16/01/2011

Diálogos apostólicos



Apareceste-me com semblante carregado como se arrastasses uma carga insuportável.

À minha pergunta respondeste que estavas metido num grande sarilho.
Insisti e acabaste por dizer que te sentias como que espartilhado no meio de uma série de obrigações e compromissos que tinhas assumido.

Tive de te pôr as coisas com clareza: subir, aparentemente, custa mais que descer. 

De facto, leva-se mais tempo a atingir o cume do que a chegar ao fundo. 

A diferença - a grande diferença - está na perspectiva; no cume, quanto mais alto mais a vista se perde na lonjura, no fundo, quanto mais fundo mais reduzido é o ângulo de visão.

49

 (ama, 2011.01.16)

A pobreza é ilegal



OBSERVANDO

Porque aliviar a pobreza não é erradicá-la

ORAÇÃO E MÚSICA 4

Gloria a Deus:




Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens por Ele amados.


Senhor Deus, Rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso:
nós Vos louvamos,
nós Vos bendizemos,
nós Vos adoramos,
nós Vos glorificamos,
nós Vos damos graças,
por vossa imensa glória.

Senhor Jesus Cristo, Filho Unigénito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai:
Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós;
Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica;
Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós.

Só Vós sois o Santo;
só Vós, o Senhor;
só Vós, o Altíssimo, Jesus Cristo;
com o Espírito Santo na glória de Deus Pai.

Ámen.

Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - II Semana



Evangelho: Jo 1, 29-34

29 No dia seguinte João viu Jesus, que vinha ter com ele, e disse: «Eis o Cordeiro de Deus, eis O que tira o pecado do mundo. 30 Este é Aquele de Quem eu disse: Depois de mim vem um homem que é superior a mim, porque era antes de mim, 31 eu não O conhecia, mas vim baptizar em água, para Ele ser reconhecido em Israel». 32 João deu este testemunho: «Vi o Espírito descer do céu em forma de pomba e repousou sobre Ele. 33 Eu não O conhecia, mas O que me mandou baptizar em água, disse-me: Aquele sobre quem vires descer e repousar o Espírito, esse é O que baptiza no Espírito Santo. 34 Eu O vi, e dei testemunho de que Ele é o Filho de Deus».
Comentário:

O presente Evangelho explica de forma clara quem é Jesus Cristo  e porquê deseja o baptismo de João. Na verdade, ao ser baptizado segundo o rito de João, Jesus quer dar uma indicação clara que este baptismo é necessário para se ingressar no Reino que Ele vem anunciar. Com uma humildade sem limites, dispõe-se a que seja outro a fazer o que Ele próprio deseja que todos façam. 


Mais tarde dirá aos Seus discípulos como fazer: «Baptizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo», consagrando assim a “fórmula” do ritual. 


Não há outro título para os que aderem ao seu reino: Baptizados!


Este Baptismo, tal como o de João, limpa dos pecados que o baptizado possa ter cometido e, principalmente, restabelece a relação de Deus com a criatura que é baptizada. 


(ama, comentário sobre Jo 1, 29-34, 2010.12.22)


O Salvador e a Cruz

TEMA PARA BREVE REFLEXÃO


O Senhor salvou-nos com a Cruz; com a Sua morte voltou a dar-nos a esperança, o direito à vida. Não podemos honrar Cristo se não O reconhecemos como nosso Salvador, se não O honramos no Mistério da Cruz...
O Senhor fez da dor um meio de redenção; redimiu-nos com a Sua dor, sempre que nós não recusemos unir a nossa dor à Sua e fazer desta com a Sua um meio de redenção. 

(paulo VIAlocução, 24.11.1967)


Doutrina





«RERUM NOVARUM»

11. Todavia a Igreja, instruída e dirigida por Jesus Cristo, eleva o seu olhar ainda para mais alto; propõe um conjunto de preceitos mais completo, porque ambiciona estreitar a união das duas classes até as unir uma à outra por laços de verdadeira amizade. Ninguém pode ter uma verdadeira compreensão da vida mortal, nem estimá-la no seu devido valor, se não se eleva à consideração da outra vida que é imortal. Suprimi esta, e imediatamente toda a forma e toda a verdadeira noção de honestidade desaparecerá; mais ainda: todo o universo se tornará um impenetrável mistério.
Quando tivermos abandonado esta vida, só então começaremos a viver: esta verdade, que a mesma natureza nos ensina, é um dogma cristão sobre o qual assenta, como sobre o seu primeiro fundamento, toda a economia da religião.

