01/11/2018

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






El reto del amor






por El Reto Del Amor

Temas para meditar e reflectir

Novíssimos


Em Novembro a Liturgia faz apelo repetidamente a este tema: novíssi­mos!

Logo no início leva-nos a considerar todos os santos e todos os fiéis defuntos; e, depois pelo mês fora vai insistindo em temas ligados à escatologia que è a ciência das últimas coisas.

Para muitos - até cristãos - este é um assunto e difícil abordagem talvez não por medo ou receio no verdadeiro sentido das palavras, mas porque "incomoda".
Os temas ligados à morte, ao juízo final, etc., são como que tabus para muitas pessoas.

Evidentemente que há uma explicação por assim dizer, primária: trata-se de algo misterioso ou que, de qualquer modo, o ser humano não tem domínio nem pode prever ou alterar.

Habituados à liberdade que Deus nos concedeu, quando encontramos algo onde essa liberdade não pode exercer-se, temos tendência a rebelar-nos ou a colocar o assunto de lado.
Mas, a verdade, é que podemos encarar a morte, o juízo final, os novíssimos, enfim, com consciência e liberdade.

Como?

Vivendo naturalmente considerando que a inevitabilidade não tem que ser um drama antes um estado natural a que chegaremos quando como Deus quiser.
Preparar esses momentos parece não só lógico como conveniente e para quem, como nós cristãos, acredita na vida eterna, é absolutamente necessário que o façamos.

Temos muita dificuldade em compreender a eternidade porque estamos como que trânsito, isto é, não estamos fixos definitivamente. Sobretudo não sabemos quando começa a eternidade.

Pois bem a eternidade começa no exacto momento da nossa morte.
Não há, portanto, como que um hiato, enquanto se processam vários trâmites, por assim dizer.
O Juízo acontece já na eternidade, e acontece como um relâmpago que cruza os céus, como disse Cristo e isto compreende-se porque a eternidade é a total ausência de tempo.
Sim é verdade que se escreve e pensa muito sobre o juízo, a intervenção de Nossa Senhora, do Anjo da Guarda, mas isso que gostamos de considerar não quer dizer que precise de algum tempo, humanamente falando.

Subitamente entramos na vida eterna de onde não há nem remissão, nem evolução no lugar que será o nosso para todo o sempre.

Esse lugar, efectivamente, foi escolhido por nós inteira liberdade não tendo Deus interferido nunca a não ser com as inspirações e auxílios que sempre disponibiliza aos Seus filhos quem conhece as fraquezas e necessidades.


(AMA, reflexões, 07.10.2016)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Todos os Santos

Evangelho: Mt 5, 1-12

1 Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. 2 Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo: 3 «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os que choram, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa.12 Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.»

Comentário:

Este discurso de Jesus ficará para sempre como um legado extraordinário da misericórdia divina.
Qualquer ser humano pode encontrar a alegria, a paz e a consolação de saber que as suas acções e comportamento terão um prémio, encontrarão eco no Coração Amantíssimo de Deus, eco esse que terá um efeito de grande, enorme importância para a vida de todos os dias, individual e colectiva.

(AMA, comentário sobre Mt 5, 1-12, 12.06.2017)




Deus não te arranca do teu ambiente


Deus não te arranca do teu ambiente, não te tira do mundo, nem do teu estado, nem das tuas ambições humanas nobres, nem do teu trabalho profissional... mas, aí, quer-te santo! (Forja, 362)

Convencei-vos de que a vocação profissional é parte essencial e inseparável da nossa condição de cristãos. O Senhor quer que sejais santos no lugar onde estais e no trabalho que haveis escolhido pelas razões que vos aprouveram: pela minha parte, todos me parecem bons e nobres – desde que não se oponham à lei divina – e capazes de ser elevados ao plano sobrenatural, isto é, enxertados nessa corrente de Amor que define a vida de um filho de Deus. (...).

Temos de evitar o erro de considerar que o apostolado se reduz ao testemunho de algumas práticas piedosas. Tu e eu somos cristãos, mas, ao mesmo tempo e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com obrigações bem nítidas que temos de cumprir exemplarmente, se deveras queremos santificar-nos. É Jesus Cristo que nos estimula: Vós sois a luz do mundo. (Amigos de Deus,  60–61)

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 11

Conhecimento das Escrituras e espírito de profecia

1. Pelo exercício contínuo da oração e pela prática de alma que, sem haver adquirido pelo estudo o conhecimento dos santos livros, mas iluminado pelas luzes do alto, penetrava com espantosa acuidade ao mais profundo das Escrituras.
O seu espírito, livre de toda mancha, penetrava os mais ocultos mistérios, e onde não podia chegar a ciência adquirida, penetrava o afecto do discípulo amante. Lia às vezes os livros santos, e tudo o que a sua inteligência captava  a sua memória retinha tenazmente, pois o ouvido atento da sua alma percebia o que o coração amante repassava sem descanso. Alguns irmãos um dia pediram-lhe, para aqueles que haviam estudado, a permissão de se dedicarem aos estudos da Sagrada Escritura.
Respondeu: “Permito, contanto que não se esqueçam de se dedicar também à oração, como Cristo, que, como se lê, mais rezou do que estudou, e contanto que não estudem unicamente para saber como falar, mas para pôr em prática primeiro aquilo que tiverem aprendido e, depois de terem posto em prática, para ensinar aos outros aquilo que eles devem fazer.
Quero que os meus irmãos sejam discípulos do Evangelho e que os seus progressos no conhecimento da verdade sejam tais, que eles cresçam ao mesmo tempo na pureza da simplicidade.
Dessa forma não hão de separar aquilo que o Mestre uniu com sua palavra bendita: a simplicidade da pomba e a prudência da serpente”.

