07/10/2010

Textos de Reflexão para 07 de Outubro

Evangelho: Lc 1, 26-38

26 Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. 28 Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». 29 Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. 30 O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; 31 eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. 32 Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; 33 reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim».34 Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?». 35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; 37 porque a Deus nada é impossível». 38 Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Comentário:

Aqui se relata o começo da história da redenção da humanidade.
Um Arcanjo, enviado por Deus, e uma humilde virgem de uma pequena povoação da Galileia.
Há neste relato simples uma solenidade e grandeza que não passam despercebidos porque se trata de algo inconcebível para o simples humano.
Deus, Nosso Senhor, Criador do Céu e da Terra e de tudo quanto existe, o Omnipotente Senhor da História e do Tempo vem tomar forma humana no seio de uma criatura!
Há uma humilhação grandiosa, se assim se pode dizer, do Criador perante as Suas criaturas.
A história da humanidade na Terra recomeça aqui, neste preciso momento, a sua última e derradeira fase.
De facto, a partir deste momento, tudo será renovado na face da terra e, os homens, vão ter um Guia, um Mestre, um Senhor que indicará o melhor caminho, ensinará a verdadeira Doutrina e tomará conta das almas de todos os homens de boa vontade. (ama, comentário sobre Lc 1, 26-38, 2010.08.05)

Tema: Virtudes – Obediência 5
Deus não necessita dos nossos trabalhos, mas sim da nossa obediência. 

(S. João Crisóstomo, Homílias sobre o Evangelho de S. Mateus, 56, 5, trad do castelhano por ama)

Doutrina: CCIC – 422: O que é a justificação?
                   CIC – 1987-1995; 2017-2020

A justificação é a obra mais excelente do amor de Deus. É a acção misericordiosa e gratuita de Deus, que perdoa os nossos pecados e nos torna justos e santos em todo o nosso ser. Isto tem lugar por meio da graça do Espírito Santo, que nos foi merecida pela paixão de Cristo e nos foi dada no Baptismo. A justificação inicia a resposta livre do homem, ou seja, a fé em Cristo e a colaboração com a graça do Espírito Santo.

Festa: Nossa Senhora do Rosário

                                                                                                                               
Nota Histórica
Esta comemoração foi instituída pelo Papa S. Pio V no aniversário da vitória obtida pelos cristãos na batalha naval de Lepanto e atribuída ao auxílio da Santa Mãe de Deus, invocada com a oração do Rosário (1571). A celebração deste dia é um convite a todos os fiéis para que meditem os mistérios de Cristo, em companhia da Virgem Maria, que foi associada de modo muito especial à encarnação, à paixão e à ressurreição do Filho de Deus. (snl)

Tema para breve reflexão - 2010.10.07

Virtudes – Fidelidade

A pessoa fiel encontrou a melhor expressão do amor, e, por isso, é feliz com as exigências que a sua fidelidade lhe impõe. Não é questão de movimentos passageiros, mas de uma decisão não sujeita aos vaivéns da sensibilidade.

(Javier Abad Gómez, Fidelidade, Quadrante, 1991 pg. 10)

Tema para breve reflexão - 2010.10.07

Sacramentos - Carácter

A Confirmação como o Baptismo, imprime na alma do cristão um sinal Espiritual ou carácter indelével; é por isso que só se pode receber este Sacramento uma vez na vida.

(Catecismo da Igreja Católica,  nr. 1317)

06/10/2010

Bom Dia! 39


Tudo isto, posto desta forma, parece simplista e falho de base científica, e… ainda bem se assim for porque, o que se defende, é que não há nenhuma razão, motivo, ou sequer, autoridade, para que o homem interfira no que lhe está vedado por natureza: a Criação!
O homem não é capaz de criar coisa nenhuma.
Um pintor não cria um quadro, limita-se a aplicar um talento que Deus lhe deu, umas técnicas que adquiriu com o estudo e a experiência e uns materiais que estão à sua disposição: telas, tintas, pincéis, etc.
O escritor reproduz em papel aquilo que no seu íntimo imagina e constrói dando-lhe uma forma mais ou menos consistente.
O escultor arranca a golpes de cinzel do bloco de mármore, uma imagem magnífica que a sua arte e senso artístico vão descobrindo.
Nenhum destes pintou um quadro, escreveu um livro ou produziu uma escultura com um simples acto de vontade como que dando um estalido com os dedos. Tiveram de socorrer-se da sua imaginação, saber, técnica e, muito importante, de instrumentos e materiais que já existiam antes.

