27/06/2016

Reflectindo - 193 - Normalidade 3

A “normalidade”

…/3

O interessante é constatar que os próprios promotores de leis ou regulamentos que pretendem nivelar todo e qualquer comportamento que tenha a ver – sobretudo - com a sexualidade ou a defesa da vida humana – como o aborto ou a eutanásia - não defendem com o mesmo vigor e empenho o “direito” a matar o seu semelhante, apropriar-se do que lhe pertence, ou de qualquer modo, provocar-lhe algum dano.

O “princípio” que esses tais invocam é que o homem é o dono de si mesmo, pode fazer da sua vida o que muito bem entender e esta prerrogativa é sagrada e não pode sofrer nem contestação nem restrições de nenhuma ordem.

Não é de facto necessário ter grandes conhecimentos de sociologia para compreender a falsidade dos argumentos e a debilidade dos conceitos em que se baseiam.
E, a verdade, é que lhe chamam questões “fracturantes” o que mais não quer dizer que pretendem dividir a sociedade em polos cada vez mais opostos e antagónicos.
E, se atentar-mos bem, bem no fundo são consistentes nos seus objectivos: quanto mais dividida estiver a sociedade mais possibilidades terão de os fazer vingar.

Em suma podemos concluir com uma máxima que qualquer estratega conhece perfeitamente: DIVIDIR PARA REINAR!

ama, 2016.02.27

Diálogos apostólicos

Diálogos apostólicos II Parte
13 - [1]

Logo, parece, a liberdade humana não é total mas sim condicionada: Posso fazer mal mas sujeito-me a uma pena; desejo fazer o bem porque terei um benefício.

Este conhecimento condiciona ou não a liberdade?

Respondo:

Acho que sim, porque entendo que uma liberdade total não distingue o bem do mal, isto é, tanto faz fazer uma coisa ou outra porque não haverá consequências.
Claro que, colocado desta forma, deixamos de estar a falar de seres humanos, dotados de alma, vontade, querer, conhecimento, razão.

Um cão não tem esta capacidade e por isso o ensinamos a fazer isto ou aquilo, conforme nos convém e, o cão, passará a fazê-lo porque obedece a um estímulo de prémio.
No fundo da questão estará, talvez, um dito muito antigo: “A minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros!”
Isto resume um magnífico entendimento empírico do bem e do mal na medida em que, o primeiro é sempre uma manifestação de respeito pelo semelhante e, o segundo, a ausência dessa preocupação.
Acrescentamos, assim, uma característica fundamental e única do ser humano.

Voltaremos a este assunto.



[1] Nota: Normalmente, estes “Diálogos apostólicos”, são publicados sob a forma de resumos e excertos de conversas semanais. Hoje, porém, dado o assunto, pareceu-me de interesse publicar quase na íntegra.

26/06/2016

Leitura espiritual

Leitura Espiritual



CARTA ENCÍCLICA
HAURIETIS AQUAS
DO SUMO PONTÍFICE PAPA PIO XII
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS, PRIMAZES,
ARCEBISPOS E BISPOS E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR
EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE O CULTO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS



IV
NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PROGRESSIVO DO CULTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

1) Albores do culto ao Sagrado Coração na devoção às Chagas Sacrossantas da Paixão

46. À vossa consideração, veneráveis irmãos, e à do povo cristão quisemos expor em suas linhas gerais a íntima natureza e as perenes riquezas do culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus, atendo-nos à doutrina da revelação divina como à sua fonte primária.
Estamos persuadidos de que estas nossas reflexões, ditadas pelo próprio ensinamento do Evangelho, mostraram claramente como, em substância, este culto não é outra coisa senão o culto ao amor divino e humano do Verbo encarnado, e também o culto àquele amor com que o Pai e o Espírito Santo amam os homens pecadores.
Porque, como observa o Doutor angélico, a caridade das três Pessoas divinas é o princípio da redenção humana nisto que inundando copiosamente a vontade humana de Jesus Cristo e o seu coração adorável, com a mesma caridade o induziu a derramar o seu sangue para nos resgatar da servidão do pecado: [i]
"Com um baptismo tenho de ser baptizado, e como me sinto oprimido enquanto ele não se cumpre!" [ii].

