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10/06/2016

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Anjo da Guarda de Portugal

Evangelho: Lc 2, 8-14

8 Naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. 9 Apareceu-lhes um anjo do Senhor e a glória do Senhor os envolveu com a sua luz e tiveram grande temor. 10 Porém, o anjo disse-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: 11 Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. 12 Eis o que vos servirá de sinal: Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13 E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celeste louvando a Deus e dizendo: 14 «Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens, objecto da boa vontade de Deus».

Comentário:

Sei, tenho a certeza absoluta, que o Anjo da minha guarda está presente junto de mim em todos os momentos da minha vida, esteja eu onde estiver, faça o que fizer.

A sua presença é mais que uma “assistência” pessoal de altíssimo valor é, antes de mais, uma disponibilidade de um Espírito Puro que contempla a Face do Criador perante o qual há-de comparecer acompanhando-me no dia do meu juízo particular.

É esta assistência e esta disponibilidade que me tranquilizam e me dão uma enorme paz interior porque sendo o que sou e como sou, o Senhor que me mantém vivo quer que não esteja sozinho mas que tenha um dos Seus Anjos para me acompanhar, assistir e guiar.

(ama, comentário sobre Lc 2, 8-14, 2015.06.10)




10/06/2015

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)


  
Tempo comum X Semana


Santo Anjo da Guarda de Portugal

Evangelho: Lc 2, 8-14

8 Naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. 9 Apareceu-lhes um anjo do Senhor e a glória do Senhor os envolveu com a sua luz e tiveram grande temor. 10 Porém, o anjo disse-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: 11 Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. 12 Eis o que vos servirá de sinal: Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13 E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celeste louvando a Deus e dizendo: 14 «Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens, objecto da boa vontade de Deus».

Comentário:

Aprendemos do Anjo de Portugal esta oração tão singela e, ao mesmo tempo, de extraordinário alcance.

Mais… de actualidade que espanta!

«Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos; peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam».

As ofensas a Deus Nosso Senhor só podem ser reparadas com a nossa oração constante e desagravadas com os sacrifícios que, a exemplo dos Pastorinhos, voluntariamente façamos e, também, dos oferecimentos quer de obras boas quer das próprias dificuldades e “tormentas” que nos deparem na vida de todos os dias.

(ama, comentário sobre Lc 2, 8-14, 2014.06.10)


Leitura espiritual




a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS



ix as virtudes


Para que tendem as virtudes?

…/2
       
        Todo o bem conduz ao Bem, toda a acção boa só pode ter origem na Caridade, com maior ou menor profundidade, com maior ou menor enraizamento, e, além disso, move o espírito a continuar a procura do bem.
De facto, um dos efeitos das virtudes é sustentar a vontade na intenção do fim recto das suas acções.
Vivendo essa procura do bem nos actos concretos das potências humanas unida à procura da verdade nas coisas e nas pessoas, o ser humano acaba por descobrir, num primeiro momento, a sombra da presença de Deus na criação, na liberdade dos outros seres humanos, depois, a sombra dirige-o pra a origem da luz e, da luz, termina descobrindo o próprio Deus pessoal.

        Podemos aplicar aqui as palavras de Jesus aos Apóstolos quando ao informá-lo que tinham descoberto um homem que expulsava os demónios e lho proibiram porque «não era da nossa companhia» o Senhor lhes disse que o deixassem actuar porque «quem não está contra vós está convosco» [1].

        Portanto, podemos afirmar que as virtudes naturais humanas vão abrindo no espírito do homem a perspectiva da Fé, da Esperança e da Caridade.


***


        Deixamos de lado a Fé, a Esperança e a Caridade que na realidade superam os limites do conceito virtual ainda que sejam conhecidas sob o título de virtudes teologais, porque provêm de Deus, para Deus tendem, por Deus são sustentadas de Deus falam e para Deus dirigem o homem, e as que já tratámos e detemos a nossa atenção nas chamadas virtudes cardeais que manifestam como a Graça alimenta o desenvolvimento da vida pessoal cristão e evidencia a vida de Cristo no cristão.

        Estas virtudes são quatro: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.
E chamam-se-lhes cardeais porque «dispõem todas as potências do ser humano para se harmonizarem com o amor divino» [2].
Compreende-se que vejamos já estas virtudes não como uma simples perfeição humana da pessoa, mas como uma realização cristã do homem que via tornando possível que toda a acção do crente seja ao mesmo tempo humana e divina.

