11/05/2015

Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VI da Páscoa

Evangelho: Jo 15 26 – 16 4

26 Quando, porém, vier o Paráclito, que Eu vos enviarei do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim.
16 4 Ora Eu disse-vos estas coisas para que, quando chegar esse tempo, vos lembreis de que vo-las disse. Não vos disse isto, porém, desde o princípio, porque estava convosco.

Comentário:

Compreendemos que Jesus Cristo não podia revelar todas as coisas aos Seus discípulos porque bem sabia que as suas capacidades não abrangeriam tal vastidão de conhecimentos.

O Espírito Santo se “encarregaria” de o fazer de forma integral e completa.

Como nós, homens, também vamos conhecendo gradualmente ao longo da nossa vida terrena as verdades da nossa Fé e, com a assistência do mesmo Espírito Santo, sempre presente na nossa alma em Graça, a compreensão dessas mesmas verdades.

(ama, comentário sobre Jo 15, 26; 16, 4, 2015.04.27)

Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE


XII perspectiva da Redenção


B)  a redenção aceite pelo homem

Ao verificar o que comporta a Vida que Cristo nos oferece não podemos deixar de fazer algumas perguntas.

        É possível uma conversão plena de uma criatura a Deus?
        É possível que uma criatura esteja plena e integralmente dedicada a Deus?
        Que significa e o que supõe, em plenitude, amar a Deus com todo o coração, com toda a mente, com todas as forças?
        É possível que todo o actuar do homem seja ao mesmo tempo divino e humano?

Trataremos de ir dando respostas ao longo das páginas seguintes especialmente da Segunda Parte.

São Paulo ao mesmo tempo que recorda a Lei aos Coríntios e lhe manifesta a perspectiva da Redenção dá-lhe bons ensinamentos que abrem o caminho à esperança de chegar a viver a vida de Cristo.
Juntamente com as suas claras afirmações de não ter nada que remorda a consciência ante Deus, reconhece a sua luta, os seus esforços para conseguir o prémio e converter-se e convida os coríntios a imitar o seu exemplo.
«Não sabeis que nas corridas no estádio todos correm mas só um recebe o prémio?
Correi de tal modo que o alcanceis.
Os atletas privem-se de tudo, eles para alcançar uma coroa corruptível, nós, em troca, por uma incorruptível.
Eu corro (…) não como dando golpes no vazio, mas antes golpeio o meu corpo e submeto-o à servidão, não seja que, tendo pregado aos outros, seja eu reprovado».[i]

A conversão – originada no arrependimento, que analisaremos detidamente mais adiante – e a plenitude de vida cristã é algo muito pessoal de cada criatura.

O próprio Cristo quer viver e vive realmente com cada ser humano.
Deus quer que cada homem O receba no seu pensamento – fé -, na sua vida – caridade -, na sua história – esperança -, para que cada homem possa referir-se a Ele não só como Deus mas também como “meu Deus” e que toda a vida de cada homem seja na verdade «vida e obra de Deus».

Essa é a tarefa de enxertar a Redenção no homem que é a verdadeira obra do Espírito Santo na pessoa do crente, tarefa que nunca se concluirá.

A morte alcançará o cristão movido pela fé, pela caridade, pela esperança, na missão de se converter em «filho de Deus em Cristo».


XIII os mandamentos da lei de deus

        Como posso orientar a minha vida no caminho de desenvolver a «participação na natureza divina», a Graça, que está enraizada na minha própria vida?

        Consciente da vida divina que palpita no seu espirito é lógico que o cristão se faça essa pergunta.

        Já em páginas anteriores – cap VII e X – assinalámos que ssa vida da Graça torna possível no homem que a Fé, a Esperança e a Caridade se instalem e enraízem nele.
        Cabe-nos agora descobrir como na prática se manifesta essa vida, coo pode o cristão dizer no fundo da sua alma que vive de Fé, de Esperança, de Caridade ou que pelo menos está tentando fazê-lo.

        Entre os motivos da Encarnação o Catecismo recolhe o de Cristo ser «modelo e exemplo da nova criatura».

        Enxertado nem Cristo o cristão vive a vida de Cristo.
        Se o ser cristão fica reflectido na Fé, na Esperança, na Caridade, que actuar reflectira a realidade da nova criatura em Cristo?»

