24/02/2021

Levai a carga uns dos outros

 

Diz o Senhor: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Nisto se conhecerá que sois meus discípulos". 

– E São Paulo: "Levai a carga uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo". 

– Eu não te digo nada. (Caminho, 385)

Leitura espiritual

 


Novo Testamento [i]

 

Evangelho

 

Mc XVI, 1-20

 

As santas mulheres no sepulcro

1 Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para irem embalsamar Jesus. 2 Partindo no primeiro dia da semana, de manhã cedo, chegaram ao sepulcro quando o sol já era nascido. 3 Diziam entre si: «Quem nos há-de retirar a pedra da entrada do sepulcro?». 4 Mas, olhando, viram removida a pedra, que era muito grande. 5 Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido de uma túnica branca e ficaram assustadas. 6 Ele disse-lhes: «Não vos assusteis. Buscais a Jesus Nazareno, o crucificado? Ressuscitou, não está aqui. Eis o lugar onde O depositaram. 7 Mas ide, dizei a Seus discípulos e a Pedro que Ele vai diante de vós para a Galileia; lá O vereis, como Ele vos disse». 8 Elas, saindo do sepulcro, fugiram, porque as tinha assaltado o temor e estavam como que fora de si. Não disseram nada a ninguém, tal era o medo que tinham.

 

Missão dos Apóstolos

9 Jesus, tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios. 10 Ela foi noticiá-lo aos que tinham andado com Ele, os quais estavam tristes e chorosos. 11 Tendo eles ouvido dizer que Jesus estava vivo e que fora visto por ela, não acreditaram. 12 Depois disto, mostrou-Se de outra forma a dois deles, enquanto iam para a aldeia; 13 os quais foram anunciar aos outros, que também a estes não deram crédito. 14 Finalmente, apareceu aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a sua incredulidade e dureza de coração, por não terem dado crédito aos que O tinham visto ressuscitado. 15 E disse-lhes: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura. 16 Quem crer e for baptizado, será salvo; mas quem não crer, será condenado. 17 Eis os milagres que acompanharão os que crerem: Expulsarão os demónios em Meu nome, falarão novas línguas, 18 pegarão em serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os doentes, e serão curados».

 

Ascensão de Jesus, difusão da Boa Nova

19 O Senhor, depois de assim lhes ter falado, elevou-Se ao céu e foi sentar-Se à direita do Pai. 20 Eles, tendo partido, pregaram por toda a parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os milagres que a acompanhavam.

 

Textos

 


Dinheiro; saúde; sexo; sabedoria.

 

  Quatro amigos discutem sobre a felicidade.

  Alípio diz: ‘se eu tiver dinheiro, muito dinheiro, serei feliz.’

  Francisco, afirma: ‘por mim o que me trará a felicidade é a saúde, não saber o que é a dor, o sofrimento.’

  ‘Por meu lado, aduz Jerónimo, serei feliz se tiver à minha disposição mulheres bonitas, airosas, disponíveis para me agradar...’

  ‘Eu’, declara José, ‘considerar-me-ei feliz, muito feliz, se tiver sabedoria.’

  Os outros três olharam para ele com um certo desdém e alguma incredulidade.

  Alípio perguntou: ‘Mas tu não queres saber de dinheiro?! Mas que incompatibilidade há entre ter dinheiro e possuir sabedoria?’

  ‘Bem... própriamente incompatibilidade não há nenhuma mas torna-se muito mais difícil porque a tendência será fazer o que o desejo apetece e não o que a sabedoria recomenda.

Por outro lado, se agires com sabedoria na tua vida, no trabalho e, por isso, conseguires meios de fortuna... terás alcançado, na tua forma de ver, a felicidade.

Quanto a ti, parece evidente que vivendo com sabedoria se evitam os excessos, as más práticas, os vícios tudo o que traz consigo pesado ónus para a saúde’.

  Como se escolhe, como se opta por um caminho?

