09/02/2021

Encherás o mundo de caridade

 

Não podes destruir, com a tua negligência ou com o teu mau exemplo, as almas dos teus irmãos os homens. – Tens – apesar das tuas paixões! – a responsabilidade da vida cristã dos que te são próximos, da eficácia espiritual de todos, da sua santidade! (Forja, 955)

Longe fisicamente e, contudo, muito perto de todos: muito perto de todos!... – repetias feliz. Estavas contente, graças a essa comunhão de caridade, de que te falei, que tens de avivar sem cansaço. (Forja, 956)

Perguntas-me o que é que poderias fazer por aquele teu amigo, para que não se encontre sozinho. Dir-te-ei o que sempre digo, porque temos à nossa disposição uma arma maravilhosa, que resolve tudo: rezar. Primeiro, rezar. E, depois, fazer por ele o que gostarias que fizessem por ti, em circunstâncias semelhantes. Sem o humilhar, é preciso ajudá-lo de tal maneira que se lhe torne fácil o que lhe é difícil. (Forja, 957)

Leitura espiritual Fev 09

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc IX, 30-50

 

Nova profecia da Paixão

30 Partindo dali, atravessaram a Galileia, e Jesus não queria que ninguém o soubesse, 31 porque ia instruindo os seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens que o hão-de matar; mas, três dias depois de ser morto, ressuscitará.» 32 Mas eles não entendiam esta linguagem e tinham receio de o interrogar.

 

Humildade

33 Chegaram a Cafarnaúm e, quando estavam em casa, Jesus perguntou: «Que discutíeis pelo caminho?» 34 Ficaram em silêncio porque, no caminho, tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. 35 Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos.» 36 E, tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes: 37 «Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou.»

 

Zelo sem ciúmes

38 Disse-lhe João: «Mestre, vimos alguém expulsar demónios em teu nome, alguém que não nos segue, e quisemos impedi-lo porque não nos segue.» 39 Jesus disse-lhes: «Não o impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e vá logo dizer mal de mim. 40 Quem não é contra nós é por nós.

 

Caridade

41 Sim, seja quem for que vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.»

 

Escândalo e inferno

42 «E se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor seria para ele atarem-lhe ao pescoço uma dessas mós que são giradas pelos jumentos, e lançarem-no ao mar. 43 Se a tua mão é para ti ocasião de queda, corta-a; mais vale entrares mutilado na vida, do que, com as duas mãos, ires para a Geena, para o fogo que não se apaga, 44 onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 45 Se o teu pé é para ti ocasião de queda, corta-o; mais vale entrares coxo na vida, do que, com os dois pés, seres lançado à Geena, 46 onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 47 E se um dos teus olhos é para ti ocasião de queda, arranca-o; mais vale entrares com um só no Reino de Deus, do que, com os dois olhos, seres lançado à Geena, 48 onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 49 Todos serão salgados com fogo. 50 O sal é coisa boa; mas, se o sal ficar insosso, com que haveis de o temperar? Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros.»


Texto:

 


E o que é o ideal?

  Podemos afirmar que ideal é tudo aquilo que reúne toda a perfeição imaginável, mas, também, o conjunto imaginário de perfeições que não podem ter realização concreta.

  Das muitas explicações optar-se-á por aquela que estabelece o ideal como num exemplo a seguir, uma referência a ter em conta.

  Uma vez mais voltamos atrás para observar como havia uma preocupação em apresentar à juventude em particular e à sociedade em geral, inúmeras personagens que personificavam a excelência do comportamento ou da performance nos mais variados aspectos e incidências da vida corrente e dos desafios que nela se põem aos seres humanos.

Desde as brumas da Idade Média que os homens, a juventude sobretudo, alimentavam os sonhos de heroicidade e proeminência com as histórias sempre enriquecidas com novos detalhes, de figuras como Amadis de Gaula, os Cavaleiros da Távola Redonda e, em épocas mais modernas com, Cid El Campeador ou São Nuno de Santa Maria.

