Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
05/07/2017
Diálogos com o Senhor Deus (15)
.Senhor,
de dentro de mim vem esta vontade de escrever, de colocar no papel aquilo que
sinto por Ti, ou apenas conversar e ouvir-Te, mas parece que estou “seco”,
frio, sem pensamentos ordenados que expressem o que vivo.
Tens-Me
procurado na Eucaristia, Joaquim?
Oh,
Senhor, não tanto como preciso, não tanto como devo, não tanto como Te amo!
E,
no entanto, tens-me ali, a dois passos de tua casa, não é verdade?
Sim,
Senhor, é verdade! Conta-se por segundos o tempo que posso demorar a chegar a
Ti, na Eucaristia.
Lembras-te
do esforço, dos perigos que tantos correm, nos lugares onde são perseguidos,
para chegar até Mim na Eucaristia?
Mais
uma vez é verdade, Senhor! E eu sem nada que temer, nem caminhos de risco para
percorrer!
Meu
filho, aqueles que amam precisam de se procurar, de se encontrar, de se
entregar, para cada vez mais conhecerem e fortalecerem o amor que os une.
Eu,
meu filho, amo-te incondicionalmente, mas tu, fraco como és humanamente,
precisas de Me procurar, de Me encontrar, em todo o tempo e espaço, mas
sobretudo na Eucaristia, para melhor Me conheceres, sentires, viveres e assim
melhor Me amares, para com o meu amor melhor poderes amar os outros.
Baixo
a minha cabeça, o meu olhar para Ti, Senhor, porque a minha preguiça me
envergonha!
Hoje
recomeço, porque em Ti, tudo é sempre novo!
Obrigado,
Senhor!
Monte
Real, 30 de Junho de 2017
Joaquim Mexia Alves
.
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JMA (Diálogos com o Senhor Deus)
«Mãe, ensina-me a ser nada, para que Cristo seja tudo em mim».
Oração que um dia o Espírito Santo quis colocar no meu coração e me esforço para que seja verdade na minha vida.
Epístolas de São Paulo – 103
3. RECAPITULAÇÃO: O
SACRIFÍCIO DE CRISTO SUPERIOR AO DE MOISÉS (10,1-18)
Ineficácia dos
sacrifícios antigos
- 1 Possuindo apenas a sombra dos bens futuros e não a
expressão própria das coisas, a Lei nunca pode conduzir à perfeição aqueles que
participam nos sacrifícios que se oferecem constantemente cada ano. 2 Não se
teria porventura deixado de os oferecer, se os que prestam culto, purificados
de uma vez por todas, já não tivessem consciência de algum pecado? 3 Pelo
contrário, com esses sacrifícios, recordam-se anualmente os pecados, 4 uma vez
que é impossível que o sangue dos touros e dos bodes apague os pecados. 5 Por
isso, ao entrar no mundo, Cristo diz: Tu não quiseste sacrifício nem oferenda,
mas preparaste-me um corpo. 6 Não te agradaram holocaustos nem sacrifícios pelos
pecados. 7 Então, Eu disse: Eis que venho - como está escrito no livro a meu
respeito - para fazer, ó Deus, a tua vontade. 8 Disse primeiro: Não quiseste nem
te agradaram sacrifícios, oferendas e holocaustos pelos pecados - e, no
entanto, eram oferecidos segundo a Lei. 9 Disse em seguida: Eis que venho para
fazer a tua vontade. Suprime, assim, o primeiro culto, para instaurar o
segundo. 10 E foi por essa vontade que nós fomos santificados, pela oferta do
corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre.
Fátima: Centenário - Oração diária
Senhora de Fátima:
Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.
Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.
Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.
Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:
“Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.
Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.
AMA, Fevereiro, 2017
Evangelho e Comentário
Evangelho:
Mt 8, 28-34
28 Chegado à outra margem, à região dos
gadarenos, vieram ao seu encontro dois possessos, que habitavam nos sepulcros.
Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29 Vendo-o,
disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui
atormentar-nos antes do tempo?» 30 Ora, andava a pouca distância dali, a pastar,
uma grande vara de porcos. 31 E os demónios pediram-lhe: «Se nos expulsas,
manda-nos para a vara de porcos.» 32 Disse-lhes Jesus: «Ide!» Então, eles,
saindo, entraram nos porcos, que se despenharam por um precipício, no mar, e
morreram nas águas. 33 Os guardas fugiram e, indo à cidade, contaram tudo o que
se tinha passado com os possessos. 34 Toda a cidade saiu ao encontro de Jesus e,
vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse daquela região.
Comentário:
O demónio não tem outro
objectivo senão fazer o mal.
Ao pedirem a Jesus que os
enviasse para a vara dos porcos, precipitando-se no mar, como que quiseram
demonstrar que os gadarenos não acreditavam em Jesus Cristo, dando maior
importância aos bens materiais que à vida humana.
E o Senhor não sabia o que
iria acontecer?
Evidentemente que sim, Ele
sabe tudo, mas não podia permitir que acreditassem nele pela confissão do
demónio que é o pai da mentira.
(AMA,
comentário sobre Mt 8, 28-34, 13.03.2017)
Reflectindo - 265
Que tema tão difícil e fácil, ao mesmo tempo!
Difícil porque não sei como descrever a alegria a não
ser a das pequenas coisas do dia a dia que enchem o coração e animam o
espírito.
Coisas de escassa importância, mas que juntas ganham
vulto.
Fácil porque para escrever esta reflexão tenho de
estar alegre.
Aqui temos, portanto, a alegria:
Um calor no coração, que não apaga a dor, mas a
arrefece, deixa para trás o ressentimento e traz o amor.
No fim e ao cabo, estar alegre é amar.
Alegria é Amor!
AMA, reflexões, 07.01.2017
Segui-lo-ás em tudo o que te pedir
Se de verdade desejas que o teu coração reaja de um modo seguro,
aconselho-te que te metas numa Chaga de Nosso Senhor: assim terás intimidade
com Ele, pegar-te-ás a Ele, sentirás palpitar o seu Coração... e segui-lo-ás em
tudo o que te pedir. (Forja,
755)
Quem cultiva uma teologia incerta e uma moral relaxada, sem
freios; quem pratica, a seu capricho, uma liturgia duvidosa, com uma disciplina
de hippies e um governo irresponsável, não é de admirar que propague contra os
que só falam de Jesus Cristo invejas, suspeitas, acusações falsas, ofensas,
maus tratos, humilhações, intrigas e vexames de todo o género.
Quando admiramos e amamos deveras a Santíssima Humanidade de
Jesus, descobrimos, uma a uma, as suas Chagas. E nesses tempos de expiação
passiva, penosos, fortes, de lágrimas doces e amargas que procuramos esconder,
sentiremos necessidade de nos meter dentro de cada uma daquelas Feridas
Santíssimas: para nos purificarmos, para nos enchermos de alegria com esse
Sangue redentor, para nos fortalecermos. Recorreremos a elas como as pombas
que, no dizer da Escritura, se escondem nos buracos das rochas na hora da
tempestade. Escondemo-nos nesse refúgio, para encontrar a intimidade de Cristo:
e veremos que o seu modo de conversar é aprazível e o seu rosto formoso, porque
os que sabem que a sua voz é suave e grata, são os que receberam a graça do
Evangelho, que os faz dizer: Tu tens palavras de vida eterna.
Não pensemos que, nesta senda da contemplação, as paixões se calam
definitivamente. Enganar-nos-íamos se supuséssemos que a ânsia de procurar
Cristo, a realidade do seu encontro e do seu convívio e a doçura do seu amor
nos tornavam pessoas impecáveis. Embora não lhes falte experiência disso,
deixem-me, no entanto, recordá-lo. O inimigo de Deus e do homem, Satanás, não
se dá por vencido, não descansa. E assedia-nos, mesmo quando a alma arde
inflamada no amor de Deus. Sabe que nessa altura a queda é mais difícil, mas
que – se conseguir que a criatura ofenda o seu Senhor, ainda que seja em pouco
– poderá lançar naquela consciência a grave tentação do desespero. (Amigos de Deus, nn. 301–303)
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Simplicidade e modéstia.
Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.
Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.
Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Fátima: Centenário - Vida de Maria - 16
Centenário das aparições da Santíssima
Virgem em Fátima
Virgem em Fátima
Natividade
A VOZ DO MAGISTÉRIO
«A Sagrada Escritura do
Antigo e Novo Testamento e a venerável Tradição apresentam de modo progressivo,
até nos mostrarem claramente, o papel da Mãe do Salvador na economia da
salvação. Os livros do Antigo Testamento descrevem a história da salvação na
qual se vai preparando lentamente a vinda de Cristo ao mundo.
Esses antigos documentos,
tais como são lidos na Igreja e interpretados à luz da plena revelação
ulterior, vão pondo cada vez mais em evidência a figura duma mulher, a Mãe do
Redentor. A esta luz, Maria encontra-se já profeticamente presente na promessa
da vitória sobre a serpente [i],
feita aos nossos primeiros pais caídos no pecado.
Ela é, igualmente, a Virgem
que conceberá e dará à luz um Filho, cujo nome será Emanuel [ii]. É
a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e
recebem a salvação de Deus. Com ela, enfim, Filha excelsa de Sião, passada a
longa espera da promessa, cumprem-se os tempos e inaugura-se a nova economia da
salvação, quando o Filho de Deus dela recebeu a natureza humana, para libertar
o homem do pecado pelo mistério da sua encarnação».
Concílio
Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium,
n. 55.
04/07/2017
Senhor, socorre-me.
Sinais inequívocos da verdadeira Cruz de Cristo: a serenidade, um
profundo sentimento de paz, um amor disposto a qualquer sacrifício, uma
eficácia grande, que dimana do próprio Lado de Jesus, e sempre – de modo
evidente – a alegria: uma alegria que procede de saber que, quem se entrega de
verdade, está junto da Cruz e, por conseguinte, junto de Nosso Senhor. (Forja, 772)
Aconselharei a quem quiser aprender com a experiência de um pobre
sacerdote que não pretende falar senão de Deus, que, quando a carne tentar
recobrar os seus foros perdidos, ou a soberba – que é pior – se revoltar e se
encabritar, correr a abrigar-se nessas divinas fendas abertas no Corpo de
Cristo pelos cravos que O seguraram à Cruz e pela lança que atravessou o Seu
peito. Vamos como nos comover mais; derramemos nas Chagas de Nosso Senhor todo
esse amor humano... e esse amor divino. Que isto é desejar a união, sentir-se
irmão de Cristo, ser seu consanguíneo, filho da mesma Mãe, porque foi Ela que
nos levou até Jesus.
Afã de adoração, ânsias de desagravo com sossegada suavidade e com
sofrimento. Far-se-á vida na nossa vida a afirmação de Jesus: aquele que não
toma a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. E Nosso Senhor
manifesta-se-nos cada vez mais exigente, pede-nos reparação e penitência, até
nos fazer experimentar o fervoroso desejo de querer viver para Deus, pregado na
cruz juntamente com Cristo. Mas guardamos este tesouro em vasos de barro frágil
e quebradiço, para que se reconheça que a grandeza do poder que se vê em nós é
de Deus e não nossa.
Vemo-nos acossados por toda a espécie de atribulações e nem por
isso perdemos o ânimo; encontramo-nos em grandes apuros, mas não desesperados,
ou sem recursos; somos perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não
inteiramente perdidos: trazemos sempre no nosso corpo por toda a parte a
mortificação de Jesus.