  Por um apetecer de momento?

Por imitar um outro?

Porque não se quer ter “trabalho” ou fazer um esforço na escolha?

  Resulta mais fácil e é muito mais seguro se recorrermos à sabedoria.

  Pesando todos os prós e contras, avaliando o que convém, o que é importante e o acessório, a escolha surge naturalmente como a mais conveniente e acertada.

  Ninguém sabe, por si mesmo, nada de verdadeiramente importante, o que sabemos é apenas o conhecimento fruto das experiências da vida e, alguma parte, do que sabemos de experiências de outros.

  Para saber há que aprender e, sempre, por esta ordem.

  A aprendizagem é uma actividade sequencial.

Não se começa pelo resultado para conhecer um efeito nem nos ficamos neste sem saber a causa.

Aprender, portanto, necessita de método e, este consegue-se, tanto melhor, quanto melhor for o ensino e o que ensina.

  “Despejar” informação no conhecimento pessoal não educa coisa nenhuma até porque, quase sempre nestes casos, nem se sabe o que convém saber, ou o que é dispensável ou não interessa.

Tem-se a ilusão de possuir um vasto conhecimento quando, na realidade se esconde a ignorância mais gritante acerca das coisas mais comezinhas.

  A tendência de considerar o ser humano como uma máquina leva a essa descaracterização do ensino.

Partindo do princípio que a pessoa tem de saber tudo sobre tudo, descura-se a necessidade de conhecer bem o pormenor, o detalhe do que é realmente importante para a pessoa.

  Daqui surgem os desajustes de comportamentos e as incongruências nas relações interpessoais ou, então, o isolamento mais feroz e castrador da principal característica humana que é a sociabilidade.

  A sabedoria é, repete-se, um bem de inestimável valor, exactamente porque permite à pessoa as escolhas acertadas em cada momento.

  Salomão foi, talvez, o mais excelente e poderoso Rei do seu tempo e tal deve-se à sabedoria com que Deus, a seu pedido, o cumulou.

  Qual de nós, pessoas normais e correntes, ou figuras de destaque na sociedade, qual de nós, se nos fosse colocada a escolha, pediria para si, como bem mais precioso, a sabedoria?

  Examine-se cada um e, seguramente, concluirá que nem tal lhe ocorreria.

  Sendo um Dom do Espírito Santo, a Sabedoria é-nos dada.

Absolutamente, ninguém a adquire por si só.

  Isso que chamamos “a sabedoria dos mais velhos”, não é outra coisa que experiência acumulada.

  Quando uma criança se queima numa brasa incandescente, grava umas sensações desagradáveis que levam a que evite repetir o acto.

Isso não tornou a criança sábia mas experiente.

  Se um fumador evita fumar porque sabe que o fazê-lo poderá contribuir para uma melhoria na sua saúde está a agir motivado pela sabedoria.

 

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão

 

Frustração ou Tentação?

Não ser capaz de fazer o que desejo em "ambiente informático", enviar uma mensagem, um vídeo... etc., é frustrante.

Considerar que qualquer um dos meus Netos faz "isso" com facilidade que me sidera, é... "tout court" inveja!

Pedir que me ensinem como, será o que devo fazer.

Humildade?

Talvez não.

Reconhecer as minhas limitações?

Sim!

Resignar-me!

Não!

Concluo: tenho de fazer o que devo e posso fazer para ultrapassar as minhas limitações.

VIRTUDES

 

Fortaleza 

Ser fortes de ânimo ajuda a suportar as dificuldades e superar nossos limites. Para os cristãos, Cristo é o exemplo para viver uma virtude que abre a porta a muitas outras.

1. “Per aspera ad astra!

“Através das dificuldades, chega-se às estrelas”. Esta conhecida frase de Séneca exprime de modo gráfico a experiência humana de que, para conseguir o melhor, há que esforçar-se, de que “o que vale, custa”, de que é preciso lutar para vencer os obstáculos e arestas que se vão apresentando ao longo da vida, para poder alcançar os bens mais altos.