        A resposta é clara: os Mandamentos da Lei de Deus vividos com o no espírito - «como Eu vos amei» - que Cristo trouxe: o espírito da Bem-Aventuranças.

        O próprio Cristo deu a resposta a esta pergunta quando afirmou:

        «Quem me ama cumpre os meus mandamentos»[ii]

        O vínculo do amor a Deus do viver em Deus e com Deus, em obedecer-lhe e seguir os seus mandamentos está desde o princípio claramente expressa na Escritura.

        Jesus Cristo sublinha este vínculo pouco depois no mesmo capítulo de São João quendo ante a pergunta de Judas Tadeu: «Senhor, que aconteceu que vais manifestar-te a nós e não ao mundo»?, responde: «Se alguém me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará e viremos a ele e nele faremos morada».[iii]

        Se acrescentarmos a estas frases a consideração que Ele próprio faz acerca do cumprimento da Lei:
        «Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir mas sim dar cumprimento»,[iv] podemos tirar algumas conclusões para descobrir o verdadeiro sentido do Mandamentos na vida da «nova criatura» do cristão.

        Está muito disseminada entre os crentes que os Mandamentos vêm a ser uma simples lista de obrigações imposta por Deus ao homem para dessa forma reforçar a sua autoridade sobre o homem.
        Do cumprimento ou desobediência dessas obrigações dependeria a salvação ou o castigo eterno.

        Vejamos agora o profundo e primordial significado dos Mandamentos.

        Ao convocar Moisés para estabelecer a aliança com Israel Yahvé recorda:
        «Se escutardes atentamente a minha voz e observardes a minha Aliança sereis minha especial propriedade estre todos os povos, um reino de sacerdotes, um povo santo».[v]

        Cristo, em fazer «novas todas coisas»;[vi] «se alguém está em Cristo é nova criatura. O antigo passou: tudo foi feito de novo», introduz a novidade do Espírito das Bem-Aventuranças que completam o sentido dos Mandamentos da Antiga Lei para os filhos de Deus em Cristo Jesus, o novo povo de Deus.

        Contemplados com esta perspectiva podemos afirmar que os Mandamentos são uma manifestação palpável do amor de Deus pelos homens, orientações para que os homens não percam o caminho para o Céu, obscurecido no seu coração depois do pecado e iluminado de novo na Encarnação e na Eucaristia.

        A mais preclara natureza dos Mandamentos é a de serem canais pelos quais há-de transcorrer o nosso viver cristão, caminhos que temos de percorrer na interminável conversão a Deus que é a vida do homem.
        No viver os Mandamentos tornam-se realidade na alma do crente as palavras de São Paulo:

        «O amor é a plenitude da Lei».[vii]

        Cristo não veio à terra somente para nos transmitir umas verdades, um conjunto de doutrina.
        A Sua missão não se esgota em ser «Mestre», um educador de multidões.
        Quer comunicar-nos a vida divina e quer também que a vivamos com Ele e que gozemos em vivê-la: os Mandamentos são o modo em que essa vida se manifesta e o canal para a viver, e as Bem-Aventuranças o espírito com o qual essa vida há-de ser vivida.

        Cristo vive a vida do homem e descobre-nos o seu amor em fazer-se igual a nós em tudo excepto no pecado.

        Aa Encarnação é fruto do amor que a Santíssima Trindade tem ao homem, nesse amor, Cristo aproxima-se vital e intimamente dos homens no desejo que alcancem descobrir nele o «aroma de Deus» e ao mesmo tempo transmitir – se se podem empregar estas palavras – ao seio da Trindade a realidade concreta do «aroma do homem», tergiversado e degradado pelo pecado.

        Nesta perspectiva, os Mandamentos são provas do amor de Deus, que não deixa o homem sozinho na tarefa de desenvolver a vida sobrenatural cristã.
        E compreende-se que ao cumpri-los o homem manifeste sem barreiras o amor que tem a Deus.

