Diz o Senhor: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Nisto se conhecerá que sois meus discípulos".
– E São Paulo: "Levai a carga uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo".
– Eu não te digo
nada. (Caminho,
385)
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
Diz o Senhor: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Nisto se conhecerá que sois meus discípulos".
– E São Paulo: "Levai a carga uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo".
– Eu não te digo
nada. (Caminho,
385)
Novo Testamento [i]
Evangelho
Mc XVI, 1-20
As
santas mulheres no sepulcro
1 Passado o
sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para
irem embalsamar Jesus. 2 Partindo no primeiro dia da semana, de manhã cedo,
chegaram ao sepulcro quando o sol já era nascido. 3 Diziam entre si: «Quem nos
há-de retirar a pedra da entrada do sepulcro?». 4 Mas, olhando, viram removida
a pedra, que era muito grande. 5 Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado
do lado direito, vestido de uma túnica branca e ficaram assustadas. 6 Ele
disse-lhes: «Não vos assusteis. Buscais a Jesus Nazareno, o crucificado?
Ressuscitou, não está aqui. Eis o lugar onde O depositaram. 7 Mas ide, dizei a
Seus discípulos e a Pedro que Ele vai diante de vós para a Galileia; lá O
vereis, como Ele vos disse». 8 Elas, saindo do sepulcro, fugiram, porque as
tinha assaltado o temor e estavam como que fora de si. Não disseram nada a
ninguém, tal era o medo que tinham.
Missão
dos Apóstolos
9 Jesus,
tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente
a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios. 10 Ela foi noticiá-lo
aos que tinham andado com Ele, os quais estavam tristes e chorosos. 11 Tendo
eles ouvido dizer que Jesus estava vivo e que fora visto por ela, não
acreditaram. 12 Depois disto, mostrou-Se de outra forma a dois deles, enquanto
iam para a aldeia; 13 os quais foram anunciar aos outros, que também a estes
não deram crédito. 14 Finalmente, apareceu aos onze, quando estavam à mesa, e
censurou-lhes a sua incredulidade e dureza de coração, por não terem dado crédito
aos que O tinham visto ressuscitado. 15
E disse-lhes: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura. 16
Quem crer e for baptizado, será salvo; mas quem não crer, será condenado. 17
Eis os milagres que acompanharão os que crerem: Expulsarão os demónios em Meu
nome, falarão novas línguas, 18 pegarão em serpentes e, se beberem alguma coisa
mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os doentes, e serão
curados».
Ascensão de Jesus, difusão da Boa Nova
19 O
Senhor, depois de assim lhes ter falado, elevou-Se ao céu e foi sentar-Se à
direita do Pai. 20 Eles, tendo partido, pregaram por toda a parte, cooperando
com eles o Senhor e confirmando a palavra com os milagres que a acompanhavam.
Textos
Dinheiro; saúde; sexo; sabedoria.
Quatro amigos discutem sobre a felicidade.
Alípio diz: ‘se eu tiver dinheiro, muito
dinheiro, serei feliz.’
Francisco, afirma: ‘por mim o que me trará a
felicidade é a saúde, não saber o que é a dor, o sofrimento.’
‘Por meu lado, aduz Jerónimo, serei feliz se
tiver à minha disposição mulheres bonitas, airosas, disponíveis para me
agradar...’
‘Eu’, declara José, ‘considerar-me-ei feliz,
muito feliz, se tiver sabedoria.’
Os outros três olharam para ele com um certo
desdém e alguma incredulidade.
Alípio perguntou: ‘Mas tu não queres saber de
dinheiro?! Mas que incompatibilidade há entre ter dinheiro e possuir
sabedoria?’
‘Bem... própriamente incompatibilidade não há
nenhuma mas torna-se muito mais difícil porque a tendência será fazer o que o
desejo apetece e não o que a sabedoria recomenda.
Por
outro lado, se agires com sabedoria na tua vida, no trabalho e, por isso,
conseguires meios de fortuna... terás alcançado, na tua forma de ver, a
felicidade.
