18/12/2011

Estamos predestinados? 5


A reforma protestante, deu origem a uma heresia, que ainda se move, mas que está chamada a seguir os caminhos, que varias outras seguiram já há uns largos mais de 2000 anos da historia da Igreja católica, como pode ser o caso de os pelagianos, maniqueus, adopcionistas,… e muitas outras. Calvino foi condenado por herege em razão deste ensinamento.  Calvino não só acreditou na predestinação mas também Lutero, Zwinglio, Huss,  Wycliff  e todos os principais hierarcas protestantes da primeira época da Reforma. Ironicamente, hoje a vasta maioria das igrejas protestantes ou evangélicas não crêem nesta doutrina, pelo menos não da maneira que foi e possivelmente todavia seja acreditada por algum protestante histórico agarrado aos princípios da reforma protestante. Na maioria das igrejas protestantes já não se fala de predestinação, porque parece que esta doutrina, não os torna populares entre a clientela e então é melhor esquecer o tema. Evidentemente que esta doutrina herética foi devidamente condenada no Concilio de Trento onde se fez a Contra-reforma.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

Criar necessidades

      Reflectindo
Os que não estão habituados a negar-se nada,   os que abrem a porta a tudo o que lhe pedem os sentidos, os que procuram em primeiro lugar o corpo e só se preocupam em procurar as maiores comodidades, dificilmente poderão ser donos de si mesmos e alcançar Deus. Estão como que embotados, inclusive embrutecidos, para o divino, e também para muitos valores humanos, que não entendem e para os quais se encontram incapacitados. (...) Viver esta virtude não é repressão, mas sim moderação, harmonia. É um hábito que se adquire através de muitos pequenos actos que ordenam os prazeres, inclusive os lícitos, e dirigem os bens sensíveis ao fim ultimo do homem. (...) Viver bem esta virtude supõe andar desprendido dos bens, dar-Lhes a importância que têm e não mais, não criar-se necessidades; não realizar gastos inúteis; ter moderação na comida, na bebida, no descanso; prescindir de caprichos... (...) Os sacerdotes podem ver-se obrigados a adiar ou inclusive deixar outras actividades por falta de tempo, mas nunca o confessionário.

(btº. joão paulo ii, Homília, Roma, 1978.11.17) 18/12.

Vivendo o Advento

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Tratado De Deo Trino 43

Art. 3. – Se o Espírito Santo procede do Pai, pelo Filho.

(I Sent., dist. XII, a. 3; Contra errores Graec., parte II, cap. IX).

O terceiro discute-se assim. – Parece que o Espírito Santo não procede do Pai, pelo Filho.

1. – Pois quem procede de outrem por meio de um terceiro não procede imediatamente. Logo, se o Espírito Santo procede do Pai, pelo Filho, não procede imediatamente, o que parece inadmissível.

2. Demais. – Se o Espírito Santo procede do Pai, pelo Filho, deste procede por causa do Pai. Ora, o que faz com que uma coisa seja o que é mais essa coisa do que ela própria o e. Logo, procede o Espírito Santo mais do Pai do que do Filho.

3. Demais. – O Filho tem o ser por geração. Se pois o Espírito Santo procede do Pai, pelo Filho, segue-se que, primeiro, é gerado o Filho e, depois, procede o Espírito Santo. E assim, não é eterna esta processão, o que é herético.

4. Demais. – Quando se diz que alguém obra por meio de outrem, pode-se também dizer o inverso. Assim, dizendo-se que o rei obra por meio do súbdito pode-se também dizer que o súbdito obra por meio do rei. Ora, de modo nenhum se pode dizer que o Filho espira o Espírito Santo, pelo Pai. Logo, de nenhum modo se pode dizer que o Pai espira o Espírito Santo, pelo Filho.

Mas, em contrário, diz Hilário: Suplico-te que conserves a religião da minha fé, para que sempre te obtenha a ti, ó Pai; e adore juntamente contigo o teu Filho; e mereça o teu Espírito Santo, que vem de ti, pelo teu Unigênito [1].