47. Aliás, é persuasão nossa que o culto tributado ao amor de Deus e de Jesus Cristo para com o género humano, através do símbolo augusto do Coração transfixado do Redentor, nunca esteve completamente ausente da piedade dos fiéis, embora a sua manifestação clara e a sua admirável difusão em toda a Igreja se haja realizado em tempos não muito distantes de nós, sobretudo depois que o próprio Senhor revelou este divino mistério a alguns de seus filhos após havê-los cumulado com abundância de dons sobrenaturais, e os elegeu para seus mensageiros e arautos.

48. De facto, sempre houve almas especialmente consagradas a Deus que, inspirando-se nos exemplos da excelsa mãe de Deus, dos apóstolos e de insignes padres da Igreja, tributaram culto de adoração, de acção de graças e de amor à humanidade santíssima de Cristo, e de modo especial às feridas abertas no seu corpo pelos tormentos da paixão salvadora.

49. Aliás, como não reconhecer nas próprias palavras:
"Senhor meu e Deus meu" [iii], pronunciadas pelo apóstolo Tomé e reveladoras da sua súbita transformação de incrédulo em fiel, uma clara profissão de fé, de adoração e de amor, que da humanidade chagada do Salvador se elevava até a majestade da Pessoa divina?

50. Mas, ainda que o Coração ferido do Redentor tenha sempre levado os homens a venerarem o seu infinito amor a tempos sempre tiveram valor as palavras do profeta Zacarias que o evangelista João aplicou a Jesus crucificado:
"Verão a quem traspassaram" [iv], todavia cumpre reconhecer que só gradualmente esse Coração chegou a ser objecto de culto especial, como imagem do amor humano e divino do Verbo encarnado.

2) Princípio e progresso do culto ao Sagrado Coração na Idade Média e nos séculos seguintes

51. Querendo agora indicar somente as etapas gloriosas percorridas por este culto na história da piedade cristã, mister é recordar, antes de tudo, os nomes de alguns daqueles que bem podem ser considerados os porta-estandartes desta devoção, a qual, em forma privada e de modo gradual, foi-se difundindo cada vez mais nos institutos religiosos. Assim, por exemplo, distinguiram-se por haver estabelecido e promovido cada vez mais este culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus: S. Boaventura, S. Alberto Magno, Stª. Gertrudes, Stª. Catarina de Sena, o Beato Henrique Suso, S. Pedro Canísio e S. Francisco de Sales.
A S. João Eudes deve-se o primeiro ofício litúrgico em honra do Sagrado Coração de Jesus, cuja festa se celebrou pela primeira vez, com o beneplácito de muitos bispos de França, a 20 de Outubro de 1672. Mas entre todos os promotores desta excelsa devoção merece lugar especial Stª. Margarida Maria Alacoque, que, com a ajuda do seu director espiritual, o beato Cláudio de la Colombière, e com o seu ardente zelo, conseguiu, não sem admiração dos féis, que este culto adquirisse um grande desenvolvimento e, revestido das características do amor e da reparação, se distinguisse das demais formas da piedade cristã. [v]

52. Basta essa evocação daquela época em que se propagou o culto do Coração de Jesus para nos convencermos plenamente de que o seu admirável desenvolvimento se deve principalmente ao facto de se achar ele em tudo conforme com a índole da religião cristã, que é religião de amor.
Por conseguinte, não se pode dizer nem que este culto deve a sua origem a revelações privadas, nem que apareceu de improviso na Igreja, mas sim que brotou espontaneamente da fé viva, da piedade fervorosa de almas predilectas para com a pessoa adorável do Redentor e para com aquelas suas gloriosas feridas, testemunhos do seu amor imenso que intimamente comovem os corações.
Evidente é, portanto, que as revelações com que foi favorecida Stª. Margarida Maria não acrescentaram nada de novo à doutrina católica. A importância delas consiste em que – ao mostrar o Senhor o seu Coração Sacratíssimo – de modo extraordinário e singular quis atrair a consideração dos homens para a contemplação e a veneração do amor misericordioso de Deus para com o género humano.
De facto, mediante manifestação tão excepcional, Jesus Cristo expressamente e repetidas vezes indicou o seu Coração como símbolo com que estimular os homens ao conhecimento e à estima do seu amor; e ao mesmo tempo constituiu-o sinal e penhor de misericórdia e de graça para as necessidades da Igreja nos tempos modernos.