Quanto
a ti, parece evidente que vivendo com sabedoria se evitam os excessos, as más
práticas, os vícios tudo o que traz consigo pesado ónus para a saúde’.
Como se escolhe, como se opta por um caminho?
Por um apetecer de momento?
Por
imitar um outro?
Porque
não se quer ter “trabalho” ou fazer um esforço na escolha?
Resulta mais fácil e é muito mais seguro se
recorrermos à sabedoria.
Pesando todos os prós e contras, avaliando o
que convém, o que é importante e o acessório, a escolha surge naturalmente como
a mais conveniente e acertada.
Ninguém sabe, por si mesmo, nada de
verdadeiramente importante, o que sabemos é apenas o conhecimento fruto das
experiências da vida e, alguma parte, do que sabemos de experiências de outros.
Para saber há que aprender e, sempre, por
esta ordem.
A aprendizagem é uma actividade sequencial.
Não
se começa pelo resultado para conhecer um efeito nem nos ficamos neste sem
saber a causa.
Aprender,
portanto, necessita de método e, este consegue-se, tanto melhor, quanto melhor
for o ensino e o que ensina.
“Despejar” informação no conhecimento pessoal
não educa coisa nenhuma até porque, quase sempre nestes casos, nem se sabe o
que convém saber, ou o que é dispensável ou não interessa.
Tem-se
a ilusão de possuir um vasto conhecimento quando, na realidade se esconde a
ignorância mais gritante acerca das coisas mais comezinhas.
A tendência de considerar o ser humano como
uma máquina leva a essa descaracterização do ensino.
Partindo
do princípio que a pessoa tem de saber tudo sobre tudo, descura-se a necessidade
de conhecer bem o pormenor, o detalhe do que é realmente importante para a
pessoa.
Daqui surgem os desajustes de comportamentos
e as incongruências nas relações interpessoais ou, então, o isolamento mais
feroz e castrador da principal característica humana que é a sociabilidade.
A sabedoria é, repete-se, um bem de
inestimável valor, exactamente porque permite à pessoa as escolhas acertadas em
cada momento.
Salomão foi, talvez, o mais excelente e
poderoso Rei do seu tempo e tal deve-se à sabedoria com que Deus, a seu pedido,
o cumulou.
Qual de nós, pessoas normais e correntes, ou
figuras de destaque na sociedade, qual de nós, se nos fosse colocada a escolha,
pediria para si, como bem mais precioso, a sabedoria?
Examine-se cada um e, seguramente, concluirá
que nem tal lhe ocorreria.
Sendo um Dom do Espírito Santo, a Sabedoria
é-nos dada.
Absolutamente,
ninguém a adquire por si só.
Isso que chamamos “a sabedoria dos mais
velhos”, não é outra coisa que experiência acumulada.
Quando uma criança se queima numa brasa
incandescente, grava umas sensações desagradáveis que levam a que evite repetir
o acto.
Isso
não tornou a criança sábia mas experiente.
Se um fumador evita fumar porque sabe que o
fazê-lo poderá contribuir para uma melhoria na sua saúde está a agir motivado
pela sabedoria.
Frustração ou Tentação?
Não
ser capaz de fazer o que desejo em "ambiente informático", enviar uma
mensagem, um vídeo... etc., é frustrante.
Considerar
que qualquer um dos meus Netos faz "isso" com facilidade que me
sidera, é... "tout court" inveja!
Pedir
que me ensinem como, será o que devo fazer.
Humildade?
Talvez
não.
Reconhecer
as minhas limitações?
Sim!
Resignar-me!
Não!
Concluo:
tenho de fazer o que devo e posso fazer para ultrapassar as minhas limitações.
Fortaleza
Ser
fortes de ânimo ajuda a suportar as dificuldades e superar nossos limites. Para
os cristãos, Cristo é o exemplo para viver uma virtude que abre a porta a
muitas outras.
1.
“Per aspera ad astra!”
“Através
das dificuldades, chega-se às estrelas”. Esta conhecida frase de Séneca exprime
de modo gráfico a experiência humana de que, para conseguir o melhor, há que
esforçar-se, de que “o que vale, custa”, de que é preciso lutar para vencer os
obstáculos e arestas que se vão apresentando ao longo da vida, para poder
alcançar os bens mais altos.
