22/01/2018

Um novo ano: recomeçar

“A vida cristã é um constante começar e recomeçar, uma renovação em cada dia.” (Cristo que passa, 114).


Desde a nossa primeira decisão consciente de viver integralmente a doutrina de Cristo, é certo que avançámos muito pelo caminho da fidelidade à sua Palavra. Mas não é verdade que restam ainda tantas coisas por fazer? Não é verdade que resta, sobretudo, tanta soberba? É precisa, sem dúvida, uma outra mudança, uma lealdade maior, uma humildade mais profunda, de modo, que, diminuindo o nosso egoísmo, cresça em nós Cristo, pois illum oportet crescere, me autem minui, é preciso que Ele cresça e que eu diminua. (...)

A conversão é coisa de um instante; a santificação é tarefa para toda a vida. A semente divina da caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao Senhor. Por isso, é indispensável estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar – nas novas situações da nossa vida – a luz, o impulso da primeira conversão. E essa é a razão pela qual havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para podermos conhecê-Lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos. Não há outro caminho para nos convertermos de novo. (Cristo que passa, 58)


Ao falar diante do presépio sempre procurei ver Cristo Nosso Senhor desta maneira, envolto em paninhos sobre a palha da manjedoura, e, enquanto ainda menino e não diz nada, vê-Lo já como doutor, como mestre. Preciso de considerá-Lo assim, porque tenho de aprender d’Ele. E para aprender d’Ele é necessário conhecer a sua vida: ler o Santo Evangelho, meditar no sentido divino do caminho terreno de Jesus.

Na verdade, temos de reproduzir na nossa, a vida de Cristo, conhecendo Cristo à força de ler a Sagrada Escritura e de a meditar, à força de fazer oração, como agora estamos fazendo diante do presépio. É preciso entender as lições que Jesus nos dá já desde menino, desde recém-nascido, desde que os seus olhos se abriram para esta bendita terra dos homens.

Jesus, crescendo e vivendo como um de nós, revela-nos que a existência humana, a vida corrente e ordinária, tem um sentido divino. Por muito que tenhamos pensado nestas verdades, devemos encher-nos sempre de admiração ao pensar nos trinta anos de obscuridade que constituem a maior parte da passagem de Jesus entre os seus irmãos, os homens. Anos de sombra, mas, para nós, claros como a luz do Sol. Mais: resplendor que ilumina os nossos dias e lhes dá uma autêntica projecção, pois somos cristãos correntes, com uma vida vulgar, igual à de tantos milhões de pessoas nos mais diversos lugares do Mundo. (Cristo que passa, 14)


Vocês sabem por experiência pessoal – e têm-me ouvido repetir com frequência, para evitar desânimos – que a vida interior consiste em começar e recomeçar todos os dias; e notam no vosso coração, como eu noto no meu, que precisamos de lutar continuamente. Terão observado no vosso exame – a mim acontece-me o mesmo: desculpem que faça referências a mim próprio, mas enquanto falo convosco vou pensando com Nosso Senhor nas necessidades da minha alma – que sofrem repetidamente pequenos reveses, que às vezes parecem descomunais, porque revelam uma evidente falta de amor, de entrega, de espírito de sacrifício, de delicadeza. Fomentem as ânsias de reparação, com uma contrição sincera, mas não percam a paz. (Amigos de Deus, 13)


Para a frente, aconteça o que acontecer! Bem agarrado ao braço do Senhor, considera que Deus não perde batalhas. Se, por qualquer motivo, te afastas d'Ele, reage com a humildade de começar e de recomeçar; de fazer de filho pródigo todos os dias, inclusive repetidamente nas vinte e quatro horas do dia; de reconciliar o teu coração contrito na Confissão, verdadeiro milagre do Amor de Deus. Neste Sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e inunda-te de alegria e de força para não desanimares na tua luta e para voltares de novo sem cansaço a Deus, mesmo quando tudo te pareça obscuro. Além disso, a Mãe de Deus, que é também nossa Mãe, protege-te com a sua solicitude maternal e dá-te confiança no teu caminhar. (Amigos de Deus, 214)



Temas para reflectir e meditar

Obediência


A obediência implica sempre o sacrifício da nossa vontade, e isso explica suficientemente porque o homem tem repugnância em obedecer.

Obedecer é sempre ceder.


