Publicações de hoje
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
27/03/2014
Evangelho diário e comentário
| Tempo de Quaresma Semana III |
14 Jesus estava a expulsar um demónio, que era mudo.
Depois de ter expulsado o demónio, o mudo falou e as multidões ficaram maravilhadas.
15 Mas alguns disseram: «Ele expulsa os demónios pelo poder de
Belzebu, príncipe dos demónios». 16 Outros, para O tentarem,
pediam-Lhe um prodígio vindo do céu. 17 Ele, porém, conhecendo os
seus pensamentos, disse-lhes: «Todo o reino dividido contra si mesmo será
devastado, e cairá casa sobre casa. 18 Se, pois, Satanás está
dividido contra si mesmo, como estará em pé o seu reino? Porque vós dizeis que
por virtude de Belzebu é que lanço fora os demónios. 19 Ora, se é
pelo poder de Belzebu que Eu expulso os demónios, os vossos filhos pelo poder
de quem os expulsam? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. 20
Mas se Eu, pelo dedo de Deus, lanço fora os demónios, certamente chegou a vós o
reino de Deus. 21 Quando um, forte e armado, guarda o seu palácio,
estão em segurança os bens que possui; 22 porém, se, sobrevindo
outro mais forte do que ele, o vencer, tira-lhe as armas em que confiava, e
reparte os seus despojos. 23 Quem não é comigo é contra Mim; e quem
não colhe comigo desperdiça.
Comentário:
O
que Jesus nos quer dizer nas palavras finais deste trecho do Evangelho é muito
claro: Não devemos confiar em nós próprios, na nossa sabedoria, nas nossas
capacidades, temos, se queremos vencer o demónio – as tentações – pedir a ajuda
divina e, humildemente, reconhecer que não valemos nada, não sabemos nada… não
podemos nada.
Ele, sim, pode tudo e, se
Lho pedirmos, dar-nos-á o necessário – a graça - para levar de vencida o
tentador por mais forte e insinuante que seja a tentação.
É certo que Ele não
permitirá que sejamos tentados além das nossas forças, mas estas, só o são
verdadeiramente, com a ajuda da graça.
(ama, comentário sobre Lc 11, 14-23, 2013.03.07)
Leitura espiritual para Mar 27
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)
Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.
Evangelho: Lc 13, 6-30
6 Dizia também esta
parábola: «Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi buscar fruto
e não o encontrou. 7 Então disse ao vinhateiro: Eis que há três anos
venho buscar fruto a esta figueira e não o encontro; corta-a; para que está ela
inutilmente a ocupar terreno? 8 Ele, porém, respondeu-lhe: Senhor,
deixa-a ainda este ano, enquanto eu a cavo em volta e lhe deito estrume; 9
se com isto der fruto, bem está; senão, cortá-la-ás depois». 10
Jesus estava a ensinar numa sinagoga em dia de sábado. 11 Estava lá
uma mulher possessa de um espírito que a tinha doente havia dezoito anos;
andava encurvada, e não podia levantar a cabeça. 12 Jesus, vendo-a,
chamou-a, e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua doença». 13
Impôs-lhe as mãos e imediatamente ficou direita e glorificava a Deus. 14
Mas, tomando a palavra o chefe da sinagoga, indignado porque Jesus tivesse
curado em dia de sábado, disse ao povo: «Há seis dias para trabalhar; vinde,
pois, nestes e sede curados, mas não em dia de sábado». 15 O Senhor
disse-lhe: «Hipócritas, qualquer um de vós não solta aos sábados o seu boi ou o
seu jumento da manjedoura para os levar a beber? 16 E esta filha de
Abraão, que Satanás tinha presa há dezoito anos, não devia ser livre desta
prisão ao sábado?». 17 Dizendo estas coisas, todos os Seus
adversários envergonhavam-se e alegrava-se todo o povo com todas as maravilhas
que Ele realizava. 18
Dizia também: «A que é semelhante o reino de Deus; a que o compararei? 19
É semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou na sua horta;
cresceu, tornou-se uma árvore, e as aves do céu repousaram nos seus ramos». 20
Disse outra vez: «A que direi que o reino de Deus é semelhante? 21 É
semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de
farinha, até que tudo ficasse levedado». 22 Ia pelas cidades e aldeias ensinando, e caminhando para
Jerusalém. 23 Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se
salvam?». Ele respondeu-lhes: 24 «Esforçai-vos por entrar pela porta
estreita, porque vos digo que muitos procurarão entrar e não conseguirão. 25
Quando o pai de família tiver entrado e fechado a porta, vós, estando fora,
começareis a bater à porta, dizendo: Senhor, abre-nos. Ele vos responderá: Não
sei donde sois. 26 Então começareis a dizer: Comemos e bebemos em
tua presença, tu ensinaste nas nossas praças. 27 Ele vos dirá: Não
sei donde sois; “afastai-vos de mim vós todos os que praticais a iniquidade”. 28
Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacob, e
todos os profetas no reino de Deus, e vós serdes expulsos para fora. 29
Virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e se sentarão à mesa
do reino de Deus. 30 Então haverá últimos que serão os primeiros, e
primeiros que serão os últimos».
Documentos do
Concílio Vaticano II
CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA
LUMEN GENTIUM
SOBRE A IGREJA
CAPÍTULO
IV
OS LEIGOS
O
Apostolado dos leigos
33.
Unidos no Povo de Deus, e constituídos no corpo único de Cristo sob uma só
cabeça, os leigos, sejam quais forem, todos são chamados a concorrer como
membros vivos, com todas as forças que receberam da bondade do Criador e por
graça do Redentor, para o crescimento da Igreja e sua contínua santificação.
O
apostolado dos leigos é participação na própria missão salvadora da Igreja, e
para ele todos são destinados pelo Senhor, por meio do Baptismo e da
Confirmação. E os sacramentos, sobretudo a sagrada Eucaristia, comunicam e
alimentam aquele amor para com Deus e para com os homens, que é a alma de todo
o apostolado.