Muitas obras literárias de diversas culturas exaltam a figura do herói, que encarna de algum modo as palavras da sabedoria latina, que qualquer pessoa desejaria também para si: nil difficile volenti, nada é difícil para aquele que quer.

Assim pois, a nível humano, a fortaleza é valorizada e admirada. Essa virtude, que anda de mãos dadas com a capacidade de sacrificar-se, tinha entre os antigos um contorno bem definido. O pensamento grego considerava a “andreia” como uma das virtudes cardeais 1, que modera os sentimentos de combate próprios do apetite irascível, e assim dá vigor ao homem para procurar o bem, mesmo que seja difícil e árduo, sem que o medo o detenha.

Pequena agenda do cristão

   

Quarta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

23/02/2021

Dízimo


Scott Ham


Anos atrás, ouvi um discurso de Scott Hahn sobre o dízimo. Ele foi muito claro que, apesar do desconforto ou medo, devemos fazer a escolha de dizimar - e que isso ficará mais fácil com o tempo, à medida que aprendermos a deixar de lado nosso apego às coisas materiais. Fiquei particularmente impressionado com a prática de sua família de arranhar intencionalmente cada carro novo que compravam, de modo que, da primeira vez que fosse acidentalmente danificado, eles reagissem com calma.

Ainda estou trabalhando nesse tipo de desapego. Mas pagar o dízimo de cada salário certamente ajudou! Uma das maiores lições que me ensinou é que Deus está no controle de minhas finanças. Quanto mais dou o dízimo (e, é claro, tento administrar bem meu dinheiro), mais percebo que não tenho nada com que me preocupar. Deus tem isso.

À medida que a Quaresma progride, enviaremos e-mails pedindo doações como parte de nosso apelo anual da Quaresma. Oramos para que sua generosidade o ajude a abandonar o apego a este mundo e a se tornar mais firmemente centrado em Deus. 

(CERC) - Meaghen Gonzalez


Querer a todos, compreender, desculpar

 

O amor às almas, por Deus, faz-nos querer a todos, compreender, desculpar, perdoar... Devemos ter um amor que cubra a multidão das deficiências das misérias humanas. Devemos ter uma caridade maravilhosa, "veritatem facientes in caritate", defendendo a verdade, sem ferir. (Forja, 559)

Se vos examinardes com valentia na presença de Deus, vós, tal como eu, sentir-vos-eis diariamente carregados de muitos erros. Quando lutamos por arrancá-los com a ajuda divina, carecem de verdadeira importância e podem ser superados, embora pareça que nunca conseguimos desarraigá-los totalmente. Além disso, independentemente dessas fraquezas, tu contribuirás para remediar as grandes deficiências dos outros, sempre que te empenhares em corresponder à graça de Deus. Reconhecendo-te tão fraco como eles – capaz de todos os erros e de todos os horrores – serás mais compreensivo, mais delicado e, ao mesmo tempo, mais exigente, para que todos nos decidamos a amar a Deus com o coração inteiro. Nós, os cristãos, os filhos de Deus, temos de prestar assistência aos outros, pondo em prática honradamente o que aqueles hipócritas retorcidamente elogiavam ao Mestre: Não olhas à condição das pessoas. Isto é, havemos de rejeitar por completo a acepção de pessoas – interessam-nos todas as almas! – embora, logicamente, devamos começar por ocupar-nos daquelas que, por esta ou aquela circunstância, e até só por motivos aparentemente humanos, Deus colocou ao nosso lado. (Amigos de Deus, 162)

Leitura espiritual

 

Novo Testamento [i]

Evangelho

 

Mc XV 23 – 47

 

 

