02/12/2016

Um só coração e uma só alma

Hás-de ser, como filho de Deus e com a sua graça, varão ou mulher forte, de desejos e de realidades. Não somos plantas de estufa. Vivemos no meio do mundo e temos de estar a todos os ventos, ao calor e ao frio, à chuva e aos ciclones..., mas fiéis a Deus e à sua Igreja. (Forja, 792)

O trabalho da Igreja, cada dia, é como um grande tecido que oferecemos a Nosso Senhor, porque todos os baptizados somos Igreja.

Se cumprirmos – fiéis e entregues –, este grande tecido será formoso e sem defeito. Mas, se se solta um fio aqui, outro ali e outro pelo outro lado..., em vez de um bonito tecido, teremos um farrapo feito em tiras. (Forja, 640)

Pede a Deus que na Santa Igreja, nossa Mãe, os corações de todos, como na primitiva cristandade, sejam um só coração, para que até ao fim dos séculos se cumpram de verdade as palavras da Escritura: "multitudinis autem credentium erat cor unum et anima una", a multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma.

– Falo-te muito seriamente: que por tua causa não se lese esta unidade santa. Leva isto à tua oração! (Forja, 632)


Oferece a oração, a expiação e a acção por esta finalidade: "ut sint unum!", para que todos os cristãos tenham uma mesma vontade, um mesmo coração, um mesmo espírito: para que "omnes cum Petro ad Iesum per Mariam!", todos, bem unidos ao Papa, vamos a Jesus, por Maria. (Forja, 647)

Reflectindo - 213

Ética

Levantam-se muitas questões e com muita frequência sobre este tema.

O que é, no fim e ao cabo, a ÉTICA?

Há, evidentemente, inúmeras fontes onde beber a informação, desde Santo Agostinho e São Tomás de Aquino – duas mentes cujo brilho se estende pelos séculos – a muitos outros mais recentes.

Mas eu sou um simples homem com algumas preocupações e muitos desejos de saber. Não me atrevo a colocar-me a qualquer nível de “pensador” mesmo simples e sem projecção (que aliás não procuro) mas apenas expor o que penso sobre o assunto.

Para mim a ética não passa de um conceito de comportamento pessoal.
Trata-se de fazer, pensar ou até desejar com são critério e honestidade intelectual.

Digamos que actuamos dentro de balizas que nós próprios definimos como as ideais e que mantemos fixas sejam quais forem as circunstâncias ou ambientes.

Não sendo perfeitos ansiamos, contudo pela perfeição, não sendo exemplares, desejamos não obstante estar acima de qualquer crítica ou avaliação.
Quanto a mim, estes desideratos, de altíssimo nível, não se conseguem sem simplicidade e honestidade.

Quanto à simplicidade parece-me óbvio: o que é evidente é!

No que respeita à honestidade julgo que está definido: se é correcto é honesto.

Vejamos o drama (as trapalhadas) dos incidentes com entidades bancárias - por exemplo – e qual, na minha opinião, a verdadeira razão porque acontecem.
Porque não houve ética no comportamento e, logo, honestidade no procedimento.

‘Este dinheiro não é meu, foi-me entregue em confiança para que o administrasse conforme propus a quem mo confiou’.

Este é o princípio ético que deveria estar sempre presente na actividade das pessoas que se dedicam e estes negócios.

Não observado acontece a desonestidade… tout court!

O comportamento não pode – não se admite – ser elástico, maleável, adaptável, não se é honesto gradualmente: ou se é ou não!

A ética é, portanto, essa barreira que impede saltar para procura de uma solução de um problema criando um outro que, por acumulação, se torna mais grave e com consequências de muito mais vasta proporção.

Mas no exercício da profissão ou no comportamento usual a ética tem de estar presente como um “regulamento” concreto – não empírico – livremente aceite e, por isso mesmo, de observância real.