Não, Deus não nos fez para estas coisas frágeis e caducas, mas para as coisas celestes e eternas; não nos deu esta terra como nossa morada fixa, mas como lugar de exílio. Que abundeis em riquezas ou outros bens, chamados bens de fortuna, ou que estejais privados deles, isto nada importa à eterna beatitude: o uso que fizerdes deles é o que interessa.

15/01/2011

Diálogos apostólicos




Volto a repetir: não lhes dês ouvidos. 

Não são teus amigos e ponto!

Quem, de verdade quer o teu bem só pode desejar que sejas feliz e tu, meu caro, já sabes muito bem onde está a felicidade.

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 (ama, 2011.01.15)

O mistério da felicidade (Afonso Cabral)


Navegando pela minha cidade
Sempre que passo pela Rua de Camões lembro-me do meu pai. Lembro-me do meu pai e da história que um dia escreveu sobre um dos seus doentes. É essa história que passo a transcrever:

«Tive um amigo que se chamava Francisco e era criado de Café. Nasceu em qualquer aldeia do Minho e radicara-se no Porto, em busca de trabalho.
Foi numa característica casa portuense, que encontrei, pela segunda e última vez, o meu amigo Francisco.
A casa, como tantas outras do Porto, tinha o seu longo e estreito jardim rectangular, encostado à zona de serviço do rés-do-chão por um pátio lajeado sobre o qual descia, da varanda do primeiro andar, uma escada de largos degraus de granito, formando um desvão fechado onde se guardava o carvão e a lenha que abasteciam os fogões, no tempo em que ainda não havia gás nem electrodomésticos.

Conheci o Francisco, três semanas antes, no consultório.
Logo à primeira vista, todo o seu aspecto revelava um lamentável estado de saúde. Era um homem novo, impressionantemente magro, muito pálido, com uma tosse húmida e impertinente.
O seu fato castanho-listrado, polido e bastante coçado pelo uso, não disfarçava a perfurante magreza dos joelhos e omoplatas.
O olhar mantinha-se vivo e brilhante, denunciando um misto de profunda tristeza, bem dominada, e de revolta agressiva que, a cada momento, se inflamava.
A temperatura reconfortante do consultório e o repouso, foram-lhe restituindo as forças e diminuindo a “falta de ar”.
Contou, lentamente, a história de uma vida em que o pouco que ganhava era gasto no jogo e no deboche.
Já há bastante tempo se sentia enfraquecer e que sobreviera aquela “maldita” tosse acompanhada de pequenas e frequentes hemoptises. Sabia que estava tuberculoso, e não lhe interessava viver. Apesar disso, completei a consulta. O Francisco estava tísico no último grau, de nada valendo qualquer tentativa de tratamento entre os poucos recursos de que então se dispunha e que ele, aliás, recusava tenazmente.
Procurei conduzir a conversa para zonas mais profundas e íntimas, com a intenção de o ajudar a sofrer e a morrer: não era difícil prever que teria uma sobrevivência muito curta.
Disse-me que vivia absolutamente só e que há muitos anos abandonara todas as práticas de vida de piedade religiosa. Segundo declarava, tinha fé em Deus, mas abominava os padres. Explicou-me que a atitude abusiva do abade da sua aldeia tinha “atirado para a desgraça” uma jovem que ele então namorava.
O tempo e a vida que levou haviam apagado os ódios pessoais que naquele momento se projectavam sobre todo o clero e sobre a Igreja.
Tentei, em vão, oferecer-lhe os apoios morais que me ocorreram; procurei, discretamente, desalojá-lo da posição rígida em que se encaixava; por fim, pedi-lhe que me mandasse chamar sempre que precisasse ou quisesse.
Negou-se a indicar o seu endereço: “tinha vergonha que fosse a sua casa...”.
Despediu-se mais sério e mais triste. Senti-me desarmado, mas pedi à Secretária que atendesse com urgência, qualquer recado que recebesse daquele doente.
Passadas três semanas chegou um pedido para o visitar na Rua de Camões. Adiei todo o programa desse fim de dia, nevoento e frio. Com a velocidade que o trânsito permitia, parei à sua porta, e bati insistentemente. Alguém me apontou o caminho escuro do pátio lajeado e do desvão da escada de granito.

