16/06/2010

SINAIS DOS TEMPOS

 Conferência do Cardeal-Patriarca de Lisboa nas Jornadas Pastorais da CEP

«Sinais dos tempos» hoje, na sociedade e na Igreja em Portugal

Este é um ponto prévio para uma leitura actual dos “sinais dos tempos”: olhar o mundo com amor e com esperança. Podemos cair, facilmente de mais, na atitude de condenação da sociedade actual. Mas é possível amar o mundo sem concordar com o mundo. O anúncio cristão pode, por vezes, ser uma denúncia, embora deva ser, sobretudo, anúncio. Mas se começa pela denúncia, corre o risco de nunca ser anúncio.
Não se trata de um confronto ético entre um sistema laico e um sistema religioso, mas de uma questão de sentido, à qual se entrega a própria liberdade.[1] 

“Viver na pluralidade de sistemas de valores e de quadros éticos, exige uma viagem ao centro de si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade, inventar caminhos de missão até à radicalidade do martírio” [2].

Frente à actual realidade da sociedade portuguesa, ouso ter um pressentimento: é preciso encontrar formas novas de intervenção da Igreja na sociedade. A Igreja faz parte integrante do todo da sociedade e dada a qualidade da sua mensagem e o número dos seus membros, não pode deixar de procurar formas sempre novas para contribuir para o bem da comunidade humana em que está integrada.
Estamos a cair na situação anacrónica que qualquer intervenção da Igreja, de modo particular da hierarquia, em dimensões fundamentais como o são uma sã antropologia ou a defesa de valores éticos é facilmente julgada como intervenção na esfera do estritamente político, esquecendo que o domínio político é todo o interesse pelo bem da “polis”. É preciso valorizar a Igreja como o conjunto dos fiéis, a comunidade crente, e não a identificar só com a hierarquia. Esta, por decisão própria e em defesa do carácter específico do seu ministério, abstém-se habitualmente de se imiscuir no âmbito do estritamente político. Mas os cristãos leigos não são a isso obrigados e devem ser porta-vozes, no seio da sociedade, dos autênticos valores cristãos. Aliás, pressinto que virá dos leigos a energia para esta renovação da intervenção da Igreja na sociedade. O Santo Padre, dirigindo-se aos Bispos, sublinha a importância decisiva de um “laicado maduro”: “Os tempos que vivemos exigem um novo vigor missionário dos cristãos chamados a formar um laicado maduro, identificado com a Igreja, solidário com a complexa transformação do mundo. Há necessidade de verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos, onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo: políticos, intelectuais, profissionais da comunicação que professam e promovem uma proposta mono-cultural com menosprezo pela dimensão religiosa e contemplativa da vida. Em tais âmbitos, não faltam crentes envergonhados que dão as mãos ao secularismo, construtor de barreiras à inspiração cristã”[3].

A intervenção profética da Igreja na sociedade contemporânea tem de privilegiar a proclamação de uma correcta antropologia, levando à descoberta do mistério do homem, de que decorre a defesa ética dos princípios da convivência humana, em ordem à construção duma sociedade fraterna. Este desafio antropológico esteve fortemente presente na palavra do Papa entre nós. Referindo-se à contribuição da Igreja no “ordenamento justo da sociedade”, explicita: “Situada na história, a Igreja está aberta a colaborar com quem não marginaliza a essencial consideração do sentido humano da vida”[4]. Esta sã antropologia tem de integrar a dimensão transcendente da vida humana, “integrar a fé e a racionalidade moderna numa única visão antropológica, que completa o ser humano e torna, desse modo, comunicáveis as culturas humanas”[5].

