23/01/2016

Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Doutrina - 33

Sacramentais


…/6

Quais são os Sacramentais?

Os Sacramentos da Igreja, como sabemos e vimos, são sete.
Já os Sacramentais são numerosos, sendo que muitos teólogos os classificam em seis grupos:

• Orans:

Basicamente são as orações que se costuma rezar publicamente na Igreja, como o Pai Nosso e as Ladainhas.

• Tinctus:

O uso da água benta e certas unções que se usam na administração de alguns Sacramentos e que não pertencem à sua essência.

• Edens:
Indica o uso do pão bento ou outros alimentos santificados pela bênção de um Sacerdote.

• Confessus:

Quando se reza o Confiteor, individual ou publicamente, para pedir perdão a Nosso Senhor pelos nossos pecados e falhas, das quais já não nos lembramos mais. Cremos que Deus, já neste acto, nos cumula de graças [i].

• Dans:

Esmolas ou doações, espirituais ou corporais, bem como os actos de misericórdia prescritos pela Igreja.
Acima das esmolas que possamos dar, está o bem espiritual que possamos fazer ao próximo.
Além desse acto ser um Sacramental, adquirimos uma série de méritos pela caridade fraterna e pelas outras virtudes que a acompanham.

• Benedicens:

As bênçãos que dão o Papa, os Bispos e os sacerdotes; os exorcismos; a bênção de reis, abades ou virgens e, em geral, todas as bênçãos sobre coisas santas.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





Dois mil anos de espera do Senhor

Jesus ficou na Hóstia Santa por nós! Para permanecer ao nosso lado, para nos sustentar, para nos guiar. – E amor só se paga com amor. Como poderemos deixar de ir ao Sacrário, todos os dias, ainda que por uns minutos apenas, para Lhe levar a nossa saudação e o nosso amor de filhos e de irmãos? (Sulco, 686)


O nosso Deus decidiu ficar no Sacrário para nos alimentar, para nos fortalecer, para nos divinizar, para dar eficácia ao nosso trabalho e ao nosso esforço. Jesus é simultaneamente o semeador, a semente e o fruto da sementeira: o Pão da vida eterna.

(...) Assim espera o nosso amor, desde há quase dois mil anos. É muito tempo e não é muito tempo; porque, quando há amor, os dias voam.


Vem-me à memória uma encantadora poesia galega, uma das cantigas de Afonso X, o Sábio. É a lenda de um monge que, na sua simplicidade, suplicou a Santa Maria que o deixasse contemplar o céu, ainda que fosse só por um instante. A Virgem acolheu o seu desejo, e o bom monge foi levado ao Paraíso. Quando regressou, não reconhecia nenhum dos moradores do mosteiro: a sua oração, que lhe tinha parecido brevíssima, tinha durado três séculos. Três séculos não são nada, para um coração que ama. Assim compreendo eu esses dois mil anos de espera do Senhor na Eucaristia. É a espera de Deus, que ama os homens, que nos procura, que nos quer tal como somos – limitados, egoístas, inconstantes – mas com capacidade para descobrirmos o seu carinho infinito e para nos entregarmos inteiramente a Ele. (Cristo que passa, 151)

Temas para meditar - 568

Fortaleza


Quero-vos dizer que a minha grande preocupação é “pensar nos homens que ainda não conhecem Cristo, que não descobriram a grande verdade do amor de Deus”.
Muitas destas pessoas convivem convosco nas Universidades, nas bibliotecas, nos campos de desporto, nos lugares comuns das vossas actividades.
A missão que Jesus ressuscitado vos confia é a de serdes apóstolos da nova evangelização.
“O mundo necessita, hoje mais do que nunca, a vossa alegria e o vosso serviço, a vossa vida limpa e o vosso trabalho, a vossa fortaleza e a vossa entrega”.

(são joão paulo ii, Discurso aos Jovens, UNIV, Roma, 1987.04.19)


Tratado da vida de Cristo 70

Questão 39: Do baptizado de Cristo

Art. 7 — Se a pomba, sob a forma da qual apareceu o Espírito Santo, era uma pomba verdadeira.

O sétimo discute-se assim. — Parece que a pomba, sob a forma da qual apareceu o Espírito Santo, não era uma verdadeira pomba.


