27/06/2014

Evangelho diário, comentário e leitura espiritual (A paz na familia 8)

Tempo comum XII Semana


Evangelho: Mt 11, 25-30

25 Então Jesus, falando novamente, disse: «Eu Te louvo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 27 «Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

Fatigados das lutas diárias, que, para muitos, são a própria sobrevivência. Das querelas familiares, com os pais, com os filhos, por vezes extremando posições e tomando atitudes que magoam profundamente. Fatigados com a nossa luta pessoal contra os defeitos e misérias que persistem em machucar-nos.

Oprimidos por tantos que nos desconsideram por motivos sem razão nenhuma, porque mantemos uma firme disposição em comportar-nos como filhos de Deus, pela nossa intransigência na defesa da Fé.

Aí está Jesus Cristo, esperando-nos de braços abertos para nos consolar e incutir ânimo e coragem.

(AMA, comentário, Mt 11, 25-30, Carvide, 2012.11.02)

Leitura espiritual





Temas

A PAZ NA FAMÍLIA
…/8

O SERVIDOR DE TODOS

Com estas palavras – ser o servidor de todos –, Cristo procurou reiteradamente curar o egoísmo e a ambição dos seus Apóstolos. Várias vezes, o Evangelho nos apresenta aqueles homens bons e rudes, que Jesus chamou e que ia formando pacientemente junto de Si, a discutir sobre qual deles seria o maior. Em todas essas ocasiões, Jesus deu-lhes uma resposta “radical”: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servidor de todos (Mc 9, 34-35). E aproveitou para recordar-lhes que esse era justamente o caminho que Ele quis seguir: O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvação de muitos (Mt 20, 28).

Como seria delicioso um lar em que todos estivessem dispostos a servir uns aos outros; mais ainda, em que competissem uns com os outros, para ver quem serve mais e melhor. Seria o império da paz e da alegria. Porque é evidente que quem serve, quem deseja servir, não se lembra de reclamar e, em consequência, está pouco predisposto a brigar ou a descambar para o mau-humor.

Grande parte das queixas que há no lar obedecem ao desejo de “sermos servidos”.

Pensamos, amargurados, que se esqueceram de nós; que não nos dão atenção; que não nos tratam com carinho; que não preparam a comida de que gostamos; que têm a rara habilidade de mudar de canal de televisão quando estamos assistindo ao nosso programa preferido...
Em suma, não nos “servem” o que achamos justo receber.

Quem tem espírito de serviço, sem cair na conivência com a desordem, reclama pouco e faz muito. E o que faz – se realmente é humilde – possui as seguintes características:
– É um serviço feito com alegria. Uma pessoa que serve resmungando, como se fosse um mártir condenado a trabalhos forçados, torna o seu serviço desagradável e deixa o ambiente rarefeito. É natural que os outros, enervados – por exemplo – pela mulher que reclama do trabalho que lhe dão, ou pelo marido que resmunga, ou pelos protestos dos filhos ante o menor pedido de ajuda, tenham vontade de gritar: “Pára com isso! Prefiro eu fazer tudo a estar tendo que aturar tanta reclamação!”
– Depois, é um serviço feito com elegância, isto é, sem lhe dar importância. Como é desagradável a pessoa que serve e, depois, fica cobrando os serviços prestados: “Eu fiz muito mais do que deveria fazer; chega, agora façam vocês”, “Eu passo o dia dando duro e vocês – os filhos –, na maior gandaia”. “Eu já fui ontem comprar pão, agora que vá a minha irmã”... Cristo, pelo contrário, ensina-nos de modo explícito que, depois de termos feito tudo, devemos dizer, sem nenhuma vaidade: Não fizemos mais que o que devíamos fazer (cf. Lc 17, 10).
– Finalmente, é um espírito de serviço que sabe adiantar-se. Muitos servem, realizam serviços, mas puxados sempre pelos outros: pelo que os outros pedem ou mandam.
Deles próprios, não parte iniciativa nenhuma.
Quando temos espírito de serviço, o coração e a mente estão vigilantes, e fazemos o que dizia São Paulo: Adiantai-vos em honrar uns aos outros (Rom 12, 10). Adiantamo-nos, fazemos as coisas antes que os outros as tenham que fazer, poupamo-los com carinho.
Como é agradável o ambiente de uma casa onde a mulher, que anda fatigada, descobre com surpresa que, sem dizer nada, a filha de treze anos se levantou um pouco antes da hora e está preparando o café; ou que o menino, sabendo que a empregada foi embora, arrumou ele sozinho – milagre! – a sua cama; ou que vê aparecer o marido na cozinha, a cantarolar “Romaria” (“Sou caipira, Pirapora...”), pondo-se de repente a lavar a louça! Isso é uma bênção de paz para o lar.

