26/12/2017

Leitura espiritual

MARIA, A MÃE DE JESUS 3


A VOCAÇÃO PARA A MATERNIDADE DIVINA A CHEIA DE GRAÇA

O louvor que o Espírito Santo inspirou a Isabel – «Bendita és tu entre as mulheres...» – vem ecoando ao longo dos séculos nos lábios dos cristãos, todas as vezes que recitam a Ave-Maria.

Antes, porém, desse louvor, esses mesmos lábios dirigem a Maria outras palavras, que também são de Deus: «Cheia de graça!»

Qual foi a grande “bênção” de Maria Santíssima, aquela que a faz «bendita entre todas as mulheres»?

Por que é Ela chamada «cheia de graça»?

No centro do mistério da vida de Maria, encontra-se a sua divina maternidade.
Deus escolheu-a para ser a Mãe do seu Filho, do Redentor dos homens. Esse é o grande dom com que Deus abençoou a Virgem: a sua vocação de Mãe de Jesus Cristo.

O Evangelho relata que um dia – alegre e esperançado como uma nova alvorada do mundo – Deus quis revelar a Maria essa sua escolha.
A narração de São Lucas tem um encanto delicado: o Anjo Gabriel, enviado por Deus à humilde casa de Nazaré, entrando onde ela estava, disse-lhe:

«Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. A Virgem sentiu-se perturbada ao ouvir essas palavras, e o mensageiro do céu tranquilizou-A: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Este será grande, será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David; reinará sobre a casa de Jacob eternamente, e o seu Reino não terá fim» [i].

Através das palavras do Anjo, descortina-se aos olhos de Maria o plano de Deus a seu respeito.
Deus, por assim dizer, manifesta-lhe aquilo que eternamente “sonhara” para Ela.
Neste “sonho” da Santíssima Trindade, estava previsto o aparecimento de uma mulher, «cheia de graça», que haveria de surgir no mundo como a aurora da Salvação, a luz de um novo amanhecer que anunciaria e traria aos homens o Sol verdadeiro, o Salvador, que – como diz São João – «ilumina todo o homem que vem a este mundo» [ii].

Já nos primórdios da humanidade, quando o pecado dos nossos primeiros pais cavava um abismo entre o homem e Deus, o Senhor contrapunha ao mal do pecado o seu desígnio de Salvação: um “projecto” amoroso de Deus, fruto da sua infinita misericórdia, para resgatar e reerguer o homem, e atraí-lo de novo a si.
Pois bem, nesse projecto “acalentado” pelo amor eterno de Deus, já desde o começo estava presente Maria.
Assim fala Deus à serpente, a Satanás, após a queda original:
«Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela; esta te esmagará a cabeça» [iii].
Com estas palavras, Deus opõe ao Inimigo a imagem futura de uma “mulher” irreconciliavelmente enfrentada com o demónio e o pecado. Nela, Satanás jamais terá parte alguma.

Voltemos à Anunciação.
Neste momento, Deus dirige-se a Maria – por intermédio do Anjo – denominando-a, já no começo, «cheia de graça».

Tem-se feito notar que, no texto original do Evangelho, o Anjo, para dizer «cheia de graça», emprega uma só palavra (kekharitoméne), e que essa palavra tem o valor de um “nome novo” atribuído por Deus à Virgem [iv].
Seria como que o nome “verdadeiro” com que o Senhor a designa e define.
Para traduzi-lo adequadamente na nossa língua, teríamos que recorrer a perífrases:
“a que foi cumulada de graça e mantém essa plenitude”,
“a que foi feita gratíssima a Deus”,
“a muito amada por Deus”.

Deus Nosso Senhor, cumulando Maria de graça, preparou-a desde o primeiro instante da sua existência para ser a digna Mãe do seu Filho, a nova “Arca da Aliança”, toda pura e santa, capaz de acolher em seu seio a santidade infinita de Deus.
Maria foi escolhida e predestinada por um acto do amor eterno de Deus. E o amor de Deus é sempre criador; comunica às criaturas a sua bondade, fá-las participar da vida divina, da graça.
O amor de Deus por Maria foi único, e a Ela comunicou os seus dons também de modo único: em plenitude. Por isso Ela é a “cheia de graça”.

Bem podemos dizer que, em toda a história da humanidade – sem mencionarmos a alma de Jesus –, a alma de Maria foi a única em que o Amor de Deus agiu plenissimamente e sem o menor entrave. Com toda a razão foi dito, por isso, que Maria é a “obra prima de Deus” [v].
 «Cheia de graça»: este é o seu “verdadeiro nome” [vi].