Fátima, 16 de Junho de 2010

†JOSÉ, Cardeal-Patriarca

(fonte: Ecclesia)


[1] Bento XVI em Portugal, Discurso no Aeroporto da Portela, 11 de Maio de 2010
[2] Ibidem
[3] Bento XVI, Discurso no Encontro com os Bispos de Portugal, Fátima, 13 de Maio de 2010
[4] Bento XVI em Portugal, Discurso no Aeroporto da Portela, 11 de Maio de 2010
[5] Bento XVI, diálogo com os Jornalistas durante o Voo para Portugal, 11 de Maio de 2010

Textos de Reflexão para 16 de Junho

Evangelho: Mt 6, 1-6; 16-18

1 «Guardai-vos de fazer as boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles. De contrário não tereis direito à recompensa do vosso Pai que está nos céus. 2 «Quando, pois, dás esmola, não faças tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. 3 Mas, quando dás esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, 4 para que a tua esmola fique em segredo, e teu Pai, que vê o que fazes em segredo, te pagará. 5 «Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, a fim de serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. 6 Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, ora a teu Pai; e teu Pai, que vê o que se passa em segredo, te dará a recompensa. 16 «Quando jejuais, não vos mostreis tristes como os hipócritas que desfiguram o rosto para mostrar aos homens que jejuam. Na verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. 17 Mas tu, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto ,18 a fim de que não pareça aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está presente no oculto, e teu Pai, que vê no oculto, te dará a recompensa.

Comentário:

Quantas vezes, Senhor, eu quero ser visto e, mais, admirado, não por Ti, mas por outros, que vejam a minha piedade, o meu porte, a minha capacidade! O que me deve interessar é que Tu me vejas e, isso, tenho eu a certeza que acontece. Por isso mesmo, devo comportar-me, sempre, bem ciente dessa realidade: que Tu me vês, me escutas, me acompanhas SEMPRE, e em qualquer circunstância. Se tiver bem presente esta realidade, então não me importará nada que os outros vejam porque ficarão sabendo que apenas tento cumprir a Tua Vontade Santa, em tudo, Amém. 

(ama, meditação sobre Mt 6,1-6.16-18, 2009.06.17)

Tema: Discrição

Discrição não é mistério nem segredo. - É, simplesmente, naturalidade. 

(Leo J. Trese, A Fé Explicada, Edições Quadrante, S. Paulo, 4ª Ed., nr. 280/1)

O CAJADO DO PASTOR

USAR O CAJADO

«O vosso cajado me sossega»: o pastor precisa de usar o cajado como um bastão contra os animais selvagens que querem irromper no meio do rebanho; contra os salteadores que procuram o seu botim. A par de bastão, o cajado serve também de apoio e ajuda para atravessar sítios difíceis. As duas coisas fazem parte também do ministério da Igreja, do ministério do sacerdote. Também a Igreja deve usar o bastão do pastor, o bastão com que protege a fé contra os falsificadores, contra as orientações que, na realidade, são desorientações. Por isso mesmo este uso do bastão pode ser um serviço de amor. Hoje vemos que não se trata de amor, quando se toleram comportamentos indignos da vida sacerdotal. E também não se trata de amor, se se deixa proliferar a heresia, a deturpação e o descalabro da fé, como se tivéssemos nós autonomamente inventado a fé; como se já não fosse dom de Deus, a pedra preciosa que não deixaremos arrebatar. Ao mesmo tempo, porém, o bastão deve continuar a ser o cajado do pastor, cajado que ajude os homens a poderem caminhar por sendas difíceis e a seguirem o Senhor. 

(Bento XVI, Homilia aos Sacerdotes na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus - 11. 06. 2010) 
Cardeal-Patriarca pede nova atitude da Igreja perante a sociedade
D. José Policarpo falou aos Bispos portugueses da necessidade de uma atitude dialogante e das implicações políticas da fé