2. Encontrando-se na cidade de Sena, perguntou-lhe certo religioso, doutor em teologia, acerca de algumas questões difíceis de compreender e respondeu-lhe com tanta propriedade e descobriu tão claramente os mistérios da divina sabedoria, que aquele homem erudito muito se admirou e disse maravilhado aos circunstantes:
“Na verdade, a teologia desse santo Pai, adquirida com as asas da pureza e da contemplação, é mais clara e penetrante que a vista da águia elevada sobre as nuvens; por outro lado, a nossa ciência enfatuada arrasta-se como um vil animal pela terra”.
Efectivamente, embora leigo na arte da palavra, resolvia com muita ciência as dúvidas que lhe apresentavam e lançava luzes sobre os pontos obscuros.
Não admira, pois, que o santo tenha recebido de Deus a inteligência das Escrituras: toda sua actividade, imitação perfeita de Cristo, era exclusivamente a prática da verdade contida nas Escrituras. E toda a sua vida interior era total hospitalidade ao Espírito, intérprete das Escrituras, docilidade a seus ensinamentos.

3. Também brilhava nele o espírito de profecia, de modo que previa claramente as coisas futuras, penetrava os mais íntimos segredos do coração, via as coisas ausentes como se acontecessem diante de si e não poucas vezes se fazia presente de modo maravilhoso aos que se achavam muito distantes do lugar em que ele se encontrava.
Quando o exército cristão estava cercando Damieta, o homem de Deus já se achava munido não de armas mas da fé.
Chegou o dia da batalha em que os cristãos haviam decidido atacar a cidade. Ao saber dessa resolução, ficou muito contrariado e disse ao companheiro:
“O Senhor me mostrou que se os cristãos fizerem hoje o assalto à cidade, não se sairão bem; mas se eu disser tal coisa, hão-de considerar-me um louco, e se me calar, guardarei remorsos para sempre. Que te parece melhor?”
Respondeu o companheiro:
“Irmão, não te preocupes com o parecer dos homens; não é de hoje que te consideram um louco. Livra a tua consciência desse encargo e tem mais temor de Deus do que dos homens”.
A essas palavras o arauto de Cristo, cheio de coragem, enfrentou os cruzados e, preocupado com salvá-los do perigo, tentou impedir o ataque, anunciando a derrota. Os soldados desprezaram o vaticínio, endureceram o coração e não quiseram desistir da empresa. Avistaram-se os exércitos, travaram a batalha e as tropas cristãs viram-se obrigadas a bater em vergonhosa retirada, sendo para elas a luta não um triunfo, mas uma derrota completa.
Com tão tremenda desgraça ficou muito reduzido o exército cristão, pois entre mortos e prisioneiros ficaram fora de combate cerca de seis mil soldados.
Uma lição ficou bem patente, clara e imperativa: a sabedoria de um pobre não se trata com desprezo, pois a alma do justo costuma dizer a verdade algumas vezes bem melhor do que sete sentinelas postos no alto como atalaias” (Eclo 37,18).

4. Noutra ocasião, após voltar dos países de além- mar, veio a Celano pregar e um cavaleiro que lhe tinha muita devoção convidou-o à sua mesa, com muita insistência.
Aceitou o convite e toda a família ficou muito contente com a chegada dos seus hóspedes, os pobres. Antes de sentar-se à mesa, o santo, como de costume, rezou e louvou a Deus, de pé, olhos voltados para o céu, mas quando terminou, chamou à parte aquele cavaleiro generoso e disse-lhe:
 “Irmão hóspede, eis-me aqui vencido pelos teus rogos: entrei em tua casa para comer; agora, porém, escuta e põe logo em prática os meus conselhos, porque não aqui mas em outro local muito em breve hás de comer. Faz portanto agora uma boa confissão dos teus pecados, acompanhada de uma verdadeira dor de tuas culpas e não deixes de manifestar tudo o que for matéria do sacramento. Deves saber que o Senhor te recompensará hoje mesmo a devoção com que convidaste e recebeste os seus pobres”.
O homem obedeceu imediatamente a estas palavras do santo, confessou todos os seus pecados ao irmão que o acompanhava e após “haver posto ordem em sua casa”, estava preparado da melhor forma possível a receber a morte.
Enfim, sentaram-se todos à mesa e os convivas começaram a comer, quando, de repente, o cavaleiro morreu, levado por uma morte repentina, como havia predito o homem de Deus. Tão generosa hospitalidade merecera-lhe a recompensa prometida pelo Verbo que é a Verdade:
Aquele que recebe um profeta receberá uma recompensa de profeta(cf. Mt 10,41).
A predição do santo valeu- lhe a preparação para uma morte súbita e fortalecido com as armas da penitência, conseguiu escapar à condenação eterna e entrar na pátria celeste.

