Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
07/12/2011
Evangelho do dia e comentário
Perante a vinda eminente do Senhor, os homens devem dispor-se interiormente, fazer penitência dos seus pecados, rectificar a sua vida para receber a graça especial divina que traz o Messias. Tudo isso significa esse aplanar os montes, rectificar e suavizar os caminhos de que fala o Baptista. (...) A Igreja na sua liturgia do Advento anuncia-nos todos os anos a vinda de Jesus Cristo, Salvador nosso, e exorta cada cristão a essa purificação da sua alma mediante uma renovada conversão interior. [i]
Quarta-Feira da II semana do Advento 07 de Dezembro – Stº Ambrósio, Doutor da Igreja [i]
Quarta-Feira da II semana do Advento 07 de Dezembro – Stº Ambrósio, Doutor da Igreja [i]
25 Então Jesus, falando novamente, disse: «Eu Te louvo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 27 «Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».
Comentário:
Um jugo suave e uma carga leve!
Sim, é bem verdade, sobretudo se o comparamos com os jugos deste mundo, as prisões, os condicionamentos, as sujeições aos hábitos, vícios e pecados... o jugo que temos de suportar nesta vida tão cheia de problemas, dificuldades, obstáculos.
Sim, comparados com este, o jugo e a carga de Cristo são bem mais suaves e levadeiros.
Cumprir a Sua Vontade não pode ser nunca um sacrifício, um peso é, bem ao contrário, contentamento e vitória.
(Comentário sobre Mt 11, 25-27, 20011.06.04)
[i] Stº Ambrósio, Doutor da Igreja
Nota Histórica
Nascido em Tréveris, cerca do ano 340, de uma família romana, fez os seus estudos em Roma e iniciou em Sírmio a carreira pública. Em 374, vivendo em Milão, foi inesperadamente eleito para bispo da cidade e recebeu a ordenação em 7 de Dezembro. Fiel cumpridor do seu dever, distinguiu-se sobretudo na caridade para com todos, como verdadeiro pastor e mestre dos fiéis. Defendeu corajosamente os direitos da Igreja; com seus escritos e sua actividade ilustrou a verdadeira doutrina contra o arianismo. Morreu no Sábado Santo, em 4 de Abril de 397.
Tratado De Deo Trino 32
Em seguida, devemos tratar da Pessoa do Filho. Ora, atribuem-se três nomes ao Filho, a saber, Filho, Verbo e Imagem. Mas, a natureza do Filho fica tratada dependentemente da do Pai. Portanto, resta tratarmos do Verbo e da Imagem. Sobre o Verbo discutem-se três artigos:
Art. 1 – Se o Verbo, em Deus, é nome de pessoa.
Art. 2 - Se Verbo é o nome próprio do Filho.
Art. 3 – Se o nome de Verbo importa relação com a criatura.
Art. 1 – Se o Verbo, em Deus, é nome de pessoa.
(Ia. IIae., q. 93, a. 1. ad. 2; I Sent., dist. XXVII, q. 2, a. 2, qa. 1; De Pot., q. 9, a. 9, ad 7; De Verit., q. 4, a. 2; a. 4, ad 4).
O primeiro discute-se assim. – Parece que o Verbo, em Deus, não é nome de pessoa.
1. – Pois, os nomes pessoais em Deus se predicam em sentido próprio, como Pai e Filho. Ora, em Deus, o Verbo se predica metaforicamente, como diz Orígenes [i]. Logo, o Verbo, em Deus, não é nome de pessoa.
2. Demais. – Segundo Agostinho, o verbo é o conhecimento com amor [ii]. E segundo Anselmo, para o Sumo Espírito – dizer – nada mais é do que a intuição cogitativa [iii]. Ora, o conhecimento, a cogitação e a intuição se predicam essencialmente, em Deus. Logo, o Verbo, em Deus, não significa nome de pessoa.
3. Demais. – Da natureza do Verbo é o ser dito. Ora, segundo Anselmo [iv], assim como o Pai o Filho e o Espírito Santo são inteligentes, assim também são dicentes. E, semelhantemente, cada um deles é dito. Logo, o nome de Verbo se predica, em Deus, essencial e não pessoalmente.
4. Demais. – Nenhuma pessoa divina é feita. Ora, o Verbo de Deus é feito. Pois, diz a Escritura (Sl 128, 8): O fogo, o granizo, a neve, a geada, o espírito das tempestades, que executam a sua palavra. Logo, em Deus, o verbo não é nome de pessoa.