“A Igreja faz parte integrante do todo da sociedade e dada a qualidade da sua mensagem e o número dos seus membros, não pode deixar de procurar formas sempre novas para contribuir para o bem da comunidade humana em que está integrada”, afirmou.
O Patriarca de Lisboa falava nas Jornadas Pastorais da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), uma iniciativa de estudo e debate que decorre em Fátima, centradas no tema «Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal».
“O anúncio cristão pode, por vezes, ser uma denúncia, embora deva ser, sobretudo, anúncio. Mas se começa pela denúncia, corre o risco de nunca ser anúncio”, alertou.
O Cardeal-Patriarca lamentou a “situação anacrónica” de considerar “qualquer intervenção da Igreja” como uma “intervenção na esfera do estritamente político” e deixou uma confissão: “Pressinto que virá dos leigos a energia para esta renovação da intervenção da Igreja na sociedade”.
“É impressionante verificar a pouca importância que a dimensão ética tem nas escolhas políticas”, observou, antes de recordar que “o voto deveria ser sempre a escolha de uma consciência bem formada e esclarecida”.
A hierarquia, referiu o antigo presidente da CEP, "abstém-se habitualmente de se imiscuir no âmbito do estritamente político, mas os cristãos leigos não são a isso obrigados e devem ser porta-vozes, no seio da sociedade, dos autênticos valores cristãos".
D. José Policarpo lembrou várias passagens dos discursos proferidos por Bento XVI na sua viagem a Portugal, frisando que o próprio Papa afirmou a importância de uma “atitude aberta e dialogante”.
“Esta atitude dialogante da Igreja perante a sociedade real, com os seus valores e os seus desvios, não pode significar uma cedência”, apontou, ao declarar que o anúncio feito pela Igreja “não pode ser apenas denúncia negativa, mas afirmação do nosso empenho no progresso da humanidade”.
Para o Cardeal-Patriarca, “se nos limitarmos à denúncia, a nossa voz pode ser facilmente interpretada como mera tomada de posição política e ser vítima de fundamentalismos”.
“Estes, sejam de matriz religiosa ou ideológica, acabam sempre por roçar a intervenção política na defesa de posições pessoais ou grupais, isolando a verdade que defendem da verdade fundamental que é o amor salvífico de Deus”, alertou.
Citando a Constituição Pastoral “Gaudium et Spes” (1965), do Concílio Vaticano II, D. José Policarpo defendeu que “só amando o mundo se podem captar os sinais que a realidade emite, para que a Igreja intua caminhos concretos de missão”.
“Podemos cair, facilmente de mais, na atitude de condenação da sociedade actual, mas é possível amar o mundo sem concordar com o mundo”, assinalou, apelando a um “olhar construtivo sobre a sociedade, por parte da Igreja”.
Entre os pontos que valorizou, na sua longa intervenção, o Patriarca de Lisboa destacou a “busca de sentido” na sociedade actual, mas deixou como alerta a constatação de que “muitos já não procuram, espontaneamente, a resposta da Igreja, na sua acção institucional”.
Neste contexto, D. José Policarpo falou em particular do “universo juvenil”, convidando os presentes a “aceitar o desafio de rever profundamente a nossa pastoral juvenil”.
Após recordar os apelos do Papa para que a acção social da Igreja portuguesa fosse repensada, o Patriarca de Lisboa concluiu a sua intervenção com uma nota crítica: “Trabalhamos mais do que amamos, criamos estruturas mas quando as pessoas precisam do pastor, nós estamos ocupados”.  

(Fonte: Ecclesia)

15/06/2010

VIRTUDES - ALEGRIA

ALEGRIA

O que é?

Não encontrei, até hoje, uma definição que me satisfizesse. Porquê? Talvez não ela não exista realmente.
Se perguntar a alguém mergulhado na tristeza, possivelmente dir-me-ia que é o que lhe falta.
É interessante constatar que só existe uma dimensão da alegria. Não se pode estar muito ou pouco alegre ou... assim-assim... A alegria é, evidentemente, uma virtude e como tal, não é algo que às vezes se tem e outras não. (comparando, não se é honesto intermitentemente, ou se é, sempre ou não se é).

A pessoa pode ser alegre e ter, como toda a gente, problemas e desgostos.
Parece um disparate alguém poder encontrar alegria num desgosto mas, não é.