(GEORGES GHEVROT, Jesus e a Samaritana, Éfeso 1956 pg 176)




Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mc 3, 22-30

22 E os doutores da Lei, que tinham descido de Jerusalém, afirmavam: «Ele tem Belzebu!» E ainda: «É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios.» 23 Então, Jesus chamou-os e disse-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? 24 Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar; 25 e se uma família se dividir contra si mesma, essa família não pode subsistir. 26 Se, portanto, Satanás se levanta contra si próprio, está dividido e não poderá subsistir; é o seu fim. 27 Ninguém consegue entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens sem primeiro o amarrar; só depois poderá saquear-lhe a casa. 28 Em verdade vos digo: todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem os filhos dos homens, tudo lhes será perdoado; 29 mas, quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão: é réu de pecado eterno.» 30 Disse-lhes isto porque eles afirmavam: «Tem um espírito maligno.»

Comentário:

Este trecho de São Marcos demonstra bem até onde pode chegar o espírito retorcido e malévolo, a ausência critério e, até o simples senso comum.

Na ânsia de criticar, descobrir algo passível de reprovação chega-se ao extremo de apresentar argumentos sem nexo nem lógica.

Não interessa, o que não se quer entender e muito menos aceitar: tem de ser denegrido qualquer forma.

Também, hoje em dia não faltam estes "iluminados" por umas teorias e ideologias que pretendem ser a "nova ordem" pela qual o mundo se tem de reger.

Atenção às palavras de Cristo: tais pecados que revelam total ausência respeito devido a Deus e mantêm o homem voluntariamente afastado dele, não terão perdão!


(AMA, comentário sobre Mc 3, 22-30, Carvide, 27,01.2017)







Leitura espiritual

CAPÍTULO IV

«ELE É O VERDADEIRO DEUS
                          E A VIDA ETERNA»            

Divindade de Cristo e anúncio da eternidade

3. Passar do dogma para a vida

Como continua actual e preciosa esta “joia” da cristologia bíblica que está desabrochando, sob os nossos olhos, no tronco do dogma tradicional!
De repente, o dogma entra no âmbito da vida de cada homem.
Todavia, nem todos são ainda capazes nem estão preparados para notar a importância de se tornarem «participantes da natureza divina» [i].
Quem é que hoje em dia se exalta ainda, como acontecia no tempo de S. Gregório Nazianzeno, ao pensar que se tornará «por assim dizer, Deus?» [ii]

Porém, logo que reflectem nisso, todos sentem o dramatismo do tempo que passa e a precaridade da vida humana.
E observam como são verdadeiras para todos, indistintamente, as palavras com que um poeta descrevia a situação e o estado de espírito dos soldados entrincheirados, na frente, na primeira guerra mundial:

Estamos aqui
Como as folhas
Nas árvores no Outono.
                                     (G. Ungaretti)

Portanto, se hoje em dia nem todos estão sensibilizados para a perspectiva de se tornarem «participantes da natureza divina», pelo contrário, estão sensibilizados para a perspectiva de se tornarem (assim parafraseava S. Máximo, Confessor, a expressão de 2Pd1,4) «participantes da eternidade divina» [iii]

A um amigo que lhe censurava o seu ardente anseio pela eternidade, como se isso fosse uma forma de orgulho e de presunção, M.de Unamuno respondeu certa vez:
«Não digo que nós merecemos um além, nem que a lógica no-lo demonstra; digo só que temos necessidade dele, quer o mereçamos ou não, e isso basta. Digo que aquilo que passa não me satisfaz, que tenho sede de eternidade, e que, sem ela, tudo me é indiferente. Tenho sede, muita sede de eternidade! Sem ela não tenho alegria de viver, nada mais tem interesse. É muito fácil afirmar: ‘O que é preciso é viver, temos que nos contentar com a vida’. E aqueles que não estão contentes com ela?» [iv]
Não é quem deseja a eternidade que denota desprezar o mundo e a vida terrena, mas sim quem não a deseja:
«Gosto tanto de viver – escreveu o mesmo autor – que perder a vida me parece o pior dos males. Aqueles que gozam a vida, dia a dia, sem se importarem com o facto de terem que a perder um dia, não gostam verdadeiramente dela» [v]

«Para que serve – dizia também Stº Agostinho – viver bem se não é possível viver sempre?»
Mas como passar, então, do dogma para a vida, do amor “por si” ao “amor por mim” de Cristo?
Como fazer brotar o grito e a promessa: «Eternidade, eternidade!» daquilo que já meditámos sobre Cristo?
Trata-se de aplicar ao conceito de eternidade aquilo que os Padres afirmavam de divindade de Cristo, com a doutrina da “permuta”.
Eles gostavam de repetir frequentemente: «Deus fez-Se homem para que o homem se tornasse Deus» [vi].

