19/01/2011

Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - II Semana


Evangelho: Mc 3, 1-6

1 Novamente entrou Jesus na sinagoga, e encontrava-se lá um homem que tinha uma das mãos atrofiada. 2 Observavam-n'O a ver se curaria em dia de sábado, para O acusarem.3 Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: «Vem para o meio». 4 Depois disse-lhes: «É lícito em dia de sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida a uma pessoa ou tirá-la?». Eles, porém, calaram-se. 5 Então olhando-os com indignação, contristado da cegueira de seus corações, disse ao homem: «Estende a tua mão». Ele estendeu-a, e a mão ficou curada. 6 Mas os fariseus, retirando-se, reuniram-se logo em conselho com os herodianos contra Ele para ver como O haviam de matar.
Comentário:

A confiança no Senhor é o primeiro passo para a cura. Tal fica bem demonstrado neste episódio evangélico. 
«Estende a mão!» e aquele que muito bem sabia que o não podia fazer, à ordem do Senhor, fá-lo! 


Curou-se a si mesmo com a sua fé e a sua confiança inabaláveis no Senhor que lhe dava tal ordem, para ele, impossível de cumprir.

Ao fazê-lo dá-nos uma lição preciosa que não devemos esquecer nunca: O Senhor jamais nos mandará algo superior às nossas forças e, o que manda, é possível de cumprir.

Porquê?

Porque, se Ele sabe tudo e pode tudo, como poderia ordenar algo impossível de cumprir? 


(ama, comentário sobre Mc 3, 1-6, 2010.12.23)


18/01/2011

Duvalier regressa ao Haiti


OBSERVANDO

É curioso que quando de repente lemos uma noticia destas,  e sabendo da história da personagem envolvida, a nossa primeira reacção é de repulsa, é quase um desejo de que alguma coisa de mal lhe aconteça, para que não se "fique a rir", das desgraças e horrores que praticou sobre outros.

Mas serão estes pensamentos cristãos?

Serão estes pensamentos "legítimos" em alguém que se diz cristão e apregoa o perdão?

Olho para Cristo e num desejo de O imitar medito naquilo que Ele próprio fez perante os seus algozes.

Não lhes perdoou Ele, (e a nós todos também), os horrores que n'Ele praticaram?

Como nos é difícil olhar para homens destes, que afinal são também nossos irmãos, e abrirmos o nosso coração ao perdão.

Claro que este perdão "nada" tem a ver com a justiça a que este homem e outros como ele devem ser sujeitos.

Mas verdadeiramente ainda estamos tão longe de conseguirmos amar, perdoando, àqueles que tanto mal fazem!

É quase doloroso escrever estas palavras, mas para além da justa pena pelos crimes cometidos, não deveria haver no nosso coração o perdão que Deus nos dá a todos?

Rezemos pelas vítimas, mas também pelos algozes, porque se os primeiros sofrem penas neste mundo, os segundos, se não se arrependerem, sofrerão penas para sempre.

JMA, 2011.01.18

Diálogos apostólicos



Meio a sério meio a rir disseste-me que te apetecia ter umas asas.

Respondi-te logo que me parecia teres satisfeito esse desejo quando te dedicaste a cumprir o teu plano de vida.

Ou não é verdade que te sentiste "descolar" do poleiro onde estavas "poisado"?

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 (ama, 2011.01.18)

Sobre a dor e sofrimento humanos


OBSERVANDO
Li hoje esta noticia:

«Tertúlia sobre a dor

Lisboa, 13 Jan (Ecclesia) - No próximo «Café com Fitas», dia 17 de Janeiro, o tema da «Dor» estará em destaque no restaurante «A sede» dos Hospitais da Universidade de Coimbra com a presença das médicas Ana Valentim e Dulce Manuela e da enfermeira Sara Cunha.

Estas tertúlias são organizadas pelo Serviço de Assistência e Espiritual e Religiosa dos HUC, Associação Médicos Católicas de Coimbra, Comissão Diocesana da Pastoral da Saúde, Coordenação das capelanias hospitalares da Diocese de Coimbra e o Serviço Pastoral do Ensino Superior.»

