28/11/2016

Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO IX

SE DEVEMOS PREFERIR AS COISAS, OU O

CONHECIMENTO DELAS, AOS SINAIS

AGOSTINHO

– Queria, pois, que bem compreendesse que são mais importantes as coisas significadas do que seus sinais.
Tudo o que existe em função de outra coisa, necessariamente tem valor menor que a coisa pela qual existe, se concordas com isso.

ADEODATO

– Parece-me impróprio concordar com isto sem refletir.
Quando, por exemplo, se diz:
coenum” (lamaçal), parece-me que este nome seja em muito superior à coisa que significa.
De facto, o que desagrada ao ouvirmos esta palavra não é o som; “coenum”, mudando apenas uma letra, torna-se “coelum” (céu), mas é evidente a enorme diferença que há entre as coisas que estes dois nomes significam. Por isso eu não teria por essa palavra toda a repulsa que tenho ao que significa, e, portanto, eu a prefiro a isso; pois menos desagrada o seu som do que ver ou tocar a coisa que significa.

AGOSTINHO

– Falas com sabedoria. Assim, não seria correcto afirmarmos que todas as coisas têm valor superior aos sinais que as exprimem.

ADEODATO

– Assim parece.

AGOSTINHO

– Diz-me, então, qual seria a intenção dos que deram um nome a coisa tão feia e desagradável? Tu os aprovas ou desaprovas?

ADEODATO

– Na verdade, não me acho em condição nem de aprová-los nem de desaprová-los, e também não sei que intenção tiveram.

AGOSTINHO

– Poderás, ao menos, dizer-me qual a tua intenção, a finalidade de pronunciares esse nome?

ADEODATO

– Sim; ao pronunciá-lo, quero avisar ou ensinar ao meu interlocutor aquilo que julgo necessário avisá-lo ou ensiná-lo.

AGOSTINHO

– Como? O facto de ensinar e avisar, ou de receber tal ensinamento, facilmente expresso com este nome, não deveria talvez ser-te mais caro que a própria palavra?

ADEODATO

– Admito que o conhecimento obtido por este sinal seja preferível ao próprio sinal, mas não preferível à coisa em si.

AGOSTINHO

– Então, no que acima afirmamos, embora seja falso que devemos sempre preferir as coisas aos seus sinais, é verdade que tudo o que existe em função de outra coisa tenha valor menor que a coisa pela qual existe.
O conhecimento, pois, do lamaçal, para o qual foi instituído esse nome, há de ser considerado mais que a palavra que, por sua vez, vimos ser preferível ao próprio lamaçal. E é bem esse o motivo do conhecimento ser preferível ao sinal de que estamos tratando, pois este existe devido àquele e não aquele por causa deste.
Assim, aquele glutão, devotado ao ventre, conforme relata o Apóstolo, quando disse que vivia para comer, foi contestado por um homem sóbrio, que lhe ouviu as palavras e, não tolerando-as, assim o redarguiu:
“Bem melhor seria que comesses para viver”; e vemos que o sóbrio falou assim seguindo essa mesma regra (regra que estabelece que tudo o que é devido a outra coisa, como no caso de comer que é subordinado ao viver – é inferior à coisa pela qual existe).
O comilão desagradou porque avaliava tão miseravelmente sua vida, que a tinha em menor conta que os prazeres do paladar, afirmando viver para comer.
O homem sóbrio é digno de louvor porque, compreendendo qual das duas coisas (comer e viver) é feita para a outra, ou seja, qual está subordinada à outra, alertou que devíamos comer para viver e não viver para comer.
Do mesmo modo, tu e todo homem sensato que aprecie as coisas pelo seu valor e justo lado, se um charlatão afirmasse:
“Ensino para falar”, lhe responderias:
“Homem, não seria melhor falar para ensinar?”
Ora, se tais coisas são verdadeiras, como aliás reconheces, observa quanto as palavras têm menor importância, em comparação com aquilo por que as usamos; sendo que o próprio uso das palavras já é mais importante do que elas próprias.
As palavras, pois, existem para que as usemos, e as usamos para ensinar.
Por isso, ensinar é melhor que falar, e assim o discurso é melhor que a palavra.
Muito melhor que as palavras é, portanto, a doutrina.
Mas quero ouvir de ti se por acaso tenhas algo a opor.

ADEODATO

– Concordo em que a doutrina seja preferível às palavras; mas talvez se possa levantar objecção contra a regra que diz:
“tudo o que existe em função de outra coisa é inferior aquilo pelo qual existe”.