Mas
os leigos são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e activa
naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da
terra (112). Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe
foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da
própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef. 4,7).
Além
deste apostolado, que diz respeito a todos os fiéis, os leigos podem ainda ser
chamados, por diversos modos, a uma colaboração mais imediata no apostolado da
Hierarquia 3, à semelhança daqueles homens e mulheres que ajudavam o apóstolo
Paulo no Evangelho, trabalhando muito no Senhor (cfr. Fil. 4,3, Rom. 16,3 ss.).
Têm ainda a capacidade de ser chamados pela Hierarquia a exercer certos cargos
eclesiásticos, com finalidade espiritual.
Incumbe,
portanto, a todos os leigos a magnífica tarefa de trabalhar para que o desígnio
de salvação atinja cada vez mais os homens de todos os tempos e lugares.
Esteja-lhes, pois, amplamente aberto o caminho, a fim de que, segundo as
próprias forças e as necessidades dos tempos, também eles participem com ardor
na acção salvadora da Igreja.
A
consagração do mundo pelo apostolado dos leigos
34.
O supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos
continuar o Seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo Seu Espírito e sem cessar
os incita a toda a obra boa e perfeita. E assim, àqueles que Intimamente
associou à própria vida e missão, concedeu também participação no seu múnus
sacerdotal, a fim de que exerçam um culto espiritual, para glória de Deus e
salvação dos homens. Por esta razão, os leigos, enquanto consagrados a Cristo e
ungidos no Espírito Santo, têm uma vocação admirável e são instruídos para que
os frutos do Espírito se multipliquem neles cada vez mais abundantemente. Pois
todos os seus trabalhos, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal
e familiar, o trabalho de cada dia, o descanso do espírito e do corpo, se forem
feitos no Espírito, e as próprias incomodidades da vida, suportadas com
paciência, se tornam em outros tantos sacrifícios espirituais, agradáveis a
Deus por Jesus Cristo (cfr. 1 Ped. 2,5), sacrifícios estes que são piedosamente
oferecidos ao Pai, juntamente com a oblação do corpo do Senhor, na celebração
da Eucaristia. E deste modo, os leigos, agindo em toda a parte santamente, como
adoradores, consagram a Deus o próprio mundo.
O
testemunho de vida pelo apostolado dos leigos
35.
Cristo, o grande profeta, que pelo testemunho da vida e a força da palavra
proclamou o reino do Pai, realiza a sua missão profética, até à total revelação
da glória, não só por meio da Hierarquia, que em Seu nome e com a Sua
autoridade ensina, mas também por meio dos leigos, para isso os constituiu
testemunhas, e lhes concedeu o sentido da fé e o dom da palavra (cfr. Act. 2,
17-18, Apoc. 19,10) a fim de que a força do Evangelho resplandeça na vida
quotidiana, familiar e social. Os leigos mostrar-se-ão filhos da promessa se,
firmes na fé e na esperança, aproveitarem bem o tempo presente (cfr. Ef. 5,16,
Col. 4,5) e com paciência esperarem a glória futura (cfr. Rom. 8,25). Mas não
devem esconder esta esperança no seu íntimo, antes, pela contínua conversão e
pela luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos do
mal» (Ef. 6,12), manifestem-na também nas estruturas da vida secular.
Do
mesmo modo que os sacramentos da nova lei, que alimentam a vida e o apostolado
dos fiéis, prefiguram um novo céu e uma nova terra (cfr. Apoc. 21,1), assim os
leigos tornam-se valorosos arautos da fé naquelas realidades que esperamos
(cfr. Hebr. 11,1), se juntarem sem hesitação, a uma vida de fé, a profissão da
mesma fé. Este modo de evangelizar, proclamando a mensagem de Cristo com o
testemunho da vida e com a palavra, adquire um certo carácter específico e uma
particular eficácia por se realizar nas condições ordinárias da vida no mundo.
Nesta
obra, desempenha grande papel aquele estado de vida que é santificado por um
sacramento próprio: a vida matrimonial e familiar. Aí se encontra um exercício
e uma admirável escola de apostolado dos leigos, se a religião penetrar toda a
vida e a transformar cada vez mais. Aí encontram os esposos a sua vocação
própria, de serem um para o outro e para os filhos, as testemunhas da fé e do
amor de Cristo. A família cristã proclama em alta voz as virtudes presentes do
reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada. E deste modo, pelo exemplo
e pelo testemunho, argui o mundo do pecado e ilumina aqueles que buscam a
verdade.
Por
isso, ainda mesmo quando ocupados com os cuidados temporais, podem e devem os
leigos exercer valiosa acção para a evangelização do mundo. E se há alguns que,
na medida possível, suprem nas funções religiosas os ministros sagrados que
faltam ou estão impedidos em tempo de perseguição, a todos, porém, incumbe a
obrigação de cooperar para a dilatação e crescimento do Reino de Cristo no
mundo. Dediquem-se, por isso, os leigos com diligência a conseguir um
conhecimento mais profundo da verdade revelada, e peçam insistentemente a Deus
o dom da sabedoria.
A
santificação das estruturas humanas pelo apostolado dos leigos
36.
Tendo-se feito obediente até à morte e tendo sido, por este motivo, exaltado
pelo Pai (cfr. Fil. 2, 8-9), entrou Cristo na glória do Seu reino. Todas as
coisas Lhe estão sujeitas, até que Ele se submeta, e a todas as criaturas, ao
Pai, para que Deus seja tudo em todos (cfr. 1 Cor. 15, 27-28). Comunicou este
poder aos discípulos, para que também eles sejam constituídos em régia
liberdade e, com a abnegação de si mesmos e a santidade da vida, vençam em si
próprios o reino do pecado (cfr. Rom. 6,12), mais ainda, para que, servindo a
Cristo também nos outros, conduzam os seus irmãos, com humildade e paciência,
àquele Rei, a quem servir é reinar. Pois o Senhor deseja dilatar também por
meio dos leigos o Seu reino, reino de verdade e de vida, reino de santidade e
de graça, reino de justiça, de amor e de paz (114), no qual a
própria criação será liberta da servidão da corrupção, alcançando a liberdade
da glória dos filhos de Deus (cfr. Rom. 8,21). Grande é a promessa, grande o
mandamento que é dado aos discípulos: «tudo é vosso, vós sois de Cristo, e
Cristo é de Deus» (1 Cor. 3,23).
