04/04/2017

Quem pode abrir ou fechar o sacrário?

Quem pode abrir ou fechar o sacrário?

Antes de reflectir sobre este tema, recordemos a essência da Eucaristia. Nosso Senhor Jesus Cristo nos deixou o tesouro da Eucaristia na Última Ceia, na Quinta-Feira Santa. A Igreja cuida com imenso carinho e esmero desse tesouro.

Mas a Igreja não é uma abstracção, uma ideia: a Igreja somos todos nós, baptizados. Os bispos e padres existem para santificar, reger, ensinar e também cuidar do tesouro da Eucaristia; estas são suas principais responsabilidades. E os fiéis são chamados à corresponsabilidade na vida eclesial e a desempenhar um serviço inclusive litúrgico.

Mas desempenhar um ofício na liturgia não é necessário para que um fiel possa participar activa e frutuosamente da missa. Mais ainda: devemos respeitar a dignidade dos leigos, evitando toda “clericalização”. Ninguém pode pensar que os fiéis que desempenham ofícios litúrgicos são melhores cristãos.

Feitos estes dois esclarecimentos, é preciso dizer que o ministro ordenado (o padre), que é ministro ordinário da comunhão, é a única pessoa que normalmente pode e deve abrir o Sacrário para verificar as Hóstias sagradas, para trazer ou levar a reserva, fazer a exposição do Santíssimo etc.

No final do rito da comunhão, durante a missa, “as hóstias consagradas que tenham sobrado sejam consumidas pelo sacerdote no altar ou sejam levadas ao lugar destinado para a conservação da Eucaristia”. [i]

Portanto, os acólitos instituídos e/ou chamados ministros extraordinários da comunhão não podem ter acesso ao Sacrário, menos ainda na presença do sacerdote e em plena missa.

Se isso acontece, é um abuso que infelizmente é consentido por alguns padres. “O acólito é instituído para o serviço do altar e para ajudar o sacerdote e o diácono. Compete-lhe, como função principal, preparar o altar e os vasos sagrados e, se for necessário, distribuir aos fiéis a Eucaristia, de que é ministro extraordinário”.[ii]

Então, que fique claro: normalmente, os acólitos e/ou ministros extraordinários da comunhão ajudam a distribuir a Eucaristia em casos excepcionais; mas não podem, quando há um padre celebrado, abrir ou fechar o Sacrário, nem ir buscar ou reservar as Hóstias no final da comunhão.

“Sem dúvida, aonde a necessidade da Igreja assim o aconselhe, faltando os ministros sagrados, podem os fiéis leigos suprir algumas tarefas litúrgicas, conforme às normas do direito”. [iii]

Portanto, somente em casos muito extraordinário e extremamente necessários, um acólito (que é um ministro extraordinário da comunhão) pode ter acesso ao Sacrário – por exemplo, quando um padre idoso já não consegue caminhar e não há outros padres, ou também em terra de missão, quando não há padre em uma comunidade e é preciso levar a comunhão a um doente, fazer a exposição do Santíssimo (mas com a âmbula e sem dar a bênção) etc.

“O ministro da exposição do Santíssimo Sacramento e da bênção eucarística é o sacerdote ou o diácono; em circunstâncias especiais, exclusivamente para a exposição e a reposição, mas sem a bênção, é o acólito, o ministro extraordinário da sagrada comunhão, ou outrem designado pelo Ordinário do lugar, observadas as prescrições do Bispo diocesano”. [iv] Isso implica que, nestas circunstâncias especiais, uma pessoa que não é ministro ordenado pode abrir e fechar o Sacrário.

De qualquer maneira, é preciso estar muito atentos, pois há muitas situações nas quais pode haver abuso e que se justificam por supostas “necessidades pastorais”. É importante vigiar, pois é preciso redobrar o respeito, a solenidade e a adequação na liturgia.

“Onde as necessidades da Igreja o aconselharem, por falta de ministros, os leigos, mesmo que não sejam leitores ou acólitos, podem suprir alguns ofícios, como os de exercer o ministério da palavra, presidir às orações litúrgicas, conferir o baptismo e distribuir a sagrada Comunhão, segundo as prescrições do direito”. [v]

É claro que estes ministros extraordinários ou leigos devem cumprir com certos requisitos, começando pelo facto de que devem ser nomeados pelo Ordinário do local.

