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14/07/2016

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Mt 11, 28-30

. 28 «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

Falemos então de “jugo”, essa “coleira” que antigamente os dominadores colocavam em volta do pescoço dos dominados e com que os sujeitavam e obrigavam a ir por onde não desejavam.

Falemos de “jugo” com que o vício e a sensualidade condicionam o homem.

Sim, falemos de “jugo” porque em toda a nossa vida inúmeros “jugos” nos mantêm presos a tantas coisas que, se verificar-mos bem, não nos interessam para nada não só porque elas próprias são passageiras mas também porque o bem que nos pode vir delas é efémero.

Mas existe, acaso, um “jugo”, sinónimo de submissão, distintivo do escravo, aceitável?

Sim, existe... este que o Senhor nos oferece, o Seu jugo!

Compreende-se porquê: ficamos presos por um laço de amor, que não domina mas sugere, que não compele mas inspira, que não obriga mas amavelmente indica.

Então... bem abençoado jugo! A ele me quero submeter com toda a minha vontade e potências já que, sinto, com este jugo, estarei a salvo dos outros “jugos” que querem dominar e condicionar a minha vida.

E, na verdade, esta vida não é minha, é do Senhor deste «jugo suave» que traz «descanso para as nossas almas».

(ama, cometário sobre Mt 11, 28-30, 2009.12.07)








09/12/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual



Tempo de Advento


Evangelho: Mt 11, 28-30

28 «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

Este texto de São Mateus bem poderia chamar-se: “a prudência de Deus!”

Com efeito o critério que termos de usar para com os outros sobretudo em tarefas de apostolado mas também quando o assunto da conversa verse de alguma forma questões de fé ou religião terá de ser enformado pela prudência.


Não se pode nem deve falar das mesmas coisas do mesmo modo a todos. Cada um tem a sua própria cultura e  entendimento.

Por isso mesmo e como a maioria de nós não somos nem doutores nem mestres é aconselhável recorrer à direcção espiritual para nos conduzir com segurança.

(ama, comentário sobre Mt 11 25-30 2015.04.29)


Leitura espiritual


Catequeses sobre a família 8

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter passado em revista as diversas figuras da vida familiar —mãe, pai, filhos, irmãos e avós — gostaria de concluir esta primeira série de catequeses sobre a família, falando das crianças.
Fá-lo-ei em dois momentos: hoje, meditarei sobre a grande dádiva que elas são para a humanidade — é verdade, são um dom grandioso para a humanidade, mas são também as grandes excluídas, porque nem sequer as deixam nascer — e proximamente falarei sobre algumas feridas que infelizmente prejudicam a infância.

Vêm-me ao pensamento as numerosas crianças que encontrei durante a minha última viagem à Ásia (N.E.: Sri Lanka e Filipinas): cheias de vida e entusiasmo e, por outro lado, vejo que no mundo muitas vivem em condições indignas...
Com efeito, pode-se julgar a sociedade pelo modo como as crianças são tratadas, e não só moral mas também sociologicamente, se é uma sociedade livre ou escrava de interesses internacionais.

Em primeiro lugar, as crianças recordam-nos que todos, nos primeiros anos de vida, somos totalmente dependentes dos cuidados e da benevolência dos outros.
E o Filho de Deus não evitou esta passagem.

É o mistério que contemplamos todos os anos, no Natal.
O Presépio é o ícone que nos comunica tal realidade do modo mais simples e directo.
Mas é curioso: Deus não tem dificuldade de se fazer entender pelas crianças, e as crianças não têm problemas em compreender Deus. Não é por acaso que no Evangelho Jesus profere palavras muito bonitas e fortes sobre os «pequeninos».
Este termo, «pequeninos», indica todas as pessoas que dependem da ajuda dos outros e, de modo especial, as crianças.

Por exemplo, Jesus diz:

«Bendigo-te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, revelando-as aos pequeninos» [i]. E acrescenta:

«Guardai-vos de menosprezar um só destes pequeninos, porque Eu vos digo que os seus anjos no céu contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus» [ii].