Por
consequência, devem os fiéis conhecer a natureza íntima e o valor de todas as
criaturas, e a sua ordenação para a glória de Deus, ajudando-se uns aos outros,
mesmo através das actividades propriamente temporais, a levar uma vida mais
santa, para que assim o mundo seja penetrado do espírito de Cristo e, na
justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim. Na realização
plena deste dever, os leigos ocupam o lugar mais importante. Por conseguinte,
com a sua competência nas matérias profanas, e a sua actuação interiormente
elevada pela graça de Cristo, contribuam eficazmente para que os bens criados
sejam valorizados pelo trabalho humano, pela técnica e pela cultura para
utilidade de todos os homens, sejam melhor distribuídos entre eles e contribuam
a seu modo para o progresso de todos na liberdade humana e cristã, em harmonia
com o destino que lhes deu o Criador e segundo a iluminação do Verbo. Deste
modo, por meio dos membros da Igreja, Cristo iluminará cada vez mais a
humanidade inteira com a Sua luz salvadora.
Além
disso, também pela união das próprias forças, devem os leigos sanear as
estruturas e condições do mundo, se elas porventura propendem a levar ao
pecado, de tal modo que todas se conformem às normas da justiça e antes ajudem
ao exercício das virtudes do que o estorvem. Agindo assim, informarão de valor
moral a cultura e as obras humanas. E, por este modo, o campo, isto é, o mundo
ficará mais preparado para a semente da palavra divina e abrir-se-ão à Igreja
mais amplamente as portas para introduzir no mundo a mensagem da paz.
Devido
à própria economia da salvação, devem os fiéis aprender a distinguir
cuidadosamente entre os direitos e deveres que lhes competem como membros da
Igreja e os que lhes dizem respeito enquanto fazem parte da sociedade humana.
Procurem harmonizar entre si uns e outros, lembrando-se que se devem guiar em
todas as coisas temporais pela consciência cristã, já que nenhuma actividade
humana, nem mesmo em assuntos temporais, se pode subtrair ao domínio de Deus. É
muito necessário em nossos dias que esta distinção e harmonia se manifestem
claramente nas atitudes dos fiéis, que a missão da Igreja possa corresponder
mais plenamente às condições particulares do mundo actual. Assim como se deve
reconhecer que a cidade terrena se consagra a justo título aos assuntos
temporais e se rege por princípios próprios, assim com razão se deve rejeitar a
nefasta doutrina que pretende construir a sociedade sem ter para nada em conta
a religião, atacando e destruindo a liberdade religiosa dos cidadãos. (115)
Relações
dos leigos com a Hierarquia
37.
Como todos os fiéis, também os leigos têm o direito de receber com abundância,
dos sagrados pastores, os bens espirituais da Igreja, principalmente os
auxílios da palavra de Deus e dos sacramentos (116), e com aquela liberdade
e confiança que convém a filhos de Deus e a irmãos em Cristo, manifestem-lhes
as suas necessidades e aspirações. Segundo o grau de ciência, competência e
autoridade que possuam, têm o direito, e por vezes mesmo o dever, de expor o
seu parecer sobre os assuntos que dizem respeito ao bem da Igreja (117).
Se o caso o pedir, utilizem os órgãos para isso instituídos na Igreja, e
procedam sempre em verdade, fortaleza e prudência, com reverência e amor para
com aqueles que, em razão do seu cargo, representam a pessoa de Cristo.
Como
todos os cristãos, devem os leigos abraçar prontamente, com obediência cristã,
todas as coisas que os sagrados pastores, representantes de Cristo,
determinarem na sua qualidade de mestres e guias na Igreja, a exemplo de
Cristo, o qual com a Sua obediência, levada até à morte, abriu para todos o
feliz caminho da liberdade dos filhos de Deus. Nem deixem de encomendar ao
Senhor nas suas orações os seus prelados, já que eles olham pelas nossas almas,
como devendo dar contas delas, a fim de que o façam com alegria e não gemendo
(cfr. Hebr. 13,17).
Por
seu lado, os sagrados pastores devem reconhecer e fomentar a dignidade e
responsabilidade dos leigos na Igreja, recorram espontaneamente ao seu conselho
prudente, entreguem-lhes confiadamente cargos em serviço da Igreja e dêem-lhes
margem e liberdade de acção, animando-os até a tomarem a iniciativa de
empreendimentos. Considerem atentamente e com amor paterno, em Cristo, as
iniciativas, pedidos e desejos propostos pelos leigos (118). E
reconheçam a justa liberdade que a todos compete na cidade terrestre.
Muitos
bens se devem esperar destas relações confiantes entre leigos e pastores: é que
assim se fortalece nos leigos o sentido da própria responsabilidade, fomenta-se
o seu empenho é mais facilmente se associam nas suas energias à obra dos
pastores. Estes, por sua vez, ajudados pela experiência dos leigos, tanto nas
coisas espirituais como nas temporais, mais facilmente julgarão com acerto, a
fim de que a Igreja inteira, com a energia de todos os seus membros, cumpra
mais eficazmente a sua missão para a vida do mundo.
Conclusões:
os leigos vivificadores do mundo
38.