Parece-nos, além disso, que Nosso Senhor não nos escuta, que
andamos enganados, que só se ouve o monólogo da nossa voz. Encontramo-nos como
se não tivéssemos apoio na terra e fossemos abandonados pelo Céu. No entanto, é
verdadeiro e prático o nosso horror ao pecado, mesmo ao pecado venial. Com a
obstinação da Cananeia, prostramo-nos rendidamente como ela, que O adorou,
implorando: Senhor, socorre-me. E desaparece a obscuridade, superada pela luz
do Amor. (Amigos de Deus, nn. 303–304)
Fátima: Centenário - Oração Jubilar de Consagração
Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.
Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.
Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.
Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.
E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.
Ámen.
Evangelho e Comentário
Santa Isabel – Rainha de Portugal
Evangelho:
Mt 8, 23-27
23 Depois
subiu para o barco e os discípulos seguiram-no. 24 Levantou-se, então, no mar,
uma tempestade tão violenta, que as ondas cobriam o barco; entretanto, Jesus
dormia. 25 Aproximando-se dele, os discípulos despertaram-no, dizendo-lhe:
«Senhor, salva-nos, que perecemos!» 26 Disse-lhes Ele: «Porque temeis, homens de
pouca fé?» Então, levantando-se, falou imperiosamente aos ventos e ao mar, e
sobreveio uma grande calma. 27 Os homens, admirados, diziam: «Quem é este, a
quem até o vento e o mar obedecem?»
Comentário:
A resposta de Jesus aos
discípulos aterrados com a procela tem toda a razão de ser.
Talvez pudesse acrescentar:
‘Eu não estou aqui convosco?
Como podeis temer?’
Mas, como se vê pelo texto
eles não tinham, ainda fé suficiente no Senhor.
Por isso ficam admirados com
o poder do Senhor.
Nós, também, não temos nada
a temer porque se o Senhor está connosco, na nossa alma em graça, nada –
absolutamente – nos poderá fazer mal.
Confiar na Sua Infinita
Misericórdia SEMPRE, mesmo quando parece que está ausente, desinteressado ou a
dormir.
(AMA,
comentário sobre Mt 8, 23-27, 13.03.2017)
Temas para meditar - 714
Só depois da morte é que saberemos quantos pecadores ajudamos a salvar-se com o oferecimento do nosso cansaço.
Só então compreenderemos que a nossa inactividade forçada e os nossos sofrimentos podem ser mais úteis ao próximo do que os nossos serviços efectivos.
Só então compreenderemos que a nossa inactividade forçada e os nossos sofrimentos podem ser mais úteis ao próximo do que os nossos serviços efectivos.
G. CHEVROT, Jesus e a samaritana, Aster, Lisboa, 1956, pág. 25;
Leitura espiritual
Amar a Igreja
33
Temos
de ser compreensivos, cobrir tudo com o manto afectuoso da caridade.
Uma
caridade que nos confirme na fé, aumente a nossa esperança e nos faça fortes,
para dizer bem alto que a Igreja não é essa imagem que alguns propõem.
A
Igreja é de Deus, e pretende um único fim: a salvação das almas. Aproximemo-nos
de Nosso Senhor, falemos com Ele na oração face a face, peçamos-Lhe perdão
pelas nossas misérias pessoais e reparemos pelos nossos pecados e pelos dos
outros homens que - neste clima de confusão - talvez não consigam descobrir a
gravidade com que estão a ofender a Deus.
Na
Santa Missa, neste Domingo, na renovação incruenta do sacrifício cruento do
Calvário, Jesus imolar-Se-á - Sacerdote e Vítima - pelos pecados dos homens.
Não
O deixemos só, que surja no nosso peito um desejo ardente de estar com Ele, ao
pé da Cruz; que aumente o nosso clamor ao Pai, Deus misericordioso, para que
volte a dar a paz ao mundo, a paz à Igreja, a paz às consciências!
Se
nos comportarmos assim, encontraremos - ao pé da Cruz - Maria Santíssima, Mãe
de Deus e nossa Mãe. Pela sua mão bendita, chegaremos a Jesus e, por Ele, ao
Pai, no Espírito Santo.
34
Há
dias, ao celebrar a Santa Missa, detive-me um breve momento para considerar as
palavras de um salmo que a liturgia punha na antífona da Comunhão:
O Senhor é o meu pastor,
nada me poderá faltar.
