16/01/2016

Evangelho, comentário, L. espiritual




Tempo Comum
Semana I

Evangelho: Mc 2, 13-17

13 Foi outra vez para a beira-mar. Todo o povo ia ter com Ele e Ele ensinava-os.14 Ao passar viu Levi, filho de Alfeu, sentado no banco dos cobradores de impostos, e disse-lhe: «Segue-Me». Ele, levantando-se, seguiu-O. 15 Aconteceu que, estando Jesus sentado à mesa em casa dele, estavam também à mesma mesa com Jesus e os Seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos que também O seguiam. 16 Os escribas e fariseus, vendo que Jesus comia com os pecadores e publicanos, diziam aos discípulos: «Porque come e bebe o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?». 17 Ouvindo isto, Jesus disse-lhes: «Não têm necessidade de médico os sãos, mas os doentes; Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».

Comentário:

Jesus está uma vez mais à beira-mar; é muito forte esta ligação do Senhor com o mar talvez porque, se por um lado representa a imensidão de horizonte, de destinos, de rumos, por outro tem aquele quê de misterioso e aventureiro para o homem comum.

Só os pescadores se sentem ali à vontade e do mar tiram o seu sustento num trabalho árduo e não isento de perigos.

Sobretudo é um trabalho que exige perseverança, determinação e coragem.

Afinal o que se espera de um verdadeiro discípulo de Cristo.

(ama, comentário sobre MC 2 13-17, Malta 2015.01.16)


Leitura espiritual

 

CARTA ENCÍCLICA
LAUDATO SI’
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
SOBRE O CUIDADO DA CASA COMUM


CAPÍTULO VI

EDUCAÇÃO E ESPIRITUALIDADE ECOLÓGICAS


3. A conversão ecológica

216. A grande riqueza da espiritualidade cristã, proveniente de vinte séculos de experiências pessoais e comunitárias, constitui uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade.
Desejo propor aos cristãos algumas linhas de espiritualidade ecológica que nascem das convicções da nossa fé, pois aquilo que o Evangelho nos ensina tem consequências no nosso modo de pensar, sentir e viver.
Não se trata tanto de propor ideias, como sobretudo falar das motivações que derivam da espiritualidade para alimentar uma paixão pelo cuidado do mundo.
Com efeito, não é possível empenhar-se em coisas grandes apenas com doutrinas, sem uma mística que nos anima, sem «uma moção interior que impele, motiva, encoraja e dá sentido à acção pessoal e comunitária».[i]
Temos de reconhecer que nós, cristãos, nem sempre recolhemos e fizemos frutificar as riquezas dadas por Deus à Igreja, nas quais a espiritualidade não está desligada do próprio corpo nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia.

217. Se «os desertos exteriores se multiplicam no mundo, porque os desertos interiores se tornaram tão amplos»,[ii] a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior.
Entretanto temos de reconhecer também que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente. Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes.
Falta-lhes, pois, uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus.
Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa.

218. Recordemos o modelo de São Francisco de Assis, para propor uma sã relação com a criação como dimensão da conversão integral da pessoa.
Isto exige também reconhecer os próprios erros, pecados, vícios ou negligências, e arrepender-se de coração, mudar a partir de dentro.
A Igreja na Austrália soube expressar a conversão em termos de reconciliação com a criação:
«Para realizar esta reconciliação, devemos examinar as nossas vidas e reconhecer de que modo ofendemos a criação de Deus com as nossas acções e com a nossa incapacidade de agir. Devemos fazer a experiência duma conversão, duma mudança do coração».[iii]

219. Todavia, para se resolver uma situação tão complexa como esta que enfrenta o mundo actual, não basta que cada um seja melhor.
Os indivíduos isolados podem perder a capacidade e a liberdade de vencer a lógica da razão instrumental e acabam por sucumbir a um consumismo sem ética nem sentido social e ambiental.
Aos problemas sociais responde-se, não com a mera soma de bens individuais, mas com redes comunitárias:
«As exigências desta obra serão tão grandes, que as possibilidades das iniciativas individuais e a cooperação dos particulares, formados de maneira individualista, não serão capazes de lhes dar resposta. Será necessária uma união de forças e uma unidade de contribuições».[iv]
A conversão ecológica, que se requer para criar um dinamismo de mudança duradoura, é também uma conversão comunitária.