Lê-se numa homilia do Papa Paulo VI:
“O aparecimento de Nossa Senhora no mundo (...) foi como o abrir-se sobre a terra, toda coberta da lama do pecado, da mais bela flor que jamais desabrochou no vasto jardim da humanidade: era o nascimento da criatura humana mais pura, mais perfeita, mais digna da definição que o próprio Deus tinha dado ao homem quando o criou: imagem de Deus, semelhança de Deus. Maria nos restitui a imagem da humanidade perfeita” [vii].
Em Maria, tudo é graça. Jamais pairou sobre Ela a sombra, sequer, do pecado.
Foi toda de Deus desde o primeiro instante da sua existência, de modo que a sua alma pura não conheceu nem a mancha do pecado original nem mancha alguma de pecado pessoal.

O dogma da Imaculada Conceição de Maria Santíssima outra coisa não fez senão explicitar uma das consequências dessa “plenitude de graça” que não tem no Evangelho restrição alguma de tempo nem de momento:

“Por uma graça e um privilégio especial de Deus todo-poderoso – reza a definição dogmática de Pio IX, em 8 de dezembro de 1854 – e em atenção aos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada de toda a mancha de pecado original desde o primeiro instante da sua concepção” [viii].

Maria Santíssima sabe que Deus fez n’Ela “coisas grandes”, e essas grandezas são motivo para que Ela glorifique a Deus, reconhecendo, com uma humildade cheia de alegria, que Ele pôs os olhos na baixeza da sua serva [ix].
Tudo é puro dom de Deus, e Maria o agradece comovida.

Ora, se tudo é dom de Deus, qual foi a parte de Maria?
Ter-se-ia Ela limitado a uma função de receptora passiva de tão grandes graças?
A cena evangélica da Anunciação dá-nos a resposta a essas perguntas:
Maria correspondeu à chamada e às graças que a acompanhavam com uma aceitação amorosa e uma entrega total.
A semente da graça encontrou na sua alma o solo acolhedor e fértil onde frutificar. Não esqueçamos que Deus sempre quer contar com a liberdade das criaturas.
O anúncio do Anjo a Maria, ao mesmo tempo que desvendava os planos de Deus sobre Ela, tinha o delicado acento de um convite.
Maria correspondeu livremente com total fidelidade: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» [x].
Essas palavras – “faça-se”, “sim” – mostram-nos maravilhosamente a alma de Maria. Voltada inteiramente para Deus, Ela é um “sim” perfeito ao Senhor, pronunciado com o coração, com os lábios e com as acções, sem a menor restrição nem limite. Há uma abertura completa da alma a Deus, que permite que o Espírito Santo, o Artista divino, modelador das almas, faça daquela criatura a sua obra perfeita.
Quantas coisas não fez Deus depender do “sim” de Maria! Desse “sim” dependeu o próprio “sonho” divino a respeito de Nossa Senhora. Pela sua fidelidade, Ela foi sempre, exactamente, como Deus a queria; e na sua alma inteiramente disponível à acção da graça divina, arraigaram e cresceram as virtudes que são o fruto maduro da santidade: a fé, a esperança, o amor, a humildade, a fortaleza, a mansidão...
Ao mesmo tempo, do seu “sim” dependeu o “projecto” divino da Redenção. Tão logo Maria disse “faça-se” – com amorosa liberdade –, «o Verbo se fez carne e habitou entre nós» [xi].
A partir desse instante, – para evocar as palavras do velho Simeão –, graças a Maria, os nossos olhos viram a salvação [xii].
Por último, quando Maria disse “sim” na Anunciação, não só começou a ser a Mãe de Deus, como começou a ser a Mãe daqueles a quem Cristo iria infundir a vida sobrenatural, tornando-os seus “irmãos” e membros do seu Corpo [xiii].
Este último aspecto convida-nos a aprofundar um pouco mais no mistério da maternidade de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.