3) Aprovação pontifícia da festa do Coração Sacratíssimo de Jesus

53. Prova evidente de que este culto promana das próprias fontes do dogma católico dá-a o facto de haver a aprovação da festa litúrgica pela Sé Apostólica precedido a aprovação dos escritos de Stª. Margarida Maria.
Na realidade, independentemente de toda revelação privada, e secundando só os desejos dos féis, por decreto de 25 de Janeiro de 1765, aprovado pelo nosso predecessor Clemente XIII, a 6 de Fevereiro do mesmo ano, a Sagrada Congregação dos Ritos concedeu aos bispos da Polónia e à arqui-confraria romana do Sagrado Coração de Jesus a faculdade de celebrar a festa litúrgica. Com esse acto, quis a Santa Sé que tomasse novo incremento um culto já em vigor, cujo fim era "reavivar simbolicamente a lembrança do amor divino" [vi] que levara o Salvador a fazer-se vítima de expiação pelos pecados dos homens.

54. A essa primeira aprovação, dada em forma de privilégio e limitadamente, seguiu-se, a distância de quase um século, outra de importância muito maior, e expressa em termos mais solenes.
Referimo-nos ao decreto da Sagrada Congregação dos Ritos de 23 de Agosto de 1856, anteriormente mencionado, com o qual o nosso predecessor Pio IX, de imortal memória, acolhendo as súplicas dos bispos da França e de quase todo o orbe católico, estendeu a toda a Igreja a festa do Coração Sacratíssimo de Jesus, e prescreveu a sua celebração litúrgica. [vii]
Esse facto merece ser recomendado à lembrança perene dos fiéis, pois, como vemos escrito na própria liturgia da festa, "desde então o culto do Sacratíssimo Coração de Jesus, semelhante a um rio que transborda, superou todos os obstáculos e difundiu-se pelo mundo todo".

55. De quanto até agora expusemos, veneráveis irmãos, aparece evidente que é nos textos da Sagrada Escritura, na tradição e na sagrada liturgia que os fiéis hão-de encontrar principalmente os mananciais límpidos e profundos do culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus, se desejam penetrar na sua íntima natureza e tirar da sua piedosa meditação alimento e incremento do fervor religioso.
Iluminada, e penetrando nela mais intimamente mediante esta meditação assídua, a alma fiel não poderá deixar de chegar àquele doce conhecimento da caridade de Cristo no qual se resume toda a vida cristã, tal como, instruído pela própria experiência, o ensina o Apóstolo:
"Por esta causa dobro meus joelhos ante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo..., para que, segundo as riquezas de sua glória, vos conceda por meio do seu Espírito serdes fortalecidos em virtude no homem interior, e para que Cristo habite pela fé nos vossos corações, estando vós arraigados e cimentados em caridade; a fim de que possais conhecer também aquele amor de Cristo que sobrepuja todo conhecimento, para serdes plenamente cumulados de toda a plenitude de Deus" [viii].
Dessa plenitude universal é precisamente imagem esplendida o Coração de Jesus Cristo:
plenitude da misericórdia própria do Novo Testamento, no qual "Deus nosso Salvador manifestou a sua benignidade e amor para com os homens" [ix]; pois "Deus não enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas sim para que, por meio dele, o mundo se salve" [x].

4) Espiritualidade e excelência do culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus

56. Desde quando promulgou os primeiros documentos oficiais relativos ao culto do Coração Sacratíssimo de Jesus, tem sido constante persuasão da Igreja, mestra da verdade para os homens, que os elementos essenciais desse culto, quer dizer, os atos de amor e de reparação tributados ao amor infinito de Deus para com os homens, longe de estarem contaminados de materialismo e de superstição, constituem uma forma de piedade em que se põe plenamente em prática aquela religião espiritual e verdadeira que o próprio Salvador anunciou à samaritana:
"Já chega o tempo, e já estamos nele, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade" [xi].