Muitas obras literárias de diversas culturas exaltam a figura do herói, que encarna de algum modo as palavras da sabedoria latina, que qualquer pessoa desejaria também para si: nil difficile volenti, nada é difícil para aquele que quer.
Assim pois, a nível humano, a fortaleza é valorizada e admirada. Essa virtude, que anda de mãos dadas com a capacidade de sacrificar-se, tinha entre os antigos um contorno bem definido. O pensamento grego considerava a “andreia” como uma das virtudes cardeais 1, que modera os sentimentos de combate próprios do apetite irascível, e assim dá vigor ao homem para procurar o bem, mesmo que seja difícil e árduo, sem que o medo o detenha.
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| Scott Ham |
Anos atrás, ouvi um discurso de Scott Hahn sobre o dízimo. Ele foi muito claro que, apesar do desconforto ou medo, devemos fazer a escolha de dizimar - e que isso ficará mais fácil com o tempo, à medida que aprendermos a deixar de lado nosso apego às coisas materiais. Fiquei particularmente impressionado com a prática de sua família de arranhar intencionalmente cada carro novo que compravam, de modo que, da primeira vez que fosse acidentalmente danificado, eles reagissem com calma.
Ainda estou trabalhando nesse tipo de desapego. Mas pagar o dízimo de cada salário certamente ajudou! Uma das maiores lições que me ensinou é que Deus está no controle de minhas finanças. Quanto mais dou o dízimo (e, é claro, tento administrar bem meu dinheiro), mais percebo que não tenho nada com que me preocupar. Deus tem isso.
À medida que a Quaresma progride, enviaremos e-mails pedindo doações como parte de nosso apelo anual da Quaresma. Oramos para que sua generosidade o ajude a abandonar o apego a este mundo e a se tornar mais firmemente centrado em Deus.
(CERC) - Meaghen Gonzalez
O amor às almas, por Deus, faz-nos querer a todos, compreender, desculpar, perdoar... Devemos ter um amor que cubra a multidão das deficiências das misérias humanas. Devemos ter uma caridade maravilhosa, "veritatem facientes in caritate", defendendo a verdade, sem ferir. (Forja, 559)
Se
vos examinardes com valentia na presença de Deus, vós, tal como eu,
sentir-vos-eis diariamente carregados de muitos erros. Quando lutamos por
arrancá-los com a ajuda divina, carecem de verdadeira importância e podem ser
superados, embora pareça que nunca conseguimos desarraigá-los totalmente. Além
disso, independentemente dessas fraquezas, tu contribuirás para remediar as
grandes deficiências dos outros, sempre que te empenhares em corresponder à
graça de Deus. Reconhecendo-te tão fraco como eles – capaz de todos os erros e
de todos os horrores – serás mais compreensivo, mais delicado e, ao mesmo
tempo, mais exigente, para que todos nos decidamos a amar a Deus com o coração
inteiro. Nós, os cristãos, os filhos de Deus, temos de prestar assistência aos
outros, pondo em prática honradamente o que aqueles hipócritas retorcidamente
elogiavam ao Mestre: Não olhas à condição das pessoas. Isto é, havemos de
rejeitar por completo a acepção de pessoas – interessam-nos todas as almas! –
embora, logicamente, devamos começar por ocupar-nos daquelas que, por esta ou
aquela circunstância, e até só por motivos aparentemente humanos, Deus colocou
ao nosso lado. (Amigos de Deus, 162)
Novo Testamento [i]
Mc
XV 23 – 47
Crucificação
23 Queriam dar-lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não
quis beber. 24 Depois, crucificaram-no e repartiram entre si as suas vestes,
tirando-as à sorte, para ver o que cabia a cada um. 25 Eram umas nove horas da
manhã, quando o crucificaram. 26 Na inscrição com a condenação, lia-se: «O rei
dos judeus.» 27 Com Ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e o outro à
sua esquerda. 28 Deste modo, cumpriu-se a passagem da Escritura que diz: Foi
contado entre os malfeitores. 29 Os que passavam injuriavam-no e, abanando a
cabeça, diziam: «Olha o que destrói o templo e o reconstrói em três dias! 30
Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!» 31 Da mesma forma, os sumos sacerdotes
e os doutores da Lei troçavam dele entre si: «Salvou os outros mas não pode
salvar-se a si mesmo! 32 O Messias, o Rei de Israel! Desça agora da cruz para
nós vermos e acreditarmos!» Até os que estavam crucificados com Ele o
injuriavam.