        «A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir em qualquer circunstância o nosso verdadeiro bem e a eleger os meios rectos para o realizar (…).
É a prudência que guia directamente o juízo de consciência» [3].

        «A justiça é a virtude moral que consiste na constante firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido» [4].

        «A fortaleza é a virtude moral que assegura a firmeza e a constância da procura do bem no meio das dificuldades.
Reafirma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral
A virtude da fortaleza torna capaz de vencer o temor, inclusive a morte, e fazer frente às provas e perseguições» [5].

        «A temperança é a virtude moral que modera a atracão dos prazeres e procura o equilíbrio do uso dos bens criados.
Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantem os desejos nos limites da honestidade» [6].

        Com estas virtudes, como podemos comprovar, a inteligência e a vontade adquirem, por um lado, clareza de visão e, por outro, a capacidade de decisão para que a pessoa consiga actuar em harmonia com o fim natural-sobrenatural que Deus deseja para o homem: «conhecê-lo, amá-lo e servi-lo nesta terra e gozar para sempre com Ele no céu».

        Como breve exemplo da livre actuação do homem cristão enxertado em Cristo por acção do Espírito Santo e que vive por Cristo, com Cristo, em Cristo podemos assinalar que a vinculação com a Fé, a Esperança e a Caridade torna possível que as quatro virtudes cardeais adquiram o seu verdadeiro sentido e finalidade.

        Fazemos este breve comentário utilizando textos de São Josemaria Escrivá um autor que penetrou profundamente na realidade da presença divina nas presenças humanas quotidianas e normais.

        A Fé permite que a inteligência actue com Prudência ao torna-la capaz de conhecer a verdade de Deus.
A verdadeira prudência é a que permanece atenta às insinuações de Deus e nessa escuta vigilante recebe na alma promessas e realidades de salvação» [7].

        A Caridade dá o seu verdadeiro sentido à justiça e à temperança.

        «Justiça é dar a cada um o seu mas eu acrescentaria que isto não basta.
Por muito que cada uma mereça, há que dar-lhe mais porque cada alma é uma obra-prima de Deus.
A melhor caridade é exceder-se generosamente na justiça, caridade que costuma passar inadvertida mas que é fecunda no Céu e na terra» [8].

        E a razão do assinalado parece clara.
Se a justiça supõe dar a cada um o que «lhe é devido» e o Senhor nos indica que devemos amar-nos uns aos outros «como Eu vos amei», seria impossível viver a verdadeira justiça sem a Caridade.
O «mandamento novo» que Cristo proclamou antes da sua Paixão e confirmou definitivamente depois da Ressurreição ilumina até aos últimos rincões da natureza humana as suas tendências, os seus impulsos, as suas sensações.

        «É um equívoco pensar que as expressões meio-termo ou justo termo, como algo característico das virtudes morais, significam mediocridade algo assim como que a metade do que é possível realizar.
Esse meio entre o excesso e o defeito é um cume, um ponto álgido., o melhor que a prudência indica.
Por outro lado, as virtudes teologais não admitem equilíbrios: não se pode acreditar, esperar, o amar demasiado.
E essa amor a Deus em limites reverte sobre os que nos rodeiam em abundância de generosidade, de compreensão, de caridade» [9].

        A Caridade também torna o homem capaz de viver a temperança e ajuda-o a descobrir «onde estão os seus verdadeiros bens».
Quando se vence a tentação de se deixar levar pelo que alguns chamam «impulsos naturais» e que tendem a uma afirmação indiscriminada dos sentidos externos do homem, «então a vida recobra os matizes que a intemperança espalha, está-se em condições de se preocupar com os outros, de partilhar o próprio com todos, de dedicar-se a tarefas grandes» [10].

        E a Esperança sustém o cristão na fortaleza que necessita para manifestar o seu amor a Deus e aos homens em todas as circunstâncias do seu viver e em manter-se firme no meio das tormentas de cada dia que nunca faltarão na vida do cristão, na vida de qualquer homem.
Como?
Abrindo a sua memória, a sua inteligência à segurança da presença de Deus, da proximidade de Cristo e do Espírito Santo na realidade da vida quotidiana.