A carvoeira, caiada de branco, estava transformada num quarto de dormir onde mal cabiam três móveis rudimentares e toscos.
O Francisco, sentado na cama, apoiava-se no colchão sobre as duas mãos espalmadas, os braços esqueléticos esticados, os ombros salientes. Voltou para mim uma cara desfigurada, arroxeada-escura, boca entreaberta e seca, olhos arregalados, gritando por socorro. Sem ter tempo para mais nada, correspondi a esse apelo aflitivo: “Já sei, meu amigo, você quer que lhe vá buscar um padre”. Um vago movimento de cabeça e uma mudança quase imperceptível no olhar, fizeram-me sair apressadamente. Voltei acompanhado por um Capuchinho.
A porta da carvoeira fechou-se. Fiquei no pátio escuro e húmido, fixando a luz amarelenta que saía pelas frinchas da velha porta.
Passado pouco tempo, o padre Capuchinho fez-me sinal para entrar. O meu amigo Francisco, agarrando-se com firmeza à minha mão direita disse textualmente o seguinte, com muita dificuldade mas com muita clareza: “muito obrigado; “vou-me lembrar do que fez por mim”.
Pouco depois, puxou-me para mais perto de si e, pronunciando muito bem cada palavra, acrescentou: “nunca imaginei ser tão feliz”. E repetiu, acentuando: “nunca, nunca....”. Alguns minutos depois perdia a consciência e, em pouco tempo, deixava de respirar.
Aos pés da cama, o padre Capuchinho rezava baixo; e eu, entre imprecisas orações, perdia-me em desgarrados pensamentos sobre a dor e a morte.

Desde esse dia, sobretudo nas horas de maior preocupação, as últimas palavras do meu amigo Francisco, voltavam a soar aos meus ouvidos, com extrema clareza.
Não esquecerei jamais a expressão de sofrimento de todo o seu corpo sentado na cama e lutando desesperadamente contra a asfixia. Mas o que domina sempre o campo da minha memória, com serenidade e confiança, é o misterioso segredo da sua imensa e profunda felicidade.»

Afonso Cabral, 2011.01.15

                                                                                        






Maturidade

TEMA PARA BREVE REFLEXÃO


A maturidade humana, manifesta-se, sobretudo, em certa estabilidade de ânimo, na capacidade de tomar decisões ponderadas e no modo recto de julgar os acontecimentos e os homens. 

(Concílio Vaticano II, Decreto Optatum Totius, nr. 11)



Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - I Semana


Evangelho: Mc 2, 13-17

13 Foi outra vez para a beira mar. Todo o povo ia ter com Ele e Ele ensinava-os.14 Ao passar viu Levi, filho de Alfeu, sentado no banco dos cobradores de impostos, e disse-lhe: «Segue-Me». Ele, levantando-se, seguiu-O. 15 Aconteceu que, estando Jesus sentado à mesa em casa dele, estavam também à mesma mesa com Jesus e os Seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos que também O seguiam. 16 Os escribas e fariseus, vendo que Jesus comia com os pecadores e publicanos, diziam aos discípulos: «Porque come e bebe o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?». 17 Ouvindo isto, Jesus disse-lhes: «Não têm necessidade de médico os sãos, mas os doentes; Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».

Comentário:

Este: “segue-me” de Jesus deveria ter tal inflexão de voz, tal profundidade de tom, tal alcance que não era possível a quem ouvia esta interpelação deixar-se ficar sem reagir de imediato. Segue-me, talvez fosse uma interpelação comum feita pelos Mestres de Israel aos seus discípulos. Não parece contudo que se possa pôr no mesmo plano que esta convocatória de Jesus. Aqui há uma decisão súbita, não preparada. Não houve uma apresentação prévia entre Jesus e Mateus. 