        Ao mesmo tempo esse cumprimento é uma mostra palpável do verdadeiro triunfo de Deus no homem porque o homem jamais poderia conseguir viver esses Mandamentos com as suas próprias forças.
        Ao vivê-los recobra a pela confiança em Deus e confiando ama verdadeiramente a Deus: a medida que o homem «guarda a doutrina» de Cristo o homem é consciente que a doutrina se converte em vida.
        Mais, que a doutrina é manifestação de vida e convite
à Vida: «o Pai amá-lo-á e iremos a ele e habitaremos nele».[viii]

        O Amor de Deus ao homem originou os Mandamentos, o amor do homem a Deus torna possível que se vivam na terra.
        E não só.
        Ao vivê-los alcançamos pelo menos vislumbrar algo do amor que Deus nos tem porque ao viver na nossa alma o Pai, o Filho e o Espírito Santo fazem-nos participar da visão com que Deus contempla o mundo e o amor com que olha sua criatura predilecta, àquela criatura, única que amou por si mesma, o homem.

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] 1 Cor 9, 24-27
[ii] Jo 14, 15
[iii] Jo 14, 23
[iv] Mt 5, 17
[v] Ex 19, 6
[vi] 2 Cor 5, 17
[vii] Rm 13, 10
[viii] Jo 14, 23

Reflectindo - 79

Pureza

2 - Há quem pense que está como que imune às tentações que respeitam à pureza e que, portanto, pode, por assim dizer, "desarmar" as defesas naturais que deve cuidar.

Estas defesas encontram-se principalmente na oração simples e confiada que pode muito bem ser: "Senhor dá-me um coração puro"!

Mas é claro que o mais importante "segredo" para salvaguardar a pureza pessoal é ter o amor bem ordenado.

Começando pelo amor a Deus, o amor-próprio, e amor aos outros.

Quem ama com verdade e com liberdade tem o caminho aberto à sua frente para levar uma vida não sujeita às oscilações e apelos da defesa da própria dignidade e a dos outros.

Precisamente porque ama também respeita e respeitando, o seu próprio corpo ou o dos outros é natural que não consinta em algo que possa de qualquer forma ferir esse respeito.


ama, 2015.03.17

10/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 11 de Maio


São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 15 26 16 4, Ernesto Juliá Diaz

AMA - Reflectindo – Pureza


Agenda Segunda-Feira

O que pode ver em NUNC COEPI em 10 Maio


São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 17 11-19, Ernesto Juliá Diaz

A Virgem Maria (Thomas de Saint Laurent), Santíssima Virgem,Thomas de Saint Laurent

Pequena agenda do cristão
Agenda Domingo

Faz o que deves e está no que fazes

Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo. (Caminho, 813)

Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

A santidade "grande" consiste em cumprir os "pequenos deveres" de cada instante. (Caminho, 817)

Dizes-me: quando se apresentar a ocasião de fazer algo de grande... então sim! – Então! Pretendes fazer-me crer, e crer tu seriamente, que poderás vencer na Olimpíada sobrenatural, sem a preparação diária, sem treino? (Caminho, 822)

Viste como ergueram aquele edifício de grandeza imponente? – Um tijolo, e outro. Milhares. Mas um a um. – E sacos de cimento, um a um. E blocos de pedra, que pouco representam na mole do conjunto. – E pedaços de ferro. – E operários que trabalham, dia a dia, as mesmas horas... Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente?... À força de pequenas coisas! (Caminho, 823)

Não tens reparado em que "ninharias" está o amor humano? – Pois também em "ninharias" está o Amor divino. (Caminho, 824)


Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VI da Páscoa

Evangelho: Jo 17 11-19

11 Já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai Santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste para que sejam um, assim como Nós. 12 Quando Eu estava com eles, os guardava em Teu nome. Conservei os que Me deste; nenhum deles se perdeu, excepto o filho da perdição, cumprindo-se a Escritura. 13 Mas agora vou para Ti e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si mesmos a plenitude da Minha alegria. 14 Dei-lhes a Tua palavra, e o mundo odiou-os, porque não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. 15 Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal. 16 Eles não são do mundo, como Eu também não sou do mundo. 17 Santifica-os na verdade. A Tua palavra é a verdade. 18 Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. 19 Por eles Eu santifico-Me a Mim mesmo, para que também sejam santificados na verdade.