A ética tem a ver – eminentemente – com o conceito de moral (podem até fundir-se), ou seja: eu não sou um ser isolado nem livre em termos absolutos porque tenho de considerar que nalgum momento, dependo de alguém e alguém depende de mim e que não posso fazer seja o que for só porque me apetece mas sempre ter em devida conta se o que me apetece fazer colide de alguma forma – ténue ou não – com o outro, o próximo.

A ética, assim, serve de escudo protector às decisões tomadas sem devida ponderação – neste caso não passarão de reacções – e vistas à lupa de critério são e bem informado.


(ama, reflexões, Cascais, 22.09.2016)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Mt 9, 27-31

27 Partindo dali Jesus, seguiram-n'O dois cegos, gritando e di­zendo: «Tem piedade de nós, Filho de David!». 28 Tendo chegado a casa, aproximaram-se d'Ele os cegos. E Jesus disse-lhes: «Credes que posso fazer isto?». Eles responderam: «Sim, Senhor». 29 Então tocou-lhes os olhos, dizendo: «Seja-vos feito segundo a vossa fé». 30 E abri­ram-se os seus olhos. Jesus deu-lhes ordens terminantes, dizendo: «Cuidado, que ninguém o saiba». 31 Mas eles, retirando-se, divulgaram por toda aquela terra a Sua fama.

Comentário:

De facto, ver Jesus, é, deve ser, a aspiração de qualquer ser humano.

Pode imaginar-se a alegria destes dois homens:

não só passam a ver como, a primeira imagem que têm, é a do Rosto amabilíssimo de Jesus.

É algo tão extraordinário que não obstante as recomendações do Senhor, não conseguem esconder a sua alegria nem calar as acções de graças que lhes vêm da alma.

Calculamos - pobre e palidamente - como será o nosso júbilo quando, um dia, contemplarmos a Face de Cristo sabendo que essa visão magnífica será para sempre!

(ama, comentário sobre Mt 9, 27-31, Convento, Monte Real, 02.12.2001)





Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO XII

CRISTO É A VERDADE QUE ENSINA INTERIORMENTE

AGOSTINHO

– Ora, se para as cores precisamos de luz, e para as outras coisas que nosso corpo percebe interpelamos os elementos do mundo, os objectos percebidos e os próprios sentidos são instrumentos de que a mente se serve para conhecer as coisas externas.

Todavia, para aquelas coisas que conhecemos pela inteligência consultamos, por meio da razão, a verdade interior; e o que diremos, para que fique claro, senão que pelas palavras nada mais aprendemos além do som que atinge nosso ouvido?

Pois todas as coisas que percebemos, ou são apanhadas pelos sentidos físicos ou pela mente.

Chamamos às primeiras “sensíveis”, e às segundas “inteligíveis” ou, para usar a linguagem de nossos autores, às primeiras “carnais” e às segundas “espirituais”.

Quanto às primeiras, se estiverem ao nosso alcance podemos responder, como quando estamos olhando a lua, e alguém nos pergunte o que é ou onde ela está.
Neste caso, quem pergunta, se não enxergam acredita ou não nas nossas palavras, mas não aprende de modo algum; a menos que também veja o que lhe está sendo afirmado e, nesse caso, não aprende pelo simples som das palavras, mas pelas próprias coisas e que fecha os seus sentidos.

As palavras, pois, têm o mesmo som para quem vê, como para quem não vê.
Se, porém, somos indagados, não sobre as coisas presentes, mas sobre as que percebemos outrora, respondendo, não fazemos referências às mesmas, mas às suas imagens gravadas na nossa memória; não sei como poderíamos chamar tais imagens de verdadeiras, pois percebemos serem falsas, a não ser que acrescentemos que sua visão e percepção não são actuais, mas pretéritas.

Portanto, nós gravamos nos meandros da memória as imagens como documentos das coisas que percebemos; contemplando-as com honestidade na nossa mente, não mentimos quando falamos.

