04/05/2016

Pequena agenda do cristão


Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Conta-lhe tudo o que te acontece, honra-a

Deves ter uma intensa devoção à nossa Mãe. Ela sabe corresponder com finura aos obséquios que Lhe fizermos. Além disso, se rezares o Terço todos os dias com espírito de fé e de amor, Nossa Senhora encarregar-se-á de te levar muito longe pelo caminho do seu Filho. (Sulco, 691)

Quanto cresceriam em nós as virtudes sobrenaturais se conseguíssemos verdadeira devoção a Maria, que é Nossa Mãe! Não nos importemos de lhe repetir durante todo o dia – com o coração, sem necessidade de palavras – pequenas orações, jaculatórias. A devoção cristã reuniu muitos desses elogios carinhosos na Ladainha que acompanha o Santo Rosário. Mas cada um de nós tem a liberdade de os aumentar, dirigindo-lhe novos louvores, dizendo-lhe o que – por um santo pudor que Ela entende e aprova – não nos atreveríamos a pronunciar em voz alta.


Aconselho-te (...) que faças, se o não fizeste ainda, a tua experiência particular do amor materno de Maria. Não basta saber que Ela é Mãe, considerá-la deste modo, falar assim d'Ela. É tua Mãe e tu és seu filho; quer-te como se fosses o seu único filho neste mundo. Trata-a de acordo com isso: conta-lhe tudo o que te acontece, honra-a, ama-a. Ninguém o fará por ti, tão bem como tu, se tu não o fizeres. (Amigos de Deus, 293)

Evangelho, comentário, L. espiritual


Páscoa

Evangelho: Jo 16, 12-15

12 Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não as podeis compreender agora. 13 Quando vier, porém, o Espírito da Verdade, Ele vos guiará no caminho da verdade total, porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir. 14 Ele Me glorificará, porque receberá do que é Meu e vo-lo anunciará. 15 Tudo quanto o Pai tem é Meu. Por isso Eu vos disse que Ele receberá do que é Meu e vo-lo anunciará.

Comentário:

O Espírito Santo não virá dizer-nos coisas diferentes das que Jesus Cristo nos disse.

Mas, então, porque se dará essa compreensão mas almas que em muitos casos, parece faltar aos que ouvem Jesus?

Porque traz consigo os seus Dons, nomeadamente os de ciência e de entendimento que abrirão as inteligências e ajudarão as almas a compreender e, compreendendo, a acreditar.


(ama, comentário sobre Jo 16, 12-15, 2013.05.26)



Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO – CONFISSÕES


LIVRO DÉCIMO-TERCEIRO

CAPÍTULO XXII

Sentido místico da criação do homem

Assim, Senhor, nosso Deus e nosso Criador, quando os nossos afectos mundanos, que nos causam a morte porque nos faziam viver mal, se afastarem do amor do mundo, quando a nossa alma, vivendo bem, se tornar alma viva, e quando se cumprir a palavra que proferiste pela boca do teu Apóstolo: “Não vos conformeis com o mundo em que vivemos” – então seguir-se-á aquilo que acrescentaste imediatamente ao dizer: “Mas reformai-vos na novidade de vossa mente”. – E já não será “segundo a vossa espécie” – como se fosse imitar os nossos predecessores ou viver seguindo os exemplos de alguém melhor que nós. Não disseste: “Que o homem seja feito de acordo com a sua espécie” – mas “façamos o homem à nossa imagem e semelhança” – para que pudéssemos reconhecer a tua vontade. Para tanto, o divulgador do teu pensamento, que gerou filhos pelo Evangelho, não querendo que continuassem como crianças os que alimentara com leite e agasalhara no teu seio como uma ama, dizia: “Reformai-vos renovando o vosso coração, para discernir a vontade de Deus, que é bom, agradável e perfeito”. – Também não dizes: “Faça-se o homem” – mas “à nossa imagem e semelhança”. Aquele que é renovado no espírito, que compreende e conhece tua verdade, não mais carece que um outro lhe ensine a imitar a sua espécie. Graças às tuas lições, ele reconhece por si qual é a tua vontade, o que é bom, agradável e perfeito. Tu ensinas-lhe, pois agora é capaz deste ensinamento, a ver a Trindade da Unidade e a Unidade da Trindade. Eis por que, depois de falar no plural: “Façamos o homem” se diz no singular: “E Deus criou o homem”. Depois deste plural: “À nossa imagem” – este singular: “À imagem de Deus”. Assim o homem “se renova pelo conhecimento de Deus, à imagem do seu criador” – e “tornando-se espiritual, julga todas as coisas”, que certamente hão-de ser julgadas, “mas ele não é julgado por ninguém”.