Assim, as crianças são em si uma riqueza para a humanidade e também para a Igreja, porque nos chamam constantemente à condição necessária para entrar no Reino de Deus: a de não nos considerarmos auto-suficientes, mas necessitados de ajuda, de amor, de perdão.

E todos nós precisamos de ajuda, de amor, de perdão!

As crianças recordam-nos mais uma bonita realidade; recordam-nos que somos sempre filhos: até quando nos tornamos adultos, ou mesmo quando somos pais ou desempenhamos funções de responsabilidade, por detrás de tudo isto permanece a identidade de filhos.

Todos nós somos filhos.

E isto recorda-nos sempre que a vida não no-la damos sozinhos, mas recebemo-la.
O grande dom da vida é o primeiro presente que recebemos.

Às vezes corremos o risco de viver esquecidos disto, como se nós fôssemos os senhores da nossa existência mas, ao contrário, somos radicalmente dependentes.
Na realidade, é motivo de profunda alegria sentir que em todas as fases da vida, em cada situação e condição social, somos e permanecemos filhos.
Esta é a mensagem principal que as crianças nos transmitem com a sua própria presença, só com a sua presença já nos recordam que cada um e todos somos filhos.
Mas há muitos dons e riquezas que as crianças oferecem à humanidade.

Recordo apenas alguns deles.

Dão-lhe o seu modo de ver a realidade, com um olhar confiante e puro.
A criança tem uma confiança espontânea no seu pai e na sua mãe; uma confiança espontânea em Deus, em Jesus, em Nossa Senhora. Ao mesmo tempo, o seu olhar interior é puro, ainda não poluído pela malícia, pelas ambiguidades, pelas «incrustações» da vida que endurecem o coração.
Sabemos que até as crianças têm em si o pecado original, com os seus egoísmos, mas conservam uma pureza e uma simplicidade interior.
E as crianças não são diplomáticas: dizem o que sentem, o que vêem, directamente.
E muitas vezes põem os pais em dificuldade, dizendo diante de outras pessoas: «Não gosto disto, isto é feio!».
Mas as crianças dizem o que vêem, não são pessoas ambíguas, ainda não aprenderam a ciência da duplicidade que nós adultos, infelizmente, aprendemos.

Além disso, as crianças — na sua simplicidade interior — têm em si a capacidade de receber e dar ternura.

Ternura significa ter um coração «de carne» e não «de pedra», como diz a Bíblia [iii].

A ternura é também poesia: é «sentir» as situações e os eventos, sem os tratar como meros objectos, só para os usar, porque servem...

As crianças têm a capacidade de sorrir e de chorar.

Algumas, quando pego nelas ao colo para as abraçar, sorriem; outras, quando me vêem vestido de branco, pensam que sou o médico que vim para lhes dar a vacina, e choram... mas espontaneamente!

As crianças são assim: sorriem e choram, duas situações que em nós, adultos, com frequência se bloqueiam»; já não somos capazes...
Muitas vezes o nosso sorriso torna-se de papelão, sem vida, um sorriso que não é vivaz, um sorriso artificial, de palhaço.

As crianças sorriem e choram espontaneamente.

Depende sempre do coração, e muitas vezes é o nosso coração que se bloqueia e perde a capacidade de sorrir e de chorar.
E então, as crianças podem ensinar-nos novamente a sorrir e a chorar.
Mas nós devemos perguntar: sorrio espontaneamente, com vivacidade, com amor, ou o meu sorriso é artificial? Ainda choro, ou perdi a capacidade de chorar?

Duas perguntas muito humanas, que as crianças nos ensinam.

Por todos estes motivos, Jesus convida os seus discípulos a «tornar-se como as crianças», pois é «a quantos são como elas que pertence o Reino de Deus» [iv].

Caros irmãos e irmãs, as crianças trazem vida, alegria, esperança e também problemas.

Mas a vida é assim!

Sem dúvida, trazem inclusive preocupações e por vezes muitas problemáticas; mas é melhor uma sociedade com estas preocupações e estes problemas, do que uma sociedade triste e cinzenta, porque permaneceu sem filhos!