Mas, em contrário, diz Agostinho: Assim como o Filho se refere ao Pai, assim o Verbo, ao ser ao qual pertence [v]. Ora, Filho é nome de pessoa porque se predica relativamente. Logo, também o Verbo.
Porém, em Deus propriamente se usa do vocábulo verbo para significar o conceito do intelecto. Por isso, diz Agostinho: Quem puder inteligir o verbo não somente antes da palavra soar, mas ainda ,antes de serem apreendidas pela cogitação as imagens dos seus sons, já pode ver alguma semelhança daquele Verbo, do qual foi dito: No princípio era o Verbo [ix]. Mas, o conceito mental procede, por natureza, de outro, i. e, do conhecimento de quem o concebe. E, por isso, o Verbo, enquanto propriamente predicado de Deus, significa uma realidade procedente de outra; e isso pertence à essência dos nomes pessoais, em Deus, porque as pessoas divinas se distinguem pela origem, como se disse [x]. Donde, necessariamente vem, que o nome de Verbo predicado propriamente de Deus, não é tomado em acepção essencial, mas somente pessoal.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Os arianos, dos quais Orígenes é a fonte [xi]1, ensinaram que o Filho é outro que não o Pai por diversidade de substância. Mas, como o Filho se chama Verbo de Deus, esforçaram-se por negar que seja esse um nome próprio dele; para não serem forçados a confessar, admitindo a ideia de Verbo procedente, que o Filho de Deus não é extra-substancial ao Pai, pois o verbo procede interiormente de quem o profere; de modo que lhe é imanente. – Mas é forçoso, desde que se admita o verbo de Deus, em sentido metafórico, admitir-se o verbo divino em sentido próprio. Pois nada, senão em virtude da manifestação, pode se chamar metaforicamente verbo, porque ou manifesta, como verbo, ou é pelo verbo manifestado. Ora, se for deste último modo, é necessário admitir-se o verbo pelo qual se manifeste. E se se chamar verbo, porque manifesta exteriormente, essas manifestações exteriores não se chamam verbos senão como significativas do conceito interior da mente, que manifestamos também por sinais exteriores. E assim, embota por vezes, em Deus, o verbo se predique metaforicamente, todavia é necessário nele admitirmos o Verbo propriamente dito, em sentido pessoal.
RESPOSTA À SEGUNDA. – Nada do que concerne ao intelecto se predica pessoalmente de Deus, senão o Verbo; porque só este significa o que emana de outro; pois, o verbo é a concepção formada pelo intelecto. Ora, o intelecto, enquanto actualizado pela espécie inteligível é considerado de modo absoluto. E semelhantemente, o inteligir, que está para o intelecto em acto como a essência, para o ser em acto; pois, inteligir não significa acção que saia do intelecto, mas é imanente no ser que intelige. Portanto, quando dizemos que o Verbo é conhecimento, este conhecimento não significa o acto do intelecto conhecente, ou qualquer hábito dele, mas, aquilo que o intelecto concebe, quando conhece. Por isso diz Agostinho [xii], que o Verbo é a sabedoria gerada, e que nada mais é senão a própria concepção do sábio a qual, de igual modo, também se pode chamar conhecimento gerado. E do mesmo modo podemos entender que, dizer, em Deus, é cogitar intuitivamente, i. e, enquanto que essa cogitação intuitiva divina leva à concepção do Verbo de Deus. Porém esse vocábulo – cogitação – não convém propriamente ao Verbo divino. Pois, diz Agostinho: Ao chamado Verbo não se pode denominar cogitação; para que se não creia haver em Deus algo de mutável que, depois de ter recebido a forma do verbo, possa vir a perdê-la sujeito a uma como informe transformação. Pois, a cogitação consiste propriamente em indagar a verdade, o que não pode ter lugar em Deus. Pois, quando o intelecto já atingiu a forma da verdade, não cogita, mas contempla perfeitamente. Por onde, Anselmo impropriamente toma a cogitação pela contemplação.
