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18/03/2019

Cenas da vida corrente – 5

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E agora: que é que eu faço? Que é que eu digo?

Perguntam-me:

Se em consciência tenho razoável certeza que não cometi nenhum pecado – nem falo de gravidade – porque devo confessar-me?

Digo o seguinte:

A Confissão Sacramental tem um efeito regenerador e ajuda para resistir às tentações pelo que, a sua prática regular faz muito bem à alma.

Além do mais, poderás sempre confessar-te de alguma coisa que tenhas esquecido em confissões anteriores embora não te lembres o quê.

AMA, reflexões.

11/03/2019

Cenas da vida corrente – 4

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E agora: que é que eu faço? Que é que eu digo?

Perguntam-me:

Quando rezas, tens absoluta certeza que Deus te ouve?

Digo o seguinte:

Sim! Tenho absoluta certeza que Deus me ouve.
Nem faria sentido nenhum rezar sem ter essa certeza.

Perguntam-me:

Mas como podes ter essa certeza?

Digo o seguinte:

Em primeiro lugar porque foi o próprio Jesus Cristo que nos aconselhou a rezar ao Pai.
Não o faria se Ele não nos escutasse.

Em segundo lugar porque é natural um Pai escutar um filho quando este se lhe dirige.

AMA, reflexões.

08/03/2019

Cenas da vida corrente – 3

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E agora: que é que eu faço? Que é que eu digo?

Como hei-de responder a uma pergunta que alguém me fez?

Pareceu-me um pouco - pelo menos – capciosa – mas, nem por assim pensar, numa primeira reacção, encerrei o assunto encolhendo os ombros ou respondendo: vai à fava!

Talvez que – pensei – a pessoa estivesse algo “habituada” a não levarem a sério as suas perguntas ou, então, a considerarem-no um “provocador” desejoso de levantar polémica, discussão.

(Realmente, pelo conhecimento que tenho da pessoa parece ser este o caso.)

A pergunta era pertinente e actual:
‘Porque é que dois jovens não podem – ou não devem - viver juntos  antes de decidirem casar?’

Digo o seguinte:

‘Bom… antes de mais, tens de dizer-me qual é o verdadeiro problema?
 O quê – ou quem – põe a questão?
Os próprios ou outros; os próprios porque têm alguma dúvida ou pelos outros que levantam reticências e emitem “pereceres”?’

A resposta foi mais ou menos, a que esperava:
‘Sabes como é: os pais, os irmãos, a sociedade… sei lá… parece mal…’

Digo o seguinte:

Parece-me haver aí uma grande confusão porque, o que na verdade, interessa – deve importar – é o entre os dois, cada um pensa a esse respeito.
Parece-te que se preocuparam com isso quando começaram a relação, o namoro.
Mas, chegados agora a este pondo decisivo qual é, de facto a vontade ou a convicção de cada um?

Dizem-me:

Sabes como é… cada um tem a sua opinião, os Pais dizem uma coisa, os amigos dizem outra e, eles, coitados, estão um pouco baralhados.

Digo o seguinte:

‘Mas coitados porquê? Afinal, o problema é deles ou dos Pais ou dos amigos?
E “baralhados” porquê? Será que não sabem o que querem, que não têm uma opinião própria sedimentada no conhecimento e na educação que cada uma recebeu?

Essas dúvidas ou hesitações não parecem de pessoas adultas.

Talvez que, pensando bem, fosse melhor irem adiando a decisão até ter as ideias mais claras e consistentes porque, senão sabem exactamente o que querem, o resultado só pode ser um desastre, um engano com consequências sérias para o resto a vida.