AGOSTINHO

– Trataremos disto a seu tempo e com mais detalhes: por enquanto, o que concedes já basta para que eu chegue aonde me proponho.
Concordas, pois, que o conhecimento das coisas é mais importante que os sinais que as exprimem.
Por isso, o conhecimento das coisas significadas deve ser preferido ao conhecimento dos sinais, não te parece?

ADEODATO

– Mas eu disse, por acaso, que o conhecimento das coisas não é superior ao dos sinais, ou melhor, que é superior aos próprios sinais?
Por isto hesito em concordar contigo neste ponto.
Se o nome “lamaçal” é melhor que seu significado, por que o conhecimento deste nome não haveria de ser também melhor que o da coisa, embora o nome em si seja inferior aquele conhecimento?
Lidamos aqui com quatro termos: nome, coisa, conhecimento do nome e conhecimento da coisa.
Como o primeiro é superior ao segundo, por que também o terceiro não seria superior ao quarto? E, em não lhe sendo superior, acaso lhe estaria subordinado?

(Revisão de versão portuguesa por ama)

Lições de São João Paulo II - 4

Lições de São João Paulo II



4 – Um jovem cristão deixa de ser jovem, e há muito não é cristão, quando se deixa enganar pelo princípio fácil e cómodo, de que “o fim justifica os meios”.



(12 Lições de são joão paulo II)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Diálogos apostólicos

Diálogos apostólicos II Parte
24 - [1]

Acaba este mês de Novembro e parece-me ter chegado a uma conclusão: não há qualquer motivo para ter medo da morte. Achas que conclui acertadamente?

Respondo:

Claro que sim e fico muito contente por isso.

Viver é uma contínua graça de Deus porque só Ele nos mantém vivos.
Donde viver – como disse antes – como Ele quer e deseja só pode ser muito bom para nós.

Tranquilamente, dia a dia, minuto a minuto, sem perder tempo com o dia de amanhã que não sabemos se chegará mas com o de hoje aquele que estamos a viver. 

Esse é que importa. 

Projectos, sonhos, quimeras podem ser muito bonitos mas de nada valerão sem esse labor diário e constante por levar uma vida digna e correcta. [i]


[1] Nota: Normalmente, estes “Diálogos apostólicos”, são publicados sob a forma de resumos e excertos de conversas semanais. Hoje, porém, dado o assunto, pareceu-me de interesse publicar quase na íntegra.



[i] ama, diálogos apostólicos,

Bento XVI – Pensamentos espirituais 122

Um incrível realismo


A verdadeira novidade do Novo Testamento não reside em novas ideias, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos - um incrível realismo.

Encíclica Deus Caritas Est, n.a 12

(Fevereiro de 2006)


 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




27/11/2016

Sendo crianças, não tereis penas

Sendo crianças, não tereis penas: os miúdos esquecem depressa os desgostos para voltar aos seus divertimentos habituais. – Por isso, com o "abandono", não tereis de vos preocupar, pois descansareis no Pai. (Caminho, 864)

Por volta dos primeiros anos da década de 40, eu ia muito a Valência. Não tinha então nenhum meio humano e, com os que – como vocês agora – se reuniam com este pobre sacerdote, fazia oração onde podíamos, algumas tardes numa praia solitária. (...)
Pois um dia, ao fim da tarde, durante um daqueles pores do Sol maravilhosos vimos que uma barca se aproximava da beira-mar e que saltaram para terra uns homens morenos, fortes como rochas, molhados, de tronco nu, tão queimados pela brisa que pareciam de bronze. Começaram a tirar da água a rede que traziam arrastada pela barca, repleta de peixes brilhantes como a prata. Puxavam com muito brio, os pés metidos na areia, com uma energia prodigiosa. De repente veio uma criança, muito queimada também, aproximou-se da corda, agarrou-a com as mãozinhas e começou a puxar com evidente falta de habilidade. Aqueles pescadores rudes, nada refinados, devem ter sentido o coração estremecer e permitiram que aquele pequeno colaborasse; não o afastaram, apesar de ele estorvar em vez de ajudar.
Pensei em vocês e em mim; em vocês, que ainda não conhecia e em mim; nesse puxar pela corda todos os dias, em tantas coisas. Se nos apresentarmos diante de Deus Nosso Senhor como esse pequeno, convencidos da nossa debilidade mas dispostos a cumprir os seus desígnios, alcançaremos a meta mais facilmente: arrastaremos a rede até à beira-mar, repleta de frutos abundantes, porque onde as nossas forças falham, chega o poder de Deus. (Amigos de Deus, 14)


Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Mt 24, 37-44

37 Assim como aconteceu nos dias de Noé, assim será também a segunda vinda do Filho do Homem. 38 Nos dias que precederam o dilúvio os homens comiam e bebiam, casavam-se e casavam os seus filhos, até ao dia em que Noé entrou na arca, 39 e não souberam nada até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem. 40 «Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e o outro será deixado. 41 De duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e a outra deixada. 42 «Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora virá o vosso Senhor. 43 Sabei que, se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria, sem dúvida, e não deixaria arrombar a sua casa. 44 Por isso estai vós também preparados, porque virá o Filho do Homem na hora em que menos pensais

Comentário:

Começa o Advento.

Tempo de reconvenção e preparação.

Reconvenção porque importa examinar o ano que passou, o que fizemos e o que deveríamos ter feito mas, por esta ou aquela razão, não fizemos.

Porque não o fizemos?

Será que prevaleceu uma espécie de critério ou escolha pessoal sobre o que – sabemos pela Doutrina e pela Fé – seria conveniente fazer?

Este tempo litúrgico que agora começa é ideal para essa descida ao nosso íntimo, despir as roupagens que nos pesam, cortar os laços que nos prendem e, assim, de “alma lavada” deitar “mãos à obra” enquanto temos tempo.

(ama, comentário sobre Mt 24, 37-44, 28.11.2016)




Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO VIII

NÃO SE DISCUTEM INUTILMENTE ESTAS QUESTÕES.
ASSIM, PARA RESPONDER ÀQUELE QUE INTERROGA,
DEVEMOS DIRIGIR A MENTE,
DEPOIS DE PERCEBER OS SINAIS,
ÀS COISAS QUE ESTES SIGNIFICAM

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AGOSTINHO

– Qual motivo então te fez preferir tomar só a palavra do meio (homo) segundo o som e o significado?

ADEODATO

– Mas agora tomo-a exclusivamente pelo seu significado. Concordo contigo não ser possível conversar se a mente, ouvidas as palavras, não evocar logo as coisas de que aquelas são sinais. Por isso, mostra-me como eu pude ser enganado por esse raciocínio, que concluiu que não sou homem.

AGOSTINHO

– Será mais oportuno reapresentar-te as mesmas perguntas, para que tu possas perceber por ti mesmo onde erraste.

ADEODATO

– Está bem.

AGOSTINHO

– Não vou perguntar-te o mesmo que antes, pois já o concedeste. Antes, observa com mais atenção, se na palavra “homo” (homem) a sílaba “ho” é outra coisa que não “ho” e a sílaba “mo” nada mais que “mo”.

ADEODATO

– Não vejo, na realidade, nada além disso.

AGOSTINHO

– Observa ainda se, ao juntar estas duas sílabas, se pode fazer um homem.

ADEODATO

– Absolutamente te concederia isto, uma vez que concordamos, acertadamente, que, depois de ouvir o sinal, a mente examina o seu significado, e só após o exame concede ou nega o que foi proposto.
Mas aquelas duas sílabas, quando separadas, soam sem qualquer significado, e por isso ficou assente que têm valor apenas como som.

AGOSTINHO

– Estás, pois, convicto que não se deve responder às perguntas senão de acordo com as coisas que as palavras significam?

ADEODATO

– Não vejo como haveria de concordar com isto, desde que se trate de palavras.

AGOSTINHO

– Gostaria de saber o que responderias àquele zombeteiro que, dizem, fez sair um leão da boca do companheiro com quem discutia.
Após indagar-lhe se o que dizemos sai da nossa boca, e não lhe sendo possível nega-lo, induziu facilmente o interlocutor a proferir o nome “leão”; feito isso, começou a andar ao redor dele e escarnecê-lo, pois admira que aquilo que dizemos sai da  nossa boca e não podendo negar que proferira a palavra “leão”, estava assumindo que, sendo embora boa pessoa, vomitara um animal tão feroz.

ADEODATO

– Não seria difícil responder a esse brincalhão, pois eu não concordaria que tudo o que dizemos sai da nossa boca, uma vez que proferimos apenas sinais, e o que da nossa boca sai não é a coisa significada, mas o sinal que a significa; assunto este de que tratamos há pouco.