Criar, propriamente, é fazer algo de nada, onde nada existe passa a haver uma coisa, um ser e, isto, só por um simples acto de vontade.
Esta vontade, esta capacidade é única e exclusiva do Criador, de Deus.

Mas temos também de considerar que “dar a Deus o que é de Deus” é também dar aos outros porque, de facto, é um mandato explícito de Deus. Ao mandar-nos amar os outros como a nós mesmos tal como o fez no Decálogo, não faz uma “recomendação”, ou estabelece um principio, não, exerce o Seu Poder e Autoridade de Criador para ordenar de forma clara o que quer que façamos. E se, amar a Deus e ao próximo como a si mesmo (Lei Natural) é fazer a Vontade de Deus parece que poderíamos assumir que o que temos que dar a Deus é, resumidamente, fazer a Sua Vontade.

Mas como saber o que é a Vontade de Deus na vida corrente de cada um?
Cumprir os Mandamentos?
Claro… mas digamos que esta é uma forma global de apreciar as coisas e, nós homens, precisamos de detalhes, pormenores que se ajustem às pequenas ou grandes incidências da nossa vida.
Os contemporâneos de Jesus, numa tentativa de iludir a questão, pediam-lhe sinais, como se as obras, as palavras, a actuação, enfim, de Jesus Cristo, não fosse, ela própria um sinal mais que evidente da Sua Autoridade Messiânica. 

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Bom Dia! Outubro 06, 2010




O carácter é, chamemos-lhe assim, o disco formatado da nossa estrutura humana. É o conjunto de capacidades, virtudes, defeitos, desejos, anseios de cada um e a estrutura combinada destes mesmos atributos que nos leva a eleger a prática desta ou aquela acção, a aceitar ou repudiar este ou aquele sentimento.
É o que os psicólogos chamam: Personalidade.

Sabemos que houve a tentativa de separar as duas definições como sendo, o carácter o conjunto que a pessoa tem desde que nasce, ao passo que, a personalidade seria a súmula dos conhecimentos adquiridos ao longo da vida.
Não se deve concordar com esta articulação, principalmente porque tal equivaleria dizer que o carácter se atém a uma imutabilidade inicial e a personalidade dependeria de uma variação constante, o que, não se pode considerar como possível.
A personalidade forma-se, de facto, como o carácter, na sucessão de acontecimentos ao longo da vida mas, até um certo ponto, quer dizer, há um momento a partir do qual o carácter (a personalidade) estão definidos e assentes e já não mudam substancialmente na sua estrutura.
Esse momento é aquilo a que chamamos a “idade madura” ou seja, quando a pessoa sabe, definitivamente o que quer e o que lhe convém e, também, o que não deve querer nem lhe deve interessar para a sua vida.
Quando?
Esse momento surge em cada um em tempo e de forma diferente e, claro dependendo do que recebeu, e quanto recebeu, nos primeiros anos de vida.
Daqui, repete-se, o contributo fundamental dos Pais, em primeiríssimo lugar, os professores e demais formadores depois.
Mas não frisemos apenas o “contributo fundamental” mas a obrigação inalienável, o dever grave de cada um dos actores mencionados cumprir com rigor o seu papel.
Quem não recebe esta formação em devido tempo terá muito maior dificuldade em afirmar-se na vida como ser individual e independente, com uma capacidade de opção e liberdade de escolha a que tem direito como qualquer ser humano. Pode vir a colmatar esta lacuna no futuro, é evidente, mas, voltamos a mencionar, a formatação inicial não existindo levá-lo-á a vaguear por conta própria por diversos caminhos que, se não o conduzirem a más soluções, pelo menos, o farão perder um tempo precioso porque, sempre, escasso.