Quando vemos que o nível demográfico de uma sociedade só alcança um por cento, podemos dizer que esta sociedade é triste e cinzenta, pois permanecem sem crianças!

papa francisco, Audiência Geral 18 de Março de 2015





[i] Mt 11, 25
[ii] Mt 18, 10
[iii] cf. Ez 36, 26
[iv] cf. Mt 18, 3; Mc 10, 14

16/07/2015

Evangelho, comentário, L. Espiritual



Tempo comum XV Semana

Nossa Senhora do Carmo

Evangelho: Mt 11, 28-30

28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

Um jugo suave e uma carga leve!
Sim, é bem verdade, sobretudo se o comparamos com os jugos deste mundo, as prisões, os condicionamentos, as sujeições aos hábitos, vícios e pecados... o jugo que temos de suportar nesta vida tão cheia de problemas, dificuldades, obstáculos.
Sim, comparados com este, o jugo e a carga de Cristo são bem mais suaves e levadeiros.
Cumprir a Sua Vontade não pode ser nunca um sacrifício, um peso é, bem ao contrário, contentamento e vitória.

(Comentário sobre Mt 11, 25-27, 20011.06.04)



Leitura espiritual




São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus

118
         
Se quereis actuar sempre como senhores de vós próprios, aconselho-vos a pordes um empenho muito grande em estar desprendidos de tudo, sem medo, sem temores nem receios.
Depois, ao cuidar de cumprir as vossas obrigações pessoais, familiares..., empregai os meios terrenos honestos com rectidão, pensando no serviço a Deus, à Igreja, aos vossos, ao vosso trabalho profissional, ao vosso país, à humanidade inteira.
Reparai que o importante não se concretiza na materialidade de possuir isto ou de carecer daquilo, mas sim em nos conduzirmos de acordo com a verdade que a nossa fé cristã nos ensina: os bens criados são apenas meios.
Portanto, afastai a ilusão de considerá-los como algo definitivo: não acumuleis tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os corroem e os ladrões os desenterram e furtam.
Acumulai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os corroem e onde os ladrões não os descobrem nem furtam.
Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

Quando alguém centra a sua felicidade exclusivamente nas coisas terrenas - fui testemunha de verdadeiras tragédias - perverte o seu uso razoável e destrói a ordem sabiamente disposta pelo Criador.
O coração fica então triste e insatisfeito; mete-se por caminhos de um eterno descontentamento e acaba escravizado já na terra, vítima desses mesmos bens, que talvez tenham sido conseguidos à custa de renúncias e esforços sem conta.
Mas, sobretudo, recomendo-vos que não esqueçais que Deus não cabe, não habita num coração enlameado por um amor desordenado, grosseiro, vão.
Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro.
Não podeis servir a Deus e às riquezas.
Prendamos, pois, o coração no amor capaz de nos fazer felizes... Desejemos os tesouros do céu.

119
         
Não te estou a induzir a um abandono no cumprimento dos teus deveres ou na exigência dos teus direitos.
Pelo contrário, para cada um de nós, habitualmente, uma retirada nessa frente equivale a desertarmos cobardemente da luta para sermos santos, à qual Deus nos chamou.
Por isso, com segurança de consciência, hás-de pôr empenho - especialmente no teu trabalho - para que nem a ti nem aos teus falte o conveniente para viver com dignidade cristã.
Se em algum momento, experimentares na tua carne o peso da indigência, não te entristeças nem te revoltes; mas, insisto, procura empregar todos os recursos nobres para superar essa situação, porque actuar de outra maneira seria tentar a Deus.
E enquanto lutas, lembra-te de que omnia in bonum!, tudo - também a escassez, a pobreza - coopera para o bem dos que amam o Senhor.

Habitua-te, desde já, a enfrentar com alegria as pequenas limitações, as incomodidades, o frio, o calor, a privação de algo que consideras imprescindível, o facto de não poderes descansar quando e como queres, a fome, a solidão, a ingratidão, a incompreensão, a desonra...

