19/08/2017

Fátima: Centenário - Vida de Maria - 61



Centenário das aparições da Santíssima 

Virgem em Fátima


Fuga para o Egipto


A voz dos poetas


Desterrado parte o Menino,

e chora;

disse-lhe Sua Mãe assim,

e chora.

Calai, meu Senhor, agora.

Ouvi prantos de amargura,

pobreza, temor, tristura,

águas, ventos, noite escura,

com que vai Nossa Senhora,

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

O desterro que sofreis

é a chave com que abris

ao mundo que redimis,

a cidade em que Deus mora

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Não pode ficar nisto;

morrereis, e não tão presto;

mas a cruz do serás posto

me trespassa desde agora,

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Calai-vos, minha luz é aviso,

pois que vosso Pai quis

que sejais do paraíso

Flor que nunca se desflora,

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Oh grande Rei de minhas entranhas,

como ides pelas montanhas,

fugindo para terras estranhas

da mão matadora!

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Vós tomais esta viagem

por guardar a homenagem

que fizeste à linhagem

da gente pecadora,

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Com seu Filho já fugindo,

já cansado, já temendo,

já tremendo, já correndo

atrás da fé, sua guia,

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Chora o Menino do látego,

da água e do desabrigo

com a Mãe, que é testemunha,

nossa luz que ilumina,

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Oh os que vão caminhando,

temendo e atrás mirando

se os ia já alcançando

a gente perseguidora!

E chora;

calai, meu Senhor, agora.

À Virgem sem mancha

a verde palma se humilha,

em sinal de maravilha,

que é do céu imperadora,

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Este frio não Vos fatigue,

nem Herodes, que vos persegue,

pelo grande bem que se segue

desta vida penosa,

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Pela ira herodiana

que sofreis, Filho, de gana,

dai a glória soberana

ao que tal desterro adora

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

Estando o Menino nos seus braços,

faixazinha de retalhos,

desfizeram-se em mil pedaços

os ídolos a destempo

e chora;

calai, meu Senhor, agora.

¡Oh se soubesses, Egipto,

quanto já és bendito

pelo tesouro infinito

que hoje em ti se entesoura!

E chora;

calai, meu Senhor, agora.


Ambrósio de Montesino (século XV), Cancionero.

18/08/2017

Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mt 19, 3-12

3 Alguns fariseus, para o experimentarem, aproximaram-se dele e disseram-lhe: «É permitido a um homem divorciar-se da sua mulher por qualquer motivo?» 4 Ele respondeu: «Não lestes que o Criador, desde o princípio, fê-los homem e mulher, 5 e disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois um só? 6 Portanto, já não são dois, mas um só. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.» 7 Eles, porém, objectaram: «Então, porque é que Moisés preceituou dar-lhe carta de divórcio, ao repudiá-la?» 8 Respondeu Jesus: «Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim. 9 Ora Eu digo-vos: Se alguém se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - e casar com outra, comete adultério.» 10 Os discípulos disseram-lhe: «Se é essa a situação do homem perante a mulher, não é conveniente casar-se!» 11 Respondeu-lhes Jesus: «Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado. 12 Há eunucos que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela interferência dos homens e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos, por amor do Reino do Céu. Quem puder compreender, compreenda.»

Comentário:

Como «o decurso do tempo que consome os corpos e ameaça azedar os caracteres, a monotonia dos dias, aparentemente sempre iguais» [i] são uma realidade tão difícil, por vezes, de enfrentar!
E, no entanto, enquanto amamos o nosso marido, a nossa mulher com um amor inteiro, incondicional somos capazes dos maiores disparates, discussões estéreis, conflitos de escassa importância, amuos que nos doem e fazem mal.
Depois vem o orgulho pessoal que nos insinua: não... desta vez não cedo... não sou eu quem tem de pedir desculpas!

Não deixemos passar o tempo, um dia sequer, sem resolver a situação.

Quanto mais tempo levarmos até o fazermos mais nos custará.