57. Lícito não é, portanto, afirmar que a contemplação do Coração físico de Jesus impede de chegar ao amor íntimo de Deus e retarda o progresso da alma no caminho que leva à posse das mais excelsas virtudes.
A Igreja repele completamente esse falso misticismo, como, por boca do nosso predecessor Inocêncio XI, de feliz memória, condenou a doutrina dos que divulgavam que não devem (as almas desta via interior) fazer actos de amor à Santíssima Virgem, aos santos ou à humanidade de Cristo, porque, sendo sensíveis estes objectos, o amor que a eles se dirige também há-de ser sensível.
Nenhuma criatura, nem mesmo a Santíssima Virgem e os santos, deve penetrar no nosso coração, porque só Deus quer ocupá-lo e possuí-lo". [xii]
Os que assim pensam são, naturalmente, de opinião que o simbolismo do Coração de Cristo não se estende a mais do que ao seu amor sensível, e que, por conseguinte, não pode constituir novo fundamento do culto de latria, culto reservado só àquilo que é essencialmente divino. Ora, interpretação semelhante das sagradas imagens, todos vêem que é absolutamente falsa, porque lhes coarcta injustamente o significado. Contrária é a isso a opinião e o ensino dos teólogos católicos, e entre eles S. Tomás assim escreve:
"Às imagens tributa-se culto religioso, não consideradas em si mesmas, quer dizer, enquanto realidades, mas sim enquanto imagens que nos levam até Deus encarnado.
O movimento da alma para a imagem enquanto imagem não pára nesta, mas tende ao objecto por ela representado.
Por conseguinte, do facto de tributar culto religioso às imagens de Cristo não resulta um culto de latria diverso nem uma virtude de religião diferente". [xiii]
À própria pessoa do Verbo chega, pois, o culto relativo tributado às suas imagens, sejam estas as relíquias da sua acerba paixão, seja a imagem que supera todas em valor expressivo, quer dizer, o Coração ferido de Cristo crucificado.

58. E, assim, do elemento corpóreo, que é o Coração de Jesus Cristo, e do seu natural simbolismo, é legítimo e justo que, levados pelas asas da fé, nos elevemos não só à contemplação do seu amor sensível, porém a mais alto, até à consideração e adoração do seu excelentíssimo amor infuso, e, finalmente, num voo sublime e doce ao mesmo tempo, até à meditação e adoração do amor divino do Verbo encarnado; já que à luz da fé, pela qual cremos que na pessoa de Cristo estão unidas a natureza humana e a natureza divina, podemos conceber os estreitíssimos vínculos que existem entre o amor sensível do Coração físico de Jesus e o seu duplo amor espiritual, o humano e o divino.
Na realidade, não devem esses amores ser considerados simplesmente como coexistentes na adorável pessoa do Redentor divino, mas também como unidos entre si com vínculo natural, nisto que ao amor divino estão subordinados o humano, o espiritual e o sensível, os quais São uma representação analógica daquele.
Com isso não pretendemos que no Coração de Jesus se deva ver e adorar a chamada imagem formal, quer dizer, a representação perfeita e absoluta do seu amor divino, não sendo possível, como não é, representar adequadamente por qualquer imagem criada a íntima essência desse amor; mas a alma fiel, venerando o Coração de Jesus, adora juntamente com a Igreja o símbolo e como que a marca da caridade divina, caridade que com o Coração do Verbo encarnado chegou até a amar o género humano contaminado de tantos crimes.

59. Portanto, neste assunto tão importante como delicado, é necessário ter sempre presente que a verdade do simbolismo natural, que relaciona o Coração físico de Jesus com a pessoa do Verbo, repousa toda na verdade primária da união hipostática; quem isto negasse renovaria erros mais de uma vez condenados pela Igreja, por contrários à unidade da pessoa de Cristo em duas naturezas íntegras e distintas.