Veio-me à memória um episódio ocorrido há doze anos atrás, no Hospital de Viana do Castelo.

A pedido do Bispo de Viana do Castelo tentou-se incrementar o apostolado junto dos médicos do Hospital local.

O Zé Maria Cabral acabara de publicar um livro sobre a dignidade do sofrimento humano - de sofrimento sabia ele sobejamente já que morria aos poucos de uma leucemia irreversível - e, eu, convidei-o para uma palestra no hospital.
Com as coisas mais ou menos preparadas por um jovem médico que frequentava meios de formação cristã na Meadela, lá partimos num automóvel que o Zé Maria insistiu em conduzir. Na mala levava-mos duas ou três caixas do livro.

Deparámo-nos com uma sala cheia com quatro ou cinco pessoas, contando connosco e o meu amigo médico. Isso não impediu o Zé Maria de subir à mesa colocada numa espécie de palco e começar a falar.

Fiquei-me cá para trás a ver em que paravam as modas e, de vez em quando abria-se a porta aparecia uma cabeça, escutava um pouco e logo ia sentar-se numa das últimas filas de cadeiras.

No palco o Zé Maria explicava que era médico, que era um doente em fase terminal e que, o sofrimento e a dor, podem ser perfeitamente aproveitadas para bem pessoal e do próximo. Falou abertamente da santificação do sofrimento, da doença, da ética, da caridade, do carinho, da atenção a ter com os doentes.

O movimento da porta continuava: entreabria-se uma cabeça espreitava, ouvia um bocadinho e logo alguém se ia sentar. Não tardou muito a que a sala ficasse repleta de pessoal médico, de enfermagem, auxiliares…

O Zé Maria falava, falava e o silêncio absoluto era a prova evidente de que as suas palavras tinham o auditório em suspenso.

Muito cansado teve de acabar. Foi quando tive uma ideia brilhante:

Subi ao palco e disse, mais ou menos, que tinha ali a última obra do orador, que custava xis e que, se o desejassem ia ao carro buscá-los. Disseram que sim e, enquanto massacravam o pobre Zé Maria com perguntas, lá fui eu buscar os livros.

Venderam-se todos!

Tesíssimos como estávamos - eu… como habitualmente, o Zé Maria porque gastara quanto tinha em tratamentos - veio mesmo a jeito para um excelente jantar a que nos dedicámos com muita gana e muitíssimo bom-humor.

Uns meses depois, de passagem por Fátima, encontrei o Senhor D. Armindo, nessa altura, Bispo de Viana.
Disse-me que tinha sabido da conferência e do interesse que tinha despertado e que tinha muito empenho em que se repetisse.

Brevemente, respondi-lhe que tal não era possível, porque o conferente, responsável pelo “êxito” da acção apostólica, já tinha partido para o Céu.

(ama, 2011.01.18)

OITAVÁRIO DE ORAÇÕES PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS


MAIS ALTO

Todos os anos, do dia 18 de Janeiro ao dia 25 de Janeiro, festa da Conversão de São Paulo, a Igreja dedica oito dias a uma oração mais intensa para que todos aqueles que crêem em Jesus Cristo cheguem a fazer parte da única Igreja fundada por Ele.

            Leão XIII, em 1897, na Encíclica Satis cognitum, dispôs que fossem consagrados a esta intenção os nove dias que vão da Ascensão ao Pentecostes. No ano de 1910, São Pio X transferiu a celebração para os dias que decorrem entre a antiga festa da Cátedra de São Pedro, que se celebrava no dia 18 de Janeiro, e a da Conversão de São Paulo.

            O Concílio Vaticano II, no Decreto sobre o ecumenismo, insta os católicos a rezar por esta intenção, "conscientes de que este santo propósito de reconciliar todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo excede as forças e capacidades humanas" (Decr. Unitatis redintegratio, 24).

* * *

            No livro “Falar com Deus” Francisco Fernandez Carvajal, Ed. Quadrante (www.dielnet@gmail.com ) Vol.VIMeditação 4ª e ss. pode encontrar material para fazer a oração por esta intenção durante esses 8 dias.