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Textos de Reflexão para 06 de Outubro

Evangelho: Lc 11, 1-4

1 Estando Ele a fazer oração em certo lugar, quando acabou, um dos Seus discípulos disse-Lhe: «Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos». 2 Ele respondeu-lhes: «Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o Teu nome. Venha o Teu reino. 3 O pão nosso de cada dia dá-nos hoje 4 perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todos os que nos ofendem; e não nos deixes cair em tentação».
Comentário:

Como pode ser que os discípulos de Jesus não saibam rezar?!
Então, se rezar é falar com Deus e O tinham ali ao pé, quando falavam com Jesus, que é Deus, não estavam a rezar?
Claro que sim, só que, nessa altura, eles não o sabiam.
A oração é tão simples e acessível que, de facto, não é preciso encontrar nem fórmulas, nem usar belos textos para a fazer. Do coração do homem ao Coração de Jesus, assim é a oração, assim deve ser.
Talvez fosse cedo para explicar isto aos discípulos e, por isso, Jesus  ensina o “Pai-Nosso”.
E ainda bem, porque nos deixou a mais bela oração que um filho de Deus pode dirigir a seu Pai.
Sempre, em qualquer ocasião, seja qual for o motivo, rezar o Pai-Nosso é fazer a melhor oração que se pode fazer e, seguramente, a mais agradável a Deus. 

(ama, comentário sobre Lc 11, 14-4, 2010.08.04)

Tema: Virtudes – Obediência 4

Aquele que actua sempre com espírito de obediência pode estar seguro que não terá de dar a Deus contas das suas acções. 

(S. Filipe de Neri, Máximas, F.W.Faber, Cromwell Press SN12 8PH, nr. 4-17, trad ama)

Doutrina: CCIC – 421: Onde se encontra a Lei nova?
                   CIC – 1971-1974; 1986

A Lei nova encontra-se em toda a vida e pregação de Cristo e na catequese moral dos Apóstolos: o Sermão do Senhor na Montanha é a sua principal expressão.

Tema para breve reflexão - 2010.10.06

Omnipotência de Deus

A omnipotência de Deus manifesta-se, sobretudo, no facto de perdoar e usar de misericórdia, porque a forma que Deus tem de mostrar que tem o poder supremo é perdoar livremente.

(S. Tomás de aquino, Suma Teológica, 1, q. 25, a. 3 ad 3)

05/10/2010

Bom Dia! Outubro 05, 2010




O primeiro computador era um monstro que ocupava vários andares de um prédio, de uma complexidade tal que só os seus criadores e muito poucas outras pessoas sabiam manejá-lo.
Hoje em dia, as crianças dedilham com frenesim eficaz pequenos aparelhos com muito mais potência e incontáveis capacidades que aquele primeiro que consumiu décadas a ser imaginado e construído. Mas, é evidente, se não tivesse sido descoberto o princípio “base” do computador seria impossível ter, hoje em dia, essas crianças – e adultos – usufruindo de máquinas que de tão vulgarizadas que estão já quase não passamos em elas.

Que tem isto a ver com o carácter?
Tem tudo a ver porque, uma vez mais, tem de se ter a noção que tudo quanto fazemos hoje, terá um efeito no futuro, próximo ou longínquo e que muitas pessoas – nunca saberemos quantas – serão beneficiadas com essa nossa preocupação em evoluir.
Também, é verdade, temos de ter a certeza que se não fizermos o que nos compete, ninguém o fará por nós, prejudicando assim a sociedade inteira talvez hipotecando o futuro próximo por causa de um alheamento actual.
Esta noção de que cada ser humano é individual e irrepetível tem de levar-nos a uma constante preocupação por ocupar o nosso lugar da forma correcta cumprindo o nosso papel, desenvolvendo a nossa actividade com as capacidades e potências que temos e vamos desenvolvendo ao longo da vida, desde que nascemos até ao último momento.
Como “ninguém nasce ensinado”, a formação do carácter assume uma importância fundamental no normal desenvolvimento da pessoa humana.
Os Pais, em primeiríssimo lugar, os professores e demais formadores têm aqui um papel crucial a levar a cabo junto dos jovens que começam a dar os primeiros passos na vida consciente.
Tal como na história dos computadores a criança que não recebeu desde o início as noções, por primárias e incipientes que sejam, de como caminhar na vida, dificilmente se adaptará à mesma vida. Descobrirá, inevitavelmente, muitas coisas por si mesma, mas não saberá formatá-las como necessita porque lhe falta o “disco” original que não recebeu em tempo.