  Toda a vida tinha um objectivo, uma finalidade de destino grandioso, notável e causa da admiração geral.

A honra, o pundonor, a aura, eram cultivadas em extremo como pressupostos imprescindíveis à grandeza da missão pessoal a que cada um estava inevitavelmente fadado.

Era sem dúvida a era dos grandes ideais que levavam os jovens a abandonar os amigos e a casa paterna e a lançarem-se na aventurosa vida de missionários em terras distantes e desconhecidas, dispostos a correr riscos sem fim, nalguns casos, oferecendo a própria vida.

  Foram homens como Francisco Xavier ou João de Brito que levados por um aceso e ardente amor ao Evangelho arrostaram com tremendas dificuldades em países inóspitos no meio de gentes hostis, bárbaras e selvagens.

  Deixaram um rasto luminoso de estrelas candentes que iluminaram os Céus, com o entusiasmo e do Amor a Deus, de numerosos jovens contemporâneos.

De alguma forma, podemos chamá-los “Cavaleiros de Deus” porque lutaram numa guerra sem quartel cuja vitória foi alcançada com a própria vida oferecida em holocausto, por vezes, de tremenda ferocidade.

  Arrastados por estes exemplos, milhares de jovens, sobretudo na velha Europa, atiraram-se entusiasmados nas asas da grandiosa missão de levar a Palavra e o Conhecimento de Deus às mais recônditas partes do mundo.

Da maior parte nem sabemos nem os nomes que usaram nem as gestas que viveram; podemos, no entanto, encontrar traços bem marcados da sua passagem.

Hoje em dia, parece que nada disto é necessário e, portanto, o ideal, o idealismo, está moribundo e tende a desaparecer de vez.

  Engana-se quem assim pensa.

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão

 

Pergunto-te a ti, alma cristã. Se te dissesse o que desse àquele rico: Vai, vende tu também todas as coisas e terás um tesouro no céu, e vem e segue Cristo, ir-te-ias triste como ele?



(Santo Agostinho, Sermão 301, A, 5)

Pequena agenda do cristão - Terça-Feira

    

TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)

08/02/2021

Tens de conviver, tens de compreender

 

Tens de conviver, tens de compreender, tens de ser irmão dos homens teus irmãos, tens de pôr amor – como diz o místico castelhano – onde não há amor, para colher amor. (Forja, 457)

O principal apostolado que nós, os cristãos, temos de realizar no mundo, o melhor testemunho de fé é contribuir para que dentro da Igreja se respire o clima de autêntica caridade. Quando não nos amamos verdadeiramente, quando há ataques, calúnias e inimizades, quem se sentirá atraído pelos que afirmam que pregam a Boa Nova do Evangelho? (Amigos de Deus, 225–226)

Leitura espiritual Fev 08

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc IX, 9-29



Sobre a vinda de Elias

9 Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos. 10 Eles guardaram a recomendação, discutindo uns com os outros o que seria ressuscitar de entre os mortos. 11 E fizeram-lhe esta pergunta: «Porque afirmam os doutores da Lei que primeiro há-de vir Elias?» 12 Jesus respondeu-lhes: «Sim; Elias, vindo primeiro, restabelecerá todas as coisas; porém, não dizem as Escrituras que o Filho do Homem tem de padecer muito e ser desprezado? 13 Pois bem, digo-vos que Elias já veio e fizeram dele tudo o que quiseram, conforme está escrito.»

