a fala, confessou ingenuamente a sua falta.
O abade do mosteiro de São Justino, na diocese de Perusa, encontrou certo dia o servo de Deus e assim que o viu apeou do cavalo para saudar o homem de Deus que ele venerava e conversar com ele acerca da salvação de sua alma. Após esse diálogo que lhe pareceu muito confortante, o abade despediu-se pedindo-lhe humildemente que rezasse por ele. “De bom grado!”, disse Francisco. Não se encontrava ainda o abade muito longe, quando Francisco, o fiel, disse a seu companheiro:
“Espera-me aqui um momento, irmão, pois quero cumprir o quanto antes a promessa que agora mesmo acabo de fazer”.
Pôs-se a orar e no mesmo instante sentiu o abade na sua alma um ardor e uma suavidade desconhecidas até então, e caindo em êxtase ficou absorto totalmente em Deus. Assim ficou por breve espaço de tempo, e voltando a si, conheceu claramente quão eficaz era na presença de Deus a oração de Francisco. Com isso cresceu mais e mais no amor à Ordem e a muitos referiu esse facto, considerando-o um verdadeiro milagre.

6. Tinha o santo o hábito de oferecer a Deus o tributo das horas canónicas com temor e devoção. Embora sofresse dos olhos, do estômago, do baço e do fígado, não se permitia apoiar-se ao muro ou à parede ao recitar os Salmos, mas rezava as horas canónicas em posição erecta, sem capuz na cabeça, sem vagar com os olhos nem engolir as sílabas.
Em viagem, à hora prevista, ele parava, e não havia temporal por mais torrencial que impedisse esse costume respeitoso.
“Se damos repouso ao corpo, dizia ele, para que possa tomar um alimento que será pasto dos vermes juntamente com ele, com que paz e tranquilidade não deve a alma tomar o seu alimento de vida?”
Julgava pecar gravemente se durante a oração, se deixasse levar por vãs imaginações, e quando lhe acontecia isso, não se contentava com acusar-se dessa falta no confessionário: queria também expiá-la o mais cedo possível. Esta resolução se transformara nele num reflexo habitual, de modo que esse tipo de moscas não vinha incomodá-lo, a não ser muito raramente. Ansioso por aproveitar os menores momentos de seu tempo, durante uma Quaresma confeccionou um pequeno vaso de madeira. E como um dia, ao rezar a Terça, o distraiu a ideia do vaso, cheio de fervor de espírito, queimou o vaso, dizendo: “sacrificá-lo-ei ao Senhor, já que impediu o sacrifício dos divinos louvores”. Com tão fervorosa atenção rezava os Salmos, que parecia ter a Deus presente; e quando neles ocorria o nome do Senhor, enchia-se de tanta doçura que parecia lamber os lábios.
Querendo além disso que se honrasse com particular reverência o nome do Senhor, não apenas quando ocorria à mente, mas também quando se ouvia pronunciar ou se encontrava escrito, rogou encarecidamente aos irmãos que recolhessem com, o máximo cuidado e colocassem em lugar decente todos os papéis que encontrassem com o nome escrito do Senhor, para evitar que fosse profanado.
Ao pronunciar ou ouvir alguém pronunciar o doce nome de Jesus, enchia-se internamente de um santo júbilo e externamente parecia completamente transformado, como se seu gosto experimentasse um sabor delicioso ou ressoasse em seus ouvidos um concerto celestial.

7. Três anos antes de sua morte, resolveu celebrar com a maior solenidade possível, perto de Greccio, a memória da Natividade do Menino Jesus, a fim de aumentar a devoção dos habitantes. Mas para que ninguém pudesse tachar esta festa de ridícula novidade, pediu e obteve do Sumo Pontífice licença para celebrá-la.
Francisco mandou pois preparar um presépio e trazer muito feno, juntamente com um burrinho e um boi, dispondo tudo ordenadamente; reuniram-se os irmãos chamados dos diversos lugares; acorreu o povo, ressoaram vozes de júbilo por toda parte e a multidão de luzes e archotes resplandecentes juntamente com os cânticos sonoros que brotavam dos peitos simples e piedosos transformaram aquela noite num dia claro, esplêndido e festivo. E Francisco lá estava diante do rústico presépio em êxtase, banhado de lágrimas e cheio de gozo celestial. Principiou então a missa solene, na qual Francisco, que oficiava como diácono, cantou o Evangelho.
Pregou em seguida ao povo e falou-lhe do nascimento do Rei pobre a quem ele chamava com ternura e amor de Menino de Belém.
Havia entre os assistentes um soldado muito piedoso e leal que, movido por seu amor a Cristo, renunciou à milícia secular e se uniu estreitamente ao servo de Deus.
Chamava-se João de Greccio, que afirmou ter visto no presépio, reclinado e dormindo, um menino extremamente lindo, ao qual tomou entre seus braços o bem-aventurado Francisco, como se quisesse despertá-lo suavemente do sono.
Que esta visão do piedoso soldado é totalmente certa garante-o não só a santidade de quem a teve, como também sua veracidade e a evidenciam os milagres que a seguir se realizaram; pois o exemplo de Francisco, mesmo considerado do ponto de vista humano, tem poder para excitar a fé de Cristo nos corações mais frios. E aquele feno do presépio, cuidadosamente conservado, foi remédio eficaz para curar milagrosamente os animais enfermos e como antídoto contra muitas outras classes de peste.
Deus glorificava em tudo o seu servo e provava pelos milagres evidentes o poder de suas preces e de sua santidade.

