30/07/2011

Tema para breve reflexão

Reflectindo
Amor

Amor com amor se paga, mas o amor efectivo, que se manifesta em realizações concretas, em cumprir os nossos deveres para com Deus e para com os outros, ainda que esteja ausente o sentimento, e tenhamos que ir encosta acima. Está claro que a suma perfeição não está em prazeres interiores nem em grandes arroubos (...), mas sim em estar a nossa vontade tão conforme a Vontade de Deus, que nada que entendamos que Ele queira, que não a queiramos com toda a nossa vontade.

(stª. teresa d’ávila, Fundaciones, 5, 10, trad ama)

A Dor

Conta, peso e medida


Consolos ante a dor.



Sofrer toca a todos. 


É próprio da condição humana limitada. 


Resignação portanto, e não agravar a pena dando voltas ao motivo.






Ideasrapidas, trad ama

2011.07.30

Música e repouso

Mozart: Lodi al gran Dio (Betulia liberata)



agrad ALS

Evangelho do dia e comentário

S. Pedro Crisólogo, Doutor da Igreja [1]






T. Comum– XVII Semana

Evangelho: Mt 14, 1-12

1 Naquele tempo, o tetrarca Herodes ouviu falar da fama de Jesus, 2 e disse aos seus cortesãos: «Este é João Baptista, que ressuscitou dos mortos, e por isso se operam por meio dele tantos milagres». 3 Porque Herodes tinha mandado prender João, e tinha-o algemado e metido no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe. 4 Porque João dizia-lhe: «Não te é lícito tê-la por mulher». 5 E, querendo matá-lo, teve medo do povo, porque este o considerava como um profeta.6 Mas, no dia natalício de Herodes, a filha de Herodíades bailou no meio dos convivas e agradou a Herodes. 7 Por isso ele prometeu-lhe com juramento dar-lhe tudo o que lhe pedisse. 8 E ela, instigada por sua mãe, disse: «Dá-me aqui num prato a cabeça de João Baptista». 9 O rei entristeceu-se, mas, por causa do juramento e dos comensais, ordenou que lhe fosse entregue. 10 E mandou degolar João no cárcere. 11 A sua cabeça foi trazida num prato e dada à jovem, e ela levou-a à mãe. 12 Chegando os seus discípulos levaram o corpo e sepultaram-no; depois foram dar a notícia a Jesus.

Comentário:

«O rei entristeceu-se, mas, por causa do juramento e dos comensais»…

A maior demonstração dos falsos sentimentos, talvez aquilo que se costuma chamar “lágrimas de crocodilo”, eis o que o Evangelho de hoje nos põe a nu.

Como é possível entristecer-se e, ao mesmo tempo, praticar o mal que, presumivelmente, causava essa tristeza?
Há uma total ausência de valores e critério.
Herodes tem consciência que a ordem que vai dar é horrível, um acto, que no seu íntimo, repudia mas, por causa dos respeitos humanos não houve a sua voz interior e procede como se fosse, realmente, senhor da vida e da morte.

Na verdade, a morte do Baptista, não lhe diz nada ou, quando muito, um sentimento de incómodo; para ele, é muito mais importante que os convidados da festa o tenham em grande conceito e ao seu poder absolutamente discricionário.

A vaidade pessoal é, quase sempre, a base dos respeitos humanos e da ausência de sentimentos de justiça.

(ama, comentário sobre Mt 14, 1-12, 2010.07.31)


[1] São Pedro Crisólogo

O santo deste dia, nasceu em Ímola, na Itália, no ano de 380 e "aproveitou" sua vida, gastando-se totalmente pelo Evangelho, a ponto de ser reconhecido pela Igreja como Doutor da Igreja (isto se deu em 1729, pelo Papa Bento XIII). São Pedro Crisólogo tinha este nome por ter se destacado, principalmente pelo dom da pregação - Crisólogo significa 'O homem da palavra de ouro' (este cognome foi-lhe dado a partir do Séc IX).
Diante da morte do bispo de Ravena, o escolhido para substituí-lo foi Pedro, que neste tempo vivia num convento, aonde queria oferecer-se como vítima no silêncio; mas os planos do Senhor fizeram dele, bispo. Pastor prudente e zeloso da Igreja usou do dom da pregação como instrumento do Espírito para a conversão de pagãos, hereges e cristãos indiferentes na vivência da própria fé.
São Pedro Crisólogo, com o seu testemunho de santidade, conhecimento das ciências teológicas e dom de comunicação venceu a heresia do Monofisismo, a qual afirmava Jesus ter apenas uma só natureza, e não a misteriosa união da natureza Divina e Humana como o próprio nos revelou. Um homem que tinha o pecado no coração, porém Pedro lutou com as armas da oração, jejum e mortificações para assim desfrutar e transmitir, pela Palavra, o tesouro da graça, isto até entrar na Glória Celeste em 450.