CAPÍTULO XXIII

O julgamento do homem espiritual

Ele julga tudo, significa que tem autoridade sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu, sobre os animais domésticos e selvagens, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que nela se arrastam. Exerce esse poder pela inteligência, pela qual percebe as coisas que são do Espírito de Deus. Mas, elevado a tão grande honra, o homem não entendeu a sua dignidade, igualou-se aos jumentos insensatos, tornando-se semelhante a eles.

Por isso, na tua Igreja, Senhor, pela graça que lhe concedeste – pois somos obra tua, e criados para obras boas, tanto os que governam como os que obedecem segundo o Espírito tem o dom de julgar. Porque assim fizeste a criatura humana homem e mulher, na tua graça espiritual, onde não há distinção conforme o sexo, nem judeu nem grego, nem escravo nem homem livre. Os espirituais, portanto, tanto os que presidem como os que obedecem, julgam espiritualmente. Eles não julgam conhecimentos espirituais que brilham no firmamento, pois não lhes cabe fazer juízos sobre tão sublime autoridade. Nem julgam a tua Escritura, mesmo nas suas passagens obscuras nós lhe submetemos a nossa inteligência, e temos certeza de que até aquilo que está oculto à nossa compreensão é justo e verdadeiro. O homem, pois, embora já espiritual e renovado pelo conhecimento, conforme a imagem do seu criador, deve ser cumpridor da lei, e não seu juiz. Nem pode ajuizar sobre o que distingue espirituais e carnais. Somente os teus olhos, meu Senhor, os distinguem, mesmo que nenhuma obra sua os tenha revelado a nós, para que os reconheçamos pelos seus frutos. Mas tu, Senhor, já os conheces e os classificaste, e os chamaste no segredo de teu pensamento, antes de ter criado o firmamento.

Tampouco julga, o homem espiritual, os povos inquietos deste mundo. De facto, porque julgaria ele os que estão fora, ignorando quem alcançará a doçura da tua graça, e quem permanecerá na eterna amargura da impiedade?

Por isso, o homem que criaste à tua imagem, não recebeu poder sobre os astros do céu, nem sobre o mesmo céu misterioso, nem sobre o dia e a noite que chamaste à existência antes da criação do céu, nem sobre a massa das águas, que é o mar. Mas recebeu poder sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre todos os animais, sobre toda a terra, e sobre tudo o que se arrasta pela superfície do solo.

Ele julga e aprova o que acha bom, e reprova o que acha mau, quer na celebração dos sacramentos, com que são iniciados os que na tua misericórdia tira das águas profundas, quer no banquete em que se serve o peixe tirado das profundezas para alimento da terra fiel; quer nas palavras e expressões sujeitas à autoridade do teu Livro que, semelhantes aos pássaros, voam sob o firmamento: interpretações, exposições, discussões, bênçãos e invocações que brotam sonoras da boca, para que o povo responda: Amém! É necessário que essas palavras sejam enunciadas fisicamente, por causa do abismo do mundo e da cegueira da carne que, impossibilitada de ver o pensamento, tem necessidade de sons que firam os ouvidos. Assim, sem dúvida é sobre a terra que as aves se multiplicam, embora tenham as suas origens na água.

O homem espiritual julga também aprovando o que acha correcto e reprovando o que é vicioso nas obras e nos costumes dos fiéis. Julga as suas esmolas, comparáveis aos frutos da terra; julga a alma viva pelas paixões domadas pela castidade, os jejuns, e pelos pensamentos piedosos, na medida em que essas coisas se manifestam aos sentidos do corpo. Em resumo, é juiz de tudo o que pode se corrigir.

CAPÍTULO XXIV

Crescei e multiplicai-vos

Mas que é isto? Que mistério é este? Abençoas os homens, Senhor, para que eles cresçam, se multipliquem, e encham a terra. Não queres nisto dar-nos a entender alguma coisa?