Em todas as locuções onde se diz, que alguém obra por outro, a preposição por designa, na causal, alguma causa ou princípio desse acto. Mas, como o acto é uma mediania entre o autor e a sua obra, algumas vezes a locução causal, à qual se adjunge a preposição por, é causa do acto como partindo do agente. E, então é a causa de o agente agir, quer seja causa final, formal, efectiva ou motora. Final, quando, p. ex., dizemos que o artífice obra por cobiça do lucro; formal, se dissermos que obra pela sua arte; motora, se dissermos, que obra por ordem de outro. Outras vezes porém a locução causal, à qual se adjunge a preposição por, é causa do acto enquanto este termina no seu resultado; como se dissermos: O artífice obra pelo martelo. Pois isto não significa que o martelo seja a causa de agir o artífice, mas sim, a de proceder, deste, o artificiado; e que isto mesmo o martelo recebe do artífice. E tal é o que alguns ensinam, dizendo que a preposição por, ora designa o autor, directamente, como quando se diz – o rei obra pelo súbdito; ora indirectamente, como na frese – o súbdito obra pelo rei.

Ora, como o Filho recebe do Pai a razão de proceder de si o Espírito Santo, podemos dizer que o Pai, pelo Filho, espira o Espírito Santo, ou que este procede do Pai, pelo Filho, o que é o mesmo.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Em qualquer ação duas coisas se devem considerar: o suposto agente e a virtude pela qual age; assim o fogo aquece pelo calor. Considerando-se pois no Pai e no Filho a virtude pela qual espiram o Espírito Santo, não há aí lugar para nenhuma mediania, por ser essa uma mesma virtude. Considerando-se porém as próprias Pessoas espirantes, então de proceder o Espírito Santo comummente do Pai e do Filho, resulta proceder imediatamente do Pai, por vir deste; e, mediatamente, por vir do Filho; e daí o dizer-se que procede do Pai, pelo Filho. Assim como Abel procedeu imediatamente de Adão, como pai; e mediatamente, por proceder a sua mãe, Eva, de Adão; embora tal exemplo de processão material seja impróprio para exprimir a processão imaterial das Pessoas divinas.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Se o Filho recebesse do Pai outra virtude numericamente diversa, para espirar o Espírito Santo, resultaria ser o Filho uma como causa segunda e instrumental; e, então, mais procederia o Espírito Santo do Pai, que do Filho. Mas uma mesma virtude espirativa, numericamente, existe no Pai e no Filho; logo, igualmente de um e outro procede o Espírito Santo. Embora por vezes se diga que este, principal ou propriamente, procede do Pai, por ter o Filho, do Pai, tal virtude.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Assim como a geração do Filho é coeterna com quem o gera e, por isso, o Pai não existia anteriormente à geração do Filho, assim, a processão do Espírito Santo é coeterna com o seu princípio. Por onde, o Filho não foi Benito antes de proceder o Espírito Santo, mas ambos são eternos.

RESPOSTA À QUARTA. – Quando se diz que alguém obra por meio de outro, nem sempre essa preposição é conversível; assim, não dizemos que o martelo obra por meio do ferreiro.

Mas dizemos que o súbdito obra por meio do rei, porque age como senhor do seu acto; ao passo que o martelo, não agindo, mas sendo usado, só é designado como instrumento. E dizemos, que o súbdito obra por meio do rei, embora a preposição por designe meio; porque quanto mais primário for o suposto, no agir, tanto mais a sua virtude se manifestará imediata, no efeito. Pois, a virtude da causa primária prende ao seu efeito a causa segunda; e por isso os primeiros princípios, nas ciências demonstrativas, se chamam imediatos. Assim pois, sendo o súbdito um meio, na ordem dos supostos agentes, dizemos, que por ele obra o rei; mas na ordem das virtudes, dizemos que o súbdito obra pelo rei, porque a virtude deste faz com que a acção daquele atinja o seu efeito. Ora, entre o Pai e o Filho não se considera a ordem, quanto à virtude, mas somente, quanto aos supostos; e por isso dizemos, que o Pai espira pelo Filho e não, inversamente.

