03/11/2011

Novíssimos - Juízo Particular 2

O Julgamento de Manuel – gestor de topo. [i]

A pessoa normal, corrente, morre tal qual como o mais importante ou notável dos homens. A sua alma apresenta-se perante o Juiz que lhe pergunta o que fez da sua vida.

"Estudei, trabalhei muito para sustentar a família e, de facto, não tive muito tempo livre para... Enfim... Para Deus!"

O Juiz permanece calado e a alma prossegue:

"Os meus filhos deram-me muito trabalho mas foi bem empregue, têm cada um o seu curso, um dos rapazes é engenheiro, o outro advogado e, a rapariga formou-se em medicina. Como deves saber, todos estão casados e são óptimos pais, pessoas equilibradas, trabalhadoras e competentes. Tenho muito orgulho na minha família".

Esta "sessão" do Tribunal caracteriza-se pelo monólogo. A alma fala de si, do que fez em vida, do que concretizou e fá-lo como se ignorasse que o Juiz sabe tudo, absolutamente tudo o que lhe diz respeito. É esta ignorância que, desde logo revela o distanciamento que tem de Deus, que provoca uma necessidade imperiosa de justificação e para tal alarga-se em detalhes e pormenores que pouco acrescentam.

O Juiz volta-se agora para os "assistentes" que, neste caso é apenas um: o Anjo da Guarda encarregado.

"Senhor, diz, o Manuel tem no activo uma vida de trabalho intenso e muito exigente. Quase sempre se portou bem e, as vezes que escorregou foi porque a tentação foi, de facto, muito forte e..." o Anjo emudece sem mais argumentos...
"Vejamos, então," começa o Juiz, "não trazes contigo mais que uma vida de trabalho e, por essa já foste recompensado em vida, recebeste bons ordenados, uma óptima morada, automóveis, férias em hotéis de luxo, viagens de distracção e prazer e outras compensações muitíssimo boas como os êxitos dos filhos. Sim já recebeste e, agora que pensas ter ainda a receber? Não me parece restar nada, já recebeste tudo!"

Faz-se silêncio o Anjo da Guarda avança novamente. Trava-se um diálogo com o Juiz:

"Senhor, daquela vez podia ter-se apropriado daquele dinheiro e... Não o fez".

"Sim, com efeito, mas isso não é fazer algo bom mas antes não praticar um acto mau".

"E daquela outra vez, naquela festa, na qual resistiu a aceitar mais uma bebida..."

"Isso foi uma atitude prudente para quem tinha de conduzir uns bons quilómetros no regresso a casa".

"Bem...houve aquela ocasião em que o convite implícito daquela mulher foi rejeitado e..."

O Juiz interrompe:

"O amor à esposa levou-o a ser fiel... Olha, diz ao Anjo, não argumentes com o que não fez de mal mas antes com o que praticou de bem".
A alma detém-se ora no Juiz ora no Anjo numa apreensão crescente. O à-vontade inicial desaparecera, a segurança com que iniciara o julgamento fora dando lugar a uma ansiedade desconhecida.
Começou, ela própria a fazer o exame que não fizera antes, e, a primeira conclusão a que chegou foi que nunca fizera um exame sobre os seus actos, a sua vida. Provavelmente, o Juiz que parecia saber tudo, consideraria o facto em seu desfavor.
Agora, o Anjo, calava-se de novo. Parecia sinceramente empenhado em favorecê-lo e, também, profundo conhecedor da sua vida.
Sim, lembrava-se vagamente de ouvir, em miúdo, a catequista falar destes personagens que acompanham a vida de cada um, mas realmente nunca tinha visto nenhum e, mesmo este, que parecia ser o seu "anjo privativo", nunca se apercebera da existência.
Estava um pouco aturdido porque estavam a passar-se muitas coisas que não conhecia nem entendia.
Não tinha a noção do tempo e embora parecesse que o julgamento durava há tempo considerável, vários sinais indicavam que se passara tão só um brevíssimo instante.
Seria o início da eternidade?
Sabia muito pouco – quase nada, aliás - sobre eternidade e coisas do género. Nas Missas de funerais, das várias a que assistira, ouvia dizer que Deus era amor, justo misericordioso e, se de facto era assim, certamente compreenderia que a sua total entrega ao trabalho não fora propriamente uma opção mas uma necessidade. Um estilo de vida, uma família, o estatuto, as obrigações sociais, enfim... um sem fim de exigências que o tinham mantido como que num turbilhão, uma lufa-lufa que aliás conduzira ao enfarto que o vitimara. Sim o Juiz compreenderia que não tinha culpa por se ter alheado de Deus. A verdade é que baptizara os filhos, também tinham feito a Primeira Comunhão - foram até ocasião para umas festas bem badaladas entre os familiares e amigos - ah! E os Crismas - seria esse o nome? - e os próprios casamentos celebrados com toda a pompa e circunstância em Igrejas lindamente enfeitadas com profusão de flores... Sim, afinal de contas, tinha muito a seu favor... Admirava-se de o Anjo não ter falado nisso... Porquê?