Igualmente na Celebração Litúrgica (www.cliturgica.org), Ano A de 2008, 3ª e 4ª Semana, podem encontrar-se nas “Homilias semanais” textos muito breves do P. Nuno Romão sobre o mesmo tema.


2011.01.18

LITURGIA DAS HORAS

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VI. COMPLETAS



84. As Completas são a última oração do dia. Rezam-se antes de iniciar o descanso nocturno, ainda que, eventualmente, já passe da meia-noite.



85. O Ofício de Completas começa, do mesmo modo que as restantes Horas, pelo versículo Deus, vinde, com Glória, Como era e (fora do tempo da Quaresma) Aleluia.



86. A seguir, é louvável que se faça o exame de consciência. Na celebração comunitária, este é feito ou em silêncio ou inserido num acto penitencial, segundo os formulários do Missal Romano.



87. Depois diz-se o hino respectivo.



88. A salmodia, nos domingos, depois das I Vésperas, consta dos salmos 4 e 133; depois das II Vésperas, do salmo 90.
Para os outros dias, foram escolhidos salmos apropriados, que excitem sobretudo a confiança no Senhor. É, porém, facultada a substituição destes salmos pelos do domingo, para comodidade, principalmente, daqueles que desejem porventura rezar Completas de cor.



89. Depois da salmodia, há uma leitura breve, seguida do responsório Em vossas mãos. A seguir, diz-se o cântico evangélico Nunc dimíttis, com a respectiva antífona. Este cântico é, de certo modo, o ponto culminante de toda esta Hora litúrgica.



90. A oração conclusiva é a que vem indicada no Saltério.



91. Depois da oração, diz-se, mesmo na recitação individual, O Senhor nos conceda.



92. E termina-se com uma das antífonas de Nossa Senhora.
No tempo pascal, diz-se sempre Regina caeli. Além das antífonas que vêm no livro da Liturgia das Horas, podem as Conferências Episcopais aprovar outras.15





15 Cf. Conc. Vat II, Const. Sacrosanctum Concilium. n. 38.





Retirado do site do Secretariado Nacional de Liturgia
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Doutrina

«RERUM NOVARUM»

Posse e uso das riquezas

12. Sobre o uso das riquezas, já a pura filosofia pôde delinear alguns ensinamentos de suma excelência e extrema importância; mas só a Igreja no-los pode dar na sua perfeição, e fazê-los descer do conhecimento à prática. O fundamento dessa doutrina está na distinção entre a justa posse das riquezas e o seu legítimo uso.
A propriedade particular, já o dissemos mais acima, é de direito natural para o homem: o exercício deste direito é coisa não só permitida, sobretudo a quem vive em sociedade, mas ainda absolutamente necessária (S. Tomás, Sum. Teol., II-II, q. 66, a. 2). Agora, se se pergunta em que é necessário fazer consistir o uso dos bens, a Igreja responderá sem hesitação: «A esse respeito o homem não deve ter as coisas exteriores por particulares, mas sim por comuns, de tal sorte que facilmente dê parte delas aos outros nas suas necessidades. E por isso que b Apóstolo disse: «Ordena aos ricos do século... dar facilmente, comunicar as suas riquezas» 
(S. Tomás, Sum. Teol., II-II, q. 65, a. 2).

Critério na comunicação

TEMA PARA BREVE REFLEXÃO



Uma aplicação de tal princípio, (moderação, jejum) pode levar-se a 
cabo oportunamente no referente aos meios de comunicação de 
massas. Estes meios têm uma utilidade indiscutível, mas não 
devem enganar-nos e «apropriar-se» da nossa vida. 
Em quantas famílias o televisor parece substituir, mais que facilitar, o 
diálogo entre as pessoas!
Um certo «jejum» também neste âmbito pode ser saudável, seja 
para destinar mais tempo à reflexão e oração, seja para cultivar as 
relações humanas. 