Por que não abençoaste também a luz, que chamaste dia, nem a terra, nem o mar? Eu diria, meu Deus, que nos criaste à tua imagem, diria que quiseste conceder especialmente ao homem esta bênção, se não tivesses abençoado igualmente os peixes e os cetáceos, para que cresçam, se multipliquem, encham as águas do mar, e os pássaros para que se multipliquem sobre a terra.

Afirmaria ainda que essa bênção foi reservada às espécies vivas que se reproduzem por meio de geração, caso a encontrasse também nas árvores, nas plantas, nos animais da terra. Mas não foi dito nem às plantas, nem às árvores, nem aos répteis: “Crescei e multiplicai-vos” – embora todas essas criaturas se multipliquem pela procriação, como os peixes, os pássaros e os homens, conservando assim a sua espécie.

Quer dizer, então, ó minha Luz, ó Verdade? Que tais palavras carecem de senso e foram ditas em vão? De nenhum modo, ó Pai de misericórdia. Longe de mim, longe do servidor do teu Verbo, uma tal afirmação! Apenas não compreendo o sentido dessas palavras, e espero que os melhores que eu, ou seja, os mais inteligentes, a entendam melhor, segundo a sabedoria que deste, meu Deus, a cada um. Que te agrade ao menos a confissão, que faço diante de ti, da minha certeza de que não disseste em vão aquelas palavras.

Não calarei as reflexões que, a leitura dessas palavras, me sugerem. O que penso é verdadeiro, e nada vejo que impeça de explicar assim os textos figurados dos teus livros. Sei que sinais corporais podem exprimir de vários modos uma ideia que o espírito concebe em um só sentido; uma ideia expressa de um só modo. Como exemplo, cito a simples ideia do amor de Deus e do próximo. Quantos símbolos, quantas línguas, e em cada uma, inúmeras locuções lhe dão uma expressão concreta! É assim que crescem e se multiplicam os peixes das águas.

E note ainda nisto, meu leitor. Há uma frase que a Escritura declara de uma só forma, e que a voz fala apenas dessa maneira: “No princípio criou Deus o céu e a terra” – E não pode a frase ser interpretada diversamente – descartando o erro ou o sofisma – conforme os diversos pontos de vista legítimos? É assim que crescem e se multiplicam as gerações dos homens!

Se consideramos a natureza das coisas, não alegoricamente, mas em sentido próprio, a sentença: “Crescei e multiplicai-vos” –aplica-se a todas as criaturas que nascem de uma semente. Se, ao contrário, a interpretamos em sentido figurado, como penso que foi a intenção da Escritura, que não limita inutilmente essa bênção aos peixes e aos homens, encontramos então multidões de criaturas espirituais e temporais, como no céu e na terra; de almas justas e injustas, como na luz e nas trevas; de escritores sagrados que nos anunciaram a Lei, como no firmamento estabelecido entre as águas; na sociedade amargurada dos povos, como no mar; no zelo das almas piedosas, como em terra enxuta; nas obras de misericórdia praticadas nesta vida, como nas plantas que nascem de semente e nas árvore frutíferas; nos dons espirituais concedidos para o bem de todos, como nos luminares do céu; nas paixões dominadas pela temperança, como na alma viva. Em todas essas coisas encontramos multidões, fecundidade, crescimento. Mas que esse crescimento e essa proliferação exprimam uma mesma ideia de vários modos e que uma só expressão possa ser entendida de muitas maneiras, esse facto, apenas o encontramos nos sinais sensíveis e nos conceitos intelectuais.

Os sinais corpóreos, originados da profundidade da nossa cegueira carnal, correspondem, segundo penso, às gerações das águas; os conceitos intelectuais, gerados pela fecundidade da inteligência, simbolizam, parece-me, as gerações humanas.

E é por isso, Senhor, que creio que disseste tanto às águas como aos homens: “Crescei e multiplicai-vos” – Nessa bênção, penso que nos deste a faculdade, o poder de formular de várias maneiras uma única ideia, e de compreender também de muitas maneiras uma expressão única, mas obscura.

É assim que as águas do mar se povoam, e não se moveriam sem as várias interpretações das palavras. É assim que a terra se povoa de gerações humanas; a sua aridez fecunda-se pela sua paixão da verdade, sob o poder da razão.