220. Esta conversão comporta várias atitudes que se conjugam para activar um cuidado generoso e cheio de ternura.
Em primeiro lugar, implica gratidão e gratuidade, ou seja, um reconhecimento do mundo como dom recebido do amor do Pai, que consequentemente provoca disposições gratuitas de renúncia e gestos generosos, mesmo que ninguém os veja nem agradeça.
«Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita (...); e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te» [v].
Implica ainda a consciência amorosa de não estar separado das outras criaturas, mas de formar com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal.
O crente contempla o mundo, não como alguém que está fora dele, mas dentro, reconhecendo os laços com que o Pai nos uniu a todos os seres.
Além disso a conversão ecológica, fazendo crescer as peculiares capacidades que Deus deu a cada crente, leva-o a desenvolver a sua criatividade e entusiasmo para resolver os dramas do mundo, oferecendo-se a Deus «como sacrifício vivo, santo e agradável» ([vi]. Não vê a sua superioridade como motivo de glória pessoal nem de domínio irresponsável, mas como uma capacidade diferente que, por sua vez, lhe impõe uma grave responsabilidade derivada da sua fé.

221. Ajudam a enriquecer o sentido de tal conversão várias convicções da nossa fé, desenvolvidas ao início desta encíclica, como, por exemplo, a consciência de que cada criatura reflecte algo de Deus e tem uma mensagem para nos transmitir, ou a certeza de que Cristo assumiu em Si mesmo este mundo material e agora, ressuscitado, habita no íntimo de cada ser, envolvendo-o com o seu carinho e penetrando-o com a sua luz; e ainda o reconhecimento de que Deus criou o mundo, inscrevendo nele uma ordem e um dinamismo que o ser humano não tem o direito de ignorar.
Porventura uma pessoa, ouvindo no Evangelho Jesus dizer – a propósito dos pássaros – que «nenhum deles passa despercebido diante de Deus» [vii], será capaz de os maltratar ou causar-lhes dano?
Convido todos os cristãos a explicitar esta dimensão da sua conversão, permitindo que a força e a luz da graça recebida se estendam também à relação com as outras criaturas e com o mundo que os rodeia, e suscite aquela sublime fraternidade com a criação inteira que viveu, de maneira tão elucidativa, São Francisco de Assis.

4. Alegria e paz

222. A espiritualidade cristã propõe uma forma alternativa de entender a qualidade de vida, encorajando um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo.
É importante adoptar um antigo ensinamento, presente em distintas tradições religiosas e também na Bíblia.
Trata-se da convicção de que «quanto menos, tanto mais».
Com efeito, a acumulação constante de possibilidades para consumir distrai o coração e impede de dar o devido apreço a cada coisa e a cada momento.
Pelo contrário, tornar-se serenamente presente diante de cada realidade, por mais pequena que seja, abre-nos muitas mais possibilidades de compreensão e realização pessoal. A espiritualidade cristã propõe um crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco.
É um regresso à simplicidade que nos permite parar a saborear as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem entristecermos por aquilo que não possuímos. Isto exige evitar a dinâmica do domínio e da mera acumulação de prazeres.

223. A sobriedade, vivida livre e conscientemente, é libertadora. Não se trata de menos vida, nem vida de baixa intensidade; é precisamente o contrário.
Com efeito, as pessoas que saboreiam mais e vivem melhor cada momento são aquelas que deixam de debicar aqui e ali, sempre à procura do que não têm, e experimentam o que significa dar apreço a cada pessoa e a cada coisa, aprendem a familiarizar com as coisas mais simples e sabem alegrar-se com elas.
Deste modo conseguem reduzir o número das necessidades insatisfeitas e diminuem o cansaço e a ansiedade.
É possível necessitar de pouco e viver muito, sobretudo quando se é capaz de dar espaço a outros prazeres, encontrando satisfação nos encontros fraternos, no serviço, na frutificação dos próprios carismas, na música e na arte, no contacto com a natureza, na oração.
A felicidade exige saber limitar algumas necessidades que nos entorpecem, permanecendo assim disponíveis para as múltiplas possibilidades que a vida oferece.

224. A sobriedade e a humildade não gozaram de positiva consideração no século passado.
Mas, quando se debilita de forma generalizada o exercício dalguma virtude na vida pessoal e social, isso acaba por provocar variados desequilíbrios, mesmo ambientais.
Por isso, não basta falar apenas da integridade dos ecossistemas; é preciso ter a coragem de falar da integridade da vida humana, da necessidade de incentivar e conjugar todos os grandes valores.
O desaparecimento da humildade, num ser humano excessivamente entusiasmado com a possibilidade de dominar tudo sem limite algum, só pode acabar por prejudicar a sociedade e o meio ambiente.
Não é fácil desenvolver esta humildade sadia e uma sobriedade feliz, se nos tornamos autónomos, se excluímos Deus da nossa vida fazendo o nosso eu ocupar o seu lugar, se pensamos ser a nossa subjectividade que determina o que é bem e o que é mal.