1. — Pois, o que aparece em figura apenas manifesta-se por semelhança. Ora, o Evangelho diz: Desceu sobre ele o Espírito Santo em forma corpórea como uma pomba. Logo, não era uma verdadeira pomba, mas só uma semelhança de pomba.

2. Demais. — Assim, como a natureza nada faz em vão, assim Deus, no dizer de Aristóteles. Ora, como a pomba, no caso vertente, não apareceu senão para significar alguma causa e logo desaparecer, no dizer de Agostinho, seria inútil uma pomba verdadeira, pois, o que acabamos de referir podia ser feito por uma semelhança de pomba. Logo essa pomba não era verdadeira pomba.

3. Demais. — As propriedades de uma coisa conduzem-nos ao conhecimento da sua natureza. Se, pois, essa pomba o fosse verdadeiramente, as suas propriedades exprimiriam a natureza de um animal verdadeiro, mas não o efeito do Espírito Santo. Logo, não parece que essa pomba o fosse verdadeiramente.

Mas, em contrário, diz Agostinho: Não o dizemos para significar que Nosso Senhor Jesus Cristo foi quem só teve um verdadeiro corpo, e que o Espírito Santo se mostrou enganosamente aos olhos dos homens; mas cremos que ambos tiveram corpos verdadeiros.

Como dissemos ao Filho de Deus, que é a verdade do Pai, não convinha recorrer a nenhuma ficção. Por isso, assumiu um corpo, não fantástico, mas verdadeiro. E sendo o Espírito Santo o Espírito de Verdade, como diz o Evangelho, por isso também ele formou uma verdadeira pomba pela qual se manifestasse, embora não a assumisse na unidade de pessoa.
Eis porque, depois das palavras referidas, Agostinho acrescenta: Assim como o Filho de Deus não podia enganar os homens, assim também não o podia o Espírito Santo. Ora, ao Deus omnipotente, que formou todas as criaturas do nada, não era difícil formar o corpo de uma verdadeira pomba, sem que fosse nascida de outra, assim como não lhe foi difícil formar um corpo verdadeiro no ventre de Maria, sem a cooperação masculina. Pois, a natureza material serve ao império e à vontade do Senhor, quer se trate de formar um homem no ventre de uma mulher, quer de formar uma pomba, como as outras existentes no mundo.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O Evangelho diz que o Espírito Santo desceu sob a forma ou semelhança de pomba, não para excluir uma pomba verdadeira, mas para mostrar que ele próprio não se manifestou como substancialmente é.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Não foi supérfluo formar uma pomba verdadeira para ser a manifestação do Espírito Santo; pois, essa pomba verdadeira significava a verdade do Espírito Santo e dos seus efeitos.

RESPOSTA À TERCEIRA. — As propriedades da pomba tanto servem de significar a sua natureza como os efeitos do Espírito Santo. Pois, as suas propriedades mostram que ela significa o Espírito Santo.


Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



22/01/2016

NUNC COEPI – Índice de publicações em Jan 22

nunc coepi – Índice de publicações em Jan 22

São Josemaria – Textos

AMA (Reflectindo - Perdido e encontrado)

AMA - Comentários ao Evangelho Mc 3 13-19, Leit Espiritual (Vida cristã), P Pellitero

Doutrina (Sacramentais)

AT - Salmos – 81

JMA (Sobre o Perdão)


Agenda Sexta-Feira

Evangelho, comentário, L. espiritual

Tempo Comum
Semana II

Evangelho: Mc 3, 13-19

13 Tendo subido a um monte, chamou a Si os que quis, e aproximaram-se d'Ele. 14 Escolheu doze para que andassem com Ele e para os enviar a pregar, 15 com poder de expulsar os demónios: 16 Simão, a quem pôs o nome de Pedro; 17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”; 18 e André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Cananeu, 19 e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou

Comentário:

A partir deste momento Jesus Cristo tem um núcleo coeso de doze homens que O acompanharão permanentemente. Foi sem dúvida uma escolha cujo critério não nos compete apreciar porque, como expressamente diz o Evangelista: «chamou a Si os que quis» e não devemos questionar ou sequer tentar entender a Vontade Suprema do Senhor.