5. No tempo em que o santo jazia doente em Rieti, trouxeram-lhe estendido sobre um leito um cónego de nome Gedeão, homem sensual e mundano, atingido de grave doença. O cónego pedia-lhe chorando, juntamente com os presentes, que o abençoasse com o sinal-da-cruz. Mas o santo replicou:
“Como poderei assinalar-te com a cruz, se até agora viveste segundo os instintos da carne, sem temer os juízos de Deus? Em vista das orações e devoção dos que intercedem por ti, marcar-te-ei com o sinal-da-cruz, em nome do Senhor. Mas sabe que te acontecerão coisas bem piores se voltares ao vómito depois de curado, pois os ingratos caem num estado pior que o primeiro!” Traçou o sinal-da-cruz sobre ele, e o homem que jazia paralítico levantou-se muito contente, prorrompendo em louvores ao Senhor, e exclamou como fora de si: “Já estou curado!”
Ouviram-se então nos seus ossos uns estalidos semelhantes aos que se percebem quando se partem com a mão gravetos secos. Mas por desgraça, não levou muito tempo, esqueceu-se de Deus e entregou-se de novo às desordens da sensualidade.
Uma noite, havendo ceado na casa de um outro cónego, aí ficara para passar a noite, quando o telhado desabou. Todos escaparam à morte, menos o infeliz que ficou sob os escombros.
Por um justo juízo de Deus, o último castigo desse homem foi pior que o primeiro, em razão de seu duplo pecado de ingratidão e de desprezo para com Deus.
É preciso mostrar-se sempre reconhecido pelos benefícios recebidos. A recaída no vício é uma dupla ofensa.
Outra vez, uma mulher nobre e muito piedosa aproximou-se do santo, contou-lhe da dor que a oprimia e pediu-lhe o remédio acertado. Tinha um marido extremamente cruel que a privava de tudo quanto pertencia ao serviço de Deus; e entristecida por tal desgraça, pedia instantemente a Francisco que fizesse uma oração por ele para conseguir que Deus, com a sua amorosa clemência, abrandasse o seu coração endurecido. Ao ouvir essas queixas da mulher, disse-lhe o santo:
“Vai em paz, filha, e fica certa de que muito em breve receberás de teu marido um grande consolo”. E logo acrescentou: “Diz ao teu marido, da parte de Deus e da minha parte, que agora é tempo de misericórdia e de perdão, mas que depois virá o tempo da justiça rigorosa”.
Recebida a bênção do santo, a mulher regressou à sua casa e encontrando-se com o seu marido, referiu-lhe o acontecido. De repente desceu o Espírito Santo sobre aquele homem e o transformou num homem novo, que com grande mansidão assim falou à mulher: “Amada esposa, entreguemos-nos desde agora ao serviço do Senhor e trabalhemos com empenho pela salvação de nossa alma”. Por sugestão da sua santa esposa, eles praticaram a castidade durante vários anos e no mesmo dia partiram para o Senhor.
Que maravilha a virtude profética do santo: o seu poder restituía a vida aos membros já secos e conseguia fazer chegar a piedade aos corações mais duros.
Por outro lado, a sua penetração estendia-se até aos acontecimentos do futuro e perscrutava o mistério das consciências, como um segundo Eliseu que herdara o duplo espírito do profeta Elias!

(cont)

São Boaventura
Revisão de versão portuguesa por AMA

el Reto del amor






por El Reto Del Amor

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 95

A pessoa de Jesus....

Jesus Cristo não faz acepção de pessoas mas isso não quer dizer que não sinta afectos especiais por outros. Tal é bem patente no episódio que São Lucas narra "o jovem rico".

Nunca foge às questões ou perguntas por mais absurdas ou mal-intencionadas que possam ser.
É óbvio que o faz sobretudo para instrução dos muitos que sempre O rodeiam.
Nos Evangelhos consta uma única vez que Jesus não respondeu ou fez qualquer comentário: tal aconteceu com Herodes.
O Seu Coração Amantíssimo não suportou a presença daquela criatura execrável que pretendia apenas gozar um espectáculo, talvez um milagre.

Não verdade o que move Jesus a praticar um milagre vem do Seu Coração Amantíssimo, das Suas entranhas de Misericórdia para com o sofrimento dos homens Seus irmãos.
Embora os milagres sejam um meio de confirmar os outros na Fé n'Ele, consta nos Evangelhos que frequentemente recomendava segredo, discrição.

Porque o faria?

Principalmente porque não queria ser conhecido como "um milagreiro", ou que os milagres que operava se reduzissem aos visíveis, mas, sobretudo aos milagres da alma.
Por isso mesmo afirma com frequência: 'A tua fé te salvou'!

Cristo como que confirma que a salvação ou a perdição eternas dependem exclusivamente de cada um.