(cont)

FRANCISCO FAUS. [xiv]




[i] Lc 1, 26-33
[ii] Jo 1, 9
[iii] Gén 3, 15
[iv] João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, n. 8.
[v] cfr. Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, 2ª. ed., Quadrante, São Paulo, 1979, págs. 229 ss.;.
[vi] Enc. Redemptoris Mater, n. 8
[vii] Paulo VI, Homilia, 08.09.1964
[viii] Pio XI, Bula Ineffabilis Deus; in Denzinger, Enchiridion Symbolorum, V. Herder, Friburgo-Barcelona, 1955, n. 1641
[ix] Lc 1, 48-49
[x] Lc 1, 38
[xi] Jo 1, 14
[xii] cfr. Lc 2, 30
[xiii] cfr. Rom 8, 29 e I Cor 12, 27
[xiv] MARIA, A MÃE DE JESUS QUADRANTE, São Paulo Copyright © 1987 Quadrante, Sociedade de Publicações Culturais

Doutrina – 387

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

A Igreja é una, santa, católica e apostólica

165. Em que sentido a Igreja é santa?



A Igreja é santa, porque Deus Santíssimo é o seu autor; Cristo entregou-se por ela, para a santificar e fazer dela santificadora; e o Espírito Santo vivifica-a com a caridade. Nela se encontra a plenitude dos meios de salvação. A santidade é a vocação de cada um dos seus membros e o fim de cada uma das suas actividades. A Igreja inclui no seu interior a Virgem Maria e inumeráveis Santos, como modelos e intercessores. A santidade da Igreja é a fonte da santificação dos seus filhos, que, aqui, na terra, se reconhecem todos pecadores, sempre necessitados de conversão e de purificação.

Hoy el reto del amor es no dejar que el hielo esté en tu corazón

UN ÁRBOL DE VIDA


Casi todos los días salimos a dar un paseo por la huerta. Es muy grande y disfrutamos mucho de ella.

Hace unos días estaba preciosa: todos los árboles en flor, muy verde... te llenaba de vida y de alegría verla. Pero, como bien sabes, ha habido unas fuertes heladas, y todo lo que estaba en flor se ha quedado negro. Es impresionante pasear junto a una de las tapias, que es un paseo de nogales, y ver cómo todos los árboles están negros, helados... da una sensación de frío, de pena...

Ayer me senté un rato junto a uno de esos nogales. Le estuve mirando un buen raro. Me daba cuenta de que yo también a veces empiezo las cosas con mucha fuerza y todo comienza a florecer... pero nunca calculo las heladas. ¡Y cuántas cosas se caen porque ha llegado el frío y lo ha helado!

En esos momentos sientes muy fuerte la debilidad que es haber querido a una persona y que te haya dejado, con toda la ilusión que habías puesto... y ahora todo está congelado. O esa amistad que tanto cuidaste y abonaste, y ha llegado la prueba del hielo y no la ha superado... ¿y qué hacer? 

El mundo te dice que nada dura, que todo falla, que todo tiene fecha de caducidad. Que no confíes, que no vale la pena: tarde o temprano, se helará todo.

Pero mi sorpresa fue que, al seguir observando, descubrí que, debajo de las hojas negras, están volviendo a salir hojas verdes. La fuerza del árbol no le ha dejado quedarse en lo negro, ha vuelto a apostar por la vida. Es verdad que este año no tendrá nueces, pero sí que podrá darnos sombra con sus hojas, y podremos comer debajo del nogal en pleno verano.

Este nogal me ha mostrado que, una vez más, Dios ha optado por la vida, el Señor no le ha dejado muerto, ha vuelto a sacar vida de donde no creíamos que había. Así, el Padre no dejó a su Hijo en el sepulcro, lo resucitó para que tengamos Vida. Sólo la paciencia y la confianza en Dios es capaz de ver nacer nuevamente la vida. No mires las hojas heladas, mira hacia donde están ya naciendo las nuevas.

Hoy el reto del amor es no dejar que el hielo esté en tu corazón, apuesta por el amor una vez más. Disfruta hoy de las personas que tienes a tu lado y te quieren. Hoy, cuando vayas a misa y llegue el momento de la paz, no des la mano: dales dos besos y deséales la paz de corazón. Y, si no vas a misa, a las personas que te encuentres, dales dos besos y deséales un feliz día en el Señor.


VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





25/12/2017

É Natal

Quando chega o Natal, gosto de contemplar as imagens do Menino Jesus. Essas figuras que nos mostram o Senhor tão apoucado, recordam-me que Deus nos chama, que o Omnipotente Se quis apresentar desvalido, quis necessitar dos homens. Do berço de Belém, Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós; reclama de nós uma vida cristã sem hesitações, uma vida de entrega, de trabalho, de alegria.
Não conseguiremos jamais o verdadeiro bom humor se não imitarmos deveras Jesus, se não formos humildes como Ele. Insistirei de novo: vedes onde se oculta a grandeza de Deus? Num presépio, nuns paninhos, numa gruta. A eficácia redentora das nossas vidas só se pode dar com humildade, deixando de pensar em nós mesmos e sentindo a responsabilidade de ajudar os outros.
É corrente, às vezes até entre almas boas, criar conflitos íntimos, que chegam a produzir sérias preocupações, mas que carecem de qualquer base objectiva. A sua origem está na falta de conhecimento próprio, que conduz à soberba: o desejo de se tornarem o centro da atenção e da estima de todos, a preocupação de não ficarem mal, de não se resignarem a fazer o bem e desaparecerem, a ânsia da segurança pessoal... E assim, muitas almas que poderiam gozar de uma paz extraordinária, que poderiam saborear um imenso júbilo, por orgulho e presunção tornam-se desgraçadas e infecundas!
Cristo foi humilde de coração. Ao longo da Sua vida, não quis para Si nenhuma coisa especial, nenhum privilégio. Começa por estar nove meses no seio de Sua Mãe, como qualquer outro homem, com extrema naturalidade. Sabia o Senhor de sobra que a Humanidade padecia de uma urgente necessidade d’Ele. Tinha, portanto, fome de vir à terra para salvar todas as almas; mas não precipita o tempo; vem na Sua hora, como chegam ao mundo os outros homens. Desde a concepção ao nascimento, ninguém, salvo S. José e Santa Isabel, adverte esta maravilha: Deus veio habitar entre os homens!
O Natal também está rodeado de uma simplicidade admirável: o Senhor vem sem aparato, desconhecido de todos. Na Terra, só Maria e José participam na divina aventura. Depois, os pastores, avisados pelos Anjos. E mais tarde os sábios do Oriente. Assim acontece o facto transcendente que une o Céu à Terra, Deus ao homem!
Como é possível tanta dureza de coração que cheguemos a acostumar-nos a estes episódios? Deus humilha-Se para que possamos aproximar-nos d’Ele, para que possamos corresponder ao seu Amor com o nosso amor, para que a nossa liberdade se renda, não só ante o espectáculo do Seu poder, como também ante a maravilha da Sua humildade.
Grandeza de um Menino que é Deus! O Seu Pai é o Deus que fez os Céus e a Terra, e Ele ali está, num presépio, quia non erat eis locus in diversorio, porque não havia outro sítio na Terra para o dono de toda a Criação! (Cristo que passa, 18)

Nosso Senhor dirige-se a todos os homens, para que venham ao seu encontro, para que sejam santos. Não chama só os Reis Magos, que eram sábios e poderosos; antes disso tinha enviado aos pastores de Belém, não simplesmente uma estrela, mas um dos seus anjos. Mas tanto uns como outros – os pobres e os ricos, os sábios e os menos sábios – têm de fomentar na sua alma a disposição de humildade que permite ouvir a voz de Deus. (Cristo que passa, 33)


"Hoje brilhará sobre nós a luz, porque nos nasceu o Senhor!" Eis a grande novidade que comove os cristãos e que, através deles, se dirige à Humanidade inteira. Deus está aqui! Esta verdade deve encher as nossas vidas. Cada Natal deve ser para nós um novo encontro especial com Deus, deixando que a Sua luz e a Sua graça entrem até ao fundo da nossa alma. (Cristo que passa, 12)

Temas para meditar

A força do Silêncio, 165


O silêncio de Deus compreende-se pela fé, na meditação da comunhão que pode existir entre Ele e os homens.
O Silêncio divino é uma relação misteriosa.
Deus não é insensível ao mal.

Num primeiro momento, podemos pensar que Deus deixa que o mal destrua os homens.
Mas, embora Deus permaneça em silêncio, nem por isso sofre menos connosco por causa do mal que dilacera e desfigura a Terra.
Se procurarmos ficar com Deus no silêncio, compreenderemos a sua presença e o seu amor.


CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo de Natal


Evangelho: Jo 1, 1-18

1 No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus.2 No princípo Ele estava em Deus. 3 Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência. 4 Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. 5 A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. 6 Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. 7 Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. 8 Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz. 9 O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. 10 Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. 11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12 Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13 Estes não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus.14 E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco. E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. 15 João deu testemunho dele ao clamar: «Este era aquele de quem eu disse: ‘O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim.’»16 Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças. 17 É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo. 18 A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

Comentário:

Deus Criador conduz o Seu povo por etapas.
Começa por escolher o “fundador” desse povo na figura de Abraão a quem submete a várias provas para consolidar a sua confiança e obediência. Só se pode obedecer em quem se confia.
Dá-lhes uma série de regras a cumprir – a Lei Natural – a que se chamaram Mandamentos, da sua observância depende a Sua ‘amizade’ com esse mesmo povo, isto é, a manutenção do vínculo estabelecido com Abraão.
Finalmente, envia o Seu Filho para trazer «a graça e a verdade foram trazidas por Jesus Cristo» que serão indispensáveis para a salvação do homem.
Assim, se completam os planos e desígnios do Criador em relação ao homem.

(AMA, comentário sobre Jo 1, 1-18, 2012.12.31)









Leitura espiritual

MARIA, A MÃE DE JESUS 2


DEUS FALA DE MARIA

É um facto que o Evangelho fala relativamente pouco da Mãe de Jesus. Os textos mais extensos circunscrevem-se, principalmente, à concepção, nascimento e infância de Cristo.
No entanto, se o Evangelho fala pouco, ao mesmo tempo diz muito. Não acompanharemos aqui passo a passo todos os “evangelhos de Maria”.
Debruçar-nos-emos apenas sobre alguns textos evangélicos, guiados pelo desejo de captar o que acima se mencionava:
Que nos diz Deus de Maria?
O que é que Ele pensa e quer dela?
Simultaneamente, guiar-nos-á o propósito de verificar se a devoção a Maria, tal como a vivem os fiéis católicos, está em sintonia com a vontade de Deus.
Para este fim, parece-nos especialmente esclarecedor, como ponto de partida, meditar a narração de São Lucas sobre a Visitação de Maria a sua prima Santa Isabel.

Quando Maria se encaminhou à casa de Isabel, ainda soavam nos seus ouvidos e no seu coração os ecos da mensagem da Anunciação.
No seu seio, o Verbo – a segunda Pessoa da Santíssima Trindade – já se fizera carne.
Ela era mãe e, em seu corpo virginal, trazia Deus feito homem, formava-lhe um corpo.
Por uma alusão incidental do Anjo Gabriel na Anunciação, Maria tomou conhecimento de que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês daquela que se dizia estéril [i].
A sua reação imediata foi pensar que Isabel precisaria de ajuda.
E é por isso que vai sem demora oferecer o seu auxílio à prima idosa, que se preparava para a primeira experiência da maternidade:
Levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel [ii].

Até aqui, o Evangelho apresenta uma cena de delicada caridade.
Mas, a partir desse momento da narrativa, a cena familiar do encontro das duas mulheres eleva-se a um plano diverso, ganhando uma significação inesperada.
Deus intervém.

São Lucas descreve o que se passou com os acentos do imprevisto:
«Aconteceu», diz. Passou-se algo que não era esperado. «Aconteceu que, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Exclamou ela em alta voz e disse... [iii]».

Não há a menor dúvida de que o Evangelho mostra neste texto que Deus vai falar por boca de Isabel.
Vai falar como o fizera pelos Profetas, cheios do Espírito Santo; e todos sabemos que a voz dos Profetas era a voz de Deus:
Deus falou outrora muitas vezes e de muitos modos aos nossos pais pelos Profetas” – assim começa a Epístola aos Hebreus [iv].
Agora dispõe-se a falar de novo.
Pensando bem, o que é que seria lógico esperar dos lábios de Isabel, quando o Espírito Santo a invade – a ela e ao filho que traz nas entranhas –, inundando-a da alegria de receber em sua casa o Salvador de que Maria é portadora, o Messias esperado por séculos e séculos a fio, o próprio Deus habitando entre os homens?
Em princípio, seria razoável esperar que, perante um facto de tal transcendência, Isabel – movida pelo Espírito Santo – entoasse um cântico de adoração e de agradecimento ao Deus, Senhor de céus e terra, que se dignava chegar a sua casa.
Diante da presença do Deus vivo, tudo se obscurece, todas as criaturas passam a um segundo plano, como sombras que, quando muito, refletem tenuemente os raios do Sol divino.
Certamente Isabel louva o seu Senhor e exulta n’Ele em alegre agradecimento. Mas a verdade é que todas as palavras que pronuncia são – do começo ao fim – um louvor e uma glorificação de Maria.
É Deus quem fala por ela – precisamos repisá-lo –, e em consequência essas palavras inspiradas expressam o que Deus nosso Senhor “pensa” e “quer dizer” daquela que escolheu como Mãe.
Prestemos atenção ao texto do Evangelho:

«...Isabel ficou repleta do Espírito Santo». Exclamou ela em alta voz e disse:
«Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que a mãe do meu Senhor venha ter comigo? Porque logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas» [v].

