23/03/2021

São Josemaria – Textos

 


Servir, meus filhos, é o que é próprio de nós.

No meio do júbilo da festa, em Caná, só Maria nota a falta de vinho... Até aos mais ínfimos pormenores de serviço chega a alma quando vive, como Ela, apaixonadamente atenta ao próximo, por Deus. (Sulco, 631)

Servir, servir, filhos meus, é o que é próprio de nós. Sermos criados de todos, para que nos nossos dias o povo fiel aumente em mérito e número. Olhai para Maria. Nunca criatura alguma se entregou com mais humildade aos desígnios de Deus. A humildade da ancilla Domini, da escrava do Senhor, é a razão que nos leva a invocá-la como causa nostrae laetitiae, causa da nossa alegria. Eva, depois de pecar por querer, na sua loucura, igualar-se a Deus, escondia-se do Senhor e envergonhava-se: estava triste. Maria, ao confessar-se escrava do Senhor, é feita Mãe do Verbo divino e enche-se de alegria. Que este seu júbilo de boa Mãe se nos pegue a todos nós; que saiamos nisto a Ela – a Santa Maria – e assim nos pareceremos mais com Cristo. (Amigos de Deus, 108–109)

Leitura Espiritual Mar 23

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc XI, 33-54

 

A lâmpada

33 «Ninguém acende uma candeia, para a colocar num lugar escondido ou debaixo do alqueire; mas coloca-a no candelabro, para que vejam a luz aqueles que entram. 34 A candeia do teu corpo são os teus olhos. Se os teus olhos estiverem sãos, todo o teu corpo estará iluminado; mas se estiverem em mau estado, o teu corpo estará em trevas. 35 Examina, pois, se a luz que há em ti não é escuridão. 36 Se todo o teu corpo está iluminado, não tendo parte alguma tenebrosa, todo ele será luminoso, como quando a candeia te ilumina com o seu fulgor.»

 

A censura dos fariseus

37 Mal Jesus tinha acabado de falar, um fariseu convidou-o para almoçar na sua casa; Ele entrou e pôs-se à mesa. 38 O fariseu admirou-se de que Ele não se tivesse lavado antes da refeição. 39 O Senhor disse-lhe: «Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade. 40 Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? 41 Antes, dai esmola do que possuís, e para vós tudo ficará limpo. 42 Mas ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as plantas e descurais a justiça e o amor de Deus! Estas eram as coisas que devíeis praticar, sem omitir aquelas. 43 Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas e de ser cumprimentados nas praças! 44 Ai de vós, porque sois como os túmulos, que não se vêem e sobre os quais as pessoas passam sem se aperceberem!»

 

Jesus censura os doutores

45 Um doutor da Lei tomou a palavra e disse-lhe: «Mestre, falando assim, também nos insultas a nós.» 46 Mas Ele respondeu: «Ai de vós, também, doutores da Lei, porque carregais os homens com fardos insuportáveis e nem sequer com um dedo tocais nesses fardos! 47 Ai de vós, que edificais os túmulos dos profetas, quando os vossos pais é que os mataram! 48 Assim, dais testemunho e aprovação aos actos dos vossos pais, porque eles mataram-nos e vós edificais-lhes sepulcros. 49 Por isso mesmo é que a Sabedoria de Deus disse: ‘Hei-de enviar-lhes profetas e apóstolos, a alguns dos quais darão a morte e a outros perseguirão, 50 a fim de que se peça contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, 51 desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que pereceu entre o altar e o santuário.’ Sim, Eu vo-lo digo, serão pedidas contas a esta geração. 52 Ai de vós, doutores da Lei, porque vos apoderastes da chave da ciência: vós próprios não entrastes e impedistes a entrada àqueles que queriam entrar!» 53 Quando saiu dali os doutores da Lei e os fariseus começaram a pressioná-lo fortemente com perguntas e a fazê-lo falar sobre muitos assuntos, 54 armando-lhe ciladas e procurando apanhar-lhe alguma palavra para o acusarem.