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Textos de Reflexão para 05 de Outubro

Evangelho: Lc 10, 38-42

38 Indo em viagem, entrou numa aldeia, e uma mulher, chamada Marta, recebeu-O em sua casa. 39 Esta tinha uma irmã, chamada Maria que, sentada aos pés do Senhor, ouvia a Sua palavra. 40 Marta, porém, afadigava-se muito na contínua lida da casa. Aproximando-se, disse: «Senhor, não Te importas que a minha irmã me tenha deixado só com o serviço da casa? Diz-lhe, pois, que me ajude». 41 O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, tu afadigas-te e andas inquieta com muitas coisas 42 quando uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».
Meditação:

No início, dói-me sempre um pouco, confesso, este trecho do Evangelho. Parece-me que Jesus tem Marta em pouca conta ou que avalia, talvez com frieza, o serviço, que tão interessadamente presta.
Maria, sem dúvida que opta por uma atitude importante - a melhor parte - e que, essa opção é valiosa demais para poder ser ignorada. Será uma atitude que agrada a Cristo de tal forma que é declarada a sua inviolabilidade «não lhe será tirada» declara Jesus.
Quanto a Marta, poderia optar pela mesma atitude da irmã e, logo, objecto do mesmo louvor do Mestre.
De facto, Jesus, não recrimina Marta, apenas lhe aponta as prioridades.
Lembro que o Mestre era acompanhado por numerosa comitiva e que, Marta como boa de casa oriental sentia a necessidade de atender toda esta gente, proporcionar um acolhimento condigno com o estatuto e posição social da família.
Onde me levam estas considerações? Que Jesus foi duro, ou, pelo menos, pouco amável com Marta?
Não me parece. Julgo que, a confiança e amizade de Jesus pelos irmãos, Lhe permitiu a catequese necessária e esclarecedora no momento e que, Marta, terá compreendido perfeitamente as palavras do Mestre.
A escolha de cada um tem que ver, naturalmente, com a própria maneira de ser e, também com o sentido da oportunidade.
Pensando bem, Marta haveria de ter outras ocasiões de servir, de prestar aos outros a atenção e cuidados que se mostrassem necessários.
Já Maria terá querido aproveitar uma oportunidade soberana, que talvez não voltasse a apresentar-se, de ouvir, detida e atentamente, as palavras de Cristo.
Na casa dos Seus amigos, Jesus deveria gozar de alguns momentos de relativa privacidade.
Maria entra, assim, na privacidade de Jesus que a partilha com ela como desejaria partilhá-la com Marta se esta se detivesse, uns momentos que fossem, junto dele.
Jesus não tira valor a uma em detrimento da outra, apenas define, com a clareza e verdade que sempre usa, a melhor opção.
Chego, portanto à conclusão que, para servir, bem, Jesus é preciso primeiro ouvi-lo para saber qual a melhor forma de prestar esse serviço.

(ama, palestra sobre Lc 10 38-42, Esposende, 2010.07.18)

Tema: Virtudes – Obediência 3

A submissão - a obediência - não é incompatível com a liberdade, porque é a ordenação da liberdade. 