Cada leigo deve ser, perante o mundo, uma testemunha da ressurreição e da vida
do Senhor Jesus e um sinal do Deus vivo. Todos em conjunto, e cada um por sua
parte, devem alimentar o mundo com frutos espirituais (cfr. Gál. 5,22) e nele
difundir aquele espírito que anima os pobres, mansos e pacíficos, que o Senhor
no Evangelho proclamou bem-aventurados (cfr. Mt. 5, 3-9). Numa palavra, «sejam
os cristãos no mundo o que a alma é no corpo» (119)
Nota:
Revisão da versão portuguesa por ama.
__________________________________________
Notas:
112.
Cfr. Pio XI, Encícl. Quadragesimo anno, 15 maio 1931: AAS 23 (1931) p. 221 s.
Pio XII, Aloc. De quelle
consolation, 14 out. 1951: AAS 43 (1951) p. 790 s.
113. Cfr. Pio XII, Aloc. Six
ans se sont écoulés, 5 out. 1957: AAS 49 (1957) p. 927.
114.
Cfr. Missale romanum, Prefácio da festa de Cristo Rei.
115.
Cfr. Leão XIII, Carta Encícl. Immortale Dei, 1 nov. 1855: ASS 18 (1885), p. 166
ss. Idem, Encícl. Sapientia christianae, 10 jan. 1890: ASS 22 (1889-90) p. 397
ss. Pio XII, Aloc. Alla vostra filiale, 23 março 1958: AAS 50 (1958) p. 220:
«la légittima sana laicità dello Stato».
116. Cfr. Cod. Iur. Can. can.
682.
117. Cfr. Pio XII, Aloc. De
quelle consolation, I. c., p. 789: «Dans les batailles décisives, c'est parfois
du front que partent les plus heureuses iniciativas...» Idem,
Aloc. L'Importance de Ia presse catholique, 17 fev. 1950: AAS 42 (1950) p. 256.
118. Cfr. 1 Tess. 5,19 e 1 Io.
4,1.
119. Epist. ad Diognetum, 6:
ed. Funk
I, p. 400. Cfr. S. João Crisóstomo, In Matth. Hom. 46 (47),2: PG 58, 478,
acerca do fermento na massa.
Tratado dos vícios e pecados 41
Em
seguida devemos tratar da causa do pecado, por parte da vontade, chamada
malícia.
E
sobre esta questão, discutem-se quatro artigos:
Art.
1 — Se se pode pecar de propósito ou por malícia intencional.
Art.
2 — Se todo o que peca por hábito peca por malícia intencional.
Art.
3 — Se quem peca por malícia intencional peca por hábito.
Art.
4 — Se quem peca por malícia intencional peca mais gravemente que quem peca por
paixão.
Art. 1 — Se se pode pecar
de propósito ou por malícia intencional.
(II Sent., dist.
XLIII, a. 1; De Malo, q. 2, a. 8, ad 4; 1. 3,
a. 12; a. 14, ad 7, 8).
O
primeiro discute-se assim. — Parece que ninguém peca de propósito ou por
malícia intencional.
1.
— Pois, a ignorância opõe-se ao propósito ou à malícia intencional. Ora, todo
mal é ignorante, segundo o Filósofo, e a Escritura (Pr 14): Os que obram mal,
erram. Logo, ninguém peca por malícia intencional.
2.
Demais. — Dionísio diz que ninguém obra mal intencionalmente. Ora, pecar por
malícia é praticar o mal intencionalmente, pois, o contrário à nossa intenção é
acidental e não pode classificar um acto. Logo, ninguém peca por malícia.
3.
Demais. — A malícia em si mesma é pecado. Se pois fosse causa de pecado,
seguir-se-ia que um pecado é causa de outro, ao infinito, o que é inadmissível.
Logo, ninguém peca por malícia.
Mas
em contrário: Os que como de propósito se apartaram de Deus, e não quiseram
compreender todos os seus caminhos. Ora, apartar-se de Deus é pecar. Logo, alguns
pecam de propósito ou por malícia intencional.
O homem, como qualquer outro ser, deseja naturalmente o bem. E só pela
corrupção ou desordem em algum de seus princípios pode o seu apetite
inclinar-se para o mal, e assim também pode haver pecado nos actos dos seres
naturais. Ora, os princípios dos actos humanos são o intelecto e o apetite,
tanto o racional, denominado vontade, como o sensitivo. Donde, pode haver
pecado nesses actos, por deficiência do intelecto, como quando pecamos por ignorâ,cia;
ou por deficiência do apetite sensitivo, como quando pecamos por paixão, ou
ainda por deficiência da vontade, sendo esta desordenada.
E
a vontade é desordenada quando mais ama o que é menos bom. Ora, preferirmos
sofrer detrimento no bem menos amado é proceder consequentemente, assim, quando
preferimos sofrer a amputação de um membro, mesmo cientemente, para
conservarmos a vida, que amamos mais. E deste modo se uma vontade desordenada
ama algum bem temporal — p. ex., as riquezas ou o prazer — mais do que a ordem
da razão ou da lei divina ou a caridade de Deus ou um bem semelhante, segue-se
que prefere sofrer detrimento em algum desses bens espirituais, para alcançar
um bem temporal. Pois, o mal não é outra coisa que a privação de algum bem. E
assim, pelo que acabamos de dizer, podemos conscientemente querer um mal
espiritual, que é, o mal absoluto, e nos priva do bem espiritual, para alcançarmos
um bem temporal. E portanto, pecamos intencionalmente ou de propósito, conscientemente
escolhendo o mal.
DONDE
A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — A ignorância, às vezes, exclui a ciência,
pela qual simplesmente sabemos que praticamos o mal, sendo por isso a causa do
pecado. Outras vezes, porém, exclui a ciência pela qual conhecemos actualmente
tal acto como mau, assim, quando pecamos por paixão. Outras vezes, ainda,
exclui a ciência pela qual sabemos não devermos praticar um determinado mal
para conseguirmos um bem, embora saibamos absolutamente ser isso um mal. E
assim dizemos que ignora quem peca intencionalmente.