 

Texto

 


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1988

 

 Amados irmãos e irmãs em Cristo:

 

Com alegria e esperança, ao dirigir-vos esta Mensagem de Quaresma, desejaria exortar-vos à penitência, que produza em vós os abundantes frutos espirituais de uma vida cristã mais dinâmica e de uma caridade efectiva.

 

O tempo da Quaresma, que marca profundamente a vida de todas as comunidades cristãs, favorece o espírito de recolhimento, de oração e de escuta da Palavra de Deus; convida a responder generosamente ao apelo do Senhor expresso pelo Profeta: «Sabeis qual é o jejum que eu aprecio?.... é repartir o pão com o faminto, dar abrigo aos infelizes sem tecto... Então invocarás o Senhor e Ele te atenderá, clamarás e Ele dirá: Eis-Me aqui!» (Is 58, 6.7.9).

 

A Quaresma de 1988 vai decorrer no contexto do Ano Mariano, ao aproximar-se o segundo Milénio do nascimento de Jesus, o Salvador. Contemplando a maternidade divina de Maria, daquela que trouxe no seu seio o Filho de Deus e rodeou de solicitude especial a infância de Jesus, apresenta-se ao meu espírito o drama doloroso de muitas mães que vêem frustradas as suas esperanças e alegrias pela morte prematura dos seus filhos.

 

Sim, amados Irmãos e Irmãs, peço-vos que volvais a atenção para este escândalo da mortalidade infantil, cujas vítimas diariamente se contam às dezenas de milhares. Há crianças que morrem antes de terem visto a luz do dia, outras não têm senão uma breve e dolorosa existência encurtada por enfermidades que no entanto, hoje, seria fácil evitar.

 

Inquéritos sérios mostram que nos países mais cruelmente provados pela pobreza, é na população infantil que se regista o maior número de mortes por desidratação aguda, parasitas, água contaminada, fome, falta de vacinação contra as epidemias e até mesmo por falta de carinho.

 

Em tais condições de miséria, grande número de crianças morre prematuramente; outras ficam de tal maneira afectadas, que o seu desenvolvimento físico e psíquico resta comprometido, a sua própria sobrevivência se torna precária e encontrar-se-ão numa situação de desvantagem para terem um lugar na sociedade.

 

As vítimas desta tragédia são as crianças que nascem em situações de pobreza, que com muita frequência resultam de injustiças sociais; e são as famílias que carecem dos meios necessários e que ficam feridas para sempre pela morte precoce dos seus filhos.

 

Tenhamos presente aquela resoluta solicitude com que o Senhor Jesus se quis mostrar solidário com as crianças: Ele chamou um menino, colocou-o no meio deles e disse: «Quem receber um menino como este, em Meu nome, é a Mim que recebe ... », e ordenou-lhes: «Deixai as criancinhas e não as impeçais de vir a Mim» (cf. Mt 18, 2.5; 19, 14).

 

Exorto-vos vivamente, neste tempo litúrgico da Quaresma, a deixar-vos conduzir pelo Espírito de Deus, que pode quebrar as cadeias do egoísmo e do pecado. Partilhai, em espírito de solidariedade, com os que menos recursos têm. Dai, não só do que vos sobeja, mas até mesmo daquilo que talvez vos seja necessário, a fim de apoiar generosamente todas as actividades e programas da vossa Igreja local; e, especialmente, fazei-o para assegurar um futuro justo às crianças mais desprotegidas.

 

Assim, amados Irmãos e Irmãs em Cristo, brilhará a vossa Caridade: «Então, vendo as vossas boas obras, todos glorificarão o vosso Pai, que está nos Céus» (Mt 5, 16).

 

Que nesta Quaresma, seguindo o exemplo de Maria, que acompanhou fielmente o seu Filho até à Cruz, se fortifique a nossa fidelidade ao Senhor e que a nossa vida generosa testemunhe a nossa obediência aos seus mandamentos!

 

Abençôo-vos, de todo o coração, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amen.