(Federico Suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 153)

Doutrina: CCIC – 420: O que é a Nova Lei ou Lei evangélica?
                   CIC – 1965-1972; 1983-1985

A Nova Lei ou Lei evangélica, proclamada e realizada por Cristo, é a perfeição e cumprimento da Lei divina, natural e revelada. Resume-se no mandamento do amor a Deus e ao próximo, e de nos amarmos como Cristo nos amou; é também uma realidade interior dada ao homem: a graça do Espírito Santo que torna possível um tal amor. É a «lei da liberdade» (Tg 1,25), porque nos inclina a agir espontaneamente sob o impulso da caridade.

«A Lei nova é sobretudo a própria graça do Espírito Santo, dada aos crentes em Cristo» (S. Tomás de Aquino).

Tema para breve reflexão - 2010.10.05

Trabalho apostólico

A consideração das necessidades Espirituais do mundo deve levar-nos a um infatigável e generoso trabalho apostólico.

(Bíblia Sagrada, anotada pela Fac. de Teologia da Univ. de Navarra,, Comentário Mt 9, 36)

04/10/2010

Padrinhos e Madrinhas



Quando li na minha caixa de correio o convite para colaborar no NUNC COEPI, não pude deixar de sentir algum orgulho por ombrear com duas pessoas que fazem das suas vidas a missão de levar Cristo tão empenhadamente aos outros e d’Ele darem permanente testemunho, com conhecimento e profundidade.

Se a um, Spe Deus, tenho como um bom amigo, (apesar de não o conhecer pessoalmente), e me habituei a admirar a sua constância e procura, (partilhada com todos), do Nosso Deus que está entre nós, ao outro, liga-me o sangue e toda uma vida em conjunto, separada às vezes pelas muitas circunstâncias da vida neste mundo.

Mas liga-me muito mais até do que isso, pois para além dos laços familiares de filhos dos mesmos pais, liga-me a unidade filial em Jesus Cristo e o laço por Ele abençoado, do António ser meu padrinho de Baptismo e também de Matrimónio.

E é aqui que é interessante reflectir, nesta coisa tão simples e ao mesmo tempo tão importante e séria, de se ser padrinho de Baptismo, de Crisma, de Matrimónio.

O que é isto de ser Padrinho de Baptismo?

Chegado aqui, pensei escrever um texto sobre este assunto, mas na minha procura nos documentos da Igreja, encontrei tanta riqueza e clarividência que me limito para já a transcrevê-los, deixando para outra vez aquilo que me seja dado escrever.

Assim, diz-nos o Catecismo da Igreja Católica sobre os padrinhos de Baptismo:

1255. Para que a graça baptismal possa desenvolver-se, é importante a ajuda dos pais. Esse é também o papel do padrinho ou da madrinha, que devem ser pessoas de fé sólida, capazes e preparados para ajudar o novo baptizado, criança ou adulto, no seu caminho de vida cristã (50). O seu múnus é um verdadeiro ofício eclesial (51). Toda a comunidade eclesial tem uma parte de responsabilidade no desenvolvimento e na defesa da graça recebida no Baptismo.

O Catecismo remete-nos depois para o Código de Direito Canónico, que é perfeitamente explícito:

Título I
Do BAPTISMO
Capítulo IV
DOS PADRINHOS

Cân. 872 Ao baptizando, enquanto possível, seja dado um padrinho, a quem cabe acompanhar o baptizando adulto na iniciação cristã e, junto com os pais, apresentar ao baptismo o baptizando criança. Cabe também a ele ajudar que o baptizado leve uma vida de acordo com o baptismo e cumpra com fidelidade as obrigações inerentes.
Cân. 873 Admite-se apenas um padrinho ou uma só madrinha, ou também um padrinho e uma madrinha.
Cân. 874 § 1. Para que alguém seja admitido para assumir o encargo de padrinho, é necessário que:
1° - seja designado pelo baptizando, por seus pais ou por quem lhes faz as vezes, ou, na falta deles, pelo próprio pároco ou ministro, e tenha aptidão e intenção de cumprir esse encargo;
2° - Tenha completado dezasseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou pareça ao pároco ou ministro que se deva admitir uma excepção por justa causa;
3° - seja católico, confirmado, já tenha recebido o santíssimo sacramento da Eucaristia e leve uma vida de acordo com a fé e o encargo que vai assumir;
4° - não tenha sido atingido por nenhuma pena canónica legitimamente aplicada ou declarada;
5° - não seja o pai ou a mãe do baptizando.
§ 2. O baptizado pertencente a uma comunidade eclesial não católica só seja admitido junto com um padrinho católico, o qual será apenas testemunha do baptismo.


