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10/12/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual



Tempo de Advento


Evangelho: Mt 11, 11-15

11 «Na verdade vos digo que entre os nascidos de mulher não veio ao mundo outro maior que João Baptista; mas o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. 12 «Desde os dias de João Baptista até agora, o Reino dos Céus sofre uma forte oposição, e são os esforçados que o conquistam. 13 Com efeito, todos os profetas e a Lei profetizaram até João. 14 E, se vós quereis compreender, ele mesmo é o Elias que há-de vir. 15 O que tem ouvidos para ouvir, oiça.

Comentário:

O verdadeiro valor da Redenção operada por Jesus Cristo com a Sua Paixão, Morte e Ressurreição fica bem patente nas palavras de Jesus Cristo registadas no primeiro versículo deste trecho do Evangelho de São Mateus.

O estatuto de Filhos de Deus que nos foi concedido e o acesso ao Reino de Deus marcam definitivamente a “categoria” dos homens.

(ama, comentário sobre Mt 11, 11-15, 2014.12.11)



Leitura espiritual


Catequeses sobre a família 9

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No nosso caminho das catequeses sobre a família, hoje temos uma etapa um pouco especial: será um momento de oração.

De facto, no dia 25 de Março a Igreja celebra solenemente a Anunciação, início do mistério da Encarnação.

O Arcanjo Gabriel visitou a jovem humilde de Nazaré e anunciou-lhe que teria concebido e dado à luz o Filho de Deus.
Com este anúncio o Senhor ilumina e fortalece a fé de Maria, como depois fará também para o seu esposo José, a fim de que Jesus possa nascer numa família humana.

Isto é muito bonito: mostra-nos como o mistério da Encarnação, tal como Deus o desejou, abrange de modo profundo não só a concepção no ventre da mãe mas também o acolhimento numa família verdadeira.

Hoje gostaria de contemplar convosco a beleza deste vínculo, a beleza desta condescendência de Deus; e podemos fazê-lo recitando juntos a Ave-Maria, que na primeira parte retoma precisamente as palavras do Anjo, as que dirigiu à Virgem.

Convido-vos a rezarmos juntos:

«Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte. Amém».

E agora, um segundo aspecto:

A 25 de Março, solenidade da Anunciação, celebra-se em muitos países o Dia pela Vida.
Por isso, há vinte anos, São João Paulo II nesta data assinou a Encíclica Evangelium vitae.

Para recordar tal aniversário hoje estão presentes na praça muitos adeptos do Movimento pela Vida.


Na Evangelium vitae a família ocupa um lugar central, enquanto é o ventre da vida humana.

A palavra do meu venerado Predecessor recorda-nos que o casal humano foi abençoado por Deus desde o princípio para formar uma comunidade de amor e de vida, à qual está confiada a missão da procriação.

Os esposos cristãos, celebrando o sacramento do Matrimónio, tornam-se disponíveis a honrar esta bênção, com a graça de Cristo, por toda a vida.

A Igreja, por sua vez, compromete-se solenemente a ocupar-se da família que nasce dele, como dom de Deus para a sua própria vida, na alegria e na tristeza: o vínculo entre Igreja e família é sagrado e inviolável.

A Igreja, como mãe, nunca abandona a família, inclusive quando ela é aviltada, ferida e mortificada de muitos modos.
Nem quando incorre no pecado, ou se afasta da Igreja; fará sempre de tudo para procurar curá-la, convidá-la à conversão e reconciliá-la com o Senhor.
Pois bem, se esta é a tarefa, é evidente que a Igreja tem necessidade de muita oração para ser capaz, em todos os tempos, de cumprir esta missão! Uma oração cheia de amor pela família e pela vida.

Uma oração que saiba rejubilar com quem se alegra e com quem sofre.

Eis então que, juntamente com os meus colaboradores, pensamos propor hoje:

Renovar a oração para o Sínodo dos Bispos sobre a família.

Relançamos este compromisso até Outubro próximo, quando terá lugar a Assembleia sinodal ordinária dedicada à família.

Gostaria que esta oração, assim como todo o caminho sinodal, fosse animada pela compaixão do Bom Pastor pelo seu rebanho, especialmente pelas pessoas e famílias que por vários motivos estão «cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor» [i].