CAPÍTULO XXV

Os frutos da terra

Quero ainda dizer, Senhor meu Deus, o que me inspiram as palavras que seguem da tua Escritura. E o farei sem medo, porque direi a verdade; pois não vem de ti, por acaso, a inspiração do que queres que eu diga? Não creio que possa dizer a verdade se tu não me inspirares, pois tu és a própria verdade, e todo homem é mentiroso. Por isto, quem mente fala do que é seu. Logo, para falar a verdade, só falarei o que me inspiras.

Tu deste-nos para alimento todas as ervas que produzem semente e que cobrem a terra, e todas as árvores que contém em si, em germe, os seus frutos. E não foi somente a nós que deste esse alimento, mas também às aves do céu, aos animais da terra e aos répteis, mas não aos peixes e aos grandes cetáceos. Dizíamos que esses frutos da terra significam e representam alegoricamente as obras de misericórdia, que a terra fecunda produz para as necessidades desta vida. Era semelhante a uma terra assim o piedoso Onesíforo, cuja casa recebeu a graça da tua misericórdia, porque muitas vezes assistira a teu Paulo, sem se envergonhar por suas cadeias.

É o mesmo que fizeram os irmãos que, de Macedónia, lhe forneceram o que lhe era necessário, produzindo também abundante fruto. E contudo, o Apóstolo queixa-se de certas árvores que não lhe tinham dado o fruto devido, quando escreve: “na minha primeira defesa ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Que isto não lhes seja imputado!” – Tais frutos são devidos aos que nos ministram doutrina racional, ajudando-nos a compreender os mistérios divinos. E nós lhes devemos exemplos de todas as virtudes; e também lhes devemos os frutos como a pássaros do céu, por causa das bênçãos que distribuem abundantemente sobre a terra, pois sua voz se fez ouvir por toda a terra.

(Revisão de versão portuguesa por ama)


Temas para meditar - 627

Frutos da Fé


Deus dá sempre o necessário, se tivermos fé e nos esforçarmos.



(federico suarezA Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 196)

Conselhos para enfrentar a morte de forma cristã - 8

Conselhos para enfrentar a morte de forma cristã

8. Doar os pertences do falecido


Doar os pertences (especialmente roupas) da pessoa falecida é uma obra de caridade, uma maneira de viver as obras de misericórdia e prolongar o bem que a pessoa fez em vida. 
Além disso, o contacto com os pertences de quem partiu pode prolongar a nossa dor.

Fonte: pildorasdefe


(Revisão da versão portuguesa por ama)

03/05/2016

Doutrina – 131

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ

35. Quais são os mais importantes Símbolos da fé?

São o Símbolo dos Apóstolos, que é o antigo Símbolo baptismal da Igreja de Roma, e o Símbolo niceno-constantinopolitano, fruto dos primeiros dois Concílios Ecuménicos de Niceia [1] e de Constantinopla [2], e que é, ainda hoje, comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente.




[1] 325
[2] 381

Antigo testamento / Génesis

Génesis 41

O sonho de Faraó

1 Ao final de dois anos, o faraó teve um sonho. Ele estava em pé junto ao rio Nilo, quando saíram do rio sete vacas belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos.

2 Depois saíram do rio mais sete vacas, feias e magras, que foram para junto das outras, à beira do Nilo.

3 Então as vacas feias e magras comeram as sete vacas belas e gordas. Nisso o faraó acordou.

4 Tornou a adormecer e teve outro sonho. Sete espigas de trigo, graúdas e boas, cresciam no mesmo pé.

5 Depois brotaram outras sete espigas, mirradas e ressequidas pelo vento leste.

6 As espigas mirradas engoliram as sete espigas graúdas e cheias. Então o faraó acordou; era um sonho.

7 Pela manhã, perturbado, mandou chamar todos os magos e sábios do Egipto e contou-lhes os sonhos, mas ninguém foi capaz de os interpretar.

8 Então o chefe dos copeiros disse ao faraó: "Hoje lembro-me das minhas faltas.

9 Certa vez o faraó ficou irado com dois dos seus servos e mandou prender-me juntamente com o chefe dos padeiros, na casa do capitão da guarda.