Sobre os padrinhos de Baptismo diz-nos o Catecismo da Igreja Católica:


1311. Tanto para a Confirmação, como para o Baptismo, convém que os candidatos procurem a ajuda espiritual dum padrinho ou de uma madrinha. É conveniente que seja o mesmo do Baptismo, para marcar bem a unidade dos dois sacramentos (139).

Remetendo-nos também para o Código de Direito Canónico:


Título II
DO SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO
CAPÍTULO IV
DOS PADRINHOS

Cân. 892 - Enquanto possível, assista ao confirmando um padrinho, a quem cabe cuidar que o confirmado se comporte como verdadeira testemunha de Cristo e cumpra com fidelidade as obrigações inerentes a esse sacramento.
Cân. 893 - § 1. Para que alguém desempenhe o encargo de padrinho, é necessário que preencha as condições mencionadas no cân. 874.
§ 2. É conveniente que se assuma como padrinho o mesmo que assumiu esse encargo no baptismo.


Saliento da leitura destes documentos da Igreja, o conselho, (que não conhecia), de que o padrinho do Sacramento da Confirmação, seja tanto quanto possível, aquela ou aquele que foi o padrinho de Baptismo.

Assim vamos aprendendo a conhecer melhor a Fé que nos une, a Doutrina que desejamos assumir, a vida em Cristo que nos é dada por Sua graça, para, em Igreja, melhor vivermos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
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Bom Dia! Outubro 04, 2010






Vem à memória, inevitavelmente, a cena evangélica da viúva pobre e das duas moedas que deitou no cofre do Templo.
Sabia que era pobre, tinha a noção que as duas moedas lhe fariam falta para a sua vida corrente e, no entanto, deu-as sem hesitar porque terá pensado que haveria alguém a quem aquelas duas moeditas fariam um grande bem.
De facto o bem que se faz diariamente pelo mundo fora é constituído, na sua maior parte, por muitas dádivas de “duas moedas”, de actos de generosidade de escasso valor mas que, somados formam um rio caudaloso que alimenta e torna mais felizes os muitos necessitados que vivem com terríveis carências e que dependem dessas duas moedas para viver.
O carácter desta viúva era riquíssimo, não vivia isolada e conformada com a sua pobreza e a escassez de bens, ao contrário, via uma “nesga” de felicidade em poder “fazer bem sem saber a quem”, tinha uma visão de conjunto da vida própria e alheia, sabia-se fazendo parte de uma sociedade em que, não obstante ocupar uma posição discretíssima, tinha um papel a cumprir e que, só ela, o podia fazer.

Na vida profissional de cada um, tem de existir o desejo de melhoria sob pena de que, o que se faz, não satisfaça nem o próprio nem os outros que têm direito a que faça o melhor que sabe.
E, como fará o melhor que sabe se, o que sabe, é pouco e desactualizado?
E se não estuda, não se interessa por conhecer o que há de novo na sua profissão como pode aspirar a um melhor desempenho da mesma?
O conhecimento não seria possível se não houvesse esta atitude de procura constante do ser humano, orientado para a descoberta de novos métodos, meios e soluções para os variados problemas e situações da vida corrente. Nada surge por acaso, alguém teve de o descobrir, trabalhando, dedicando a suas capacidades à descoberta do novo. 


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Tema para breve reflexão - 2010.10.04

Procurar Jesus

Procuráveis-Me por motivos da carne, não do espírito. Quantos há que procuram Jesus, guiados só por interesses materiais! (...) Apenas se procura Jesus por Jesus.

