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31/03/2020

Leitura espiritual

Pensamentos para a vida diária 

Capítulo X

APENAS CIÊNCIA TEM OS SEUS PERIGOS

Uma civilização


Pensamentos para a vida diária 

Capítulo X

APENAS CIÊNCIA TEM OS SEUS PERIGOS

Uma civilização que não põe no pináculo a instrução mental, corre o perigo de desleixar a educação do carácter.
Jamais houve na história do mundo tanta instrução, e também nunca houve tantas guerra, tanta anarquia mental e tanta criminalidade na juventude.
Segue-se, necesariamente, tal qual ao dia se segue a noite, que, só por sai ciência não cria virtude, e, na verdade, dela e por ela só, podem ocorrer enormes perigos.
        Bacon [1], no seu tratado do “Progresso do Conhecimento”, disse com razão que “o saber contém em si qualquer coisa de veneno de serpente e, assim, quando essa veneno entra no homem, fá-lo inchar”.
        Esse saber que torna o homem impante de vaidade é o resultado da ciência sem amor.
        O saber que cada homem, de per si, pode possuir e assimilar na mente é coisa mínima, em comparação com  quanto no mundo espiritual e material constitui o conjunto da ciência.
Newton disse algures que tinha a impressão de estar numa praia e que contemplava o oceano da ciência estendendo-se à sua frente, a perder de vista.
E Darwin, que tão grande foi nas ciências naturais, afirmou: “Quanto sabemos deste nosso planeta compara-se ao que uma galinha velha sabe acerca do recinto de dez metros quadrados da sua capoeira, num canto da qual, à força de esgravatar, conseguiu descobrir duas minhocas.”
        Por si só, o saber não constitui elo de união entre os homens, pelo contrário, opõe uns contra outros, como sucede quando um professor se remorde de inveja ante o saber e renome de outro professor, tal qual uma mulher, devorada pelo ciúme por causa do casaco de peles de outra mulher.
Assim é que os viveiros de sábios, que se chamam ‘universidade’, não são, geralmente, centros de boa camaradagem.
        Se realmente o saber unisse os homens, então as universidades deveriam ser para o mundo modelos de amor fraterno.
Ora o que o saber consegue é levar, muitas vezes, os homens a humilhar o seu semelhante, quer pela jactancia de maior ciência que a deles, quer pelo desdém pela cultura inferior dos outros, perante a vastidão da própria.
        Os gregos antigos menosprezaram os outros povos, chamando-lhes bárbaros, principalmente porque era vaidosos da sua cultura.
E Horácio, grande poeta e homem de muito saber, escreveu aquele verso famoso: “Odeio a ignorância do vulgo e fujo dele”.
        Saber é força e é poder, contudo, talvez tanto para o mal como para o bem, a não ser que, à semelhança de uma máquina a vapor, tenha uma válvula de segurança e um maquinista competente.
Só o amor é capaz de tirar ao saber o senão fatal da presunção.
        Como disse São Paulo, o saber enche o homem como se fosse um balão, mas só o amor consegue elevá-lo.
Ciência sem amor produz vaidade, intolerância e egoísmo.
Isto, porém, não quer dizer que seja mais de aconselhar o amor sem a ciência, poi que, deste extremo oposto resultam o sentimentalismo, a superstição e a ignorância.
O amor torna o saber eficaz e útil,
Há muitos que conhecem , pelo menos, os elementos da lei moral e até compreendam as provas da existencia de Deus.
Como, todavia, não procedem de acordo com esses princípios, nunca progredirão na compreensão na ciência completa que eles encerram.
        Quando o verdadeiro amor inspira o saber, orienta-o para a mais inteira e profunda compreensão.
O saber não transpõe o limiar do templo: o amor entra e prostra-se ante o altar.
        É sempre indispensável um mínimo de saber, antes que alguém possa amar outrem, necesariamente carece de primeiro conhecer esse outrem.
Daí por diante, no entanto, à medida que as relações pessoais se estreitam é o amor que toma a dianteira e faz progredir a compreensão da pessoa que se ama.
Por isso dizem as Escrituras que aquele que não ama não conhece Deus porque Deus é Amor.
        Não é a inteligência que abre os tesouros mais íntimos do amor humano: se outrem nos mostra uma curiosidade demasiado intelectual a nosso respeito, nós imaginaremos que apenas quer autopsiar a frio a nossa alma, psicanalisar-nos (como agora é moda dizer-se) tão certo é que a personalidade de qualquer pessoa se melindra com a mera curiosidade mental e faz com que o mais íntimo dessa personalidade se feche, como planta sensitiva ao menor toque estranho.
        Ciência sem amor,sem o Amor de Deus, sem o amor da pátria, sem o amor dos  pais, é uma força de destruição.
        Estamos agora na posse da ciência da energia nuclear do átomos,e começamos, ao mesmo tempo, a procurar acautelar-nos dos seus efeitos.
Será preciso, porém, mais tempo e, ainda mais, amor, para que aprendamos para que também aprendamos a não nos servirmos dessa nova ciência e do poder e da força que ela dá, para fazermos ir pelos ares o planeta em que vivemos.
Instruidos em ciência sem amor já nós estamos demais, e talvez seja agora conveniente construirmos algumas universidades onde se ensine que o Amor de Deus, e do próximo por amor de Deus, são os melhores companheiros das ciências da Natureza.