Crucificação

23 Queriam dar-lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não quis beber. 24 Depois, crucificaram-no e repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para ver o que cabia a cada um. 25 Eram umas nove horas da manhã, quando o crucificaram. 26 Na inscrição com a condenação, lia-se: «O rei dos judeus.» 27 Com Ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e o outro à sua esquerda. 28 Deste modo, cumpriu-se a passagem da Escritura que diz: Foi contado entre os malfeitores. 29 Os que passavam injuriavam-no e, abanando a cabeça, diziam: «Olha o que destrói o templo e o reconstrói em três dias! 30 Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!» 31 Da mesma forma, os sumos sacerdotes e os doutores da Lei troçavam dele entre si: «Salvou os outros mas não pode salvar-se a si mesmo! 32 O Messias, o Rei de Israel! Desça agora da cruz para nós vermos e acreditarmos!» Até os que estavam crucificados com Ele o injuriavam.

 

Agonia e morte de Jesus

33 Ao chegar o meio-dia, fez-se trevas por toda a terra, até às três da tarde. 34 E às três da tarde, Jesus exclamou em alta voz: «Eloí, Eloí, lemá sabachtáni?», que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? 35 Ao ouvi-lo, alguns que estavam ali disseram: «Está a chamar por Elias!» 36 Um deles correu a embeber uma esponja em vinagre, pô-la numa cana e deu-lhe de beber, dizendo: «Esperemos, a ver se Elias vem tirá-lo dali.» 37 Mas Jesus, com um grito forte, expirou. 38 E o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo. 39 O centurião que estava em frente dele, ao vê-lo expirar daquela maneira, disse: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!» 40 Também ali estavam algumas mulheres a contemplar de longe; entre elas, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago Menor e de José, e Salomé, 41 que o seguiam e serviam quando Ele estava na Galileia; e muitas outras que tinham subido com Ele a Jerusalém.

 

Sepultura de Jesus

42 Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é, véspera do sábado, 43 José de Arimateia, respeitável membro do Conselho que também esperava o Reino de Deus, foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. 44 Pilatos espantou-se por Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se já tinha morrido há muito. 45 Informado pelo centurião, Pilatos ordenou que o corpo fosse entregue a José. 46 Este, depois de comprar um lençol, desceu o corpo da cruz e envolveu-o nele. Em seguida, depositou-o num sepulcro cavado na rocha e rolou uma pedra sobre a entrada do sepulcro. 47 Maria de Magdala e Maria, mãe de José, observavam onde o depositaram.

 

Textos



Oração

 

  É o caso, por exemplo, dos que desejam conseguir satisfações pessoais imediatas na oração.

 Isto é errado porque a oração, sendo uma conversa com Deus, não tem que emocionar nem, de qualquer outra forma, influenciar os sentimentos.

Se Deus concede emoções na oração – arroubos espirituais, consolações, sentimentos de paz – tanto melhor, mas não tem porque o fazer.

 Oramos, fundamentalmente, para dar Glória a Deus, prestar contas, pedir-lhe coisas, agradecer.

 Ou seja: rezamos para satisfazer a Deus e não a nós próprios.

  Muitas vezes, estas pessoas são infelizes porque, quando não sentem as emoções que procuram, não têm apetite para rezar.

  É o que se chama tibieza e a tibieza, pode, de facto constituir uma séria provação.

  Quando aparece, a tibieza deixa a pessoa como que adormecida sem ânimo para fazer o que deve, quando deve.

Vivendo numa espécie de limbo, o tíbio não se sente obrigado a assumir uma posição clara, a decidir-se por algo concreto, a manter uma constância no comportamento e nas opiniões.

A pessoa tíbia está de acordo com tudo e não concorda com nada, é-lhe indiferente o que possa acontecer e, mesmo, o que a sua postura possa provocar.

  Não é possível confiar numa pessoa dominada pela tibieza.

A sua postura perante a vida não dá qualquer garantia de fidelidade a um compromisso, por exemplo, ou confidencialidade de um desabafo.

  Egoísmo

  Alvitra-se que a tibieza começa com o egoísmo, ou melhor, é uma fase avançada do egoísmo.