(AMA, comentário sobre Mt 19, 3-12, 2010.08.13)










[i] (São Josemaria, Cristo que Passa, 24)

Estás obrigado a dar exemplo

Tens necessidade de vida interior e de formação doutrinal. Exige-te! – Tu, cavalheiro cristão, mulher cristã, tens de ser sal da terra e luz do mundo, porque estás obrigado a dar exemplo com um santo descaramento. Há-de urgir-te a caridade de Cristo e, ao sentires-te e saberes-te outro Cristo a partir do momento em que lhe disseste que o seguias, não te separarás dos teus semelhantes – os teus parentes, os teus amigos, os teus colegas –, da mesma maneira que o sal não se separa do alimento que condimenta. A tua vida interior e a tua formação abrangem a piedade e o critério que deve ter um filho de Deus, para temperar tudo com a sua presença activa. Pede ao Senhor para seres sempre esse bom condimento na vida dos outros. (Forja, 450)

Olhai que o Senhor anseia por nos conduzir com passos maravilhosos, divinos e humanos, que se traduzem numa abnegação feliz, de alegria com dor, de esquecimento de nós mesmos. Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo. Um conselho que já todos ouvimos. Temos de nos decidir a segui-lo de verdade: que o Senhor se sirva de nós para que, metidos em todas as encruzilhadas do mundo – e estando nós metidos em Deus – sejamos sal, levedura, luz. Tu, em Deus, para iluminar, para dar sabor, para aumentar, para fermentar.


Mas não te esqueças de que não somos nós quem cria essa luz; apenas a reflectimos. Não somos nós quem salva as almas, levando-as a praticar o bem. Somos apenas um instrumento, mais ou menos digno, para os desígnios salvíficos de Deus. Se alguma vez pensássemos que o bem que fazemos é obra nossa, voltaria a soberba, ainda mais retorcida; o sal perderia o sabor, a levedura apodreceria, a luz converter-se-ia em trevas. (Amigos de Deus, 250)

¿Está perdida la batalla contra la ideología de género?

Ése es el error de la ideología de género, el que es una ideología al servicio del error y de la mentira e incluso al servicio del diablo.

Estos días varias personas me han dicho lo mismo: “Desengáñate, Pedro, la batalla contra la ideología de género la tenemos perdida”. ¿Es eso verdad?

Personalmente he llegado a la conclusión contraria, tanto por razones de tipo sobrenatural como de tipo natural. Veámoslas.

Mis razones sobrenaturales son muy sencillas. Aunque la batalla entre el Bien y el Mal, entre Dios y Satanás continúa, la batalla decisiva se ha librado y ganado con la Pasión, Muerte y Resurrecció0n de Cristo. En Teología se expresa esto cuando se dice: el Reino de Dios ya está entre nosotros, aunque todavía no ha llegado a su plenitud. Jesucristo nos expresa esto en varios textos, entre los que destaca la promesa a Pedro: “Ahora, yo te digo: tú eres Pedro y sobre esta piedra edificaré mi Iglesia, y el poder del infierno no la derrotará” (Mt 16,18); “y sabed que yo estaré con vosotros todos los días hasta el final de los tiempos” (Mt 28,20); y aún más claramente en el episodio del Juicio Final de Mt 25,31-46.

Y ahora vayamos a las razones de tipo natural.

Mi primera estancia en Alemania fue en agosto de 1961, y por tanto coincidí con la construcción del Muro de Berlín. Podéis suponer por tanto mi alegría cuando se demolió. Entre los comentarios de aquellos días hubo una frase de un periodista que se me quedó grabada: “El hombre es un animal maravilloso al que le gusta la Libertad”. Pero como nos enseña Jesucristo, al decirnos “la verdad os hará libres” (Jn 8,32), hay una estrecha relación entre Verdad y Libertad, siendo la Verdad el fundamento de la Libertad. Y ése es el error de la ideología de género, el que es una ideología al servicio del error y de la mentira e incluso al servicio del diablo.

Y es que miremos por donde miremos la ideología de género es sólo un conjunto de falsedades. Biológicamente el ser humano, como nos enseñan los libros de Ciencias y de Medicina, es varón o mujer, y es que la Biología no parece muy dispuesta a plegarse a las exigencias de la ideología de género. Pretender que hombres y mujeres somos iguales y que las diferencias se deben a una incorrecta educación sexual, es una gran majadería. Hombres y mujeres somos iguales en dignidad, y en lo demás, en lo que no somos iguales, como en la reproducción, somos complementarios. Los varones y las mujeres somos diversos en muchas cosas, y desde luego es mucho más manipulador oponerse a nuestras tendencias biológicas, que tratar de afianzarlas. La pretensión de algunas personas que han dado a luz de decirnos que no son mujeres es una idiotez mayúscula.

La ideología de género trata de eliminar todas las raíces biológicas de nuestro comportamiento. Entre otras cosas trata de destruir cosas tan profundamente humanas como son el matrimonio, la familia y hasta la maternidad. Si hay un instinto profundamente arraigado en la mujer, ése es la maternidad. Pero la ideología de género intenta destruirlo porque para esa ideología supone sumisión y represión sexual, si bien si alguna mujer, a pesar de todo, desea ser madre, puede hacerlo por medio de relaciones esporádicas, pero sin que ello signifique establecer un lazo de unión con ningún varón. El sentido común más elemental nos recuerda que el niño es el gran perjudicado porque le viene muy bien una familia estable con un padre y una madre que se quieran y le quieran a él y así aprende lo más necesario que necesita aprender: lo que es el amor. Viéndolo en sus padres y recibiéndolo de ellos, aprende de qué se trata y, a su vez, empieza a transmitirlo.