Comentário:

Na história da salvação humana avulta o mistério de Judas Escariotes «o filho da perdição» como Jesus o identifica.

Como se explica a sua escolha, entre tantos, como um dos Doze?

O Senhor, que conhece o coração dos homens e os seus mais recônditos pensamentos e inclinações, não podia ter escolhido outro que não viesse a revelar-se um traidor mesquinho?
Mesquinho não por ter vendido o Mestre por quantia tão escassa - a traição não tem preço - mas por ter enganado até ao último momento, e com um beijo, Aquele que o tinha como amigo.

Cristo podia ter escolhido outro.
Mas, note-se que Judas não foi o único a traí-lo, Pedro também jurou não conhecer o Mestre!

Assim se vêm duas coisas: a primeira que Jesus não faz acepção de pessoas; a segunda que a todos dá iguais oportunidades de perseverar na fidelidade ou no arrependimento.

Talvez por isso, nos escolheu a nós, fracos e pusilânimes, para Seus seguidores e para levar-mos a outros as Suas Palavras de Vida Eterna.

(ama, comentário sobre Jo 17, 11-19, 2012.05.23)

Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE


XII perspectiva da Redenção


A)       a redenção que cristo nos oferece

…/2

O cristão, e já o esclarecemos ao falar da Graça, não vive da recordação de uma gesta gloriosa levada a cabo por Jesus de Nazareth, vive a própria vida de Cristo na terra e num tempo que a Ele corresponde converter em eternidade, usando os anos, os dias que se lhe concederam.
Vivendo a vida de Cristo por e na acção da Graça, o cristão encarna a «redenção objectiva» obtida por Jesus Cristo e, por estes meios, a «redenção objectiva» é chamada a alcançar a plenitude da sua eficácia em cada ser humano até ao fim dos tempos

Vivendo no seu espírito, melhor, na plenitude do seu ser pessoal, a Ressurreição de Cristo, o homem converte o passado em presente e enxerta-se na eternidade.

O Catecismo expressa assim este mistério:

«Quando chegou a sua hora viveu o único acontecimento da história que não passa: Jesus morre, é sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-se à direita do Pai de uma vez por todas.
É um acontecimento real acontecido na nossa história mas absolutamente singular: todos os outros acontecimentos sucedem uma vez e logo passam e são absorvidos pelo passado.
O mistério pascal de Cristo, pelo contrário, não pode permanecer somente no passado pois a sua morte destruiu a morte e tudo o que Cristo é e tudo o que fez e padeceu pelos homens participa da eternidade divina e assim domina todos os tempos e neles se mantem permanentemente presente.
O acontecimento da Cruz e da Ressurreição permanece e atrai tudo à Vida»[i]

A vertente divina da obra redentora de Cristo – dar a Deus toda a glória e tornar possível que a criação possa de novo voltar a  adorar o Criador – tem um lado humano correspondente.

«Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti», recorda-nos Santo Agostinho.
Esta necessária colaboração do homem não se refere, todavia, à simples disponibilidade para ser redimido ou à simples decisão de liberdade humana de acolher a redenção oferecida por Cristo.
Estes passos são necessários mas não suficientes.
Requer-se que o homem viva a própria vida de Cristo, a vida de Deus que Cristo nos traz e nos oferece na sua Encarnação.

B)          a redenção aceite pelo homem

O homem não pode apropriar-se da Redenção e torna-la sua pela sua própria vontade ou por uma simples decisão do seu espírito.
Por outro lado Deus não impõe a Redenção ao homem de forma semelhante a como lhe impõe a vida.
Não podemos dizer que o homem está «obrigado a viver a aceitar a Redenção.
E ao mesmo tempo o homem foi criado e realiza-se plenamente ao aceitar viver a Redenção.

A Redenção não é um prémio que Deus entrega nas mãos dos homens, nem sequer é essa veste branca que autoriza a entrar sem sobressaltos no banquete nupcial.
Já vimos que a Redenção não se limita a libertar-nos externamente do pecado nem a pôr à nossa disposição um caminho, um exemplo, como um ideário de virtudes e de boas acções que tornem a nosaa pessoa mais grata a Deus: Cristo faz-nos partícipes da natureza divina, ao redimir-nos oferece-nos viver a vida de Deus.
E ao fazê-lo coloca a sua esperança em que a aceitemos e vivamos por Ele, com Ele e nele.