Mais de 1.300 médicos em Portugal são objectores de consciência ante o aborto

Medicina e Apostolado

Segundo informa a agência de notícias portuguesa LUSA, já são mais de 1.300 médicos em Portugal que actualmente se qualificam formalmente como objectores de consciência na questão do aborto, que o governo se refere pelo eufemismo de interrupção voluntária da gravidez IVG segundo dados da Ordem dos Médicos (OM).
A questão da objecção de consciência foi suscitada logo que entrou em vigor, em Julho de 2007, a regulamentação da lei do aborto a pedido da mulher. Recordamos que em Portugal o aborto está legalizado.
Segundo o Jornal Diário de Notícias, a nova lei que foi elaborada e aprovada, permite que um médico ou enfermeiro declarem objecção de consciência num hospital público, não realizando o aborto pedido pela mulher, e façam a interrupção voluntária da gravidez (IGV) num privado. O mesmo jornal informou o número de abortos realizados em Portugal aumentou desde o início do ano, um crescimento que pode estar associado à crise económica, segundo responsáveis clínicos.
A regulamentação da lei não previu devidamente a situação e, a verdade, é que esta possibilidade existe, já que a objecção se limita a uma declaração entregue no hospital onde o médico trabalha.

Entretanto, a Ordem dos Médicos apontou para a necessidade de ter um registo dos médicos objectores de consciência, lembrando ainda que não há consenso em relação às diferentes situações de objecção entre os clínicos: existem objectores em relação ao aborto a pedido da mulher que não o são, por exemplo, em relação às interrupções de gravidez nos casos de estupro.

LISBOA, 17 Maio 11 (ACI). 

Miséria humana

Definitivamente, o mundo, perdeu o sentido da dignidade da vida humana.

Não vou dissertar sobre o costume: os “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo, as teorias de “género”, a eutanásia e o aborto e todo o miserável cortejo de canalhices que os próceres iluminados de hoje pretendem impor – e em boa medida tem-no conseguido – à humanidade.

Vou escrever umas – poucas – linhas sobre uma jovem de 27 anos que morreu há poucos dias, ao que parece, vítima dos excessos de toda a ordem a que dedicou os últimos anos da sua curta vida.

Tenho pena da rapariga, afinal era um ser humano e, como tal, deveria ser respeitada, mas tenho muitíssimo mais pena da multidão de jovens – alguns nem tão jovens – que a convertem em ídolo, ícone e, quem sabe, exemplo!

Parece que – para quem gosta do género - cantava bem, tinha uma boa voz…e depois o que é que isso vale?

Como se vê…absolutamente nada! Ficará, talvez, o som da sua voz que não conseguirá apagar as cenas chocantes praticadas em público de alguém completamente desfasado da vida.

Sic transit gloria mundi!!!

AMA, 2011.07.28

29/07/2011

Diálogos apostólicos

Diálogos
Apostolado em férias?

Oh homem! Então qual é a dúvida?

Acaso deixas de fazer o que costumas só porque estás na praia?

Mas…Deus Nosso Senhor não vê o que fazes, estejas onde estiveres?

2011.07.29

A IGREJA - EM COMUNHÃO

Uma das muitas graças que Deus me concedeu no meu reencontro com a Fé, com o seu amor, foi um amor forte e profundo à Igreja, a tudo o que Ela é e representa, a toda a sua história, (mesmo nos tempos em que tenha andado por caminhos mais dos homens do que de Deus), e uma obediência serena, reflectida, amorosa à sua Doutrina, à sua Tradição, ao seu Magistério.


Não me coíbo, nos sítios próprios, (Conselhos Pastorais, reuniões em Igreja, etc.), de colocar os meus pensamentos, as minhas reflexões, as minhas opiniões, o que tento sempre fazer num intuito de edificação, nunca de afrontamento e/ou muito menos de divisão.


Tento aceitar, o mais humildemente possível, as negativas ou contestações àquilo que penso e digo, e muito mais o tento perante incompreensões às minhas reflexões, porque começo a ter para mim, (talvez devido à idade), que temos sempre a tendência para julgarmos que os outros não nos entendem, quando a maior parte das vezes somos nós que não os entendemos, ou não entendemos o todo, para apenas vermos uma parte.