Desta forma, apoiada e animada pela graça de Deus, a Igreja poderá comprometer-se e estar ainda mais unida, no testemunho da verdade, do amor de Deus e da sua misericórdia pelas famílias do mundo, sem excluir nenhuma, tanto fora quanto dentro do redil.

Peço-vos por favor que não façais faltar a vossa oração.

Todos — Papa, Cardeais, Bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos — todos estamos chamados a orar pelo Sínodo.

Disto temos necessidade, não de mexericos!

Convido a rezar também quantos se sentem distantes ou não estão acostumados a fazê-lo.
Esta oração pelo Sínodo sobre a família é para o bem de todos.
Sei que esta manhã recebestes uma pequena imagem.
Exorto-vos a conservá-la e a levá-la convosco, para que possais recitá-la com frequência nos próximos meses, com santa insistência, como nos pediu Jesus.

Agora, recitemo-la juntos:

Jesus, Maria e José, Em vós, contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, a Vós, com confiança, nos dirigimos.
Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, escolas autênticas do Evangelho e pequenas Igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais se faça, nas famílias, experiência de violência, egoísmo e divisão: quem ficou ferido ou escandalizado depressa conheça consolação e cura.
Sagrada Família de Nazaré, o próximo Sínodo dos Bispos possa despertar, em todos, a consciência do carácter sagrado e inviolável da família, a sua beleza no projecto de Deus.
Jesus, Maria e José, escutai, atendei a nossa súplica.
Amém.

papa francisco, Oração pelo Sínodo sobre a Família Audiência Geral 25 de Março de 2015

Sobre Textos retirados de www.vatican.va © Libreria Editrice Vaticana





[i] Mt 9, 36

09/12/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual



Tempo de Advento


Evangelho: Mt 11, 28-30

28 «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

Este texto de São Mateus bem poderia chamar-se: “a prudência de Deus!”

Com efeito o critério que termos de usar para com os outros sobretudo em tarefas de apostolado mas também quando o assunto da conversa verse de alguma forma questões de fé ou religião terá de ser enformado pela prudência.


Não se pode nem deve falar das mesmas coisas do mesmo modo a todos. Cada um tem a sua própria cultura e  entendimento.

Por isso mesmo e como a maioria de nós não somos nem doutores nem mestres é aconselhável recorrer à direcção espiritual para nos conduzir com segurança.

(ama, comentário sobre Mt 11 25-30 2015.04.29)


Leitura espiritual


Catequeses sobre a família 8

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter passado em revista as diversas figuras da vida familiar —mãe, pai, filhos, irmãos e avós — gostaria de concluir esta primeira série de catequeses sobre a família, falando das crianças.
Fá-lo-ei em dois momentos: hoje, meditarei sobre a grande dádiva que elas são para a humanidade — é verdade, são um dom grandioso para a humanidade, mas são também as grandes excluídas, porque nem sequer as deixam nascer — e proximamente falarei sobre algumas feridas que infelizmente prejudicam a infância.

Vêm-me ao pensamento as numerosas crianças que encontrei durante a minha última viagem à Ásia (N.E.: Sri Lanka e Filipinas): cheias de vida e entusiasmo e, por outro lado, vejo que no mundo muitas vivem em condições indignas...
Com efeito, pode-se julgar a sociedade pelo modo como as crianças são tratadas, e não só moral mas também sociologicamente, se é uma sociedade livre ou escrava de interesses internacionais.

Em primeiro lugar, as crianças recordam-nos que todos, nos primeiros anos de vida, somos totalmente dependentes dos cuidados e da benevolência dos outros.
E o Filho de Deus não evitou esta passagem.

É o mistério que contemplamos todos os anos, no Natal.
O Presépio é o ícone que nos comunica tal realidade do modo mais simples e directo.
Mas é curioso: Deus não tem dificuldade de se fazer entender pelas crianças, e as crianças não têm problemas em compreender Deus. Não é por acaso que no Evangelho Jesus profere palavras muito bonitas e fortes sobre os «pequeninos».
Este termo, «pequeninos», indica todas as pessoas que dependem da ajuda dos outros e, de modo especial, as crianças.