PE. HENRY VARGAS HOLGUÍN



[i] (Redemptionis Sacramentum, 107)
[ii] (Instrução Geral do Missal Romano, 98)
[iii] (Redemptionis Sacramentum, 147)
[iv] (CDC, 943)
[v] (CDC, 230, 3)

Doutrina – 259

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ

38. Com que nome Deus se revela?

Deus revela-se a Moisés como o Deus vivo, «o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacob». [1] Ao mesmo Moisés, Deus revela também o seu nome misterioso: «Eu Sou aquele que Sou». [2] O nome inefável de Deus, já nos tempos do Antigo Testamento, foi substituído pela palavra Senhor. Assim, no Novo Testamento, Jesus, chamado Senhor, aparece como verdadeiro Deus.







[1] Ex 3,6
[2] YHWH

Epístolas de São Paulo – 35

2ª Epístola de São Paulo aos Coríntios

Paulo escreve esta Carta provavelmente depois de ter abandonado Éfeso e quando se encontrava na Macedónia (2,13; 7,5), no fim do ano 56. Não é fácil reconstituir os acontecimentos que se passaram depois da 1.ª Carta (ver Intr. às Cartas aos Coríntios, p. 1862-63); mas, quando o Apóstolo se decide a escrever esta, fá-lo reconfortado com as boas notícias que Tito lhe trouxera de Corinto (7,13).

AUTENTICIDADE E UNIDADE

A autenticidade paulina desta Carta é hoje comummente aceite, mas a sua unidade é objecto de muitas discussões. Se é inegável a unidade temática em volta do apostolado cristão, são evidentes também: as grandes diferenças entre a primeira parte, de tom afável, e a terceira, de tom severo que vai até à ameaça; a inserção violenta do trecho 6,14-7,1 na exortação iniciada em 6,11-13 e continuada em 7,2; o aspecto de duplicado do cap. 9 em relação ao 8. Uns defendem a unidade literária, bem apoiada pela tradição manuscrita, recorrendo à psicologia do Apóstolo ou a uma lógica do discurso diferente da nossa, para explicar as incongruências; outros vêem aqui uma compilação de cartas: o trecho 6,14-7,1 poderia corresponder à Carta pré-canónica (1 Cor 5,8-13), o cap. 9 seria um duplicado dirigido a um auditório mais vasto todas as igrejas da Acaia e os cap. 10-13 seriam a Carta escrita «entre muitas lágrimas» (2,4; 7,8). Mas as razões contra a unidade não são mais convincentes do que a hipótese contrária.

DIVISÃO E CONTEÚDO

Sem obedecer propriamente a um plano, esta Carta divide-se em três partes claramente distintas:
Prólogo, que tem uma saudação e uma bênção (1,1-11).
I. Paulo faz a apologia do seu comportamento em relação aos coríntios (1,12-7,16). Começando por se defender das acusações de inconstância e de leviandade que lhe fazem (1,12-2,17), sublinha, depois, a grandeza do ministério apostólico (3,1-6,10) e termina com um apelo à confiança afectuosa dos seus destinatários (6,11-7,16).
II. Paulo dá instruções relativamente à colecta em favor da igreja de Jerusalém (8,1-9,15).
III. Defesa de Paulo, que faz novamente a sua apologia, em tom polémico e cáustico, defendendo a autenticidade do seu ministério contra uma minoria de agitadores que trabalham no seio da comunidade (10,1-13,13).

TEOLOGIA

Escrita num estilo apaixonado e vibrante, onde abundam as antíteses e frases cheias de ritmo e de sentido que se tornaram célebres, esta bem pode ser considerada a Carta magna do apostolado cristão, que nos informa sobre aspectos relevantes da missão de Paulo e sobretudo nos revela a sua alma, no que ela tem de mais humano e sobrenatural.

Não tendo o valor doutrinal da 1.ª Carta, dá-nos, contudo, preciosos ensinamentos sobre as relações entre os dois Testamentos (3-4), a Santíssima Trindade (1,21-22; 3,3; 13,13), a acção de Cristo e do Espírito Santo (3,17-18; 5,5.14-20; 8,9; 12,9; 13,13) e a escatologia individual (5,1-10).