Mas estes são documentos válidos só para nós, pois quem nos ouve, se as percebeu ou presenciou, não as aprende pelas minhas palavras, mas as reconhece nas imagens que também levou consigo;todavia, se nunca as percebeu, todos concordarão que ele mais do que aprender, crê nas palavras.

Tratando das coisas que percebemos pela mente, isto é, por meio do intelecto e da razão, estamos ainda tratando de coisas que temos como presentes, sob a luz interior da verdade, que ilumina o homem interior, que dela desfruta.

Mas também aqui nosso interlocutor conhece o que eu digo pela sua própria contemplação, e não mediante minhas palavras, posto que ele também veja por si a mesma coisa com olhos interiores e simples.

Portanto, nem sequer a este, que vê as coisas na verdade, ensino algo dizendo-lhe a verdade, uma vez que não aprende pelas minhas palavras, mas pelas próprias coisas que Deus a ele revela no seu interior; e ele, interrogado sobre elas, sem mais, poderia responder.

Ora, haverá absurdo maior que acreditar que minhas palavras possam ter instruído aquele que, interrogado antes da minha prelecção, poderia responder sobre o assunto?

O caso, que ocorre com frequência, de alguém interrogado negar algo e depois, estimulado por perguntas ulteriores, vir a concordar, depende da fraqueza da sua visão que não pode abarcar todas as coisas pela luz interior, e a isto sendo levado, por partes sucessivas, pelas perguntas inerentes às mesmas partes de uma verdade única, que ele não podia intuir, de uma só vez, no seu conjunto.

Se chegar a tal por meio das perguntas, não significa que as palavras lhe ensinaram alguma coisa, mas apenas que lhe ofereceram um meio, uma capacidade para enxergar no seu interior.

Seria assim se eu te arguisse sobre o que estamos tratando agora, isto é, se é possível ensinar algo pelas palavras, e tu, na incapacidade de abranger com a mente a questão inteira, julgasses, no primeiro momento, absurda a pergunta.

Por isso, foi preciso apresentar a pergunta na medida da tua capacidade de ouvir o mestre interior, e dizer-te as coisas que, quando ouves, confessas com certeza serem verdadeiras e que afirmas conhecê-las bem; onde aprendeste?

Responderias, talvez, que fui eu quem tas ensinou?

E então eu perguntaria:

Como? Se eu te afirmasse ter visto um homem voando, as minhas palavras dar-te-iam tanta certeza como se me ouvisses dizer que os homens sábios são melhores que os tolos?

Certamente, depois de negar, responderias não acreditar na primeira ou, mesmo que acreditasses, que ela é para ti completamente desconhecida, e, no entanto, que sabes com certeza a segunda.

Compreenderias, pois com clareza que nada aprendeste com minhas palavras: nem aquilo que ignoravas, nem aquilo que já sabias optimamente; pois jurarias, ao ser interrogado parte por parte sobre as duas coisas, que a primeira te era desconhecida e a segunda, conhecida.

E então chegarias a admitir tudo o que antes negavas ao reconhecer como claras e certas as partes que compõem a questão; isto é, que a respeito de tudo o que falamos, quem nos está ouvindo ou desconhece se não verdadeiras, ou sabe que são falsas, ou sabe que são verdadeiras.

No primeiro caso, ou crê, ou opina, ou duvida; no segundo, nega; no terceiro, afirma, mas em nenhum dos três aprende.

Tanto aquele que depois de me ouvir ignora a coisa, como quem reconhece que ouviu falsidades e como quem, interrogado, poderia repetir o que foi dito, demonstra que nada aprendeu pelas minhas palavras.

(Revisão de versão portuguesa por ama

Lições de São João Paulo II - 8

Lições de São João Paulo II



8 – A santidade é a força mais poderosa para levar Cristo ao coração dos homens.