 

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

 

 

Reflexão na Quaresma

 


Omissão

Convém não esquecer que a omissão pode constituir uma falta grave; a tentação não imediatamente rejeitada turva o olhar, e o afastamento de Deus traz consigo a incoerência de conduta.

 

(Javier Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Pg. 143)

Pequena agenda do cristão

   Pequena agenda do cristão - Terça-Feira

 

TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)

22/03/2021

São Josemaria – Textos

 


É tempo de esperança, e eu vivo desse tesouro

‘É tempo de esperança, e eu vivo desse tesouro. Não é uma frase, Padre; é uma realidade’, dizes-me. Então... o mundo inteiro, todos os valores humanos que te atraem com uma força enorme (amizade, arte, ciência, filosofia, teologia, desporto, natureza, cultura, almas...), tudo isso, deposita-o na esperança – na esperança de Cristo. (Sulco, 293)

Onde quer que nos encontremos, esta é a exortação do Senhor: vigiai! Em face deste apelo de Deus, alimentemos nas nossas consciências os desejos esperançosos de santidade, com obras. Dá-me, meu filho, o teu coração, sugere-nos o senhor ao ouvido. Deixa-te de construir castelos com a fantasia, decide-te a abrir a tua alma a Deus, pois exclusivamente no Senhor acharás o fundamento real para a tua esperança e para fazer o bem aos outros. Quando não lutamos connosco mesmos, quando não rechaçamos terminantemente os inimigos que estão dentro da cidadela interior – o orgulho, a inveja, a concupiscência da carne e dos olhos, a auto-suficiência, a tresloucada avidez da libertinagem – quando não existe essa peleja interior, os mais nobres ideais definham como a flor do feno; ao romper o sol ardente, a erva seca, a flor cai e acaba a sua vistosa formosura. Depois, pela menor fenda brotarão o desalento e a tristeza, como plantas daninhas e invasoras. (Amigos de Deus, 211)

Leitura Espiritual Mar 22

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc Lc XI, 14-32

 

Blasfémia dos fariseus

14 Jesus estava a expulsar um demónio mudo. Quando o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada. 15 Mas alguns dentre eles disseram: «É por Belzebu, chefe dos demónios, que Ele expulsa os demónios.» 16 Outros, para o experimentarem, reclamavam um sinal do Céu. 17 Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse-lhes: «Todo o reino, dividido contra si mesmo, será devastado e cairá casa sobre casa. 18 Se Satanás também está dividido contra si mesmo, como há-de manter-se o seu reino? Pois vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. 19 Se é por Belzebu que Eu expulso os demónios, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. 20 Mas se Eu expulso os demónios pela mão de Deus, então o Reino de Deus já chegou até vós. 21 Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, os seus bens estão em segurança; 22 mas se aparece um mais forte e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. 23 Quem não está comigo está contra mim, e quem não junta comigo, dispersa.»

 

O demónio que volta

24 «Quando um espírito maligno sai de um homem, vagueia por lugares áridos em busca de repouso; e, não o encontrando, diz: ‘Vou voltar para minha casa, de onde saí.’ 25 Ao chegar, encontra-a varrida e arrumada. 26 Vai, então, e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele; e, entrando, instalam-se ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.»

 

A mãe deJesus é louvada

27 Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: «Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!» 28 Ele, porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.»

 

Sinal de Jonas

29 Como as multidões afluíssem em massa, começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não lhe será dado sinal algum, a não ser o de Jonas. 30 Pois, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o será também o Filho do Homem para esta geração. 31 A rainha do Sul há-de levantar-se, na altura do juízo, contra os homens desta geração e há-de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; ora, aqui está quem é maior do que Salomão! 32 Os ninivitas hão-de levantar-se, na altura do juízo, contra esta geração e hão-de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; ora, aqui está quem é maior do que Jonas.»