AGOSTINHO

– Com isso o refutarias correctamente; mas que me responderias se te perguntasse se homem é um nome?

ADEODATO

– Que mais haveria de ser?

AGOSTINHO

– Então, quando te vejo, vejo um nome?

ADEODATO

– Não.

AGOSTINHO

– Queres que te diga o que disso resulta?
ADEODATO

– Não te incomodes: eu mesmo, ao responder-te que um homem é nome quando me perguntaste se homem era nome, reconheço que declarei não ser eu homem, e fiz isto apesar de já termos estabelecido que só devemos admitir ou negar o que é dito conforme o significado das coisas.

AGOSTINHO

– Parece-me, todavia, que não foste incidir nesta reposta sem motivo, pois a própria lei da razão, gravada nas nossas mentes, pode iludir a tua vigilância. De facto, se te perguntasse o que é “homem”, responderias talvez: “animal”; porém, se te perguntasse que parte da oração é “homem”, só poderias responder correctamente dizendo “nome”; por aí concluímos que “homem” é nome e animal: o primeiro (ser nome) dizemos enquanto é sinal; o segundo (ser animal) quanto à coisa significada.
Se alguém, pois, me perguntasse se homem é nome, responderia que é, uma vez que esta pergunta deixa entender que a indagação é a respeito de “homem” só como sinal.

Se, ao contrário, me perguntar se homem é animal, anuirei mais facilmente porque, mesmo que se omitissem os termos “nome” e “animal” indagando apenas “o que é homem”, obedecendo àquela regra do falar que já estabelecemos, a minha mente voltar-se-ia para o significado daquelas duas sílabas e só poderia responder “animal”, e até poderia acrescentar a definição completa, isto é, “animal racional, mortal”; não te parece?

ADEODATO

– Certamente; mas, se concordamos que é um nome, como nos subtrairmos a conclusão desagradável de que não somos homens?

AGOSTINHO

– Demonstrando que a ela não se chegou pelo sentido das palavras, quando concordamos com o nosso interlocutor.
E se este quisesse deduzi-la da palavra considerada como sinal, nada haveria a temer, pois qual prejuízo haveria em confessar que não sou aquelas duas sílabas?

ADEODATO

– Nada mais verdadeiro. Mas por que então incomoda ouvir dizer: “Tu não és homem” uma vez que, pelo que já vimos, é uma verdade incontestável?

AGOSTINHO

– Por ser difícil evitar de pensar que aquela conclusão – ao ouvirmos estas duas sílabas – não se relacione com seu significado, pela regra de grande e natural valor, segundo a qual a nossa atenção, ao ouvirmos os sinais, volta-se logo para as coisas significadas.

ADEODATO

– Aceito quando dizes.

(Revisão de versão portuguesa por ama

Lições de São João Paulo II - 3

Lições de São João Paulo II



3 – Os mecanismos materialistas produzem, em nível internacional, ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres.



(12 Lições de são joão paulo II)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Tratado da vida de Cristo 136

Questão 49: Dos efeitos da paixão de Cristo

Art. 4 — Se pela Paixão de Cristo fomos reconciliados com Deus.

O quarto discute-se assim. — Parece que pela Paixão de Cristo não fomos reconciliados com Deus.

1. — Pois, a reconciliação não tem lugar entre amigos. Ora, Deus sempre nos amou, como o diz a Escritura: Tu amas todas as causas que existem e não aborreces nada de quanto fizeste. Logo, a Paixão de Cristo não nos reconciliou com Deus.

2. Demais. — Não pode o princípio também ser efeito; e por isso a graça, que é o princípio do mérito, não é susceptível de mérito. Ora, o amor de Deus foi o princípio da Paixão de Cristo, segundo o Evangelho: Assim amou Deus ao mundo que lhe deu a seu Filho unigénito. Logo parece que pela Paixão de Cristo não fomos reconciliados com Deus, de modo que ele então começasse a amar-nos de novo.

3. Demais. — A Paixão de Cristo cumpriu-se mediante os que o mataram, que assim gravemente ofenderam a Deus. Logo, a Paixão de Cristo é antes a causa da Indignação de Deus que a da reconciliação com ele.

Mas, em contrário, diz o Apóstolo: Fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho.