225. Por outro lado, ninguém pode amadurecer numa sobriedade feliz, se não estiver em paz consigo mesmo.
E parte duma adequada compreensão da espiritualidade consiste em alargar a nossa compreensão da paz, que é muito mais do que a ausência de guerra.
A paz interior das pessoas tem muito a ver com o cuidado da ecologia e com o bem comum, porque, autenticamente vivida, reflecte-se num equilibrado estilo de vida aliado com a capacidade de admiração que leva à profundidade da vida.
A natureza está cheia de palavras de amor; mas, como poderemos ouvi-las no meio do ruído constante, da distracção permanente e ansiosa, ou do culto da notoriedade?
Muitas pessoas experimentam um desequilíbrio profundo, que as impele a fazer as coisas a toda a velocidade para se sentirem ocupadas, numa pressa constante que, por sua vez, as leva a atropelar tudo o que têm ao seu redor.
Isto tem incidência no modo como se trata o ambiente.
Uma ecologia integral exige que se dedique algum tempo para recuperar a harmonia serena com a criação, reflectir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais, contemplar o Criador, que vive entre nós e naquilo que nos rodeia e cuja presença «não precisa de ser criada, mas descoberta, desvendada».[viii]

226. Falamos aqui duma atitude do coração, que vive tudo com serena atenção, que sabe manter-se plenamente presente diante duma pessoa sem estar a pensar no que virá depois, que se entrega a cada momento como um dom divino que se deve viver em plenitude.
Jesus ensinou-nos esta atitude, quando nos convidava a olhar os lírios do campo e as aves do céu, ou quando, na presença dum homem inquieto, «fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele» [ix]. De certeza que Ele estava plenamente presente diante de cada ser humano e de cada criatura, mostrando-nos assim um caminho para superar a ansiedade doentia que nos torna superficiais, agressivos e consumistas desenfreados.


(cont)




[i] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de Novembro de 2013), 261: AAS105 (2013), 1124.
[ii] Bento XVI, Homilia no início solene do Ministério Petrino (24 de Abril de 2005): AAS 97 (2005), 710; L´Osservatore Romano (ed. portuguesa de 30/IV/2005), 5.
[iii] Conferência dos Bispos Católicos da Austrália, A New Earth - The Environmental Challenge (2002).
[iv] Romano Guardini, Das Ende der Neuzeit (Würzburg9 1965), 72.
[v] Mt 6, 3-4
[vi] Mt 6, 3-4
[vii] Lc12, 6
[viii] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de Novembro de 2013), 71: AAS 105 (2013), 1050.
[ix] Mc 10, 21




SOBRE O PERDÃO – 4

1 – O que é o perdão?

…/3

Vejamos um exemplo:
Eu conheço alguém que é meu amigo, em quem tenho toda a confiança, e essa pessoa causa-me um grande mal, como por exemplo, deliberadamente causa a morte de um filho meu ou de alguém muito perto de mim.
Eu posso perdoar verdadeiramente aquela acção, aquele acto de matar, mas a minha relação com essa pessoa não volta a ser o que era, (pelo menos durante muito tempo), e perante algum perigo eminente até posso afastar-me provisoriamente dessa pessoa.
Factos que podem ser comuns nos casos de violência doméstica, por exemplo. Perdoa-se a ofensa mas não se reata a relação.
Eu posso não querer mais uma relação com aquela pessoa, embora tenha perdoado a ofensa e ao ofensor, mas esse perdão ao ofensor reveste a forma, digamos assim, de não lhe querer mal e até indo mais longe, de o ajudar se um dia precisar verdadeiramente de mim.
E esse perdão que eu dou àquele que me ofendeu, não significa também que, se a ofensa configurou um crime público, ele tenha que pagar segundo as leis em vigor e o que um tribunal decidir.


(cont)

(joaquim mexia alves, Conferência sobre o perdão na Vigararia da Marinha Grand

Antigo testamento / Salmos


Salmo 75







1 Damos-te graças, ó Deus, damos-te graças, pois perto está o teu nome; todos falam dos teus feitos maravilhosos.
2 Tu dizes: "Eu determino o tempo em que julgarei com justiça.
3 Quando treme a terra com todos os seus habitantes, sou eu que mantenho firmes as suas colunas.
4 "Aos arrogantes digo: Parem de vangloriar-se! E aos ímpios: Não se rebelem!
5 Não se rebelem contra os céus; não falem com insolência".
6 Não é do oriente nem do ocidente nem do deserto que vem a exaltação.
7 É Deus quem julga: Humilha a um, a outro exalta.
8 Na mão do Senhor está um cálice cheio de vinho espumante e misturado; ele o derrama, e todos os ímpios da terra o bebem até a última gota.
9 Quanto a mim, para sempre anunciarei essas coisas; cantarei louvores ao Deus de Jacob.