Fulton J. Sheen, Thoughts for dayly living, (tradução por AMA)


[1] Francis Bacon, (22.01.1561 – 09.04.1621) 1°. Visconde de Alban, também referido como Bacon de Verulâmio; político, filósofo, cientista, ensaísta inglês, barão de Verulam e visconde de Saint Alban. É considerado como o fundador da ciência moderna. Desde cedo, sua educação orientou-o para a vida política, na qual exerceu posições elevadas (Lord Chancellor 1617–1621). Influenciado por: Aristóteles, Platão, Nicolau Maquiavel,

30/03/2020

Leitura espiritual

Pensamentos para a vida diária 

Capítulo VIII

ATÉ NO MAL PODE HAVER UMA PARCELA DE BEM

Quando descobrimos defeitos nos nossos semelhantes, quase sempre deixamos de os estimar.
Ora, pode se precisamente essa a causa de subsistirem neles esses defeitos, porquanto lhes falta alguém que, por meio do amor, os reencaminhe para a perfeição.

Também os viciosos possuem muitas qualidades dignas, dignas de apreço pois será raro que neles não sobrevivan restos de dec^neciae de honradez.

O facto se se estar possuído de um grande pecado, é muitas vezes o suficiente para que naturalmente não se cometam outros pecados., e, tanto basta para que nesse grande pecador exista algo digno de amor.
O pródigo, por exemplo, nunca será simultâneamente avarento; os comunistas com a sua ambição do poder e da revolução, muitas vezes nem se preocupam com o pecado da carne que, para eles, representa o ínfimo dos prazeres deste mundo.
Tal como certas ervas daninhas destroem outras do mesmo género, assim acontece também com muitos pecados: o filho pródigo era, provavelmente, um moço de convívio encantador.

Lê-se no Evangelho que, certo dia, se aproximou de Nosso Senhor um jovem poderoso e rico que Lhe perguntou que deveria fazer para alcançar a vida eterna. Jesus respondeu-lhe que cumprisse os Mandamentos, ao que o jovem respondeu que assim procedera sempre desde criança. Disse-lhe então Jesus Cristo o que deveria fazer para ser perfeito: que vendesse quanto tinha, o desse aos pobres e que, depois, O procurasse e O seguisse. O jovem foi-se embora cheio de tristeza, porque possuía muitos bens e não queria privar-se deles. O Evangelho, porém, acrescenta que Nosso Senhor o amou apesar daquela sua Patente imperfeição. [1]

Deste episódio evangélico fica apenas na memória de quase todos nós os motivos de aquele jovem para não querer separar-sedos bens terrenos, de não ter tido coragem para ser um herói espiritual.

Se abstrairmos os aspectos desagradáveis do carácter das pessoas, se deixarmos que se esfumem na nossa atenção essas características más em vez de só neles nos fixarmos, começarão a destacar-se imediatamente e a avultar as boas qualidades dessas pessoas.

É bem sabido que assim acontece quando alguém morre: enquanto estava vivo, os seus defeitos pareciam nódoas negras num manto branco; depois de morto, porém, quase só aparece o fundo branco da alvura das boas qualidades que nem sequer tínhamos suspeitado enquanto vivia.

Pois Nosso Senhor vê assim os homens enquanto ainda vivos, ao passo que nós só de tal forma os encaramos depois de mortos e enterrados.
Porquê?
Porque decerto a Sabedoria Divina, que perscruta o mais íntimo das nossas almas, vê que não há má qualidade que não seja, afinal, a distorção de uma qualidade boa.
A falta de sinceridade pode provir do receio de melindrar os outros; a prodigalidade provém, talvez, de um exagero de generosidade, e a propensão para a luxúria será um desequilíbrio do amor da perfeição.
A grosseria representará, possivelmente, uma forma extrema e brutal de franqueza leal, e a maledicência o lado negro do propósito de criticar com verdade e rectidão, e que pretende começar pelos outros em vez por si próprio.

No caso do jovem de que o Evangelho fala, o facto de ser rico era de somenos importância; o que realmente interessou foi a demosntração que deu de que amava as suas riquezas mais que tudo, mais até que a perfeição da vida eterna que pretendia alcançar.
E, foi o conselho que Jesus Cristo lhe deu que pôs a nu aquela sua fraqueza.