A Paixão de Cristo é a causa da nossa reconciliação com Deus, de dois modos. — Primeiro, porque remove o pecado pelo qual os homens são constituídos inimigos de Deus, segundo a Escritura: Deus igualmente aborreceu ao ímpio e a sua impiedade. E noutro lugar: Aborreces a todos os que obram a iniquidade. - De outro modo, como sacrifício muito aceite de Deus. Pois, o efeito próprio do sacrifício é aplacar a Deus; assim como perdoamos a ofensa cometida contra nós quando recebemos um serviço que nos é prestado. Donde o dizer a Escritura: Se o Senhor te incita contra mim, receba ele o cheiro do sacrifício. Semelhantemente, o ter Cristo sofrido voluntariamente foi um bem tão grande, que em razão desse bem descoberto na natureza humana, Deus se aplacou no tocante a qualquer ofensa do género humano, contanto que o homem se una com a Paixão de Cristo, do modo referido.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Deus ama em todos os homens a natureza que ele mesmo fez. Odeia-os, porém por causa da culpa que contra ele cometeram, segundo a Escritura: Aborrece o Altíssimo aos pecadores.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Não se diz que a Paixão de Cristo nos reconciliou com Deus porque de novo nos começasse a amar, pois está na Escritura: Com amor eterno te amei. Mas porque a Paixão de Cristo eliminou a causa do ódio, quer por ter delido o pecado, quer pela compensação de um bem mais aceitável.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Assim como os imoladores de Cristo foram homens, assim também Cristo, o morto, era homem. Mas foi maior a caridade de Cristo padecente que a iniquidade dos que o mataram. Por isso a Paixão de Cristo foi mais valiosa para reconciliar Deus com todo o género humano do que para lhe provocar as iras.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Doutrina – 212

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«JESUS CRISTO PADECEU SOB PÔNCIO PILATOS, FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO»

116. Jesus contradisse a fé de Israel no Deus único e salvador?


Jesus nunca contradisse a fé num Deus único, nem sequer quando realizava a obra divina por excelência que cumpria as promessas messiânicas e o revelava igual a Deus: o perdão dos pecados. A exigência feita por Jesus de fé na sua pessoa e de conversão permite compreender a trágica incompreensão do Sinédrio que considerou Jesus merecedor de morte porque blasfemo.

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)







Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



26/11/2016

Quero entregar-me a Ti sem reservas!

Pedro diz-Lhe: "Senhor, Tu lavares-me os pés, a mim?!". Responde Jesus: "O que Eu faço, não o compreendes agora; entendê-lo-ás depois". Insiste Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!". Replicou Jesus: "Se Eu não te lavar, não terás parte coMigo". Simão Pedro rende-se: "Senhor, não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!". Ao chamamento a uma entrega total, completa, sem vacilações, muitas vezes opomos uma falsa modéstia como a de Pedro... Oxalá fôssemos também homens de coração, como o Apóstolo!...
...Pedro não admite que ninguém ame Jesus mais do que ele. Esse amor leva-o a reagir assim: – Aqui estou! Lava-me as mãos, a cabeça, os pés! Purifica-me de todo, que eu quero entregar-me a Ti sem reservas! (Sulco, 266)

Está completo o tempo, e aproxima-se o Reino de Deus; fazei penitência, e crede no Evangelho [i].

E vinha a Ele todo o povo, e ensinava-o [ii].

Jesus vê aquelas barcas na margem, e sobe para uma delas. Com que naturalidade se mete Jesus na barca de cada um de nós!

Quando te aproximares do Senhor, lembra-te de que Ele está sempre muito perto de ti, dentro de ti: Regnum Dei intra vos est [iii]. No teu coração O encontrarás.

Cristo deve reinar, em primeiro lugar, na nossa alma. Para que Ele reine em mim, preciso da sua graça abundante, pois só assim é que o mais imperceptível pulsar do meu coração, a menor respiração, o olhar menos intenso, a palavra mais corrente, a sensação mais elementar se traduzirão num hossana ao meu Cristo Rei.

Duc in altum – Ao largo! – Repele o pessimismo que te torna cobarde. Et laxate retia vestra in capturam – e lança as redes para pescar.

Devemos, confiar nessas palavras do Senhor: meter-se na barca, pegar nos remos, içar as velas e lançar-nos a esse mar do mundo que Cristo nos deixa em herança.

Et regni ejus non erit finis. – O Seu Reino não terá fim!

Não te dá alegria trabalhar por um reinado assim? (Santo Rosário, mistérios Luminosos: ‘O anúncio do Reino de Deus’)





[i] Mc 1, 15
[ii] Mc 2, 13
[iii] Lc 17, 21