60. Essa verdade fundamental permite-nos entender como o Coração de Jesus é o coração de uma pessoa divina, quer dizer, do Verbo encarnado, e que, por conseguinte, representa e nos põe ante os olhos todo o amor que ele nos teve e ainda nos tem. E aqui está a razão por que, na prática, o culto ao Sagrado Coração é considerado como a mais completa profissão da religião cristã.
Verdadeiramente, a religião de Jesus Cristo funda-se toda no Homem-Deus mediador; de maneira que não se pode chegar ao Coração de Deus senão passando pelo Coração de Cristo, conforme o que ele mesmo afirmou:
"Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim" [xiv].
Assim sendo, facilmente deduzimos que, pela própria natureza das coisas, o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é o culto ao amor com que Deus nos amou por meio de Jesus Cristo, e, ao mesmo tempo, o exercício do amor que nos leva a Deus e aos outros homens; ou, dito por outra forma, este culto dirige-se ao amor de Deus para connosco, propondo-o como objecto de adoração, de acção de graças e de imitação; e tem por fim a perfeição do nosso amor a Deus e aos homens mediante o cumprimento cada vez mais generoso do mandamento "novo", que o divino Mestre legou como sagrada herança aos seus apóstolos quando lhes disse:
"Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei... O meu preceito é que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei" [xv].
Esse mandamento, verdadeiramente, é "novo" e "próprio" de Cristo; porque, como diz S. Tomás de Aquino:
"Pouca diferença há entre o Antigo e o Novo Testamento; pois, como diz Jeremias: 'Farei um pacto novo com a casa de Israel' [xvi].
Porém que este mandamento se praticasse no Antigo Testamento a impulsos de um santo temor e amor, isto pertencia ao Novo Testamento; de sorte que este mandamento existia na antiga lei não como próprio dela, porém como preparação da nova lei". [xvii]

 (Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Cf. Summa theol., III, q. 48, a. 5; ed. Leon., t. XI,1903, p. 467.
[ii] Lc 12, 50
[iii] Jo 20, 28
[iv] Jo 19, 37; cf. Zc 12, 10
[v] Cf. Carta enc. Miserentissimus Redemptor: AAS 20 (1928), pp.167-168.
[vi] Cf. A. Gardellini, Decreta authentica, 1857, n. 4579, t. III, p.174.
[vii] Cf. Decr. S. C. Ritum em N. Nilles, De rationibus festorum Sacratissimi Cordis Iesu et purissimi Cordis Mariae, 5e ed. Innsbruck,1885, t. I, p.167.
[viii] Ef 3, 14.16-19
[ix] Tt 3, 4
[x] Jo 3, 17
[xi] Jo 4,23-24
[xii] Inocêncio XI, Const. Ap. Coelestis Pastor, (19 de Novembro de 1687): Bullarium Romanum, Romae 1734, t. VIII, p. 443.
[xiii] Summa theol., II-II, q. 81, a. 3; ed. Leon., t. IX,1897, p.180.
[xiv] Jo 14, 6
[xv] Jo 13, 34; 15, 12
[xvi] Jr 31, 31
[xvii] Comment. in Evang, s. Joannis, c. XIII, lect. VII, 3; ed. Parmae,1860, t. X, p 541.

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Lc 9, 51-62

51 Aconteceu que, aproximando-se o tempo da Sua partida deste mundo, dirigiu-Se resolutamente para Jerusalém, 52 e enviou adiante de Si mensageiros, que entraram numa aldeia de samaritanos para Lhe prepararem pousada. 53 Não O receberam, por dar mostras de que ia para Jerusalém. 54 Vendo isto, os Seus discípulos Tiago e João disseram: «Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu que os consuma?». 55 Ele, porém, voltando-Se para eles, repreendeu-os.56 E foram para outra povoação. 57 Indo eles pelo caminho, veio um homem que Lhe disse: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». 58 Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, porém, o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça». 59 A um outro disse: «Segue-Me». Mas ele disse: «Senhor, permite-me que eu vá primeiro sepultar meu pai». 60 Mas Jesus replicou: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu vai anunciar o reino de Deus». 61 Um outro disse-Lhe: «Senhor, seguir-Te-ei, mas permite que vá primeiro dizer adeus aos de minha casa». 62 Jesus respondeu-lhe: «Ninguém que, depois de ter metido a mão no arado olha para trás, é apto para o reino de Deus».