UM CORTEJO DE VIRTUDES AMÁVEIS

Voltando ao texto de São Paulo, depois da humildade, mencionam-se outras virtudes: primeiro, uma virtude que tanto pode traduzir-se por doçura como por mansidão; e, depois, a virtude da paciência.
Como é natural, São Paulo não pretende fazer aí um tratado exaustivo: não afirma que as virtudes que enumera sejam “todas” as virtudes que contribuem para a paz. Mas, sem dúvida, todas elas estão relacionadas com a paz e, por isso, servem-nos muito bem de pauta.
Doçura, paciência, serenidade, mansidão. Só de ouvirmos estas palavras, parece que a paz já se derrama na nossa alma.
Há pessoas que, por estarem perto de Deus, difundem em todos os que as cercam uma paz serena. Bem dispostas, pacientes, suaves nos modos, são, ao mesmo tempo, gentis e cheias de delicadezas. Junto delas, experimentamos uma sensação de bem-estar parecida com a que nos envolve ao contemplarmos um suave e lento entardecer no campo.
Sem as virtudes amáveis, a vida torna-se dura, áspera, cheia de atritos. Na verdade, qual é a fonte mais comum das palavras, dos olhares e dos gestos desagradáveis? Sem dúvida, a irritabilidade e a impaciência não controladas. Ninguém tem vontade de chegar a uma casa em que a mulher grita e se impacienta por qualquer contrariedade; ou em que o pai está sempre esbravejando, furioso, e bronqueando a todos.
Em compensação, quando o marido ou a mulher possuem as virtudes amáveis de que estamos falando, os dois têm ânsias de chegar a casa, cada um sente uma pontada de vazio quando o outro está ausente, e experimenta um sobressalto de alegria quando percebe que está voltando para o lar.
Os médicos falam do sinal “patognomónico” que, como explica o dicionário, é o sintoma característico de uma doença. O professor de psiquiatria e escritor J.A. Vallejo - Nágera comentava, a este respeito, numa entrevista autobiográfica: “O sinal patognomónico de que um casamento funciona bem é o barulhinho da chave na fechadura da porta da casa.
Eu estava acostumado a chegar a casa e a que a Viky [a esposa] estivesse à minha espera.
Se, por um motivo qualquer, não estava, eu sentia um vazio, um oco. Diria até que notava o som do vazio. Quando, passado um tempo, ouvia o elevador e, depois, o barulho da chave sendo introduzida na fechadura, e sentia que o meu coração se alegrava, ficava certo de que o meu casamento funcionava. Tenho praticado muito no meu consultório o teste da chave, como eu o chamo, com pacientes que têm problemas matrimoniais” 18.

MAIS VIRTUDES AMÁVEIS

Virtudes amáveis criam vida amável. Páginas atrás, mencionávamos a resposta daquele velho amigo que acabava de celebrar as Bodas de Ouro, à pergunta sobre o que, na opinião dele, mais tinha contribuído para a paz familiar. – “A educação”, respondeu.

Os detalhes de educação, as gentilezas, as delicadezas sorridentes, não são só para praticar fora de casa, com os estranhos, nem são coisas ultrapassadas pelo à-vontade moderno (que é tão antigo como a mais velha grosseria). Não sei por quê, mas parece que basta atravessar a porta do lar para que se afrouxem e se soltem todas as normas da educação.

Vem-me agora à memória um facto recente, nada exemplar. Falava-me alguém, com tristeza, de um casal que se tratava de maneira rude e grosseira. Num daqueles dias, após uma briga com troca de insultos, em que a mulher chamou o marido de “cavalo”, acabou gritando-lhe, quando ele estava saindo de casa:
– “Não se esqueça de levar a ferradura!”
E ele retrucou, no mesmo nível:
– “Não, vou deixá-la aqui mesmo. Com certeza você vai precisar muito dela”.
Diálogos desse teor – e bem mais cavalares e chulos –, infelizmente, não são infrequentes nos lares.
Sabemos dizer “Por favor”? Sabemos ceder o melhor lugar na sala para assistir à televisão? Sabemos escolher o pior pedaço nas refeições? Sabemos apressar-nos no banho, para não fazer esperar outros? Sabemos agradecer, dizendo “Obrigado, muito obrigado, já percebi que você se lembrou de me comprar tal coisa”? Sabe o marido dizer, com um brilho sincero nos olhos: “Você está linda com esse vestido novo”, “Você prepara o melhor vatapá do Brasil”, “O que seria desta casa sem você?” Sabe ela “esperar” o marido, não para despejar-lhe em cima a carga elétrica acumulada durante o dia, mas para cumulá-lo de pequenas atenções?
Para os maridos, concretamente, parece-me interessante transcrever um caso narrado, com estilo de ficha médica, por outro psiquiatra:
“Ele tem vinte e nove anos e ela vinte e quatro. Classe média. Têm pouco mais de dois anos de casados, e já um ano depois de morarem juntos começaram fortes tensões entre os dois, com momentos muito difíceis. Numa dessas ocasiões, ela foi para a casa dos pais e voltou poucos dias depois. Têm um filho”.
O médico pede à jovem esposa que faça uma lista das coisas de que sente mais falta, e ela indica os seguintes pontos:
“1. Que, durante o café da manhã, fale comigo e não se dedique a ler o jornal sem me dizer nada; que me conte o que vai fazer nesse dia, ainda que ache que não é importante.
“2. Que me beije ao sair de casa e ao voltar.
“3. Que diga alguma coisa agradável sobre a minha apresentação: «Hoje você está linda», «como lhe fica bem essa blusa» ou alguma coisa simpática e bem humorada..., como costumava fazer no namoro.
“4. Que me pergunte como foi o meu dia, o que fiz, como me sinto.
“5. Que não se mostre mais carinhoso só quando quer ter relações íntimas comigo.
Isso é uma coisa que me revolta.
“6. Que «perca o tempo» com seu o filho quando chega do serviço, e não se feche no quarto com os seus papéis.
“7. Que colabore em algumas pequenas tarefas da casa: preparar a mesa, trazer os guardanapos, tirar as pedras de gelo da geladeira, etc.
“8. Que, nos dias «especiais», me leve a jantar fora, como fazíamos quando namorávamos ou logo depois de casados; e que se arrume e não vá com a mesma roupa com que esteve trabalhando” 19.
Também os maridos poderiam fazer listas análogas. E os filhos. E os pais. E todos eles deveriam lembrar-se de que existe um ato, um gesto precioso e insubstituível, que torna cálidas e luminosas todas as amabilidades e serviços: o sorriso.