Leitura espiritual

A Cidade Deus
A CIDADE DE DEUS


Vol. 2

LIVRO X

CAPÍTULO XXII

Origem do poder dos santos contra os demónios e origem da verdadeira purificação do coração.

Os homens de Deus expulsam a potestade do ar, inimiga e contrária à piedade, não aplacando-a, mas conjurando-a com verdadeira piedade. Vencem todas as tentações desse inimigo, rogando contra ele, não a ele próprio, mas ao seu Deus. De facto, tal potestade a ninguém vence nem subjuga a não ser pela associação ao seu pecado. É, pois, vencida em nome d’Aque!e que assumiu a condição humana e levou uma vida sem pecado, para que a remissão dos pecados se operasse n ’Ele, sacerdote e sacrifício, mediador entre Deus e os homens, o Homem Jesus Cristo por quem, purificados dos pecados, somos reconciliados com Deus. Efectivamente só os nossos pecados separam os homens de Deus. Nesta vida não é por virtude nossa, mas por misericórdia de Deus, não é por poder nosso, mas por indulgência d ’Ele, que se opera em nós a purificação dos pecados. A própria virtude, seja ela qual for, que chamamos nossa, foi-nos concedida pela sua bondade. E muito atribuiríamos a esta carne se não vivêssemos por permissão d’Ele até a deixarmos. Também a graça nos é concedida pelo mediador para que, maculados pela carne do pecado, fiquemos limpos pela semelhança da Carne do pecado. Por esta graça de Deus, pela qual Ele nos mostra a sua grande misericórdia, somos governados, mediante a fé, nesta vida; e, depois desta vida, seremos levados pela própria beleza da verdade imutável à plenitude da perfeição.

CAPÍTULO XXIII

Princípios da purificação da alma segundo os platónicos.

Diz ainda Porfírio que, segundo uma resposta dos oráculos divinos, as teletas da Lua e do Sol não nos purificam — querendo assim mostrar que o homem não pode ser purificado pelas teletas de nenhum deus. Quais são então as teletas que nos purificam, se não nos purificam as da Lua e do Sol, que são tidos por principais entre os deuses do Céu? Acaba por afirmar que o oráculo anunciou que os princípios podem purificar; é que receou que, depois de ter dito que as teletas do Sol e da Lua não purificavam, se poderia vir a julgar que as teletas de qualquer outro da turbamulta dos deuses teria poder para purificar. Pois bem, sabemos quais são os princípios que ele admite, como platónico. Fala, de facto, de Deus Pai e de Deus Filho a quem em grego chama «Inteligência Paterna» ou «Mente Paterna». Acerca do Espírito Santo nada diz ou o que diz não é claro. Não compreendo qual é esse outro que coloca entre os dois. Se queria falar de uma terceira natureza da alma, como Plotino quando trata das Três principais substâncias (De Tribus principalibus substantiis), não falaria de um médio entre eles, isto é, entre o Pai e o Filho.
Realmente Plotino põe a natureza da alma depois da «Inteligência Paterna»; mas Porfírio, falando de um meio, não a coloca depois, mas entre as duas. Fala assim, como lhe foi possível, do que nós chamamos o Espírito Santo — não apenas do «Espírito do Pai» nem apenas do «Espírito do Filho», mas do Espírito de Um e Outro. De facto, os filósofos escolhem livrem ente os seus termos e nas questões mais difíceis de compreender não receiam ofender os ouvidos religiosos. Mas a nós convém que se fale conforme uma regra precisa, não aconteça que a liberdade nas palavras gere uma opinião ímpia acerca das coisas que elas designam.

CAPÍTULO XXIV

Único verdadeiro princípio que purifica e renova a natureza humana.

Por isso nós, quando falamos de Deus, não afirmamos dois ou três princípios, tal como não nos é permitido afirmar dois ou três deuses. É certo que, quando falamos de cada uma das pessoas divinas — do Pai, do Filho ou do Espírito Santo —, confessamos que cada um é Deus; todavia não dizemos, como os heréticos Sabelianos, que o Pai é idêntico ao Filho, que o Espírito Santo é idêntico ao Pai e ao Filho. Mas dizemos que o Pai é o Pai do Filho, que o Filho é Filho do Pai e que o Espírito Santo, sem ser nem o Pai nem o Filho, é o Espírito do Pai e do Filho. E assim se diz com verdade que o homem não é purificado senão por um princípio embora entre eles (filósofos) se fale de princípios no plural.