RESPOSTA
À SEGUNDA. — O mal não pode ser buscado intencionalmente por ninguém, pode
sê-lo contudo para evitar outro mal ou conseguir outro bem, como dissemos. E em
tal caso, preferiríamos alcançar um bem, buscado intencionalmente, em si mesmo,
sem sofrermos detrimento em outro. Assim, o lascivo quereria fruir o prazer,
sem ofender a Deus, mas, propostos esses dois bens, prefere, pecando, incorrer
na ofensa de Deus, a privar-se do prazer.
RESPOSTA
À TERCEIRA. — A malícia, pela qual dizemos que alguém peca pode ser tomada como
a malícia habitual, pela qual o hábito é mau, denominado malícia, segundo o
Filósofo, assim como o bom é chamado virtude. E a esta luz, dizemos que peca
por malícia quem peca pela inclinação do hábito. — Mas também pode ser
considerada como a malícia actual. Quer seja denominada malícia a eleição do
mal, dizendo-se, nesse caso, que peca por malícia quem peca por tal eleição.
Quer seja chamada malícia alguma culpa precedente, da qual resulta outra subsequente,
assim quando alguém se rebela contra o bem de um irmão, por inveja. E então não
há identidade entre causa e efeito, mas um acto interior é causa de um acto
exterior, e um pecado, causa de outro. Não assim, contudo, ao infinito, pois
havemos de chegar a um primeiro pecado, não causado por outro anterior, como do
sobredito se colhe.
Revisão da tradução portuguesa por ama
Pequena agenda do cristão
Quinta-Feira
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito: Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me: Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos
Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?
|
Que vos saibais perdoar
Com quanta insistência o Apóstolo S.
João pregava o "mandatum novum"! "Amai-vos uns aos
outros!". Pôr-me-ia de joelhos, sem fazer teatro – grita-mo o coração –,
para vos pedir, por amor de Deus, que vos estimeis, que vos ajudeis, que vos
deis a mão, que vos saibais perdoar. Portanto, vamos banir a soberba, ser
compassivos, ter caridade; prestar-nos mutuamente o auxílio da oração e da
amizade sincera. (Forja, 454)
Jesus Cristo, Nosso Senhor, encarnou e
tomou a nossa natureza, para se mostrar à humanidade como modelo de todas as
virtudes. Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, convida-nos Ele.
Mais tarde, quando explica aos
Apóstolos o sinal pelo qual os reconhecerão como cristãos, não diz: porque sois
humildes. Ele é a pureza mais sublime, o Cordeiro imaculado. Nada podia manchar
a sua santidade perfeita, sem mácula. Mas também não diz: saberão que se
encontram diante de discípulos meus, porque sois castos e limpos.
Passou por este mundo com o mais
completo desprendimento dos bens da terra. Sendo Criador e Senhor de todo o
universo, faltava-lhe até um sítio onde pudesse reclinar a cabeça. No entanto,
não comenta: saberão que sois dos meus porque não vos apegastes às riquezas.
Permanece quarenta dias e quarenta noites no deserto em jejum rigoroso, antes
de se dedicar à pregação do Evangelho. E também não afirma aos seus:
compreenderão que servis a Deus, porque não sois comilões nem bebedores.
A característica que distinguirá os
apóstolos, os cristãos autênticos de todos os tempos, já a ouvimos: nisto –
precisamente nisto – conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes
uns aos outros. (Amigos de Deus, 224)
26/03/2014
Evangelho diário e comentário
| Tempo de Quaresma Semana III |
13 «Vós sois o sal da terra. Porém, se o sal perder
a sua força, com que será ele salgado? Para nada mais serve senão para ser
lançado fora e ser calcado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo.
Não pode esconder-se uma cidade situada sobre um monte; 15 nem se
acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas no candelabro, a fim
de que dê luz a todos os que estão em casa. 16 Assim brilhe a vossa
luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso
Pai que está nos céus. 17 «Não julgueis que vim abolir a Lei ou os
Profetas; não vim para os abolir, mas sim para cumprir. 18 Porque em
verdade vos digo: antes passarão o céu e a terra, que passe uma só letra ou um
só traço da Lei, sem que tudo seja cumprido. 19 Aquele, pois, que
violar um destes mandamentos mesmo dos mais pequenos, e ensinar assim aos
homens, será considerado o mais pequeno no Reino dos Céus. Mas o que os guardar
e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus.
Comentário:
É interessante verificar como a Liturgia repete várias
vezes e com poucos dias de intervalo, este trecho do Evangelho. Não, seguramente,
por ser mais ‘importante’ que outros; todo o Evangelho tem igual importância e
deve merecer a tenção dos fieis mas porque, este caso, a imagem do sal é como
que uma ‘imagem de marca’ do cristão.
Inserido na sociedade de que faz parte tem de
‘temperar’ com a sua conduta e, sobretudo com o seu exemplo os costumes, hábitos
e práticas da mesma sociedade que tende muitas vezes, a afastar-se do
verdadeiro caminho que realmente deve importar aos homens: o caminho da
salvação eterna.
(ama, comentário sobre Mt 5, 13-16, 2013.06.29)
Leitura espiritual para Mar 26
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)
Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.