RESPOSTA À TERCEIRA. – Assim como, propriamente falando, o Verbo se predica de Deus, pessoal e não essencialmente, assim também o dizer. Por onde, não sendo o Verbo comum ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, também não é verdade seja o Pai o Filho e o Espírito Santo um só dicente. Por isso Agostinho ensina: Em Deus não se entende como um só o que diz, por aquele Verbo coeterno [xiii]. Mas, ser dito convém a qualquer das Pessoas, pois, é dito não só o Verbo, mas ainda as coisas por este inteligidas ou significadas. Assim, pois, a uma só das Pessoas divinas convém o ser dita, do modo pelo qual o verbo é dito; porém, a cada uma delas convém ser dita do modo pelo qual o é, pelo verbo, a coisa inteligida. Assim, o Pai concebe o Verbo inteligindo-se a si, ao Filho, ao Espírito Santo e a tudo o mais que a sua ciência contém; de maneira que toda a Trindade e mesmo toda criatura sejam ditas pelo Verbo, do mesmo modo que o intelecto humano diz, pelo verbo, ser pedra o que concebe como pedra. Porém, Anselmo toma impropriamente dizer por inteligir, que, contudo, diferem. Pois, inteligir só importa relação entre o inteligente e o objecto inteligido, na qual se não compreende nenhuma ideia de origem, mas só uma certa informação do nosso intelecto, como actualizado pela forma da coisa inteligida. Em Deus, porém, importa omnímoda identidade, em quem se identifica absolutamente o inteligente com o inteligido, como já vimos [xiv]. Ao passo que dizer importa principalmente relação com o verbo concebido, pois dizer nada é senão proferir o verbo. E, mediante o verbo, importa relação com o objecto inteligido, o qual pelo proferido se manifesta a quem intelige. Assim, só a Pessoa que profere o Verbo é, em Deus, dicente, embora cada uma das Pessoas singularmente seja inteligente e inteligida e, por conseguinte, dita pelo Verbo.
RESPOSTA À QUARTA. – Verbo, no lugar citado se toma em sentido figurado, enquanto o significado ou o efeito de verbo se chamam verbo. Assim, dizemos que as criaturas executam o verbo de Deus, por executarem algum efeito ao qual foram ordenados pelo Verbo concebido da divina sabedoria. Do mesmo modo dizemos, que alguém cumpre o verbo do Rei, quando executa a obra a qual é levada por esse verbo.
SÃO TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica,
[i] Super Ioanem, c. 1.
[ii] De Trin., lib. IX, c. 10.
[iii] Monol., c. 63, al. 60.
[iv] Monol., c. 62, 63, al. 60.
[v] VII de Trin., c. 2.
[vi] I Periherm., c. 1.
[vii] De Anima, lib. II, c. 8.
[viii] De Fide Orth., I, cap. 13.
[ix] De Trin., XV, c. 10.
[x] Q. 27; q. 32, a. 3.
[xi] Cfr. Q. 32, a. 1., ad. 1.
[xii] De Trin., l. VII, c. 2.
[xiii] VII de Trin., c. 1.
[xiv] Q. 14, a. 2, 4.
Solicitude da Igreja
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| Reflectindo |
A solicitude da Igreja pelos problemas sociais deriva da sua missão espiritual e mantém-se dentro dos limites dessa missão. Ela, enquanto tal, não tem como missão os assuntos temporais.
(sagrada congregação para a doutrina da fé, Encíclica Populorum Progresio, 80)
06/12/2011
Vivendo o Advento
«Mãe, ensina-me a ser nada, para que Cristo seja tudo em mim».
Oração que um dia o Espírito Santo quis colocar no meu coração e me esforço para que seja verdade na minha vida.
Fortaleza do amor 5
A força do amor é superior e ele só é capaz de curar o desamor, e o ódio, por muito forte que este seja. Com o tempo tudo se termina rendendo-se à força do amor. O homem que ama de coração, tanto não plano natural como não sobrenatural, encontra-se fortalecido, mas sobre tudo sente-se feliz. O exercício do amor e o sentir-se recipiendário do amor dos outros e desde logo do amor divino, produz segurança, felicidade e fortaleza. É como se o próprio amor nos transferisse a sua própria fortaleza. Fortaleza que provém directamente da essência de Deus, pois Deus é amor e somente amor, como reiteradamente nos diz São João: “E nós conhecemos e acreditamos não amor que Deus nos tem. Deus é amor, e o que vive não amor permanece em Deus, e Deus nele”. (1Jo 4,16)
Pensemos também, que da mesma forma que a essência de Deus é o amor, a essência do demónio, que é a antítese do amor, neste caso é o ódio. O amor é incriado, pertence ao Incriado, o ódio foi sempre criado pelas criaturas que o Incriado, criou. E esta é a razão mais transcendente da fortaleza do amor sobre a sua antítese que é o ódio. O ódio não foi criado por Deus, foi criado como consequência dos incumprimentos e ofensas das suas criaturas, os que criaram.