O Juiz não só sabia tudo a seu respeito como lia os pensamentos e, por isso, não ficou muito admirado quando as suas próximas palavras foram para se referir a isso mesmo:

"Repara bem, Manuel, tudo isso que fizeste foi muito bom, sem dúvida, mas totalmente vazio de sentido cristão, foram, no fim e ao cabo, meros actos sociais em que o religioso não passou do cumprimento de uma tradição e costume.”

As coisas estavam, definitivamente a correr mal e não conseguia lembrar-se de nada que pudesse inverter a situação.
O Juiz preparava-se para encerrar a audiência e, obviamente, proferir a sentença quando uma voz cristalina se fez ouvir: falta algo...
Fez-se um reverente silêncio e o semblante do Juiz deixou transparecer uma ternura incomensurável.

"Sim... Falta algo" repetiu o personagem.

O Manuel sempre usou a medalha do meu escapulário que lhe foi imposto em criança a instâncias do seu padrinho de Baptismo. Eu sei que este meu filho pouco se lembrava do motivo porque recebera o escapulário e o seu verdadeiro significado mas, o certo é que nunca deixou de o usar e, assim, quando a morte o surpreendeu.
Aqui estou, portanto, para cumprir a minha promessa de assistência nesta hora.”

O Juiz disse então:

"Como em Caná da Galileia fiz o que me pediu, faça-se agora como a Minha Mãe desejar".
ama, Novíssimos 2011.11.03


[i] Levanta-se a questão da vida para além da morte. É uma das grandes interrogações que alguma vez durante a sua vida o homem se coloca.
É natural porque o ser humano é dotado de espírito, alma, que tem preocupações mais para além do imediatamente sensível.
Para os cristãos a segurança da Fé fá-los compreender que está destinado à eternidade, ou seja, embora o corpo pereça e acabe a vida terrena, a sua alma não morrerá jamais e, naturalmente, tende a voltar para o seu Criador, Deus.
Sim... a lógica propõe o que a fé garante, porque não se concebe o Criador abandonar a criatura a um desaparecimento puro e simples.
O restante do problema é o que se refere ao "destino" da alma e que é "marcado" na conclusão do juízo a que é sujeita pelo próprio Criador, logo que, após a separação do corpo, se apresenta perante Si.
No imaginário livro da vida, ao contrário do que que é mais comum, não existem colunas de "deve" e "haver" onde é feita uma espécie de contabilidade, não! O que existe é uma lista completa dos bens recebidos em vida, os dons, graças, auxílios, inspirações e meios com que o Senhor foi dotando cada um de forma especial e única.
Cada ser humano recebe um "pacote" específico, para si em exclusivo.
Deus Nosso Senhor não dispensa os Seus benefícios adrede ou de uma forma sistemática ou mecânica. Cada ser humano é objecto de atenção exclusiva e única por parte do Criador que lhe concede os Seus dons e benefícios conforme a Sua Soberana Vontade determina.
Esta misteriosa magnitude de Deus tem uma razão de ser.
O homem não é capaz por si mesmo de evoluir, de melhorar sem que um estímulo o leve a tal.
Este estímulo surge exactamente no estreitamento das suas relações com Deus.
Quanto mais se relaciona mais recebe e, quanto mais se recebe mais se deseja intimar com Deus.
Por isso no Evangelho consta «àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado» Lc 8, 16-18.