120
        
Pai... não os tires do mundo

Somos homens da rua, cristãos correntes, metidos na corrente circulatória da sociedade e o Senhor quer-nos santos, apostólicos, precisamente no nosso trabalho profissional, isto é, santificando-nos nesse trabalho, santificando esse trabalho e ajudando os outros a santificarem--se com esse trabalho.
Convencei-vos de que Deus vos espera nesse ambiente, com solicitude de Pai, de Amigo.
Pensai que com a vossa actividade profissional realizada com responsabilidade, além de vos sustentardes economicamente, prestais um serviço directíssimo ao desenvolvimento da sociedade, aliviais as cargas dos outros e ajudais a manter muitas obras assistenciais - a nível local e universal - em prol dos indivíduos e dos povos mais desfavorecidos.

125
         
Temos de ser exigentes em relação a nós próprios no dia-a-dia, para não inventarmos falsos problemas, necessidades artificiais que, no fundo, procedem do orgulho, do capricho, de um espírito comodista e preguiçoso.
Devemos caminhar para Deus com passo rápido, sem pesos mortos nem empecilhos que dificultem a marcha.
Precisamente porque a pobreza de espírito não consiste em não ter, mas em estar deveras desapegados, devemos permanecer atentos, para não nos enganarmos com motivos imaginários de força maior. Procurai o suficiente, procurai o que basta.
E não queirais mais.
O que passa daí é perturbação e não alívio; pesa em vez de elevar.

Ao descer a estes conselhos, não me baseio em situações estranhas, anormais ou complicadas.
Sei de alguém que usava, como marcas de leitura para os livros, uns papéis em que escrevia jaculatórias para o ajudarem a manter a presença de Deus.
E entrou nele o desejo de conservar com carinho aquele tesouro, até que se deu conta de que estava a apegar-se a papeizitos de nada.

Já vedes que modelo de virtudes!

Não me importaria de vos manifestar todas as minhas misérias, se isso vos servisse para alguma coisa.
Levantei um pouco o manto, porque talvez a ti te suceda a mesma coisa: os teus livros, a tua roupa, a tua mesa, os teus... ídolos de quinquilharia.

Em casos destes, recomendo-vos que consulteis o vosso director espiritual sem ânimo pueril nem escrupuloso.
Às vezes, bastará como remédio a pequena mortificação de prescindir do uso de algo por uma temporada curta.
Ou, noutro domínio, não acontece nada de especial, se um dia renuncias ao meio de transporte que usas habitualmente e dás como esmola a quantia poupada, ainda que seja muito pouco dinheiro.
De qualquer modo, se tens espírito de desprendimento, não deixarás de descobrir ocasiões constantes, discretas e eficazes de o exercitar.

Depois de vos abrir a minha alma, devo confessar-vos também que tenho um apego a que nunca quereria renunciar: o de vos amar a todos de verdade.
Aprendi-o com o melhor Mestre e gostaria de seguir fidelissimamente o seu exemplo, amando sem limites todas as almas, a começar pelos que me rodeiam.
Não vos comove essa caridade ardente, esse carinho de Jesus, que transparece no modo como o Evangelista designa um dos seus discípulos: quem diligebat Jesus, aquele que Jesus amava?

126
         
Terminamos com uma consideração que nos oferece o Evangelho da Missa de hoje: seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morrera Lázaro, a quem Jesus ressuscitou dos mortos.
Ofereceram-lhe uma ceia; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Ele.
Então Maria, tomando uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com os seus cabelos; e a casa encheu-se com o cheiro do perfume.
Que prova tão clara de magnanimidade o excesso de Maria! Judas lamenta que se tenha desperdiçado um perfume que valia - com a sua avareza fez muito bem as contas - pelo menos trezentos dinheiros.