Por outro lado o exercício do amor, sobretudo o do amor sobrenatural, fortalece a alma e eleva o seu nível de vida espiritual, que em definitiva se mede em razão da intensidade com que se ama o Senhor. Nós somos mais perfeitos, quanto mais amamos. E pelo contrário o ódio, antítese do amor debilita e chega a anular a existência da vida espiritual de uma alma. Em definitiva temos de pensar que viemos a este mundo, para passar uma prova de amor, e o que mais ama será o que obtiver maior pontuação na prova.
(juan do carmelo, trad ama)
União com Deus
Temos de nos unir muito intimamente a Deus que se nos entrega, que se nos dá como alimento, dizendo-lhe com paixão: quero-te, amo-te com loucura.Este amor fará com que nos enchamos de confiança; e dar-lhe-emos com a humildade confiança do leproso do Evangelho (cfr. Mt 8, 2), porque também nós vemos as nossas maleitas, faz-me mais fiel.
Limpa-me, para que possa seguir-te mais de perto, para que possa caminhar ao teu lado, para que não me afaste de Ti.
Perguntas e respostas sobre Jesus de Nazaré. 49
“Alude-se a duas coisas: por um lado, põe-se em relevo que a época do antigo templo e seus sacrifícios tinha acabado; em lugar dos símbolos e dos ritos, que apontavam para o futuro, agora torna-se presente a própria realidade, o Jesus crucificado que nos reconcilia a todos com o Padre. Mas, ao mesmo tempo, o véu rasgado do templo significa que agora se abriu o acesso a Deus. Até aquele momento o rosto de Deus tinha estado velado. Só mediante sinais e uma vez por ano, o sumo-sacerdote podia comparecer ante ele. Agora, o próprio Deus tirou o véu, no Crucificado manifestou-se como o que ama até à morte. O acesso a Deus está livre”
55 Preguntas y respuestas sobre Jesús de Nazaret, extraídas del libro de Joseph Ratzinger-Benedicto XVI: “Jesús de Nazaret. Desde la Entrada en Jerusalén hasta la Resurrección”, Madrid 2011, Ediciones Encuentro. Página 81-82, marc argemí, trad. ama
Aqui estou, porque me chamaste
Chegou para nós um dia de salvação, de eternidade. Uma vez mais se ouvem os assobios do Pastor Divino, as suas palavras carinhosas: "Vocavi te nomine tuo". – Chamei-te pelo teu nome. Como a nossa mãe, Ele convida-nos pelo nome. Mais: pelo apelativo carinhoso, familiar. Lá, na intimidade da alma, chama, e é preciso responder: "Ecce ego, quia vocasti me". Aqui estou, porque me chamaste; decidido a que desta vez não passe o tempo como a água sobre os seixos rolados, sem deixar rasto. (Forja, 7)
Um dia (não quero generalizar; abre o coração ao Senhor e conta-lhe tu a história) talvez um amigo, um cristão normal e corrente como tu, te tenha feito descobrir um panorama profundo e novo e ao mesmo tempo tão antigo como o Evangelho. Sugeriu-te a possibilidade de te empenhares seriamente em seguir Cristo, em ser apóstolo de apóstolos. Talvez tenhas perdido então a tranquilidade e não a terás recuperado, convertida em paz, até que, livremente, "porque muito bem te apeteceu" – que é a razão mais sobrenatural – respondeste a Deus que sim. E veio a alegria, vigorosa, constante, que só desaparece quando te afastas d'Ele.
Não me agrada falar de escolhidos nem de privilegiados. Mas é Cristo quem fala disso, quem escolhe. É a linguagem da escritura: elegit nos in ipso ante mundi constitutionem – diz S. Paulo – ut essemus sancti, escolheu-nos antes da criação do mundo para sermos santos. Eu sei que isto não te enche de orgulho, nem contribui para que te consideres superior aos outros homens. Essa escolha, raiz do teu chamamento, deve ser a base da tua humildade. Costuma levantar-se porventura algum monumento aos pincéis dum grande pintor? Serviram para fazer obras-primas mas o mérito é do artista. Nós – os cristãos – somos apenas instrumentos do Criador do mundo, do Redentor de todos os homens. (Cristo que passa, 1)
© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet
Ideais
O maior ideal é o maior bem. Possui o maior ideal quem deseja o maior bem possível.