 

O menino possesso

14 Ia ter com os seus discípulos, quando viu em torno deles uma grande multidão e uns doutores da Lei a discutirem com eles. 15 Assim que viu Jesus, toda a multidão ficou surpreendida e acorreu a saudá-lo. 16 Ele perguntou: «Que estais a discutir uns com os outros?» 17 Alguém de entre a multidão disse-lhe: «Mestre, trouxe-te o meu filho que tem um espírito mudo. 18 Quando se apodera dele, atira-o ao chão, e ele põe-se a espumar, a ranger os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram.» 19 Disse Jesus: «Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá.» 20 E levaram-lho. Ao ver Jesus, logo o espírito sacudiu violentamente o jovem, e este, caindo por terra, começou a estrebuchar, deitando espuma pela boca. 21 Jesus perguntou ao pai: «Há quanto tempo lhe sucede isto?» Respondeu: «Desde a infância; 22 e muitas vezes o tem lançado ao fogo e à água, para o matar. Mas, se podes alguma coisa, socorre-nos, tem compaixão de nós.» 23 «Se podes...! Tudo é possível a quem crê», disse-lhe Jesus. 24 Imediatamente o pai do jovem disse em altos brados: «Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!» 25 Vendo, Jesus, que acorria muita gente, ameaçou o espírito maligno, dizendo: «Espírito mudo e surdo, ordeno-te: sai do jovem e não voltes a entrar nele.» 26 Dando um grande grito e sacudindo-o violentamente, saiu. O jovem ficou como morto, a ponto de a maioria dizer que tinha morrido. 27 Mas, tomando-o pela mão, Jesus levantou-o, e ele pôs-se de pé. 28 Quando Jesus entrou em casa, os discípulos perguntaram-lhe em particular: «Porque é que nós não pudemos expulsá-lo?» 29 Respondeu: «Esta casta de espíritos só pode ser expulsa à força de oração.»


Texto:



Castidade

  Desde sempre, o tema da sexualidade provocou controvérsia e discussões.

Dependendo da formação moral de cada um e dos ambientes que se verificam, muitas vezes se exacerbam posições e conceitos, princípios e normas que tendem, quase sempre, para confundir bastante e esclarecer muito pouco.

Na verdade as coisas são simples porque se trata de uma característica marcante do ser humano e, em princípio, tanto faz que seja apreciado por um cristão ou por alguém sem qualquer fé ou religião porque o essencial é o mesmo.

  A diferença reside no enfoque que se lhe dá, no caso das duas pessoas citadas, por exemplo, a primeira tentará enquadrá-la sob uma óptica moral, em que a razão domina a paixão, o apetite ou o impulso, ao passo que a segunda não terá essas preocupações mas apenas retirar dela o maior beneficio ou gozo sem ter muito em conta os possíveis excessos e as consequências daí resultantes.

  Durante décadas, enquadrou-se a formação espiritual da juventude, principalmente masculina, no âmbito pouco claro e esclarecedor da sexualidade.

  Não discutindo o assunto ou fazendo-o sob intensas reservas e tabus, criou-se uma imagem de algo proibido, inaceitável e pouco digno.

  Por norma, não existiam conversas sobre o assunto entre pais e filhos e os mestres ou formadores atinham-se a generalidades tratadas muito pela rama.

Naturalmente que a dificuldade do jovem em ter uma orientação séria e segura levou a que alguns pensem, ainda hoje em dia, que a educação sobre a sexualidade humana é algo de primeiríssima importância a que tem de se dar urgente atenção.

  Já se viu este assunto e não regressaremos a ele a não ser para, uma vez mais, referir que o bom senso tem de imperar antes de qualquer outra coisa.

  Nem os antigos eram incompetentes na educação da juventude, nem a competência que se outorgam os actuais pretensos educadores, são motivos de alarme.

Os primeiros porque as gerações foram conseguindo sobreviver, os segundos porque a precariedade destas políticas tende a demorar o tempo que medeia entre a sua implementação e a revolta da própria juventude.

  Que não se enganem as luminárias de agora, a juventude acaba sempre por exigir e conseguir o que quer e que é, quase sempre, o contrário daquilo que se lhe pretende impor.

  Algo que tem muito a ver com o assunto anteriormente abordado: é a falta de ideal de vida.

 

 

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão

 

Pode julgar-se uma civilização segundo a sua forma de se conduzir com os débeis, as crianças, com os doentes, com as pessoas de terceira idade.