Porfírio, porém, dominado pelas potestades ciosas, das quais sentia vergonha, mas que tinha medo de livremente rebater, não quis reconhecer o Cristo Senhor como o Princípio por cuja encarnação somos purificados. Desprezou-o nessa carne que Cristo assumiu para ser sacrifí­cio da nossa purificação. Não compreendeu este grande sacramento devido ao orgulho que o bom, o verdadeiro mediador abateu pela sua humildade, mostrando-se aos mortais nessa mortalidade que os maléficos e enganadores mediadores não tinham; e por isso com mais arrogância se envaideceram, prometendo, como imortais a mortais, uma ilusória aos infelizes homens. Mas com o bom e verdadeiro mediador mostrou que o mal é o pecado e não a substancia ou a natureza da carne; Ele pôde, pois, assumir esta carne e com ela uma alma humana, e conservá-la sem pecado, como pôde depô-la com a sua morte e transformá-la para melhor com a sua ressurreição; mostrou que nem a própria morte — castigo do pecado que Ele, embora sem pecado, sofreu por nós — pode ser evitada ao que peca, mas deve sim ser suportada, quando a ocasião surgir, como coisa justa. Não morreu porque pecou, mas morreu porque, morrendo, pôde pagar os nossos pecados.

O citado platónico não soube que este é que era o Princípio pois, se o soubesse, tê-lo-ia reconhecido como purificador. Não é a carne que há n’Ele que é o princí­pio — nem a alma humana; é o Verbo por quem tudo foi feito. A carne não purifica, pois, por si própria, mas pelo Verbo por quem foi assumida quando

o Verbo se fez came e habita entre nós.[i]

Também quando falava misticamente da sua carne que devia ser comida e os que o não compreenderam se retiraram ofendidos dizendo:
 
É dura esta palavra quem a pode ouvir? [ii]

respondeu Ele aos que ficaram:

É o espírito que vivifica, mas a came para nada serve[iii].

O Princípio, portanto, tomando uma alma e uma carne, purifica a alma e a carne dos crentes. Por isso, aos judeus que lhe perguntavam quem era Ele, respondeu que era o Princípio. E nós — carnais, enfermos, sujeitos ao pecado, envolvidos nas trevas da ignorância — seríamos totalmente incapazes de compreender isso, se não fôssemos purificados e curados por Ele por meio do que éramos e do que não éramos. Realmente, éramos homens, mas não éramos justos e na sua encarnação Ele tinha uma natureza humana, mas justa e não pecadora. É esta a mediação pela qual foi estendida a mão aos que tinham caído e jaziam por terra; é esta a descendência preparada pelos anjos em cujas palavras se promulgava a lei que mandava prestar culto a um só Deus e prometia o mediador que havia de vir.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Jo I, 14.
[ii] Jo VI, 60.
[iii] Jo VI, 63.

Evangelho e comentário

Tempo da Quaresma


Evangelho: Jo 8, 21-30

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Eu vou partir. Haveis de procurar-Me e morrereis no vosso pecado. Vós não podeis ir para onde Eu vou». Diziam então os judeus: «Irá Ele matar-Se? Será por isso que Ele afirma: ‘Vós não podeis ir para onde Eu vou’?» Mas Jesus continuou, dizendo: «Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo. Ora Eu disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditardes que ‘Eu sou’, morrereis nos vossos pecados». Então perguntaram-Lhe: «Quem és Tu?» Respondeu-lhes Jesus: «Absolutamente aquilo que vos digo. Tenho muito que dizer e julgar a respeito de vós. Mas Aquele que Me enviou é verdadeiro e Eu comunico ao mundo o que Lhe ouvi». Eles não compreenderam que lhes falava do Pai. Disse-lhes então Jesus: «Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que ‘Eu sou’ e que por Mim nada faço, mas falo como o Pai Me ensinou. Aquele que Me enviou está comigo: não Me deixou só, porque Eu faço sempre o que é do seu agrado». Enquanto Jesus dizia estas palavras, muitos acreditaram n’Ele.

Comentário:

São João transmite muito bem o que O Senhor deveria sentir no Seu mais íntimo: a urgência de convencer todos da verdade acerca da Sua Pessoa e da Sua missão.