AMA, reflexões.

31/10/2018

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?









Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 94


Como seria a Pessoa de Jesus?

Volto a este tema porque não o considero esgotado.
Gosto de imaginar um homem afável, bem-disposto com um sorriso permanente cativante.
Um olhar límpido, profundo, penetrante a que nada escapa.
Uma paciente postura sem enfado ou reprovação.
Diz sempre a verdade por mais inconveniente que possa parecer.
Não é intransigente mas não consente nem a mentira nem sobretudo a hipocrisia.
Nos últimos tempos da Sua vida terrena foi acusado de comportamento impróprio, de comer e beber fosse com quem fosse, até com os “considerados pecadores” como os publicanos.
Chamaram-Lhe mentiroso, servo e sequaz do demónio actuando em nome e com o poder de curar enfermos e, inclusive, expulsar demónios.

Muitas vezes, com uma paciência extraordinária, explicava com argumentos irrefutáveis o contra-senso de muitas destas injúrias. Naturalmente, não por causa de quem assim procedia mas para alertar e educar os muitos que O ouviam.

As pessoas acorriam para O ver passar pelos caminhos das aldeias, dos povoados das cidades, queriam vê-Lo, ouvi-Lo, se possível, tocá-Lo.

Detém-se junto dos que Lhe pedem algo, comove-se com a pobre Mãe que leva o filho único a enterrar, convive com amigos íntimos como Lázaro, aceita convites de fariseus e escribas para tomar alguma refeição.

Em tudo se assemelha a um homem vulgar, corrente, sente-se bem entre o povo que O segue, parece nunca ter pressa de partir, de descansar.

E, as pessoas, vão-se apercebendo de Quem é este homem e, nos seus corações vai-se enraizando a certeza que, de facto, Ele é Quem diz ser: O Filho de Deus!

AMA, reflexões.

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 9

8. Tomou, pois, consigo um companheiro chamado Iluminado, homem de inteligência e coragem. E havendo começado a caminhar, saíram-lhes ao encontro duas mansas ovelhinhas, à vista das quais, cheio de alegria, disse a seu companheiro: “Confiemos no Senhor, irmão, porque em nós se realizam hoje as palavras do Evangelho: ‘Eis que vos envio como ovelhas entre lobos”’ (Mt 10,16). E tendo-se adiantado, encontraram as sentinelas sarracenas que, quais lobos vorazes contra ovelhas, capturaram os servos de Deus e, ameaçando-os de morte, maltrataram-nos com crueldade e desprezo, os cobriram de injúrias e violências e os algemaram. Por fim, depois, de havê-los afligido e atormentado de mil maneiras, a divina Providência fez com que os levassem à presença do Sultão, realizando-se desse modo as fervorosas aspirações de Francisco.
Colocados em sua presença, perguntou-lhes aquele bárbaro príncipe quem os havia enviado, a que vinham e como tinham conseguido chegar a seu acampamento. Ao que respondeu o servo de Deus com intrepidez que sua missão não procedia de nenhum homem, mas de Deus altíssimo que o enviava para ensinar a ele e a todo o seu povo os caminhos da salvação e para pregar-lhes as verdades de vida contidas no Evangelho. Com tanta constância e clareza em sua mente, com tanta virtude na expressão e com tão inflamado zelo pregou ao Sultão a existência de um só Deus em três pessoas e a de um Jesus Cristo, Salvador de todos os homens, que claramente se viu realizar-se em Francisco as palavras do Evangelho: “Porei em vossos lábios palavras tão cheias de sabedoria, que a elas não poderá resistir nenhum de vossos adversários” (Lc 21,15). Admirado o Sultão ao ver o espírito e o fervor do seráfico Pai, não apenas o ouvia com grande satisfação, mas até insistiu com repetidas súplicas que permanecesse algum tempo com ele. Mas o servo de Deus, iluminado pela força do alto, logo lhe respondeu dizendo: “Se me prometeres que tu e os teus vos convertereis a Cristo, permanecerei de muito bom grado entre vós. Mas se duvidas em abandonar a lei impura de Maomé pela fé santíssima de Cristo, ordena imediatamente que se faça uma grande fogueira e teus sacerdotes e eu nos lançaremos ao fogo, a ver se deste modo compreendes a necessidade de abraçar a fé sagrada que te anuncio”. A essa proposta, replicou sem demora o Sultão: “Não creio que haja entre meus sacerdotes um só que, para defender sua doutrina, se atreva a lançar-se ao fogo nem esteja disposto a sofrer o menor tormento”. E sobrava-lhe razão para dizer isso, pois vira que um dos seus falsos sacerdotes, ancião e protervo sequaz de sua lei, desaparecera, mal ouviu as primeiras palavras do santo. Este acrescentou, dirigindo-se ao Sultão: “Se em teu nome e em nome de teu povo me prometes abraçar a religião de Cristo, com a condição que eu saia ileso da fogueira, estou disposto a entrar eu sozinho nela. Se o fogo me consumir entre as suas chamas, atribua-se isso aos meus pecados; mas se, como espero, a virtude divina me conservar ileso, reconhecereis a ‘Cristo, virtude e sabedoria de Deus’ (cf. 1Cor 1,24) e único Salvador de todos os homens”. A essa proposta respondeu o Sultão que não podia aceitar esse contrato aleatório, pois temia uma sublevação popular. Mas ofereceu-lhe numerosos e ricos presentes que o homem de Deus desprezou como lama. Não era das riquezas do mundo que ele estava ávido, mas da salvação das almas. O Sultão ficou ainda mais admirado ao verificar um desprezo tão grande pelos bens deste mundo. Não obstante a sua recusa ou talvez o seu receio de passar à fé cristã, rogou ao servo de Deus que levasse todos aqueles presentes e os distribuísse aos cristãos pobres e às igrejas. Mas o santo que tinha horror de carregar dinheiro e não via na alma do Sultão raízes profundas da fé verdadeira, recusou-se terminantemente a aceitar a sua oferta.