Comentário:


Do que se trata neste trecho do Evangelho [1] é de vocação.

Seguir Jesus implica sempre decisão e entrega porque haverá sempre que escolher e uma vez feita a escolha seguir em frente sem mais delongas.

Mas a vocação é algo mais complexo pois além do que atrás se disse implica optar por uma dedicação total o que, normalmente, só é possível com o abandono de tudo o resto.

A descoberta da vocação pode acontecer na juventude ou mais tarde mas, seja quando for, há que decidir com determinação e rapidez não deixando para mais tarde o que deve fazer-se atempadamente.

(ama, comentário sobre Lc 9, 51-62, 21.05.2016)





[1] Lc 9, 51-62

Pequena agenda do cristão


DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Doutrina – 186

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»


90. O Filho de Deus feito homem tinha uma alma com um conhecimento humano?

O Filho de Deus assumiu um corpo animado por uma alma racional humana. Com a sua inteligência humana, Jesus aprendeu muitas coisas através da experiência. Mas também, como homem, o Filho de Deus tinha um conhecimento íntimo e imediato de Deus seu Pai. Penetrava igualmente os pensamentos secretos dos homens e conhecia plenamente os desígnios eternos que Ele viera revelar.

Dóceis ao Espírito Santo

É Jesus Nosso Senhor que o quer: é preciso segui-lo de perto. Não há outro caminho. Esta é a obra do Espírito Santo em cada alma – na tua – e tens de ser dócil, para não pôr obstáculos ao teu Deus. (Forja, 860)

Para pôr em prática, ainda que seja de um modo muito genérico, um estilo de vida que nos anime a conviver com o Espírito Santo – e, ao mesmo tempo com o Pai e o Filho – numa verdadeira intimidade com o Paráclito, devemos firmar-nos em três realidades fundamentais: docilidade – digo-o mais uma vez – vida de oração, união com a Cruz.

Em primeiro lugar, docilidade – porque é o Espírito Santo que, com as suas inspirações, vai dando tom sobrenatural aos nossos pensamentos, desejos e obras. É Ele que nos impele a aderir à doutrina de Cristo e a assimilá-la em profundidade; que nos dá luz para tomar consciência da nossa vocação pessoal e força para realizar tudo o que Deus espera de nós. Se formos dóceis ao Espírito Santo, a imagem de Cristo ir-se-á formando, cada vez mais nítida, em nós e assim nos iremos aproximando cada vez mais de Deus Pai. Os que são conduzidos pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.


Se nos deixarmos guiar por esse princípio de vida, presente em nós, que é o Espírito Santo, a nossa vitalidade espiritual irá crescendo e abandonar-nos-emos nas mãos do nosso Pai Deus, com a mesma espontaneidade e confiança com que um menino se lança nos braços do pai. Se não vos tornardes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus, disse o Senhor. É este o antigo e sempre actual caminho da infância espiritual, que não é sentimentalismo nem falta de maturidade humana, mas sim maioridade sobrenatural, que nos leva a aprofundar as maravilhas do amor divino, reconhecer a nossa pequenez e a identificar plenamente a nossa vontade com a de Deus. (Cristo que passa, 135)

25/06/2016

Santo Ambrósio e acorrupção

Cómo la corrupción y la crisis hunden un país: San Ambrosio lo explicó con contundencia hace siglos

A veces es interesante contrastar el lenguaje y estilo de los santos antiguos con el lenguaje de la Iglesia del siglo XXI.

"Se ha de evitar que el empleo de recursos financieros esté motivado por la especulacióny ceda a la tentación de buscar únicamente un beneficio inmediato, en vez de la sostenibilidad de la empresa a largo plazo, su propio servicio a la economía real".

¿Quién escribió esto?