SÃO TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica,



[1] De Trin., L. XII, n. 57

Preparando o Natal

           Oração do Natal

Menino Jesus: 

Este Natal quisera receber-te com aquele enlevo e carinho de Tua Santíssima Mãe, com a atenção e cuidados de São José, com a alegria e simplicidade dos Pastores de Belém.
São Josemaria, ajudai-me nestes propósitos.


ama, Advento 2011

Música e oração

"Ave Maria" - Kimi Skota - Andre Rieu  


selecção ALS

Evangelho do dia e comentário



Perante a vinda eminente do Senhor, os homens devem dispor-se interiormente, fazer penitência dos seus pecados, rectificar a sua vida para receber a graça especial divina que traz o Messias. Tudo isso significa esse aplanar os montes, rectificar e suavizar os caminhos de que fala o Baptista. (...) A Igreja na sua liturgia do Advento anuncia-nos todos os anos a vinda de Jesus Cristo, Salvador nosso, e exorta cada cristão a essa purificação da sua alma mediante uma renovada conversão interior[i]

Domingo da IV semana do Advento 18 de Dezembro
Evangelho: Lc 1, 26-38

26 Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. 28 Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». 29 Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. 30 O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; 31 eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. 32 Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; 33 reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim». 34 Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?». 35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; 37 porque a Deus nada é impossível». 38 Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Comentário:

A «escrava do Senhor» e para sempre ficaram gravadas estas palavras!
Não foi uma resposta "estudada" - como poderia - mas o simples expressar uma convicção profundamente sentida fruto de uma humildade serena e totalmente consentida.
Esta «escrava do Senhor» é, nada menos que a Rainha dos Céus, a Mãe de Deus e de toda a humanidade por via de quem lhe veio a salvação.

(ama, comentário sobre Lc 1, 26-38, 2011.10.07)

Textos de São Josemaria Escrivá

Seguir de perto os passos de Cristo

A nossa condição de filhos de Deus levar-nos-á – insisto – a ter espírito contemplativo no meio de todas as actividades humanas – luz, sal e levedura, pela oração, pela mortificação, pela cultura religiosa e profissional –, fazendo realidade este programa: quanto mais dentro do mundo estivermos, tanto mais temos de ser de Deus. (Forja, 740)

Não contemplamos o mundo com um olhar triste. Talvez involuntariamente, prestaram um fraco serviço à catequese os biógrafos de santos que queriam encontrar a todo o custo coisas extraordinárias nos servos de Deus, logo desde os primeiros vagidos. (…)
Agora, com o auxílio de Deus, aprendemos a descobrir ao longo dos dias (aparentemente sempre iguais) spatium verae penitentiae, tempo de verdadeira penitência; e nesses instantes fazemos propósitos de emendatio vitae, de melhorar a nossa vida. Este é o caminho para nos predispormos à graça e às inspirações do Espírito Santo na alma. E com essa graça – repito – vem o gaudium cum pace, a alegria, a paz e a perseverança no caminho. (Cristo que passa, 9)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

17/12/2011

Presépio


Se alguma vez não posso estar nos braços de Tua Mãe, junto de Ti, colocar-me-ei junto dessa mula e desse boi que Te acompanham no Presépio. Serei o cãozinho da família. 



(Meditação, 06.01.1970.01.06)

Pensamentos inspirados à procura de Deus

À procura de Deus



Jesus não é a cruz.


Mas na nossa cruz,


encontramos Jesus.

jma

Vivendo o Advento

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Estamos predestinados? 4



Realmente não se pode afirmar que Calvino fosse o iniciador da heresia que admite a predestinação, seja esta predestinação para o mal ou para o bem. Face à doutrina dos reformadores, segundo a qual cada um tem de acreditar na sua predestinação o Magistério da Igreja condenou a dupla predestinação à salvação e à perdição, já anteriormente ao Concilio de Trento que condenou Calvino e as teses protestantes dos auto-chamados reformadores, estas teses, já tinham sido condenadas nos concílios de Arles e no de Orange, no século IX. No concilio de Quiercy no ano 853, afirma-se contra Godescalco de Orbais, que os que se salvam são salvos por um dom de Deus, enquanto os que se perdem, perdem-se por sua própria culpa. No concilio de Trento afirma-se contra Huss, Wycliff e sobre tudo contra Calvino que não há uma predestinação para o mal e estabelece que não há nenhuma certeza infalível de facto, a não ser por uma revelação particular de Deus. O motivo desta incerteza reside na possibilidade que temos de rejeitar o amor que Deus oferece a todos os homens.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)


Tratado De Deo Trino 42

Art. 2. – Se o Espírito Santo procede do Filho.

(I Sent., dist. XI, a. 1; IV Cont. Gent., cap. XXIV, XXV; De port., q. 10, a. 4, 5; Contra errores Graec., parte II, cap. XXVII usque ad XXXII; Compend. Theol., cap. XLIX; Contra Graecos, Armenos, etc., cap. IV; in Ioan., cap. XV, lect. VI; cap. XVI, lect IV).