O Evangelista refere claramente que Jesus ia a passar e que viu Levi no seu posto de trabalho. Não cita nenhuma troca de palavras entre os dois, nem sequer um cumprimento em que ambos se dão a conhecer um ao outro.

Logo, esta interpelação de Jesus, mais que um convite, soa como que uma ordem imperativa que não admite recusa.

De facto, Levi, não tem qualquer hesitação e, levantando-se segue Jesus com tal naturalidade que, provavelmente, alguns dos circunstantes poderia ter pensado que se tratava de algo combinado previamente.
Constatamos que este seguimento de Jesus, esta correspondência pela parte de Mateus ao chamamento do Mestre, é para valer, uma decisão para toda a vida. A partir daquele momento, o cobrador de impostos tem a sua vida intimamente ligada à vida de Jesus Cristo.
Não faz a mais pequena ideia do que Cristo lhe vai pedir, nem sequer lhe pode passar pela cabeça que virá a ser um dos quatro inspirados a contar a história da salvação concentrada na narrativa da vida de Jesus na terra.

Durante o banquete percebe perfeitamente que as palavras de Jesus lhe dizem respeito, quando refere que não veio para chamar os justos mas os pecadores. E sente-se de tal forma honrado como pecador que se transforma num justo demonstrando o seu arrependimento e desejos de ressarcir o mal eventualmente praticado.

A outros, Jesus explicou os Seus planos: «farei de vós pescadores de homens», a Mateus não, deixa-o descobrir por si mesmo o que quer que faça. E, afortunadamente, Mateus, descobre a sua missão, o papel que, a partir de agora, lhe compete desempenhar na campanha do anúncio da chegada do Reino de Deus: assistir e ouvir com redobrada atenção, à actuação e palavras do Senhor para, mais tarde, as poder lavrar em livro para que a posteridade saiba, fidedignamente, o que o Salvador fez e disse. 


(ama, comentário sobre Mt 2, 13-17, 2010.12.07)


Doutrina

«RERUM NOVARUM»

Obrigações dos operários e dos patrões

10. Entre estes deveres, eis os que dizem respeito ao pobre e ao operário: deve fornecer integral e fielmente todo o trabalho a que se comprometeu por contrato livre e conforme à equidade; não deve lesar o seu patrão, nem nos seus bens, nem na sua pessoa; as suas reivindicações devem ser isentas de violências e nunca revestirem a forma de sedições; deve fugir dos homens perversos que, nos seus discursos artificiosos, lhe sugerem esperanças exageradas e lhe fazem grandes promessas, as quais só conduzem a estéreis pesares e à ruína das fortunas.

Quanto aos ricos e aos patrões, não devem tratar o operário como escravo, mas respeitar nele a dignidade do homem, realçada ainda pela do Cristão. O trabalho do corpo, pelo testemunho comum da razão e da filosofia cristã, longe de ser um objecto de vergonha, honra o homem, porque lhe fornece um nobre meio de sustentar a sua vida. O que é vergonhoso e desumano é usar dos homens como de vis instrumentos de lucro, e não os estimar senão na proporção do vigor dos seus braços. O cristianismo, além disso, prescreve que se tenham em consideração os interesses espirituais do operário e o bem da sua alma. Aos patrões compete velar para que a isto seja dada plena satisfação, para que o operário não seja entregue à sedução e às solicitações corruptoras, que nada venha enfraquecer o espírito de família nem os hábitos de economia. Proíbe também aos patrões que imponham aos seus subordinados um trabalho superior às suas forças ou em desarmonia com a sua idade ou o seu sexo.