10 Certa noite cada um de nós teve um sonho, e cada sonho tinha uma interpretação.

11 Pois bem, havia lá connosco um jovem hebreu, servo do capitão da guarda. Contamos-lhe os nossos sonhos, e ele interpretou-os, dando a cada um de nós a interpretação do seu próprio sonho.

12 E tudo aconteceu conforme ele nos dissera: eu fui restaurado na minha posição, e o outro foi enforcado".

13 O faraó mandou chamar José, que foi trazido depressa do calabouço. Depois de se barbear e trocar de roupa, apresentou-se ao faraó.

14 O faraó disse a José: "Tive um sonho que ninguém consegue interpretar. Mas ouvi falar que tu, ao ouvires um sonho, és capaz de interpretá-lo".

15 Respondeu-lhe José: "Isso não depende de mim, mas Deus dará ao faraó uma resposta favorável".

16 Então o faraó contou o sonho a José: "Sonhei que estava em pé, à beira do Nilo, quando saíram do rio sete vacas, belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos.

17 Depois saíram outras sete, raquíticas, muito feias e magras. Nunca vi vacas tão feias em toda a terra do Egipto.

18 As vacas magras e feias comeram as sete vacas gordas que tinham aparecido primeiro.

19 Mesmo depois de tê-las comido, não parecia que o tivessem feito, pois continuavam tão magras como antes. Então acordei.

20 "Depois tive outro sonho. Vi sete espigas de cereal, cheias e boas, que cresciam num mesmo pé.

21 Depois delas, brotaram outras sete, murchas e mirradas, ressequidas pelo vento leste.

22 As espigas magras engoliram as sete espigas boas. Contei isso aos magos, mas ninguém foi capaz de explicá-lo".

23 "O faraó teve um único sonho", disse-lhe José. "Deus revelou ao faraó o que ele está para fazer.

24 As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas são também sete anos; trata-se de um único sonho.

25 As sete vacas magras e feias que surgiram depois das outras, e as sete espigas mirradas, queimadas pelo vento leste, são sete anos. Serão sete anos de fome.

26 "É exactamente como eu disse ao faraó: Deus mostrou ao faraó aquilo que ele vai fazer.

27 Sete anos de muita fartura estão para vir sobre toda a terra do Egipto, mas depois virão sete anos de fome. Então todo o tempo de fartura será esquecido, pois a fome arruinará a terra.

28 A fome que virá depois será tão rigorosa que o tempo de fartura não será mais lembrado na terra.

29 O sonho veio ao faraó duas vezes porque a questão já foi decidida por Deus, que se apressa em realizá-la.

30 "Procure agora o faraó um homem criterioso e sábio e ponha-o no comando da terra do Egipto.

31 O faraó também deve estabelecer supervisores para recolher um quinto da colheita do Egipto durante os sete anos de fartura.

32 Eles deverão recolher o que puderem nos anos bons que virão e fazer estoques de trigo que, sob o controle do faraó, serão armazenados nas cidades.

33 Esse estoque servirá de reserva para os sete anos de fome que virão sobre o Egipto, para que a terra não seja arrasada pela fome."

34 O plano pareceu bom ao faraó e a todos os seus conselheiros.

35 Por isso o faraó perguntou-lhes: "Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?"

36 Disse, pois, o faraó a José: "Uma vez que Deus te revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como tu.

37 Terás o comando do meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às tuas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que tu".

José, governador do Egipto

38 E o faraó prosseguiu: "Entrego-te agora o comando de toda a terra do Egipto".

39 Em seguida, o faraó tirou do dedo o seu anel-selo e colocou-o no dedo de José. Mandou-o vestir linho fino e colocou uma corrente de ouro no seu pescoço.

40 Também o fez subir na sua segunda carruagem real, e à frente os arautos iam gritando: "Abram caminho!" Assim José foi posto no comando de toda a terra do Egipto.

41 Disse ainda o faraó a José: "Eu sou o faraó, mas sem a tua palavra ninguém poderá levantar a mão nem o pé em todo o Egipto".

42 O faraó deu a José o nome de Zafenate-Paneia e deu-lhe por mulher Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Depois José foi inspeccionar toda a terra do Egipto.

43 José tinha trinta anos de idade quando começou a servir o faraó, rei do Egipto. Ele ausentou-se da presença do faraó e foi percorrer todo o Egipto.