(cont)

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

Doutrina – 457


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
Compêndio


PRIMEIRA SECÇÃO
A ECONOMIA SACRAMENTAL


CAPÍTULO SEGUNDO

A CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL DO MISTÉRIO PASCAL


CELEBRAR A LITURGIA DA IGREJA

Como celebrar?


Pergunta:


236. Como é celebrada a liturgia?


Resposta:

A celebração litúrgica é tecida de sinais e de símbolos, cujo significado, radicado na criação e nas culturas humanas, se esclarece nos acontecimentos da Antiga Aliança e se revela plenamente na Pessoa e na obra de Cristo.

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 96


Poderá parecer excessivo para as nossas limitações humanas ter tal "poder" mas, de facto, essa é uma consequência directa da liberdade que O Criador nos outorgou e que Cristo não faz mais que respeitar.

Ele Próprio diz que É inteiramente livre, pode, se quiser dar a Sua vida e retoma-la de novo.
Exerceu a Sua liberdade na escolha dos Apóstolos e, este facto permanece para nós um mistério: Ele que sabe tudo como escolhe Judas, um traidor?
Podemos repetir «não vim chamar os justos mas os pecadores» mas, parece-me, isto não resolve a questão a não ser que nos atrevamos a pensar que, Jesus nos chama a cada um porque, justamente, somos pecadores.

Ele é de tal forma simples e magnânimo que estende a mão e toca os leprosos provocando a admiração de quantos assistem.
Para Ele não há nenhum ser humano intocável, por mais repelente que possa ser.
Se assim não fosse, como poderíamos esperar - pecadores como somos - que Se entregasse ao contacto mais íntimo como é a Comunhão Eucarística?

Talvez que esta simplicidade e completa ausência de acepção de pessoas fossem dos predicados do Seu carácter que mais impacto teriam naquela época tão eivada de orgulhos, preconceitos, em que a posição pessoal tinha um vulto e importância desmedidas.
De tal forma que se chega ao ponto de banir da sociedade ou proibir o convívio às pessoas que por qualquer motivo são diferentes ou apresentam alguma doença ou defeito físico.

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





01/11/2018

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






El reto del amor






por El Reto Del Amor

Temas para meditar e reflectir

Novíssimos


Em Novembro a Liturgia faz apelo repetidamente a este tema: novíssi­mos!

Logo no início leva-nos a considerar todos os santos e todos os fiéis defuntos; e, depois pelo mês fora vai insistindo em temas ligados à escatologia que è a ciência das últimas coisas.

Para muitos - até cristãos - este é um assunto e difícil abordagem talvez não por medo ou receio no verdadeiro sentido das palavras, mas porque "incomoda".
Os temas ligados à morte, ao juízo final, etc., são como que tabus para muitas pessoas.

Evidentemente que há uma explicação por assim dizer, primária: trata-se de algo misterioso ou que, de qualquer modo, o ser humano não tem domínio nem pode prever ou alterar.

Habituados à liberdade que Deus nos concedeu, quando encontramos algo onde essa liberdade não pode exercer-se, temos tendência a rebelar-nos ou a colocar o assunto de lado.
Mas, a verdade, é que podemos encarar a morte, o juízo final, os novíssimos, enfim, com consciência e liberdade.

Como?

Vivendo naturalmente considerando que a inevitabilidade não tem que ser um drama antes um estado natural a que chegaremos quando como Deus quiser.
Preparar esses momentos parece não só lógico como conveniente e para quem, como nós cristãos, acredita na vida eterna, é absolutamente necessário que o façamos.

Temos muita dificuldade em compreender a eternidade porque estamos como que trânsito, isto é, não estamos fixos definitivamente. Sobretudo não sabemos quando começa a eternidade.