(joão Paulo IIAngelus, 1986.03.10)

Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - II Semana


Evangelho: Mc 2, 23-28

23 Sucedeu também que, caminhando Jesus em dia de sábado, por entre campos de trigo, os discípulos começaram a colher espigas, enquanto caminhavam. 24 Os fariseus diziam-Lhe: «Como é que fazem ao sábado o que não é permitido?». 25 Ele respondeu: «Nunca lestes o que fez David, quando se viu necessitado, e teve fome, ele e os que com ele estavam? 26 Como entrou na casa de Deus, sendo sumo-sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, dos quais não era permitido comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que o acompanhavam?». 27 E acrescentou: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. 28 Por isso o Filho do Homem é Senhor também do sábado».

Comentário:

Nada do que Deus fez no Universo é superior ou mais importante que o homem. A criatura humana é a obra mais perfeita da Criação e tem algo de único e exclusivo: a própria imagem de Deus impressa na sua alma imortal.
As regras e demais disposições que possam existir, mesmo por parte da Igreja, têm sempre em consideração esta realidade e não impõem nem nunca imporão nada que vá contra esses princípios.

Jejuar é uma coisa boa e, até útil, como medida de contenção e mortificação pessoal, mas não pode ser levada ao extremo de prejudicar a saúde ou o bem-estar próprios ou dos outros. Há que ter um critério bem esclarecido para toda e qualquer mortificação pessoal, sendo o primeiro, que não deve servir nunca de mortificação a outros.

Por isso é muito útil ter em conta os conselhos e indicações que um bom director espiritual  dê no que concerne a esta matéria


(ama, comentário sobre Mc 2, 23-28, 2010.12.23)


17/01/2011

Papa escolhe protestante para liderar departamento científico.


MAIS ALTO



Ecumenismo

O Papa escolheu um protestante para chear a Academia de Ciências do Vaticano.
O escolhido foi Werner Arber, um biólogo molecular de nacionalidade suíça que dividiu um prémio Nobel de Medicina em 1978.
Um porta-voz do Vaticano, Ciro Benedettini, sublinhou que, pela primeira vez, um não-católico preside à Academia Pontifícia de Ciências, nos seus quatro séculos de existência.
A academia, de que Arber se tornou membro em 1981, ajuda os pontífices a compreender os avanços científicos em áreas que vão da genética à física nuclear.
Entre outros não-católicos que foram membros proeminentes da academia, mas não presidentes, encontra-se Rita Levi Montalcini, uma judia italiana que ganhou o Nobel de Medicina em 1986.
A decisão de Bento XVI não podia surgir num momento mais adequado, uma vez que por estes dias os cristãos de todo o mundo celebram a Semana de Oração para a Unidade Cristã, durante a qual se realizam diversos encontros ecuménicos e se reza para ultrapassar as barreiras que separam as Igrejas.

(fonte: Página 1)

VOTAR EM CONSCIÊNCIA


Os católicos têm a mais absoluta liberdade de voto, pois só em circunstâncias de excepcional gravidade a Igreja, através da voz autorizada da sua hierarquia, pode exigir aos seus fiéis que exerçam esse direito de uma forma concreta. Mas não sendo este o caso, na medida em que o episcopado não se pronunciou nesse sentido, cada cidadão cristão está chamado a decidir, em consciência, a modalidade da sua participação no próximo acto eleitoral.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada  

Diálogos apostólicos



Precisas de descansar. Isso parece-me óbvio.

Que tens coisas urgentes a fazer?

Olha que não há nada urgente que não possa esperar ao contrário da saúde que não se compadece com adiamentos.

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 (ama, 2011.01.17)

Ataques contra a Igreja em Espanha


OBSERVANDO

Pero detrás de este episodio barcelonés (Se suspenden las misas en una capilla de la Universidad de Barcelona), que no es sino una expresión más del despepitado odium fidei que sacude Occidente, como un escalofrío premonitorio de los dolores del parto (y lo que nazca de ese parto no quiero ni imaginarlo), subyace algo mucho más grave que una mera dejación de responsabilidades por parte de la autoridad académica, siendo esto asaz grave.
Y lo que detrás subyace no es sino el entendimiento —cada vez más extendido entre amplias capas de la sociedad, y alentado desde instancias de poder— de que la mera expresión pública de la fe católica es, en sí misma, conflictiva e indeseable; y que el mejor modo de evitar los problemas provocados por tal expresión de la fe es impedirla, o siquiera expulsarla de aquellos ámbitos donde pueda tropezarse con reacciones hostiles.
Tales reacciones, por supuesto, no son espontáneas, sino inducidas por un clima laicista irresponsablemente azuzado desde instancias de poder; y, una vez instauradas, no harán sino ganar terreno, en su voraz apetito colonizador.
Hoy se adueñan de una universidad, mañana lo harán de tal o cual barrio, pasado campearán triunfantes por doquier, expulsando a la clandestinidad la fe católica. Que en eso consiste, al fin y a la postre, la abominación de la desolación. 