CARAS SORRIDENTES

“Não esqueças – dizia Mons. Escrivá – que, às vezes, faz-nos falta ter ao lado caras sorridentes” 20. Ele o recomendava, e – sou testemunha disso – praticava-o em favor dos outros todos os dias e a todas as horas. Costumava dizer – por experiência própria – que, em muitas ocasiões, “sorrir é a melhor mortificação”, pois com ela prestamos um grande serviço, tornando a vida mais amável e alegre aos que convivem conosco.
É estranho, mas alguns pensam que sorrir sem ter vontade é hipocrisia. Não é verdade. Fazer o esforço de sorrir para evitar preocupações, angústias, tormentas ou cerração no lar é um grande ato de amor. O sorriso dissipa nuvens, desarma irritações, abre uma nesga de céu por onde entra o sol da alegria. Por isso, deve-se lutar esforçadamente para não privar desse bem os outros. Sorrir não é só uma reação espontânea, uma atitude “natural” incontrolável; pode – deve, muitas vezes – ser um ato voluntário de amor, praticado com esforço consciente, pensando no bem dos outros.

A este propósito, gosto de recordar um cartão de Boas-Festas que um padre amigo me mandou em fins de 1992. Era uma folha de papel simples, xerocada na paróquia, e trazia uma espécie de poema. Não sei se era da autoria dele, ou se o tomara emprestado de alguma publicação. Seja como for, o conteúdo era extremamente simpático. Debaixo do cabeçalho – Um sorriso –, vinham as seguintes frases: – “Não custa nada e rende muito.
– “Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá.
– “Dura somente um instante, mas os seus efeitos perduram para sempre.
– “Ninguém é tão rico que dele não precise.
– “Ninguém é tão pobre que não o possa dar a todos.
– “Leva a felicidade a todos e a toda a parte.
– “É símbolo da amizade, da boa vontade, é alento para os desanimados, repouso para os cansados, raio de sol para os tristes, ressurreição para os desesperados.
– “Não se compra nem se empresta.
– “Nenhuma moeda do mundo pode pagar o seu valor.
– “Não há ninguém que precise tanto de um sorriso como aquele que já não sabe sorrir.
– “Quando você nasceu, todos sorriram, só você é que chorava. Viva de tal maneira que, quando você morrer, todos chorem e só você sorria”.
Como vemos, doçura, mansidão, paciência, educação, gentileza, sorriso..., são fontes de paz no lar. Não haverá outras “virtudes amáveis” que também colaborem para a paz? Há muitas, com certeza. Por exemplo, uma virtude que poucos relacionam com o nosso tema: a virtude da ordem. Torna-se mais fácil a paz num lar em que, sem esquemas excessivamente rígidos, existe ordem material, pontualidade, previdência e ordem nos horários. O ambiente de ordem facilita a tranquilidade e elimina muita confusão e agitação. Todos temos a experiência de que a desordem e o desmazelo – como lembrávamos antes – criam inquietações e mal-estar.

Outro exemplo de virtude amável: a confiança em Deus. Perante os problemas, sofrimentos e incertezas que sempre pairam ameaçadoramente sobre a vida familiar, a pessoa que não confia em Deus sente-se insegura, angustia-se e transmite aos outros essa sua intranquilidade. Se soubesse confiar em Deus, manter-se-ia serena e difundiria segurança à sua volta.