Podemos, isso sim, constatar os “resultados” dessa escolha: a Igreja de Jesus Cristo foi construída e constituída para sempre sobre os ombros destes homens que não se pouparam a trabalhos, privações e dificuldades de toda a ordem, quase todos dando a própria vida cimentando com o seu sangue generoso essa Igreja que herdámos como Mãe, guia, refúgio e caminho seguro para a nossa salvação.

(ama, comentário sobre Mc 3, 13-19, Malta, 2015.01.23)


Leitura espiritual



Vida Cristã

O matrimónio: uma vocação e um caminho divino

Deram a volta ao mundo umas palavras do Papa Francisco, no encontro com as famílias que teve lugar em Manila:

“Não é possível uma família sem sonhar. Quando numa família se perde a capacidade de sonhar, de amar, essa energia de sonhar perde-se, por isso lhes recomendo que à noite, quando façam o exame de consciência, também se façam esta pergunta: hoje sonhei com o futuro dos meus filhos, hoje sonhei com o amor do meu esposo ou esposa, sonhei com a história dos meus avós?” [i].


Sonhar


Esta capacidade de sonhar tem a ver com a “ilusão” – no sentido castelhano do termo – que pomos nos nossos horizontes e esperanças, sobretudo na relação com as pessoas, ou seja, os bens ou êxitos que lhes desejamos, as esperanças que temos a seu respeito.
A capacidade de sonhar equivale à capacidade de projectar o sentido da nossa vida naqueles que amamos.
Por isso é, efectivamente, algo representativo de cada família.

Desde muito cedo, S. Josemaria contribuiu para recordar, no quadro dos ensinamentos da Igreja, que o matrimónio – gérmen da família – é, no pleno sentido da palavra, uma chamada específica à santidade dentro da comum vocação cristã: um caminho vocacional, diferente mas complementar ao do celibato – seja sacerdotal ou laical – ou para a vida religiosa.

“O amor, que conduz ao matrimónio e à família, pode também ser um caminho divino, vocacional, maravilhoso, via para uma completa dedicação ao nosso Deus” [ii].

Por outro lado, esta chamada de Deus no matrimónio não significa de modo algum diminuir os requisitos que supõe seguir Jesus.
Pois, se “tudo contribui para o bem dos que amam a Deus” [iii], os esposos cristãos encontram na vida matrimonial e familiar a matéria da sua santificação pessoal, quer dizer, da sua pessoal identificação com Jesus Cristo: sacrifícios e alegrias, gozos e renúncias, o trabalho no lar e fora dele, são os elementos com que, à luz da fé, constroem o edifício da Igreja.

Sonhar, para um cristão, com a esposa ou com o esposo, é olhá-lo com os olhos de Deus.
É contemplar, prolongado no tempo, a realização do projecto que o Senhor tem pensado e quer, para cada um, e para os dois na sua concreta relação matrimonial.
É desejar que esses planos divinos se façam realidade na família, nos filhos – se Deus os manda – nos avós e nos amigos que a providência vá colocando para os acompanhar na viagem da vida.
É, afinal, ver cada um o outro como o seu particular caminho para o Céu.


O segredo da família


Com efeito, Cristo fez do matrimónio um caminho divino de santidade, para encontrar Deus no meio das ocupações diárias, da família e do trabalho, para situar a amizade, as alegrias e as penas – porque não há cristianismo sem Cruz – e as mil pequenas coisas do lar ao nível eterno do amor.
Eis o segredo do matrimónio e da família.
Assim se antecipa a contemplação e o gozo do céu, onde encontraremos a felicidade completa e definitiva.

No quadro desse “caminho divino” de amor matrimonial, S. Josemaria falava do significado cristão, profundo e belo, da relação conjugal:

“Noutros sacramentos a matéria é o pão, é o vinho, é a água… Aqui são os vossos corpos. (…). Vejo o leito conjugal como um altar; está ali a matéria do sacramento” [iv].

A expressão altar não deixa de ser surpreendente e ao, mesmo tempo, é consequência lógica de uma leitura profunda do matrimónio, que tem na una caro [v] – a união completa dos corpos humanos, criados à imagem e semelhança de Deus – o seu núcleo.