Para chegar a Deus, o caminho seguro, é Maria Sua e nossa Mãe! 

Sancta Maria iter para tutum! (Santa Maria, prepara-me um caminho seguro)

02/11/2011

Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade

Textos de S. Josemaria Escrivá

Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)


Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho, 755)


Nós somos pedras, silhares, que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme deseja, a golpes de martelo e de cinzel.
Não queiramos afastar-nos, não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)

A aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. – Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho, 758)


Um raciocínio que conduz à paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit" – o Senhor é quem me governa; nada me faltará.
Que é que pode inquietar uma alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)


© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

Novíssimos: A morte 1

O dia da Morte
William-Adolphe Bourgerau

Este mês de Novembro, como é sabido, é um mês em que a Igreja, desde a antiguidade, dedica especial atenção e relevo às Santas Almas do Purgatório, e, de um modo mais geral, à consideração da vida depois da morte, a Vida Eterna.

Muita gente tem a secreta angústia da morte. É, para muitos, uma espécie de tabu em que não convém tocar, de que é preferível não falar.

Para outros, a morte, é uma fatalidade, uma espada impiedosa suspensa sobre a cabeça.

E há também, quem encare a morte como um meio eficaz de fazer cessar os problemas e dores desta vida.

E nós, cristãos bem formados, que queremos e desejamos manter com o nosso Criador uma relação filial e íntima?

E eu?

Como encaro eu a morte?


Para sempre.


Que quer isto dizer: para sempre!

A nossa natureza não consegue entender o verdadeiro significado, para sempre - por exemplo - amar-te-ei sempre - tem subjacente uma ideia de finito, de temporal, amar-te-ei até um de nós morrer é o que realmente significa.

O homem não é intemporal e, logo, não pode assumir uma intemporalidade como significa: para sempre, algo que, a partir de um começo num tempo determinado, não terá fim nunca.

Por princípio só conseguimos processar conceitos temporais sabemos quando começam e embora desconheçamos, exactamente quando acabam temos a certeza que hão-de terminar. É o que chamamos vida, ou seja, vida é esse espaço de tempo, breve ou longo, que as pessoas ou coisas servem o seu propósito determinado quando começaram a existir.

O interessante está em considerar o homem como um ser dotado de uma alma – por isso se chama homem – que tendo sido criada directamente por Deus, enquanto o corpo o foi com o concurso dos progenitores, esta é de facto imortal porque sendo um espírito se assemelha ao próprio Deus e, logo, não pode morrer.

Sempre é, pois, uma relatividade. Por isso é tão difícil ao homem compreender Deus que não começou e, por isso não pode acabar. Só o que nasceu pode morrer, o que foi criado pode desaparecer, o feito pode ser esquecido e assim sucessivamente.
Eternidade sendo um círculo completo, não tem princípio nem fim e, isto é Deus. Ou seja, Deus existe exactamente porque nele engloba tudo o que pode existir, agora, num futuro qualquer ou no passado mais remoto. Vida, por isso mesmo, só é possível no círculo, em Deus, portanto, desta forma, parece evidente, que Deus é a própria vida.

Não se trata de filosofia mas sim geometria, quer dizer, evidência. A demonstração faz-se com evidências e não com teorias. Neste caso, porém, para o conhecimento ser completo - não total mas completo - é fundamental que Deus se revele tal qual é aos olhos dos homens, só que, essa revelação será sempre pessoal, de Deus ao homem individual no segredo e intimidade do Criador e do criado, do divino e do humano. Sem a ajuda fundamental necessária, imprescindível da fé, porém, nada disto é possível. Fé surge assim como um filtro tradutor da nossa intimidade com Deus. Sem ela, esse ‘filtro tradutor' não entenderemos coisa alguma do que Deus queira revelar-nos e, por outro lado não sentiremos necessidade de comunicar com Ele.

(Divagação, 2009.11.02)

Cristo é o Mediador

Reflectindo


Cristo é o Mediador, em quem gravitam os céus e a terra. Em Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, temos um ideal humano que se torna divino. De forma que, identificado com Cristo pela graça, feito outro Cristo, o homem diviniza-se para participar nas riquezas dos filhos de Deus.