(Stº Agostinho, Comentário ao Evangelho de S. João, 25, 10)

Textos de Reflexão para 04 de Otubro

Evangelho: Lc 10, 25-37

25 Eis que se levantou um doutor da lei, e disse-lhe para o experimentar: «Mestre, que devo eu fazer para alcançar a vida eterna?». 26 Jesus respondeu-lhe: «O que é que está escrito na Lei? Como lês tu?». 27 Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e o teu próximo como a ti mesmo». 28 Jesus disse-lhe: «Respondeste bem: faz isso e viverás». 29 Mas ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?». 30 Jesus, retomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que o despojaram, o espancaram e retiraram-se, deixando-o meio morto. 31 Ora aconteceu que descia pelo mesmo caminho um sacerdote que, quando o viu, passou de largo.32 Igualmente um levita, chegando perto daquele lugar e vendo-o, passou adiante. 33 Um samaritano, porém, que ia de viagem, chegou perto dele e, quando o viu, encheu-se de compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu jumento, levou-o a uma estalagem e cuidou dele. 35 No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao estalajadeiro e disse-lhe: Cuida dele; quanto gastares a mais, eu to pagarei quando voltar. 36 Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?». 37 Ele respondeu: «O que usou de misericórdia com ele». Então Jesus disse-lhe: «Vai e faz tu o mesmo».

Comentário:

Decorreram uns três anos sobre o meu contacto directo, no hospital, com mais espantosa falta de atenção ao próximo que me foi dado enfrentar na minha já não curta vida. (vd meditação 2010 XV Semana T. Comum)
Em vez de centrar a minha meditação deste trecho evangélico sobre as figuras do sacerdote, do levita ou do samaritano vou antes chamar para a primeira fila do meu pensamento o pobre abandonado pelos salteadores.
Imagino um viajante com aspecto próspero, - senão que interesse teriam os salteadores -; depois penso que de facto seria portador de bens consideráveis que terá procurado salvaguardar e, isto explica a violência de que foi alvo, ter ficado coberto de feridas e abandonado quase morto.
Quase imediatamente me vem ao pensamento que esse viajante é o próprio Cristo que caminha pelo mundo sendo frequente vítima de assaltos e violências inauditas por parte de alguns - muitos, infelizmente - que procuram despojá-lo dos tesouros de é portador o mais valioso dos quais é a Salvação da humanidade.
E atacam-no, violentam-no e, se não O matam, outra vez, numa Cruz, abandonam-no na vera do caminho como coisa sem interesse ou préstimo algum.
Das pessoas que passam e constatam esta duríssima realidade, eu, sou uma delas.
Detenho-me ao Seu lado aterrado com o que vejo e fico sem saber o que fazer. Isto é, parece-me que o que posso fazer é muito pouco, indigno, insuficiente.
Não obstante dedico-me de todo o coração e com todas as minhas potências a ajudar aquele Jesus que sofre se encontra semi-morto com os ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que foi - é - ofendido.
Digo-lhe que O amo, peço-lhe perdão, insisto que me acompanhe para que eu, embora fraco como infelizmente sou, O proteja e salvaguarde.

(ama, meditação sobre Lc 10, 25-37, 2010.07.10)

Tema: Virtudes – Obediência 2

A obediência torna meritórios os nossos actos e sofrimentos, de tal modo que, inúteis que estes últimos possam parecer, podem chegar a ser muito fecundos. Uma das maravilhas realizadas por Nosso Senhor é ter feito com que se tornasse proveitosa a coisa mais inútil, como é a dor. Ele glorificou-a mediante a obediência e o amor. 

(R. Garrigou-Lagrange, Las três edades de la vida interior, vol. II, nr. 683, trad por ama)

Doutrina: CCIC – 419:  Qual o lugar da antiga Lei, no plano da salvação?
                   CIC 1963-1964; 1982

A Antiga Lei permite conhecer muitas verdades acessíveis à razão, indica o que se deve e o que se não deve fazer, e sobretudo, como um sábio pedagogo, prepara e dispõe à conversão e ao acolhimento do Evangelho. Todavia, embora santa, espiritual e boa, a Lei antiga é ainda imperfeita, pois, por si, não dá a força e a graça do Espírito para a cumprir.