E leio, e estudo, e ouço, e reflicto, e sobretudo oro e entrego-me ao Espírito Santo, para que seja Ele a transformar em fruto, aquilo que eu vou tentando semear em mim.
Nem sempre assim acontece, porque a minha humanidade, tão cheia de orgulho e vaidade, fecha-me por vezes o discernimento e torna-me cego perante a luz, mas a certeza inabalável de que Ele é sempre o Caminho, a Verdade e a Vida, descansa os meus receios e confirma-me que no fim de cada momento, (se eu tiver o meu coração aberto à sua presença), será sempre Ele a conduzir-me, a guiar-me.


Tudo isto vem a propósito do que recentemente me parece vir ao de cima, numa série de acontecimentos, de artigos, de opiniões, que vêm colocar em causa sobretudo a Missa tal como Ela hoje é celebrada, a Comunhão na mão, por oposto, à Missa em latim, (usando uma terminologia simples), e à Comunhão na língua, como se fosse incompatível a existência das duas formas de celebração e comunhão


Devo dizer, que tanto uma como a outra forma me servem perfeitamente, porque o meu encontro com Deus depende sobretudo da minha abertura à sua presença, e a comunhão com e em Igreja, em ambas as formas, me garante a comunhão com Deus, por sua graça.


Não vou aqui debater, (nem tenho competência para tal), a bondade de uma forma e de outra, mas apenas tentar reflectir um pouco sobre a forma como esta discussão tem vindo a ser feita, em alguns casos.


Em primeiro lugar, reafirmo a minha total obediência ao Magistério da Igreja, que não divido em antes e depois, mas sim num todo, que é ontem, hoje e sempre, e não pode ser dissociado, porque mesmo quando os homens se arrogaram a decidir por eles próprios, nunca o Espírito Santo deixou de estar presente, suscitando santas e santos, que foram a voz, em comunhão de Igreja, que fez reflectir a hierarquia a regressar à vontade de Deus para a Igreja, para a humanidade.


Isto porque me parece, como acima escrevo, que em muitos casos me parece que esta discussão reflecte muito mais uma “luta” pelo querer de cada um, do que propriamente uma preocupação em fazer a vontade de Deus.


Esgotam-se os argumentos, explicam-se as razões, defendem-se opiniões, mas tudo por vezes me parece muito mais cheio do “eu”, na defesa do meu “clube”, (perdoem-me a expressão), do que uma verdadeira reflexão, meditação, iluminada pelo Espírito Santo, que ajude a edificar e unir, muito mais do que contestar e dividir.


Nestas últimas décadas, (e ao longo da história da Igreja), o Espírito Santo tem-nos surpreendido, mudando tantas vezes coisas que nos pareciam “certas”, ou “tradições” que nos pareciam “inabaláveis”.


Pensemos, por exemplo, na eleição de João XXIII, ou de João Paulo II, no Concílio Vaticano II, e em tantos momentos da Igreja.


Quer isto dizer que não devemos reflectir, discutir esses ou outros assuntos?
Claro que não!
Devemos reflectir, discutir, analisar, mas sobretudo fazê-lo numa atitude de serviço, de comunhão de Igreja, nos lugares e momentos certos, e não numa “luta” pública, em que aqueles que vivem afastados de Deus, afastados da Igreja, perante o nosso testemunho individualista, ainda mais se afastam, porque vêm nele apenas os homens, não conseguindo por isso “descortinar” Deus a iluminar os homens.


Claro que um tema destes dava para um livro, e não apenas para um pobre texto, que peca, sem dúvida, por defeito e omissão, mas que tem apenas a intenção de colocar por escrito aquilo que vou pensando no dia-a-dia, fruto do meu amor pela Igreja, pelo seu Magistério, pela sua Tradição, tudo consubstanciado no amor de Deus, a Deus e com Deus.


Contribuo em Igreja, com as minhas reflexões e opiniões, quando me são pedidas, ou quando acho que as devo colocar porque é o tempo e o lugar certo, e pacientemente espero e confio naqueles que Deus chamou para guiarem o seu povo, na certeza de que o Espírito Santo nos conduz e os conduz, a fazermos a vontade de Deus, sempre e em tudo.


E, mesmo que a decisão da Igreja não seja aquela que eu quero ou mais me agrade, farei então e ainda, um esforço bem maior, para aceitar e amar essa decisão, porque ao fazê-lo estou a ser pedra viva da Igreja, estou a ser amorosamente membro empenhado do Corpo Místico de Cristo.


Joaquim Mexia Alves
Monte Real, 29 de Julho de 2011