Por exemplo, Jesus diz:

«Bendigo-te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, revelando-as aos pequeninos» [i]. E acrescenta:

«Guardai-vos de menosprezar um só destes pequeninos, porque Eu vos digo que os seus anjos no céu contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus» [ii].

Assim, as crianças são em si uma riqueza para a humanidade e também para a Igreja, porque nos chamam constantemente à condição necessária para entrar no Reino de Deus: a de não nos considerarmos auto-suficientes, mas necessitados de ajuda, de amor, de perdão.

E todos nós precisamos de ajuda, de amor, de perdão!

As crianças recordam-nos mais uma bonita realidade; recordam-nos que somos sempre filhos: até quando nos tornamos adultos, ou mesmo quando somos pais ou desempenhamos funções de responsabilidade, por detrás de tudo isto permanece a identidade de filhos.

Todos nós somos filhos.

E isto recorda-nos sempre que a vida não no-la damos sozinhos, mas recebemo-la.
O grande dom da vida é o primeiro presente que recebemos.

Às vezes corremos o risco de viver esquecidos disto, como se nós fôssemos os senhores da nossa existência mas, ao contrário, somos radicalmente dependentes.
Na realidade, é motivo de profunda alegria sentir que em todas as fases da vida, em cada situação e condição social, somos e permanecemos filhos.
Esta é a mensagem principal que as crianças nos transmitem com a sua própria presença, só com a sua presença já nos recordam que cada um e todos somos filhos.
Mas há muitos dons e riquezas que as crianças oferecem à humanidade.

Recordo apenas alguns deles.

Dão-lhe o seu modo de ver a realidade, com um olhar confiante e puro.
A criança tem uma confiança espontânea no seu pai e na sua mãe; uma confiança espontânea em Deus, em Jesus, em Nossa Senhora. Ao mesmo tempo, o seu olhar interior é puro, ainda não poluído pela malícia, pelas ambiguidades, pelas «incrustações» da vida que endurecem o coração.
Sabemos que até as crianças têm em si o pecado original, com os seus egoísmos, mas conservam uma pureza e uma simplicidade interior.
E as crianças não são diplomáticas: dizem o que sentem, o que vêem, directamente.
E muitas vezes põem os pais em dificuldade, dizendo diante de outras pessoas: «Não gosto disto, isto é feio!».
Mas as crianças dizem o que vêem, não são pessoas ambíguas, ainda não aprenderam a ciência da duplicidade que nós adultos, infelizmente, aprendemos.

Além disso, as crianças — na sua simplicidade interior — têm em si a capacidade de receber e dar ternura.

Ternura significa ter um coração «de carne» e não «de pedra», como diz a Bíblia [iii].

A ternura é também poesia: é «sentir» as situações e os eventos, sem os tratar como meros objectos, só para os usar, porque servem...

As crianças têm a capacidade de sorrir e de chorar.

Algumas, quando pego nelas ao colo para as abraçar, sorriem; outras, quando me vêem vestido de branco, pensam que sou o médico que vim para lhes dar a vacina, e choram... mas espontaneamente!

As crianças são assim: sorriem e choram, duas situações que em nós, adultos, com frequência se bloqueiam»; já não somos capazes...
Muitas vezes o nosso sorriso torna-se de papelão, sem vida, um sorriso que não é vivaz, um sorriso artificial, de palhaço.

As crianças sorriem e choram espontaneamente.

Depende sempre do coração, e muitas vezes é o nosso coração que se bloqueia e perde a capacidade de sorrir e de chorar.
E então, as crianças podem ensinar-nos novamente a sorrir e a chorar.
Mas nós devemos perguntar: sorrio espontaneamente, com vivacidade, com amor, ou o meu sorriso é artificial? Ainda choro, ou perdi a capacidade de chorar?

Duas perguntas muito humanas, que as crianças nos ensinam.

Por todos estes motivos, Jesus convida os seus discípulos a «tornar-se como as crianças», pois é «a quantos são como elas que pertence o Reino de Deus» [iv].

Caros irmãos e irmãs, as crianças trazem vida, alegria, esperança e também problemas.

Mas a vida é assim!

Sem dúvida, trazem inclusive preocupações e por vezes muitas problemáticas; mas é melhor uma sociedade com estas preocupações e estes problemas, do que uma sociedade triste e cinzenta, porque permaneceu sem filhos!