Festa: São Francisco de Assis

                                                                                                                                                                Nota Histórica
Nasceu em Assis, no ano 1182. Depois de uma juventude leviana, converteu se a Cristo, renunciou a todos os bens paternos e entregou se inteiramente a Deus. Abraçou a pobreza para seguir mais perfeitamente o exemplo de Cristo e pregava a todos o amor de Deus. Formou os seus companheiros com normas excelentes, inspiradas no Evangelho, que foram aprovadas pela Sé Apostólica. Fundou também uma Ordem de religiosas e uma Ordem Terceira para seculares; e promoveu a pregação da fé entre os infiéis. Morreu em 1226. (snl)                                                                            

03/10/2010

Bom Dia! Outubro 03, 2010




A formação do carácter é fundamental neste aspecto pois leva a pessoa a considerar o que é razoável e o que o não é, aquilo que tem sentido numa vida normal e corrente e aquilo que não passa de um devaneio mais ou menos vago da imaginação.
A pessoa pode querer dizer: se eu tivesse esta coisa e aquela faria isto e aquilo!
Às vezes mascara-se esta atitude acrescentando: distribuiria desta e daquela maneira, faria esta ou aquela obra de beneficência, promoveria auxílio a muita gente.
A pessoa que pensa assim, normalmente, passa em claro esses objectivos, isto é, não distribui nada do que tem nem se preocupa em contribuir para o que lhe solicitam porque considera que não alcançou aquela tal situação que, erradamente, considera ideal para o fazer. Provavelmente passará toda a sua vida assim, egoistamente centrado num sonho que nunca se concretizará. Como não o consegue sente-se dispensado de fazer o bem porque se satisfaz com a ideia de que o faria se o conseguisse.


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Tema para breve reflexão - 2010.10.03

Oração - Sensações

A doçura que alguns experimentam na oração, é leite que Nosso Senhor dá como condimento àqueles que estão a começar a servi-lo.

(S. Filipe de Neri, Máximas, F.W.Faber, Cromwell Press SN12 8PH, nr. 4-21, trd ama)

Textos de Reflexão para 03 de Outubro

Evangelho: Lc 17, 5-10

5 Os apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta-nos a fé!». 6 O Senhor disse-lhes: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te para o mar, e ela vos obedecerá. 7 «Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem depressa, põe-te à mesa? 8 Não lhe dirá antes: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois comerás tu e beberás? 9 Porventura, fica o senhor obrigado àquele servo, por ter feito o que lhe tinha mandado? 10 Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer».

Comentário:

Claro que, depois, o Mestre há-de garantir o prémio da vida eterna para quem cumprir a Vontade de Deus. Ou seja, não é por fazer a Vontade de Deus que merecemos um prémio mas porque, de facto, esta é a única forma de participar na Glória futura.
Há um mérito, há uma consequência.
O contrário é muito claro também: fazer a minha vontade significa satisfazer-me a mim mesmo, por outras palavras, auto-premiar-me.
Logo, recebido de imediato o prémio, a que mais aspirar? 

(ama, comentário sobre Lc 17, 7-10, 2009.07.02)

Tema: Virtudes – Obediência 1

A obediência consiste essencialmente neste conceito:
A obediência implica sempre o sacrifício da nossa vontade, e isso explica suficientemente porque o homem tem repugnância em obedecer. Obedecer é sempre ceder

(Georges Chevrot, Jesus e a Samaritana, Éfeso, 1956, pg 176)


Doutrina: : CCIC – 418:  Qual é a relação entre a Lei Natural e a Antiga Lei?
                   CIC 1961-1964; 1980-1982

A Antiga Lei é o primeiro estádio da Lei revelada. Ela exprime muitas verdades que são naturalmente acessíveis à razão e que se encontram assim declaradas e autenticadas nas Alianças da salvação. As suas prescrições morais estão compendiadas nos Dez Mandamentos do Decálogo, colocam os alicerces da vocação do homem, proíbem o que é contrário ao amor de Deus e do próximo e prescrevem o que lhe é essencial.