Cada palavra, cada frase, tem um peso.
Se acompanharmos o ritmo das expressões de Isabel, na sua sequência linear, perceberemos logo que começam com um louvor a Maria, que identifica a Virgem com a mulher abençoada por Deus de uma forma única entre todas as mulheres; e que se segue um louvor a Cristo, mas a Cristo contemplado através de Maria, precisamente como filho dela: «bendito o fruto do teu ventre».
Esta é a primeira palavra que Deus profere sobre Nossa Senhora por intermédio de Isabel.

Lê-se a seguir uma segunda frase, cujo significado é este: a proximidade de Maria, a presença e a conversa com a Virgem, é um bem, é uma bênção para a alma a quem Ela se chega.

«Donde me é dado que a mãe do meu Senhor venha ter comigo?»
 Isabel sente-se beneficiada por um dom imerecido.
Não se limita a agradecer à sua parenta a atenção que está tendo com ela; se se sente honrada, para além de todo o merecimento, é porque recebeu a visita da “Mãe do meu Senhor”.
É isto justamente o que a comove: que, diante dos seus olhos, está a Mãe de Deus, e a Mãe de Deus é portadora das bênçãos do céu.
Esta referência emocionada de Isabel ao dom, ao benefício recebido pela visita da Mãe do seu Senhor, torna-se ainda mais explícita e clara nas palavras que profere a seguir, com a fluência de um cântico:

«Porque logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre».

Só entenderemos cabalmente esta frase se não esquecermos que, pouco antes, São Lucas já se referira a um duplo efeito – um duplo dom – produzido pelas palavras de “saudação” proferidas por Maria:
Por um lado, a alegria sobrenatural de João Batista, que saltou no seio de sua mãe; por outro, a efusão do Espírito Santo na alma de Isabel. É da maior importância perceber que esse duplo dom, conforme diz o Evangelho, tenha sido concedido por Deus em virtude da presença de Maria.
O texto, com efeito, expressa uma autêntica relação de causalidade entre a chegada de Maria, a voz de Maria, e os dons divinos derramados na alma de Isabel e do seu filho.
Tudo aconteceu “apenas Isabel ouviu a voz de Maria”, «logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos», e aconteceu “por isso”.

Aqui não se está falando de sentimentos ou de reações emocionais subjectivas – do estado psicológico provocado humanamente pela visita de Maria –, mas de uma iniciativa divina, de uma acção directa de Deus sobre Isabel – «ficou repleta do Espírito Santo» –, que o Evangelho vincula a Maria como causa instrumental.
Deus agiu por intermédio d’Ela.
Também encerram uma grande riqueza as últimas palavras pronunciadas por Isabel. Trata-se de um novo louvor:
«Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas».
Se esta frase não se encontrasse no Evangelho, provavelmente acharíamos excessivo o que ela diz.
Surpreendentemente, Isabel – Deus por ela – afirma sem ambiguidades que “as coisas que da parte do Senhor foram ditas a Maria” se cumprirão porque Ela acreditou.
Ora, o que é que são essas coisas ditas da parte do Senhor, senão as que pouco antes o Anjo Gabriel anunciara à Virgem?
Darás à luz um filho..., será grande, será chamado Filho do Altíssimo..., reinará sobre a casa de Jacob eternamente, e o seu Reino não terá fim [vi].
Sem dúvida, as “coisas que foram ditas” são, nem mais nem menos, o plano divino da Redenção da humanidade através da Encarnação, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Então, também é fora de dúvida que Isabel afirma que este plano se há de cumprir porque Maria acreditou, isto é, porque abraçou com fé e confiança plenas o convite de Deus para ser a Mãe do Redentor.
Isto significa que Deus, em seus desígnios imperscrutáveis, quis fazer depender a Redenção da humanidade, de algum modo, da colaboração de Maria.
Por outras palavras, Deus quis contar com a Virgem Santíssima, não como simples instrumento passivo, mas como parte activa e colaboradora livre da obra da Redenção.
Estas considerações simples abrem-nos desde já como que uma janela, através da qual podemos contemplar o mistério de Maria a partir da perspectiva de Deus, e, simultaneamente, permitem-nos avaliar – segundo a mesma perspectiva – o sentido da devoção que o povo cristão dedica a Maria Santíssima.
Na verdade, esses “pensamentos” de Deus são verdadeiros focos de luz, que iluminam por dentro os mistérios da vida e da vocação de Nossa Senhora.