Poderíamos pensar ainda na virtude da afabilidade, na importância de cultivar o bom humor, no esforço por comentar o lado positivo das coisas, na necessidade de evitar apreciações apocalípticas sobre a vida, e em tantas outras manifestações de virtudes, que contribuem poderosamente para a paz no lar. Mas, como não é o caso de prosseguir até ao infinito, teremos que encerrar estes comentários por aqui... Deixaremos apenas estas reticências, para que o leitor as preencha com as suas belas experiências de paz familiar.
Em todo o caso, de tudo o que – sem pretensões de esgotar o tema [1]
– foi comentado nestas páginas, talvez possa ficar-lhe, com a ajuda de Deus, uma linha de rumo, uma diretriz para a consciência cristã: a certeza de que a paz só morre nas mãos do egoísmo, só é destruída pela falta de virtudes pessoais; e, ao mesmo tempo, a convicção de que a paz – em quaisquer circunstâncias – só é edificada e garantida pelo amor abnegado e pelas amáveis virtudes que Cristo nos ensinou.

FRANCISCO FAUS, [i] QUADRANTE, São Paulo, 1997

Copyright © 1997 QUADRANTE, Sociedade de Publicações Culturais





[1] Sobre o tema das virtudes na vida do lar, vale a pena ler também as obras de Georges Chevrot, As pequenas virtudes do lar, 4a ed., Quadrante, São Paulo, 1990, e O Evangelho no lar, Quadrante, São Paulo, 1992.




[i] Francisco Faus é licenciado em Direito pela Universidade de Barcelona e Doutor em Direito Canónico pela Universidade de São Tomás de Aquino de Roma. Ordenado sacerdote em 1955, reside em São Paulo, onde exerce uma intensa atividade de atenção espiritual entre estudantes universitários e profissionais. Autor de diversas obras literárias, algumas delas premiadas, já publicou na coleção Temas Cristãos, os títulos O valor das dificuldades, O homem bom, Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens, A língua, A paciência e A voz da consciência.
_________________________________________
NOTAS:
 (18) J.A. Vallejo-Nágera e J.L. Olaizola, La puerta de la esperanza, Rialp-Planeta, 21a. ed., Barcelona, 1992, pág. 141;
(19) Enrique Rojas, op. cit., págs. 217-218;
(20) Sulco, n. 57.

26/06/2014

Reflectindo - 26

      Reflectindo

Pequenez

O sofrimento humano é um mistério enorme e, diria eu, complicadíssimo de entender (se é que se pode entender...!); de facto, à natureza humana, repugna o sofrimento, seja ele qual for.

É, diria, "anti-natural".

Porquê, então, Deus permite algo assim... "anti-natural"?

Quem sou eu para tentar responder e, portanto, não o faço.
Limito-me, no meu nada, a ficar abismado ante tantas pessoas que sofrem, algumas terrível e dolorosamente, e a única reacção visível é um sorriso que procura, não poucas vezes, esconder o esgar de dor.
E não posso deixar de pensar na pequenez da minha vida, confortável e "normal" se a comparo com a "grandeza" dessas vidas de sofrimento e dor!
E sinto uma vergonha imensa de me queixar tantas vezes... ai! tantas vezes!... que não tenho isto; que me falta aquilo; que ando com uma dor de cabeça; que me incomodam os joelhos; que as costas me achacam...coisas de nada, que toda a gente tem.
Fico-me a pensar que, Deus, na Sua Infinita Sabedoria, deve achar que eu mereço sofrer, porque se me queixo por tão pouco, o que não seria se sofresse a sério?

(AMA, reflexões, 2004)


Temas para meditar 157

Imitar Cristo

Quisera sentir o que sentes, mas não é possível. A Tua sensibilidade - eras perfeito homem - é muito mais aguda que a minha. A Teu lado comprovo, uma vez mais, que não sei sofrer. Por isso me assusta a Tua capacidade de dar tudo sem reservas.
Jesus, necessito dizer-te que sou cobarde, muito cobarde. Mas ao contemplar-te cravado já no madeiro “sofrendo quanto se possa sofrer, com os braços estendidos nesse gesto de sacerdote eterno“ (cf. S. Josemaria, Santo Rosário, 5º Mistério Doloroso ), vou pedir-te uma loucura: quero imitar-te, Senhor. Quero entregar-me de uma vez, de verdade, e estar disposto a chegar até onde Tu me leves. Sei que é uma petição muito acima das minhas forças. Mas sei, Jesus, que Te quero.