Nós podemos dizer: a eternidade entrou no tempo para que o tempo pudesse obter a eternidade, não só para no-la mostrar em Si; tal como veio para nos dar a vida divina e não só para no-la mostrar em Si.
O salto da eternidade para o tempo torna possível o salto do tempo para a eternidade.
A esperança da nossa eternidade, é, por isso, parte integrante do dogma cristológico, e brota dele como sua finalidade e seu fruto.
A esperança da eternidade é o triunfo da fé na encarnação.

O Iluminismo tinha posto a célebre questão de como seria possível alcançar a eternidade, quando se está no tempo, e como seria possível dar um ponto de partida histórico para uma consciência eterna [vii].
Noutras palavras: como seria possível justificar a posição da fé cristã que promete uma vida eterna e ameaça com uma pena também eterna, por actos praticados no tempo.
A única resposta válida para este problema, chamado “nó górdio da fé cristã”, é a que se fundamenta na fé na encarnação de Deus.
Em Cristo, o eterno apareceu no tempo; Ele mereceu para o homem uma salvação eterna.
Perante Ele, portanto,  mas somente perante Ele – é possível colocar um acto que, embora praticado no tempo, determina a eternidade [viii].

Tal acto consiste, na prática, em crer na divindade de Cristo:
«Estas coisas que vos escrevo dizia o evangelista João – para que saibais que tendes a vida eterna, vós que credes no nome do Filho de Deus» [ix]; e ainda:
«Todo aquele que vive e crê em Mim, não morrerá eternamente» [x].
A fé na divindade de Cristo abre a porta da vida eterna, permite dar o salto infinito.
Perante Jesus Cristo, precisamente porque Ele é homem e Deus ao mesmo tempo, é possível tomar uma decisão que tem repercussões eternas.

4. Eternidade, eternidade!

Eis-nos chegados, agora ao momento em que é preciso colher finalmente o fruto de todo o caminho percorrido: a eternidade.
Vamos deter aqui a nossa reflexão. Iremos acercar-nos desta palavra, até a fazermos reviver. Iremos aquecê-la, por assim dizer, com o nosso hálito, a fim de que ela seja reanimada.
Porque eternidade é uma palavra morta; deixámo-la morrer, como se deixa morrer uma criança abandonada e que já não é amamentada.
Do mesmo modo que na caravela em busca de novos mundos, quando já não havia esperança alguma de chegar a uma meta, ressoou, de improviso, o brado do vigia: “Terra, terra!”, e assim é preciso que na Igreja ressoe também o brado: “Eternidade, eternidade!”.

Que terá sucedido a esta palavra que era antigamente o motor secreto, ou a vela que fazia mover a Igreja no tempo, que era o pólo de atracção do pensamento dos crentes, a “massa” que fazia erguer os corações, como a lua cheia faz levantar as águas na maré alta?
A lâmpada foi silenciosamente colocada sob o alqueire, e a bandeira dobrada, como num exército em retirada.
«O além tornou-se um gracejo, uma exigência tão incerta que não só já ninguém a respeita, como até já ninguém a põe em perspectiva, ao ponto que até nos diverte pensar que houve uma época em que esta ideia transformava toda a existência» [xi].

Este fenómeno tem um nome bem preciso. Definido em relação ao tempo, chama-se secularismo ou temporalismo; definido em relação ao espaço, chama-se imanentismo.
Este é, hoje, o momento em que a fé, depois de ter recebido uma cultura peculiar, deve mostrar também saber contestá-la desde o seu íntimo, levando-a a superar as suas barreiras arbitrárias e as suas incoerências.