Resulta espeluznante pensar que una ideología tan destructiva haya sido aprobada por la práctica unanimidad de nuestro Congreso y Senado y tenga en apoyo suyo una cada día más amplia legislación. Pero la ideología de género, que lleva consigo también el presunto derecho al aborto, mueve ingentes cantidades de dinero, provenientes en buena parte del erario público. Si a esto añadimos que la ideología de género es, hoy por hoy, lo políticamente correcto y la disciplina de Partido, nos encontramos con la explicación de cómo se pueden aprobar leyes que, estoy seguro, muchos parlamentarios abominan.

Ahora bien, ¿tiene futuro la ideología de género? En este punto recuerdo los refranes: “La mentira tiene las patas cortas”, y “Antes se coge al mentiroso que al cojo”, y sobre todo ese dicho que reza así: “Se puede engañar a uno todas las veces, a muchos muchas veces, pero es imposible engañar a todos todas las veces”.

En este artículo he citado una frase que me gusta mucho: “El hombre es un animal maravilloso al que le gusta la Libertad”; pero creo también se puede escribir esta otra: “El hombre es un animal maravilloso al que le gusta la Verdad”. Estoy convencido que con la ayuda de la gracia de Dios, veremos pronto la derrota de la mentira, del relativismo y de la ideología de género.~


REL- Pedro Trevijano

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







Fátima: Centenário - Vida de Maria - 60



Centenário das aparições da Santíssima 

Virgem em Fátima


Fuga para o Egipto


A voz dos santos

«Não nos entristeçamos pela Sua morte, alegremo-nos, antes, porque receberam o prémio merecido. Quando eles morreram entre os tormentos, Raquel, ou seja, a Mãe Igreja, acompanhou-os com luto e lágrimas. Mas a Jerusalém celestial, que é Mãe de todos nós, acolheu imediatamente com sinais de alegria os que tinham sido audazes na terra e introduziu-os na glória do Seu Senhor, para que recebessem d’Ele a coroa. Por este motivo, São João afirma que "estavam diante do trono e diante do Cordeiro, revestidos com vestes brancas, com palmas nas suas mãos" [i]. Agora, coroados, estão de pé diante do trono de Deus os mesmos que antes jaziam, esmagados pelos sofrimentos, diante dos tribunais terrenos. Estão na presença do Cordeiro e não poderão ser excluídos, por motivo algum, da contemplação da Sua glória, do mesmo modo que aqui em baixo nenhum suplício pôde apartá-los do amor (...). "Por isso estão diante do trono de Deus e O servem de dia e de noite no Seu Templo" [ii].

Estar na presença de Deus, louvá-Lo sem interrupção, não é um serviço custoso, é antes algo muito grato e desejável; a expressão "de dia e de noite" não significa propriamente sucessão no tempo, indica antes de modo simbólico a perpetuidade. Nos claustros de Cristo "já não existirá a noite" [iii], mas um dia único, mais feliz do que mil dias em qualquer outro lugar. Nesse dia, Raquel já não chorará pelos seus filhos, pois Deus "enxugará as lágrimas dos seus olhos" [iv]; mas "há gritos de júbilo e de vitória nas tendas dos justos" [v]».

São Beda o Venerável (séculos VII-VIII), Homilia sobre os Santos Inocentes 1, 10.




[i] Ap 7,9
[ii] Ap 7, 15
[iii] Ap 21, 25
[iv] Ap 7, 17
[v] Sal 117, 15

17/08/2017

A oração deve enraizar-se na alma

A verdadeira oração, a que absorve todo o indivíduo, não a favorece tanto a solidão do deserto como o recolhimento interior. (Sulco, 460)

O caminho que conduz à santidade é o caminho da oração; e a oração deve enraizar-se pouco a pouco na alma, como a pequena semente que se tornará mais tarde árvore frondosa.