AMA, Outubro 2018

28/02/2019

Temas para reflectir e meditar


Morte


O Senhor entendeu chamar o Pedro.
O meu querido sobrinho Pedro!
No atordoamento Que se segue, divido-me entre a angústia e a certeza - absoluta - que Ele faz tudo para bem.
Quem sou eu para julgar ou aferir?
Nas minhas memórias o Pedro está presente de uma forma tão real e positiva que nem sequer me lembro dele como se não estivesse aqui.
Desde pequeno me habituei à sua presença quando o João no enviava para Santo Tirso e, depois para Carvide ou Arcozelo.
Mesmo quando fazia disparates - como andar pelos telhados - nunca lhe ralhei apenas lhe dizia se gostaria que eu dissesse ao Pai que tinha partido uma perna ao cair do telhado.
Em Carvide, uma vez, tive de tomar uma atitude drástica. Entendeu o Pedro ir dar uma voltinha na camionete das Termas.
Teve um percalço ao fazer marcha atrás embateu num dos poiais da porta e aquilo veio tudo por ali abaixo.
Não se matou nem nada apenas no seu orgulho ferido.
Fui falar com o Zézinho e logo de manhã tudo estava arranjado.
Claro que o meu Pai ao regressar no dia seguinte de Lisboa deu-se conta das obras, mas não se manifestou.
Então eu disse ao Pedro:
Agora vens comigo a Monte Real falar com o Avô!
O Pedro protestou que não queria ir etc e tal. Mas eu fui inflexível.
Lá fui ter com o meu Pai ao escritório no hotel e disse:
Pai, está aqui o Pedro que tem u m a coisa para lhe dizer.
Abri a porta e disse: Pedro, avança!
E o Pedro avançou e num jacto contou tudo.
O meu querido Pai, olhou para ele e perguntou:
‘Atão e tu? Estás bem? Não te aleijados nem nada?’
E o Pedro meio zonzo com a reacção do meu Pai, respondeu:
‘Nada, Avô, estou porreiro. O Avô desculpe!’
‘Pois’... disse o meu Pai. ‘Vê se te serve de lição!’
De regresso a Carvide desabafa o Pedro:
‘Oh Tio... o Avô  é um porreiro!’
Aproveitei para dar a lição:
‘Olha Pedro, o teu Avô é um “porreiro” porque só podia ser com a atitude que tomaste! Enfrentaste a coisa, não inventaste subterfúgios, foste verdadeiro, assumiste a responsabilidade do que fizeste,

Mas, súbita, nua e crua vem a: A Morte

Ela aí está, presente, indiscutível, definitiva!

A morte é, assim, o acabar a vida, o terminar de sonhos e esperanças, projectos e planeamentos o não se "vai passar mais nada"!

A Morte!

Choca, faz estremecer, sobretudo os vivos, os que ficam e que subitamente se dão conta que ela chegou e levou consigo quem tanto queríamos, de quem tanto gostávamos.
Um travo amargo de perda irreparável, de algo sem remédio nem solução e ficamos como que tontos pensando: como é - como foi - possível?

Mas foi! E é! A morte está presente desde o dia em que nascemos e que, pela primeira vez fomos uma pessoa.

Sim, quando perguntamos por alguém cuja situação é grave e respondemos: está entre a vida e a morte esquecemos que esta resposta deve ser a de sempre, desde que vimos pela primeira vez a luz do dia.

A Morte faz parte da condição humana, esta é a verdade e, mais, súbita ou expectável, sucede sempre.

O que podemos fazer, nós que amámos tanto a pessoa que morreu?
Nada, absolutamente nada!

Guardamos como tesouro genuíno as lembranças todas. De repente, como por milagre, só nos lembramos das coisas boas.

Quem morreu deixou, de repente, de ter defeitos, fraquezas, coisas que nos desiludiram ou magoaram.

A Morte tem esse efeito regenerador, converte a pessoa em excelente criatura que fez muito bem e, sobretudo, nos faz muita falta.

O que fazer?

Para um cristão esta é, deve ser, uma consolação, um lenitivo para a dor da ausência física para passar a ser uma certeza de que a memória permanece talvez mais viva e actuante que nunca.

(AMA, na morte do meu querido sobrinho Pedro, 03.11.201)

08/10/2018

Cenas da vida corrente – 2

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E agora: que é que eu faço? Que é que eu digo?