Efectivamente há muita gente que tem fé em Deus, enquanto possui nos bancos depósitos chorudos.
Ora, aquele rapaz  era dotado de excelentes qualidades: queria alcançar a vida eterna, tinha cumprido desde criança os mandamentos, era tão humilde que declarava a Cristo, em plena praça pública, em vos alta e, portanto, ouvido pelos circunstantes, o seu propósito de se aperfeiçoar moralmente.
Faltava-lhe apenas uma coisa: a vontade de renúncia completa e total, o espírito do soldado que apenas pergunta pelas ordens para as cumprir.
Por isso Nosso Senhor lhe disse que “só lhe faltava uma coisa”.

Realmente ninguém está longe da perfeição e da paz interior.
Como escreveu Léon Bloy [2]: “basta dar um passo para sair do pecado e estaremos salvos”.

Um relógio com os diamantes, mas sem molas, com as navio com máquinas, mas sem leme, a todos falta apenas uma coisa.

Multipliquem todos os zeros que quiserem alinha numa folha de papel e, o resultado será sempre constituído por zeros porque lhes falta uma coisa.
Escrevam, porém, 1 ou 2 diante desses zeros e formarão imediatamente números enormes.

Basta um pecado, ou até uma simples falha habitual, para uma vida inteira.
Mesmo, porém quando falta uma única coisa,se não tivermos amor bastante ao relógio para lhe darmos corda para lhe darmos a mola de que unicamente carece, se amrmos bastante o navio e, no entanto, lhe negarmos o leme, ambos ficarão inúteis para sempre.

O mesmo acontece com os homens: se não lhes tivermos amor, nunca lhes proporcionaremos a tal “única coisa” de que carecem para se regenerarem, para serem felizes, para gozarem aquela paz íntima que é prenúncio e promessa da bem-aventurança eterna.

Capítulo IX

PRAZER E AMOR

Não há coração humano em que não exista profundamente gravada esta lei: quanto mais nos entregamos aos prazeres, mais diminuímos o prazer.

Gostamos de ver uma luz brilhante mas, se aumentamos essa luz, podemos chegar ao ponto de cegar.
No prazer de comer, depressa atingimos a saciedade; assistir a espectáculos por dever de ofício, torna-se uma tarefa fastidiosa, como sucede nos críticos teatrais.
O rapazinho que julga insuficiente para o seu apetite os sorvetes e rebuçados que há no mundo, não tarda a verificar, após uma bela indigestão, que é pequeno para meio quilo de guloseimas.

A Natureza colocou alguns limites automáticos aos prazeres e gozos deste mundo e, mesmo que não se excedam esses limites, o prazer que nos proporcionam vai diminuído com o tempo e com o hábito.
Vai para alguns anos, dois psicólogos lembraram-se de encontrar uma lei, de descobrir uma regra matemática de diminuição proporcional do prazeres.
Pretendiam demonstrar que, para se obter um aumento de prazer em progressão aritmética - 1, 2, 3, 4, etc. – era preciso aumentarem progressão geométrica – 3, 4, 8, 16, etc. – o estímulo ou a excitação para esse prazer.
Jamais, porém, conseguiram reduzir a uma fórmula algébrica as conclusões a que chegaram, pois que era bem de ver que fenómenos da alma e do espírito não são traduzíveis em números matemáticos, muito embora fosse indiscutivelmente verdadeira a conclusão genérica a que tinham chegado, de que todo o aumento de grau de um prazer requer um aumento incessantemente maior do respectivo estímulo.
Uma pílula de narcótico bastaria na primeira vez para proporcionar uma noite de sono; mas não tardaria que, para esse fim, seja necessário ir aumentando a dose cada vez mais.

Um filósofo inglês, o Prof. C. E. M. Joad,[3] que foi presidente do Brains Trust (Comissão de Intelectuais) da Emissora Nacional Britânica B. B. C., escreveu páginas interessantes acerca do prazer que sentia em fumar cigarros.
Fumava tantos cigarros diariamente, que a certa altura, teve a revelação de que não sentia nenhum prazer em fumar.
E compreendeu que era mais, afinal, para não sentir a contrariedade de um cigarro à mão para fumar, do que o prazer de o ter, que acendia cigarros uns após outros.
O hábito de fumar tornara-se nele tão automático que as suas reacções musculares tendiam unicamente a evitar o aborrecimento de não estar a fumar.
Tratou, portante, de reduzir o numero de cigarros, até conseguir fumar apenas quatro por dia, após as quatro refeições.
E, quando chegou a esse limite, é que começou, realmente, a saborear o prazer de fumar.
Quer dizer, o prazer aumentou na proporção em que lhe diminuiu a frequência.

Se o mesmo acontece ou aconteceria com todos os fumadores deste mundo, isso é outra questão.
O que é, porém, certo, é que o resultado obtido pelo professor Joad confirma o aforismo do velho Hipócrates: «Quanto mais se dá de comer aos corpos doentes, mais doentes eles ficam».