Quando vemos que o nível demográfico de uma sociedade só alcança um por cento, podemos dizer que esta sociedade é triste e cinzenta, pois permanecem sem crianças!

papa francisco, Audiência Geral 18 de Março de 2015





[i] Mt 11, 25
[ii] Mt 18, 10
[iii] cf. Ez 36, 26
[iv] cf. Mt 18, 3; Mc 10, 14

08/12/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual



Tempo de Advento

Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

Evangelho: Lc 1, 26-38

26 Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. 28 Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». 29 Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. 30 O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; 31 eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. 32 Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; 33 reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim». 34 Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?». 35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; 37 porque a Deus nada é impossível». 38 Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Comentário:

Nos dias em que a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora Rainha este Evangelho é sem dúvida muito apropriado.

Temos a mais excelsa criatura cantando um hino de louvor pelas extraordinárias maravilhas que o Senhor operou nela pelas quais será louvada por todo o sempre.

A Mãe de Deus não poderia ocupar outro lugar que não fosse o de Rainha dos Céus e da terra dos anjos e dos homens.

O nosso D. João IV assim o reconheceu ao "oficialmente" com a autoridade régia que era a sua, que a Santíssima Virgem era a Rainha de Portugal a única que poderia a partir de então usar a coroa real símbolo maior de grandeza e dignidade que nós portugueses somos o único povo no mundo a colocar na sua cabeça.

Com tão excelsa Senhora como Rainha que também é nossa Mãe como não sermos felizes e gratos?

(ama, comentário sobre Lc 1, 26-38  2015.08.22)



Leitura espiritual



Catequeses sobre a família 7

07/12/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual



Tempo de Advento

Santo Ambrósio – Doutor da Igreja

Evangelho: Lc 5, 17-26

17 Um dia, enquanto ensinava, estavam ali sentados fariseus e doutores da lei vindos de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém; e o poder do Senhor levava-O a fazer curas. 18 E eis que uns homens, levando sobre um leito um homem que estava paralítico, procuravam introduzi-lo dentro da casa e pô-lo diante d'Ele. 19 Porém, não encontrando por onde o introduzir por causa da multidão, subiram ao telhado e, levantando as telhas, desceram-no com o leito no meio de todos, diante de Jesus. 20 Vendo a fé deles, Jesus disse: «Homem, são-te perdoados os teus pecados». 21 Então os escribas e os fariseus começaram a pensar e a dizer: «Quem é este que diz blasfémias? Quem pode perdoar pecados, senão só Deus?». 22 Jesus, conhecendo os seus pensamentos, respondeu-lhes: «Que estais a pensar nos vossos corações? 23 Que coisa é mais fácil dizer: “São-te perdoados os pecados”, ou dizer: “Levanta-te e caminha”? 24 Pois, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar pecados, Eu te ordeno - disse Ele ao paralítico - levanta-te, toma o teu leito e vai para a tua casa». 25 Levantando-se logo em presença deles, tomou o leito em que jazia e foi para a sua casa, glorificando a Deus. 26 Ficaram todos estupefactos e glorificavam a Deus. Possuídos de temor, diziam: «Hoje vimos coisas maravilhosas».

Comentário:

Jesus Cristo é, de facto o médico divino: cura o homem total, completo, no corpo e na alma.

E, com o poder que tem, a única coisa que pede “em pagamento” é que quem quer ser curado tenha Fé, autêntica, completa, sem condições ou restrições.

Ele, de facto, pode tudo porque, «a Deus nada é impossível».

(ama, comentário sobre Lc 5, 17-26, 2013.12.09)



Leitura espiritual


Catequeses sobre a família 6

30/11/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo do Advento

Santo André – Apóstolo

Evangelho: Mt 4, 18-22

18 Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 19 «Segui-Me, disse-lhes, e Eu vos farei pescadores de homens». 20 E eles, imediatamente, deixando as redes O seguiram. 21 Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca juntamente com seu pai Zebedeu, consertando as suas redes. E chamou-os. 22 Eles, deixando imediatamente a barca e o pai, seguiram-n'O.