(andrés vásquez de prada, El Fundador del Opus Dei, III, Rialp, Madrid, pg 444, trad ama)

Deixar a oração

Reflectindo


Deixar a oração quando chamados a qualquer acto de caridade para com o nosso próximo, não é realmente deixar a oração, mas deixá-la por Cristo, uma vez que é privar-nos a nós mesmos de contentamento espiritual com o objectivo de ganhar almas.




(S. Filipe de Néri, Máximas, trad ama

Não te conformes com a justiça

Evangelho do dia e comentário

Fiéis defuntos [i]












T. Comum– XXXI Semana




Evangelho: Mt 11, 25-30

25 Então Jesus, falando novamente, disse: «Eu Te louvo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 27 «Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Meditação:

Senhor, eu bem sei que disseste: «o Meu jugo é suave, e a Minha carga é leve», mas às vezes… não parece nem leve nem suave.

Como se houvesse um desafio que me é feito para ver até quanto “aguento”.

E, na verdade, para minha surpresa, aguento mesmo!

Então, quando me dou conta disto, mais se arreiga a minha convicção que, Tu, sabes mais e que tudo é para bem.

Mas, vê lá, Senhor, não me largues da Tua mão – nunca – porque me perco e soçobro.

(ama, meditação sobre Mt 11, 25-30, 2009.07.27)


[i] Fiéis defuntos
Dia de Finados
Guanajuato - México
Depois de ter cantado a glória e a felicidade dos Santos que «gozam em Deus a serenidade da vida imortal», a Liturgia, desde o início do século XI, consagra este dia à memória dos fiéis defuntos.
É uma continuação lógica da festa de Todos os Santos. Se nos limitássemos a lembrar os nossos irmãos Santos, a Comunhão de todos os crentes em Cristo não seria perfeita. Quer os fiéis que vivem na glória, quer os que vivem na purificação, preparando-se para a visão de Deus, são todos membros de Cristo pelo Baptismo. Continuam todos unidos a nós. A Igreja peregrina não podia, por isso, ao celebrar a Igreja da glória, esquecer a Igreja que se purifica no Purgatório.
É certo que a Igreja, todos os dias, na Missa, ao tornar sacramentalmente presente o Mistério Pascal, lembra «aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem agora o sono da paz» (Prece Eucarística 1). Mas, neste dia, essa recordação é mais profunda e viva.
O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que «não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano). É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. É, sobretudo, dia de oração, que se revestirá da maior eficácia, se a unirmos ao Sacrifício de reconciliação, a Missa.
No Sacrifício da Missa, com efeito, o Sangue de Cristo lavará as culpas e alcançará a misericórdia de Deus para os nossos irmãos que adormeceram na paz com Ele, de modo que, acabada a Sua purificação, sejam admitidos no Seu Reino. (SNL) 

Música e oração

Patrick Hawes - Perfect Love - Lancaster Chorale 

 

selecção ALS 2011

Bens materiais

A virtude cristã é mais ambiciosa. Incita-nos a mostrar-nos agradecidos, afáveis, generosos; a comportar-nos como amigos leais e honrados, tanto nos tempos bons como na adversidade; a cumprir as leis e a respeitar as autoridades legítimas; a rectificar com alegria, quando percebemos que nos enganamos ao enfrentar uma questão. Sobretudo, se somos justos, ater-nos-emos aos nossos compromissos profissionais, familiares, sociais..., sem espaventos nem pregões, trabalhando com empenho e exercendo os nossos direitos, que são também deveres.
Não acredito na justiça dos folgazões, porque com o seu dolce far niente - como dizem na minha querida Itália - faltam, e às vezes de modo grave, ao mais fundamental dos princípios da equidade: o do trabalho. Não devemos esquecer que Deus criou o homem ut operaretur, para que trabalhasse, e os outros - a nossa família e nação, a humanidade inteira - dependem também da eficácia do nosso trabalho. Meus filhos! Que pobre ideia fazem da justiça os que a reduzem a uma simples distribuição de bens materiais!

(s. josemaria, Amigos de Deus, 169)

Castidade



Por vezes a castidade pode custar um pouquinho, mas não exageremos. Para uma pessoa normalmente constituída, essa luta costuma ocupar um quarto ou quinto lugar.







(S. josemaria, Tertúlia, 1959.01.09)

A orientação sexual terá uma base genética