Até certo ponto o prazer é, por conseguinte, função da sua própria limitação.
Para quê, porém, evitar excessos quer de bebidas ou de comidas, quer de fumar ou de relações sexuais?

Com efeito se se partir do princípio que o “eu” é uma entidade absoluta, não haverá nenhuma razão para limite os seus apetites.

Suponhamos, todavia, que existe alguém a quem amamos mais do que a nós próprios e que, portanto, queremos renunciar ao objecto do menor amor, para nos consagrarmos ao maior.

Ora, quanto maior for o amor por esse alguém, menos sentiremos como sacrifício trudo quanto fizermos para conquistar o objecto do nosso amor.

Foi assim que Jacob não hesitou em servir como pastor durante sete anos para conquistar Raquel, porque a amava.

Quando não existe amor, não há fundamento verdadeiro para exigir dos homens que renunciam ao prazer próprio, ou que lhe ponham, ao menos, um limite, a pretexto de que aumentarão a alegria de viver.
Como não têm amor senão a si próprios, jamais estarão dispostos a sacrificar voluntariamente o prazer egoísta que possuem.
Os sacrifícios sempre nos parecem enormes, quando o amor é pequeno.
Onde houver, porém, o amor de Deus e a compreensão profunda de quanto está implícito no Sacrifício do Senhor na Cruz do Calvário, então é fácil abandonar todos os míseros prazeres deste mundo, em troca da infinita paz que o mundo não nos pode dar nem nos pode tirar.

Os corações tornam-se então como navios que encalharam em bancos de lodo, mas que a maré alta do Amor desencalhou das paixões vergonhosas que os prendiam e os repôs a flutuar, para retomarem o caminho do porto celestial do eterno abrigo e da paz imorredoira.

Fulton J. Sheen, Thoughts for dayly living, (tradução por AMA)


[1] Cfr. Mt 1916 Aproximou-se dele um jovem e disse-lhe: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida eterna?» 17 Jesus respondeu-lhe: «Porque me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só. Mas, se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos.» 18 «Quais?» - perguntou ele. Retorquiu Jesus: Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19 honra teu pai e tua mãe; e ainda: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 20 Disse-lhe o jovem: «Tenho cumprido tudo isto; que me falta ainda?» 21 Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.»
[2] Léon Henri Marie Bloy, um escritor francês. 11.07.1846 – 03.11.1891
[3] C. E. M. Joad (1891–1953), Filósofo Britânico

29/03/2020

Leitura espiritual

Pensamentos para a vida diária 

Capítulo VII

TRIUNFO E DERROTA

Não é tanto o trabalho mas sim o desengano que advém de se ter dado demasiada importância às banalidades, o que realmente magoa as almas.
Poucos estão prontos a obedecer à ordem que Nosso Senhor deu a Pedro nas margens do Mar da Galileia:
«Leva a tua barca mais para o largo e lança as redes até fundo». [1]

Quando Pedro ouviu esta ordem respondeu que todas as tentativas para pescar no lago tinham sido vãs:
«Mestre, trabalhámos toda a noite e nada pescámos, mas à Tua Palavra…». [2]

Pode muito bem ter sucedido que tenhamos procurado para ganhar o bastante para sustentar a família, para aprender uma profissão, para corresponder a uma vocação, para obter um emprego, sem que, todavia, qualquer desses esforços parecesse ter tido êxito.
A ordem do Senhor é, porém, não desistir.
À Sua Palavra tornemos a lançar as redes.
O dever tem de estar sempre antes do prazer, pois as distracções são recompensa e não alternativa ou substituição do trabalho e tê, por conseguinte, de ser merecidas.

Quantas vezes, Deus está pronto a ajudar-nos muitos mais, principalmente quando reconhecemos que não conseguimos nada apenas pelo nosso esforço.
«Mas à Tua Palavra…».
É assim o estímulo dos heróis da perseverança.
Mercê da confiança na promessa de Nosso Senhor tornam-se dignos do auxílio d’Aquelecuja omnipotência criou do nada o Universo.

A Arca foi edificada em terra firme e, enquanto esteva a ser construída, uma multidão de curiosos reuniu-se à sua volta, troçando sarcasticamente do velho Noé.
Indiferente aos sarcasmos, Noé levantava os olhos ao Céu e dizia: “Senhor foi por Tua ordem que construi esta barca» [3]

Por sua vez, Pedro diria, não porque tivesse alcançado êxito, mas precisamente porque o não conseguira:

«Mas, à Tua Palavra, tornarei a lançar a redes» [4], quer dizer: sem a bênção de Deus a rede viria vazia e, com essa bênção, veio carregada de peixe.
Aqule noite de trabalho em vão transformou-se numa lição de fé obediente.
Pode acontecer-nos pior que uma derrota, porque podemos triunfar, orgulhar-nos do nosso êxito, ou até mesmo ao das redes., desprezando ao mesmo tempo os que não conseguem pescar nada e esquecendo que tudo depende da Vontade d’Aquele que tudo pode dar e tudo pode tirar.