(12 Lições de são joão paulo II)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





01/12/2016

Evangelho e comentário

Tempo da Quaresma


Evangelho: Lc 11, 14-23

Naquele tempo, Jesus estava a expulsar um demónio que era mudo. Logo que o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada. Mas alguns dos presentes disseram: «É por Belzebu, príncipe dos demónios, que Ele expulsa os demónios». Outros, para O experimentarem, pediam-Lhe um sinal do céu. Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse: «Todo o reino dividido contra si mesmo, acaba em ruínas e cairá casa sobre casa. Se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. Ora, se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Mas se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então quer dizer que o reino de Deus chegou até vós. Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança. Mas se aparece um mais forte do que ele e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. Quem não está comigo está contra Mim e quem não junta comigo dispersa».

Comentário:

Por mais absurdas que possam ser as alegações dos que manifestamente estão contra Ele, o Senhor nunca deixa de responder.
Há um claro objectivo de instruir o povo que o rodeia que, na ausência de uma resposta Sua poderia ficar a pensar se os outros não teriam razão.

É um exemplo que todos os cristãos devemos seguir, não deixar de esclarecer o erro - por mais crasso ou ridículo que possa apresentar-se - e repor a verdade tal qual é.

(ama, comentário sobre LC 11, 14-23 2016.03.03)






Fome e sede dele e da Sua doutrina

Sem a vida interior, sem formação, não há verdadeiro apostolado nem obras fecundas: o trabalho é precário e, inclusivamente, fictício. Que responsabilidade, portanto, a dos filhos de Deus! Temos de ter fome e sede dele e da sua doutrina. (Forja, 892)

Às vezes, com a sua actuação, alguns cristãos não dão ao preceito da caridade o valor máximo que tem. Cristo, rodeado pelos seus, naquele maravilhoso sermão final, dizia à maneira de testamento: "Mandatum novum do vobis, ut diligatis invicem", dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros.

E ainda insistiu: "In hoc cognoscent omnes quia discipuli mei estis", nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.

Oxalá nos decidamos a viver como Ele quer! (Forja, 889)

Se faltar a piedade – esse laço que nos ata a Deus fortemente e, por Ele, aos outros, porque neles vemos Cristo –, é inevitável a desunião, com a perda de todo o espírito cristão. (Forja, 890)

Agradece com todo o coração a Nosso Senhor as potências admiráveis... e terríveis, da inteligência e da vontade com que quis criar-te. Admiráveis, porque te fazem semelhante a Ele; terríveis, porque há homens que as põem contra o seu Criador.


A mim, como síntese do nosso agradecimento de filhos de Deus, ocorre-me dizer a este Pai-nosso, agora e sempre: "Serviam!" – Servir-te-ei! (Forja, 891)

Temas para meditar - 672

Advento

Perante a vinda eminente do Senhor, os homens devem dispor-se interiormente, fazer penitência dos seus pecados, rectificar a sua vida para receber a graça especial divina que traz o Messias. Tudo isso significa esse aplanar os montes, rectificar e suavizar os caminhos de que fala o Baptista. (...)


A Igreja na sua liturgia do Advento anuncia-nos todos os anos a vinda de Jesus Cristo, Salvador nosso, e exorta cada cristão a essa purificação da sua alma mediante uma renovada conversão interior.

(Bíblia Sagrada Fac. Teol. Univ. Navarra coment. Lc 3 4-6)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Mt 7, 21. 24-27

21 «Nem todo o que Me diz: “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos Céus, mas só o que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus.
24 «Todo aquele, pois, que ouve estas Minhas palavras e as observa será semelhante ao homem prudente que edificou a sua casa sobre rocha. 25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram e investiram os ventos contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava fundada sobre rocha. 26 Todo aquele que ouve estas Minhas palavras e não as pratica será semelhante a um homem insensato que edificou a sua casa sobre areia. 27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram e investiram os ventos contra aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína».

Comentário:

Hoje o Senhor fala-nos sobre a prudência que é, como sabemos, um fruto do Espírito Santo.