Agonia e morte de Jesus
33 Ao chegar o meio-dia, fez-se trevas por toda a terra,
até às três da tarde. 34 E às três da tarde, Jesus exclamou em alta voz: «Eloí,
Eloí, lemá sabachtáni?», que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, porque me
abandonaste? 35 Ao ouvi-lo, alguns que estavam ali disseram: «Está a chamar por
Elias!» 36 Um deles correu a embeber uma esponja em vinagre, pô-la numa cana e
deu-lhe de beber, dizendo: «Esperemos, a ver se Elias vem tirá-lo dali.» 37 Mas
Jesus, com um grito forte, expirou. 38 E o véu do templo rasgou-se em dois, de
alto a baixo. 39 O centurião que estava em frente dele, ao vê-lo expirar
daquela maneira, disse: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!» 40
Também ali estavam algumas mulheres a contemplar de longe; entre elas, Maria de
Magdala, Maria, mãe de Tiago Menor e de José, e Salomé, 41 que o seguiam e
serviam quando Ele estava na Galileia; e muitas outras que tinham subido com
Ele a Jerusalém.
Sepultura de Jesus
42 Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é,
véspera do sábado, 43 José de Arimateia, respeitável membro do Conselho que
também esperava o Reino de Deus, foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe
o corpo de Jesus. 44 Pilatos espantou-se por Ele já estar morto e, mandando
chamar o centurião, perguntou-lhe se já tinha morrido há muito. 45 Informado
pelo centurião, Pilatos ordenou que o corpo fosse entregue a José. 46 Este,
depois de comprar um lençol, desceu o corpo da cruz e envolveu-o nele. Em
seguida, depositou-o num sepulcro cavado na rocha e rolou uma pedra sobre a entrada
do sepulcro. 47 Maria de Magdala e Maria, mãe de José, observavam onde o
depositaram.
Textos
Oração
É o
caso, por exemplo, dos que desejam conseguir satisfações pessoais imediatas na
oração.
Isto é
errado porque a oração, sendo uma conversa com Deus, não tem que emocionar nem,
de qualquer outra forma, influenciar os sentimentos.
Se Deus concede emoções na oração – arroubos
espirituais, consolações, sentimentos de paz – tanto melhor, mas não tem porque
o fazer.
Oramos,
fundamentalmente, para dar Glória a Deus, prestar contas, pedir-lhe coisas,
agradecer.
Ou
seja: rezamos para satisfazer a Deus e não a nós próprios.
Muitas
vezes, estas pessoas são infelizes porque, quando não sentem as emoções que
procuram, não têm apetite para rezar.
É o
que se chama tibieza e a tibieza, pode, de facto constituir uma séria provação.
Quando
aparece, a tibieza deixa a pessoa como que adormecida sem ânimo para fazer o
que deve, quando deve.
Vivendo numa espécie de limbo, o tíbio não se
sente obrigado a assumir uma posição clara, a decidir-se por algo concreto, a
manter uma constância no comportamento e nas opiniões.
A pessoa tíbia está de acordo com tudo e não
concorda com nada, é-lhe indiferente o que possa acontecer e, mesmo, o que a
sua postura possa provocar.
Não é
possível confiar numa pessoa dominada pela tibieza.
A sua postura perante a vida não dá qualquer
garantia de fidelidade a um compromisso, por exemplo, ou confidencialidade de
um desabafo.
Egoísmo
Alvitra-se
que a tibieza começa com o egoísmo, ou melhor, é uma fase avançada do egoísmo.
O egoísta,
olhando unicamente para o próprio umbigo, desinteressa-se pelo que o rodeia:
pessoas, coisas, acontecimentos.