  O egoísta, olhando unicamente para o próprio umbigo, desinteressa-se pelo que o rodeia: pessoas, coisas, acontecimentos.

  A pessoa egoísta é tanto mais indiferente aos outros quanto maior é o conceito que faz de si mesma e da sua excelência, qualidades e virtudes.

  Deste egoísmo parte para a indiferença e, consequentemente, para a tibieza.

  Muitas vezes estas pessoas, como que jogam um jogo duplo, têm duas velas acesas, repetem a um, de modo diferente o que ouviram a outro, nunca dizem claramente nem sim nem não!

  Fazer isto, dizer sim ou não, que é o normal, implica um comprometimento, uma responsabilidade e, isso, o egoísta não está disposto a fazer.

  Uma das atitudes mais frequentes na pessoa egoísta é a consideração que tem pelo que possui – ou julga possuir – os seus bens, as suas coisas, os seus êxitos, as suas conquistas.

Considera-os como seus, de direito e não está disponível para os partilhar com outros.

  Avareza

  Avareza é uma palavra forte mas, de facto, aplica-se ao egoísta.

  Quando se fala de avareza pensa-se imediatamente em riquezas, ou melhor, alguém agarrado aos bens materiais.

  Nem sempre se aplica.

  A avareza pode existir nas coisas mais comezinhas e insignificantes.

No entanto, traduz sempre um apego desmesurado a algo.

  A avareza nasce sempre da consideração das coisas como próprias.

  E não só bens, mas até atributos como facilidade de expressão, compreensão dos problemas, educação e cultura.

Não partilhando ou distribuindo com rigorosa parcimónia e reserva aquilo que se julga ter, é uma forma de avareza.

  O avarento é alguém pouco dado à esmola e à partilha com os demais daquilo que detém.

Tem um tão alto conceito da sua sabedoria e cultura, das suas capacidades que tende a isolar-se num castelo de altas muralhas.

  É, sempre, uma pessoa só.

  Uma das consequências da avareza é a solidão.

  Uma pessoa avarenta não é simpática, não cativa os outros, não participa nem convive.

Provoca, assim, o afastamento e o desinteresse dos demais e acaba sozinho.

  Ser avarento pode ser, também, uma excessiva preocupação com a saúde pessoal.

Tende a pôr em primeiro lugar a sua pessoa, o seu bem-estar e as suas capacidades físicas.

Normalmente, vive numa angústia de cair doente e acaba por ter um medo obsessivo da morte.

Porque é assim, avarento com a sua saúde, as doenças ou problemas físicos dos outros não lhe interessam, não pode ocupar-se deles.

  E, claro, uma vez mais se verifica que avareza e egoísmo andam de mãos dadas.

 

 

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão

O dom de crer só se enraíza numa alma que, indo mais para além da admiração e do apreço, reconheça a necessidade de se converter, de aceitar a mão que o Senhor amorosamente lhe estende.

 

(Javier Echevarria, Itinerarios de vida Cristiana, Planeta, pg. 25)

Pequena agenda do cristão - Terça-Feira

     

TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)

22/02/2021

Leitura Espiritual Mar 22

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc Lc XI, 14-32

 

Blasfémia dos fariseus

14 Jesus estava a expulsar um demónio mudo. Quando o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada. 15 Mas alguns dentre eles disseram: «É por Belzebu, chefe dos demónios, que Ele expulsa os demónios.» 16 Outros, para o experimentarem, reclamavam um sinal do Céu. 17 Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse-lhes: «Todo o reino, dividido contra si mesmo, será devastado e cairá casa sobre casa. 18 Se Satanás também está dividido contra si mesmo, como há-de manter-se o seu reino? Pois vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. 19 Se é por Belzebu que Eu expulso os demónios, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. 20 Mas se Eu expulso os demónios pela mão de Deus, então o Reino de Deus já chegou até vós. 21 Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, os seus bens estão em segurança; 22 mas se aparece um mais forte e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. 23 Quem não está comigo está contra mim, e quem não junta comigo, dispersa.»