E dá, como quase sempre faz, um exemplo bem gráfico e eloquente que, no fundo quer dizer que devemos pensar bem sobre o que fazemos e como fazemos não suceda que todo o trabalho feito se revele não só inútil, mas, até, traga consequências desastrosas.

Ouvir a Palavra de Jesus não basta, portanto, é necessário colocá-la em obras bem estruturadas confiando que, se assim fizermos, entraremos no Reino dos Céus nosso último objectivo.

(ama, comentário sobre Mt 7, 21. 24-27, 06.10.2016)

Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO XI

NÃO APRENDEMOS PELAS PALAVRAS QUE REPERCUTEM

EXTERIORMENTE, MAS PELA VERDADE QUE ENSINA INTERIORMENTE 

AGOSTINHO

– Limitado o valor das palavras, e delas direi, querendo valorizá-las, que apenas estimulam a procurar as coisas, sem, porém, mostrá-las para que as conheçamos.

No entanto, aquele que me apresenta alguma coisa, quer aos sentidos corporais, quer à mente, ensina-me de facto as coisas que quero conhecer.

Com as palavras não aprendemos senão palavras; de mais a mais, o som das palavras, pois se não for sinal tão pouco é palavra, não vejo como possa ser palavra, som que ouvi pronunciado como sendo palavra, até que lhe conheça o significado.

O sentido completo das palavras, se consegue apenas depois de conhecer as coisas; e ao contrário, ouvindo somente as palavras, não aprendemos nem sequer estas.

De facto, não tivemos conhecimento das palavras que aprendemos senão depois de perceber seu significado, o que acontece não ouvindo as vozes que as proferem, mas pelo conhecimento das coisas significadas.

Ao ouvirmos palavras, é perfeitamente razoável saber ou não o que significam; se o sabemos, não foram elas que no-lo ensinaram, apenas o recordaram; se não o sabemos, nem sequer o recordam, mas talvez nos estimulem a procurá-lo.

Ora, daqueles objectos que servem para cobrir a cabeça e dos quais apenas ouvimos o nome (coifas), só podemos adquirir a noção depois de vê-los; portanto, nem sequer o seu nome conhecemos completamente, não antes de conhecermos os próprios objectos.

Todavia, podes afirmar que de nenhum modo senão pelas palavras, aprendemos o que se narra a respeito dos três jovens, aqueles que com a sua fé e religião venceram o rei e as chamas, quais os hinos de louvor que cantaram a Deus; quais as honras que mereceram do próprio inimigo; responder-te-ei que já conhecíamos todas as coisas significadas por aquelas palavras.

Pois eu já tinha na minha mente o que significa três jovens, o que é forno, o que é fogo, o que é rei, o que quer dizer ser preservado do fogo, e por fim, as demais coisas significadas por aquelas palavras.
 Mas, como aquelas “saraballae” (coifas), ficam para mim desconhecidos os jovens Ananias, Azarias e Misael; nem os seus nomes me ajudaram a conhecê-los.

E confesso que, mais que saber, posso afirmar minha crença que tudo o que se lê naquela narração histórica tenha ocorrido naquele tempo assim como foi escrito; e os próprios historiadores a que emprestamos fé não ignoravam esta diferença.

Diz o profeta: “Se não credes, não entendereis”; e certamente não diria isto se não tivesse por necessário estabelecer uma diferença entre as duas coisas.

Por isso, creio tudo o que entendo, mas nem tudo o que creio entendo. Tudo o que compreendo conheço, mas nem tudo o que creio conheço. Eu sei quanto é útil crer também em muitas coisas que não conheço, utilidade que se aplica também na história dos três jovens.

Como não posso saber a maioria das coisas, sei, porém, que é útil acreditar nelas.

