Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
19/02/2020
THALITA KUM 106
(Cfr. Lc 8, 49-56)
A gratidão é das
mais belas manifestações humanas e das que mais enobrecem o carácter. Confundir
gratidão com subserviência ou rebaixamento é não ter a noção de que tudo
devemos.
De facto, o que é
que temos como nosso?
O sopro que nos
mantém vivos; as qualidades que nos permitem viver em sociedade; a fortaleza e
coragem para ultrapassar as dificuldades e maus momentos; o arrependimento e
compunção pelos nossos erros; o bem que fazemos aos outros; a compaixão; a
ternura; o amor; tudo, absolutamente, nos é dado por Deus ou d’Ele provém.
«Tu, o que és? Rico ou pobre? Muitos me
dizem: eu sou pobre, e dizem a verdade. Vejo pobres que possuem alguma coisa;
vejo alguns que são completamente indigentes. Mas aqui está um em cuja casa
abunda o ouro e a prata - oh! Se ele soubesse como é pobre! Reconhecê-lo-ia se
olhasse o pobre que está perto dele. Aliás, seja qual for a tua opulência, tu
que és rico, não passas de um mendigo à porta de Deus.
Eis a hora da oração… Fazes os pedidos; o
pedido não é ele uma confissão da tua pobreza? Com efeito, tu dizes: "O
pão-nosso de cada dia nos dai hoje". Portanto, tu que pedes o teu pão
quotidiano, és tu rico ou pobre? E, contudo, Cristo não tem medo de dizer: "Dá-me o
que eu te dei. De facto, que é que tu trouxeste ao vir a este mundo? Tudo o que
encontraste na criação, fui eu que o criei. Tu não trouxeste nada, não levarás
nada. Porque não me dás o que é meu? Tu estás na abundância e o pobre na
necessidade, mas remonta ao início da vossa existência: ambos nasceram
completamente nus. Mesmo tu, tu nasceste nu. Em seguida tu encontraste aqui em
baixo grandes bens; mas trouxeste por acaso alguma coisa contigo? Peço pois o
que dei; dá e eu restituir-te-ei".
"Tu tens-me por benfeitor; torna-me o teu
devedor, a uma taxa elevada… Dás-me pouco, restituir-te-ei muito. Tu dás-me os
bens deste mundo, eu dar-te-ei os tesouros do céu. Tu dás-me riquezas temporais,
eu instalar-te-ei sobre as posses eternas. Dar-te-ei a ti, quando eu tiver
tomado posse de ti". [1]
O reconhecimento do
pouco que somos e, sobretudo, da nossa incapacidade para, por nós mesmos,
conseguirmos algo, se Deus não o permitir, é uma condição de humildade, sem
dúvida, mas é, antes de mais, a constatação da nossa humanidade. Todas as
nossas acções devem dirigir-se a Deus porque dele viemos e para Ele tendemos e
tudo o que fora disto fizermos está condenado ao fracasso ou, quando muito a
uma satisfação momentânea.
Realmente, não
temos direito a exigir nada porque o nosso mérito, pouco ou muito, depende da
avaliação que o Senhor faça. E, Ele é Justo e não pode querer nada que não seja
o melhor para nós.
É, de facto, um
mistério, a Vontade de Deus a nosso respeito e interrogamo-nos frequentemente
se Ele não estará “surdo” ou “distraído” em face do que nos acontece. Sobretudo
quando as dificuldades apertam e os problemas parecem que se avolumam no
horizonte, as soluções não estão patentes nem vislumbramos uma saída, empenhamo-nos
com veemência na petição.
«Não pedimos com
egoísmo, nem cheios de soberba, nem com avareza, nem por inveja.
Se a nossa petição
é, por exemplo, a ajuda nuns exames, um favor material, curar uma doença, etc.,
devemos examinar na presença de Deus os verdadeiros motivos dessa petição.
Perguntar-lhe-emos na intimidade da nossa alma se isso que solicitámos nos
ajudará a amá-lo mais e a cumprir melhor a Sua Vontade.
Em muitas ocasiões
dar-nos-emos conta do pouco relevo disso que nos parecia de vida ou morte, e
dar-nos-emos conta que aquilo que desejávamos desesperadamente não era assim
tão importante. Saberemos identificar a nossa vontade à Vontade de Deus e,
então, vai muito melhor encaminhada a nossa petição». [2]
(AMA, reflexões).
Evangelho e comentário
Evangelho: Mc 8, 22-26
22 Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe
um cego, pedindo-lhe que o tocasse. 23 Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para
fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou:
«Vês alguma coisa?» 24 Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens;
vejo-os como árvores a andar.» 25 Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos
sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo
com nitidez. 26 Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na
aldeia.»
Comentário:
Uma e outra vez – sempre – devemos repetir actos de Fé,
pedir ao Senhor que a fortaleça a vivifique, que não deixe que ela esmoreça e,
eventualmente, se apague, pelas dificuldades e obstáculos que se vão interpondo
na nossa vida.
Com uma Fé forte, escorreita sem titubeios, teremos
uma visão clara do que nos interessa ver e não sombras mais ou menos esfumadas
da realidade.