Evangelho: Lc 12, 42-59; 13, 1-5
42 O Senhor
respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá
sobre as pessoas da sua casa, para dar a cada um, a seu tempo, a ração
alimentar? 43 Bem-aventurado aquele servo a quem o senhor, quando
vier, achar procedendo assim. 44 Na verdade vos digo que o
constituirá administrador de tudo quanto possui. 45 Porém, se aquele
servo disser no seu coração: O meu senhor tarda em vir, e começar a espancar os
criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46 chegará
o senhor desse servo, no dia em que ele não o espera, e na hora em que ele não
sabe; castigá-lo-á severamente e pô-lo-á à parte com os infíeis. 47
Aquele servo, que conheceu a vontade do seu senhor e nada preparou, e não
procedeu conforme a sua vontade, levará muitos açoites. 48 Quanto
àquele que, não a conhecendo, fez coisas dignas de castigo, levará poucos
açoites. Porque a todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e
aquele a quem muito confiaram, mais contas lhe pedirão. 49 Eu vim
trazer fogo à terra; e como desejaria que já estivesse ateado! 50 Eu
tenho de receber um baptismo; e quão grande é a minha ansiedade até que ele se
conclua! 51 Julgais que vim trazer paz à terra? Não, vos digo Eu,
mas separação; 52 porque, de hoje em diante, haverá numa casa cinco
pessoas, divididas três contra duas e duas contra três.53 Estarão
divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e
a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra». 54
Dizia também às multidões: «Quando vós vedes uma nuvem levantar-se no poente,
logo dizeis: Aí vem chuva; e assim sucede.55 E quando sentis soprar
o vento do sul, dizeis: Haverá calor; e assim sucede.56 Hipócritas,
sabeis distinguir os aspectos da terra e do céu; como, pois, não sabeis
reconhecer o tempo presente? 57 E porque não discernis também por
vós mesmos o que é justo? 58 Quando, pois, fores com o teu
adversário ao magistrado, faz o possível por fazer as pazes com ele pelo
caminho, para que não suceda que te leve ao juiz, e o juiz te entregue ao
guarda, e o guarda te meta na cadeia. 59 Digo-te que não sairás de
lá, enquanto não pagares até o último centavo».
13 1 Neste mesmo tempo chegaram alguns a
dar-Lhe a notícia de certos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com o dos
sacrifícios deles. 2 Jesus respondeu-lhes: «Vós julgais que aqueles
galileus eram maiores pecadores que todos os outros galileus, por terem sofrido
tal sorte? 3 Não, Eu vo-lo digo; mas, se não fizerdes penitência,
todos perecereis do mesmo modo. 4 Assim como também aqueles dezoito
homens sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou; julgais que eles também
foram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? 5
Não, Eu vo-lo digo; mas, se não fizerdes penitência, todos perecereis do mesmo
modo».
CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA
LUMEN GENTIUM
SOBRE A IGREJA
CAPÍTULO
III
A CONSTITUIÇÃO HIERÁRQUICA
DA IGREJA E EM ESPECIAL O EPISCOPADO
Os
Presbíteros e suas relações com Cristo, com os Bispos, com o presbitério e com
o povo Cristão
28.
Por meio dos Seus Apóstolos, Cristo, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo
(Jo. 10,36), tornou os Bispos, que são sucessores daqueles, participantes da
Sua consagração e missão (98): e estes transmitiram legitimamente o
múnus do seu ministério em grau diverso e a diversos sujeitos. Assim, o
ministério eclesiástico, instituído por Deus, é exercido em ordens diversas por
aqueles que desde a antiguidade são chamados Bispos, presbíteros e diáconos (99).
Os presbíteros, embora não possuam o fastígio do pontificado e dependam dos
Bispos no exercício do próprio poder, estão-lhes, porém, unidos na honra do
sacerdócio (100) e, por virtude do sacramento da Ordem (101),
são consagrados, à imagem de Cristo, sumo e eterno sacerdote (Hebr. 5, 1-10,
7,24, 9, 11-28), para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto
divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento (102).
Participantes, segundo o grau do seu ministério, da função de Cristo mediador
único (1 Tim, 2,5), anunciam a todos a palavra de Deus. Mas é no culto. ou
celebração eucarística que exercem principalmente o seu múnus sagrado, nela,
actuando em nome de Cristo (103) e proclamando o Seu mistério, unem
as preces dos fiéis ao sacrifício da cabeça e, no sacrifício da missa,
representam e aplicam, até à vinda do Senhor (cfr. 1 Cor. 11,26), o único
sacrifício do Novo Testamento, ou seja, Cristo oferecendo-se, uma vez por
todas, ao Pai, como hóstia imaculada (cfr. Hebr. 9, 11-28) (104).
Exercem ainda, por título eminente, o ministério da reconciliação e o do
conforto para com os fiéis arrependidos ou enfermos, e apresentam a Deus Pai as
necessidades e preces dos crentes (cfr. Hebr. 5, 1-4. Desempenhando, segundo a
medida da autoridade que possuem, o múnus de Cristo pastor e cabeça (105),
reúnem a família de Deus em fraternidade animada por um mesmo espírito (106)
e, por Cristo e no Espírito Santo, conduzem-na a Deus Pai. No meio do próprio
rebanho adoram-nO em espírito e verdade (cfr. Jo. 4,24). Trabalham, enfim,
pregando e ensinando (1 Tim. 5,17), acreditando no que leem e meditam na lei do
Senhor, ensinando o que creem e vivendo o que ensinam (107).
Os
presbíteros, como esclarecidos cooperadores da ordem episcopal e a sua ajuda e
instrumento, chamados para o serviço do Povo de Deus, constituem com o seu
Bispo um presbitério (108) com diversas funções. Em cada uma das
comunidades de fiéis, tornam de algum modo presente o Bispo, ao qual estão
associados com ânimo fiel e generoso e cujos encargos e solicitude assumem,
segundo a própria medida, e exercem com cuidado quotidiano. Sob a autoridade do
Bispo, santificam e governam a porção do rebanho a si confiada, tornam visível,
no lugar em que estão, a Igreja universal e prestam uma grande ajuda para a
edificação de todo o corpo de Cristo (cfr. Ef. 4, 12). Sempre atentos ao bem
dos filhos de Deus, procurem dar a sua ajuda ao trabalho de toda a diocese,
melhor, de toda a Igreja. Por causa desta participação no sacerdócio e na
missão, reconheçam os presbíteros o Bispo verdadeiramente como pai, e
obedeçam-lhe com reverência. O Bispo, por seu lado, considere os sacerdotes,
seus colaboradores, como filhos e amigos, à imitação de Cristo que já não chama
aos seus discípulos servos mas amigos (cfr. Jo. 15,15). Deste modo, todos os
sacerdotes, tanto diocesanos como religiosos, estão associados ao corpo
episcopal em razão da Ordem e do ministério, e, segundo a própria vocação e
graça, contribuem para o bem de toda a Igreja.