(m. montenegroVia crucis, trad ama)

Apresentação de Migalhas para o Caminho


Lançamento de livro - Convite

Rev. Cónego António Ferreira dos Santos
Reitor da Igreja da Lapa
Igreja da Lapa (Porto)
Altar Mor




                                                                                                          

A formosura da santa pureza

Não se pode levar uma vida limpa sem a ajuda divina. Deus quer a nossa humildade, quer que lhe peçamos a sua ajuda, através da nossa Mãe e sua Mãe. Tens que dizer a Nossa Senhora, agora mesmo, na solidão acompanhada do teu coração, falando sem ruído de palavras: – Minha Mãe, este meu pobre coração rebela-se algumas vezes... Mas se Tu me ajudares... E ajudar-te-á, para que o conserves limpo e continues pelo caminho a que Deus te chamou: Nossa Senhora facilitar-te-á sempre o cumprimento da Vontade de Deus (Forja, 315)

Devemos ser o mais limpos possível em relação ao corpo, mas sem medo, porque o sexo, é algo santo e nobre – participação no poder criador de Deus–, foi feito para o matrimónio. Assim, limpos e sem medo, dareis com a vossa conduta o testemunho da viabilidade e da formosura da santa pureza. (…)


Cuidai com esmero da castidade e também das virtudes que a acompanham e a salvaguardam: a modéstia e o pudor. Não olheis com ligeireza as normas, tão eficazes, que nos ajudam a conservarmo-nos dignos do olhar de Deus: a guarda atenta dos sentidos e do coração; a valentia de ser cobarde para fugir das tentações; a frequência dos sacramentos, especialmente da Confissão sacramental; a sinceridade total na direcção espiritual pessoal; a dor, a contrição e a reparação depois das faltas. E tudo isto ungido com uma terna devoção a Nossa Senhora, de modo que ela nos obtenha de Deus o dom de uma vida limpa e santa. (Amigos de Deus, 185)

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira






(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?



Tratado da lei 35

Questão 98: Da lei antiga.

Art. 3 — Se a lei antiga foi dada pelos anjos, ou imediatamente por Deus.

(In Isaiam, cap. VI; Ad Galat., cap. III, lect. VII; Ad. Coloss., cap. II, lect. IV; Ad Hebr., cap. II, lect. I).

Parece que a lei antiga não foi dada pelos anjos, mas imediatamente por Deus.

1. — Pois, anjo significando núncio, esse nome implica um ministério e não domínio, conforme a Escritura (Sl 102, 20-21): Bendizei ao Senhor, todos os seus anjos. Ora, a mesma Escritura diz, que a lei antiga foi dada pelo Senhor (Ex 33, 11): Falou o Senhor todas estas palavras; e acrescenta: Eu sou o Senhor teu Deus. E o mesmo modo de falar é frequentemente repetido no Êxodo e nos livros seguintes da lei. Logo, a lei foi imediatamente dada por Deus.

2. Demais. — A Escritura diz (Jo 1, 17): A lei foi dada por Moisés. Ora, este a recebeu de Deus, imediatamente, conforme ainda a Escritura (Ex 33, 11): O Senhor falava a Moisés cara a cara, bem como um homem costuma falar ao seu amigo. Logo, a lei antiga foi imediatamente dada por Deus.

3. Demais. — Só o chefe pode legislar, como se disse (q. 90, a. 3). Ora, só Deus é o chefe, no atinente à salvação das almas; os anjos são apenas espíritos administradores, como diz a Escritura (Heb 1, 14). Logo, a lei antiga não devia ser dada pelos anjos, pois se ordenava à salvação das almas.

Mas, em contrário, diz o Apóstolo (Gl 3, 19): a lei foi dada pelos anjos na mão dum Mediador; e ainda (At 7, 53): recebestes a lei por ministério dos anjos.

A lei foi dada por Deus, por meio dos anjos. E além da razão geral assinalada por Dionísio, que as coisas divinas devem ser transmitidas aos homens por meio dos anjos, há uma razão especial pela qual era necessário que a lei antiga fosse dada por meio deles. Pois, como já dissemos (a. 1, a. 2), a lei antiga era imperfeita, mas dispunha para a salvação perfeita do género humano, que haveria de vir de Cristo. Ora, vemos que em todas as faculdades e artes ordenadas, o superior pratica por si mesma o acto principal e perfeito, e, pelos seus ministros, os disponentes à perfeição última. Assim, o construtor de um navio o compõe por si mesmo; mas prepara o material diante artífices, trabalhando sob as suas ordens. Por isso foi conveniente a lei perfeita do Novo Testamento ter sido dada imediatamente pelo próprio Deus; e que a lei antiga fosse dada aos homens pelos ministros de Deus, i. é, pelos anjos. E deste modo o Apóstolo mostra a eminência da lei nova sobre a antiga; porque, no Novo Testamento, Deus nos falou pelo Filho; ao passo que, no antigo, falou pelos anjos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Como diz Gregório, o anjo que se descreve como tendo aparecido a Moisés, é tido, ora, como anjo, ora, como o Senhor. Anjo porque, falando, exteriormente, servia; Senhor, por outro lado, porque, presidindo interiormente, dava eficácia à linguagem. E por isso, também o anjo representava a pessoa de Deus.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Como explica Agostinho, o Êxodo diz: O Senhor falava a Moisés cara a cara; e pouco depois, acrescenta: Mostra­me a tua glória. Logo, sentia o que via e desejava o que não via. Logo, não via a própria essência de Deus, e portanto não era instruído imediatamente por ela. Donde, o dito da Escritura — falava com ele cara a cara — é de acordo com a opinião do povo, que pensava que Moisés falava cara a cara com Deus, por Deus lhe aparecer e falar-lhe por meio de uma sua criatura, como o anjo e a nuvem. Ou, por essa visão da face se entende uma certa contemplação eminente e familiar, inferior à essência da visão divina.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Só o chefe pode, por sua autoridade, instituir a lei; mas às vezes promulga instituída por outros. Assim, Deus institui a lei por sua autoridade, mas promulgou-a pelos anjos.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Evangelho diário, comentário e leitura espiritual (A paz na familia 7)