Y otra frase: "La economía tiene necesidad de la ética para su correcto funcionamiento; no de una ética cualquiera, sino de una ética amiga de la persona".

El autor de estos pensamientos es Benedicto XVI, en su encíclica Caritas in Veritate(puntos 45 y 40). Muchos han oído que Benedicto XVI habló de los orígenes morales de la crisis financiera y económica, y sin duda era algo sobre lo que meditaba, pero en sus textos de mayor rango doctrinal no lo detalla con frases lapidarias.

En otros documentos se acerca más: en su mensaje para la Jornada Mundial de la Paz, del 31 de enero de 2012, habla de "el sentimiento de frustración por la crisis que agobia a la sociedad, al mundo del trabajo y a la economía; una crisis cuyas raíces son sobre todo culturales y antropológicas”.

Caritas in Veritate no usa la palabra "avaricia"
Es curioso constatar que en Caritas in Veritate, por ejemplo, no se usa ni una vez la palabra "avaricia" o "codicia", cuando es, sin duda el pecado clave contra el que se previene (aunque se podría alegar que previene contra la idolatría del mercado o del dinero, pero la palabra "idolatría" tampoco se usa).

La Iglesia siempre ha predicado contra la avaricia y la codicia, y sus efectos no solo individuales sino sociales. Ya San Clemente de Alejandría, muerto en el 220 d.C., escribió un librito sobre el tema: "¿Qué rico se salvará?

Pero quien quiera sumergirse en sermones potentes contra estos pecados, llenos de ejemplos bíblicos, podrá distrutar con el nuevo libro de la imprescindible Biblioteca de Patrística de Ciudad Nueva, obra de San Ambrosio de Milán, el obispo maestro de San Agustín y un gran predicador.

El libro reúne 3 obras: "Elías y el ayuno; Nabot; Tobías". Y las tres tratan sobre pecados económicos, la avaricia, la esclavitud de las riquezas, el abuso de los pobres y trabajadores y como, con la Biblia en la mano, los cristianos vemos en las Escrituras lo mucho que Dios previene contra estas esclavitudes.

[Puede leerse aquí en PDF la introdución del libro]

El poder de la vida austera
En "Elías y el ayuno" el obispo explica como la frugalidad y austeridad del santo profeta le hicieron poderoso en su lucha contra la pagana y opulenta reina Jezabel. El texto de Ambrosio predica contra la lujuria, pero no solo la sexual, sino también contra toda esclavitud de lo material o avaricia de reconocimientos. Todo ello se vence con el ayuno, una práctica que debe ir ligada siempre a la limosna generosa y la oración, como se recuerda en Cuaresma.

En "Nabot" se insiste en el tema de la avaricia y de la corrupción que la acompaña, un tema de absoluta actualidad política. Jezabel usa falsos testigos para que un pequeño terrateniente, Nabot, sea ejecutado por traición... y que su viña sea entregada al Rey Acab, esposo de Jezabel.

Aquí Ambrosio desarrolla más el elemento social de su crítica. "La tierra fue creada para propiedad común de todos, ricos y pobres. ¿Por qué vosotros, ricos, os atribuís un derecho exclusivo de propiedad? La naturaleza, que da a luz a todos pobres, no conoce a ningún rico".

Ambrosio se detiene a comentar los casos de pobres vendidos como esclavos, de ricos que hunden a sus subcontratados o proveedores... Ambrosio no comenta nada sobre cómo Dios perdonará al final a Acab por su arrepentimiento... él no está haciendo exégesis bíblica, sino una predicación contra la avaricia y la corrupción, y el ejemplo bíblico, potente, indignante, le sirve de ilustración.

La usura y su esclavitud
El tercer libro, "Tobías", se centra en la figura siniestra del usurero, que empobrece y esclaviza, destruyendo personas y familias. La usura es "veneno, espada, esclavitud, lazo nefasto" y, citando a Catón, "exigir intereses equivale a matar".

C.S. Lewis en varios de sus libros comentaba lo extraño que es que los cristianos antiguos y medievales predicasen tanto contra la usura y que los contemporáneos no tratemos casi nunca el tema. Hay quien piensa que no es pecado ya.