Quando Pedro obedeceu, a sua rede vinha tão cheia que quase rebentava com o peso da pescaria.
À derrota seguiu-se o triunfo, não se seguiu à desistência do esforço mas sim à persistência.

Aqueles que disseram: “Trabalhei toda a noite em vão e “, agora quero dormir”, ou “não quero continuar a lançar as redes”, ou “já estou farto de trabalhar para nada”, não têm direito a esperar que Deus queira prestar-lhes ajuda.
Tal é o significado do velho e bem conhecido provérbio: “ Ajuda-te que Deus te ajudará”.

Quer isto dizer que devemos trabalhar como se tudo somente dependesse de nós e confiar em Deus como se tudo dependesse da Sua Vontade.

Quantas vezes o trabalho em que temos menos confiança que no fim nos dá a maior alegria!

O milagre Da pesca maraviçhosa fez com que Pedro caísse de joelhos aos pés de Jesus, dizendo-Lhe:

«Afasta-te de mim, Senhor, porque eu não passo de um pecador!» [5]

Era um grito de amor desesperado, não de desesperado ódio, o grito de alguém que ambicionava o bem infinito e se reconhecia indigno dele.

A maior parte da humanidade não tem plena consciência das suas deficiências morais, embora conheça perfeitamente as suas deficiências físicas.

Os que vivem afastados de Deus na verdade, carecem completamente de qualquer padrão pelo qual possa aferir até que distancia se afastaram dos preceitos da Lei Moral!
O cevado não tem a mínima ideia da limpeza nem do que significa.
Assi, os homens só começam a apreciar a degradação própria e a misericórdia de Deus, quando começam a elevar-se acima do ambiente dos miasmas das suas vidas pecaminosas.

A intuição e o talento de um grande médico fazem com que o doente acabe par ter consciência, não soda gravidade da doença de que escapou, como do encanto da saúde recuperada.
Ninguém pode, contudo, esperar ser admitido à presença de Deus, sem que primeiro tenha compreendido e cumprido o preceito que se impõe a todos os homens de purificarem primeiro as suas vidas, par que assim se assemelhem o mais possível à Sua imagem.

Naquela exclamação de São Pedro - «mas em vista da Tua Palavra…», - [6], encontra-se vibrantemente a nota da aceitação da Vontade de Deus, e não da sua rejeição.
Assim como um homem tem mais viva a sensação das suas culpas na presença de uma criança inocente, assim também é principalmente na presença de Deus que compreende que realmente nada vale, e pode muito bem suceder, que faça essa descoberta após a desilusão de uma grande derrota.

Fulton J. Sheen, Thoughts for dayly living, (tradução por AMA)


[1] Cfr. Lc 5, 4
[2] Ibid.
[3] Nas religiões abraâmicas, Noé ou Noach, é o nome do herói bíblico que recebeu ordens de Halá para a construção de uma arca, para salvar a Criação do Dilúvio
[4] Cfr. Lc 5, 4
[5] Cfr. Lc 5, 8
[6] Cfr. Lc 5, 5

28/03/2020

Leitura espiritual

Pensamentos para a vida diária 

Capítulo VI

AMOR

ME, EU, TU

Tal como uma semente germina e cresce até ser árvore, assim também o fim da vida intelectual e espiritual do homem é expandir-se até abranger o amor de todos os seus semelhantes.
Nesta expansão observam-se três fases:

A primeira fase, que é a da infância, caracteriza-se pelo emprego quase incessante da palavra “me”.

‘Dá-me’. ‘Não me tires’. ‘Tirou-me a minha boneca’.

Repare-se a frequência com que uma criancinha fecha o pequeno punho, símbolo físico do seu incipiente critério de identificar tudo com o seu ‘me’ em miniatura.

Depois, começa a descortinar razões e aquela infantilidade emocional vai-se diluindo, não completamente, mas até certo ponto.

A forma pronominal ’me’ transforma-se em ‘eu’, a posse material das coisas evolui para sensação de domínio mental ou intelectual, a ideia de posse transforma-se em orgulho.
Do orgulho derivam a vanglória, o egoísmo, a agressividade, o ciúme, a vaidade!

´Fui eu quem fez isto’, ‘fui eu quem inventou aquilo’, ’fui eu quem ganhou o prémio no colégio’, ‘sou eu o mais forte da minha classe’.

Os ‘eus’ sucedem-se quase ininterruptamente na boca dos rapazes, como acontece em todas as mentalidades pouco desenvolvidas.

Esse egocentrismo pode estar habilmente disfarçado, umas vezes sob a máscara do exagero aparentemente propositado, outras sob o manto de modéstia excessiva, e, até, do próprio ridículo.