A
pessoa egoísta é tanto mais indiferente aos outros quanto maior é o conceito
que faz de si mesma e da sua excelência, qualidades e virtudes.
Deste
egoísmo parte para a indiferença e, consequentemente, para a tibieza.
Muitas
vezes estas pessoas, como que jogam um jogo duplo, têm duas velas acesas,
repetem a um, de modo diferente o que ouviram a outro, nunca dizem claramente
nem sim nem não!
Fazer
isto, dizer sim ou não, que é o normal, implica um comprometimento, uma
responsabilidade e, isso, o egoísta não está disposto a fazer.
Uma
das atitudes mais frequentes na pessoa egoísta é a consideração que tem pelo
que possui – ou julga possuir – os seus bens, as suas coisas, os seus êxitos,
as suas conquistas.
Considera-os como seus, de direito e não está
disponível para os partilhar com outros.
Avareza
Avareza
é uma palavra forte mas, de facto, aplica-se ao egoísta.
Quando
se fala de avareza pensa-se imediatamente em riquezas, ou melhor, alguém
agarrado aos bens materiais.
Nem
sempre se aplica.
A
avareza pode existir nas coisas mais comezinhas e insignificantes.
No entanto, traduz sempre um apego
desmesurado a algo.
A
avareza nasce sempre da consideração das coisas como próprias.
E não
só bens, mas até atributos como facilidade de expressão, compreensão dos
problemas, educação e cultura.
Não partilhando ou distribuindo com rigorosa
parcimónia e reserva aquilo que se julga ter, é uma forma de avareza.
O
avarento é alguém pouco dado à esmola e à partilha com os demais daquilo que
detém.
Tem um tão alto conceito da sua sabedoria e
cultura, das suas capacidades que tende a isolar-se num castelo de altas
muralhas.
É,
sempre, uma pessoa só.
Uma
das consequências da avareza é a solidão.
Uma
pessoa avarenta não é simpática, não cativa os outros, não participa nem
convive.
Provoca, assim, o afastamento e o
desinteresse dos demais e acaba sozinho.
Ser
avarento pode ser, também, uma excessiva preocupação com a saúde pessoal.
Tende a pôr em primeiro lugar a sua pessoa, o
seu bem-estar e as suas capacidades físicas.
Normalmente, vive numa angústia de cair
doente e acaba por ter um medo obsessivo da morte.
Porque é assim, avarento com a sua saúde, as
doenças ou problemas físicos dos outros não lhe interessam, não pode ocupar-se
deles.
E,
claro, uma vez mais se verifica que avareza e egoísmo andam de mãos dadas.
O dom de crer só se enraíza numa alma que, indo mais para além da admiração e do apreço, reconheça a necessidade de se converter, de aceitar a mão que o Senhor amorosamente lhe estende.
(Javier Echevarria, Itinerarios de vida Cristiana,
Planeta, pg. 25)
Novo Testamento
Evangelho
Lc Lc XI, 14-32
Blasfémia dos fariseus
14
Jesus estava a expulsar um demónio mudo. Quando o demónio saiu, o mudo falou e
a multidão ficou admirada. 15 Mas alguns dentre eles disseram: «É por Belzebu,
chefe dos demónios, que Ele expulsa os demónios.» 16 Outros, para o
experimentarem, reclamavam um sinal do Céu. 17 Mas Jesus, que conhecia os seus
pensamentos, disse-lhes: «Todo o reino, dividido contra si mesmo, será
devastado e cairá casa sobre casa. 18 Se Satanás também está dividido contra si
mesmo, como há-de manter-se o seu reino? Pois vós dizeis que é por Belzebu que
Eu expulso os demónios. 19 Se é por Belzebu que Eu expulso os demónios, por
quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso, eles mesmos serão os vossos
juízes. 20 Mas se Eu expulso os demónios pela mão de Deus, então o Reino de Deus
já chegou até vós. 21 Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, os
seus bens estão em segurança; 22 mas se aparece um mais forte e o vence,
tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. 23 Quem não
está comigo está contra mim, e quem não junta comigo, dispersa.»