(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] 2Pd 1,4
[ii] Cfr. S Gregório Nazianzeno, Oratio, 1,5 (Pg 35,398); 7,23 (PG 15,485 B), S. Basilio, De Spir, S., 9,23 (PG 90, 109 C).
[iii] S. Máximo, Confessor, Capita, I, 42 (PG 90, 1193).
[iv] M. Unamuno, «Cartas a J. Bundain».
[v] Ibidem, p. 150
[vi] Cfr. Stº Ireneu, Adv. Aher., III, 19,1, V, praef.; S.Máximo, Confessor. , Cap. Theol., 2,25 (PG90), 1136 B)
[vii] G. E. Lessing, Uber den Beweis des geistes und der kraft, ed. Lachmann, X, p. 36
[viii] Cfr. C. Fabro, Introd. Às obras de Kierkegard, op. Cit. P. XLVI.
[ix] 1Jo 5,13
[x] Jo 11,26
[xi] S. Kierkegaard, «Postilla conclusiva», 4, in Obras, op. cit., p.458

Diálogos apostólicos

O DIVÓRCIO – 6 

A. O PROBLEMA DO DIVÓRCIO


Pergunto:

Mas, se não há divórcio, não poderá manter relações sexuais.


Respondo:

Esta dificuldade não se costuma colocar no momento do divórcio. Todos sabem que é fácil encontrar relações sexuais e a pouca felicidade que essas relações proporcionam.



Devoción a la Virgen



El Papa pide a la Virgen de Guadalupe «defender nuestros pueblos de la colonización ideológica»

21/01/2018

Ele nos anima, ensina, guia

"Iesus Christus, perfectus Deus, perfectus Homo" – Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem! Muitos são os cristãos que seguem Cristo, pasmado com a sua divindade, mas que O esquecem como Homem... e fracassam no exercício das virtudes sobrenaturais (apesar de todo o aparato externo de piedade), porque não fazem nada por adquirir as virtudes naturais. (Sulco, 652)


Enamora-te da Santíssima Humanidade de Jesus Cristo.

– Não te dá alegria que tenha querido ser como nós? Agradece a Jesus este cúmulo de bondade. (Forja, 547)


Obrigado, meu Jesus, porque quiseste fazer-te perfeito Homem, com um Coração amante e amabilíssimo, que ama até à morte e sofre; que se enche de júbilo e de dor; que se entusiasma com os caminhos dos homens, e nos mostra o que nos leva ao Céu; que se sujeita heroicamente ao dever, e se guia pela misericórdia; que vela pelos pobres e pelos ricos; que cuida dos pecadores e dos justos...

Obrigado, meu Jesus, e dá-nos um coração à medida do Teu! (Sulco, 813)


Nisto se define a verdadeira devoção ao Coração de Jesus: em conhecer a Deus e conhecermo-nos a nós mesmos, e em olhar para Jesus e recorrer a Ele – que nos anima, nos ensina, nos guia. A única superficialidade que pode haver nesta devoção é a do homem que não é integralmente humano e que, por isso, não consegue aperceber-se da realidade de Deus feito carne.


Cristo na Cruz, com o Coração trespassado de Amor pelos homens, é uma resposta eloquente – as palavras não são necessárias – à pergunta sobre o valor das coisas e das pessoas. (Cristo que passa, nn. 164–165) 

Temas para reflectir e meditar

O tempo


O tempo é precioso, o tempo passa, o tempo é uma fase experimental da nossa sorte decisiva e definitiva. Das provas que damos da fidelidade aos deveres próprios depende a nossa sorte futura e eterna.

O tempo é um dom de Deus: é uma interpelação do amor de Deus à nossa livre e - pode dizer-se - resposta decisiva. 
Devemos ser avaros do tempo, para empregá-lo bem, com intensidade no fazer, amar e sofrer. Que não exista jamais para o cristão o ócio, o aborrecimento.

O descanso sim, quando for necessário (Cf. Mt 6,31), mas sempre com vistas a uma vigilância que só no último dia se abrirá a uma luz sem ocaso.


(SÃO PAULO VI, Homilia, 1976.01.01)



Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mc 1, 14-20

14 Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, 15 dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho.» 16 Passando ao longo do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. 17 E disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens.» 18 Deixando logo as redes, seguiram-no. 19 Um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco a consertar as redes, e logo os chamou. 20 E eles deixaram no barco seu pai Zebedeu com os assalariados e partiram com Ele.

Comentário:

São Marcos descreve com pormenores o chamamento de Jesus aos primeiros Apóstolos, aqueles que, como diríamos hoje em dia, constituiriam o “núcleo duro” para O acompanharem na Sua missão apostólica.

Neste passo acontecem duas coisas dignas de nota: todos são pescadores e dois grupos de irmãos.