‘Aprendi toda a gramática em duas semanas’.
Traduzido, porém, quer insinuar: ‘Calculem o que eu saberia de gramática se, em vez de apenas duas semanas, tivesse levado três!’.

Este egocentrismo, por vezes, chega ao ponto de magoar os outros pela sua excessiva pedantearia.
Franz Werfel, numa arguta passagem da sua autobiografia, escreve:

“Tenho visto muitas variedades de arrogância, em mim mesmo e nos outros. Porém, no meu tempo de rapaz, eu próprio dei exemplo dessas mesmas variedades, devo confessar, por experiência própria, que não existe arrogância mais irritante, mais insolente, mais cáustica, mais diabólica do que a dos “pseudo-ultra-avançados” em questões de arte e literatura, os intelectuais do radicalismo, a imparem com a vã pretensão de serem profundos, tenebrosos e subtis, e com o propósito consciente de humilhar os outros”.

A terceira fase, que é a do início da maturidade e do princípio da eliminação do egocentrismo, caracteriza-se pela evolução do ‘eu’ para o ‘tu’, isto é pelo alvorecer do sentimento, pelo amor ao próximo.
Começa-se então a descobrir que esse ‘tu’ é alguém com mérito, alguém em quem se espelha o reflexo da Divindade, alguém que é portador dos direitos inalienáveis e imprescindíveis que são o alicerce de toda a democracia verdadeira, alguém dotado de predicados e aspirações que fazem dele um filho de Deus.

O ‘próximo’ não é, necessariamente, aquele que habita na casa ao lado.
Esse vizinho de paredes meias pode ser um inimigo, sem por isso deixar de morar ali tão perto.
Não! O Vizinho é a pessoa desconhecida, imprevista e misteriosa com quem podemos cruzar-nos a cada instante, com quem podemos encontrar-nos, quer em termos amigáveis quer hostis.
O vizinho tanto pode ser alguém de quem gostamos, como alguém com quem quase embirremos, mas será sempre alguém que devemos amar, em obediência ao preceito que nos manda «amar o próximo como a nós mesmos». [1]

Ter-se-á atingido a maturidade espiritual quando tivermos aprendido a amar cada ‘tu’ com quem nos deparamos, com um amor quanto possível tão semelhante ao que dedicamos a nós próprios, perdoando-lhes quando nos ofenderem, felicitando-os quando procederam bem, desculpando-os da mesma forma com encontramos desculpa para nós mesmos.

Evidente que, para tal, não é necessário passarmos o tempo perguntando a nós mesmos se amamos o nosso próximo.
O que importa é que, chegada a ocasião, saibamos proceder consoante esse amor se impõe.

Aprendemos a andar, andando, e a nadar, nadando.
Portanto, aprendemos a mar, amando.
Se praticarmos uma boa acção a favor de alguém de quem não gostamos, sentiremos no íntimo do coração tal contentamento que até esse sentimento diminuirá.
Porém, se lhe pregarmos alguma partida traiçoeira, descobriremos que o nosso malquerer aumentou.

Fazer bem aos outros faz com que os outros nos pareçam bons e dignos de amor.
E, se o são não forem, suponhamos piamente que o são, e tanto bastará para que assim no-lo pareçam.


Fulton J. Sheen, Thoughts for dayly living, (tradução por AMA)





[1] Nota de AMA, Segundo Mandamento do Decálogo.

27/03/2020

Leitura espiritual

Pensamentos para a vida diária

Felicidade 5

Capítulo V


Exagera-se a importância dos conflitos e opiniões.
2 -

Esquecimento dos fins:

Se o engenheiro do serviço de abastecimento de água a uma cidade deixasse de importar com o que as bombas fornecessem água aos cidadãos ou deixassem de a fornecer, não seria de estranhar que chegasse ao cúmulo de não compreender os motivos dos protestos e da indignação que se manifestariam, ao verem secas as torneiras e vazios os lavatórios.
O assassino que não admite o princípio basilar de que a vida humana é sagrada, também não consegue perceber por que razão a sociedade é tão “negativa” para com ele.
O maquinista de um comboio que entenda ter direito a não se preocupar com o destino da composição que conduz, tanto lhe importando conduzi-lo para Nova Iorque como para São Francisco da Califórnia, também não admitirá que os passageiros indignados sejam “reaccionários” por entenderem que o combóio deve ir para o destino prefixado.

Quando os cidadãos perdem o sentido das proporções e dos valores e deixam de compreender o significado da vida é evidente que não podem entender por que razão o Bem é mais importante que o Mal… e, daqui, o reduzirem o critério moral ao nível de uma competição desportiva vai menos que um passo.