 

Texto

 


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE

JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1992

 

«CHAMADOS A PARTILHAR A MESA DA CRIAÇÃO»

 

 

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

 

Os bens criados são para todos. Sim, ao aproximar-se o tempo da Quaresma, em que o Senhor Jesus Cristo nos faz um apelo especial à conversão, dirijo-me a cada um de vós para vos convidar a reflectir sobre esta verdade e a realizar obras que manifestem concretamente a sinceridade do coração.

 

O mesmo Senhor, cuja prova máxima de amor é por nós celebrada na Páscoa, estava com o Pai desde o princípio preparando a mesa admirável da criação (cf. Jo 1, 3), para a qual quis convidar a todos sem excepção. Assim compreendeu a Igreja, esta verdade, manifestada desde o início da Revelação, assumindo-a como um ideal de vida proposto aos homens (cf. Act 2, 44-45; 4, 32-35). Nos últimos tempos, ela tem anunciado repetidamente, como um tema central do seu Magistério Social, o destino universal dos bens da criação, tanto os materiais como os espirituais. Assumindo essa longa tradição, a encíclica Centesimus annus, publicada por ocasião do centenário da Rerum novarum do meu predecessor Leão XIII, pretendeu dinamizar a reflexão sobre o referido destino universal dos bens, que é anterior a qualquer forma concreta de propriedade privada e deve iluminar o verdadeiro sentido da mesma.

 

Todavia é triste constatar que, apesar destas verdades terem sido claramente formuladas e tantas vezes repetidas, a terra com todos os seus bens - que comparamos a um grande banquete para o qual foram convidados todos os homens e mulheres que existiram, existem e existirão infelizmente em muitos aspectos, está ainda na mão de minorias. Os bens da terra são maravilhosos, quer os que recebemos directamente da mão generosa do Criador, quer aqueles que são fruto da acção do homem, chamado a colaborar na criação com o seu engenho e trabalho. Ora a participação de cada ser humano nesses bens é necessária para que ele possa chegar à sua plenitude. Por isso torna-se ainda mais angustiante a constatação de tantos milhões de pessoas excluídas da mesa da criação.

 

Assim convido-vos a concentrar a vossa atenção de modo especial nesta problemática, no ano comemorativo do V° centenário da evangelização do Continente Americano, que de modo nenhum se pode limitar a mera recordação histórica. A nossa visão do passado tem de ser completada por um olhar à nossa volta e ao futuro (cf. Centesimus annus, 3), procurando discernir a presença misteriosa de Deus na História, a partir da qual nos interpela e chama a dar-lhe respostas concretas. Cinco séculos de presença do Evangelho, neste Continente, não conseguiram ainda operar uma equitativa distribuição dos bens da terra; e isto é particularmente doloroso quando pensamos nos mais pobres dos pobres: os grupos indígenas e com eles muitos camponeses, feridos na sua dignidade por serem postos à margem do exercício inclusive dos direitos mais elementares, que também fazem parte dos bens a todos destinados. A situação destes nossos irmãos clama pela justiça do Senhor. Por conseguinte é necessário promover uma reforma generosa e audaz nas estruturas económicas e nas políticas agrárias, que assegure o bem-estar e as condições indispensáveis para o legítimo exercício dos direitos humanos dos grupos indígenas e das grandes multidões de camponeses que com tanta frequência se viram injustamente tratados.

 

Em ajuda destes e de todos os desfavorecidos do mundo - já que todos somos filhos de Deus, irmãos uns dos outros e destinatários dos bens da criação - devemos empenhar-nos com todas as nossas forças e sem demora, afim de que lhes seja dado ocuparem o lugar que lhes corresponde à mesa comum da criação. No tempo da Quaresma, bem como nas campanhas de solidariedade - Campanhas do Advento e Semanas a favor dos mais desfavorecidos -, a consciência certa de que a vontade do Criador é colocar os bens da criação ao serviço de todos deve inspirar as iniciativas tendentes à promoção autêntica e integral do homem todo e de todos os homens.