Em
virtude da comum sagrada ordenação e missão, todos os presbíteros estão entre
si ligados em íntima fraternidade, que espontânea e livremente se deve
manifestar no auxílio mútuo, tanto espiritual como material, pastoral ou
pessoal, em reuniões e na comunhão de vida, de trabalho e de caridade.
Velem,
como pais em Cristo, pelos fiéis que espiritualmente geraram pelo Baptismo e pela
doutrinação (cfr. 1 Cor. 4,15, 1 Ped. 1,23). Fazendo-se, de coração, os modelos
do rebanho (1 Ped. 5,3), de tal modo dirijam e sirvam a sua comunidade local
que esta possa dignamente ser chamada com aquele nome com que se honra o único
Povo de Deus todo inteiro, a saber, a Igreja de Deus (cfr. 1 Cor. 1,2, 2 Cor.
1,1, etc. etc.). No seu trato e solicitude de cada dia, não se esqueçam de
apresentar aos fiéis e infiéis, aos católicos e não-católicos, a imagem do
autêntico ministério sacerdotal e pastoral, de dar a todos testemunho de
verdade e de vida, e de procurar também, como bons pastores (cfr. Luc. 15,
4-7), aqueles que, baptizados embora na Igreja católica, abandonaram os
sacramentos ou até mesmo a fé.
Dado
que o género humano caminha hoje cada vez mais para a unidade política,
económica e social, tanto mais necessário é que os sacerdotes em conjunto e sob
a direcção dos Bispos e do Sumo Pontífice, evitem todo o motivo de divisão,
para que a humanidade toda seja conduzida à unidade da família de Deus.
Os
diáconos
29.
Em grau inferior da hierarquia estão os diáconos, aos quais foram impostas as
mãos «não em ordem ao sacerdócio mas ao ministério» (109). Pois que,
fortalecidos com a graça sacramental, servem o Povo de Deus em união com o
Bispo e o seu presbitério, no ministério da Liturgia, da palavra e da caridade.
É próprio do diácono, segundo for cometido pela competente autoridade,
administrar solenemente o Baptismo, guardar e distribuir a Eucaristia, assistir
e abençoar o Matrimónio em nome da Igreja, levar o viático aos moribundos, ler
aos fiéis a Sagrada Escritura, instruir e exortar o povo, presidir ao culto e à
oração dos fiéis, administrar os sacramentais, dirigir os ritos do funeral e da
sepultura. Consagrados aos ofícios da caridade e da administração, lembrem-se
os diáconos da recomendação de S. Policarpo: «misericordiosos, diligentes,
caminhando na verdade do Senhor, que se fez servo de todos» (110).
Como
porém, estes ofícios, muito necessários para a vida da Igreja na disciplina
actual da Igreja latina, dificilmente podem ser exercidos em muitas regiões, o
diaconado poderá ser, para o futuro, restaurado como grau próprio e permanente
da Hierarquia. As diversas Conferências episcopais territoriais competentes
cabe decidir, com a aprovação do Sumo Pontífice, se e onde é oportuno instituir
tais diáconos para a cura das almas. Com o consentimento do Romano Pontífice,
poderá este diaconado ser conferido a homens de idade madura, mesmo casados, e
a jovens idóneos, em relação a estes últimos, porém, permanece em vigor a lei
do celibato.
CAPÍTULO
IV
OS LEIGOS
Proémio:
Carácter peculiar dos leigos
30.
Declaradas as diversas funções da Hierarquia, o sagrado Concílio volta de bom
grado a sua atenção para o estado daqueles fiéis cristãos que se chamam leigos.
Com efeito, se é verdade que todas as coisas que se disseram a respeito do Povo
de Deus se dirigem igualmente aos leigos, aos religiosos e aos clérigos,
algumas, contudo, pertencem de modo particular aos leigos, homens e mulheres,
em razão do seu estado e missão, e os seus fundamentos, devido às
circunstâncias especiais do nosso tempo, devem ser mais cuidadosamente
expostos. Os sagrados pastores conhecem, com efeito, perfeitamente quanto os
leigos contribuem para o bem de toda a Igreja. Pois eles próprios sabem que não
foram instituídos por Cristo para se encarregarem por si sós de toda a missão
salvadora da Igreja para com o mundo, mas que o seu cargo sublime consiste em
pastorear de tal modo os fiéis e de tal modo reconhecer os seus serviços e carismas,
que todos, cada um segundo o seu modo próprio, cooperem na obra comum. Pois é
necessário que todos, «praticando a verdade na caridade, cresçamos de todas as
maneiras para aquele que é a cabeça, Cristo, pelo influxo do qual o corpo
inteiro, bem ajustado e coeso por toda a espécie de junturas que o alimentam,
com a acção proporcionada a cada membro, realiza o seu crescimento em ordem à
própria edificação na caridade (Ef. 4, 15-16).
Conceito
e vocação do leigo na Igreja
31.
Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada
Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que,
incorporados em Cristo pelo Baptismo, constituídos em Povo de Deus e tornados
participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo,
exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja se
no mundo.
É
própria e peculiar dos leigos a característica secular. Com efeito, os membros
da sagrada Ordem, ainda que algumas vezes possam tratar de assuntos seculares,
exercendo mesmo uma profissão profana, contudo, em razão da sua vocação
específica, destinam-se sobretudo e expressamente ao sagrado ministério,
enquanto que os religiosos, no seu estado, dão magnífico e privilegiado
testemunho de que se não pode transfigurar o mundo e oferecê-lo a Deus sem o
espírito das bem-aventuranças. Por vocação própria, compete aos leigos procurar
o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus.