Sendo uma virtude é claro que pode possuir-se em maior ou menor grau, isto é, ter uma sensação mais ou menos intensa que se sobreponha, sempre com êxito, ao seu contrário.
Por outras palavras, quem goza desta virtude nunca estará triste pelo simples facto de não ser possível a sua coexistência. É um erro comparar uma virtude com um defeito. Não se podem comparar naturezas diferentes.

A alegria encontra, sempre, algo positivo, valorizável e construtivo no que, na vida de cada um, se apresenta como uma negação, sem valor ou destrutivo.

Posso permanecer alegre na dor, na provação, na carência, na morte?

Sim, posso e, a razão é simples de perceber: porque nada, na nossa vida, é definitivo, determinante, sem remédio ou solução.
Logo, não será isto motivo bastante para a alegria permanecer?

As manifestações externas são, só, isso. O choro, por exemplo não é necessariamente uma manifestação de tristeza, pode muito bem ser a exteriorização de arrependimento, que é, em si mesmo, algo bom e, sempre, motivo de alegria.

Como também é claro que o riso, a expansão efusiva de um sentimento, pode ser apenas um reflexo de algo que subitamente alterou um estado.
Daqui que, fundamentalmente, só exista uma verdadeira alegria e que é:

A ALEGRIA DOS FILHOS DE DEUS.

Exactamente.
Quem se sabe e reconhece esta condição, sabe que tudo, absolutamente tudo, quanto possa acontecer na sua vida é permitido pelo seu Pai Deus, portanto, será, sempre, para seu próprio bem.

Não é, este, um motivo suficiente e bastante para uma profunda alegria?

(ama, dissertação sobre a Alegria, 2010.05.25)






72

Textos de Reflexão para 15 de Junho

Evangelho: Mt 5, 43-48

43 «Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? 47 E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? 48 Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Meditação:

Na Tua presença, viva, real, no Sacrário, pergunto: 
Senhor, perfeito, eu? Como o Teu Pai è perfeito! Senhor, sabes o que me pedes?

E, Tu, respondes:
 “Bem sei que não podes, aliás, tu, sozinho, não podes
nada”.

Eu insisto: 
Então, Senhor, porque mandas tal coisa?

Ficas-te em silêncio e, no silêncio oiço-te: 

“Não me interessa tanto se consegues ou não o que, sim, quero, é que tentes”.

E, eu, então, como Santo Agostinho, digo-te: Manda o que quiseres mas dá-me o que mandares.[i] (ama, meditação sobre Mt 5, 43-48, 2010.04.27)


Tema: Ajudar o próximo

Se desejamos ajudar o nosso próximo, não devemos reservar para nós nem lugar, hora ou época

(S. Filipe de Néri, Máximas, F.W.Faber, Cromwell Press SN12 8PH, nr. 119, trad. AMA)


[i] Da quod iube et iube quod vis

14/06/2010

Textos de Reflexão para 14 de Junho

Evangelho: Mt 5, 38-42

38 «Ouvistes que foi dito: “Olho por olho e dente por dente”. 39 Eu, porém, digo-vos que não resistais ao homem mau; mas, se alguém te ferir na tua face direita, apresenta-lhe também a outra; 40 e ao que quer chamar-te a juízo para te tirar a túnica, cede-lhe também a capa. 41 Se alguém te forçar a dar mil passos, vai com ele mais dois mil. 42 Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem deseja que lhe emprestes.
Comentário:

Senhor: que a minha porta esteja sempre aberta aos que me procuram. A escassez económica não pode ser desculpa para a falta de generosidade. Que eu dê tudo quanto possa e deva dar. A começar pelo meu tempo, que não é meu mas sim, Teu; pelas minhas orações; pelo meu interesse e a minha solidariedade, pela minha assistência em tudo quanto me for pedido. Assim, poderei devolver parte do muito que tenho recebido, e serei mais justo. 