(cont)

FRANCISCO FAUS. [vii]




[i] Lc 1,36
[ii] Lc 1, 39-40
[iii] Lc 1, 41-42
[iv] 1, 1
[v] Lc 1, 41-45
[vi] Lc 1, 31-32
[vii] MARIA, A MÃE DE JESUS QUADRANTE, São Paulo Copyright © 1987 Quadrante, Sociedade de Publicações Culturais

Diálogos apostólicos - II Parte

O DIVÓRCIO – 1 

A. O PROBLEMA DO DIVÓRCIO


Pergunto:

Que bens protege o casamento?


Respondo:

A indissolubilidade matrimonial guarda vários bens:
A estabilidade, a paz e a segurança pessoal, familiar e social. A segurança de amor e afecto na velhice.
A educação, crescimento harmónico e estabilidade afectiva dos filhos. Por vezes até a sua alimentação.
A dignidade do corpo humano que não deve ser objecto de troca (hoje com uma pessoa, amanhã com outra).

A indissolubilidade também protege o amor, compreensão e ajuda mútua entre os esposos, sobretudo quando existem dificuldades, pois o saberem-se unidos para sempre ajuda a pôr o esforço necessário para uma convivência melhor.

Natal. É Deus que nos pede esmola. (2017)

Neste Natal em que tanta gente tem de recorrer à esmola e tanta outra procura atender generosamente essa dolorosa necessidade, é bom ver Nosso Senhor também a pedir esmola e a agradecer a esmola que Lhe dermos, a Ele directamente, pelo amor, e a todos os que passam fome e com quem Ele se identificam: «Porque tive fome e me destes de comer, sede e me destes de beber, estava nu e me vestistes…», enfim, porque «tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes…» (Mt 25, 35 e 40).

Grande mistério, que a todos nos comove: o próprio Deus, Deus Criador e Omnipotente, a pedir e a agradecer esmolas das suas criaturas!

É uma verdade estranha, mas evidente; e quanto mais evidente, mais estranha parece. Mas não veio Ele pedir-nos licença de entrar neste nosso mundo? Ele, que é o Senhor do mundo; Ele, «em Quem nós nos movemos, existimos e somos» (Act 17, 28); Ele que nos criou e nos mantém na existência; Ele, Deus todo-poderoso; não envia porventura um embaixador insigne, um Príncipe celestial, a pedir a uma menina de Nazaré a esmola de O receber no seu seio?
Mistério maravilhoso! Estabelece-se um diálogo diplomático; ela pergunta em que condições o Senhor deseja ser concebido; é esclarecida; e, com a maior simplicidade, responde que sim. - Sim, Senhor Embaixador, aceito Deus como meu Filho. Pode entrar no meu seio desde já. «Faça-se em mim, segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).

Porque é que o Senhor é tão cerimonioso e delicado? Porque precisa de nos pedir licença para encarnar?

Reparemos na diferença entre a filiação humana e a procriação animal: a mesma que há entre o homem e o animal - a consciência e a liberdade. A geração humana é consciente e livre; a procriação animal é inconsciente e fatal.

Nosso Senhor quis ser verdadeiramente «filho do homem», isto é, verdadeiro homem, entrando no mundo segundo uma autêntica e plena geração humana. Podia ter assumido natureza humana sem mãe nem pai, mas nesse caso seria para nós um extra-terrestre; teria uma natureza igual à nossa, mas não faria parte da nossa natureza. Não faria parte da humanidade que vinha salvar. Ou podia nascer de uma mulher, sem lhe pedir licença, mas, nesse caso, não teria verdadeira mãe, não seria verdadeiro filho nosso, da nossa raça; seria um intruso; a sua entrada no mundo seria uma violência divina.