44 Durante os sete anos de fartura a terra teve grande produção.

45 José recolheu todo o excedente dos sete anos de fartura no Egipto e armazenou-o nas cidades. Em cada cidade ele armazenava o trigo colhido nas lavouras das redondezas.

46 Assim José estocou muito trigo, como a areia do mar. Tal era a quantidade que ele parou de anotar, porque ia além de toda medida.

47 Antes dos anos de fome, Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu a José dois filhos.

48 Ao primeiro, José deu o nome de Manassés, dizendo: "Deus fez-me esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai".

49 Ao segundo filho, chamou Efraim, dizendo: "Deus fez-me prosperar na terra onde tenho sofrido".

50 Assim chegaram ao fim os sete anos de fartura no Egipto, e começaram os sete anos de fome, como José tinha predito. Houve fome em todas as terras, mas em todo o Egipto havia alimento.

51 Quando todo o Egipto começou a sofrer com a fome, o povo clamou ao faraó por comida, e este respondeu a todos os egípcios: "Dirijam-se a José e façam o que ele disser".

52 Quando a fome já se havia espalhado por toda a terra, José mandou abrir os locais de armazenamento e começou a vender trigo aos egípcios, pois a fome agravava-se em todo o Egipto.

53 E de toda a terra vinha gente ao Egipto para comprar trigo de José, porquanto a fome se agravava em toda parte.

 (Revisão da versão portuguesa por ama)








Maio - Santo Rosário - Segundo Mistério Gozoso


Visitação de Nossa Senhora

Porque o Anjo te disse que tua prima Isabel – aquela quem consideravam estéril - estava esperando um filho, não pensaste em mais nada e puseste-te a caminho para a visitar.

Porque era necessário acompanhá-la nos últimos tempos da gravidez. Isabel já não era jovem e seria bem-vinda a presença de uma jovem dedicada para auxiliar nas complicações de uma gravidez for a de tempo.

Porque era necessário estares presente em tão extraordinário acontecimento noticiado por um Anjo do Senhor. O mesmo Anjo que te tinha anunciado que serias Mãe do Salvador.

Porque talvez conviesse o sacrifício e incómodos de uma viagem longa, para pensar mais profundamente em todas as maravilhas que te tinham acontecido. Sentias já o teu Filho no teu seio e isto era indubitavelmente obra misteriosa e magnifica de Deus.

Talvez quisesses falar com o teu primo Zacarias que, sendo sacerdote, poderia aclarar um pouco todo o misterioso futuro que se descrevia nas Escrituras. Talvez por restes motivos todos mas, estou certo, que não pensaste me mais nada senão em ser útil e prestável a uma família que precisava dos teus préstimos.

E tudo se desvaneceu perante a recepção de Isabel. As palavras que te dirigiu. O estremecimento de João no seio de sua mãe.
Tudo se torna claríssimo como água. A Vontade de Deus é agora mais nítida mais transparente.
E rompes num canto maravilhoso de acção de graças e louvor, de humildade e entrega.
Não pedes nada, não desejas nada. Sabes perfeitamente que não precisarás de coisa alguma, nunca, porque Deus proverá tudo quanto precisares.

E o Senhor ouve da tua boca o Magnificat [1] esplendoroso que para sempre ficará gravado na história do povo de Deus e será repetidamente cantado pela legião enorme dos Seus filhos.

Só tu, Virgem Maria, poderias ter reunido com tanta simplicidade e candura um hino de louvor e submissão ao Criador. Um hino onde se espelham as certezas todas, todos os caminhos que Deus manda trilhar para que a Sua Vontade seja cumprida.

Que coração poderia albergar tais sentimentos?
Que alma saberia elevar-se de tal forma?
Que ser humano poderia alguma vez, louvar e enaltecer o seu Criador de forma tão perfeita?

Sabendo, Senhora, que já eras a Mãe do próprio Deus, sabendo tu, Senhora, que o salvador, Rei dos Reis, habitava já no teu seio, não te exaltas nem envaideces, antes te envaideces exaltas por o Senhor fazer o que quer, como, quando e com quem quer.
Quando dizes que serás aclamada por todas as gerações não o dizes por ti, mas porque sabes que, ao fazê-lo, essas gerações aclamarão a Mãe de Deus.