A Redenção que Cristo nos oferece não é portanto uma simples libertação do pecado e da morte.
É viver com Ele a sua Cruz redentora e a sua Ressurreição gloriosa para que a nossa vida na Sua e com a Sua seja redenção – co-redenção – ao mesmo tempo que nos convertemos em testemunhas da Sua Ressurreição.
É a vida de Cristo em nós o que nos faz ser gratos a Deus.

Cristo quis ser um com cada um de nós [ii] e assim converter-nos em «novas criaturas». Fazer-nos portadores dele, viver a nossa aventura humana e divina connosco e, ao mesmo tempo, manifestar-se ao mundo em cada um de nós já convertidos em «filhos de Deus em Cristo Jesus».

Como pode o homem viver a vida de Deus?

Cristo dá-nos a sua vida e uma vez recebida em nós o Espírito Santo fá-la frutificar se não pomos o obstáculo do pecado.
Cristo transmite-nos a vida divina nos Sacramentos e assim torna possível que a Sua presença pessoal na Graça comunique a cada a cada cristão a sua Redenção.
A Igreja é o garante de que esses sacramentos – o tesouro da vida de Cristo, o próprio Cristo feito vida e alimento para a nossa vida cristã – cheguem íntegros e possam ser participados por todos  os que creem em Cristo e acreditaram no Filho de Deus feito homem até ao final dos tempos.

O homem aceita pessoalmente mediante um acto de fé a Redenção que Cristo lhe oferece.
Esse acto de Fé  livre – ainda que o conteúdo desse acto de Fé naõ seja de todo claro e determinado, se o fosse não seria realmente um acto de fé – o homem vincula-se com o mistério de Deus que vislumbra em Cristo e no qual anseia viver.

O acto de fé do homem une-se ao desejo de Deus de contar de novo com a criatura feita à sua imagem e semelhança e se manifesta aberto aos planos redentores e santificadores do Senhor.
Na Fé o homem recupera toda a confiança no Criador, confiança perdida no pecado no paraíso.
E amando com a Caridade a Quem sem conhecer plenamente vislumbra na Fé aceita a nova vida que Deus lhe oferece.
Nessa aceitação Deus faz-se familiar do homem e o homem descobre em Deus o sentido de todas as suas obras: o mundo adquire um significado e todas as palavras de Deus transmitem ao homem a plenitude do sentido da sua vida.

Este breve resumo pretende ser uma visão que corresponda à estrutura constituída da vida cristã do homem, da sua história salvífica: criação, redenção, santificação.
Criação do homem, encarnação de Deus, acto redentor de Cristo (morte e ressurreição), manifestação do Espírito Santo.

A Graça enxerta-se na alma e faz germinar nas nossas faculdades humanas as virtudes teologais infusas: a Fé na inteligência, abrindo-a definitivamente à Verdade plena nesse raio de luz pelo qual se conhece a Deus, a Esperança na memória, no viver temporal histórico do homem abrindo o horizonte da perspectiva humana para a vida eterna; e a Caridade na vontade que permite ao homem amar em toda a criação a obra de Deus como Deus a ama.

Deus põe um raio do amor com o qual Ele se ama e o homem pode amar a Deus de forma semelhante a como Deus se ama a Si próprio.
A Graça engendra na vida cristã que se manifesta na Fé, na Esperança e na Caridade e que se desenvolve ao ritmo dos Dez Mandamentos vividos segundo o espírito das Bem-Aventuranças que consideraremos a seguir.

Adianto somente que na perspectiva da vida cristã que estamos seguindo temos de ver estes Mandamentos principalmente não como um conjunto de regras e de leis mas como oq verdadeiramente são: um canal pelo qual transcorre sereno e tranquilo o viver cristão no meio de conversões, de lutas e de alegrias, de quedas e de ressurreições.

A vinda de Deus à alma anunciada por Cristo: «viremos a ele e faremos nele morada» [iii] é a introdução do ser humano na vida da eternidade de Deus para a qual foi criado, da eternidade no tempo, como Cristo viveu, e ao mesmo tempo, é o cumprimento da espera no tempo para voltar a tomar posse do que desde a origem lhe pertence.