Tempo comum XII Semana

São Josemaria Escrivá

Evangelho: Mt 7, 21-29

21 «Nem todo o que Me diz: “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos Céus, mas só o que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus. 22 Muitos Me dirão naquele dia: “Senhor, Senhor, não profetizámos nós em Teu nome, e em Teu nome expulsámos os demónios, e em Teu nome fizemos muitos milagres?”. 23 E então Eu lhes direi bem alto: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade”. 24 «Todo aquele, pois, que ouve estas Minhas palavras e as observa será semelhante ao homem prudente que edificou a sua casa sobre rocha. 25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram e investiram os ventos contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava fundada sobre rocha. 26 Todo aquele que ouve estas Minhas palavras e não as pratica será semelhante a um homem insensato que edificou a sua casa sobre areia. 27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram e investiram os ventos contra aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína». 28 Quando Jesus acabou estes discursos, estavam as multidões admiradas com a Sua doutrina, 29 porque os ensinava como quem tinha autoridade, e não como os seus escribas.


Comentário:


Atentemos neste texto – que pode parecer controverso – e veremos com meridiana clareza o que se passa em tantas partes do mundo, talvez hoje mais que nunca, com pessoas, organizações e grupos que fazem e actuam em nome de Cristo quando, na verdade, o que pretendem, na maior parte dos casos, é encontrar uma “forma de ganhar a vida” à custa de outros. Procuram os incautos, pouco cultos ou formação, para inculcarem as suas ideias dando aos que os ouvem e seguem uma falsa impressão de que actuam com autoridade concedida por Deus e, não poucas vezes, até com poderes extraordinários.


Na terra, esta terra em que vivemos, existe uma única entidade que pode actuar em nome de Jesus Cristo: A Santa Igreja Católica Apostólica Romana que Ele próprio instituiu e cuja cabeça visível é o Papa.

(ama, comentário sobre Mt 7, 21-29, 2013.12.05)


Leitura espiritual



Temas

A PAZ NA FAMÍLIA
…/7

O CUME DA MISERICÓRDIA

O cume da misericórdia, como ensina Cristo, é o perdão. Mas, na vida em família, o perdão, muitas vezes é o cúmulo da dificuldade. Como custa perdoar no lar! E, no entanto, é muito mais daninho para a paz familiar guardar rancores, curtir ressentimentos e andar com revides, do que explodir momentaneamente, dando vazão à ira, ao grito e ao sopapo.

Creio que todos nós experimentamos um estremecimento quando encaramos de frente duas declarações de Cristo:

– depois de ensinar-nos a rezar: perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, Jesus acrescenta: Mas, se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará (Mt 6, 12.15).

Já imaginamos o que seria, para nós, o dia do Juízo, se Deus nos perdoasse só como nós perdoamos os outros?

– o segundo ensinamento deixa-nos pensativos e um tanto perturbados.

Repetindo de certa forma o anterior, introduz um novo matiz. Cristo acaba de narrar a parábola do servo cruel, que tendo sido perdoado de uma grande dívida pelo seu senhor, não perdoa um companheiro que lhe deve uma insignificância. O senhor do servo castiga-o severamente e, como moral da parábola, Cristo conclui: Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um não perdoar a seu irmão de todo o coração (Mt 18, 35).

Há pessoas que parecem ter no coração um computador com capacidade de muitos gigas, em cuja memória se vão guardando todas as mágoas, perfeitamente contabilizadas:
“Não se lembrou do meu aniversário”,
“Faz dez anos que não me traz flores nem bombons”,
“Ela não aceitou a minha explicação «verdadeira» sobre os meus atrasos à noite e acusa-me de infidelidade”,
“Quando éramos namorados, no dia tantos de tantos de mil novecentos e tantos, às dezoito e trinta e cinco horas, na esquina das ruas tal e qual, ele me ofendeu dizendo xis ou ípsilon”,
“Ela passa o dia na casa da sua mãe, como se não tivesse marido e filhos”,
“Ele não quis ir ao casamento do meu sobrinho, sabendo que magoava toda a minha família”,
“Você disse isso porque meus pais são pobres”, e assim por diante.

Basta que qualquer faísca provoque uma irritação, basta uma má interpretação, uma crítica, uma zombaria ou um protesto, para que a pessoa que se sente ofendida “clique” no seu computador invisível e apareça no vídeo o arquivo dos “agravos”, com uma lista interminável.
Essa enxurrada de reminiscências negativas cai então como um raio sobre o outro, reacende a fogueira das acusações mútuas e aumenta o círculo vicioso dos rancores e das recriminações.
Adeus à paz!