Urgência de conversão, de mudar de vida de verdadeira e consciente espera pelo Reino de Deus fora do qual não há salvação.
Ele sabe que muitos por pura ignorância se deixam de alguma forma dominar pelos Seus inimigos e é sobretudo a estes que as Suas palavras se destinam na esperança de quando tudo se realizar se lembrem do que disse e se convertam.

(AMA, comentário sobre Jo 8, 21-30, 2016.03.15)





Reflectindo - 230

Sonhar

Quando se trata de sonhar sou um mestre!

Como posso sonhar estando acordado?

Não sei porquê tenho esta capacidade que, creio bem, não é uma virtude mas um defeito, uma fraqueza.

Não me conduz a lado nenhum, não se transforma em esperança ou objectivo.

Talvez seja apenas um exercício mental.

Não posso, não sou capaz - não sei se alguém é - estar sem pensar em nada.

A Fernandinha dizia-me muitas vezes:

‘A tua cabeça não sossega, é um computador'.

A verdade é que muito do que escrevo é previamente "escrito" na minha cabeça.
Então, como se fosse um “scanner” é só passar à escrita.

Para que serve?

Não sei nem sequer imagino que tenha qualquer serventia.

Assim, os meus "sonhos" têm-se transformado, ao longo da minha vida, num acervo enorme de palavras escritas que talvez seja o único espólio que deixarei.

Já se vê o préstimo!


(ama, reflexões, 28.06.2016)

Temas para meditar - 697

Recolhimento

O silêncio de Nazaré, ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disponibilidades para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. 

Ensina-nos a necessidade e o valor da preparação do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração secreta que só Deus vê. 

PAULO VI Aloc. em Nazaré 1964.01.05

Reflectindo - 239

Regras morais

…/5

Mas o que vêm a ser os actos moralmente aceites pela sociedade?

Lembremos do Antigo Testamento o que se passava na cidade de Sodoma.

A ausência de critérios de pureza, respeito pelo corpo - próprio e alheio - eram um hábito adquirido e portanto aqui não cabiam conceitos de prevaricação moral. Mas nem por isso

(ama, Reflexões, Garrão, 2015.09.19)

Fazer da sua vida diária um testemunho de Fé

Muitas realidades materiais, técnicas, económicas, sociais, políticas, culturais..., abandonadas a si mesmas, ou nas mãos de quem carece da luz da nossa fé, convertem-se em obstáculos formidáveis à vida sobrenatural: formam como que um couto cerrado e hostil à Igreja. Tu, por seres cristão – investigador, literato, cientista, político, trabalhador... –, tens o dever de santificar essas realidades. Lembra-te de que o universo inteiro – escreve o Apóstolo – está a gemer como que em dores de parto, esperando a libertação dos filhos de Deus. (Sulco, 311)

Já falámos muito deste tema noutras ocasiões, mas permiti-me insistir de novo na naturalidade e na simplicidade da vida de S. José, que não se distinguia da dos seus vizinhos nem levantava barreiras desnecessárias.

Por isso, ainda que possa ser conveniente nalguns momentos ou em algumas situações, habitualmente não gosto de falar de operários católicos, de engenheiros católicos, de médicos católicos, etc., como se se tratasse de uma espécie dentro dum género, como se os católicos formassem um grupinho separado dos outros, dando assim a sensação de que existe um fosso entre os cristãos e o resto da humanidade. Respeito a opinião oposta, mas penso que é muito mais correcto falar de operários que são católicos, ou de católicos que são operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos que são engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão intelectual, técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos outros, com os mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar, com o mesmo empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar a solução.


O católico, assumindo tudo isto, saberá fazer da sua vida diária um testemunho de Fé, de Esperança e de Caridade; testemunho simples, normal, sem necessidade de manifestações aparatosas, pondo de manifesto – com a coerência da sua vida – a presença constante da Igreja no mundo, visto que todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois são membros, com pleno direito, do único Povo de Deus. (Cristo que passa, 53)

Pequena agenda do cristão

TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)









Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:

Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


 Oração:

Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.


03/04/2017

Fátima: Centenário - Poemas

SANTA VIRGEM DAS VIRGENS

Oh! Virgem das Virgens quem não há-de
Exaltar as mil graças preciosas?!
É Mãe de Deus, Rainha de bondade,
A mais santa das mães e das esposas!