Pero el Compendio de Doctrina Social de la Iglesia resuena con un estilo que recuerda al de Ambrosio y los antiguos. Ahí leemos: "Si en la actividad económica y financiera la búsqueda de un justo beneficio es aceptable, el recurso a la usura está moralmente condenado: «Los traficantes cuyas prácticas usurarias y mercantiles provocan el hambre y la muerte de sus hermanos los hombres, cometen indirectamente un homicidio. Este les es imputable». Juan Pablo II en 2004 proclamaba unas palabras recogidas en el Compendio: «La usura, delito que también en nuestros días es una infame realidad, capaz de estrangular la vida de muchas personas».

Incluso Caritas In Veritate, el texto de Benedicto XVI que no usa la palabra avaricia ni codicia, menciona la usura una vez, en el párrafo 60, al hablar de los microcréditos: "Los sectores más vulnerables de la población deben ser protegidos de la amenaza de la usura y la desesperación. Los más débiles deben ser educados para defenderse de la usura, así como los pueblos pobres han de ser educados para beneficiarse realmente del microcrédito".

Cuando la retórica arrastra al santo
En sus libros Ambrosio utiliza todo el arsenal retórico de un maestro de la abogacía greco-romana, citando clásicos, con comparaciones elocuentes, inspiradoras, muy literarias... y a veces teológicamente descarriladas.

Por ejemplo, en "Elías y el ayuno" Ambrosio parece considerar pecado la navegación comercial, y llevado por la pasión retórica proclama: "Os quejáis de frecuentes naufragios pero ¿quién os obliga a navegar? Como si no fuera por excesivo afán de riquezas por lo que vosotros hacéis las costas inseguras. Dios no hizo el mar para que se navegara, sino por la belleza de ese elemento. El mar es sacudido por la tempestad: debéis temerle, no apoderaos de él. El que no navega desconoce el temor del naufragio. El Señor dijo: Dominad sobre los peces del mar; no ha dicho "navegad entre las olas". A ti te ha sido dado el mar para alimentarte, no para que te arriesgues: utilízalo como comida, no para hacer comercio".
Jesús no sólo usaba las barcas para pescar y alimentarse, sino también para predicar desde ellas, o para desplazarse de un punto a otro; el discurso anti-navegación de Ambrosio es mera retórica sobre la codicia, no doctrina

Un polemista moderno podría usar esta diatriba para argumentar que el cristianismo es absurdo y contrario al progreso porque "para los cristianos antiguos la navegación no pesquera era pecado". Sin embargo, Hechos de los Apóstoles está lleno de los viajes navales de San Pablo y Lucas, que se proponen como ejemplo evangelizador. El mismoJesús usaba las barcas de sus discípulos no solo para pescar sino para predicar desde ellas o ir de un punto a otro del lago de Tiberíades. Y es evidente que no hay doctrina en Concilios ni en catequesis antiguas contra la navegación mercantil.

Simplemente, en su libro contra el afán desmedido de riquezas, Ambrosio, orador exuberante volcado en su retórica clásica, plantea este ejemplo para enfatizar su crítica a la avaricia, justo antes de lanzar una elegante diatriba contra las naves mercantes de Tiro y Cartago.

En realidad, Ambrosio no es contrario al progreso social, sino todo lo contrario: ayudó a cristianizar el Imperio en una época en que muchos amos cristianos liberaban a sus esclavos, en que las leyes iban limitando y humanizando la esclavitud (impidiendo el maltarto a los esclavos, la separación de las familias, etc...) y buscaba impedir la esclavitud por deudas.

Y, de fondo, resuena su predicación contra la corrupción. Porque en esa época, como en la nuestra, el origen de la crisis es moral.

En la película de Lux Vide de 2010 sobre San Agustín, San Ambrosio entra en la corte imperial para protestar contra el caso de un hombre vendido como esclavo por sus deudas... deudas falsas, como en "Nabot"; el caso que comenta el personaje ilustra a la perfección la pasión del santo contra este abuso social.



23 junio 2016