        O exemplo dos mártires de Fortaleza sustentada na Fé e na Esperança que pessoas frágeis e débeis de carácter viveram no martírio acompanhou a história da Igreja e acompanhá-la-á até ao fim dos tempos.

        A fortaleza é especialmente necessária para perseverar na obra de santificação que Deus deseja realizar em cada criatura e que só é possível quando a paciência – sinal claro da fortaleza esperançada – se une à magnanimidade.
Então o homem aberto à graça divina descobre a proximidade de Nosso Senhor Jesus Cristo e pode dizer com o salmista: «se se levantam contra mim os meus inimigos não temerei, não se amedrontará o meu coração» [11].

        «Magnanimidade: ânimo grande, alma ampla na qual cabem muitos.
É a força que nos dispõe a sair de nós mesmos para preparar-nos para empreender obras valiosas em benefício de todos.
A tacanhez não aninha no ânimo do magnânimo, não medeia mesquinhez, nem o cálculo egoísta, nem o enredo interessado.
O magnânimo dedica sem reservas as suas forças ao que vale a pena por isso é capaz de entregar-se.
Não se conforma com dar: dá-se.
E então consegue entender a maior mostra de magnanimidade: Dar-se a Deus» [12].


***



O exercício das virtudes manifesta o enraizamento da Graça na pessoa humana e vai tornado visível o grau de conversão do homem cristão e do cristão em santo, ao mesmo tempo essa conversão leva o cristão a descobrir o verdadeiro sentido da sua missão na terra, da sua participação com Cristo na Redenção e na santificação do mundo.

        São Pedro expressou-o com palavras inefáveis: «Ao aproximar-nos dele, pedra viva desprezada pelos homens mas eleita e preciosa diante de Deus, também vós, como pedras vivas, sois edificados como edifício espiritual para um sacerdócio santo com o fim de oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo, (…)
Vós sois linhagem eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido em propriedade para anunciar as maravilhas daquele que vos chamou das trevas à Sua luz admirável» [13].


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)







[1] Lc 9, 50
[2] Catecismo, n. 1804
[3] Catecismo, n. 1806
[4] Catecismo, n. 1807
[5] Catecismo, n. 1808
[6] Catecismo, n. 1809
[7] São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 87
[8] São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 83
[9] São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 83
[10] São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 84
[11] Sal 26 (27) 3
[12] São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 80
[13] 1 Pd 2, 4-5, 9

10/06/2014

Evangelho diário, comentário e leitura espiritual (Const. Past. Gaudium et spes)


Tempo comum X Semana

Santo Anjo de Portugal

Evangelho: Lc 2, 8-14

8 Naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. 9 Apareceu-lhes um anjo do Senhor e a glória do Senhor os envolveu com a sua luz e tiveram grande temor. 10 Porém, o anjo disse-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: 11 Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. 12 Eis o que vos servirá de sinal: Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13 E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celeste louvando a Deus e dizendo: 14 «Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens, objecto da boa vontade de Deus».

Comentário:

Os Anjos são os Mensageiros de Deus e, como tal, dão as notícias que os homens têm absoluta necessidade de conhecer e que não podem ter acesso de outro modo.
Mas, além desta missão extraordinariamente importante são também os mensageiros dos homens, encarregando-se de levar ao Criador as aspirações, os desejos e necessidades das criaturas.
Criaturas perfeitíssimas estão em condições únicas de, servindo-nos de guias seguros pelos caminhos certos, apresentarem perante Aquele cuja Face contemplam constantemente, o que pode servir-nos de melhor ajuda a conseguirmos o que nos insinuam.

Confiemos nos nossos Anjos da Guarda como os “defensores” e “intercessores” representando-nos como bons advogados junto daquele que nos há-de julgar.

(ama, comentário sobre Lc 2, 8-14, 2013.06.10)