O verdadeiro desprendimento leva-nos a ser muito generosos com Deus e com os nossos irmãos, a sermos diligentes, a arranjarmos recursos, a gastarmo-nos para ajudar aqueles que sofrem necessidades.
Um cristão não pode conformar-se com um trabalho que lhe permita ganhar o suficiente para se sustentar a si e aos seus.
A sua grandeza de coração levá-lo-á a arrimar o ombro para sustentar os outros, por um motivo de caridade e por um motivo de justiça, como escrevia S. Paulo aos Romanos: A Macedónia e a Acaia houveram por bem fazer uma colecta para os pobres que há entre os santos de Jerusalém. Houveram-no por bem e disso lhes eram devedores. Porque, se os gentios participam dos bens espirituais dos judeus, também aqueles devem assistir estes com os seus bens temporais.


Não sejais mesquinhos nem tacanhos com quem tão generosamente se excedeu connosco, até se entregar totalmente, sem medida.
Pensai quanto vos custa - também no domínio económico - ser cristão!
Mas, sobretudo, não esqueçais que Deus ama quem dá com alegria. E Deus é poderoso para vos cumular com toda a espécie de graças, de sorte que, tendo sempre em todas as coisas tudo o que é suficiente, vos fique ainda muito para toda a espécie de boas obras.

Ao aproximarmo-nos, durante esta Semana Santa, das dores de Jesus Cristo, vamos pedir à Santíssima Virgem que, a exemplo d'Ela, também nós saibamos meditar e conservar todos estes ensinamentos no nosso coração.

127
        
Ego sum via, veritas et vita, Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Com estas palavras inequívocas, o Senhor mostrou - nos qual é o verdadeiro caminho que leva à felicidade eterna.
Ego sum via: Ele é o único caminho que une o Céu à terra.
Declara-o a todos os homens, mas recorda-o especialmente aos que, como tu e eu, lhe dissemos que estamos decididos a tomar a sério a nossa vocação de cristãos, de modo que Deus se encontre sempre presente nos nossos pensamentos, nos nossos lábios e em todos os nossos actos, mesmo naqueles mais normais e correntes.

Jesus é o caminho.

Ele deixou neste mundo as pegadas limpas dos seus passos, sinais indeléveis que nem o desgaste dos anos nem a perfídia do inimigo conseguiram apagar.

Iesus Christus heri, et hodie; ipse et in sæcula.

Como gosto de recordá-lo!
Jesus Cristo, o mesmo que foi ontem para os Apóstolos e para as pessoas que o procuravam, vive hoje para nós e viverá pelos séculos sem fim.
Nós, homens, é que às vezes não conseguimos descobrir o seu rosto, perenemente actual, porque olhamos com olhos cansados ou turvos. Agora, ao começar este tempo de oração junto ao Sacrário, pede-lhe como aquele cego do Evangelho: Domine, ut videam!, Senhor, que eu veja! Que se encha de luz a minha inteligência e a palavra de Cristo penetre na minha mente; que a sua Vida enraíze na minha alma para me transformar com vista à Glória eterna.

(cont)



17/07/2014

Evangelho e comentário, Leit. Espiritual (Nota doutrinal sobre alguns aspectos da evangelização,)


Tempo comum XV Semana

Evangelho: Mt 11, 28-30

28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».



Comentário:

Percebe-se que, conhecer Deus, depende da vontade de Jesus Cristo, tal e como Ele próprio o afirma claramente.
Parece que Jesus escolhe as pessoas que devem ter esse conhecimento e, de facto assim é. Todos, em princípio, podemos aceder a tal mas, evidentemente, temos de querê-lo, desejá-lo e pedir que assim seja.

Porquê? Por Jesus não impõe nada – absolutamente – a ninguém e, mesmo que seja o Seu desejo veemente que todos conheçam Deus e, conhecendo-o, o louvem, adorem e façam a Sua Vontade, respeita a vontade de cada um.

Mas, atenção, as oportunidades são sempre dadas e sugeridas a todos os homens. Depende destes aceitar e seguir o indicado.