A Redenção enxerta-se na história pessoal de cada homem de tal forma que todo o interior desse enxerto perde sentido e significado.
São Paulo não cessa de o recordar em quase todas as suas cartas:

«Porque nem a circuncisão nem a incircuncisão são algo mas a nova criação» [iv]
«Porquanto se alguém está em Cristo é nova criação. O velho passou. Olhai, tudo fica renovado. E tudo é obra de Deus o qual nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação»[v]
«Ao passo que com os impulsos do Espírito Santo vos renovais na vossa mente e vos revestis do homem novo, o que é segundo Deus, criado em justiça, em verdade e em santidade»[vi]
«Não mintais uns aos outros. Despojai-vos do homem velho com as suas obras. Revesti-vos do homem novo que se vai renovando até alcançar um conhecimento perfeito segundo a imagem do seu Criador, porque não há grego e judeu, circuncisão ou incircuncisão, bárbaro, escita, escravo, liberto mas sim Cristo que é tudo e em todos».[vii]

       
(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] Catecismo n. 1085
[ii] Cfr. Gaudium et spes, 22
[iii] Jo 14, 23
[iv] Ga 6, 15
[v] 2 Co 5, 17-18
[vi] Ef 4, 23-24
[vii] Col 3, 10-11

Meditações de Maio 10

Salve Rainha

Mãe de misericórdia
Vida e doçura
Esperança nossa
A vós bradamos
Degredados filhos de Eva
A vós suspiramos
Gemendo e chorando
Neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa,

Não temos outra nem melhor, mais sábia ou disponível.

Advogada pro bono porque nada cobras ou exiges.


(ama, meditações de Maio, Salve Rainha, 2015)

Temas para meditar - 443

Santíssima Virgem




Enquanto Nosso Senhor não manifestar a Sua vontade clara e durante tempo considerável, ninguém tem o direito de se julgar chamado a provações excepcio­nais.


(thomas de saint laurent, A Virgem Maria, ISBN: 972-26-1287-5, nr. 38)

09/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 09 de Maio


Que a tua vida não seja uma vida estéril
São Josemaria – Textos
AMA - Meditações de Maio – 2015
A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 15 18-21, Ernesto Juliá Diaz
Suma Teológica - Tratado do Verbo Encarnado - Quest 26- Art 1, São Tomás de Aquino
A Virgem Nossa Senhora (Federico Suarez), Federico Suarez, Humildade
Agenda Sábado

Que a tua vida não seja uma vida estéril

Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da Terra com o fogo de Cristo que levas no coração. (Caminho, 1)

Se cedesses à tentação de perguntar a ti mesmo: quem me manda a mim meter-me nisto? teria de responder-te: manda-to, pede-to o próprio Cristo. A messe é grande e os operários são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. Não digas, comodamente: eu para isto não sirvo; para isto já há outros; não estou feito para isto... Não. Para isto não há outros. Se tu pudesses falar assim, todos podiam dizer a mesma coisa. O pedido de Cristo dirige-se a todos e cada um dos cristãos. Ninguém está dispensado: nem por razões de idade, nem de saúde, nem de ocupação. Não há desculpas de nenhum género. Ou produzimos frutos de apostolado ou a nossa fé será estéril.


Além disso, quem disse que para falar de Cristo, para difundir a sua doutrina, era preciso fazer coisas especiais, fora do comum? Faz a tua vida normal; trabalha onde estás a trabalhar, procurando cumprir os deveres do teu estado, acabar bem o que é próprio da tua profissão ou do teu ofício, superando-te, melhorando-te dia-a-dia. Sê leal, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo. Sê mortificado e alegre. Será esse o teu apostolado. E, sem saberes porquê, tendo perfeita consciência das tuas misérias, os que te rodeiam virão ter contigo e, numa conversa natural, simples – à saída do trabalho, numa reunião familiar, no autocarro, ao dar um passeio, em qualquer parte – falareis de inquietações que em todas as almas existem, embora às vezes alguns não queiram dar por isso. Mas cada vez as perceberão melhor, desde que comecem a procurar Deus a sério. (Amigos de Deus, 272–273)