(ama, Comentário sobre Mc 8, 22-26, 2014.02.19)
Leitura espiritual
Cartas de São Paulo
Carta a Filémon
Flm 1
Apresentação
e saudação –
1
Paulo, prisioneiro por causa de Cristo Jesus, e o irmão Timóteo, a Filémon,
nosso querido colaborador, 2 à irmã Ápia, a Arquipo, nosso companheiro de luta,
e à igreja que se reúne em tua casa: 3 a vós, graça e paz da parte de Deus,
nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo!
Acção
de graças –
4
Dou graças ao meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações, 5 por
ouvir falar do teu amor e da tua fé: fé no Senhor Jesus e amor para com todos
os santos. 6 Que a tua comunhão de fé se torne eficaz, no reconhecimento de
tudo aquilo que entre nós é considerado bom em relação a Cristo. 7 De facto,
foi grande a alegria e a consolação que tive com o teu amor, porque os corações
dos santos foram reconfortados por meio de ti, irmão.
Pedido
a respeito de Onésimo –
8
Por isso, embora tenha toda a autoridade em Cristo para te impor o que mais
convém, 9 levado pelo amor, prefiro pedir como aquele que sou: Paulo, um ancião
e, agora, até prisioneiro por causa de Cristo Jesus. 10 Peço-te pelo meu filho,
que gerei na prisão: Onésimo, 11 que outrora te era inútil, mas agora é, para
ti e para mim, bem útil. 12 É ele que eu te envio: ele, isto é, o meu próprio
coração. 13 Eu bem desejava mantê-lo junto de mim, para, em vez de ti, se
colocar ao meu serviço nas prisões que sofro por causa do evangelho. 14 Porém,
nada quero fazer sem o teu consentimento, para que o bem que fazes não seja por
obrigação, mas de livre vontade. 15 É que, afinal, talvez tenha sido por isto
que ele foi afastado por breve tempo: para que o recebas para sempre, 16 não já
como escravo, mas muito mais do que um escravo: como irmão querido; isto
especialmente para mim, quanto mais para ti, que com ele estás relacionado
tanto humanamente como no Senhor. 17 Se, pois, me consideras em comunhão
contigo, recebe-o como a mim próprio. 18 E se ele te causou algum prejuízo ou
alguma coisa te deve, põe isso na minha conta. 19 Sou eu, Paulo, que o escrevo
pela minha própria mão: serei eu a pagar. Isto, para não te dizer que me deves
a tua própria pessoa. 20 Sim, irmão, possa eu sentir-me satisfeito contigo no
Senhor: reconforta o meu coração em Cristo. 21 Escrevo-te porque confio na tua
obediência: sei que até farás mais do que aquilo que digo. 22 Mas, ao mesmo tempo,
prepara também alojamento para mim, pois espero, graças às vossas orações,
poder brevemente ser entregue a vós.
Saudações
e bênção –
23
Saúdam-te Epafras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, 24 assim como
Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores. 25 A graça do Senhor
Jesus Cristo esteja convosco.
Nota pessoal de António Mexia Alves
Sou o único autor e administrador de NUNC COEPI que é – de há uns anos para cá – o meu único trabalho.
A ele dedico o melhor do meu esforço numa média de 5/7 horas de trabalho diário.
NUNC COEPI tem – e terá - unicamente fins apostólicos e, por isso, tendo como referência as palavras de Jesus:
«O trabalhador merece o seu sustento» [i]
e sendo a minha situação pessoal difícil em termos económicos, resolvi, sem qualquer hesitação ou prurido publicar esta nota.
Preciso realmente de ajuda e por isso apelo aos leitores de NUNC COEPI que colaborem com essa ajuda que se destina, naturalmente, às despesas correntes como internet, livros, newsletters, etc., indispensáveis para esse mesmo trabalho.
Qualquer quantia constituirá inestimável contributo.
Se decidir contribuir, agradeço o favor de enviar para o meu mail pessoal – ontiano@gmail.com – a indicação que deseja contribuir e, em resposta, indicarei o IBAN da conta para onde poderá fazer a respectiva transferência
Desde já, muito obrigado e a minha garantia de que NUNC COEPI continuará com as suas publicações diárias, assim Deus me ajude e ilumine.
NUNC COEPI é visto regularmente em diferentes países como:
Argentina, Arménia, Bangladesh, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Emiratos Árabes Unidos, Espanha, França, Honduras, Hong Kong, India, Indonésia, Irlanda, Israel, México, Países Baixos, Portugal, Quénia, Roménia, Rússia, Sérvia, Suécia, Suiça, Tailândia, Timor-Leste, Ucrânia, Vietname, Turquemenistão, EUA,
Tem 5.000 amigos no FACEBOOK; 500 "seguidores"; cerca de 20.000 "visitas diárias".
Tem 5.000 amigos no FACEBOOK; 500 "seguidores"; cerca de 20.000 "visitas diárias".
Esta é - para mim - a prova de que o Senhor Se serve - também - de instrumentos fracos e débeis para expandir o Seu Reino nesta terra.