Cecília, Inês…, ó almas generosas
Que amastes tanto a flor da virgindade,
Sois a coroa de cecéns e rosas
Que exorna a Virgem-Mãe na eternidade!

De lava infecta um rio inunda a terra
E almas e corpos em vil lodo encerra…
Quem nos poupa ao dilúvio universal?

- É só a bela grei das almas puras.
Glória à Virgem que alcança nas alturas
Triunfo eterno sobre o rei do mal!...

Visconde de Montelo, Paráfrase da Ladainha Lauretana, 1956 [i]



[i] Cónego Manuel Nunes Formigão
1883 - Manuel Nunes Formigão nasce em Tomar, a 1 de Janeiro. 1908 - É ordenado presbítero a 4 de Abril em Roma. 1909 - É laureado em Teologia e Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma. 1909 - No Santuário de Lourdes, compromete-se a divulgar a devoção mariana em Portugal. 1917 - Nossa Senhora aceita o seu compromisso e ele entrega-se à causa de Fátima. 1917 / 1919 - Interroga, acompanha e apoia com carinho os Pastorinhos. - Jacinta deixa-lhe uma mensagem de Nossa senhora, ao morrer. 1921 - Escreve o livro: "Os Episódios Maravilhosos de Fátima". 1922 - Integra a comissão do processo canónico de investigação às aparições. 1922 - Colabora e põe de pé o periódico "Voz de Fátima". 1924 - A sua experiência de servita de Nossa Senhora em Lurdes, leva-o a implementar idêntica actividade em Fátima. 1928 - Escreve a obra mais importante: "As Grandes Maravilhas de Fátima". 1928 - Assiste à primeira profissão religiosa da Irmã Lúcia, em Tuy. Ela comunica-lhe a devoção dos primeiros sábados e pede-lhe que a divulgue. 1930 - Escreve "Fátima, o Paraíso na Terra". 1931 - Escreve "A Pérola de Portugal". 1936 - Escreve " Fé e Pátria". 1937 - Funda a revista "Stella". 1940 - Funda o jornal "Mensageiro de Bragança". 1943 - Funda o Almanaque de Nossa Senhora de Fátima. 1954 – Muda-se para Fátima a pedido do bispo de Leiria-Fátima 1956 - Escreve sonetos compilados na "Ladainha Lauretana". 1958 – Morre em Fátima. 06/01/1926 - Funda a congregação das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima. 11/04/1949 – A congregação por ele fundada é reconhecida por direito diocesano. 22/08/1949 – Primeiras profissões canónicas das Religiosas. 16/11/2000 - A Conferência Episcopal Portuguesa concede a anuência por unanimidade, para a introdução da causa de beatificação e canonização deste apóstolo de Fátima. 15/09/2001 - Festa de Nossa Senhora das Dores, padroeira da congregação - É oficialmente aberto o processo de canonização do padre Formigão. 16/04/2005 – É oficialmente encerrado e lacrado o processso de canonização do padre Formigão.
Fátima, 28 Jan 2017 (Ecclesia) – Decorreu hoje a cerimónia de trasladação dos restos mortais do padre Manuel Nunes Formigão, conhecido como 'o apóstolo de Fátima, do cemitério local para um mausoléu construído na Casa de Nossa Senhora das Dores.
A celebração de trasladação deste sacerdote e servo de Deus começou com uma concentração, rua Francisco Marto, 203, com centenas de pessoas, seguida de saída para o cemitério da Freguesia de Fátima.
Na eucaristia inserida neste evento, na Basílica da Santíssima Trindade, do Santuário de Fátima, D. António Marto destacou uma figura que "se rendeu ao mistério e à revelação do amor de Deus, da beleza da sua santidade tal como brilhou aos pastorinhos de Fátima".
O bispo de Leiria-Fátima recordou ainda o padre Manuel Formigão como alguém que "captou de uma maneira admirável para o seu tempo, a dimensão reparadora da vivência da fé tão sublinhada na mensagem de Fátima".

Nota de AMA:
Este livro de Sonetos foi por sua expressa vontade, depois da sua morte, devidamente autografado, entregue a meu Pai. Guardo o exemplar como autêntica relíquia.