Mas, entre os deveres principais do patrão, é necessário colocar, em primeiro lugar, o de dar a cada um o salário que convém. Certamente, para fixar a justa medida do salário, há numerosos pontos de vista a considerar. Duma maneira geral, recordem-se o rico e o patrão de que explorar a pobreza e a miséria e especular com a indigência, são coisas igualmente reprovadas pelas leis divinas e humanas; que cometeria um crime de clamar vingança ao céu quem defraudasse a qualquer no preço dos seus labores: «Eis que o salário, que tendes extorquido por fraude aos vossos operários, clama contra vós: e o seu clamor subiu até aos ouvidos do Deus dos Exércitos» (Tg 5,4). Enfim, os ricos devem precaver-se religiosamente de todo o acto violento, toda a fraude, toda a manobra usurária que seja de natureza a atentar contra a economia do pobre, e isto mais ainda, porque este é menos apto para defender-se, e porque os seus haveres, por serem de mínima importância, revestem um carácter mais sagrado. 
A obediência a estas leis — pergunta-mos nós — não bastaria, só de per si, para fazer cessar todo o antagonismo e suprimir-lhe as causas?

14/01/2011

Vaticano anuncia Beatificação de João Paulo II

MAIS ALTO

O Papa Bento XVI aprovou hoje a publicação do decreto que comprova um milagre atribuído à intercessão de João Paulo II (1920-2005), concluindo assim o processo para a sua beatificação.

Diálogos apostólicos




Disseste-me que não querias que as pessoas te vissem como "santinho".

E porque carga de água isso havia de acontecer?, pergunto-te.
Acaso andas a enganar-te a ti próprio e a enganar os outros?

É que, - e tens de decidir de uma vez por todas - ou queres ser santo ou não queres! Não é possível "servir a dois senhores", estar "dependente" de Deus e preocupado com os homens.

Não, meu caro, isso não! Tens de ser firme e inflexível. Não cedas, não transijas. Tens de ir para a frente, tens de ir para cima, tens de, numa palavra, de progredir.


Se alguém te diz que já chega só pode ser porta-voz do demónio.

47

 (ama, 2011.01.14)

Purgatório

MAIS ALTO


PURGATÓRIO

NÃO É UM LUGAR, MAS UM FOGO DO AMOR

O purgatório não é tanto um "espaço" onde as almas são purificadas, mas um "fogo interior" que purifica a pessoa e a torna capaz de contemplar Deus, afirmou hoje Bento XVI, durante a audiência geral.
Como de costume nos últimos meses, o Papa quis dedicar a catequese de hoje, realizada na Sala Paulo VI, a uma mulher, Santa Catarina de Génova, conhecida por suas reflexões sobre a natureza do purgatório.
Esta mulher italiana, que viveu no século XVI, teve uma forte experiência interior de conversão, que a levou a renunciar à vida mundana que tinha levado até então, dedicando-se a cuidar dos doentes, até sua morte.
Catarina teve uma série de revelações místicas, que narrou em seu Tratado sobre o Purgatório e no Diálogo entre a alma e o corpo.


(Este texto é a melhor explicação sobre o purgatório que já li, VCL)



Observatório de NUNC COEPI


OBSERVANDO

A misteriosa ordem e beleza da criação


Casa onde não há pão...


OBSERVANDO

«Casa onde não há pão, todos e ralham e ninguém tem razão.»

Todos sabemos que o “pão” é importante para a vida de cada um, mas não é seguramente o mais importante para que haja paz e razão.

Mais importante sem dúvida é o amor, pois onde houver amor, mesmo que não haja “pão”, há sempre a paz e a razão.


JMA 11.01.18


Marginalização da religião






MAIS ALTO



“Outra manifestação da marginalização da religião, e particularmente do cristianismo, consiste em banir da vida pública festas e símbolos religiosos, em nome do respeito por quantos pertencem a outras religiões ou por aqueles que não acreditam. Agindo deste modo, não apenas se limita o direito dos crentes à expressão pública da sua fé, mas cortam-se também raízes culturais que alimentam a identidade profunda e a coesão social de numerosas nações.