Leitura espiritual



Documentos do Concílio Vaticano II

CONSTITUIÇÃO PASTORAL
GAUDIUM ET SPES
SOBRE A IGREJA NO MUNDO ACTUAL

II PARTE

ALGUNS PROBLEMAS MAIS URGENTES

CAPÍTULO I

A PROMOÇÃO DA DIGNIDADE DO MATRIMÓNIO E DA FAMÍLIA

O amor conjugal

49. A Palavra de Deus convida repetidas vezes os noivos a alimentar e robustecer o seu noivado com um amor casto, e os esposos a sua união com um amor indiviso 10. E também muitos dos nossos contemporâneos têm em grande apreço o verdadeiro amor entre marido e mulher, manifestado de diversas maneiras, de acordo com os honestos costumes dos povos e dos tempos. Esse amor, dado que é eminentemente humano - pois vai de pessoa a pessoa com um afecto voluntário - compreende o bem de toda a pessoa e, por conseguinte, pode conferir especial dignidade às manifestações do corpo e do espírito, enobrecendo-as como elementos e sinais peculiares do amor conjugal. E o Senhor dignou-se sanar, aperfeiçoar e elevar este amor com um dom especial de graça e caridade. Unindo o humano e o divino, esse amor leva os esposos ao livre e recíproco dom de si mesmos, que se manifesta com a ternura do afecto e, com as obras, e penetra toda a sua vida 11; e aperfeiçoa-se e aumenta pela sua própria generosa actuação. Ele transcende, por isso, de longe a mera inclinação erótica, a qual, fomentada egoisticamente, rápida e miseràvelmente se desvanece.

Este amor tem a sua expressão e realização peculiar no acto próprio do matrimónio. São, portanto, honestos e dignos os actos pelos quais os esposos se unem em intimidade e pureza; realizados de modo autenticamente humano, exprimem e alimentam a mútua entrega pela qual se enriquecem um ao outro na alegria e gratidão. Esse amor, ratificado pela promessa de ambos e, sobretudo, sancionado pelo sacramento de Cristo, é indissoluvelmente fiel, de corpo e de espírito, na prosperidade e na adversidade; exclui, por isso, toda e qualquer espécie de adultério e divórcio. A unidade do matrimónio, confirmada pelo Senhor, manifesta-se também claramente na igual dignidade da mulher e do homem que se deve reconhecer no mútuo e pleno amor. Mas, para cumprir com perseverança os deveres desta vocação cristã, requer-se uma virtude notável; por este motivo, hão-de os esposos, fortalecidos pela graça para levarem uma vida de santidade, cultivar assiduamente e impetrar com a oração a fortaleza do próprio amor, a magnanimidade e o espírito de sacrifício.

O autêntico amor conjugal será mais apreciado, e formar-se-á a seu respeito uma sã opinião pública, se os esposos cristãos derem um testemunho eminente de fidelidade e harmonia e de solicitude na educação dos filhos e se participarem na necessária renovação cultural, psicológica e social em favor do casamento e da família. Os jovens devem ser conveniente e oportunamente instruídos, sobretudo no seio da própria família, acerca da dignidade, missão e exercício do amor conjugal. Deste modo, educados na castidade, poderão, chegada a idade conveniente, entrar no casamento depois dum noivado puro.

A fecundidade do matrimónio

50. O matrimónio e o amor conjugal ordenam-se por sua própria natureza à geração e educação da prole. Os filhos são, sem dúvida, o maior dom do matrimónio e contribuem muito para o bem dos próprios pais. O mesmo Deus que disse «não é bom que o homem esteja só» (Gén. 2,88) e que «desde a origem fez o homem varão e mulher» (Mt. 19,14), querendo comunicar-lhe uma participação especial na Sua obra criadora, abençoou o homem e a mulher dizendo: «sede fecundos e multiplicai-vos» (Gén. 1,28). Por isso, o autêntico cultivo do amor conjugal, e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do matrimónio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do criador e salvador, que por meio deles aumenta cada dia mais e enriquece a sua família.

Os esposos sabem que no dever de transmitir e educar a vida humana - dever que deve ser considerado como a sua missão específica - eles são os cooperadores do amor de Deus criador e como que os seus intérpretes. Desempenhar-se-ão, portanto, desta missão com a sua responsabilidade humana e cristã; com um respeito cheio de docilidade para com Deus, de comum acordo e com esforço comum, formarão rectamente a própria consciência, tendo em conta o seu bem próprio e o dos filhos já nascidos ou que prevêem virão a nascer, sabendo ver as condições de tempo e da própria situação e tendo, finalmente, em consideração o bem da comunidade familiar, da sociedade temporal e da própria Igreja. São os próprios esposos que, em última instância, devem diante de Deus tomar esta decisão. Mas, no seu modo de proceder, tenham os esposos consciência de que não podem agir arbitrariamente, mas que sempre se devem guiar pela consciência, que se deve conformar com a lei divina, e ser dóceis ao magistério dia Igreja, que autenticamente a interpreta à luz do Evangelho. Essa lei divina manifesta a plena significação do amor conjugal, protege-o e estimula-o para a sua perfeição autenticamente humana. Assim, os esposos cristãos, confiados na divina Providência e cultivando o espírito de sacrifício 12, dão glória ao Criador e caminham para a perfeição em Cristo quando se desempenham do seu dever de procriar com responsabilidade generosa, humana e cristã. Entre os esposos que deste modo satisfazem à missão que Deus lhes confiou, devem ser especialmente lembrados aqueles que, de comum acordo e com prudência, aceitam com grandeza de ânimo educar uma prole numerosa 13.