Esta
invocação trouxe-me à memória os versículos de outro salmo, que se recitava na
cerimónia da Primeira Tonsura:
O Senhor é a parte da minha
herança.
O
próprio Cristo põe-se nas mãos dos sacerdotes, que se fazem assim dispensadores
dos mistérios - das maravilhas - do Senhor.
No
próximo Verão receberá as Sagradas Ordens meia centena de membros do Opus Dei.
Desde
1944 sucedem-se, como uma realidade de graça e de serviço à Igreja, estas
ordenações sacerdotais de alguns membros da Obra.
Apesar
disso, todos os anos há gente que se espanta.
Como
é possível, interrogam-se, que trinta, quarenta, cinquenta homens, com uma vida
cheia de afirmações e de promessas, estejam dispostos a ser sacerdotes?
Queria
expor hoje algumas considerações, mesmo correndo o risco de aumentar nessas
pessoas os motivos de perplexidade.
35
Porquê ser Sacerdote?
O
santo sacramento da Ordem Sacerdotal será ministrado a este grupo de membros da
Obra, que contam com uma valiosa experiência - talvez de muito tempo - como
médicos, advogados, engenheiros, arquitectos ou de outras diversíssimas
actividades profissionais.
São
homens que, como fruto do seu trabalho, estariam capacitados para aspirar a
postos mais ou menos relevantes na sua esfera social.
Vão
ordenar-se para servir.
Não
para mandar, não para brilhar, mas para se entregarem, num silêncio incessante
e divino ao serviço de todas as almas.
Quando
forem sacerdotes não se deixarão arrastar pela tentação de imitar as ocupações
e o trabalho, dos leigos, mesmo que se trate de tarefas que conheçam bem por as
terem realizado até agora, o que lhes conferiu uma mentalidade laical que não
perderão nunca.
A
sua competência nos diversos ramos do saber humano - da história, das ciências
naturais, da psicologia, do direito, da sociologia -, embora faça parte
necessariamente dessa mentalidade laical, não os levará a quererem
apresentar-se como sacerdotes-psicólogos, sacerdotes-biólogos ou
sacerdotes-sociólogos.
Receberam
o sacramento da Ordem para serem, nem mais nem menos, sacerdotes-sacerdotes,
sacerdotes cem por cento.
36
É
provável que sobre muitos assuntos temporais e humanos, entendam mais do que
muitos leigos.
Mas,
desde que são sacerdotes, calam com alegria essa competência para continuarem a
fortalecer-se espiritualmente através da oração constante, para falarem só de
Deus, para pregarem o Evangelho e administrarem os sacramentos.
Este
é, se assim se pode dizer, o seu novo TRABALHO profissional, ao qual dedicam
todas as horas do dia, que sempre serão poucas, porque é preciso estudar
constantemente a ciência de Deus, orientar espiritualmente tantas almas, ouvir
muitas confissões, pregar incansavelmente e rezar muito, muito, com o coração
sempre posto no Sacrário, onde está realmente presente Aquele que nos escolheu
para sermos seus, numa maravilhosa entrega cheia de alegria, inclusivamente no
meio de contrariedades, que a nenhuma criatura faltam.
Todas
estas considerações podem aumentar, como vos dizia, os motivos de admiração.
Alguns
continuarão talvez a perguntar a si mesmos: mas porquê esta renúncia a tantas
coisas boas e nobres da terra, a uma profissão mais ou menos brilhante, a
influir cristãmente, com o exemplo, no âmbito da cultura profana, do ensino, da
economia, ou de qualquer outra actividade social?
Outros
ficarão admirados lembrando-se de que hoje, em não poucos sítios, grassa uma
desorientação notável sobre a figura do sacerdote; apregoa-se que é preciso
procurar a sua identidade e põe-se em dúvida o significado que, nas
circunstâncias actuais, possa ter a entrega a Deus no sacerdócio.