"VEJO O LEITO CONJUGAL COMO UM ALTAR; ESTÁ ALI A MATÉRIA DO SACRAMENTO[vi]


Nesta perspectiva se entende que os esposos cristãos expressem, na linguagem da corporalidade, o próprio do sacramento do matrimónio: com a sua entrega mútua, louvam a Deus e dão-Lhe glória, anunciam e actualizam o amor entre Cristo e a Igreja, secundando a obra do Espírito Santo nos seus corações.
E daí vem, para os esposos, para a sua família e para o mundo, uma corrente de graça, de força e de vida divina que tudo rejuvenesce.

Isto requer uma preparação e uma formação contínua, uma luta positiva e constante:
“Os símbolos fortes do corpo têm as chaves da alma: não podemos tratar os laços da carne com ligeireza, sem abrir uma ferida duradoura no espírito” [vii].

O vínculo que surge a partir do consentimento matrimonial fica selado e é enriquecido pelas relações íntimas entre os esposos.
A graça de Deus que receberam desde o Baptismo, encontra um novo canal que não se justapõe ao amor humano, antes o assume.
O sacramento do matrimónio não supõe um acrescento externo ao matrimónio natural; a graça sacramental específica informa os cônjuges a partir de dentro e ajuda-os a viver a sua relação com exclusividade, fidelidade e fecundidade:

“É importante que os esposos adquiram o sentido claro da dignidade da sua vocação, que saibam que foram chamados por Deus a chegar ao amor divino também através do amor humano; que foram eleitos, desde a eternidade, para cooperar com o poder criador de Deus na procriação e depois na educação dos filhos; que o Senhor lhes pede que façam, do seu lar e da sua vida familiar inteira, um testemunho de todas as virtudes cristãs” [viii].

Os filhos são sempre o melhor “investimento”, e a família a “empresa” mais sólida, a maior e a mais fascinante aventura.

Todos contribuem com o seu papel, mas a novela resultante é muito mais interessante do que a soma das histórias singulares, porque Deus actua e faz maravilhas.

Daí a importância de saber compreender – os esposos entre si e os filhos – de aprender a pedir desculpa, de amar – como ensinava S. Josemaria – todos os defeitos mútuos, sempre que não sejam ofensa a Deus [ix].

“E, na vida dos cônjuges, quantas dificuldades se resolvem, se conservarmos um espaço para o sonho, se nos detivermos a pensar no cônjuge e sonharmos com a bondade, com as coisas boas que tem. Por isso, é muito importante recuperar o amor através do sonho de cada dia. Nunca deixeis de ser namorados!” [x].

Parafraseando o Papa, poder-se-ia acrescentar: que os esposos nunca deixem de se sentar para compartilhar e recordar os momentos belos e as dificuldades que atravessaram juntos, para considerar as circunstâncias que provocaram êxitos ou fracassos, ou para recobrar um pouco de alento, ou para que os dois pensem na educação dos filhos.


Fundamento do futuro da humanidade


A vida matrimonial e familiar não é instalar-se numa existência segura e cómoda, mas antes dedicar-se um ao outro e dedicar generosamente tempo aos restantes membros da família, começando pela educação dos filhos – o que inclui facilitar a aprendizagem das virtudes e a iniciação na vida cristã – para abrir-se continuamente aos amigos, a outras famílias e, especialmente, aos mais necessitados. Deste modo, mediante a coerência da fé vivida em família, se comunica a boa nova – o Evangelho – de que Cristo continua presente e nos convida a segui-lo.


CADA FILHO É, ANTES DE MAIS, UM FILHO DE DEUS ÚNICO E IRREPETÍVEL COM QUE DEUS SONHOU PRIMEIRO.


Jesus revela-se aos filhos através do pai e da mãe, pois para ambos, cada filho é, antes de tudo, um filho de Deus, único e irrepetível, com quem Deus foi o primeiro a sonhar.
Por isso, João Paulo II podia afirmar que “o futuro da humanidade se constrói na família” [xi].


As famílias que não puderam ter filhos


E qual o sentido que devem dar ao seu matrimónio os esposos cristãos que não tenham descendência?