Quanto às coisas que compreendemos, não consultamos a voz de quem fala, que é exterior, mas a verdade que dentro de nós reside, em nossa mente, estimulados talvez pelas palavras a consultá-la.
Quem é consultado ensina em verdade, e este é o Cristo que habita, como foi dito, no homem interior, isto é, a virtude única de Deus e a eterna Sabedoria, que toda alma racional consulta, mas que se revela ao homem na medida da sua própria boa ou má vontade.
E se ocorre o erro, isto não acontece por falha da verdade consultada, como não é por erro da luz externa que os olhos se enganam; esta luz que consultamos a respeito das coisas visíveis, para que no-las torne claras na proporção em que nos é permitido distingui-las.


(Revisão de versão portuguesa por ama

Lições de São João Paulo II - 7

Lições de São João Paulo II



7 – A Igreja existe para levar os seus filhos a serem santos.



(12 Lições de são joão paulo II)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão



Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






30/11/2016

Conversei com Ele?

É possível que te assuste esta palavra: meditação. Faz-te lembrar livros de capas negras e velhas, ruído de suspiros ou rezas como cantilenas rotineiras... Mas isso não é meditação. Meditar é contemplar, considerar que Deus é teu Pai, e tu seu filho, necessitado de ajuda; e depois dar-lhe graças pelo que já te concedeu e por tudo o que te há-de dar. (Sulco, 661)


Para o teu exame diário: – Deixei passar alguma hora sem falar com o meu Pai, Deus? – Conversei com Ele com amor de filho? Acredita que és capaz!! (Sulco, 657)


O único meio de conhecer Jesus: privar com Ele! N'Ele encontrarás sempre um Pai, um Amigo, um Conselheiro e um Colaborador para todas as actividades honestas da tua vida quotidiana...

E, com esse convívio, gerar-se-á o Amor. (Sulco, 662)

"Fica connosco, porque anoitece!...". Foi eficaz a oração de Cléofas e do companheiro.


Que pena, se tu e eu não soubéssemos "deter" Jesus que passa! Que dor, se não Lhe pedirmos que fique connosco! (Sulco, 671)

Temas para meditar - 671

Rectidão de intenção


Aquele que actua sempre com espírito de obediência pode estar seguro que não terá de dar a Deus contas das suas acções.


S. filipe de neri Maxim’s F. W. Faber Cromwell Press SN12 8PH nr. 4-17

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Lc 21, 34-36

34 «Velai, pois, sobre vós, para que não suceda que os vossos corações se tornem pesados com o excesso do comer e do beber e com os cuidados desta vida, e para que aquele dia não vos apanhe de improviso; 35 porque ele virá como uma armadilha sobre todos os que habitam a superfície de toda a terra. 36 Vigiai, pois, orando sem cessar, a fim de que vos torneis dignos de evitar todos estes males que devem suceder, e de aparecer com confiança diante do Filho do Homem»

Comentário:

Jesus Cristo não dramatiza, mas avisa solene e seriamente sobre a necessidade de vigiar e orar sem descanso.


Para ser-mos dignos de evitar os males que anuncia e ganhar-mos a confiança para nos apresentar-mos na Sua presença Ele próprio nos diz como fazer:


«Velai, pois, sobre vós, para que não suceda que os vossos corações se tornem pesados com o excesso do comer e do beber e com os cuidados desta vida»


Livres de amarras e nós apertados, de preocupações excessivas com o bem-estar e a vida diária, das amizades dúbias, agindo com critério simples e bem informado.

(ama, comentário sobre Lc 21, 34-36, 28.09.2016)






Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO X
SE É POSSÍVEL ENSINAR ALGO SEM SINAIS.
AS COISAS NÃO SE APRENDEM PELAS PALAVRAS

AGOSTINHO

– Lembras quantas voltas demos para chegar a tão modesto resultado? Desde o começo da nossa conversa, que dura já um bom tempo, fatigamo-nos bastante para descobrir estas três coisas:
1) se era possível ensinar sem sinais;
2) se havia sinais preferíveis às coisas que expressam;
3) se o conhecimento das coisas pode ser melhor que os sinais.
Mas há ainda uma quarta que gostaria de saber agora: se as coisas que encontramos, estão para ti claras e não te deixam possibilidade de dúvida.