Pois bem a eternidade começa no exacto momento da nossa morte.
Não há, portanto, como que um hiato, enquanto se processam vários trâmites, por assim dizer.
O Juízo acontece já na eternidade, e acontece como um relâmpago que cruza os céus, como disse Cristo e isto compreende-se porque a eternidade é a total ausência de tempo.
Sim é verdade que se escreve e pensa muito sobre o juízo, a intervenção de Nossa Senhora, do Anjo da Guarda, mas isso que gostamos de considerar não quer dizer que precise de algum tempo, humanamente falando.

Subitamente entramos na vida eterna de onde não há nem remissão, nem evolução no lugar que será o nosso para todo o sempre.

Esse lugar, efectivamente, foi escolhido por nós inteira liberdade não tendo Deus interferido nunca a não ser com as inspirações e auxílios que sempre disponibiliza aos Seus filhos quem conhece as fraquezas e necessidades.


(AMA, reflexões, 07.10.2016)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Todos os Santos

Evangelho: Mt 5, 1-12

1 Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. 2 Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo: 3 «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os que choram, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa.12 Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.»

Comentário:

Este discurso de Jesus ficará para sempre como um legado extraordinário da misericórdia divina.
Qualquer ser humano pode encontrar a alegria, a paz e a consolação de saber que as suas acções e comportamento terão um prémio, encontrarão eco no Coração Amantíssimo de Deus, eco esse que terá um efeito de grande, enorme importância para a vida de todos os dias, individual e colectiva.

(AMA, comentário sobre Mt 5, 1-12, 12.06.2017)




Deus não te arranca do teu ambiente


Deus não te arranca do teu ambiente, não te tira do mundo, nem do teu estado, nem das tuas ambições humanas nobres, nem do teu trabalho profissional... mas, aí, quer-te santo! (Forja, 362)

Convencei-vos de que a vocação profissional é parte essencial e inseparável da nossa condição de cristãos. O Senhor quer que sejais santos no lugar onde estais e no trabalho que haveis escolhido pelas razões que vos aprouveram: pela minha parte, todos me parecem bons e nobres – desde que não se oponham à lei divina – e capazes de ser elevados ao plano sobrenatural, isto é, enxertados nessa corrente de Amor que define a vida de um filho de Deus. (...).

Temos de evitar o erro de considerar que o apostolado se reduz ao testemunho de algumas práticas piedosas. Tu e eu somos cristãos, mas, ao mesmo tempo e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com obrigações bem nítidas que temos de cumprir exemplarmente, se deveras queremos santificar-nos. É Jesus Cristo que nos estimula: Vós sois a luz do mundo. (Amigos de Deus,  60–61)

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 11

Conhecimento das Escrituras e espírito de profecia

1. Pelo exercício contínuo da oração e pela prática de alma que, sem haver adquirido pelo estudo o conhecimento dos santos livros, mas iluminado pelas luzes do alto, penetrava com espantosa acuidade ao mais profundo das Escrituras.
O seu espírito, livre de toda mancha, penetrava os mais ocultos mistérios, e onde não podia chegar a ciência adquirida, penetrava o afecto do discípulo amante. Lia às vezes os livros santos, e tudo o que a sua inteligência captava  a sua memória retinha tenazmente, pois o ouvido atento da sua alma percebia o que o coração amante repassava sem descanso. Alguns irmãos um dia pediram-lhe, para aqueles que haviam estudado, a permissão de se dedicarem aos estudos da Sagrada Escritura.
Respondeu: “Permito, contanto que não se esqueçam de se dedicar também à oração, como Cristo, que, como se lê, mais rezou do que estudou, e contanto que não estudem unicamente para saber como falar, mas para pôr em prática primeiro aquilo que tiverem aprendido e, depois de terem posto em prática, para ensinar aos outros aquilo que eles devem fazer.
Quero que os meus irmãos sejam discípulos do Evangelho e que os seus progressos no conhecimento da verdade sejam tais, que eles cresçam ao mesmo tempo na pureza da simplicidade.
Dessa forma não hão de separar aquilo que o Mestre uniu com sua palavra bendita: a simplicidade da pomba e a prudência da serpente”.