Finalmente,
também poderá surpreender alguns que, numa época em que escasseiam as vocações
sacerdotais, estas surjam entre cristãos que já tinham resolvido - graças a um
trabalho pessoal exigente - os problemas de colocação e trabalho no mundo.
37
Sacerdotes e leigos
Compreendo
essa estranheza, mas não seria sincero se afirmasse que a compartilho.
Estes
homens que, livremente, porque assim o quiseram - e isto é uma razão muito
sobrenatural - abraçam o sacerdócio, sabem que não fazem nenhuma renúncia, no
sentido em que vulgarmente se emprega esta palavra.
Já
se dedicavam - pela sua vocação ao Opus Dei - ao serviço da Igreja e de todas
as almas, com uma vocação plena, divina, que os levava a santificar o trabalho
e a procurar, por meio dessa ocupação profissional, a santificação dos outros.
Como
todos os cristãos, os membros do Opus Dei, sacerdotes e leigos, sempre cristãos
correntes, encontram-se entre os destinatários destas palavras de S. Pedro:
Vós sois raça eleita,
sacerdócio real, nação santa, povo adquirido, afim de anunciantes as virtudes
d'Aquele que vos chamou das trevas para a Sua luz admirável. Vós que outrora
não éreis o Seu povo, mas que agora sois o povo de Deus; vós que antes não
tínheis alcançado misericórdia e agora a alcançastes.
Uma
única e a mesma é a condição de fiéis cristãos nos sacerdotes e nos leigos,
porque Deus Nosso Senhor nos chamou a todos à plenitude da caridade, à
santidade: bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos
abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo.
Foi
assim que n'Ele nos escolheu antes da constituição do mundo, para sermos santos
e imaculados diante dos Seus olhos.
Não
há santidade de segunda categoria: ou existe uma luta constante por estar na
graça de Deus e ser conformes a Cristo, nosso Modelo, ou desertamos dessas
batalhas divinas.
O
Senhor convida todos para que cada um se santifique no seu próprio estado.
No
Opus Dei esta paixão pela santidade - apesar dos erros e misérias individuais -
não se diferencia pelo facto de se ser sacerdote ou leigo; e, além disso, os
sacerdotes são apenas uma pequeníssima parte, em comparação com o total de
membros.
Olhando
com olhos de fé, a chegada ao sacerdócio não constitui, portanto, nenhuma
renúncia; e chegar ao sacerdócio também não significa um passo mais na vocação
ao Opus Dei.
A
santidade não depende do estado - solteiro, casado, viúvo, sacerdote -, mas sim
da correspondência pessoal à graça, que a todos é concedida, para aprendermos a
afastar de nós as obras das trevas e para nos revestirmos das armas da luz, da
serenidade, da paz, do serviço sacrificado e alegre à humanidade inteira.
38
Dignidade do Sacerdócio
O
sacerdócio leva a servir a Deus num estado que, em si mesmo, não é melhor nem
pior do que os outros; é diferente.
Mas
a vocação de sacerdote aparece revestida duma dignidade e duma grandeza que
nada na terra supera.
Santa
Catarina de Sena põe na boca de Jesus Cristo estas palavras:
Não quero que diminua a
reverência que se deve professar aos sacerdotes, porque a reverência e o
respeito que se lhes manifesta, não se dirige a eles, mas a Mim, em virtude do
Sangue que lhes dei para que o administrem. Se não fosse isso, deveríeis
dedicar-lhes a mesma reverência que aos leigos e não mais...
Não devem ser ofendidos:
ofendendo-os ofende-se a Mim e não a eles.
Por isso o proibi e
estabeleci que não admito que toqueis nos meus Cristos.
Alguns
afadigam-se à procura, como dizem, da identidade do sacerdote.
Que
claras resultam estas palavras da Santa de Sena!
Qual
é a identidade do sacerdote?
A
de Cristo.
Todos
os cristãos podem e devem ser, não já alter
Christus, mas ipse Christus:
outros Cristos, o próprio Cristo!
Mas
no sacerdote isto dá-se imediatamente, de forma sacramental.
SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
(cont)
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