ADEODATO
– Seria mesmo agradável, depois de tantos rodeios, que tivéssemos chegado à certeza, mas esta pergunta gera em mim certa inquietação, que me impede de assentir.
Tenho a impressão que tal não me perguntarias se não tivesses alguma objeção a apresentar: e o emaranhado do assunto não me permite ver tudo e responder com segurança, pois, entre tantos véus, temo que se esconda algo que os olhos da minha mente não possam divisar.

AGOSTINHO

– Agrada-me a tua dúvida, porque revela uma alma sem leviandade, e isto garante imensamente a tranquilidade.
É de facto difícil não se perturbar quando o que nós tínhamos como ponto de consenso fácil e pacífico é derrubado e como que arrebatado das mãos por discussões.
Por isso, como é justo ceder depois de observar e examinar bem os motivos, assim é perigoso conservar como coisa certa o que não é.
Às vezes, quando desmorona aquilo que tínhamos como estável e permanente, pode haver o receio que se gere tão grande aversão ou medo da razão, que nos pareça não podermos mais depositar nossa fé nem sequer na verdade mais evidente.
Mas, vamos adiante?
Reexaminemos, agora um pouco mais rapidamente, se tens razão de duvidar.
Pergunto: se alguém, que não conheça as armadilhas que se tendem aos pássaros com varas e visco, deparasse com um caçador com este arnês, e que vá indo pelo caminho sem ter começado ainda a sua tarefa e, vendo o caçador, apressasse o passo, e estranhando no seu íntimo tudo aquilo, se perguntasse o que poderiam significar aqueles apetrechos; e o caçador, sentindo-se observado e admirado, para fazer mostra de si, exibisse a cana e o falcão, conseguisse atrair e apanhar um passarinho, diga-me: o caçador, sem usar de sinais, mas usando a própria coisa, não estaria a ensinar ao seu espectador o que esse queria saber?

ADEODATO

– Parece-me que o caso é semelhante àquele que mencionei, isto é, de quem pergunta o que é caminhar.
Neste caso também não acho que foi mostrada toda a arte de caçar.

AGOSTINHO

– É simples desfazer-se desta impressão; eu acrescento: se aquele espectador fosse inteligente o bastante para compreender por inteiro a arte de caçar só pelo que viu, isto bastaria para demonstrar que alguns homens podem ser ensinados sem sinais sobre algumas coisas, embora não sobre todas.

ADEODATO

– No caso, também posso acrescentar isto: quem pergunta o que é caminhar, se for bem inteligente, compreenderá por inteiro o que é caminhar, bastando que se lhe mostrem uns poucos passos.

AGOSTINHO

– Podes, eu concordo com prazer.
Chegamos, pois, a esse resultado, ou seja, que umas coisas podem ser ensinadas sem sinais, sendo portanto falso aquilo que há pouco nos parecia verdadeiro, isto é, não existir nada que se possa mostrar ou ensinar sem sinais; e acode à nossa mente não uma ou duas coisas, mas milhares que, sem precisar de sinal algum podem mostrar-se por si mesmas.
Poderemos, pois, duvidar, eu te pergunto?
Sem considerar os muitos espectáculos em que uns actores representam nos teatros as coisas sem usar sinais, Deus e a natureza não apresentam e mostram por si mesmos, ao observador, o sol e a luz, que tudo banha e recobre, a lua e as estrelas, a terra e os mares com infinidade de criaturas que os habitam?