O segundo discute-se assim. – Parece que o Espírito Santo não procede do Filho.

1. – Pois, segundo Dionísio, não devemos ousar dizer nada da divindade substancial, além do que nos foi devidamente expresso nas Sagradas Letras [1]. Ora, a Sagrada Escritura não diz que o Espírito Santo procede do Filho, mas só, que procede do Pai (Jo 15, 26): O espírito de verdade que procede do Pai. Logo, o Espírito Santo não procede do Filho.

2. Demais. – No símbolo do Sínodo Constantinopolitano lê-se: Cremos no Espírito Santo, Senhor e vivificador, procedente do Pai, e que deve ser com o Pai e o Filho adorado e glorificado [2]. Logo, de nenhum modo se devia acrescentar, em o nosso símbolo, que o Espírito Santo procede do Filho; mas devem se considerar réus de anátema os que o fizeram [3].

3. Demais. – Damasceno diz: dizemos que o Espírito Santo procede do Pai e lhe chamamos Espírito do Pai; porém não dizemos que procede do Filho, embora lhe chamemos Espírito do Filho [4]. Logo, o Espírito Santo não procede do Filho.

4. Demais. – Nada procede do ser em que repousa. Ora, o Espírito Santo repousa no Filho, pois diz a legenda de Santo André: A paz convosco e com todos os que crêem em um Deus Padre, e num só seu Filho, único Senhor Jesus Cristo, e em um Espírito Santo procedente do Pai e que permanece no Filho [5]. Logo, o Espírito Santo não procede do Filho.

5. Demais. – O Filho procede como Verbo. Ora, o nosso espírito parece que não procede, em nós, do nosso verbo. Logo, nem o Espírito Santo procede do Verbo.

6. Demais. – O Espírito Santo procede perfeitamente do Pai. Logo, é supérfluo dizer que procede do Filho.

7. Demais. – No que é perfeito não difere o ser, do poder, como diz o Filósofo [6]; e, muito menos em Deus. Ora, o Espírito Santo pode se distinguir do Filho, mesmo se deste não procede; pois, diz Anselmo: O Filho e o Espírito Santo têm certamente o ser do Pai, mas de diverso modo; um nascendo [7] outro, procedendo, de maneira que ambos entre si se distinguem [8]. E depois acrescenta: Pois, se por outra razão não se diversificassem o Filho e o Espírito Santo, só por aí se diversificariam [9]. Logo, o Espírito Santo, não existindo pelo Filho, deste se distingue.

Mas, em contrário, diz Atanásio: O Espírito Santo não é feito, nem criado, nem gerado pelo Pai e pelo Filho, mas é deles procedente [10].

É necessário admitir-se que o Espírito Santo procede do Filho. Pois, se deste não procedesse, dele não poderia de modo nenhum pessoalmente distinguir-se, o que resulta claro do que já dissemos [11]. Nem é possível dizer-se que as Pessoas divinas se distingam entre si, absolutamente falando, pois, daí seguir-se-ia não ser uma a essência das três, porquanto tudo o que de Deus absolutamente se predica pertence à unidade de essência. Donde se conclui, que só pelas relações se distinguem, entre si as Pessoas divinas. Ora, as relações só como opostas é que podem distinguir as Pessoas, o que assim se demonstra: tem o Pai duas relações; uma referente ao Filho e outra, ao Espírito Santo; as quais todavia, por não serem opostas, não constituem duas pessoas, mas pertencem unicamente à só pessoa do Pai. Se, portanto, no Filho e no Espírito Santo só houvesse duas relações, pelas quais um e outro se referissem ao Pai, elas não seriam opostas entre si, como não o são as duas pelas quais o Pai a eles se refere. Por onde, como a pessoa do Pai é una, seguir-se-ia também ser una a pessoa do Filho com a do Espírito Santo, tendo duas relações opostas às duas do Pai. Ora, isto é herético porque destrói a fé na Trindade. Logo, é necessário refiram-se entre si o Filho e o Espírito Santo por opostas relações senão as de origem, como já provamos [12]. Mas as relações opostas de origem se fundam no princípio e no que provém do princípio. Logo, e necessariamente, ou o Filho procede do Espírito Santo, o que ninguém diz, ou o Espírito Santo procede do Filho, como nós confessamos.