Portanto o maior ideal é Deus, e quem busca a Deus possui o melhor dos ideais.
Com maior precisão, a meta não é procurá-lo, senão encontrá-lo, agarrá-lo, unir-se a Ele.
A meta é o próprio Deus.
Ideasrapidas, trad ama
Evangelho do dia e comentário
Perante a vinda eminente do Senhor, os homens devem dispor-se interiormente, fazer penitência dos seus pecados, rectificar a sua vida para receber a graça especial divina que traz o Messias. Tudo isso significa esse aplanar os montes, rectificar e suavizar os caminhos de que fala o Baptista. (...) A Igreja na sua liturgia do Advento anuncia-nos todos os anos a vinda de Jesus Cristo, Salvador nosso, e exorta cada cristão a essa purificação da sua alma mediante uma renovada conversão interior. [i]
Terça-Feira da II semana do Advento 06 de Dezembro
12 «Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, porventura não deixa as outras noventa e nove no monte, e vai em busca daquela que se extraviou? 13 E, se acontecer encontrá-la, digo-vos em verdade que se alegra mais por esta, do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. 14 Assim, não é a vontade de vosso Pai que está nos céus que pereça um só destes pequeninos.
Comentário:
Talvez seja interessante, pensando neste trecho do Evangelho, considerar como se compaginam com o desprendimento tão querido ao Senhor e por Ele tantas vezes referido na Sua pregação.
Parece que abandonar noventa e nove ovelhas para procurar uma única revela pouco de desprendimento?
Talvez com possa parecer que o pastor tem um apego desmesurado às suas ovelhas e… é verdade!
Cada ovelha tem para o pastor um valor único e insubstituível!
Para o Pastor divino, Jesus Cristo, qualquer ser humano tem um valor intrínseco porque deu a Sua vida por todos.
Se considerarmos que cada um de nós mereceu o Seu Sangue derramado na Cruz não é natural que não se disponha a perder algum?
Que, em qualquer caso, não envidará tudo o possível – e Ele pode tudo – para o encontrar e trazer de regresso à casa paterna?
(ama, comentário sobre Mt 18, 12-14, 2010.12.07)
Tratado De Deo Trino 31
(I Sent., dist. XIII, a. 4; dist. XXVIII, q. 1, a. 1; Cont. Errores Graec., cap. VIII).
O quarto discute-se assim. — Parece que não é próprio do Pai ser ingénito.
1. — Pois, toda propriedade introduz alguma realidade no ente ao qual pertence. Ora, ingénito nada introduz no Pai, mas somente dele remove. Logo, não implica nenhuma propriedade sua.
2. Demais. — Ingénito é palavra que se emprega em sentido privativo ou negativo. Se negativo, então tudo o que não for génito pode se chamar ingénito. Ora, o Espírito, bem como a essência divina, não é génito. Por isso, também lhes convém o ser ingénito; o que não é, portanto, próprio do Pai. Se porém o sentido for privativo, como toda privação implica uma imperfeição no ser privado, segue-se que a pessoa do Pai é imperfeita; o que é impossível.
3. Demais. — Ingénito, por não se predicar de Deus relativamente, não significa relação. Logo, significa substância. Portanto ingénito e génito substancialmente diferem. Ora, o Filho, que é génito, não difere substancialmente do Pai. Logo, este se não deve chamar ingénito.
4. Demais. — É próprio o que a um só convém. Ora, como em Deus há vários procedentes de outro, nada impede haver também vários não existentes por outro. Logo, não é próprio do Pai ser ingénito.
5. Demais. — Sendo o Pai princípio da pessoa génita, sê-lo-á também da procedente. Se portanto, pela contrariedade que tem com a pessoa génita, é próprio do Pai ser ingénito, também dele deve se admitir como próprio não poder ser procedente.
Mas, em contrário, diz Hilário: Um vem de outro, isto é, do ingénito o génito, pela propriedade de cada um, a saber, a inascibilidade e a origem [i].