Comentário:

Nada mais apropriado, parece-me, neste primeiro Circulo deste novo ano, que determo-nos um pouco sobre este trecho do Evangelho que relata o início da vida pública de Jesus.
Com a nossa limitada capacidade humana de interpretação das coisas divinas, poderíamos discorrer assim:
Cristo inicia a Sua missão redentora: “proclamar o Reino de Deus e apelar à conversão”, e as multidões atraídas pela Sua Figura e pela pregação começam a segui-lo. Dá-se conta que seria conveniente ter junto de Si alguns discípulos mais constantes e fiéis aos quais fosse comunicando e instruindo com mais detalhe a Sua Doutrina. Nos planos da redenção consta a fundação da Sua Igreja que há-de perpetuar pelos tempos a sua Missão Salvífica e assegurar que os Seus ensinamentos cheguem a todos os homens em todos os locais da terra.
A Igreja de Jesus Cristo, não foi produto de uma ideia súbita surgida um dia na Palestina mas concebida no seio divino no princípio dos tempos. Para lhe dar o impulso inicial haveria de descer à terra a Segunda Pessoa das Trindade Santíssima, para assegurar a sua continuidade ao longo dos tempos eram necessários homens de boa vontade e de bom espírito, dóceis e perseverantes.
Nestes pescadores Jesus encontra os primeiros, são homens de vontade sã, habituados desde sempre a colaborarem uns com os outros nas tarefas da pesca que exigem solidariedade, confiança, obediência ao patrão da barca e pertinácia e empenho na tarefa, tantas vezes ingrata, de pescar.
E, eu, e tu, e tu…nós todos também um dia fomos chamados pelo Senhor, no ambiente onde estávamos, fazendo o que normalmente fazemos todos os dias, também a nós nos disse que o seguíssemos e, nós, é o que temos feito, conforme podemos e sabemos, com tropeços e hesitações mas com a vontade firme de O seguir porque sabemos que, Ele, tem palavras de vida eterna e que, sem Ele, não sabemos qual é o Caminho que devemos seguir, a Verdade que convém escutar, a Vida que vale a pena viver.

(AMA, CC, V. Conde, 2009.01.12)


Leitura espiritual


Catequeses sobre a família 5

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter meditado sobre a figura da mãe e do pai, nesta catequese sobre a família gostaria de falar sobre o filho, ou melhor, os filhos.

Inspiro-me numa linda imagem de Isaías.
Escreve o profeta:
«Os teus filhos vêm ter contigo para se reunir ao teu redor; chegam de longe. E as tuas filhas são carregadas no colo. Esta visão tornar-te-á radiante; o teu coração palpitará e dilatar-se-á[i].

É uma imagem maravilhosa, uma imagem da felicidade que se realiza na reunião entre os pais e os filhos, que juntos caminham rumo a um futuro de liberdade e paz, após um longo período de privações e separação, quando o povo judeu está distante da pátria.
Com efeito, há um vínculo estreito entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações.
Devemos pensar bem sobre isto.
Com efeito, há um vínculo estreito entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações.
A alegria dos filhos faz palpitar o coração dos pais e reabre o porvir. Os filhos são a alegria da família e da sociedade.
Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos numerosos modos de se realizar.
E muito menos uma posse dos pais...
Não, os filhos constituem um dom, um presente: entendestes?
Os filhos são uma dádiva!
Cada um é único e irrepetível; mas, ao mesmo tempo, está inconfundivelmente ligado às suas raízes.
Com efeito, ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa trazer em si a memória e a esperança de um amor que se realizou precisamente acendendo a vida de outro ser humano, original e novo. E para os pais cada filho é singular, diferente, diverso.
Permiti-me mencionar uma recordação de família.
Lembro-me que de nós a minha mãe dizia — éramos cinco: «Tenho cinco filhos!».
Quando lhe perguntavam: «Qual é o teu preferido?», ela respondia: «Tenho cinco filhos, como cinco dedos.
Se batem num, faz-me mal; se batem noutro, também me faz mal. Em todos me faz mal.
Todos eles são meus filhos, mas são diferentes como os dedos de uma mão».
E assim é a família!
Os filhos são diferentes, mas todos são filhos.
Um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, nem porque é assim ou diverso; não porque é filho!
Não porque pensa como eu, nem porque encarna as minhas aspirações.
O filho é filho: uma vida gerada por nós, mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, da humanidade inteira.
Daqui deriva também a profundidade da experiência humana do ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca cessa de nos surpreender.
É a beleza de ser amado primeiro: os filhos são amados antes de chegar.
Quantas vezes encontro na praça mães que me mostram a sua barriga, pedindo a bênção... estas crianças são amadas antes de vir ao mundo.
É algo gratuito, isto é amor; elas são amadas antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre antes.
São amadas antes de ter feito algo para o merecer, antes de saber falar ou pensar, até antes de vir ao mundo!
Ser filho é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte derradeira deste autêntico milagre.
Na alma de cada filho, por mais vulnerável que seja, Deus põe o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada, ninguém, poderá destruir.
Hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro.
Os pais — disse-o nas catequeses precedentes — deram, talvez, um passo atrás e os filhos tornaram-se mais incertos na hora de dar passos em frente.
Podemos aprender a relação entre as gerações do nosso Pai celeste, que deixa cada um de nós livre mas não sozinho.
E quando erramos, Ele continua a acompanhar-nos com paciência, sem diminuir o seu amor por nós.
O Pai celeste nunca desiste no seu amor por nós!
Progride sempre e se não pode ir em frente, espera por nós, mas nunca caminha para trás; quer que os seus filhos sejam corajosos e que vão em frente.
Os filhos, por sua vez, não devem ter medo do compromisso de construir um mundo novo: é bom que eles desejem que seja melhor do que aquilo que receberam!
Mas isto deve ser feito sem arrogância, nem presunção.
É preciso saber reconhecer o valor dos filhos, e os pais devem ser sempre honrados.