Com o que também está de acordo a razão da processão de um e outro. Pois, já dissemos [13] que o Filho, como Verbo, procede a modo de intelecto; porém, o Espírito Santo a modo de vontade, como Amor. Ora, necessariamente, do verbo procede o amor. Pois não amamos senão a quem apreendemos pela concepção mental. Por onde, desta maneira, é manifesto que o Espírito Santo procede do Filho.

Mas também a própria ordem das coisas assim o ensina. Pois, nunca vemos de um ser procederem desordenadamente outros, salvo quando diferem só materialmente; assim, um ferreiro faz muitos cutelos materialmente distintos entre si, sem nenhuma ordem mútua. Porém as coisas, que se distinguem não só pela distinção material, sempre mantêm uma certa ordem entre si. Por isso, também a ordem das criaturas manifesta o esplendor da divina sabedoria. Se pois de uma mesma pessoa, a do Pai, procedem duas outras, o Filho e o Espírito Santo, é necessário tenham elas entre si uma certa ordem, e esta não pode ser outra senão a de natureza, por cuja ordem um procede do outro. Logo, não é possível dizer-se, que o Filho e o Espírito Santo procedem do Pai de modo tal que nenhum deles proceda do outro; a menos que introduzamos entre eles uma distinção material, o que é impossível.

Por isso, também os próprios Gregos admitem certa ordem relativa ao Filho, na processão do Espírito Santo; pois concedem que o Espírito Santo é Espírito do Filho e que procede do Pai pelo Filho. E diz-se que alguns deles concedem, que o Espírito Santo vem do Filho, ou dele promana; não, porém, que proceda. O que provém da ignorância ou da petulância. Pois quem reflectir atentamente verá que é generalíssimo o vocábulo processão, dentre todos os que exprimem uma origem qualquer. Assim, dele usamos para designar qualquer origem, dizendo, p. ex., que a linha procede do ponto; o raio, do sol; o rio, da fonte, e em outros casos semelhantes. Por onde, de tudo o que se refere à origem podemos concluir, que o Espírito Santo procede do Filho.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Não devemos dizer de Deus o que não se acha na Sagrada Escritura textualmente ou pelo sentido. Embora pois nela não leiamos textualmente, que o Espírito Santo procede do Filho, encontramo-lo todavia, quanto ao sentido e precipuamente onde diz o Filho, falando do Espírito Santo (Jo 16, 14): Ele me clarificará porque há-de receber do que é meu. E também de ordinário devemos entender na Sagrada Escritura, como necessariamente dito, do Filho, o que diz do Pai, mesmo quando acrescentar a locução exclusiva, excepto quando o Pai e o Filho se distinguem segundo relações opostas. Assim, as palavras do Senhor (Mt 11, 27): Ninguém conhece o Filho senão o Pai – não impedem o Filho de se conhecer a si mesmo. Logo, quando se diz que o Espírito Santo procede do Pai, mesmo acrescentando que só do Pai procede, isso não exclui o Filho; pois, como princípio do Espírito Santo, não se opõem Pai e Filho, senão somente enquanto um é Pai e outro Filho.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Cada Concílio instituiu algum símbolo, por causa de algum erro que condenava. Por isso, o Concílio seguinte não constituía símbolo diferente do primeiro, mas apenas o explanava, contra os heréticos insurgentes, desenvolvendo o que já implicitamente continha o primeiro. Assim, o Sínodo Calcedonense determinou que os membros do Concílio Constantinopolitano transmitiriam a doutrina do Espírito Santo, não inferindo ser insuficiente o que estabeleceu o Concílio anterior, reunido em Niceia, mas declarando-lhe o sentido, contra os heréticos [14]. Pois, como no tempo dos antigos Concílios ainda não era nascido o erro dos que dizem não proceder o Espírito Santo, do Filho, não foi necessária referência explícita a este erro. Mas, quando ele mais tarde apareceu, foi expresso em certo Concílio reunido no ocidente por autoridade do Romano Pontífice, por cuja autoridade também foram reunidos e confirmados os antigos Concílios. – Ora, que o Espírito Santo procede do Filho já estava implícito no dizer-se que procede do Pai.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Foram os Nestorianos os primeiros a ensinarem que o Espírito Santo não procede do Filho, como se vê por um símbolo deles, condenado no Sínodo Efesino [15]. E tal erro foi seguido por Teodoreto Nestoriano [16] e vários depois deles, entre os quais também Damasceno; razão pela qual a opinião deste não a devemos seguir, nesta matéria. Embora certos digam que Damasceno, se não confessa que o Espírito Santo procede do Filho, também não o nega, pelas palavras citadas.