10 Destruirei o poder de todos os ímpios, mas o poder dos justos aumentará.

Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Doutrina - 26

Comunhão eucarística

Em que circunstâncias uma pessoa não pode comungar?

…/4

Com relação a outras situações, não devem comungar:

1. Quem já comungou duas vezes no mesmo dia.

2. Quem faz parte da maçonaria, seitas de todo tipo, etc.

3. Quem procura usar a Eucaristia para fazer campanha política ou para buscar votos.

4. Quem não está batizado.

5. Quem rejeita a Eucaristia ou duvida dela.

“Não é possível dar a comunhão a uma pessoa que não esteja batizada ou que rejeite a verdade integral de fé sobre o mistério eucarístico. Cristo é a verdade, e dá testemunho da verdade [i]; o sacramento do seu corpo e sangue não consente ficções” [ii].
 (cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] cf. Jo 14, 6; 18, 37
[ii] Ecclesia de Eucharistia, 38

Tratado da vida de Cristo 67

Questão 39: Do baptizado de Cristo

Art. 5 — Se no baptismo de Cristo os céus deviam abrir-se.

O quinto discute-se assim. — Parece que no baptismo de Cristo os céus não deviam abrir-se.


1. — Pois, deve abrir-se o céu a quem estando de fora, precisa de entrar nele. Ora, Cristo sempre esteve no céu, como o diz o Evangelho. Logo, parece que os céus não deviam abrir-se-lhe.

2. Demais. — A abertura dos céus entende-se em sentido espiritual ou material. Ora, não se pode entender em sentido material, pois que os corpos celestes são impassíveis e infrangíveis, conforme o dito da Escritura: Talvez formaste tu com ele os céus, que são tão sólidos como se fossem de metal. Nem em sentido espiritual, porque ante os olhos de Deus os céus nunca estiveram fechados. Logo, parece inconveniente dizer que no baptismo de Cristo se lhe abriram os céus.

3. Demais. — Aos fiéis o céu se abriu pela paixão de Cristo, segundo o Apóstolo: Temos confiança de entrar no santuário pelo sangue de Cristo. Por isso, os que não receberam o baptismo de Cristo e que morreram antes da sua paixão, também não puderam entrar no céu. Logo, os céus deviam ter-se aberto antes na paixão que no baptismo de Cristo.

Mas, em contrário: o Evangelho: Depois de baptizado Jesus e estando em oração, abriu-se o céu.