No entanto, o matrimónio não foi instituído só em ordem à procriação da prole. A própria natureza da aliança indissolúvel entre as pessoas e o bem da prole exigem que o mútuo amor dos esposos se exprima convenientemente, aumente e chegue à maturidade. E por isso, mesmo que faltem os filhos, tantas vezes ardentemente desejados, o matrimónio conserva o seu valor e indissolubilidade, como comunidade e comunhão de toda a vida.

O amor conjugal e o respeito pela vida humana

51. O Concílio não ignora que os esposos, na sua vontade de conduzir harmònicamente a própria vida conjugal, encontram frequentes dificuldades em certas circunstâncias da vida actual; que se podem encontrar em situações em que, pelo menos temporariamente, não lhes é possível aumentar o número de filhos e em que só dificilmente se mantêm a fidelidade do amor e a plena comunidade de vida. Mas quando se suspende a intimidade da vida conjugal, não raro se põe em risco a fidelidade e se compromete o bem da prole; porque, nesse caso, ficam ameaçadas tanto a educação dos filhos como a coragem necessária para ter mais filhos.

Não falta quem se atreva a dar soluções imorais a estes problemas, sem recuar sequer perante o homicídio. Mas a Igreja recorda que não pode haver verdadeira incompatibilidade entre as leis divinas que regem a transmissão da vida e o desenvolvimento do autêntico amor conjugal.

Com efeito, Deus, senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis. A índole sexual humana e o poder gerador do homem, eles superam de modo admirável o que se encontra nos graus inferiores da vida; daqui se segue que os mesmos actos específicos da vida conjugal, realizados segundo a autêntica dignidade humana, devem ser objecto de grande respeito. Quando se trata, portanto, de conciliar o amor conjugal com a transmissão responsável da vida, a moralidade do comportamento não depende apenas da sinceridade da intenção e da apreciação dos motivos; deve também determinar-se por critérios objectivos, tomados da natureza da pessoa e dos seus actos; critérios que respeitem, num contexto de autêntico amor, o sentido da mútua doação e da procriação humana. Tudo isto só é possível se se cultivar sinceramente a virtude da castidade conjugal. Segundo estes princípios, não é lícito aos filhos da Igreja adoptar, na regulação dos nascimentos, caminhos que o magistério, explicitando a lei divina, reprova 14.

Todos, finalmente, tenham bem presente que a vida humana e a missão de a transmitir não se limitam a este mundo, nem podem ser medidas ou compreendidas unicamente em função dele, mas que estão sempre relacionadas com o eterno destino do homem.

O progresso e a promoção do matrimónio e da família

52. A família é como que uma escola de valorização humana. Para que esteja em condições de alcançar a plenitude da sua vida e missão, exige, porém, a benévola comunhão de almas e o comum acordo dos esposos, e a diligente cooperação dos pais na educação dos filhos. A presença activa do pai contribui poderosamente para a formação destes; mas é preciso assegurar também a assistência ao lar por parte da mãe, da qual os filhos, sobretudo os mais pequenos, têm tanta necessidade; sem descurar, aliás, a legítima promoção social da mulher. Os filhos sejam educados de tal modo que, chegados à idade adulta, sejam capazes de seguir com inteira responsabilidade a sua vocação, incluindo a sagrada, e escolher um estado de vida; e, se casarem, possam constituir uma família própria, em condições morais, sociais e económicas favoráveis. Compete aos pais ou tutores guiar os jovens na constituição da família com prudentes conselhos que eles devem ouvir de bom grado; mas evitem cuidadosamente forçá-los, directa ou indirectamente, a casar-se ou a escolher o cônjuge.