(AMA, meditação sobre Mt 5, 38-42, Junho 2008)

13/06/2010

Carta ao Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

Tenho de confessar a verdade: Reacções a esta "carta" têm-me chegado via mail ou telefone. A maior parte é  a perguntar qual o endereço. Aqui fica: E-mail: cep.sgeral@ecclesia.pt.
Outros que acham extemporâneo, talvez, sem efeito prático, outros que peço - ou sugiro - algo que nunca se viu.
Peço desculpa mas, a estes, digo, sem mais, que estão enganados.

Poderia inundar esta mensagem de intervenções. consideradas politicas, de inúmeras Conferências Episcopais. Algumas, em países onde   a liberdade não é propriamente coisa factual.

Pessoalmente, acho que a carta do Sr, Cardeal Patriarca é muito mais que um intervenção política, é, declaradamente, aquilo que pensa o Príncipe da Igreja Portuguesa (membro pro inerência da CEP), e, como é um homem, português de pleno direito, exerceu esse mesmo direito de forma clara, iniludível e esclarecedora e com a autoridade por todos reconhecida.

Na minha "carta aberta", não solicito à CEP que diga aos católicos portugueses  em quem devem ou não votar, o que faço, é pedir encarecidamente, aos Pastores que dirijam o rebanho e lhe indiquem sem qualquer medo ou rebuço a pastagem que, no seu critério, mais convém a esse mesmo rebanho.

Se o nosso queridíssímo João Paulo II não tivesse actuado da forma como o fez, provavelmente ainda existira um muro em Berlim e outros "muros" mais, se teriam levantado por esse mundo fora.

O que eu sinto, é que estamos ansiosos por essa indicação para pôr-mos ombros à parte que nos compete: sermos católicos inteiros, de palavra e de obras, intervindo quando há que intervir, com respeito e seriedade, sem falsos pretextos ou fantasias, mas com um critério sólido e fundamentado.

Não podemos "deixar o chapéu, à porta da sacristia" só porque se trata politica, não voltemos "ás catacumbas" onde muitos desejam que nos refugiemos.

Não sejamos católicos de Missa ao Domingo, mas de corpo inteiro, intervenientes e desassombrados porque temos esse direito e, eu diria... ESSE DEVER!

António Mexia Alves
R. António Cardoso, 184
4150-079 PORTO
ontiano@gmail.com 

Carta ao Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

António Mexia Alves
R. António Cardoso, 184
4150-079 PORTO


Revmº Senhor 

Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

Venho pôr à consideração de V. Reverendíssima o seguinte:

Na sequência da infeliz actuação do actual Presidente da Republica Portuguesa, a que sua Eminência, o Cardeal Patriarca de Lisboa se referiu com tanta propriedade e firmeza, venho expor:

A futura eleição do Presidente da República afigura-se crucial para o futuro imediato do País.
Se na verdade o actual Presidente defraudou a esperanças e boa fé dos católicos portugueses - e a própria Igreja - a eleição do seu sucessor toma um vulto e importância que não se pode ignorar.

Precisamos de alguém em quem possamos confiar que não trairá os seus princípios cristãos, católicos em nome, ou a pretexto, de outras razões quaisquer, sejam quais forem.

O Dr. António Bagão Félix é uma pessoa deste calibre e com os conhecimentos e experiência suficientes para o desempenho do cargo.

Parece evidente que, neste momento, este ónus não o atrai, justamente porque, sendo quem é, sabe que muito teria que "limpar" e "endireitar" no panorama político nacional.

Com enormíssimo respeito, permito-me recordar que o querido João Paulo II não hesitou em intervir na sua terra natal, dando apoio claro e iniludível a Lech Wallesa, na sua luta por uma Polónia livre das forças comunistas e maçónicas.

Logo, parece-me que a Igreja Portuguesa, por meio dos seus Bispos e altos dignitários,  não só poderá como terá, talvez, o dever de intervir claramente e sem rebuços neste momento gravíssimo da vida nacional.

Convencer o Dr. António Bagão Félix a aceitar o espinhoso encargo será, eventualmente difícil sem o apoio declarado da CEP.