RESPOSTA À QUARTA. – O dizer-se que o Espírito Santo repousa ou permanece no Filho, não exclui que dele proceda; pois, também dizemos que o Filho permanece no Pai, e todavia dele procede. E também dizemos que o Espírito Santo repousa no Filho, ou como o amor do amante, no amado, ou considerando a natureza humana de Cristo, em virtude do que diz a Escritura (Jo 1, 33): Aquele sobre que tu vires descer o Espírito e repousar sobre ele, esse é o que baptiza no Espírito Santo.

RESPOSTA À QUINTA. – O Verbo divino não é comparável ao verbo vocal, do qual não procede o espírito; porque então o Verbo divino teria sentido metafórico. Mas é comparável ao verbo mental, do qual procede o amor.

RESPOSTA À SEXTA. – Por proceder perfeitamente do Pai, não somente não é supérfluo dizer-se que o Espírito Santo procede do Filho, mas antes, é absolutamente necessário. Pois sendo uma mesma a virtude do Pai e do Filho, tudo quanto procede do Pai há de necessariamente proceder do Filho, salvo o que repugnar à propriedade da filiação. Assim o Filho não procede de si mesmo, embora proceda do Pai.

RESPOSTA À SÉTIMA. – O Espírito Santo distingue-se pessoalmente do Filho porque a origem de um se distingue da do outro. Mas a diferença mesma da origem consiste em proceder o Filho só do Pai, ao passo que o Espírito Santo, do Pai e do Filho. E nem de outro modo se distinguiriam as processões, como já ficou antes demonstrado.

SÃO TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica,



[1] De div. nom., c. 1.
[2] Primae (a. 381).
[3] Vide Conc. Ephes. (a. 431).
[4] De Fide Orth., l. 1, c. 8.
[5] In principio.
[6] III Physic., c. 4.
[7] De Processione Spiritus Sancti, c. 4.
[8] De Processione Spiritus Sancti, c. 4.
[9] De Processione Spiritus Sancti, c. 4.
[10] In Symbolo Quicumque.
[11] Q. 28, a. 3; q. 30, a. 2.
[12] Q. 28, a. 4.
[13] Q. 27, a. 2, 4; q. 28, a. 4.
[14] Actione V.
[15] Actione VI.
[16] Epist. 171, ad Ioannem Antiochiae Episc

Preparando o Natal


           Oração do Natal

Menino Jesus: 

Este Natal quisera receber-te com aquele enlevo e carinho de Tua Santíssima Mãe, com a atenção e cuidados de São José, com a alegria e simplicidade dos Pastores de Belém.
São Josemaria, ajudai-me nestes propósitos.


ama, Advento 2011

Apostolado

Reflectindo
Cristo escolheu-nos para que fossemos como lâmpadas; para que nos convertêssemos em mestres dos demais; para que actuássemos como fermento; para que vivêssemos como anjos entre os homens, como adultos entre crianças, como espirituais entre gente somente racional; para que fossemos semente; para que produzíssemos fruto. Não seria necessário abrir a boca, se a nossa vida resplandecesse desta maneira. Sobrariam as palavras, se mostrássemos as obras. Não haveria um só pagão, se nós fossemos verdadeiramente cristãos.

(s. joão crisóstomo, Epístola I, ad Timotheo Homíliae, X 3 (nr. 62, 551) 

Evangelho do dia e comentário

Advento III Semana

Perante a vinda eminente do Senhor, os homens devem dispor-se interiormente, fazer penitência dos seus pecados, rectificar a sua vida para receber a graça especial divina que traz o Messias. Tudo isso significa esse aplanar os montes, rectificar e suavizar os caminhos de que fala o Baptista. (...) A Igreja na sua liturgia do Advento anuncia-nos todos os anos a vinda de Jesus Cristo, Salvador nosso, e exorta cada cristão a essa purificação da sua alma mediante uma renovada conversão interior[i]
Sábado da II semana do Advento 17 de Dezembro