(AMA, comentário, Mt 11, 25-30, 2012.12.12)

Leitura espiritual


Documentos do Magistério

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

NOTA DOUTRINAL SOBRE
ALGUNS ASPECTOS DA EVANGELIZAÇÃO

.../3

IV. Algumas implicações ecuménicas

12. Desde os inícios o movimento ecuménico esteve intimamente ligado à evangelização. A unidade é, de facto, a marca da credibilidade da missão e o Concílio Vaticano II manifestou com pesar que o escândalo da divisão «prejudica a santíssima causa da pregação» 43. O próprio Jesus, na vigília da sua morte, rezou: «para que todos sejam uma só coisa… para que o mundo acredite» (Jo 17, 21).

A missão da Igreja é universal e não está limitada a determinadas regiões da terra. A evangelização, no entanto, realiza-se de um modo diferente, segundo as diversas situações em que acontece. Num sentido próprio é a «missio ad gentes» dirigida àqueles que não conhecem Cristo. Num sentido mais lato fala-se de «evangelização», relativo ao aspecto ordinário da pastoral, e de «nova evangelização», relativo àqueles que deixaram a praxis cristã 44. Além disso, há evangelização em países onde vivem cristãos não católicos, sobretudo em países de antiga tradição e cultura cristã. Aqui requer-se tanto um verdadeiro respeito pela sua tradição e riquezas espirituais, bem como um sincero espírito de cooperação. «Banindo toda a aparência de indiferentismo, de confusionismo e odiosa rivalidade, os católicos colaborem com os irmãos separados, em conformidade com as disposições do decreto sobre o Ecumenismo, por meio da comum profissão de fé em Deus e em Jesus Cristo diante dos gentios, na medida possível, e pela cooperação em questões sociais e técnicas, culturais e religiosas» 45.

No compromisso ecuménico, podem-se distinguir várias dimensões: primeiro a escuta, como condição fundamental de qualquer diálogo; depois vem a discussão teológica, pela qual, procurando compreender as confissões, tradições e as certezas dos outros, se pode encontrar a concórdia, por vezes escondida na discórdia. E inseparável destas duas, não pode faltar outra essencial dimensão do trabalho ecuménico: o testemunho e o anúncio dos elementos que não são tradições particulares ou nuances teológicas mas pertencem à Tradição da própria fé.

Mas o ecumenismo não tem apenas uma dimensão institucional que procura «fazer crescer a comunhão parcial existente entre os cristãos até à plena comunhão na verdade e na caridade» 46: essa é tarefa de todo o fiel, principalmente através da oração, da penitência, do estudo e da colaboração. Sempre e em toda a parte, cada fiel católico tem o direito e o dever de dar testemunho e anunciar totalmente a sua fé. Com os cristãos não católicos, o católico deve entrar em diálogo respeitoso da caridade e da verdade: um diálogo que não é apenas uma troca de ideias mas de dons 47, de modo a ser-lhes oferecida a plenitude dos meios da salvação 48. Assim se é conduzido sempre a uma mais profunda conversão a Cristo.

A este respeito é de realçar que se um cristão não católico, por razões de consciência e convencido das verdades católicas, pede para entrar em plena comunhão na Igreja católica, isso é respeitado como obra do Espírito Santo e como expressão da liberdade de consciência e de religião. Neste caso não se trata de proselitismo, no sentido negativo atribuído a este termo 49. Como reconheceu explicitamente o Decreto sobre o Ecumenismo do Concílio Vaticano II, «é evidente que o trabalho de preparação e reconciliação dos indivíduos que desejam a plena comunhão católica é, por sua natureza, distinto da empresa ecuménica: Entretanto, não existe nenhuma oposição entre as duas, pois ambas procedem da admirável Providência divina» 50. Logo, tal iniciativa não priva do direito nem exime da responsabilidade de anunciar em plenitude a fé católica aos outros cristãos, que livremente aceitam acolhê-la.

Esta perspectiva requer naturalmente evitar qualquer indevida pressão: «na difusão da fé religiosa e na introdução de novas práticas, deve sempre evitar-se todo o modo de agir que tenha visos de coacção, persuasão desonesta ou simplesmente menos leal, sobretudo quando se trata de gente rude ou sem recursos. Tal modo de agir deve ser considerado como um abuso do próprio direito e lesão do direito alheio» 51. O testemunho da verdade não procura impor algo pela força, nem por uma acção coerciva ou artifícios contrários ao Evangelho. O próprio exercício da caridade é gratuito 52. O amor e o testemunho da verdade procuram acima de tudo convencer pela força da palavra de Deus (cf. 1 Cor 2,3-5; 1 Tes 2,3-5) 53. A missão cristã reside na potência do Espírito Santo e na própria verdade proclamada.