A esta pergunta, S. Josemaria respondia que, antes de mais, deveriam pedir a Deus que os abençoe com filhos, se for essa a Sua Vontade, como abençoou os Patriarcas do Antigo Testamento; e depois que recorram a um bom médico.

“Se apesar de tudo, o Senhor não lhes dá filhos, não hão-de ver nisso nenhuma frustração: hão-de estar contentes, descobrindo nesse mesmo facto a Vontade de Deus para eles. Muitas vezes o Senhor não concede filhos porque pede mais. Pede que se tenha o mesmo esforço e a mesma delicada entrega, ajudando o próximo, sem a alegria humana de ter tido filhos: não há, pois, motivo para se sentirem fracassados nem para dar lugar à tristeza”.

E acrescentava:
"Se os esposos têm vida interior, compreenderão que Deus os urge, impulsionando-os a fazer da sua vida um serviço cristão generoso, um apostolado diverso do que realizariam nos seus filhos, mas igualmente maravilhoso. Que olhem à sua volta e descobrirão de imediato pessoas que necessitam de ajuda, caridade e carinho. Além disso, há muitos trabalhos apostólicos em que podem trabalhar. E se sabem pôr o coração nessa tarefa, se sabem dar-se generosamente aos outros, esquecendo-se de si próprios, terão uma fecundidade esplêndida, uma paternidade espiritual que encherá a sua alma de verdadeira paz" [xii].

Em todo caso, S. Josemaria gostava de se referir às famílias dos primeiros cristãos:

“Aquelas famílias que viveram de Cristo e que O deram a conhecer. Pequenas comunidades cristãs, que foram como centros de irradiação da mensagem evangélica. Lares iguais aos outros lares daqueles tempos, mas animados de um espírito novo, que contagiava quem os conhecia e os tratava. Isso foram os primeiros cristãos, e isso temos que ser os cristãos de hoje: semeadores de paz e de alegria, da paz e da alegria que Jesus nos trouxe” [xiii].

r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Papa Francisco, Discurso no Encontro com as famílias, Manila, Filipinas, 16-01-2015.
[ii] Cfr. S. Josemaria, Homilia “Amar o mundo apaixonadamente”, em Temas actuais do cristianismo, n. 121; cfr. “O matrimónio, vocação cristã”, em Amigos de Deus.
[iii] Ro 8, 28.
[iv] S. Josemaria, Apontamentos tomados de uma reunião familiar (1967), recolhido em Diccionario de San Josemaria, Burgos 2013, p. 490.
[v] Cf. Gn 2, 24; Mc 10, 8.
[vi] s. josemaria
[vii] Papa Francisco, Audiência geral, 27-05-2015.
[viii] S. Josemaria, Temas actuais do cristianismo, n. 93.
[ix] Cf. S. Josemaria, Apontamentos tomados de uma reunião familiar, 7-VII-1974.
[x] Papa Francisco, Discurso no Encontro com as famílias, Manila, Filipinas, 16-01-2015.
[xi] S. João Paulo II, Familiaris consortio, n. 86.
[xii] S. Josemaria, Temas actuais do cristianismo, n. 96.
[xiii] S. Josemaria, Cristo que passa, n. 30.

SOBRE O PERDÃO – 10

2 – O perdão e Deus

…/4

Voltemos ao perdão para percebermos então, como é imprescindível para um católico o Sacramento da Reconciliação, para que, na sua vida do dia-a-dia, possa perdoar e pedir perdão, das ofensas contra si cometidas e das ofensas que ele próprio comete contra os outros.

Obviamente, como disse no início, o perdão, o acto de perdoar, não é um “exclusivo”, permitam-me a expressão, dos cristãos, das pessoas religiosas, mas de todo o homem em geral.
Mas aqueles que acreditam no Deus Uno e Trino, se têm uma responsabilidade acrescida quanto ao amor e por isso mesmo, ao perdoar e ao pedir perdão, têm também o benefício da graça de Deus, que lhes dá forças para perdoar, pedir perdão e, sem dúvida importantíssimo, reconciliar a memória, purificando-a dos sentimentos negativos do rancor, do ressentimento, da vingança, obtendo assim para si e para os outros a paz de espírito que dá sentido e consolo à vida.

(cont)

(joaquim mexia alves, Conferência sobre o perdão na Vigararia da Marinha Grande)