Vivem no mundo, isto é, em toda e qualquer ocupação e actividade terrena, e nas
condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida
a sua existência. São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio
ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do
mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos
outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua
fé, esperança e caridade. Portanto, a eles compete especialmente, iluminar e
ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados,
que elas sejam sempre feitas segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador
e Redentor.
Unidade
na diversidade
32.
A santa Igreja, por instituição divina, é organizada e governada com uma
variedade admirável. «Assim como num mesmo corpo temos muitos membros, e nem
todos têm a mesma função, assim, sendo muitos, formamos um só corpo em Cristo,
sendo membros uns dos outros» (Rom. 12, 4-5).
Um
só é, pois, o Povo de Deus: «um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo (Ef. 4,5),
comum é a dignidade dos membros, pela regeneração em Cristo, comum a graça de
filhos, comum a vocação à perfeição, uma só salvação, uma só esperança e uma
caridade indivisa. Nenhuma desigualdade, portanto, em Cristo e na Igreja, por
motivo de raça ou de nação, de condição social ou de sexo, porque «não há judeu
nem grego, escravo nem homem livre, homem nem mulher: com efeito, em Cristo
Jesus, todos vós sois um» (Gál. 3,28 gr., cfr. Col. 3,11).
Portanto,
ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo,
chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé pela justiça de Deus (cfr. 2
Ped. 1,1). Ainda que, por vontade de Cristo, alguns são constituídos doutores,
dispensadores dos mistérios e pastores em favor dos demais, reina, porém,
igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à actuação, comum a todos os
fiéis, em favor da edificação do corpo de Cristo. A distinção que o Senhor
estabeleceu entre os ministros sagrados e o restante Povo de Deus, contribui
para a união, já que os pastores e os demais fiéis estão ligados uns aos outros
por uma vinculação comum: os pastores da Igreja, imitando o exemplo do Senhor,
prestem serviço uns aos outros e aos fiéis: e estes dêem alegremente a sua colaboração
aos pastores e doutores. Deste modo, todos testemunham, na variedade, a
admirável unidade do Corpo místico de Cristo: a própria diversidade de graças,
ministérios e actividades, consagra em unidade os filhos de Deus, porque «um só
e o mesmo é o Espírito que opera todas estas coisas» (1 Cor. 12,11).
Os
leigos, portanto, do mesmo modo que, por divina condescendência, têm por irmão
a Cristo, o qual, apesar de ser Senhor de todos, não veio para ser servido mas
para servir (cfr. Mt. 20,28), de igual modo têm por irmãos aqueles que, uma vez
estabelecidos no sagrado ministério, apascentam a família de Deus ensinando,
santificando e governando com a autoridade de Cristo, de modo que o mandamento
da caridade seja por todos observado. A este respeito diz belissimamente S.
Agostinho: «aterra-me o ser para vós, mas consola-me o estar convosco. Sou para
vós, como Bispo, estou convosco, como cristão. Nome de ofício, o primeiro, de
graça, o segundo, aquele, de risco, este, de salvação» (111).
(cont)
Nota:
Revisão da versão portuguesa por ama.
____________________________________________
Notas:
98.
Cfr. S. Inácio M., Ad Ephes, 6, 1: ed. Funk, I, p. 216.
99.
Cfr. Conc. Trid. De sacr. Ordinis, cap. 2: Denz. 958 (1765), e can. 6: Denz.
966 (1776).
100.
Cfr. Inocêncio I, Epist. ad Decentium: PL 20, 554 A, Mansi 3, 1029, Denz. 98
(215) : «Presbyteri, licet secundi sint sacerdotes, pontificatus tamen apicem
ron habent». S. Cipriano, Epist. 61, 3: ed. Hartel, p. 696.
101.
Cfr. Conc. Trid., 1. c., Denz. 956a-968 (1763-1778), e em especial can. 7:
Denz. 967 (1777). Pio XII, Const. Apost. Sacramentum Ordinis: Denz. 2301
(3857-61).
102.
Cfr. Inocêncio I, 1. c., S. Gregório Naz., Apol. II, 22: PG 35, 432 B. Ps.-Dionísio, Eccl. Hier.,
1, 2: PG 3, 372 D.
103.
Cfr. Conc. Trid., Sess. 22: Denz. 940 (1743). Pio XII, Encícl. Mediator Dei, 20
nov. 1947: AAS 39 (1947) p. 553, Denz. 2300 (3850).
104.
Cfr. Conc. Trid. Sess. 22: Denz. 938 (1739-40). Conc. Vat. II, Const. De Sacra
Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 7 e n. 47.
105.
Cfr. Pio XII, Encícl. Mediator Dei, 1. c. n. 67.
106.
Cfr. S. Cipriano, Epist. 11, 3: PL 3, 242 B: Hartel, II, 2, p. 497.
107.
Cfr. Pontificale romanum, De Ordinatione presbyterorum, na imposição das
vestes.
108.
Cfr. Pontificale romanum, De Ordinatione presbyterorum, no prefácio.
109. Cfr. S. Inácio M., Philad.
4:
ed. Funk, I, p. 266. S. Cornélio I, em S. Cipriano, Epist. 48, 2: Hartel III,
2, p. 610.
110.
Constitutiones Ecclesiae aegyptiacae, III, 2: ed. Funk, Didascalia, II, p. 103.
Statuta Eccl. Ant. 31-41: Mansi 3, 954. 75 S. Policarpo, Ad Phil. 5, 2: ed.
Funk, p. 300: Cristo é chamado «omnium diaconus factus». Cfr. Didachè, 15, 1:
ib., p. 32, S. Inácio M., Trall. 2, 3: ib., p. 242. Constitutiones Apostolorum,
8, 28, 4: ed. Funk, Didascalia, I, p. 530.
111.
S. Agostinho, Serm. 340, 1: PL 38, 1483.
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