O serem pescadores é significativo, porque são homens simples, habituados a um trabalho duro em que a paciência da espera e, também, a frustração de resultados não obtidos, lhes conferem um carácter sólido e perseverante.

Serem dois grupos de irmãos também porque se conhecem melhor, estão habituados a conviver e a trabalhar juntos, têm confiança e sentido de entreajuda.

A prontidão na resposta confere aos quatro, duas características fundamentais:

Avaliação de quem lhes fala como credível e sincero;
Decisão pronta e incondicional.

Homens assim, não podemos surpreender-nos que tenham sido os pilares da Igreja que Nosso Senhor Jesus Cristo fundou.21

(AMA, comentário sobre Mc 1,14-20, 29.09.2017)








Leitura espiritual

CAPÍTULO IV

«ELE É O VERDADEIRO DEUS
E A VIDA ETERNA»

Divindade de Cristo e anúncio da eternidade

2. Cristo, síntese de eternidade e tempo

1.   Dos dois “tempos” às duas “naturezas” de Cristo.

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Na mesma carta, São João – considerado o mais ontologista dos autores do Novo Testamento – fala de Cristo como da vida eterna que estava com o Pai e que se tornou visível» [i]. A fórmula: «A vida eterna tornou-se visível» pertence claramente ao mesmo molde da outra: «O Verbo Se fez carne» [ii].
Ela exprime na chave de eternidade e tempo, aquilo que no prólogo está expresso na chave de Palavra e carne, ou seja, de realidades ontológicas.
A cristologia antiga foi buscar e desenvolveu, também aqui,  a fórmula «Verbo carne», e edificou-se mesmo sobre ela, restando ainda por valorizar a outra expressão também ela tão cheia de significado para o homem.
Essa fórmula proclama, de facto, que em Cristo a eternidade se tornou visível, isto é, entrou no tempo e veio, por assim dizer, ao nosso encontro.

Este aspecto do mistério de Cristo não só continua intacto na Bíblia, onde nós o podemos saborear, mas também, refazendo a história do desenvolvimento do dogma, não tardamos a apercebermo-nos de que ele nunca esteve ausente do pensamento patrístico, que aliás sempre acompanhou, mesmo que em surdina, como se fosse uma espécie de nota secundária.
Santo Inácio de Antioquia, por exemplo, fala de Cristo como d’Aquele que estava acima do tempo e era intemporal (achronos) e que Se tornou visível [iii].
São Leão Magno fala da Encarnação como do acontecimento graças ao qual «Aquele que existia antes do tempo começou a existir no tempo» [iv].

Em Cristo não se dá, portanto, somente a união «sem confusão e sem divisão» entre Deus e o homem, mas também, entre eternidade e tempo.
Cristo juntou em Si - escreveu São Máximo, Confessor, explicando a definição de Calcedónia – o modo de ser segundo a natureza como o modo de ser acima da natureza; juntou os extremos, isto é, a imanência e a transcendência [v].

Tudo isto, porém, como eu dizia atrás, tinha ficado como uma “nota secundária”.
Quem a fez sair como uma mola dominante foi Kierkegaard.
O mistério de Cristo que em São Máximo, e nos Padres em geral, se exprimia de preferência como mistério de transcendência e imanência, isto é, em relação ao espaço, em Kierkegaard é expresso como o paradoxo e temporalidade, isto é, em relação ao “tempo”.
«O paradoxo – escreve ele – consiste principalmente no facto de que Deus, o eterno, veio ao tempo como um homem singular» [vi].
A Encarnação é o ponto de intercepção entre eternidade e tempo. É a novidade absoluta e irrepetível.

Isto quer dizer que Jesus – que é o «mediador entre Deus e o homem» [vii] - é também o mediador entre a eternidade e o tempo. É a ponte lançada sobre o abismo, que permite a passagem de uma para a outra margem.
«A novidade vem do salto» [viii] e toda a novidade de Cristo vem precisamente do “salto” que n’Ele se operou da eternidade para o tempo.
Todavia é um salto muito especial, como o de alguém que, ficando com um pé sobre a margem em que já estava, se estende até atingir, com o outro pé, a margem oposta.
Cristo efectivamente, como dizia São Leão Magno, «permanecendo fora do tempo, começa a existir no tempo».

Cristo representa então a única realidade capaz de salvar o homem do desespero.
Ele muda o destino do homem e de um «ser para a morte» [ix] faz um «ser para a eternidade».
O dogma cristológico é o único que pode dar uma razão objectiva para superar a angústia existencial.