V. Conclusão

13. A acção evangelizadora da Igreja não pode ser menor, pois nunca lhe faltará a presença do Senhor Jesus na força do Espírito Santo, segundo a sua própria promessa: «Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20).

Os relativismos e irenismos de hoje em âmbito religioso não são um motivo válido para descurar este trabalhoso mas fascinante compromisso, que pertence à própria natureza da Igreja e é «sua tarefa primária» 54. «Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele» (2 Cor 5, 14): testemunha-o um grande número de fiéis que, levados pelo amor de Jesus tiveram, ao longo da sua história, iniciativas e obras várias para anunciar o Evangelho, a todas as pessoas e em todos os âmbitos da sociedade, como aviso e convite perene a todas as gerações cristãs a cumprirem com generosidade o mandato de Cristo. Por isso, como recorda o Papa Bento XVI, «o anúncio e o testemunho do Evangelho são o primeiro serviço que os cristãos podem dar às pessoas e à humanidade, chamados a comunicar a todos o amor de Deus, que se manifestou plenamente no único Redentor do mundo, Jesus Cristo» 55. O amor que vem de Deus une-nos a Ele e «transforma-nos em um Nós, que supera as nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja “tudo em todos” (1 Cor 15, 28)» 56.

O Sumo Pontífice Bento XVI, na Audiência concedida ao Cardeal Prefeito, no dia 6 de Outubro de 2007, aprovou a presente Nota doutrinal, decidida na Sessão Ordinária desta Congregação, e ordenou a sua publicação.

Dado em Roma, na sede da Congregação para a Doutrina da Fé, a 3 de Dezembro de 2007, memória litúrgica de S. Francisco Xavier, Padroeiro das Missões.

William Cardeal Levada
Prefeito

Angelo Amato, sdb
Arcebispo titular de Sila
Secretário

___________________________________-
Notas:
 43 Cf. Unitatis redintegratio, n. 1; cf. J. PAULO II, Redemptoris missio, nn. 1,50: AAS 83 (1991) 249, 297.
44 Cf. J. PAULO II, Redemptoris missio, n. 34: AAS 83 (1991) 279-280.
45 Ad gentes, n. 15.
46 J. PAULO II, Ut unum sint, n. 14: AAS 87 (1995) 929.
47 Cf. ibidem, n. 28: AAS 87 (1995) 939.
48 Cf. Unitatis redintegratio, nn. 3, 5.
49 Originalmente o termo «proselitismo» nasce em âmbito hebraico, onde «prosélito» indicava aquele que, proveniente dos «gentios», passava a fazer parte do «povo eleito». Assim também no âmbito cristão, o termo proselitismo foi, muitas vezes, usado como sinónimo da actividade missionária. Recentemente, o termo tomou  uma conotação negativa como publicidade para a própria religião com meios e motivos contrários ao espírito do Evangelho e que não salvaguardam a liberdade e a dignidade da pessoa. Em tal sentido, o termo «proselitismo» é compreendido no contexto do movimento ecuménico: cf. The Joint Working Group between the Catholic Church and the World Council of Churches, “The Challenge of Proselytism and the Calling to Common Witness” (1995).
50 Cf. Unitatis redintegratio, n. 4.
51 Cf. Dignitatis humanae, n. 4.
52 Cf. BENTO XVI, Deus caritas est, n. 31 c: AAS 98 (2006) 245.
53 Cf. Dignitatis humanae, n. 11.
54 BENTO XVI, Homilia de 25-IV-2005, n. 4: AAS 97 (2005) 745.
55 BENTO XVI, Discurso de 11-III-2006: AAS 98 (2006) 334.

56 BENTO XVI, Deus caritas est, n. 18: AAS 98 (2006) 232.