A família - na qual se congregam as diferentes gerações que reciprocamente se ajudam a alcançar uma sabedoria mais plena e a conciliar os direitos pessoais com as outras exigências da vida social - constitui assim o fundamento da sociedade. E por esta razão, todos aqueles que têm alguma influência nas comunidades e grupos sociais, devem contribuís eficazmente para a promoção do matrimónio e da família. A autoridade civil há-de considerar como um dever sagrado reconhecer, proteger e favorecer a sua verdadeira natureza, assegurar a moralidade pública e fomentar a prosperidade doméstica. Deve salvaguardar-se o direito de os pais gerarem e educarem os filhos no seio da família. Protejam-se também e ajudem-se convenientemente, por meio duma previdente legislação e com iniciativas várias, aqueles que por infelicidade não beneficiam duma família.

Os cristãos, resgatando o tempo presente 15, e distinguindo o que é eterno das formas mutáveis, promovam com empenho o bem do matrimónio e da família, com o testemunho da própria vida e cooperando com os homens de boa vontade; deste modo, superando as dificuldades, proverão às necessidades e vantagens da família, de acordo com os novos tempos. Para alcançar este fim, muito ajudarão o sentir cristão dos fiéis, a rectidão de consciência moral dos homens, bem como o saber e competência dos que se dedicam às ciências sagradas.

Os cientistas, particularmente os especialistas nas ciências biológicas, médicas, sociais e psicológicas, podem prestar um grande serviço para bem do matrimónio e da família se, juntando os seus esforços, procurarem esclarecer mais profundamente as condições que favorecem a honesta regulação da procriação humana.

Cabe aos sacerdotes, devidamente informados acerca das realidades familiares, auxiliar a vocação dos esposos na sua vida conjugal e familiar por vários meios pastorais, com a pregação da palavra de Deus, o culto litúrgico e outras ajudas espirituais; devem ainda fortalecê-los, com bondade e paciência, nas suas dificuldades e reconfortá-los com a caridade, para que assim se formem famílias verdadeiramente irradiantes.

As diferentes obras, sobretudo as associações de famílias, procurem fortalecer com a doutrina e a acção os jovens e os esposos, especialmente os casados de há pouco, e formá-los para a vida familiar, social e apostólica.

Finalmente, os próprios esposos, feitos à imagem de Deus e estabelecidos numa ordem verdadeiramente pessoal, estejam unidos em comunhão de afecto e de pensamento e com mútua santidade 16 de modo que, seguindo a Cristo, princípio da vida 17, se tornem, pela fidelidade do seu amor, através das alegrias e sacrifícios da sua vocação, testemunhas daquele mistério de amor que Deus revelou ao mundo com a sua morte e ressurreição 18.
__________________________________________
Notas:
10. Cfr. Gén. 2, 22. 24; Prov. 5, 18-20; 31, 10-31; Tob. 8,4-8; Cant. 1, 2-3; 2,16; 4,16-5,1; 7, 8-11; 1 Cor. 7, 3-6; Ef. 5, 25-33.
11. Cfr. Pio XI, Enc. Casti Connubii: AAS 22 (1930), p. 547-548; Denz.-Schön. 2232 (3707).
12. Cfr. 1 Cor. 7,5.
13. Cfr. Pio XII, Alocução Tra le visite, 20 janeiro 1958: AAS 50 (1958), p. 91.
14. Cfr. Pio XI, Enc. Casti Connubii: AAS 22 (1930), p. 559-561: Denz.-Schön. 3716-3718; Pio XII, Alocução ao Congresso da União Italiana de parteiras, 29 de outubro 1951: AAS 43 (1951), p. 835-854; Paulo VI, Alocução ao Sacro Colégio, 23 junho 1964: AAS 56 (1964), p. 581-589. Certas questões que requerem outras investigações mais aprofundadas, foram confiadas, por mandato do Sumo Pontífice, a uma Comissão para o estudo da população, da família e da natalidade; uma vez terminados os seus trabalhos, o Sumo Pontífice pronunciará o seu juízo. No actual estado da doutrina do magistério, o sagrado Concílio não pretende propor imediatamente soluções concretas.
15. Cfr. Ef. 5,16; Col. 4,5.
16. Cfr. Sacramentarium Gregorianum: PL 78, 262.
17. Cfr. Rom. 5,15 e 18; 6 5-11; Gál. 2,20.
18. Cfr. Ef. 5, 25-27.