Nosso Senhor fez-Se verdadeiro pedinte. Pediu primeiro um coração e um seio maternos. As crianças não pedem a sua própria concepção, porque só existem a partir dela; mas Cristo é anterior à sua própria concepção, e pediu-a expressamente. E continuou a pedir: pediu para vir ao mundo dentro de uma família, e isso já foi mais difícil, porque José demorou a compreender o pedido. Foi preciso explicar-lhe que, embora Ele não fosse filho seu pela carne, queria ser Filho seu por vontade divina… E também José acabou por aceitá-Lo como verdadeiro pai. Como dizia Santo Agostinho, «à piedade e caridade de José nasceu o Filho da Virgem Maria, que é o mesmo Filho de Deus». (Sermo 51, 30). Quem afirma que Ele não é filho de José por não ter sido gerado carnalmente, explica o santo doutor, dá mais importância à libido do que ao amor, quando o amor é que determina a paternidade humana (Cf. idem, 26). Enfim, assim como Maria não O gerou pela carne, mas pelo Espírito Santo, também José O recebeu do Pai pelo seu Espírito de Amor.

Pediu um pai, pediu uma família, pediu toda uma parentela, como qualquer homem recebe desde o primeiro momento; pediu que O deixássemos nascer e uma casa onde vir ao mundo… Essa foi a primeira esmola que Lhe recusámos. Fechámos-Lhe todas as portas. E teve de vir à luz na escuridão de uma toca de animais!

«Coitadinho de Nosso Senhor!», dizemos nós agora, como os Pastorinhos em Fátima, ao contemplá-Lo agora no presépio. Tem algum sentido esta exclamação? Sim, é a expressão da nossa misericórdia; misericórdia é a virtude que consiste na compaixão pelas carências alheias e nos leva a socorrer quem padece alguma necessidade; é a virtude que nos leva a partilhar a miséria dos outros e a procurar remediá-la; da misericórdia é que procede a esmola; e a primeira esmola é precisamente a compaixão, a companhia de outrem no seu sofrimento. Mas isto remedeia alguma coisa? Com certeza, sobretudo quando uma das coisas de que o próximo mais necessita é o nosso amor.

Ora, o que buscava Jesus Cristo no mundo não eram certamente as coisas materiais, porque d’Ele é tudo o que existe; o que buscava e continua a buscar é o nosso coração, o nosso amor. Isso era o que mais queria e vinha pedir-nos. Se lho damos agora, estamos a remediar, de facto, o que de nós esperava nessa altura e continua a esperar.

H.A (em «Celebração Litúrgica» 1 /2017-2018)

Bento XVI – Pensamentos espirituais 168

Jesus e a Igreja

Reconciliação

Para respondermos à chamada de Deus e nos metermos ao caminho, não precisamos de ter atingido a perfeição. Sabemos que a consciência do pecado permitiu ao filho pródigo empreender o caminho de regresso e experimentar, assim, a alegria da reconciliação com o Pai.

As fragilidades e as limitações humanas não constituem obstáculo, desde que contribuam para nos tornarmos cada vez mais conscientes da necessidade que temos da graça redentora de Cristo.

Mensagem para o 43.e Dia Mundial de Oração pelas Vocações, (30.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





24/12/2017

Tempos diários de oração

Se desejas deveras ser alma penitente – penitente e alegre –, deves defender, acima de tudo, os teus tempos diários de oração, de oração íntima, generosa, prolongada, e hás-de procurar que esses tempos não sejam ao acaso, mas a hora fixa, sempre que te for possível. Sê escravo deste culto quotidiano a Deus, e garanto-te que te sentirás constantemente alegre. (Sulco, 994)


Como anda a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de falar mais devagar com Ele? Não Lhe dizes: logo vou contar-te isto e aquilo; logo vou conversar sobre isso contigo?

Nos momentos dedicados expressamente a esse colóquio com o Senhor o coração expande-se, a vontade fortalece-se, a inteligência – ajudada pela graça – enche a realidade humana com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros, práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade, todos os homens, de te empenhares a fundo – com o empenho dos bons desportistas – nesta luta cristã de amor e de paz.

A oração torna-se contínua como o bater do coração, como as pulsações. Sem essa presença de Deus não há vida contemplativa. E sem vida contemplativa de pouco vale trabalhar por Cristo, porque em vão se esforçam os que constroem se Deus não sustenta a casa.


Para se santificar, o cristão corrente – que não é um religioso e não se afasta do mundo, porque o mundo é o lugar do seu encontro com Cristo – não precisa de hábito externo nem sinais distintivos. Os seus sinais são internos: a constante presença de Deus e o espírito de mortificação. Na realidade, são uma só coisa, porque a mortificação é apenas a oração dos sentidos. (Cristo que passa, nn. 8–9)