O quarto mandamento exige que os filhos — como todos sabemos! — honrem o pai e a mãe [ii].
Este mandamento vem logo após aqueles que se referem ao próprio Deus.
Com efeito, contém algo sagrado, divino, algo que está na raiz de todos os outros tipos de respeito entre os homens.
E na formulação bíblica do quarto mandamento acrescenta-se: «para que os teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus».
O vínculo virtuoso entre as gerações é garantia de futuro e de uma sociedade verdadeiramente humana.
Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais perde-se a própria honra! É uma sociedade destinada a encher-se de jovens áridos e ávidos. Contudo, inclusive uma sociedade avarenta de geração, que não gosta de se circundar de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida.
Pensemos nas várias sociedades que conhecemos aqui na Europa: são sociedades deprimidas, porque não querem filhos, não têm filhos, e o nível de nascimentos não alcança nem sequer 1%.
Porquê?
Cada um de nós pense e responda.
Se uma família generosa de filhos é considerada como se fosse um peso, algo não funciona!
A geração de filhos deve ser responsável, como ensina a Encíclica Humanae vitae, do Beato Papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode tornar-se automaticamente uma escolha irresponsável.
Não ter filhos é uma escolha egoísta.
A vida rejuvenesce e adquire energias multiplicando-se: enriquece-se, não empobrece!
Os filhos aprendem a responsabilizar-se pela sua família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem no apreço dos seus dons.
A feliz experiência da fraternidade anima o respeito e a atenção aos pais, aos quais devemos a nossa gratidão.
Muitos de vós aqui presentes têm filhos, e todos nós somos filhos. Façamos algo, um minuto de silêncio.
Cada um de nós pense intimamente nos seus próprios filhos — se os tiver — mas em silêncio.
E todos nós pensemos nos nossos pais e demos graças a Deus pelo dom da vida.
Em silêncio!
Quantos têm filhos, pensem neles, e todos pensemos nos nossos pais.
O Senhor abençoe os nossos pais e os vossos filhos!
Jesus, o Filho eterno, que se tornou filho no tempo, nos ajude a encontrar o caminho de uma nova irradiação da experiência humana, tão simples e tão grandiosa, de ser filho.
Na multiplicação da geração há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus.
Devemos voltar a descobri-lo, desafiando os preconceitos; e vivê-lo na fé, na alegria perfeita.

E digo-vos: como é agradável quando passo no meio de vós e vejo pais e mães que erguem os seus filhos para ser abençoados; é um gesto quase divino.

Obrigado porque o fazeis!

papa francisco, Filhos Audiência Geral 11 de Fevereiro de 2015





[i] 60, 4-5a
[ii] cf. Êx 20, 12