9. Vendo frustradas as suas ânsias de martírio e conhecendo que nada adiantava o seu empenho na conversão daquele povo, resolveu Francisco, por inspiração divina, voltar aos países cristãos. E assim, por disposição da bondade divina e pelos méritos e virtude do santo, sucedeu que o amigo de Cristo procurou com todas as suas energias morrer por ele, mas não conseguiu. Desse modo não perderia o mérito do desejado martírio e ainda gozaria de vida para ser mais adiante assinalado com um singular privilégio. Aconteceu assim para que aquele fogo primeiro ardesse no seu coração e mais tarde se manifestasse na sua carne. Ó varão verdadeiramente ditoso, cuja carne, embora não tenha sucumbido sob o ferro do tirano, teve, contudo, tão perfeita semelhança com o Cordeiro morto por nosso amor! Ó varão mil vezes feliz, cuja alma, “embora não haja sucumbido debaixo da espada do carrasco, nem por isso deixou de alcançar a palma do martírio!” (cf. Breviário, Ofício de S. Martinho de Tours, ant. das Vésperas).


CAPITULO 10

Zelo na oração e poder de sua prece

1. Francisco, servo de Cristo, tinha perfeita consciência que seu corpo (inacessível a qualquer paixão terrena em virtude de seu amor a Cristo) o forçava a caminhar como peregrino longe do Senhor (cf. 2Cor 5,6-8). Empenhava-se portanto por manter sempre ao menos seu espírito na presença do Senhor por uma oração ininterrupta, para não ficar sem o conforto do Bem-Amado. Pois para ele era um consolo na meditação orar e percorrer as mansões celestiais, já como cidadão dos anjos, para procurar aí, com todo o ardor de seu desejo, seu Bem-Amado do qual o separava unicamente a barreira da própria carne. A oração era também uma defesa ao se entregar à acção, pois persistindo nela, fugia de confiar em suas próprias capacidades, punha toda a sua confiança na bondade divina, lançando no Senhor os seus cuidados. Sobre todas as coisas, dizia, deve o irmão desejar a graça da oração e incitava os seus irmãos por todas as maneiras possíveis a praticá-la zelosamente, convencido de que ninguém progride no serviço de Deus sem ela. Quer andasse ou parasse, viajando ou residindo no convento, trabalhando ou repousando, entregava-se à oração, de modo que parecia ter consagrado a ela todo seu coração e todo seu corpo, toda sua actividade e todo seu tempo.

2. Compenetrado dessas verdades, jamais desprezava por negligência qualquer visita do Espírito; mas ao contrário, sempre que elas se apresentavam, seguia-as cuidadosamente e, enquanto duravam, procurava gozar da doçura que lhe comunicavam. Por isso, se estivesse caminhando e sentisse alguns movimentos do Espírito divino, parava um momento, deixando passar os companheiros, para gozar mais intensamente da nova inspiração e não receber em vão a graça celeste (cf. 2Cor 6,1). A sua contemplação o levava muitas vezes a tão alto nível que, arrebatado e fora de si, sentia o que um homem não pode sentir e ficava alheio ao que se passava à sua volta. Aconteceu em certa ocasião que ao passar por Borgo San Sepolcro, de população numerosa, ia montado num jumentinho por causa de sua enfermidade, e as multidões saíram ao seu encontro, atraídas a ele pela fama das suas virtudes. Detido por essas turbas, que o rodeavam e comprimiam de todos os lados, a tudo parecia insensível e como se o seu corpo já estivesse inanimado. Bem mais tarde, passados já o burgo e os atropelos das multidões, pararam num albergue de leprosos. E ele, como se voltasse de algum rapto de espírito, perguntava com solicitude se chegariam logo ao dito burgo. Porque a sua mente ocupada na contemplação das coisas celestes não se havia apercebido nem da variedade dos lugares e dos tempos, nem da multidão de pessoas que haviam saído ao seu encontro.
E sabe-se pelo testemunho dos seus companheiros que isso acontecia com não pouca frequência.