Deixo à v. consideração este apelo confiante que este povo que exultou com a recente visita do Papa, correspondendo massivamente ao apelo da Igreja Portuguesa,     que vai a Fátima, reza e peregrina, acatará com dócil obediência as indicações que os seus Bispos que entendam dar~lhe.

Com os meus respeitosos cumprimentos

Porto, 2010.06.12


--
António Mexia Alves

E-mail: cep.sgeral@ecclesia.pt

SANTO ANTÓNIO

Dia de Santo António.

O grande Santo que a Igreja celebra como um Doutor.
Um homem que pôs ao serviço dos homens, os extraordinários dons que Deus lhe concedeu. De tal forma que se esgotou e morreu tão novo. Esgotado pelo trabalho de apregoar o Evangelho, o Reino de Deus.
E eu, que sou António também, que faço com os dons que o Senhor me deu?
Que uso tenho eu feito da inteligência, da vontade, do pensamento, da escrita, enfim, de tudo quanto o Senhor tão prodigamente me cumulou?
Estou eu à espera de fazer aquele grande trabalho, de mostrar aquela faceta, de brilhar naquela escuridão?

E, nesta espera sempre adiada, vou deixando os dias passar fazendo muito pouco ou nada pelos meus irmãos, o meu semelhante.

Rezar, pelo menos, rezar por eles, por todos os que conheço e a quem quero bem e por aqueles que não conheço ou a quem não quero tão bem. Rezar sem descanso em contínua união com o Senhor.

Ter a presença divina bem marcada na minha vida e em cada momento.

Esta realidade do Senhor que me escuta, que me vê e que está sempre presente em qualquer ligar ou circunstância. Tentar pôr esta atitude perante o Senhor, um exame constante da presença de Deus real e verdadeira na minha vida. Quando conseguir este estado de espírito eu saberei proceder com amor e rectidão e, sobretudo, serei incapaz de ofender a Deus. Não deixarei que nenhum dos meus irmãos passe por mim sem que sinta bem forte, o desejo de o ajudar.

Tenho de salgar, de iluminar.
Tenho de ser saboreado, visto e sentido.

Tudo o que possa fazer de bom, por graça de Deus, tem de ser partilhado e visto por quantos se cruzam comigo, para que sintam ânsia de proceder como eu, melhor que eu.

Eu Te peço, Senhor, esta consciência clara e constante da Tua presença no que me rodeia. No ambiente, nas obras da natureza, e nas obras dos homens, feitas por Teu consentimento e graça. Sentir bem viva em mim esta condição sublime de ser Teu filho a tempo inteiro, e não apenas quando Te falo, ou estou mais ligado a Ti na Santa Missa. Ligado a Ti, permanentemente, por um cordão tão forte, que me puxe sempre para Ti, numa atracção determinante de todos os meus actos, toda a minha vida.

Santo António, a quem pedi emprestado o nome, lembra-te deste teu irmão e homónimo e intercede por mim junto de Deus. Diz-lhe coisas boas de mim: que afinal, o que preciso, é de auxilio e vigilância constantes como mais pequeno dos Seus filhos. Ajuda-me a dar sem cuidar de receber, a dar com alegria e de uma maneira total e desinteressada, de tudo aquilo que Tu me fizeste dom.
Ámen.

(ama, meditação, Diário, 1987.06.13)

Memória Pessoal

Memória Pessoal

São duas da manhã e acabei de regressar de Fátima.

Assisti à procissão das velas e participei na Santa Missa e... senti o coração tão pequenino que me cabia na palma da mão.

Disse muitas coisas a Nossa Senhora, pedi por tantos e tantas mas, principalmente disse-lhe repetidamente: OBRIGADO!

Esta doce intimidade que tenho com Ela é, de facto, algo que, desde pequeno sinto de uma maneira tão forte que me parece que estou ali sozinho com Ela e falamos os dois, digo-lhe piropos: que está mais bonita que nunca, que o seu sorriso é mais doce... Enfim, conversas de ''tolinho'' que eu sei que Ela gosta muito de ouvir.