Evangelho: Mt 1, 1-17
1 Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão. 2 Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3 Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esron, Esron gerou Aram. 4 Aram gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson, Naasson gerou Salmon. 5 Salmon gerou Booz de Raab, Booz gerou Obed de Rut, Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei David. 6 David gerou Salomão daquela que foi mulher de Urias. 7 Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa. 8 Asa gerou Josafat, Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias. 9 Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias. 10 Ezequias gerou Manassés, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias. 11 Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilónia. 12 E, depois da deportação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel. 13 Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor. 14 Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud. 15 Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matan, Matan gerou Jacob, 16 e Jacob gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 17 Assim, são catorze todas as gerações desde Abraão até David; e catorze gerações desde David até à deportação para Babilónia, e também catorze as gerações desde a deportação para Babilónia até Cristo.
Comentário:

Talvez seja escusado, podemos pensar, ler esta descrição pormenorizada da genealogia de Jesus Cristo. Basta-nos saber - e acreditar firmemente - que, Ele, é o Filho de Deus feito homem gerado por obra e graça do Espírito Santo no seio puríssimo da Virgem Maria.
Não!

O Evangelho foi escrito para ser lido e meditado e nada do que nele consta é dispensável.
De facto, conhecemos o Evangelho e podemos citar de cor muitas das suas passagens mas o que temos de considerar é que, ler e meditar as páginas do Evangelho - todas - é fazer oração e, nesta, não se omite ou "salta" o que já sabemos ou é repetitivo.


(ama, comentário sobre Mt 1, 1-17, 2010.12.17)

Música e entretenimento

Elgar Cello Concerto, 1st mvmt -


Yo-Yo Ma -  Daniel Baremboim



selecção ALS

Textos de São Josemaria Escrivá

Tempos diários de oração

Se desejas deveras ser alma penitente – penitente e alegre –, deves defender, acima de tudo, os teus tempos diários de oração, de oração íntima, generosa, prolongada, e hás-de procurar que esses tempos não sejam ao acaso, mas a hora fixa, sempre que te for possível. Sê escravo deste culto quotidiano a Deus, e garanto-te que te sentirás constantemente alegre. (Sulco, 994)

Como anda a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de falar mais devagar com Ele? Não Lhe dizes: logo vou contar-te isto e aquilo; logo vou conversar sobre isso contigo?
Nos momentos dedicados expressamente a esse colóquio com o Senhor o coração expande-se, a vontade fortalece-se, a inteligência – ajudada pela graça – enche a realidade humana com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros, práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade, todos os homens, de te empenhares a fundo – com o empenho dos bons desportistas – nesta luta cristã de amor e de paz.
A oração torna-se contínua como o bater do coração, como as pulsações. Sem essa presença de Deus não há vida contemplativa. E sem vida contemplativa de pouco vale trabalhar por Cristo, porque em vão se esforçam os que constroem se Deus não sustenta a casa.
Para se santificar, o cristão corrente – que não é um religioso e não se afasta do mundo, porque o mundo é o lugar do seu encontro com Cristo – não precisa de hábito externo nem sinais distintivos. Os seus sinais são internos: a constante presença de Deus e o espírito de mortificação. Na realidade, são uma só coisa, porque a mortificação é apenas a oração dos sentidos. (Cristo que passa, nn. 8–9)


© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

16/12/2011

HISTÓRIA DA “COMUNHÃO ESPIRITUAL”

S. Josemaria aprendeu uma oração – a “comunhão espiritual” – dos lábios de um religioso. Mas qual é a origem dessa oração? O autor deste artigo encontrou-a “casualmente” nas páginas de um catecismo antigo.
  
O fundador do Opus Dei aprendeu a “comunhão espiritual” dos lábios do Padre Manuel Laborda: “eu quisera, Senhor, receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que vos recebeu vossa Santíssima Mãe, com o espírito e o fervor dos santos.

Uma oração que deu a volta ao mundo

Sabia que o fundador do Opus Dei aprendeu a “comunhão espiritual” dos lábios do Pe. Manuel Laborda, natural de Borja, Saragoça, e professor em Barbastro. Mas, qual a origem desta jóia da piedade eucarística? Rezavam-na no colégio ou foi composta pelo religioso? Pois bem, ainda que não procurasse a origem desta oração, encontrei-a, e a descoberta foi verdadeiramente providencial.


Estava a realizar uma investigação para publicar um artigo sobre Nossa Senhora em Scripta de Maria, a revista do Instituto Mariológico de Torreciudad, quando me veio à lembrança o catecismo por onde estudei na paróquia da minha terra, para preparar a Primeira Comunhão: o famoso catecismo do Padre Ramo, como se dizia. Pensei que talvez seria o mesmo por onde estudou o Padre em pequeno no colégio de Barbastro.