3. Francisco havia percebido na, oração a presença do Espírito Santo, tanto mais propenso a derramar-se sobre os que o invocam quanto mais apartados os encontra do estrépito das coisas mundanas, Por isso, procurava lugares solitários, e durante a noite retirava-se aos bosques e igrejas abandonadas para, se entregar à oração, E aí na solidão, sustentou frequentes lutas com os demónios, os quais, atacando-o de modo palpável, procuravam apartá-lo do exercício da oração.
Mas ele, fortalecido com o auxílio do céu, quanto mais violentos os ataques do inimigo, tanto mais sólido parecia na virtude e mais fervoroso na oração, dizendo cheio de confiança a Cristo as palavras do salmista: “Defendei-me, Senhor, sob a sombra de vossas asas, da presença daqueles que me encheram de aflição” (Sl 16,8). E dirigindo-se depois aos demónios, dizia-lhes: “Espíritos malignos e perversos, atormentai-me quanto puderdes, pois nunca podereis mais do que aquilo que vos concede a mão do Senhor. De minha parte estou disposto a sofrer com sumo gozo quanto queira ele consentir-vos”. E não podendo os demónios suportar tão admirável constância, fugiam cobertos de confusão.

São Boaventura

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por AMA)

Santificar o nosso trabalho não é uma quimera


Santificar o nosso trabalho não é uma quimera; é missão de todos os cristãos... – tua e minha. Foi o que descobriu aquele torneiro, que comentava: – "Põe-me louco de contente essa certeza de que eu, manejando o torno e cantando, cantando muito – por dentro e por fora –, posso fazer-me santo... Que bondade a do nosso Deus!". (Sulco, 517)

Nesta hora de Deus, a da tua passagem por este mundo, decide-te a sério a realizar alguma coisa que valha a pena. O tempo urge, e é tão nobre, tão heróica, tão gloriosa a missão do homem e da mulher sobre a Terra quando abrasa no fogo de Cristo os corações murchos e apodrecidos!
Vale a pena levar aos outros a paz e a felicidade de uma corajosa e alegre cruzada! (Sulco, 613)

Umas vezes deixas explodir o teu mau génio, que em mais de uma ocasião aflora com uma dureza disparatada. Outras, não preparas o teu coração e a tua cabeça para servirem de aposento confortável à Santíssima Trindade... E acabas sempre por ficar um tanto afastado de Jesus, que conheces pouco.
Assim nunca terás vida interior. (Sulco, 651)

Remédio para tudo: santidade pessoal! Por isso, os Santos estavam cheios de paz, de fortaleza, de alegria, de segurança. (Sulco, 653)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Lc 13, 22-30

22 Jesus percorria cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. 23 Disse-lhe alguém: «Senhor, são poucos os que se salvam?» Ele respondeu-lhes: 24 «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. 25 Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, ficareis fora e batereis, dizendo: ‘Abre-nos, Senhor!’ Mas ele há-de responder-vos: ‘Não sei de onde sois.’ 26 Começareis, então, a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e Tu ensinaste nas nossas praças.’ 27 Responder-vos-á: ‘Repito-vos que não sei de onde sois. Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade.’ 28 Lá haverá pranto e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas no Reino de Deus, e vós a serdes postos fora. 29 Hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul, sentar-se à mesa no Reino de Deus. 30 E há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.»

Comentário:

Jesus Cristo insiste na vigilância e preparação.
Não sabemos nem o dia nem a hora em que teremos de comparecer a prestar contas e, por isso temos de estar preparados.
Já! Começar agora mesmo! Não esperar por um dia qualquer que não sabemos se chegará para nós.

Conhecemos Jesus Cristo?
Cumprimos a Vontade de Deus?
Esforçamo-nos por alcançar a santidade apesar dos nossos defeitos e fraquezas?

Pois… isso é que conta para que o Senhor saiba quem somos e nos reconheça quando chegar o momento.

(AMA, comentário sobre Lc 13, 22-30, 11.07.2018)




30/10/2018

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 93 

Sabemos muito bem que muitos Santos sofreram com frequência desta secura da alma.
Portanto podemos muito bem pensar que o Senhor nos está a provar que nos ama verdadeiramente.
Haverá nisto vaidade ou falácia?
Não creio. A São Pedro, repetiu por três vezes a mesma pergunta, não porque tivesse alguma dúvida do amor do Apóstolo, mas para o confirmar de forma que jamais esqueceria.
Somos, acaso, "maiores" que Pedro?

Há que lembrar que, mais que falar, interessa pensar e mesmo que não nos ocorra o que dizer ou escrever, o importante é que o Senhor saiba - e Ele sabe tudo - que estamos aqui, neste momento e nestas circunstâncias e que desejamos com toda a nossa alma que Ele esteja connosco.

AMA, reflexões.