Depois vêm as recordações da meninice, dos meses de Setembro ali passados com os meus irmãos e começam a chegar-se ao meu lado o meu Pai, a minha Mãe vestida de servita, a bênção dos doentes, a que sempre assistia de cartão ao peito, uma quantidade de pessoas que passava por nossa casa e, no meio desta catadupa de memórias que incluem, os lanches no poço no quintal da casa da Senhora Olimpia e do Ti Marto, pais da Jacinta, (da cachopita, como ele lhe chamava), eu atrevo-me a pensar que ninguém daqueles muitos milhares de pessoas que ali estão, conhece Fátima como eu e fala com a Virgem como eu falo.

Sei que Ela sabe que estou ali só para a ver e dizer-lhe umas coisas que trago guardadas no fundo do coração e que só, ali em Fátima, lhe digo.

Já acabaram as cerimónias, a sua imagem recolheu à Capelinha, mas não me apetece vir-me embora.

Rompendo o silêncio recolhido da multidão a voz grave do Reitor assegura pelos altifalantes:

''O meu Imaculado Coração triunfará!''

Então tranquilo e seguro que assim será, digo-lhe adeus e venho-me embora.

Ao chegar à saída por baixo da colunata, ainda me volto para trás e dou-lhe as boas noites.

(ama, Carvide, 2010.06.12





Textos de Reflexão para 13 de Junho

Evangelho: Lc 7, 36-50

36 Um dos fariseus pediu-Lhe que fosse comer com ele. Tendo entrado em casa do fariseu, pôs-Se à mesa. 37 Uma mulher, que era pecadora na cidade, quando soube que Ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um frasco de alabastro cheio de perfume. 38 Colocando-se a Seus pés, por detrás d'Ele, começou a banhar-Lhe os pés com as lágrimas, e enxugava-os com os cabelos da sua cabeça, beijava-os, e ungia-os com o perfume. 39 Vendo isto, o fariseu que O tinha convidado, disse consigo: «Se este fosse profeta, com certeza saberia de que espécie é a mulher que O toca: uma pecadora». 40 Jesus então tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele disse: «Mestre, fala».41 «Um credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários, o outro cinquenta. 42 Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles, pois, o amará mais?». 43 Simão respondeu: «Creio que aquele a quem perdoou mais». Jesus disse-lhe: «Julgaste bem». 44 Em seguida, voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; ela com as suas lágrimas banhou os Meus pés, e enxugou-os com os seus cabelos. 45 Não Me deste o ósculo; porém ela, desde que entrou, não cessou de beijar os Meus pés. 46 Não ungiste a Minha cabeça com óleo, porém esta ungiu com perfume os Meus pés. 47 Pelo que te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados porque muito amou. Mas, aquele a quem menos se perdoa, menos ama».48 Depois disse à mulher: «São-te perdoados os pecados». 49 Os convidados começaram a dizer entre si: «Quem é Este que até perdoa pecados?». 50 Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou; vai em paz!».
Meditação:

Permite-me, Senhor, que inverta as Tuas palavras e pergunte: Porque me perdoaste tanto? Porque tanto Te amei?
Não, felizmente para mim. A Tua Misericórdia Infinita não esperou pelo meu amor para o retribuir em perdão. Mal fora para mim! Amo-te tão pouco! Tenho tão pouco tempo para Ti!
Choro, Senhor, contritamente as minhas faltas e, Tu, sabes que este choro é sentido, é o reflexo da dor de Te ter ofendido a Ti, meu Deus, minha vida, meu Senhor! 

(AMA, meditação sobre Lc 7, 36-50, Setembro 2008)

Tema: Pequenas faltas

Devemos ter atenção às pequenas faltas; porque uma vez dado pouco valor a estas, advém uma espécie de embotamento na consciência, passando a haver inconsciência do mal. 

(S. Filipe de Néri, Máximas, F.W.Faber, Cromwell Press SN12 8PH, nr. 12 – 37, trad. AMA)