Desde que se esquece o fim ou o objectivo da vida, apenas a escolha dos meios terá algum interesse.
Então, a força passará a ser mais importante que o direito, e é por isso que a nossa capacidade científica capaz de produzir energia atómica é maior que a nossa capacidade moral para decidir como deve ser usada essa energia.

Se os homens esquecerem que a função de uma cadeira é servir para as pessoas se sentarem, poderão todos viver em paz – e em pé na mesma sala.
Porém se, além de esquecerem esta utilidade da cadeira, lhe atribuírem outar utilidade bem diferente, numa desordem, a cadeira, poderá transformar-se em arma de combate: um contendor poderá achar que é um instrumento apropriado para escavacar a restante mobília e, o seu opositor aproveitará para atingir algumas cabeças.

Uma segunda causa que faz com que os homens se preocupem mais com os conflitos de opiniões que com a afirmação dos princípios reside na vacuidade angustiante dos corações.
Porque o mundo exterior perdeu a compreensão do seu verdadeiro destino, o mundo do homem é feito de irritação e desalento.
Os homens para terem uma compensação – quando não para se vingarem, ou para se equilibrarem na sensação e vácuo – procuram criar no mundo exterior a mesma desordem que lhes vai na alma e assim é que, segundo escreveu Pranz Werfel [1]: «cada um procura fugir do seu mundo interior, cujo vazio é mais doloroso que o do mundo exterior, pois que neste há, pelo menos, ruído e agitação». [2]

Quando a alma do homem sai da sua órbita predestinada, converte-se num instrumento de destruição.
Enquanto procura servir a Deus e amar o próximo, goza uma paz íntima; porém, quando a alma se afasta da trajectória que Deus lhe marcou transforma- se numa fonte explosiva de confusão caótica.

Uma casa vazia é triste por que não tem ninguém que a ponha em ordem e lhe dê calor.
Assim também, quando a alma está vazia, encontra-se mergulhada na escuridão da tristeza.
Criada para o Infinito, nada do que seja finito poderá satisfazê-la completamente.
Se apenas a orientasse o amor, em vez de obedecer a caprichos e apetites que também, para muito homens, constituem razão de vida, haveria muito mais paz e mais contentamento verdadeiro.

A paz é a tranquilidade e o esplendor da ordem, na definição de São Tomás de Aquino, e a ordem implica a subordinação dos sentidos à razão, da razão à fé, do corpo à alma, e de tudo a Deus.

O que caracteriza a decadência é a incapacidade dos homens em compreenderem a posição que Deus lhes destinou na criação e para se conformarem com essa posição>:é o facto de se interessarem mais pela música que Nero tocava que pelo incêndio que entretanto destruía Roma.

As contendas das crianças derivam da falta de amor; as disputas e batalhas dos homens resultam da carência do espírito.
E é opor isso que os problemas da vida de cada homem e os das histórias dos homens têm que ser resolvidos pela força, em vez de pela razão.

Na vida familiar, as crianças que brigam merecem repreensão e castigo; menos, porém, que os pais, quando estes ficam indiferentes, assistindo ao espectáculo como se fosse coisa digna de apreço.
E se a nossa democracia americana se transforma em arena onde só os políticos conflituosos consigam conquistar atenções e aplausos, é caso para ficarmos de sobreaviso, pois bem pode acontecer que a vítima seja a própria democracia.


Fulton J. Sheen, Thoughts for dayly living, (tradução por AMA)


[1] Franz Viktor Werfel, 10.09.1890 Praga / 26.08.1945 Beverly Hills.
[2] Between Heaven and Earth


Leitura espiritual

Pensamentos para a vida diária 

Felicidade 4

Capítulo IV


Instabilidade – um período de deslize

Vivemos da qual podemos dizer que tudo parece correr ao sabor do vento.
Folhas secas e neve acumulam-se em montículos, conforme a variação do vento.

É também assim que, em certos momentos da História, os espíritos são impelidos pelos ventos mais opostos de doutrinas e de teorias faltando-lhes quaisquer apoios com os quais possam avaliar o que está a acontecer-lhes.

Uns chamam-lhes “Sorte, outros “Destino”.
Seja, porém, a designação que lhe dêem não passa, afinal, de um abandono às forças exteriores, passividade e falta de resistência às vagas que sacodem, a seu sabor, o navio.

Encontramos isto na Europa, onde há quem diga:
‘Construir uma casa? Para quê? Outra guerra que venha destruí-la-à’.

E também o encontramos nos Estados Unidos da América entre aqueles que se recusam a examinar a causa das nossas tribulações.

A grande diferença que existe entre uma civilização cristã ou morale a nossa civilização pós-cristã é esta: na primeira encarava-se o mundo como um andaime, por meio do qual as almas ascendiam até Reino dos Céus. Quando a última tivesse chegado lé acima, o andaime seria demolido e queimado no fogo ardente, não por ser insignificante, mas sim, porque realizara a sua tarefa de nos conduzir de novo até Deus.
Isto significava que havia sempre um conjunto de valores e uma soma de critérios pelos quais as acções do mundo político, social e económico podiam ser julgadas em qualquer momento.
Todos podiam saber se realmente progrediam ou não, pois que havia sempre um ponto fixo de chegada.