Juan Manuel de Prada (Fonte INFOVITAE)

APOLOGIA DO VOTO INÚTIL

Entre o muito mau e o péssimo, o diabo que escolha!

Em tempos de eleições presidenciais, legislativas ou autárquicas, é recorrente o recurso ao argumento do voto útil. Na gíria política entende-se por voto útil a escolha do candidato ou do partido que, mesmo não reunindo as condições que o eleitor desejaria sufragar, é no entanto o menos mau dos candidatos com hipóteses de ganhar. Na perspectiva eleitoral, o voto num partido ou candidato que nunca poderá vencer é sempre um voto perdido ou, pior ainda, um voto nas candidaturas que ficariam beneficiadas com a inutilidade prática desse voto idealista.

Gonçalo Portocarrero de Almada

O Poder: a Verdade e a Mentira



OBSERVANDO

Há um ror de anos, vi um filme que, até hoje, tenho bem presente na memória e cujo enredo era:

“No início do fascismo em Itália, quando Mussolini se preparava para assumir o poder e já tinha apaniguados seus aos “comandos” de várias comarcas, numa pequena cidade aconteceram uma série de crimes de violação de jovens.

A polícia fascista da cidade empenhou-se a fundo e conseguiu descobrir o famigerado violador.

Claro que, as parangonas nos jornais e panfletos afixados em todas as ruas da cidade com a fotografia do criminoso, exaltavam a capacidade da justiça fascista, a celeridade com que o sujeito tinha sido descoberto, julgado e condenado a uns bons anos de cárcere. Toda a gente ficou a saber quem era o desgraçado, o que tinha feito e louvou a excelência da justiça fascista. Como o criminoso era casado e tinha filhos, a mulher e a restante família tiveram de mudar-se para outro local bem afastado da cidade onde os crimes tinham ocorrido, uma vez que não suportavam a vergonha de serem apontados nas ruas, as crianças expulsas das escolas etc.

Passados uns meses, quando Mussolini já era o Duce, com poderes supremos sobre toda a Itália, é, na mesma cidade, apanhado um fulano em flagrante acto de violação de uma menor.

Prontamente detido e depois de severamente interrogado, confessou que era ele o perpetrador de todas as violações ocorridas e algumas mais que a policia desconhecia. Claro que foi preso e condenado a pesadíssima pena e o desgraçado que estava preso foi libertado sem mais.

Posto perante os factos, Mussolini dá ordens terminantes à imprensa, rádio etc., que não emitisse nem uma palavra sobre ao assunto. Era imperioso que ninguém pudesse tomar conhecimento do erro monumental cometido pelas autoridades fascistas meses atrás. O fascismo não podia enganar-se nem arcar com a responsabilidade de uma injustiça de tal calibre.

Assim foi que, o pobre homem não podia sair à rua já que, conhecido como era e não tendo sido dita, ou escrita, uma palavra sobre a sua libertação e a que se devia, toda a gente pensava que era um foragido e caiam em cima dele sem dó nem piedade entregando-o sob os piores maus tratos, na esquadra próxima. Pela noite, a polícia soltava-o novamente, sempre, sem uma palavra, uma breve explicação que fosse.

Obviamente, ninguém lhe dava emprego e, a morrer de fome, e tendo conseguido descobrir o paradeiro da família lá conseguiu ir ao seu encontro.

A recepção foi catastrófica porque por mais que contasse à mulher e aos filhos o que tinha acontecido, estes não acreditavam nele e não o receberam.

O filme acaba da pior maneira: desesperado, sem eira nem beira, profundamente ferido na honra que não conseguia recuperar, ostracizado pela sociedade e pela própria família, o pobre homem enforca-se, tal como Judas, numa oliveira.”