Todavia, se observarmos isto com maior atenção, talvez não encontremos nada que se possa aprender pelos seus próprios sinais.
De facto, se me for apresentado um sinal e eu não souber de que coisa é o sinal, este nada poderá me transmitir; se, ao contrário, já souber de que é sinal, que estará me ensinando?
Assim, quando leio “Et saraballae eorum non sunt immutatae” (E as suas coifas não foram trocadas), a palavra (coifas) não me explica a coisa que significa.
Pois se uns objectos que servem para cobrir a cabeça têm este nome de ‘saraballae” (coifas), terei porventura, depois de ouvi-lo, aprendido o que é cabeça e o que é cobertura?
Ao contrário, eu já as conhecia antes, pois delas adquiri conhecimento sem que as ouvisse chamar assim por outrem, mas vendo-as com os meus próprios olhos.
Quando as duas sílabas da palavra “caput” (cabeça) soaram pela primeira vez ao meu ouvido, desconhecia o seu significado como quando ouvi e li pela primeira vez “saraballae”.
Porém, ouvindo repetidamente dizer “caput” (cabeça), e notando e observando a palavra quando era pronunciada, reparei facilmente que ela significava aquela coisa que eu bem conhecia, por tê-la visto.
Mas antes de entender seu significado, a palavra era para mim apenas um som, e aprendi que era um sinal quando a associei àquilo de que era sinal, e aprendi o seu significado pela visão directa do objecto.
Vemos, pois, que é mais pelo conhecimento da coisa que se aprende o sinal do que o contrário.
Para que compreendas isto com maior clareza, imagina que estejamos ouvindo agora, pela primeira vez, pronunciar a palavra “caput” (cabeça).
(Lembra-te que buscamos o conhecimento não da coisa que é significada, mas do próprio sinal, conhecimento que nós não temos enquanto ignorarmos o que sinaliza).
Se, na nossa pesquisa, nos mostrassem ou apontassem com o dedo a própria coisa, ao vê-la teríamos conhecimento do sinal; isto é, saberíamos o que quer dizer aquele sinal que tínhamos ouvido, mas não compreendido. No sinal há duas coisas: o som e o significado; ora, o som não foi certamente recebido como sinal de algo, mas como simples
verberação no ouvido, enquanto o significado foi apanhado pela visão da coisa que é significada.
Como o apontar do dedo só pode significar o objecto que o dedo está apontando, e como o dedo não está apontado pelo sinal, mas para a parte do corpo que se chama “caput” (cabeça), ocorre que, pelo gesto, não venho a conhecer a coisa, que já conhecia, nem o sinal que o dedo não estava apontado.
Mas não quero colocar grande ênfase no gesto de apontar o dedo, pois o tenho mais como sinal do acto de indicar do que das próprias coisas indicadas; vê o que ocorre quando dizemos: “ecce” (eis), e habitualmente acompanhamos este advérbio com o gesto de apontar como se não bastasse um só desses sinais para indicar.
E procurarei ao máximo convencer-te, se o puder, disto: que nada aprendemos por meio dos sinais chamados palavras; antes, como já disse, aprendemos o valor da palavra, ou seja, o significado oculto no som pelo conhecimento ou da percepção da coisa significada; mas não a própria coisa mediante o significado.
E o que disse da cabeça, poderia dizer do que serve para cobrir a cabeça e de infindáveis outras coisas; que, embora as conhecesse, nunca, até agora, tive o conhecimento daquelas “saraballae” (coifas). Se alguém com um gesto me apontasse estas “saraballae” (coifas) ou as pintasse, ou me mostrasse algo de parecido, não diria, como aliás poderia se quisesse falar um pouco mais, que não mas ensinou, mas que não me ensinou com as palavras o que está diante de mim. Se, ao tê-las diante de mim eu fosse avisado com as palavras:
Ecce saraballae” (eis as coifas), aprenderia uma coisa que não sabia, não pelas palavras que foram pronunciadas, mas pela visão directa da coisa em si, à qual associei o nome, cujo valor gravei.
Pois, quando aprendi a própria coisa, não acreditei nas palavras de outrem, mas nos meus olhos; talvez acreditasse também nelas, mas apenas como um alerta, ou seja, para procurar com os olhos o objecto em questão.


(Revisão de versão portuguesa por ama