Começamos com orações vocais, que muitos de nós repetimos desde crianças: são frases ardentes e simples, dirigidas a Deus e à Sua Mãe, que é nossa Mãe. De manhã e à tarde, não um dia, mas habitualmente, ainda renovo aquele oferecimento que os meus pais me ensinaram: Ó Senhora minha, ó minha mãe, eu me ofereço todo a Vós. E, em prova da minha devoção para convosco, Vos consagro neste dia os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração... Não será isto, de algum modo, um princípio de contemplação, uma demonstração evidente de confiante abandono? Que dizem aqueles que se querem, quando se encontram? Como se comportam? Sacrificam tudo o que são e tudo o que possuem pela pessoa que amam.


Primeiro uma jaculatória, e depois outra e outra... Até que parece insuficiente esse fervor, porque as palavras se tornam pobres...: e abrem-se as portas à intimidade divina, com os olhos postos em Deus sem descanso e sem cansaço. Vivemos então como cativos, como prisioneiros. Enquanto realizamos com a maior perfeição possível, dentro dos nossos erros e limitações, as tarefas próprias da nossa condição e do nosso ofício, a alma anseia escapar-se. Vai até Deus como o ferro atraído pela força do íman. Começa-se a amar Jesus de forma mais eficaz, com um doce sobressalto. (Amigos de Deus, nn. 295–296)

Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mt 18, 21-35

21 Então, Pedro aproximou-se e perguntou-lhe: «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?» 22 Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. 24 Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25 Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida. 26 O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: ‘Concede-me um prazo e tudo te pagarei.’ 27 Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: ‘Paga o que me deves!’ 29 O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: ‘Concede-me um prazo que eu te pagarei.’ 30 Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia. 31 Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor. 32 O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; 33 não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’ 34E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia. 35 Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração.»

Comentário:

Esta parábola tem - infelizmente - uma actualidade gritante.

Constata-se que a sociedade de hoje está mergulhada num pantanal de egoísmo que não se quer saber dos outros para nada a não ser na medida em que poderão ser de alguma forma vantajosa.

Não se perdoa, não se esquece, guarda-se tudo num acervo interminável de ofensas - pretensas ou verdadeiras - esquecendo as próprias.

O outro, o meu irmão que é Filho de Deus como eu, não passa de alguém com quem tenha de preocupar-me, não tenho tempo, não possuo qualquer resquício de misericórdia.

Mas, se um dia me acontece algo sei clamar bem alto por auxílio, amparo, protecção sem sequer pensar que é muito possível que me "paguem" de igual forma.

Sim, recorro a Deus, à Santíssima Virgem implorando, pedindo, gemendo e chorando sem me lembrar que só o faço porque me sinto só, desamparado, sem recursos.

Não é honesto, este comportamento! Não é séria esta postura!

Cuidado, pois, não venha Ele dizer-nos como no Evangelho:

«Não te conheço».


(AMA, comentário sobre MT 18, 21-35, 20.03.2017)

Hoy el reto del Amor es que aparques tus miedos hacia un Dios lejano y mires el corazón de Cristo

DIOS TIENE CORAZÓN

Ayer, antes de empezar Vísperas, me dijo sor Carmen:

-Mira, en el altar tenemos al Corazón de Jesús.

Miré hacia el altar y, efectivamente, había una figura del Corazón de Jesús con la pintura rosácea que las caracteriza, totalmente mate.

Le contesté:
-Aún no he visto una figura que me guste.

Y, sin apenas pensarlo, me contestó:
-Ni la encontrarás hasta que llegues al Cielo.

Durante todas las Vísperas me quedé mirando hacia la figura. Tan típica en todas las casas. Miraba todo en su conjunto de nuevo: los colores, la cara, la melena de Jesús... pero de pronto reparé en su mano izquierda, y ya no se apartó de ahí mi mirada. La mano izquierda señalaba a su corazón.

Todo cambió en ese momento. Sentía que me decía: "¡Joane, mira mi corazón, sólo a mi corazón!" Y ahí me di cuenta de que es uno de los complementos que nos molestan de estas figuras, un corazón fuera de lugar, fuera del pecho. Nos parece muchas veces algo piadoso o ilógico, pues ahí no debería estar según la estética y la razón.

Sin embargo, está muy bien puesto. No sé qué imagen te habrán transmitido de Dios o cómo le miras. ¿Un justiciero? ¿Has hecho mal y... mejor no acercarse del todo? ¿No le interesan tus cosas? ¿Está lejos, en las nubes? Hoy Cristo señala su corazón. Te dice que tiene corazón.

Un corazón que ha dado Su vida por ti, que te ama, que se conmueve con la Humanidad y derrama todo su amor. Un corazón que no se rinde en amarte. Que sabe por lo que estás pasando, te comprende y te acoge en tu dolor. Un corazón que, cuando tú aún no te has perdonado, lleva tiempo esperándote con los brazos abiertos.