Como se disse, Cristo quis baptizar-se para consagrar, com o seu baptismo o que nós devíamos receber. Por isso o baptismo de Cristo devia manifestar o que constitui a eficácia do nosso. No que se apresentam três pontos à nossa consideração. Primeiro, a virtude principal donde o baptismo tira a sua eficácia, que é uma virtude celeste. Por isso, no baptismo de Cristo, o céu se abriu para mostrar como, no futuro, a virtude celeste santificaria o baptismo. Segundo, a fé da Igreja e a do baptizado cooperam para a eficácia do baptismo; por isso, os baptizados fazem profissão da sua fé e o baptismo se chama o sacramento da fé. Ora, pela fé nós nos alçamos à contemplação das coisas celestes, excedentes ao sentido e à razão humana. E para o significar, os céus abriram-se no baptismo de Cristo. Terceiro, porque pelo baptismo de Cristo nos é especialmente franqueada a entrada do reino celeste, que fora fechada ao primeiro homem pelo pecado. Por isso, no baptismo de Cristo, abriram-se os céus para mostrar que aos baptizados está patente o caminho para o céu. – Porém, depois do baptismo o homem necessita de uma oração contínua, para entrar no céu. Embora, pois, pelo baptismo se perdoem os pecados, permanece contudo a concupiscência como seu efeito, que nos impugna interiormente, bem como o mundo e os demónios, nossos inimigos externos. Por isso, diz assinaladamente o Evangelho: Depois de baptizado Jesus e estando em oração, abriu-se o céu; porque aos fiéis é necessária a oração depois do baptismo. - Ou para compreendermos que o facto de se abrirem os céus aos crentes, pelo baptismo, foi em virtude da oração de Cristo. Donde o dizer o Evangelho assinaladamente, que se lhe abriu o céu, isto é, a todos por causa de Cristo, assim como um imperador diria a quem lhe suplicasse por um terceiro – eis que não lhe dou esse benefício a ele, mas a ti, isto é, por tua causa é que lho dou, como diz Crisóstomo.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Como diz Crisóstomo, assim como Cristo foi baptizado em razão da sua natureza humana, embora em si mesmo não precisasse de baptismo, assim os céus se lhe abriram à sua natureza humana, embora pela sua natureza divina sempre estivesse no céu.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Como diz Jerónimo, os céus abriram-se a Cristo baptizado, não pela divisão dos elementos, mas aos olhos do espírito; assim como Ezequiel diz, no começo das suas profecias, que os céus se lhe abriram. E isso prova-o Crisóstomo quando diz, que se fosse a própria criatura dos céus, que se rompesse, não diria o evangelista - abriu-se-lhe; pois o que materialmente se abre a todos, está aberto. Por isso, Marcos expressamente diz que logo que saiu da água, viu Jesus os céus abertos, como referindo a própria abertura dos céus à visão de Cristo. O que alguns referem à visão corpórea, dizendo ter sido tamanho o esplendor com que refulgiu Cristo no seu baptismo, que parecia terem-se rasgado os céus. Mas também podemos referi-lo à visão imaginária, modo pelo qual Ezequiel viu os céus abertos; assim por acção da virtude divina e da vontade racional, formou-se uma tal visão na imaginação de Cristo, para exprimir que o baptismo abriu aos homens a entrada do céu. Enfim, podemos entendê-lo da visão intelectual, isto é, Cristo viu, depois de santificado pelo baptismo, o céu aberto aos homens; o que já antes via como devendo realizar-se.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A paixão de Cristo foi uma causa comum de os céus se abrirem aos homens. Mas essa causa há-de aplicar-se a cada um para lhe tornar possível a entrada no céu. E isso dá-se pelo baptismo, o Apóstolo: Todos os que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte. Por isso se faz menção da abertura dos céus, antes no baptismo, que na paixão. - Ou, como diz Crisóstomo, os céus só se abriram depois de Cristo baptizado, mas depois que venceu o tirano, não sendo mais necessárias as portas, pois que o céu não devia mais fechar-se, os anjos não disseram - Abri as portas (pois já estavam abertas), mas - tirai as portas. Pelo que Crisóstomo dá a entender, que os obstáculos, que antes impediam as almas dos defuntos de entrar no céu, foram totalmente arredados pela paixão de Cristo; mas pelo baptismo foram abertas, como para nos mostrar a via pela qual os homens haviam de entrar no céu.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Temas para meditar - 564

Castidade



Se queremos guardar a mais bela de todas as virtudes, que é a castidade, temos de saber que ela é uma rosa que somente floresce entre espinhos; e por conseguinte, só a acharemos, como todas as demais virtudes, numa pessoa mortificada.



(s. joão maria vianney, Sermão sobre a Penitência)

15/01/2016

Reflectindo - 147


Perdido e encontrado

Dei comigo a pensar que de alguma forma tenho andado perdido.

O meu “Norte” parece não estar onde deveria e sinto-me errático e disperso por tantas coisas que talvez – seguramente – têm importância muito escassa ou não a têm de todo.

Estranhamente o nó que trago no peito e me aperta as entranhas até doer como um aguilhão insuportável desata-se por vezes – muitas e repetidas vezes… - em lágrimas rebeldes que me correm pelo rosto descontroladas e em rio caudaloso.

(cont)


(ama - reflexões)

Antigo testamento / Salmos

Salmo 141







1 Clamo a ti, Senhor; vem depressa! Escuta a minha voz quando clamo a ti.
2 Seja a minha oração como incenso diante de ti e o levantar das minhas mãos como a oferta da tarde.
3 Coloca, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta de meus lábios.
4 Não permitas que o meu coração se volte para o mal nem que eu me envolva em práticas perversas com os malfeitores. Que eu nunca participe dos seus banquetes!
5 Fira-me o justo com amor leal e me repreenda, mas não perfume a minha cabeça o óleo do ímpio, pois a minha oração é contra as práticas dos malfeitores.
6 Quando eles caírem nas mãos da Rocha, o juiz deles, ouvirão as minhas palavras com apreço.
7 Como a terra é arada e fendida, assim foram espalhados os seus ossos à entrada da sepultura.
8 Mas os meus olhos estão fixos em ti, ó Soberano Senhor; em ti me refugio; não me entregues à morte.
9 Guarda-me das armadilhas que prepararam contra mim, das ciladas dos que praticam o mal.

10 Caiam os ímpios em sua própria rede, enquanto eu escapo ileso.