 

(São Paulo VI, Alocução, 24.05.1974)

Pequena agenda do cristão - Segunda-Feira

   

 

SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

07/02/2021

Cinco Chagas

 


Em que Chaga refugiar-me, Senhor?

Na do Teu peito?

Sim, é a minha preferida. Ficar ali, em descanso, junto ao Teu Coração.

Mas não ouso! Parece-me demais!

Nas das Tuas Mãos?

Na Chaga da Mão Direita… essa mão com que abençoas e tocas os doentes?

Mas não ouso! Parece-me demais!

Na Chaga da Mão Esquerda… a mão que segura o caminhante que titubeia na senda da salvação?

Mas não ouso! Parece-me demais!

Nas dos Teus Pés?

Na Chaga do Pé Direito… em que apoias todo o Teu peso quando Te levantas no Caminho do Gólgota?

Mas não ouso! Parece-me demais!

Na Chaga do Pé Esquerdo… com que sacodes o pó contra os que Te rejeitam?

Sim… ouso refugiar-me aqui.

Assim tomarei parte na defesa do Teu Santo Nome tão ofendido!

E… aqui fico, feliz e contente por ter encontrado refúgio e protecção. Faço Desta Chaga o meu berço onde quero adormecer e acordar todos os dias que me concederes viver.

(AMA, comentário sobre Jo 19, 28-37, 2013.02.07)

Meu Pai do Céu, ajuda-me

 

A ti, que desmoralizas, repetir-te-ei uma coisa muito consoladora: a quem faz o que pode, Deus não lhe nega a Sua graça. Nosso Senhor é Pai, e se um filho lhe diz na quietude do seu coração: Meu Pai do Céu, aqui estou, ajuda-me... Se recorre à Mãe de Deus, que é Mãe nossa, vai para a frente. Mas Deus é exigente. Pede amor de verdade; não quer traidores. É preciso ser fiel a essa luta sobrenatural, que é ser feliz na terra à força de sacrifício. (Via Sacra, 10ª Estação, n. 3)

Recorrei semanalmente – e sempre que o necessiteis, sem dar lugar aos escrúpulos – ao santo Sacramento da Penitência, ao sacramento do perdão divino. Revestidos da graça, caminharemos por entre os montes e subiremos a encosta do cumprimento do dever cristão, sem nos determos. Utilizando estes recursos com boa vontade e rogando ao Senhor que nos conceda uma esperança cada dia maior, possuiremos a alegria contagiosa dos que se sabem filhos de Deus: Se Deus está connosco, quem nos poderá derrotar? Optimismo, portanto. Incitados pela força da esperança, lutaremos para apagar a mancha viscosa que espalham os semeadores do ódio e redescobriremos o mundo com uma perspectiva jubilosa, porque saiu formoso e limpo das mãos de Deus, e restituir-lho-emos assim belo, se aprendermos a arrepender-nos. (Amigos de Deus, 219–220)

Leitura espiritual Fev 07



Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc VIII, 27-36; Mc IX, 1-8

 

A confissão de Pedro

27 Jesus partiu com os discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, fez aos discípulos esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» 28 Disseram-lhe: «João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas.» 29 «E vós, quem dizeis que Eu sou?» - perguntou-lhes. Pedro tomou a palavra, e disse: «Tu és o Messias.» 30 Ordenou-lhes, então, que não dissessem isto a ninguém.

 

Jesus prediz a Sua Paixão

31 Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de três dias. 32 E dizia claramente estas coisas. Pedro, desviando-se com Ele um pouco, começou a repreendê-lo. 33 Mas Jesus, voltando-se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo-lhe: «Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens.»

 

Necessidade da abnegação

34 Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35 Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la. 36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? 37 Ou que pode o homem dar em troca da sua vida? 38 Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.»

XIX 1 Disse-lhes também: «Em verdade vos digo que alguns dos aqui presentes não experimentarão a morte sem terem visto o Reino de Deus chegar em todo o seu poder.»