São Paulo sabia bem de que massa estamos feitos e, por isso, pensando no amor que gera a paz, dizia, como víamos acima:
Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se um tiver contra outro motivo de queixa. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós (Ef 3, 13).

Como são importantes os pequenos perdões no lar!

Esforcemo-nos, pelo menos, por calar-nos: não retruquemos, não firamos sensibilidades.
Façamos um propósito espiritual altamente recomendável:
“Nas discussões, lá em casa, eu faço questão de dizer a penúltima palavra”.
Quem se obstina em dizer a última, inevitavelmente atiça a chama da discussão.

Mas calar-se não é carneirismo?
Será que tenho que aceitar todas as injustiças e humilhações?

Não.

Às vezes, pode-se – e deve-se – cortar energicamente e na hora um despropósito, mas não há necessidade de cair numa interminável discussão, nem de ficar remoendo horas e dias.

Outras vezes, convirá calar e esperar, e mais tarde, tentar um diálogo sereno e esclarecedor ou fazer uma correção tranquila; em outras ocasiões, nada facilitará tanto o arrependimento do outro como mostrar-lhe – sem humilhá-lo – grandeza de alma.
Uma pessoa ofendida que trata bem, com coração magnânimo, aquele que o ofendeu, é moralmente “superior”, não pelo orgulho, mas pela bondade. Com isso, desarma o agressor, que pode perceber a sua tola mesquinhez em contraste com esse amor maior.

PERDOAR DE TODO O CORAÇÃO

“Certo – pode dizer alguém –, eu perdoo, gostaria de perdoar, mas não consigo esquecer.
Portanto, o meu perdão não vale nada, pois Cristo manda perdoar de todo o coração”.

Quantos não sofrem, angustiados, por essa incapacidade que têm de esquecer mágoas e ofensas!
“Eu tento – dizem –, eu quereria esquecer, eu me esforço, mas continuo lembrando-me e, de cada vez que lembro, vem-me aquela fervura, sinto raiva, sinto antipatia, não agüento ver a pessoa na minha frente”.

Deus não nos pede impossíveis, e mudar sentimentos involuntários, muitas vezes, é um impossível.
Então, o que é que Deus pede quando nos fala de perdoar de todo o coração? Com muita clareza no-lo diz o Catecismo da Igreja Católica:
 “Não está em nosso poder não mais sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo transforma a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão” (n. 2843).

É um jato de luz e um conforto, porque é algo que uma pessoa de boa vontade sempre pode fazer.

Primeiro, transformar “a ferida em compaixão”.
Não, naturalmente, na compaixão que despreza, olhando o “coitado” de cima para baixo.
Mas na compaixão verdadeira que, sabendo passar por alto a mágoa pessoal – ainda que essa continue como um sentimento que não conseguimos eliminar –, percebe que a atitude errada do outro é uma ferida que ele próprio infligiu a si mesmo.
Como é lógico, a “compaixão” vivida conscientemente – com autêntico esforço de compreensão – deixa cada vez menos espaço no nosso coração para o rancor.

Depois, o Catecismo fala de “purificar a memória, transformando a ofensa em intercessão”, isto é, em oração, pedindo a Deus por aquele que nos ofendeu.
Esse é exactamente o ensinamento de Cristo: Orai pelos que vos maltratam e perseguem (Mt 5, 44).

Todos nos comovemos quando lemos as histórias dos mártires que, a exemplo de Cristo, rezavam fervorosamente pelos seus algozes. Mas, por que achamos que isso não é conosco?

A esposa, o marido, os filhos, podem ser difíceis, mas não são – normalmente – os nossos algozes.
Quantas vezes rezamos por eles?
Mais concretamente, lembramo-nos de rezar por eles – depois do primeiro sufoco, mesmo que o ânimo continue a ferver – todas as vezes que nos ofendem ou nos tratam com desconsideração?
Será que isso nos parece esquisito ou impossível?
Seria uma pena se fosse assim, porque é um ponto básico do espírito cristão.
É preciso decidir-nos a lutar por vivê-lo.

NÃO APENAS ESQUECER, MAS ESQUECER-SE

E agora vejamos a humildade.

É mais uma virtude que São Paulo cita como arma de paz, e não poderia deixar de ser assim, uma vez que, como vimos acima, o orgulho é o principal inimigo da paz.

Há uma manifestação de humildade que deveríamos pedir insistentemente a Deus, pois favorece a paz: é a graça de não sermos suscetíveis.
O orgulhoso é muito sensível, é desconfiado, magoa-se por tudo e por nada.
Têm que se medir as palavras para falar com ele: – “Cuidado com o que dizes, cuidado com o modo de olhá-lo, porque pode interpretar mal!”