Não é necessário dizer o que é o tempo e o que é a eternidade.
Sabemos que a eternidade e o tempo não são menos incomensuráveis e irredutíveis entre si do que o são a divindade e a humanidade, Espírito e carne.
Eles são, por isso, uma transposição adequada, sob o plano existencial e histórico, do dogma de Cristo Deus e homem.
A infinita diferença qualitativa entre tempo e eternidade tornou-se n’Ele numa infinita vizinhança.
Ele é uma e outra coisa ao mesmo tempo, na mesma pessoa, «sem confusão e sem separação».


(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] Cfr. 1 Jo 1,2
[ii] Cfr. 1 Jo 1,14
[iii] Santo Inácio de Antioquia, Carta a Policarpo, 3,2
[iv] Denzinger – Schonmetzer, n. 294
[v] São Máximo Confessor, Ambígua, 5 (PG 91, 1053 B); cfr. Também Santo Atanásio, De incarnatione, 17 (PG 25,125). Sobre a união entre Deus e o homem em Cristo, como união entre eternidade e tempo, insiste Santo Agostinho, em Sermones, 187,4; 188,2 (PI. 38, 1003. 1004)
[vi] S. Kierkegaard, «Postilla conclusiva», 5; in Obras.
[vii] 1 Tm 2,5
[viii] S. Kierkegaard, «O conceito de angústia», 3; in Obras, «op. Cit.», p. 111
[ix] M. Heidegger, Ser e tempo, § 51

Tratado da vida de Cristo 188

Os sacramentos em geral

Questão 60: Dos Sacramentos

Art. 3 — Se o sacramento não é sinal senão de uma só coisa.


O terceiro discute-se assim. Parece que o sacramento não é sinal senão de uma só coisa.

1. Pois, o que significa muitas coisas é um sinal ambíguo e, por consequência, ocasião de engano; tais os nomes equívocos. Ora, nenhuma falácia pode atribuir-se à religião cristã, segundo o Apóstolo: Estai sobre aviso para que ninguém vos engane com filosofias e com os seus falaces sofismas. Logo, parece que o sacramento não é sinal de várias coisas.

2. Demais. — Como se disse, o sacramento significa uma coisa sagrada enquanto causa de santificação humana. Ora, uma só é a causa da santificação humana, a saber, o sangue de Cristo, segundo o Apóstolo: Jesus, para que santificasse ao povo pelo seu sangue, padeceu fora da porta. Logo, parece que o sacramento não significa várias coisas.

3. Demais. — Como se disse, o sacramento significa propriamente o fim próprio da santificação. Ora, o fim da santificação é a vida eterna, segundo o Apóstolo: Tendes o vosso fruto em santificação e por fim a vida eterna. Logo, parece que o sacramento não significa senão uma só coisa, isto é, a vida eterna.

Mas, em contrário, o sacramento do Altar tem dupla significação — o corpo de Cristo verdadeiro e místico, como diz Agostinho.

Como dissemos, o sacramento chama-se propriamente o que se ordena a significar a nossa santificação. Na qual podemos distinguir tríplice elemento: a causa própria da nossa santificação que é a Paixão de Cristo; a forma da nossa santificação, que consiste na graça e nas virtudes; e o fim último da nossa santificação, que é a vida eterna. E tudo isto os sacramentos o significam. Por isso o sacramento é: o sinal rememorativo do que passou, isto é, da Paixão de Cristo; e demonstrativo do que em nós obra a Paixão de Cristo, isto é, da graça; e prognóstico, isto é, prenunciativo da futura glória.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. ­O sinal ambíguo é ocasião de engano, quando significa muitas coisas, das quais uma não se ordena à outra. Mas, quando significa muitas, mas de modo que constituam de certo modo uma unidade, então o sinal não é ambíguo, mas certo. Assim, a palavra homem significa a alma e o corpo, enquanto constitutivos da natureza humana. E, assim, o sacramento tem a tríplice significação deferida, enquanto há aí a unidade, numa certa ordem.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O sacramento, enquanto significativo da coisa santificante, há de necessariamente significar o efeito, compreendido da causa mesma santificante, como tal.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O sacramento, na sua noção, baste que signifique a perfeição, como, forma; nem é necessário signifique só a perfeição, como fim.


Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?