 

Em atitude de oração, e compromisso, escutemos atentamente estas palavras: "Eis que estou à porta e bato" (Ap 3,20). Sim, é o próprio Senhor que está chamando ao coração de cada um, sem forçar, esperando pacientemente que abramos a porta para Ele poder entrar e sentar-se à mesa connosco. Além disso, porém, nunca devemos esquecer que - segundo a mensagem central do Evangelho - Jesus chama em cada irmão, e a nossa resposta pessoal servirá de critério para sermos postos à Sua direita com os bem-aventurados, ou à Sua esquerda com os condenados: "Tive fome... tive sede... era forasteiro... estive nu... doente... na prisão" (cf. Mt 25, 34ss).

 

Suplicando fervorosamente ao Senhor que ilumine os esforços de todos a favor dos mais pobres e necessitados, abençoo-vos de todo o coração, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 

Vaticano, 29 de Junho de 1991

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

Ano de São José

 


Pai e Senhor

A Igreja inteira reconhece São José como seu protector e padroeiro. Ao longo dos séculos tem-se falado dele, sublinhando diversos aspectos da sua vida, sempre fiel à missão que Deus lhe confiara. Por isso, desde há muitos anos, me agrada invocá-lo com um título carinhoso: Nosso Pai e Senhor.

São José é realmente Pai e Senhor, protegendo e acompanhando no seu caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus enquanto crescia e se fazia homem. Ganhando intimidade com ele descobre-se que o Santo Patriarca é, além disso, Mestre da vida interior, porque nos ensina a conhecer Jesus, a conviver com Ele, a tomar consciência de que fazemos parte da família de Deus. E São José dá-nos essas lições sendo, como foi, um homem corrente, um pai de família, um trabalhador que ganhava a vida com o esforço das suas mãos. Este facto possui também, para nós, um significado que é motivo de reflexão e de alegria. (São Josemaria, Cristo que passa, 39)

Reflexão na Quaresma

 


A criatura é mais autenticamente humana na medida em que aperfeiçoa a imagem e a semelhança de Deus. Nesta determinação o homem e a mulher encontram o sentido mais profundo e mais feliz da sua existência. Temos que rejeitar a ideia, desgraçadamente difundida, de que imitar Cristo supõe um nível de conduta que nos supera. Nada mais longe da verdade. Enquanto não nos persuadirmos de que, com a graça de Deus, podemos conseguir esa identificação, significa que continuamos a pactuar com a mediocridade, renunciando à incomparável aventura de tratar Cristo de perto, como Amigo, Irmão, Mestre, Médico.

 

(Javier Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Pg. 157)

Pequena agenda do cristão

 

 

SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

21/03/2021

São Josemaria – Textos

 


Servir Nosso Senhor e os homens

Qualquer actividade – quer seja ou não humanamente muito importante – tem de converter-se para ti num meio de servir Nosso Senhor e os homens: aí está a verdadeira dimensão da sua importância. (Forja, 684)

Não me afasto da mais rigorosa verdade se vos digo que Jesus continua agora a buscar pousada no nosso coração. Temos de Lhe pedir perdão pela nossa cegueira pessoal, pela nossa ingratidão. Temos de Lhe pedir a graça de nunca mais Lhe fechar a porta das nossas almas. Aprendamos a obedecer, aprendamos a servir. Não há maior fidalguia do que entregar-se voluntariamente ao serviço dos outros. Quando sentimos o orgulho que referve dentro de nós, a soberba que nos leva a pensar que somos super-homens, é o momento de dizer que não, de dizer que o nosso único triunfo há-de ser o da humildade. Assim nos identificaremos com Cristo na Cruz, não aborrecidos ou inquietos, nem com mau humor, mas alegres, porque essa alegria, o esquecimento de nós mesmos, é a melhor prova de amor. (Cristo que passa, 19)

Leitura Espiritual Mar 21

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc X, 38-42; Lc XI, 1-13

 

Marta e Maria

38 Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39 Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. 40 Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.» 41 O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; 42 mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»

 

Sobre a oração

XI 1 Sucedeu que Jesus estava algures a orar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos.»