 

Transfiguração

2 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os, só a eles, a um monte elevado. E transfigurou-se diante deles. 3 As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que lavadeira alguma da terra as poderia branquear assim. 4 Apareceu-lhes Elias, juntamente com Moisés, e ambos falavam com Ele. 5 Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias.» 6 Não sabia que dizer, pois estavam assombrados. 7 Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o.» 8 De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles.


Texto:

 


  Castidade

  Voltemos um pouco atrás para falar de pureza.

  O que tem a ver com a castidade? E com a sexualidade?

  Pois bem, a pureza é uma virtude que define o são critério e juízo da pessoa humana. Daqui que seja uma ajuda preciosa quando considera a sexualidade, a inclinação amorosa, o convívio com os outros e - sumamente importante - o comportamento próprio em qualquer ocasião ou circunstância da vida.

  ‘A mais bela das virtudes’ como foi apelidada tem como que um cortejo de muitas outras que a acompanham porque são atinentes, fruto e consequência.

  Não iremos muito além neste tema já que parece estar fora do âmbito destes escritos. De facto a contenção e moderação da sexualidade, dando-lhe os fins apropriados para que existe, não supõe nem conceitos nem teorias sobre o assunto.

Quem converte este tema em eixo em torno do qual gira a sua vida, submetendo-se às prisões e cadeias que prendem um ser humano aos instintos e impulsos sem nenhuma tentativa de moderação ou, sequer, comando das acções, não está, com certeza, interessado em considerar temas ligados à “Melhoria Pessoal e à Vida Interior”.

  Esta melhoria Pessoal de que vimos falando não é algo intemporal ou mirífico, alguma coisa que se tenha como um ideal mas que se vai deixando relegado para segundas oportunidades já que haverá coisas mais importantes a fazer entretanto.

  Não senhor!

  A melhoria pessoal é o que de mais íntimo o homem poderá ter como desejo de evolução que é, deve ser, inato a todo o ser humano.

Sabemos muito bem, cada um dos seres humanos, aquilo em que podemos melhorar e conseguir melhores resultados.

  Como já dissemos, a alteração das regras iniciais, as estabelecidas pelo Criador, como seja a criação de seres humanos diferentes, homem e mulher, não pode nem deve ser admitida.

  Sendo assim, como indiscutivelmente é, tem forçosamente de ser encarada com muita seriedade e num plano igualmente superior das ideias.

  Olhar a sexualidade humana como algo de extraordinária relevância que, só por si, justifica estudos e investigações de profundíssimo pormenor, não é, de todo, nem necessário nem justificável, mas antes uma característica ou propriedade humana a ser encarada com a mesma naturalidade como outra qualquer, por exemplo, a comoção ou a afectividade.

  Não se retira importância à sexualidade mas atribui-se-lhe aquela que tem e não mais. 

Ora ao legislar sobre este assunto, o poder civil está a intrometer-se em algo que lhe está vedado justamente porque não pode querer elaborar leis que vão contra a ordem natural.

  Hoje, cada vez mais este tema parece alcançar uma relevância que só encontra explicação na falta - ou completa ausência - de moderação e moralização dos costumes e comportamentos humanos, numa declarada ambição de abolir quaisquer barreiras ou regras, numa licenciosidade absoluta em que tudo é permitido porque tudo se justifica como sendo natural.

  O problema é que não o é.

  Ninguém com um mínimo de senso comum pode admitir como natural que o homem tenha como preocupação - e, muitas vezes ocupação - o sexo.

  Temos visto a que conduz esta desviante forma de encarar a sexualidade humana e as situações de abuso, por vezes tão aberrantes que os próprios Tribunais têm enormes dificuldades em apreciá-las.

Se defendemos, com energia, tratar a sexualidade como algo natural e simples, por isso mesmo, devemos reprovar o abuso e uso indiscriminado para promover, em nome ou sob pretexto de proporcionar uma educação completa.