“A maioria dos conflitos em que se debate a vida interior de muita gente – dizia Mons. Escrivá – é fabricada pela imaginação: é que disseram..., é que podem pensar..., é que não me consideram... E essa pobre alma sofre, pela sua triste fatuidade, com suspeitas que não são reais. Nessa aventura infeliz, a sua amargura é contínua, e procura produzir desassossego nos outros: porque não sabe ser humilde, porque não aprendeu a esquecer-se de si própria para se dar generosamente ao serviço dos outros por amor a Deus” 16.

Nestas palavras, ao lado do diagnóstico da susceptibilidade, indicam-se os dois principais remédios: aprender a esquecer-nos de nós mesmos; e dar-nos generosamente ao serviço dos outros.
São dois aspectos da humildade que têm a maior relevância para a paz familiar.

Faz alguns anos, veio-me às mãos, não sei dizer como, o texto de uma mensagem que a rainha Fabíola dirigiu ao povo belga por ocasião dos trinta anos do seu casamento com o rei Balduíno.
A data era de 15 de Dezembro de 1990 e o texto da mensagem era o seguinte:
“Eu vos direi, simplesmente, que estes têm sido anos de felicidade, devido em grande parte à gentileza do meu marido, às suas atenções, a um constante esquecimento de si mesmo que jamais ficou desmentido. Ele tem para comigo uma paciência a toda a prova: foi a paciência que permitiu ao nosso amor crescer e expandir-se. Esse esquecimento de si, em favor do outro, é a verdadeira chave do casamento”.

Esquecer-se: palavra maravilhosa.

São Paulo aplica-a a Cristo, dizendo que se esqueceu de si, que se aniquilou a si mesmo, assumindo a condição de servo... (Fil 2, 7).
O esquecimento é a face oculta do amor, aquilo que nos facilita amar libertos da carga do “eu”.

Assim o fez Cristo: esqueceu-se de Si até fazer-se “nada” – aniquilando-se –, para dar-se totalmente a nós. E dEle, entregue e esquecido, afirmará São Paulo que é a nossa paz (Ef 2, 14).

Em que pensamos habitualmente?
Em quem pensamos?
Já é hora de deixar de preocupar-nos tanto por nós mesmos, de deixar de avaliar tudo o que os outros fazem – “é bom, é ruim” – pelos reflexos que projeta no espelho do nosso “eu”.

Somente quem se esquece humildemente de si é capaz de se doar.

“Oxalá te habitues a ocupar-te diariamente dos outros, com tanta entrega que te esqueças de que existes!” 17

(cont.)
________________________________________
Notas:
(16) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, Quadrante, São Paulo, 1979, n. 101;
(17) Josemaría Escrivá, Sulco, Quadrante, São Paulo, 1987, n. 947;






25/06/2014

Temas para meditar 156

Confiança em Deus


Se tendes confiança n'Ele e ânimos corajosos, de que Sua Majestade é muito amigo, não tenhais medo que vos falte nada.



(Stª. teresa de jesus, Fundaciones, 27 12, trad ama)

Apresentação de Migalhas para o Caminho



Lançamento de livro - Convite

Rev. Cónego António Ferreira dos Santos
Reitor da Igreja da Lapa
Igreja da Lapa (Porto)
Altar Mor




                                                                                                          

Senhor, com o teu auxílio lutarei

O canto humilde e gozoso de Maria, no "Magnificat", recorda-nos a infinita generosidade de Nosso Senhor com os que se fazem como crianças, com os que se abaixam e sabem sinceramente que não são nada. (Forja, 608)

Não esqueçais que santo não é o que não cai, mas o que se levanta sempre, com humildade e com santa persistência. Se no livro dos Provérbios se comenta que o justo cai sete vezes ao dia, tu e eu – pobres criaturas – não nos devemos estranhar nem desalentar perante as misérias pessoais, perante os nossos tropeços, porque continuaremos em frente, se procurarmos a fortaleza n'Aquele que nos prometeu: Vinde a mim todos os que andais cansados e oprimidos, que eu vos aliviarei. Obrigado, Senhor, quia tu es, Deus, fortitudo mea, porque foste sempre Tu, e só Tu, meu Deus, a minha fortaleza, o meu refúgio, o meu apoio.


Se verdadeiramente desejas progredir na vida interior, sê humilde. Recorre constantemente, confiadamente, à ajuda do Senhor e de sua Mãe bendita, que é também a tua Mãe. Com serenidade, tranquilo, por muito que te doa a ferida ainda não sarada da tua última queda, abraça de novo a cruz e diz: Senhor, com o teu auxílio lutarei para não parar, responderei fielmente aos teus convites, sem temer as encostas íngremes, nem a aparente monotonia do trabalho habitual, nem os cardos e pedras do caminho. Sei que a tua misericórdia me assiste e que, no fim, acharei a felicidade eterna, a alegria e o amor pelos séculos sem fim. (Amigos de Deus, 131)

Pequena agenda do cristão


Quarta-Feira




(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?