 

O Pai-Nosso

2 Disse-lhes Ele: «Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; 3 dá-nos o nosso pão de cada dia; 4 perdoa os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixes cair em tentação.»

 

Perseverança e confiança

5 Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo e for ter com ele a meio da noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, 6 pois um amigo meu chegou agora de viagem e não tenho nada para lhe oferecer’, 7 e se ele lhe responder lá de dentro: ‘Não me incomodes, a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados; não posso levantar-me para tos dar’. 8 Eu vos digo: embora não se levante para lhos dar por ser seu amigo, ao menos, levantar-se-á, devido à impertinência dele, e dar-lhe-á tudo quanto precisar.» 9 «Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; 10 porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á. 11 Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? 12 Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? 13 Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!» 14 Jesus estava a expulsar um demónio mudo. Quando o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada. 15 Mas alguns dentre eles disseram: «É por Belzebu, chefe dos demónios, que Ele expulsa os demónios.»

 

Texto


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1986

 

 Amados irmãos e irmãs em Cristo!

 

O Evangelho apresenta-nos a lei da caridade, enunciada de maneira bem clara com palavras e com os exemplos constantes de Cristo, o Bom Samaritano. Ele solicita-nos a amar a Deus e a amar a todos os nossos irmãos, especialmente os mais necessitados. A caridade, de facto, esvazia-nos do nosso egoísmo, abate as barreiras do nosso isolamento, faz-nos abrir os olhos e leva-nos a descobrir o próximo, naqueles que estão junto de nós, naqueles que estão longe de nós e em toda a humanidade. A caridade é exigente mas reconfortante, porque ela constitui a realização da nossa vocação cristã fundamental e leva-nos a participar no Amor do Senhor.

 

A nossa época, como aliás todas as épocas, é tempo de caridade. Não faltarão, certamente, as oportunidades para viver a caridade. Os meios de comunicação todos os dias atraem os nossos olhares e impressionam os nossos corações, fazendo chegar até nós os apelos angustiados e urgentes de milhões de irmãos nossos menos favorecidos atingidos por algum cataclismo, natural ou provocado pelo homem; põem-nos diante de irmãos famintos, feridos no próprio corpo ou na própria alma, enfermos, espoliados, prófugos, isolados e desprovidos de qualquer auxílio. Todos eles estendem a mão para nós cristãos, que queremos viver o Evangelho e o maior e único Mandamento do Amor.

 

Nós, portanto, estamos bem ao corrente. Mas sentir-nos-emos nós interpelados? Como e possível, diante do jornal que lemos ou ouvimos e das imagens do nosso televisor, nós continuarmos a passear como turistas, calma a tranquilamente, a emitir juízos de valor sobre os acontecimentos, sem contudo abandonar o nosso conforto? Poderemos nós recusar-nos a ser importunados, incomodados, aborrecidos mesmo e sacudidos na nossa passividade por esses milhões de seres humanos que são também eles nossos irmãos e nossas irmãs, criaturas de Deus, como nós chamados à vida eterna? Como se poderá permanecer impassível diante de crianças de olhar desvairado e com corpos esqueléticos? Poderá a nossa consciência de cristãos continuar despreocupada neste mundo de sofrimentos? A parábola do Bom Samaritano terá ainda alguma coisa a dizer-nos?

 

No princípio desta Quaresma, tempo de penitência, tempo de reflexão e tempo de generosidade, uma vez mais Cristo faz apelo a todos vós. A Igreja, que quer estar presente no mundo, sobretudo no mundo que sofre, conta convosco. Os sacrifícios que ireis fazer, por pequenos que sejam, salvarão corpos e reanimarão almas e a «civilização do Amor» não há-de ser doravante uma palavra vã.

 

A caridade não hesita, porque ela é a expressão da nossa fé. Que as vossas mãos se abram cordialmente, pois, para partilhar com todos aqueles em quem ireis reconhecer o vosso próximo.

 

«Tornai-vos servos uns dos outros, pela caridade» (Gal 5, 13).

 

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

 

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