Fátima:Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Epístolas de São Paulo – 34

1ª Epístola de São Paulo aos Coríntios

EPÍLOGO (16,1-24)

Capítulo 16

A colecta para Jerusalém (Act 24,17; Rm 15,25-27; 2 Cor 8-9; Gl 2,10)

1Quanto à colecta em favor dos santos, fazei vós também o que ordenei às igrejas da Galácia. 2No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em sua casa, o que tiver conseguido poupar, para que, à minha chegada, não se tenha ainda de fazer a colecta. 3Quando aí chegar, enviarei, munidos de cartas, aqueles que tiverdes escolhido para levar a vossa oferta a Jerusalém. 4E, se convier que eu vá também, farão a viagem comigo.

Projectos e notícias

5Irei ter convosco depois de passar pela Macedónia, pois a Macedónia, só a pretendo atravessar. 6É possível que me demore entre vós ou até passe aí o Inverno, para que me acompanheis aonde eu tenho de ir. 7Não vos quero ver só de passagem, mas espero permanecer algum tempo convosco, se o Senhor o permitir. 8Entretanto, ficarei em Éfeso até ao Pentecostes, 9pois abriu-se ali uma porta larga e propícia, embora os adversários sejam muitos.
10Se Timóteo aí chegar, velai para que esteja convosco sem receios, porque ele trabalha, como eu, na obra do Senhor. 11Que ninguém o despreze. E preparai-lhe a viagem para voltar em paz para junto de mim, pois estou à sua espera, com os irmãos.
12Quanto ao nosso irmão Apolo, pedi-lhe muito que fosse visitar-vos, com os irmãos, mas ele, de modo algum, quis ir agora; irá quando tiver oportunidade.

Últimas recomendações e saudações

13Estai vigilantes, permanecei firmes na fé, sede corajosos e fortes. 14Que, entre vós, tudo se faça com amor. 15Mais uma recomendação, irmãos: conheceis os da família de Estéfanes, que são as primícias da Acaia e todos se consagraram ao serviço dos santos. 16Sede serviçais para pessoas como eles e para com todos os que trabalham e sofrem com eles. 17Sinto-me feliz com a chegada de Estéfanes, Fortunato e Arcaico, pois eles supriram a vossa ausência. 18Trouxeram a tranquilidade ao meu espírito e ao vosso. Tende, pois, apreço por tais pessoas. 19Saúdam-vos as igrejas da Ásia. Áquila e Priscila, juntamente com a assembleia que se reúne em sua casa, enviam-vos muitas saudações no Senhor. 20Saúdam-vos todos os irmãos. Saudai-vos uns aos outros com um ósculo santo. 21A saudação é do meu próprio punho: Paulo. 22Se alguém não ama o Senhor, seja anátema! «Vem, Senhor!» 23A graça do Senhor Jesus esteja convosco! 24Eu amo-vos a todos em Cristo Jesus.


Doutrina – 258

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ

37. Porque professamos um só Deus?

Porque Ele se revelou ao povo de Israel como o Único, quando disse: «Escuta Israel, o Senhor é um só», [1] «não há outros». [2] O próprio Jesus o confirmou: Deus é «o único Senhor». [3] Professar que Jesus e o Espírito Santo são também eles Deus e Senhor, não introduz nenhuma divisão no Deus Uno.







[1] Dt 6,4
[2] Is 45,22
[3] Mc 12,29

Diálogos apostólicos

Diálogos apostólicos II Parte

Pergunto:

2. Esses três aspectos são a mesma coisa?

Respondo:


Coincidem: o Criador deseja o verdadeiro bem dos homens, e criou-nos com um modo de ser que se aperfeiçoa cumprindo as suas leis. Opor-se a essa Vontade equivale a ir contra a nossa natureza e causar-nos um mal. Estas más acções chamam-se pecados.

Bento XVI – Pensamentos espirituais 139

Cristo médico

A doença faz de tal maneira parte da condição humana que pode ser transformada numa metáfora realista, como Santo Agostinho bem exprime na sua oração:

«Tem piedade de mim, Senhor! Vê: não te escondo as minhas feridas. Tu és o médico, eu sou o doente; Tu és misericordioso, eu sou miserável» (Confissões, X, 39).

Angelus, (12.Fev.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)