2. Encontrando-se na cidade de Sena, perguntou-lhe certo religioso, doutor em teologia, acerca de algumas questões difíceis de compreender e respondeu-lhe com tanta propriedade e descobriu tão claramente os mistérios da divina sabedoria, que aquele homem erudito muito se admirou e disse maravilhado aos circunstantes:
“Na verdade, a teologia desse santo Pai, adquirida com as asas da pureza e da contemplação, é mais clara e penetrante que a vista da águia elevada sobre as nuvens; por outro lado, a nossa ciência enfatuada arrasta-se como um vil animal pela terra”.
Efectivamente, embora leigo na arte da palavra, resolvia com muita ciência as dúvidas que lhe apresentavam e lançava luzes sobre os pontos obscuros.
Não admira, pois, que o santo tenha recebido de Deus a inteligência das Escrituras: toda sua actividade, imitação perfeita de Cristo, era exclusivamente a prática da verdade contida nas Escrituras. E toda a sua vida interior era total hospitalidade ao Espírito, intérprete das Escrituras, docilidade a seus ensinamentos.

3. Também brilhava nele o espírito de profecia, de modo que previa claramente as coisas futuras, penetrava os mais íntimos segredos do coração, via as coisas ausentes como se acontecessem diante de si e não poucas vezes se fazia presente de modo maravilhoso aos que se achavam muito distantes do lugar em que ele se encontrava.
Quando o exército cristão estava cercando Damieta, o homem de Deus já se achava munido não de armas mas da fé.
Chegou o dia da batalha em que os cristãos haviam decidido atacar a cidade. Ao saber dessa resolução, ficou muito contrariado e disse ao companheiro:
“O Senhor me mostrou que se os cristãos fizerem hoje o assalto à cidade, não se sairão bem; mas se eu disser tal coisa, hão-de considerar-me um louco, e se me calar, guardarei remorsos para sempre. Que te parece melhor?”
Respondeu o companheiro:
“Irmão, não te preocupes com o parecer dos homens; não é de hoje que te consideram um louco. Livra a tua consciência desse encargo e tem mais temor de Deus do que dos homens”.
A essas palavras o arauto de Cristo, cheio de coragem, enfrentou os cruzados e, preocupado com salvá-los do perigo, tentou impedir o ataque, anunciando a derrota. Os soldados desprezaram o vaticínio, endureceram o coração e não quiseram desistir da empresa. Avistaram-se os exércitos, travaram a batalha e as tropas cristãs viram-se obrigadas a bater em vergonhosa retirada, sendo para elas a luta não um triunfo, mas uma derrota completa.
Com tão tremenda desgraça ficou muito reduzido o exército cristão, pois entre mortos e prisioneiros ficaram fora de combate cerca de seis mil soldados.
Uma lição ficou bem patente, clara e imperativa: a sabedoria de um pobre não se trata com desprezo, pois a alma do justo costuma dizer a verdade algumas vezes bem melhor do que sete sentinelas postos no alto como atalaias” (Eclo 37,18).

4. Noutra ocasião, após voltar dos países de além- mar, veio a Celano pregar e um cavaleiro que lhe tinha muita devoção convidou-o à sua mesa, com muita insistência.
Aceitou o convite e toda a família ficou muito contente com a chegada dos seus hóspedes, os pobres. Antes de sentar-se à mesa, o santo, como de costume, rezou e louvou a Deus, de pé, olhos voltados para o céu, mas quando terminou, chamou à parte aquele cavaleiro generoso e disse-lhe:
 “Irmão hóspede, eis-me aqui vencido pelos teus rogos: entrei em tua casa para comer; agora, porém, escuta e põe logo em prática os meus conselhos, porque não aqui mas em outro local muito em breve hás de comer. Faz portanto agora uma boa confissão dos teus pecados, acompanhada de uma verdadeira dor de tuas culpas e não deixes de manifestar tudo o que for matéria do sacramento. Deves saber que o Senhor te recompensará hoje mesmo a devoção com que convidaste e recebeste os seus pobres”.
O homem obedeceu imediatamente a estas palavras do santo, confessou todos os seus pecados ao irmão que o acompanhava e após “haver posto ordem em sua casa”, estava preparado da melhor forma possível a receber a morte.
Enfim, sentaram-se todos à mesa e os convivas começaram a comer, quando, de repente, o cavaleiro morreu, levado por uma morte repentina, como havia predito o homem de Deus. Tão generosa hospitalidade merecera-lhe a recompensa prometida pelo Verbo que é a Verdade:
Aquele que recebe um profeta receberá uma recompensa de profeta(cf. Mt 10,41).
A predição do santo valeu- lhe a preparação para uma morte súbita e fortalecido com as armas da penitência, conseguiu escapar à condenação eterna e entrar na pátria celeste.