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 9

Fervor de sua caridade e desejo do martírio

1. Quem poderá exprimir a caridade ardente que abrasava o coração de Francisco, o amigo do Esposo? Parecia inteiramente devorado, como um carvão ardente, pelas chamas do amor de Deus. Logo que ouvia falar do amor do Senhor, ele se empolgava, ficava comovido e inflamado, como se a voz que ressoava externamente fosse um arco a fazer vibrar internamente as cordas de seu coração. Segundo ele, era uma prodigalidade digna de um príncipe uma tal compensação pelas esmolas recebidas e prova de loucura total preferir o dinheiro ao, amor de Deus, pois a inestimável moeda do amor divino é a única que nos permite resgatar o reino dos céus. Eis por que é necessário amar muito o amor daquele que muito nos amou. Impelido dessa forma por todas as coisas ao amor de Deus, ele se rejubilava em todas as obras saídas das mãos do Criador, e graças a esse espectáculo que constituía sua alegria, remontava até Aquele que é a causa e razão vivificante do universo. Numa coisa bela sabia contemplar o Belíssimo e, seguindo os traços impressos nas criaturas, por toda parte seguia o Dilecto. De todas as coisas fazia uma escada para subir até Aquele que é todo encanto. Em cada uma das criaturas, como derivações, percebia ele, com extraordinária piedade, a fonte única da bondade de Deus e como a harmonia preestabelecida por Deus entre as propriedades naturais dos corpos e suas interacções lhe parecia uma música celestial, exortava todas ascriaturas, como o profeta Davi, ao louvor do Senhor.

2. A recordação de Jesus crucificado permanecia constantemente em sua alma, como a bolsa de mirra sobre o coração da esposa do Cântico dos Cânticos, e na veemência de seu amor extático ele desejava ser inteiramente transformado nesse Cristo Crucificado. Uma de suas devoções particulares era, durante os quarenta dias que seguem a Epifania, que é o tempo do retiro de Cristo no deserto, procurar a solidão e oculto na sua cela, dedicar-se ininterruptamente, observando um jejum rigorosíssimo, à oração e ao louvor a Deus. Nutria por Cristo um amor tão ardente, e seu Bem-Amado correspondia-lhe com uma afeição tão familiar, que o servo de Deus julgava ter diante dos olhos a presença quase contínua do Salvador; ele mesmo por diversas vezes o disse confidencialmente a seus irmãos. O sacramento do Corpo do Senhor o inflamava de amor até ao fundo do coração: admirava, espantado, misericórdia tão amável e amor tão misericordioso. Comungava muitas vezes e com tanta devoção, que comunicava aos outros sua devoção quando, todo inebriado do Espírito e inteiramente absorto em saborear o Cordeiro imaculado, era arrebatado em frequentes êxtases.

3. Seu amor à Mãe do Senhor Jesus era realmente indizível, pois nascia em seu coração ao considerar que ela havia convertido em irmão nosso ao próprio Rei e Senhor da glória e que por ela havíamos merecido alcançar a divina misericórdia. Em Maria, depois de Cristo, depositava toda a sua confiança; por isso a constituiu advogada sua e dos seus irmãos, e em sua honra jejuava devotamente desde a festa dos apóstolos São Pedro e São Paulo até o dia da Assunção. Um vínculo de amor indissolúvel unia-o aos anjos cujo maravilhoso ardor o punha em êxtase diante de Deus e inflamava as almas dos eleitos; por devoção aos anjos, celebrava uma quaresma de jejuns e orações durante os quarenta dias que seguem a Assunção da Santíssima Virgem Maria. São Miguel sobretudo, a quem cabe o papel de introduzir as almas no Paraíso, era objecto de uma devoção especial em razão do desejo que tinha o santo de salvar a todos os homens.
Os santos e a memória deles eram para ele como carvões ardentes, que reavivavam nele o incêndio deificante. Venerava com devoção ferventíssima todos os apóstolos e especialmente Pedro e Paulo, por causa da ardente caridade que tinham a Cristo. Em honra deles e por amor deles oferecia ao Senhor o jejum de uma quaresma especial.
Nada mais possuía o pobre de Cristo a não ser duas pequenas moedas: o seu corpo e a sua alma, que ele podia distribuir com caridade liberal. Mas oferecia continuamente a Deus o seu corpo e a sua alma por amor a Cristo, pois quase a cada instante imolava o corpo com o rigor do jejum e a alma com a chama do desejo: holocausto, seu corpo, imolado fora, no átrio do templo; incenso, sua alma, exalado dentro do templo.

4. A sua devoção fervorosa e sua caridade ardente de tal maneira o elevavam às coisas divinas, que os efeitos daquelas virtudes se derramavam copiosamente nos outros homens que lhe eram iguais em natureza ou em graça. Os sentimentos bem naturais de seu coração eram suficientes para torná-lo fraterno diante de toda criatura. Não admira que seu amor a Cristo o tenha transformado ainda mais em irmão daqueles que levam a imagem do Criador e são resgatados por seu sangue.
Só se considerava amigo de Cristo empenhando-se pelas almas resgatadas por ele. E afirmava que nada se deveria preferir à salvação das almas, apresentando para isso como prova decisiva o fato de que o Unigénito de Deus dignara-se morrer por elas na árvore santa da cruz. É o que explica a veemência com que ele orava, a actividade extraordinária de suas viagens de pregação e seus excessos em se tratando de dar o exemplo. Quando lhe censuravam as austeridades exageradas, respondia que tinha sido dado aos outros como exemplo. Embora sua carne inocente, sujeita voluntariamente ao espírito, não merecesse castigo algum por suas faltas pessoais, contudo, a fim de dar o exemplo, impunha-lhe sempre novas penas e trabalhos, “caminhando pelos outros por duras sendas” (SL 16,4). “Pois, dizia, se eu falasse a língua dos anjos e dos homens e não tivesse em mim a caridade (1Cor 13,1-3) nem desse àqueles que estão à minha volta o exemplo da virtude, de nada me adiantaria, muito menos aos outros”.