Es un corazón que, como dice sor Carmen, sólo se descubre mirando al Cielo, ¡sin miedo! Deja que Su corazón entre en el tuyo, para que vivas confiado y abandonado en Su amor infinito, y no en tus juicios sobre ti. Así podrás hacer de ti mismo un don de amor sin reservas, porque el Amor de Cristo es tu referencia.

Hoy el reto del Amor es que aparques tus miedos hacia un Dios lejano y mires el corazón de Cristo. No tengas miedo a descubrirlo desde el Amor, no desde la ley... Después, manda un WhatsApp a alguien a quien su solededad le haga necesitar un mensaje preguntando "¿Qué tal estás?". Recibe Amor para poder darlo.


VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?








Fátima: Centenário - Vida de Maria - 59



Centenário das aparições da Santíssima 

Virgem em Fátima


Fuga para o Egipto


A voz dos santos

«Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo. Ao ouvir isto, o Rei Herodes ficou perturbado, e com ele toda a cidade de Jerusalém [i]. Esta cena continua a repetir-se nos nossos dias. Perante a grandeza de Deus, perante a decisão – seriamente humana e profundamente cristã – de viver de modo coerente com a fé, há quem fique desconcertado, e mesmo quem se escandalize, sem nada entender. Dir-se-ia que não admitem a existência de outra realidade para além dos seus acanhados horizontes terrenos. Em face das manifestações de generosidade que observam no comportamento dos que ouviram o chamamento do Senhor, sorriem com displicência, assustam-se, ou então - em casos que parecem verdadeiramente patológicos - obstinam-se em pôr obstáculos à santa determinação tomada por uma consciência com plena liberdade.

Já várias vezes tive oportunidade de assistir a essa espécie de mobilização geral contra quem se decide a dedicar toda a sua vida ao serviço de Deus e do próximo. Há pessoas que estão convencidas que o Senhor não pode escolher quem quer que seja sem lhes pedir primeiro autorização a eles; e de que o homem não tem inteira liberdade para aceitar ou recusar o Amor. Para quem pensa desse modo, a vida sobrenatural de cada alma é algo de secundário; julgam que se lhe deve prestar atenção, mas só depois de satisfeitos os pequenos comodismos e os egoísmos humanos (…).

Considerai o caso de Herodes. É um poderoso da terra e tem oportunidade de recorrer à colaboração dos sábios: convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Messias. O poder e a ciência não o levam ao conhecimento de Deus. Para o seu coração empedernido, o poder e a ciência são instrumentos da maldade: o desejo inútil de aniquilar Deus, o desprezo pela vida de um punhado de crianças inocentes».

São Josemaria (século XX), Cristo que passa, n. 33.




[i] Mt 2, 2-3

16/08/2017

Faz tudo o que puderes para conheceres a Deus

Em cada dia faz tudo o que puderes para conheceres a Deus, para te dares com Ele, para te enamorares mais em cada instante e não pensares senão no seu Amor e na sua glória. – Cumprirás este plano, filho, se não deixares, por nada!, os teus tempos de oração, a tua presença de Deus (com jaculatórias e comunhões espirituais para te inflamarem), a tua Santa Missa pausada, o teu trabalho bem acabado por Ele. (Forja, 737)

Meus filhos, onde estiverem os homens, vossos irmãos; onde estiverem as vossas aspirações, o vosso trabalho, os vossos amores, é aí que está o sítio do vosso encontro quotidiano com Cristo. É no meio das coisas mais materiais da Terra que devemos santificar-nos, servindo Deus e todos os homens.

Tenho ensinado constantemente com palavras da Sagrada Escritura: o mundo não é mau porque saiu das mãos de Deus, porque é uma criatura Sua, porque Iavé olhou para ele e viu que era bom (Cfr. Gen. 1, 7 e ss.). Nós, os homens, é que o tornamos mau e feio, com os nossos pecados e as nossas infidelidades. Não duvideis, meus filhos: qualquer forma de evasão das honestas realidades diárias é, para vós, homens e mulheres do mundo, coisa oposta à vontade de Deus.


Pelo contrário, deveis compreender agora – com uma nova clareza – que Deus vos chama a servi-Lo em e a partir das ocupações civis, materiais, seculares da vida humana: Deus espera-nos todos os dias no laboratório, no bloco operatório, no quartel, na cátedra universitária, na fábrica, na oficina, no campo, no lar e em todo o imenso panorama do trabalho. Ficai a saber: escondido nas situações mais comuns há um quê de santo, de divino, que toca a cada um de vós descobrir. (Temas Actuais do Cristianismo, nn. 113–114)