Na nossa civilização contemporânea não há pontos fixos.
Estes tornaram-se mutáveis e a essa incessante mutação dá-se o nome de progresso.
É como jogar a “bola ao cesto”, com este a mudar de lugar constantemente.
A mira do jogador será, em determinada ocasião, impelir a bola para dentro do cesto, daí a instantes será acertar no árbitro e, logo a seguir, será atingir um cesto que muda de lugar, à semelhança de um brinquedo mecânico em que um coelho é perseguido por um cão.
Ninguém parece estar seguro do objectivo da vida e daí resulta o desânimo de muita gente, pois toda a viajem perde o seu interesse, a não s er que tenha um destino.

A impressão de instabilidade é caudadas pela fatuidade de se julgar que o mundo existe apenas para si próprio, como sea lâmpada eléctrica não tivesse outra explicação a não ser a de ser lâmpada, como se Edison a não tivesse inventado, ou que a explicação de um poema reside somente na métrica, ou que as cores são suficientes para explicar uma pintura.

Este desejo de se sentir arrastado na corrente da Natureza, sem destino, sem objectivo, sem motivo, levou Chesterton a comentar lacónica e sarcasticamente:
«Eu só queria ser um molusco do mar, para que não pudesse cair pela escada abaixo»[1].

Uma das incongruências que resultaram de nos deixarmos levar ao sabor da corrente consiste em que não há ponto de referência para se saber onde se está e para onde se caminha.

Quando os homens baseiam os seus critérios unicamente na civilização em cujo meio vivem, nunca sabem nem podem saber se esses critérios são bons ou maus.
Em tais circunstâncias não se vê que diferença possa haver entre um peixe que se encontra no mar e um homem prestes a afogar-se nas ondas do oceano: tanto um como outro vão na corrente e, fora dela, na existe porque motivo o peixe está no seu elemento e o homem não.
Desde que se parta do princípio que os homens só têm como alicerce de pensamento e acção as areias movediças em que vivem  é claro ninguém jamais poderá convencê-los a construir as suas casas sobre pedra.

A forma de nos libertarmos dessa sensação de instabilidade, dessa impressão de sermos arrastados pela corrente, consiste em desembaraçar-nos das peias do mundo em que vivemos e compreendermos que existe um abismo entre o que fazemos e o que deveríamos fazer; entre os nossos ideais e o nosso procedimento; entre que realmente “queremos” e o afinal «não queremos».

Se o mundo vai sendo arrastado para mais uma guerra, é porque nele existe muita gente que se deixa levar inertemente nessa corrente, ou porque se deixou embrutecer por qualquer estupefaciente que lhe fez crer que tudo quanto acontece resulta de circunstâncias sobre as quais não têm poder nenhuma vontade ou esforço humanos.

O critério basilar para se fugir a um aluimento consiste em partir-se do princípio de que ninguém se deve deixar apanhar por tal fenómeno.
Portanto, para se sair da confusão em que e encontra o mundo, cada homem tem de partir deste princípio: primeiro, que não foi criado para se deixar levar ao sabor das ondas, mas sim para atingir a perfeição própria e encontrar nela a felicidade; segundo, porque está sempre em frágil risco de perder essa felicidade, tão depressa capitule perante o mal e caia em pecado; terceiro, que, mesmo depois de ter pecado, ainda existe uma porta de salvação, a qual consiste em implorar o perdão de Deus.

Talvez isto não sirva para fazer carreira na política, mas é caminho de santidade.

Felicidade 5

Capítulo V
Felicidade

Exagera-se a importância dos conflitos e opiniões.

Quando uma nação começa a manifestar maior interesse pelos conflitos de opiniões que pela permanência dos princípios é que soou a hora dela fazer exame de consciência.

Quando a virtude e o vício, o patriotismo e a traição, a pureza e a podridão descem a uma pista de circo, em torno da qual os espectadores apenas se interessam pelo espectáculo de os verem esmurrar-se mutuamente, chegou o momento de se deplorar que nada já reste e tão sagrado para que valha a pena morrer em sua defesa, e nada tão vil que se deva combater com todo o ardor.

Quais será os factores psicológicos e espirituais capazes de provocar semelhante situação em qualquer país?
Bastará, talvez, mencionar dois: o esquecimento dos ideais, dos fins a atingir e dos valores autênticos e, como resultante desta primeira causa, a vacuidade e a solidão das almas.
saudações na praça pública»[2].


Fulton J. Sheen, Thoughts for dayly living, (tradução por AMA)


[1] G. K. Chesterton – A Sabedoria do Padre Brown
[2] Ibid