Dás a Deus o que seria legítimo, humanamente falando, julgar teu.
Sabes que Jesus é realmente o Filho de Deus e que foste apenas o instrumento de que Deus Se serviu para dar corpo substancial à Sua Vontade.
Não te ocorre um momento que tens o mais pequeno mérito em tal maravilha, ou que não o mereces. Não passa tudo da Vontade do Senhor e não te compete saber ou indagar, porquê tu, Maria.

Ah!, minha Senhora, como tua prima deve ter gozado com a tua visita, como devem ter sido extraordinariamente leves e felizes os tempos que ali passaste.

Ajuda-me também a mim a compreender que não tenho que pensar ou discutir ou indagar a Vontade do Senhor. Que sou um instrumento muito rudimentar de que Deus se serve, apenas para ser servido e, ao fazê-lo, saiba eu também louvar e enaltecer o Deus que me criou e me governa, porque a Sua Vontade é a única vontade que reconheço e a minha felicidade será dar-lhe cumprimento total.



[1] Lc 1, 39-55

Antigo testamento / Génesis

Génesis 33

Jacob encontra-se com Esaú

1 Quando Jacob olhou e viu que Esaú estava se aproximando com quatrocentos homens, dividiu as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas.

2 Colocou as servas e os seus filhos à frente; Lia e os seus filhos, depois; e Raquel com José, por último.

3 Ele mesmo passou à frente e, ao aproximar-se do seu irmão, curvou-se até o chão sete vezes.

4 Mas Esaú correu ao encontro de Jacob e abraçou-se ao seu pescoço, e beijou-o. E eles choraram.

5 Então Esaú ergueu o olhar e viu as mulheres e as crianças. E perguntou: "Quem são estes?"
Jacob respondeu: "São os filhos que Deus concedeu ao teu servo".

6 Então as servas e os seus filhos aproximaram-se e curvaram-se.

7 Depois, Lia e os seus filhos vieram e curvaram-se. Por último, chegaram José e Raquel, e também se curvaram.

8 Esaú perguntou: "O que pretendes com todos os rebanhos que encontrei pelo caminho?"
"Ser bem recebido por ti, meu senhor", respondeu Jacob.

9 Disse, porém, Esaú: "Eu já tenho muito, meu irmão. Guarda para ti o que é teu".

10 Mas Jacob insistiu: "Não! Se te agradaste de mim, aceita este presente da minha parte, porque ver a tua face é como contemplar a face de Deus; além disso, tu recebeste-me tão bem!

11 Aceita, pois, o presente que te foi trazido, pois Deus tem sido favorável para comigo, e eu já tenho tudo o que necessito". Jacob tanto insistiu que Esaú acabou por aceitar.

12 Então disse Esaú: "Vamos seguir em frente. Eu te acompanharei".

13 Jacob, porém, disse-lhe: "Meu senhor sabes que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam as suas crias. Se as forçar demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá.

14 Por isso, meu senhor, vai à frente do teu servo, e eu sigo atrás, devagar, no passo dos rebanhos e das crianças, até que eu alcance o meu senhor em Seir".

15 Esaú sugeriu: "Permite-me, então, deixar alguns homens contigo".
Jacob perguntou: "Mas para quê, meu senhor? Ter sido bem recebido já me foi suficiente!"

16 Naquele dia, Esaú voltou para Seir.

17 Jacob, todavia, foi para Sucote, onde construiu uma casa para si e abrigos para o seu gado. Foi por isso que o lugar recebeu o nome de Sucote.

18 Tendo voltado de Padã-Arã, Jacob chegou a salvo à cidade de Siquém, em Canaã, e acampou próximo da cidade.

19 Por cem peças de prata comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo onde tinha armado acampamento.

20 Ali edificou um altar e chamou-lhe El Elohe Israel.

(Revisão da versão portuguesa por ama)








Doutrina – 132

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ


«CREIO EM DEUS, PAI OMNIPOTENTE, CRIADOR DO CÉU E DA TERRA»

36. Porque é que a profissão de fé começa com «Creio em Deus»?


Porque a afirmação «Creio em Deus» é a mais importante, a fonte das outras verdades respeitantes ao homem, ao mundo e à nossa vida de crentes n’Ele.