Bento XVIDiscurso ao Corpo Diplomático  – Janeiro de 2011



Evangelho e comentário do dia




Tempo comum - I Semana


Evangelho: Mc 2, 1-12

1 Passados alguns dias, Jesus entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que Ele estava em casa. 2 Juntou-se muita gente, de modo que não se cabia, nem mesmo à porta. E Ele pregava-lhes a Palavra.3 Nisto chegaram alguns conduzindo um paralítico que era transportado por quatro homens. 4 Como não pudessem levá-lo junto d'Ele por causa da multidão, descobriram o tecto na parte debaixo da qual estava Jesus e, tendo feito uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico. 5 Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, são-te perdoados os pecados». 6 Estavam ali sentados alguns escribas que diziam nos seus corações: 7 «Como é que Ele fala assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?». 8 Jesus, conhecendo logo no Seu espírito que eles pensavam desta maneira dentro de si, disse-lhes: «Porque pensais isto nos vossos corações? 9 O que é mais fácil dizer ao paralítico: “São-te perdoados os pecados” ou dizer: “Levanta-te, toma o teu leito e anda”? 10 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar os pecados, 11 - disse ao paralítico -: Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito e vai para a tua casa». 12 Imediatamente ele se levantou e, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, de maneira que se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa semelhante»

Comentário:

É interessante verificar que, neste caso, o que foi curado do seu mal, não tenha dado graças, como em muitas situações semelhantes, os Evangelistas referem. Parece que, à ordem de Jesus, se levantou prontamente, pegou na enxerga e foi-se embora. Aliás este homem não diz uma única palavra durante todo o tempo que terá demorado esta situação.

É natural, deveria estar como que aturdido com tudo quanto se passara.
Os amigos que não o largam e que insistem em levá-lo à presença de Jesus, e arrostando com as dificuldades, não hesitam em descê-lo, preso por cordas, do tecto até ficar, ali, no meio de toda aquela gente que o observa curiosa e espantada.
Depois a figura de Jesus que se debruça sobre ele parecendo que, de repente, não havia mais ninguém na sala repleta de gente, senão ele deitado na sua enxerga de dor e sofrimento.
E a paz, sim a enorme paz que sobre ele desce quando Cristo lhe diz que os seus pecados estão perdoados e, ele, tem a certeza que sim, que é verdade, que é um homem novo.

No burburinho que se segue a estas palavras de Jesus não consegue perceber o motivo da discussão nem dos murmúrios até que ouve aquela voz forte, veemente, decisiva: «Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito e vai para a tua casa».

E, pura e simplesmente… obedece!

A sua nova condição de homem livre das amarras do pecado e da doença, seguramente o hão-de trazer de volta em busca de Quem obteve tão grandes benefícios, para Lhe agradecer e seguir para onde quer que fosse. 


(ama, comentário sobre Mc 2, 1-12, 2010.12.17)


Formas sofisticadas de hostilidade anti-cristã


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A violência desencadeada contra os cristãos em países sob ditaduras ou regimes fundamentalistas provoca muitas vezes protestos no Ocidente. No entanto, é feita vista grossa a outras formas de intolerância religiosa mais subtis que se exercem na Europa. Um relatório elaborado pelo Observatório de Intolerância e Discriminação contra os Cristãos, com sede em Viena, denuncia mais de 130 casos de discriminação contra cristãos cometidos na Europa entre 2005 e 2010.

Doutrina

«RERUM NOVARUM»

O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. Isto é uma aberração tal, que é necessário colocar a verdade numa doutrina contrariamente oposta, porque, assim como no corpo humano os membros, apesar da sua diversidade, se adaptam maravilhosamente uns aos outros, de modo que formam um todo exactamente proporcionado e que se poderá chamar simétrico, assim também, na sociedade, as duas classes estão destinadas pela natureza a unirem-se harmoniosamente e a conservarem-se mutuamente em perfeito equilíbrio. Elas têm imperiosa necessidade uma da outra: não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital.
A concórdia traz consigo a ordem e a beleza; ao contrário, dum conflito perpétuo só podem resultar confusão e lutas selvagens. Ora, para dirimir este conflito e cortar o mal na sua raiz, as Instituições possuem uma virtude admirável e múltipla.

E, primeiramente, toda a economia das verdades religiosas, de que a Igreja é guarda e intérprete, é de natureza a aproximar e reconciliar os ricos e os pobres, lembrando às duas classes os seus deveres mútuos e, primeiro que todos os outros, os que derivam da justiça.