 

O demónio que volta

24 «Quando um espírito maligno sai de um homem, vagueia por lugares áridos em busca de repouso; e, não o encontrando, diz: ‘Vou voltar para minha casa, de onde saí.’ 25 Ao chegar, encontra-a varrida e arrumada. 26 Vai, então, e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele; e, entrando, instalam-se ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.»

 

A mãe deJesus é louvada

27 Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: «Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!» 28 Ele, porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.»

 

Sinal de Jonas

29 Como as multidões afluíssem em massa, começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não lhe será dado sinal algum, a não ser o de Jonas. 30 Pois, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o será também o Filho do Homem para esta geração. 31 A rainha do Sul há-de levantar-se, na altura do juízo, contra os homens desta geração e há-de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; ora, aqui está quem é maior do que Salomão! 32 Os ninivitas hão-de levantar-se, na altura do juízo, contra esta geração e hão-de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; ora, aqui está quem é maior do que Jonas.»


Texto

 


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1987

 

 

 

Amados irmãos e irmãs em Cristo:

 

«Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos» (Lc 1, 53).

 

Estas palavras que a Virgem Maria pronunciou no seu Magnificat são ao mesmo tempo um louvor a Deus Pai e um apelo que cada um de nós pode acolher no seu coração e meditar neste tempo da Quaresma.

 

Tempo de conversão, tempo da Verdade que nos «tornará livres» (Jo 8, 32), porque não podemos enganar aquele que sonda «os corações e as mentes» (Sl 7, 10). Perante Deus nosso Criador, perante Cristo nosso Redentor, de que nos podemos orgulhar? Que riquezas ou que talentos nos poderiam dar qualquer superioridade?

 

Maria ensina-nos que as verdadeiras riquezas, as que não passam, vêm de Deus; nós devemos desejá-las, ter fome delas, abandonar tudo aquilo que é fictício e passageiro, para receber estes bens e recebê-los em abundância. Convertamo-nos, abandonemos o velho fermento (cf. 1 Cor 5, 6) do orgulho e de tudo aquilo que conduz à injustiça, ao desprezo, à ânsia de possuir egoisticamente dinheiro e poder.

 

Se nos reconhecermos pobres diante de Deus – o que é verdade e não falsa humildade – teremos um coração de pobre, olhos e mãos de pobre para partilhar aquelas riquezas das quais Deus nos colmará: a nossa Fé que não podemos guardar egoisticamente só para nós, a Esperança, da qual têm necessidade aqueles que estão privados de tudo, a Caridade, que nos faz amar os pobres como Deus os amou, com um amor de preferência. O Espírito do Amor nos colmará de mil bens a partilhar: quanto mais os desejarmos, tanto mais os receberemos em abundância.

 

Se formos verdadeiramente aqueles «pobres de espírito» aos quais é prometido o Reino dos céus (Mt 5, 3), a nossa oferta será bem aceite por Deus. Também a oferta material, que costumamos dar durante a Quaresma, se for feita com um coração de pobre, é uma riqueza, porque damos aquilo que recebemos de Deus para ser distribuído: não recebemos senão para dar. Como os cinco pães e os cinco peixes do jovem que as mãos de Cristo multiplicaram para alimentar a multidão, do mesmo modo aquilo que oferecemos será multiplicado por Deus para os pobres.

 

Chegaremos nós ao fim desta Quaresma com o coração repleto, cheios de nós mesmos, mas com as mãos vazias para os outros? Ou pelo contrário chegaremos à Páscoa, guiados pela Virgem do Magnificat, com uma alma de pobre, faminta de Deus, e com as mãos cheias de todos os dons de Deus para distribuir ao mundo que tanta necessidade tem deles?

 

«Louvai o Senhor, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia» (Sl 117, 1).

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

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