Dadas as minhas dificuldades físicas em andar, não me “arrisco” a sair à rua sem uma bengala.
Na verdade, parece que não me serve de nada, os joelhos doem-me na mesma, e quando de vez em quando “ensaio” de “peito feito” a não me apoiar na dita bengala a coisa não funciona a preceito.

Invade-me uma sensação de incapacidade que me recuso a admitir:
De bengala!!!

Mas, por acaso, dá-me muito jeito nas passagens para peões, as pessoas parecem ter especial cuidado e fazem-me sinal para passar…

Há dias, resolvi acabar com a coisa e fui dar uma volta pela rua sem levar a bengala. Não sei porquê mas, seguramente por vaidade!

A primeira “passadeira” que me apareceu pela frente foi um drama.
Pensei:
E agora? Se tropeço… caio no chão passam-me por cima???

Lá me atrevi pensando:

E agora: que é que eu faço? Que é que eu digo?

Evidentemente que não tinha nada a dizer e, muito menos a fazer… Atravessar a rua e… já está!

Cheguei ao outro lado cheio de empáfia e orgulho e disse para mim mesmo – olhando à volta para ver se haveria alguém que pudesse ler os meus pensamentos – vês, António! Para que raio precisas da bengala?

Cheguei a uma conclusão:
Não preciso da bengala para nada ou, melhor, preciso da abengala para que as pessoas vejam que ali vai um septuagenário com dificuldades de locomoção, dando-lhes uma oportunidade de serem gentis e terem pena de mim.

E agora: que é que eu faço? Que é que eu digo?

Não sei que faça nem que diga mas quer-me parecer que a bengala que preciso é na minha coragem, stamina, força de vontade.
Ou seja: é fácil – relativamente – assumir o papel de dependente; o difícil estará, talvez em assumir esta verdade absoluta:

‘Senhor: tenho medo, receio e reserva. Sê Tu a minha bengala todos os dias, a cada minuto.’

Quem pode mais?

Eu e a bengala ou o Senhor e eu?

AMA, Outubro 2018

05/10/2018

Cenas da vida corrente – 1


Resultado de imagem para vida correnteE agora: que é que eu faço? Que é que eu digo?

Ontem, ao fim da tarde, fui mais uma vez abordado por um sujeito que amiúde me pede ajuda.

Com brusquidão respondi-lhe mais ou menos:

‘Mas ó homem! Ainda há dois dias te dei cinco euros! Disseste que estavas com fome e querias comer qualquer coisa’.

Respondeu-me:
‘Sim, é verdade, mas sabe, olhe que comi como um senhor! Os cinco euros deram para duas sopas e uma sandes das grandes.’

Disse-lhe:
‘Pois ainda bem ao menos ficaste satisfeito. E, agora, que é que queres mais?’

Com toda a naturalidade disse-me:
‘Bem… já lá vão dois dias e hoje estou outra vez com fome, mas… atalhou rapidamente hoje dois euritos chegam, como uma sandes e já está.’

Com toda rapidez transferi do meu bolso para a sua mão as moedas que tinha comigo. Ele nem contou mas eu calculo que deveriam ser uns três euros, mais ou menos.

‘Olha, agora vê lá! Eu não posso estar a dar-te dinheiro todos os dias.’

‘Eu sei… eu sei… também não lhe peço todos os dias pois não? Muito obrigado.’


E agora: que é que eu faço? Que é que eu digo?


Não faço nada! Não digo nada!
Que posso eu fazer? Que posso eu dizer?

Sim, todos os dias eu janto confortavelmente sem parcimónia nem – muitas vezes – contenção.
Não me preocupa minimamente o que irei jantar amanhã ou noutro dia qualquer.

No frigorífico há sempre algo disponível.

Pois… mas o Victor – assim se chama o sujeito – não tem frigorífico e, mesmo que tivesse seria perfeitamente inútil porque não teria nada para colocar lá dentro.

Esta situação incomoda-me, entristece-me.


E agora: que é que eu faço? Que é que eu digo?


Ocorre-me, então, que pelo menos, posso dizer:

‘Senhor, olha que o Victor também é Teu filho!


AMA, cenas da vida corrente, Outubro 2018