5. No fervor de sua caridade sentiu-se inspirado a imitar o triunfo glorioso dos mártires nos quais o fogo da caridade não se extinguia nem se quebrantava a coragem. Inflamado por esse perfeito amor que “expulsa o temor” (1Jo 4,13), suspirava por se oferecer como hóstia viva a Deus imolada pela espada do martírio; dessa forma ele passaria a Cristo a morte que ele aceitara por nós e levaria os homens ao amor de Deus. No sexto ano depois de sua conversão, ardendo de desejo de martírio, resolveu ir à Síria pregar a fé cristã e a penitência aos sarracenos e a outros infiéis. Mas o navio que o conduzia foi arrastado pelos ventos contrários para as costas da Eslavónia. Aí ficou algum tempo sem encontrar navio com destino ao Oriente.
Entendeu que lhe era recusado o que desejava. E como alguns marinheiros se aprestavam a ir a Ancona, pediu para embarcar por amor de Deus. Mas como não tivessem com que pagar, os marinheiros nem quiseram ouvi-lo e o homem de Deus, entregando-se inteiramente nas mãos de Deus, introduziu-se sub-repticiamente no navio com seu companheiro.
Entretanto, um homem certamente enviado por Deus para socorrer o pobre Francisco chegou trazendo víveres, chamou um dos marujos, homem temente a Deus, e lhe disse: “Guarda com todo cuidado estas provisões para os pobres irmãos que estão escondidos no navio; tem a bondade de lhes entregar de minha parte quando tiverem necessidade”. Os ventos sopravam com tal violência que os dias passaram sem que fosse possível abicar em parte alguma; os marujos estavam no fim das provisões; sobravam apenas as esmolas graciosamente oferecidas pelo céu ao pobre Francisco. Eram muito modestas, mas o poder de Deus as multiplicou de tal forma e em tanta quantidade que, apesar do atraso ocasionado pela tempestade que continuava a castigar duramente, elas satisfizeram totalmente às necessidades de todos até Ancona. E os marujos, vendo afastado o perigo de morte de que os livrara o servo de Deus, deram graças ao Altíssimo omnipotente, que sempre se mostra admirável e amável nos seus amigos e servos. E com muito acerto, pois haviam enfrentado de perto os tremendos perigos do mar e visto as admiráveis obras de Deus nas águas profundas.

6. Afastou-se do mar e começou a peregrinar pela terra espalhando a semente da salvação e colhendo uma messe abundante de bons frutos. Mas o fruto que mais o atraía era o martírio, o mérito de morrer por Cristo; desejava a morte por Cristo mais do que os méritos de uma vida virtuosa, e dirigiu-se a Marrocos para anunciar o Evangelho de Cristo ao Miramolim e seu povo e tentar assim conquistar a suspirada palma do martírio. O desejo que o levava a tais gestos era tão poderoso que, apesar de sua saúde precária, ia sempre à frente de seu companheiro de caminhada e, na pressa de realizar seu plano, parecia voar, inebriado do Espírito Santo. Havia já chegado à Espanha, mas Deus, que o queria para outras missões, dispusera de modo diferente os acontecimentos: uma doença bastante grave o prostrou, impedindo-o de realizar seu desejo. Não obstante a certeza do Lucro que a morte representava para ele, o homem de Deus compreendeu ser necessário viver ainda pela família que gerara. Por isso voltou para cuidar das ovelhas entregues à sua guarda.

7. Mas o ardor de sua caridade o impelia ao martírio. Pela terceira vez tentou ele partir aos países infiéis para difundir com o derramamento de seu sangue a fé na Trindade. Aos treze anos de sua conversão, foi às regiões da Síria, enfrentando corajosamente muitos perigos a fim de comparecer diante do Sultão da Babilónia, pessoalmente. Uma guerra implacável castigava cristãos e sarracenos. Os dois exércitos encontravam-se acampados muito próximos, separados apenas por uma estreita faixa de terra, que ninguém podia atravessar sem perigo de morte. O Sultão havia publicado um édito cruel: todos que lhe trouxessem a cabeça de um cristão receberiam uma grande quantidade de ouro. Mas o intrépido soldado de Cristo Francisco, julgando chegada a ocasião de realizar seus anseios, resolveu apresentar-se diante do Sultão, sem temer a morte, mas antes desejoso de enfrentá-la. Confortado pelo Senhor, depois de fervorosa oração, repetia com o profeta: “Ainda que ande no meio das trevas da morte, não temerei mal algum, porque estás comigo” (Sl 22,4).

São Boaventura

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por AMA)