Percebe-se a razão do título em epígrafe? Se o Poder não diz a verdade...mente?

AMA, 2011.01.19

Doutrina

«RERUM NOVARUM»

Pela Sua superabundante redenção, Jesus Cristo não suprimiu as aflições que formam quase toda a trama da vida mortal; fez delas estímulos de virtude e fontes de mérito, de sorte que não há homem que possa pretender as recompensas eternas, se não caminhar sobre os traços sanguinolentos de Jesus Cristo: «Se sofremos com Ele, com Ele reinaremos» (2Tm 2,12). Por outra parte, escolhendo Ele mesmo a cruz e os tormentos, minorou-lhes singularmente o peso e a amargura, e, a fim de nos tornar ainda mais suportável o sofrimento, ao exemplo acrescentou a Sua graça e a promessa duma recompensa sem fim: «Porque o momento tão curto e tão ligeiro das aflições, que sofremos nesta vida, produz em nós o peso eterno duma glória soberana incomparável» (2Cor 4,7)

Assim, os afortunados deste mundo são advertidos de que as riquezas não os isentam da dor; que elas não são de nenhuma utilidade para a vida eterna, mas antes um obstáculo (Mt 19,23-24); que eles devem tremer diante das ameaças severas que Jesus Cristo profere contra os ricos (Lc 6,24-25); que, enfim, virá um dia em que deverão prestar a Deus, seu juiz, rigorosíssimas contas do uso que hajam feito da sua fortuna

A Meditação

TEMA PARA BREVE REFLEXÃO



A meditação considera minuciosamente, um a um, os objectos mais próprios a comover-nos, mas a contemplação lança um olhar simples e concentrado no objecto que ama; a consideração assim concentrada, produz um movimento mais vivo e forte.
Pode-se apreciar a beleza de uma rica coroa de duas formas: ou analisando um por um, todos os florões e pedras preciosas de que é composta, ou então, depois de examinar deste modo cada uma das peças, observando com um simples olhar o efeito brilhante do conjunto.
Na meditação parece que examinamos em separado as perfeições divinas que resultam dum mistério; na contemplação juntamo-las num total. 

(S. Francisco de Sales, Tratado do Amor de Deus, Livro VI, Cap. V )

Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - II Semana


Evangelho: Mc 2, 18-22

18 Os discípulos de João e os fariseus estavam a jejuar. Foram ter com Jesus, e disseram-Lhe: «Porque jejuam os discípulos de João e os fariseus, e os Teus discípulos não jejuam?». 19 Jesus respondeu-lhes: «Podem porventura jejuar os companheiros do esposo, enquanto o esposo está com eles? Enquanto têm consigo o esposo não podem jejuar. 20 Mas virão dias em que lhes será tirado o esposo e, então, nesses dias, jejuarão. 21 Ninguém cose um remendo de pano novo num vestido velho; pois o remendo novo arranca parte do velho, e o rasgão torna-se maior. 22 Ninguém deita vinho novo em odres velhos; de contrário, o vinho fará arrebentar os odres, e perder-se-á o vinho e os odres; mas, para vinho novo, odres novos».

Comentário:

A “novidade” que Cristo traz ao mundo é a interpretação da Lei de forma correcta, de forma nunca antes vista. Até então, os Rabis e Escribas interpretavam-na adaptando-a, como melhor lhes parecia como adequada às circunstâncias ou, até, aos seus interesses pessoais ou de classe.

Jesus faz ver e compreender que a Lei é imutável no seu conteúdo concreto e não pode nem ser mudada – num único til – nem adaptada em nenhum caso. 
A Lei de Deus aplica-se a toda a humanidade independentemente da condição, cultura, idade ou quaisquer outras circunstâncias que podem ocorrer. 


A Lei parece simples e é-o de facto, porque Deus nunca obrigaria o homem a nada que não estivesse ao seu alcance fazer e, muito menos a que cada um pudesse considerar-se, seja porque motivo for, mais ou menos obrigado a cumpri-la. 


(ama, Comentário sobre Mc 2, 8-22, 2010.12.22)