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Alguns dizem que a inascibilidade, significada pelo nome ingénito, como propriedade do Pai, não se aplica só negativamente, mas importa ao mesmo tempo, em o Pai, de ninguém proceder e ser princípio de outros; ou importa uma autoridade universal; ou ainda plenitude primária. — Mas isto não é verdade, porque então a inascibilidade não seria propriedade distinta da paternidade e da espiração, mas as incluiria, como o comum inclui o próprio; pois as palavras — primário e autoridade — não significam em Deus senão o princípio da origem. — E portanto devemos dizer, segundo Agostinho [ii], que ingénito importa a negação da geração passiva, pois, diz, tanto vale dizer ingénita como dizer não Filho. Mas, daí não se segue que se não deva considerar ingénito como noção própria do Pai, pois, conhecemos o primário e o simples por meio de negações; assim dizemos que ponto é o que não tem parte.
REPOSTA À SEGUNDA. — Às vezes ingénito toma-se só em acepção negativa, e é assim que Jerónimo diz, que o Espírito Santo é ingénito [iii], i. e, não génito. — Outras vezes emprega-se ingénito em sentido, de certo modo, privativo, sem que, contudo, importe qualquer imperfeição; pois, múltiplo é o sentido da palavra privação. Ora, significa que um ser não tem o que lhe seria natural ter, de outro, embora não seja da natureza de tal ser possuir tal atributo; como se chamássemos à pedra coisa morta por não ter a vida, que certos seres naturalmente têm. Ora, significa que um ser não tem o que lhe seria natural ter, como recebido de outro ser congénere; assim, se chamássemos à toupeira cega. E de um terceiro modo significa, que um ser não tem o que naturalmente deveria ter, e então importa imperfeição. Assim, pois, ingénito diz-se do Pai, não privativamente, mas sim do segundo modo, i. e, enquanto um suposto da natureza divina não é génito, e outro o é. — Mas, a esta luz, também ao Espírito Santo se pode chamar ingénito. Por onde, para que seja próprio só do Pai, é necessário incluir-se ulteriormente, em o nome de ingénito, a conveniência a uma das Pessoas divinas, como sendo princípio de outra, e assim importando a negação, no género do princípio, aplicado a Deus em sentido pessoal. Ou ainda, devemos entender por ingénita o que de nenhum modo procede de outro, e não somente o que não procede pela geração. Assim pois, ao Espírito Santo, procedente de outro por processão, como pessoa subsistente, não convém ser ingénito; e nem também à divina essência da qual se pode dizer que, no Filho e no Espírito Santo, procede de outro, a saber, do Pai.
RESPOSTA À TERCEIRA. — Segundo Damasceno [iv], ingénito, de um modo, significa o mesmo que incriado, no sentido substancial; pois, por aí difere a substância criada da incriada. De outro modo, significa o que não é génito, e é em sentido relativo, da mesma maneira que a negação se reduz ao género da afirmação; assim não-homem se reduz ao género da substância, e não-branco, ao da qualidade. Donde, génito, em Deus, importando relação, ingénito também a esta se reduz. E daí se não segue, que o Pai ingénito se distinga substancialmente do Filho génito, senão só relativamente, enquanto se nega do Pai a relação do Filho.
RESPOSTA À QUARTA. — Assim como na ordem dos géneros é preciso admitir-se um que é o primeiro, assim em a natureza divina é necessário admitir-se um princípio chamado ingénito, não proveniente de outro. Logo, admitir dois inascíveis é admitir dois deuses e duas naturezas divinas. Por isso diz Hilário: sendo Deus um só não podem ser dois os inascíveis [v]. E isto precisamente porque, se estes fossem dois, um deles não procederia do outro e assim, não se distinguindo por oposição relativa, necessariamente se distinguiriam por diversidade de natureza.
RESPOSTA À QUINTA. — A propriedade do Pai, de não proceder de outro, antes é significada pela remoção da natividade do Filho, do que pela da processão do Espírito Santo. Tanto porque esta última não tem nome especial, como já vimos [vi], como porque, mesmo na ordem da natureza, pressupõe a geração do Filho. Por onde, removido do Pai o não ser génito, como todavia é princípio de geração, resulta consequentemente, que não é procedente pela processão do Espírito santo, pois este não é princípio de geração, mas procedente do génito.
SÃO TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica,
Humildade
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