Veio-me à ideia o catecismo por onde estudei na paróquia da minha terra, para preparar a Primeira Comunhão: o famoso Catecismo do Padre Ramo, como se dizia. Pensei que talvez seria o mesmo por onde estudou S. Josemaria em pequeno no colégio de Barbastro.

Perguntei na biblioteca da Universidade de Navarra. Tinham um exemplar que, passado tempo, me mandaram digitalizado. Pelo seu estado de conservação, lê-se com alguma dificuldade. Mas entretanto, efectuei também pesquisas no colégio dos Escolápios de Alcañiz, onde o autor tinha sido reitor. Sugeriram-me que fosse aos Escolápios de Saragoça, onde consegui cópia do chamado catecismo maior. Explicación de la Doctrina Cristiana. Según el método con que la enseñan los Padres de las Escuelas Pías. Dispuesta en forma de Diálogo entre Maestro y Discípulo. Por el P. Cayetano de S. Juan Bautista, Sacerdote de dichas Escuelas Pías. Foi editado em Pamplona em 1800 e tem 357 páginas. Fui lendo pouco a pouco, e qual seria a minha surpresa quando dei com o seguinte texto, na página 308, onde o autor convida a avivar o desejo de receber a Cristo, explicando também como fazê-lo:

yo quisiera Señor, y Dios mío, recibiros con aquella pureza, humildad, y amor con que os recibió vuestra Santísima Madre, y con el fervor, y espíritu de los Santos (eu quisera Senhor, e meu Deus, receber-vos com aquela pureza, humildade e amor com que vos recebeu a vossa Santíssima Mãe, e com o fervor, e espírito dos Santos).

Talvez que aquela resposta do catecismo, à força de ser ensinada e repetida, se tenha alterado, com ligeiras variantes, em oração; ou talvez fosse o mesmo Pe. Laborda quem lhe deu forma. Em qualquer caso, ali estava presente o património de piedade dos Escolápios, que aquele bom religioso transmitiu a S. Josemaria. Se a origem da fórmula é atribuída ao Padre Caetano de S. Juan Bautista, ou este a copiou de outro autor anterior, também é um tema que será interessante investigar…

Já que a fotocópia com que trabalhei não era de muita qualidade – as manchas escuras que em alguns pontos dificultam o trabalho do scanner o texto – , pensei que o melhor era copiá-lo para o computador. Foi o que fiz. O processo foi trabalhoso e bastante demorado, quase dois anos, até conseguir a reconstrução desse velho catecismo. Copiei, ordenei e fiz a maqueta do livrinho com o computador, e assim conservou quase a sua primitiva fisionomia.

Posteriormente, escrevi ao Prelado do Opus Dei, comunicando-lhe o achado. Também pensei que lhe daria gosto ter o texto completo do livro, e enviei-lho. Recordo que o fundador do Opus Dei, em momentos de confusão na vida da Igreja, nos recomendava recorrer às fontes seguras, aos velhos catecismos cheios de doutrina e de piedade.

"A Igreja de Deus e os sacerdotes de Deus, desde há vinte séculos, pregam o mesmo (…). Porque – gosto muito de dizê-lo – a religião não foi feita pelos homens de braço erguido, por votação… Pegai nos velhos catecismos! Filhas minhas, filhos meus: são tesouros maravilhosos! Não os deiteis fora!, lede-os (…) e lede-os com calma para conservar a fé dos vossos filhos."

Também agora existe um grande instrumento para aprofundar e dar a conhecer a fé: o Catecismo da Igreja Católica e o seu Compêndio, como expressão da fé perene da Igreja.

Sem pretender, sem saber como, a Providência encaminhou os meus passos até chegar a esta feliz descoberta, graças a Deus. De certeza, que S. Josemaria teve algo que ver com isto!

Don Jesus Sancho Bielsa é sacerdote da diocese de Teruel (Espanha) e doutor em Teologia. Foi catedrático de grego, de Teologia Dogmática no Seminário Maior de Teruel, e professor de Teologia dos Sacramentos na Universidade de Navarra.

Fonte: pt.josemariaescriva.info, 2011/11/19

INFORMAÇÕES MUITO BREVES [De vez em quando] 2011.12.16