  Como se as raparigas e os rapazes de hoje fossem mais carentes, nesse aspecto, que os de gerações anteriores, ou se estas, por falta dos preciosos ensinamentos actuais, estivessem reduzidos a campos meramente experimentais dos quais nós, seus descendentes, somos simples consequência.

  Isto tudo é um disparate tão grande que resulta difícil aceitar que exista.

  Mas, infelizmente, é uma gritante realidade!

  Os nossos jovens estão a ser sujeitos a pressões inauditas e precisam, como nunca, do apoio sensato e equilibrado dos progenitores e educadores responsáveis.

Sem estes, estarão perdidos e assistiremos à derrocada e progressivo abandono da instituição familiar porque a base da sua constituição, que é o sentimento sublime do amor, está a ser substituída pelo desenfreado impulso sexual.

  A seriedade dos comportamentos de homens e mulheres mede-se pelo respeito que cada um tem por si próprio e pelo outro, enquanto seres diferenciados com capacidades, características e, até, finalidades diferentes.

Mas têm de convir que desempenham papeis complementares uma vez que há acções que só podem ser concretizadas com o concurso de ambos.

Não parece valer muito a pena consumir mais tempo sobre estes assuntos.

  As pessoas bem formadas não têm questões a levantar neste domínio e, às outras, pouco lhes importará o que possamos dizer.

  Ao falarmos da sexualidade humana temos de ter sempre presente o amor já que, só o amor verdadeiro, consciente, puro e simples a consegue regular e conformar com o serviço a que é chamada, com a dignidade que deve ter.

  E dizíamos bem ao afirmar que, sem amor, qualquer sentimento humano por mais virtuoso que possa ser, apresenta-se, sempre, carente do elemento aglutinador que lhe dá consistência e o justifica.

  Mais, o amor carrega consigo uma infinidade de virtudes características e potências fundamentais para que esses mesmos sentimentos se apresentem completos, na sua máxima capacidade.

  A propósito da força e capacidades do amor, vem esta pequena história.

  Há muitíssimos anos, um poderoso senhor da China resolveu dar um grande banquete para o qual foram convidadas muitas jovens da mais alta nobreza para serem objecto da escolha por parte do príncipe seu filho que completava vinte e cinco anos de idade e ainda não tinha noiva.

No meio das numerosas jovens tinha-se insinuado a filha de uma simples empregada do palácio cujo enorme amor pelo príncipe a levara a correr o risco de ser descoberta.

O príncipe entregou a cada jovem um pote de belíssima porcelana e uma semente dizendo que, aquela que dentro de seis meses apresentasse a mais bela flor, seria a sua eleita.

À filha da empregada as coisas correram muito mal porque, não obstante os seus esforços e os de sua mãe, a pequena semente não produziu absolutamente nada.

Passados seis meses todas as jovens voltaram ao palácio e a filha da empregada, também, porque, embora não tivesse flor nenhuma para mostrar, não quis perder a oportunidade - talvez a última - de estar perto do seu amado.

O Príncipe percorreu as filas de jovens, cada qual ostentando no seu pote de porcelana a mais bela e formosa flor e foi deter-se, precisamente, em frente da pobre rapariga que nem ousava levantar os olhos do seu pote que continha a semente encarquilhada de tantas regas e esforços.

Levantando a voz, chamou-a para o centro do grande salão e disse: Tu és a minha escolhida! Tu serás a minha noiva!

  Perante a admiração que a sua escolha provocara, explicou: ‘As sementes que, há seis meses, dei a cada uma, eram absolutamente estéreis, incapazes de produzir o quer que fosse.’

  O amor levou a jovem a arrostar com o perigo de poder ser descoberta a sua intromissão na sala do banquete e, também foi o amor, que a impediu de tentar enganar o seu amado.

  As outras jovens, obviamente, fizeram-no na tentativa de conquistar o almejado lugar de noiva de tão importante príncipe, porque o que sentiam era só desejo e ambição.

 

 


 



[i] Sequencial todos os dias do ano