O demónio que volta
24
«Quando um espírito maligno sai de um homem, vagueia por lugares áridos em
busca de repouso; e, não o encontrando, diz: ‘Vou voltar para minha casa, de
onde saí.’ 25 Ao chegar, encontra-a varrida e arrumada. 26 Vai, então, e toma
consigo outros sete espíritos piores do que ele; e, entrando, instalam-se ali.
E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.»
A mãe deJesus é louvada
27
Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse:
«Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!» 28 Ele,
porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em
prática.»
Sinal de Jonas
29
Como as multidões afluíssem em massa, começou a dizer: «Esta geração é uma
geração perversa; pede um sinal, mas não lhe será dado sinal algum, a não ser o
de Jonas. 30 Pois, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o
será também o Filho do Homem para esta geração. 31 A rainha do Sul há-de
levantar-se, na altura do juízo, contra os homens desta geração e há-de
condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de
Salomão; ora, aqui está quem é maior do que Salomão! 32 Os ninivitas hão-de
levantar-se, na altura do juízo, contra esta geração e hão-de condená-la,
porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; ora, aqui está quem é
maior do que Jonas.»
Texto
MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
PARA A QUARESMA DE 1987
Amados irmãos e irmãs em Cristo:
«Encheu de bens os famintos, e despediu
vazios os ricos» (Lc 1, 53).
Estas palavras que a Virgem Maria
pronunciou no seu Magnificat são ao mesmo tempo um louvor a Deus Pai e um apelo
que cada um de nós pode acolher no seu coração e meditar neste tempo da Quaresma.
Tempo de conversão, tempo da Verdade que
nos «tornará livres» (Jo 8, 32), porque não podemos enganar aquele que sonda
«os corações e as mentes» (Sl 7, 10). Perante Deus nosso Criador, perante
Cristo nosso Redentor, de que nos podemos orgulhar? Que riquezas ou que
talentos nos poderiam dar qualquer superioridade?
Maria ensina-nos que as verdadeiras
riquezas, as que não passam, vêm de Deus; nós devemos desejá-las, ter fome
delas, abandonar tudo aquilo que é fictício e passageiro, para receber estes
bens e recebê-los em abundância. Convertamo-nos, abandonemos o velho fermento
(cf. 1 Cor 5, 6) do orgulho e de tudo aquilo que conduz à injustiça, ao
desprezo, à ânsia de possuir egoisticamente dinheiro e poder.
Se nos reconhecermos pobres diante de Deus
– o que é verdade e não falsa humildade – teremos um coração de pobre, olhos e
mãos de pobre para partilhar aquelas riquezas das quais Deus nos colmará: a
nossa Fé que não podemos guardar egoisticamente só para nós, a Esperança, da
qual têm necessidade aqueles que estão privados de tudo, a Caridade, que nos
faz amar os pobres como Deus os amou, com um amor de preferência. O Espírito do
Amor nos colmará de mil bens a partilhar: quanto mais os desejarmos, tanto mais
os receberemos em abundância.
Se formos verdadeiramente aqueles «pobres
de espírito» aos quais é prometido o Reino dos céus (Mt 5, 3), a nossa oferta
será bem aceite por Deus. Também a oferta material, que costumamos dar durante
a Quaresma, se for feita com um coração de pobre, é uma riqueza, porque damos
aquilo que recebemos de Deus para ser distribuído: não recebemos senão para
dar. Como os cinco pães e os cinco peixes do jovem que as mãos de Cristo
multiplicaram para alimentar a multidão, do mesmo modo aquilo que oferecemos
será multiplicado por Deus para os pobres.
Chegaremos nós ao fim desta Quaresma com o
coração repleto, cheios de nós mesmos, mas com as mãos vazias para os outros?
Ou pelo contrário chegaremos à Páscoa, guiados pela Virgem do Magnificat, com
uma alma de pobre, faminta de Deus, e com as mãos cheias de todos os dons de
Deus para distribuir ao mundo que tanta necessidade tem deles?
«Louvai o Senhor, porque ele é bom, porque
eterna é a sua misericórdia» (Sl 117, 1).
IOANNES PAULUS PP. II
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