5. No tempo em que o santo jazia doente em Rieti, trouxeram-lhe estendido sobre um leito um cónego de nome Gedeão, homem sensual e mundano, atingido de grave doença. O cónego pedia-lhe chorando, juntamente com os presentes, que o abençoasse com o sinal-da-cruz. Mas o santo replicou:
“Como poderei assinalar-te com a cruz, se até agora viveste segundo os instintos da carne, sem temer os juízos de Deus? Em vista das orações e devoção dos que intercedem por ti, marcar-te-ei com o sinal-da-cruz, em nome do Senhor. Mas sabe que te acontecerão coisas bem piores se voltares ao vómito depois de curado, pois os ingratos caem num estado pior que o primeiro!” Traçou o sinal-da-cruz sobre ele, e o homem que jazia paralítico levantou-se muito contente, prorrompendo em louvores ao Senhor, e exclamou como fora de si: “Já estou curado!”
Ouviram-se então nos seus ossos uns estalidos semelhantes aos que se percebem quando se partem com a mão gravetos secos. Mas por desgraça, não levou muito tempo, esqueceu-se de Deus e entregou-se de novo às desordens da sensualidade.
Uma noite, havendo ceado na casa de um outro cónego, aí ficara para passar a noite, quando o telhado desabou. Todos escaparam à morte, menos o infeliz que ficou sob os escombros.
Por um justo juízo de Deus, o último castigo desse homem foi pior que o primeiro, em razão de seu duplo pecado de ingratidão e de desprezo para com Deus.
É preciso mostrar-se sempre reconhecido pelos benefícios recebidos. A recaída no vício é uma dupla ofensa.
Outra vez, uma mulher nobre e muito piedosa aproximou-se do santo, contou-lhe da dor que a oprimia e pediu-lhe o remédio acertado. Tinha um marido extremamente cruel que a privava de tudo quanto pertencia ao serviço de Deus; e entristecida por tal desgraça, pedia instantemente a Francisco que fizesse uma oração por ele para conseguir que Deus, com a sua amorosa clemência, abrandasse o seu coração endurecido. Ao ouvir essas queixas da mulher, disse-lhe o santo:
“Vai em paz, filha, e fica certa de que muito em breve receberás de teu marido um grande consolo”. E logo acrescentou: “Diz ao teu marido, da parte de Deus e da minha parte, que agora é tempo de misericórdia e de perdão, mas que depois virá o tempo da justiça rigorosa”.
Recebida a bênção do santo, a mulher regressou à sua casa e encontrando-se com o seu marido, referiu-lhe o acontecido. De repente desceu o Espírito Santo sobre aquele homem e o transformou num homem novo, que com grande mansidão assim falou à mulher: “Amada esposa, entreguemos-nos desde agora ao serviço do Senhor e trabalhemos com empenho pela salvação de nossa alma”. Por sugestão da sua santa esposa, eles praticaram a castidade durante vários anos e no mesmo dia partiram para o Senhor.
Que maravilha a virtude profética do santo: o seu poder restituía a vida aos membros já secos e conseguia fazer chegar a piedade aos corações mais duros.
Por outro lado, a sua penetração estendia-se até aos acontecimentos do futuro e perscrutava o mistério das consciências, como um segundo Eliseu que herdara o duplo espírito do profeta Elias!

(cont)

São Boaventura
Revisão de versão portuguesa por AMA

el Reto del amor






por El Reto Del Amor

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 95

A pessoa de Jesus....

Jesus Cristo não faz acepção de pessoas mas isso não quer dizer que não sinta afectos especiais por outros. Tal é bem patente no episódio que São Lucas narra "o jovem rico".

Nunca foge às questões ou perguntas por mais absurdas ou mal-intencionadas que possam ser.
É óbvio que o faz sobretudo para instrução dos muitos que sempre O rodeiam.
Nos Evangelhos consta uma única vez que Jesus não respondeu ou fez qualquer comentário: tal aconteceu com Herodes.
O Seu Coração Amantíssimo não suportou a presença daquela criatura execrável que pretendia apenas gozar um espectáculo, talvez um milagre.

Não verdade o que move Jesus a praticar um milagre vem do Seu Coração Amantíssimo, das Suas entranhas de Misericórdia para com o sofrimento dos homens Seus irmãos.
Embora os milagres sejam um meio de confirmar os outros na Fé n'Ele, consta nos Evangelhos que frequentemente recomendava segredo, discrição.

Porque o faria?

Principalmente porque não queria ser conhecido como "um milagreiro", ou que os milagres que operava se reduzissem aos visíveis, mas, sobretudo aos milagres da alma.
Por isso mesmo afirma com frequência: 'A tua fé te salvou'!

Cristo como que confirma que a salvação ou a perdição eternas dependem exclusivamente de cada um.

AMA, reflexões.