António Mexia Alves
1 no montante de 25 Eur
2 no montante de 200 Eur
Total: 225 Eur
Renovo, portanto, o meu apelo já que a situação se mantém delicada.
António Mexia Alves
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Simplicidade e modéstia.
Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.
Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.
Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
18/02/2020
Sabendo-me pescador de homens... não pesco?
O Senhor quer de ti um apostolado concreto, como o da pesca
daqueles cento e cinquenta e três grandes peixes apanhados à direita da barca,
e não outros. E perguntas-me: "Como é que, sabendo-me pescador de homens,
vivendo em contacto com muitos companheiros e podendo discernir a quem deve ser
dirigido o meu apostolado específico, afinal não pesco?... Falta-me amor?
Falta-me vida interior?". Escuta a resposta dos lábios de Pedro, naquela
outra pesca milagrosa: – "Mestre,
cansámo-nos de trabalhar toda a noite, e não apanhámos nada; apesar disso, sob
a Tua palavra, lançarei a rede". Em nome de Jesus, começa de novo.
Revigorado. – Fora com essa moleza! (Sulco, 377)
O apostolado, essa ânsia que vibra no íntimo do cristão, não é
coisa separada da vida de todos os dias; confunde-se com o próprio trabalho,
convertido em ocasião de encontro pessoal com Cristo. Nesse trabalho, ombro a
ombro com os nossos colegas, com os nossos amigos, com os nossos parentes,
lutando pelos mesmos interesses, podemos ajudá-los a chegar a Cristo, que nos
espera na margem do lago... Antes de ser apóstolo, pescador. Também, pescador
depois de ser apóstolo. Antes e depois, a mesma profissão. (…)
Passa ao lado dos seus Apóstolos, junto daquelas almas que se lhe
entregaram... E eles não se dão conta disso!. (…)Lançai a rede para o lado
direito da barca e encontrareis. Lançaram a rede e já não a podiam tirar por
causa da grande quantidade de peixes. Agora compreendem. Recordam o que tinham
ouvido tantas vezes dos lábios do Mestre: pescadores de homens, apóstolos!... E
compreendem que tudo é possível, porque é Ele quem dirige a pesca. (…)
Os outros discípulos foram com a barca, porque não estavam
distantes de terra, senão duzentos côvados, tirando a rede cheia de peixes. Em
seguida põem a pesca aos pés do Senhor, porque é sua, para que aprendamos que
as almas são de Deus, que ninguém nesta terra pode atribuir a si mesmo essa
propriedade, que o apostolado da Igreja – a palavra e a realidade da salvação –
não se baseia no prestígio de algumas pessoas, mas na graça divina. (Amigos de Deus, nn. 264–267)
THALITA KUM 105
(Cfr. Lc 8, 49-56)
Na
sua ignorância infantil, os filhos pequenos não fazem ideia se, aquilo que
desejam, é ou não conveniente, ou, até prejudicial para eles.
Esse
discernimento compete aos pais que, o exercem, concedendo ou não, no todo ou em
parte, aquilo que o miudito pede. E, a criança, ao ver-lhe negada pelo pai algo
que tanto queria, tem uma primeira atitude de desconsolo e tristeza. Talvez
chore e fique amuado. Mas por pouco tempo. Logo se esquece e volta dar a mão ao
pai em atitude de confiante abandono. O assunto está esquecido e ultrapassado,
a alegria e boa disposição voltam e, a pequena vida continua a ser vivida com
tranquilidade.
Passado
algum tempo, voltará a insistir, usando todas as suas capacidades de convicção,
mirando atentamente o semblante do pai tentando descortinar sinais de mudança
de atitude. E implora, uma e outra vez, retomando sem cansaço as mesmas
atitudes, os mesmos argumentos de criança.
Talvez,
o pai acabe por lhe dar o que com tanta insistência vem pedindo e, se o não
fizer por qualquer razão poderosa, dar-lhe-á em troca uma outra coisa que,
embora não sendo exactamente o que o miúdo desejava, resolve a situação e
apazigua o seu desejo.
«Quando digo a
alguém: roga a Deus, pede-lhe, suplica-lhe, responde-me: já pedi uma vez, duas,
três, vinte vezes e não recebi nada. Não pares, irmão,
até que recebas; a petição termina quando se recebe o que se pediu. Cessa
quando tenhas alcançado: melhor ainda, nem nessa altura cesses. Persevera ainda.
Até receberes, pede para conseguir e quando tenhas conseguido, dá graças.» [1]
Talvez já tenha
ocorrido a alguém pensar que Deus "se faz surdo" aos seus pedidos
porque ficaram por dar graças por favores anteriormente concedidos.
Humanamente, parece
aceitável.
Ser mal-agradecido
não é, seguramente, uma boa referência para fazer um pedido. Embora Deus tudo
perdoe e tudo desculpe, não Lhe é indiferente que sejamos agradecidos ou não. O
próprio Jesus o faz constar no episódio dos dez leprosos. [2]
(AMA, reflexões).
Evangelho e comentário
TEMPO COMUM
Evangelho: Mc 8, 14-21
Comentário:
Neste
trecho de São Marcos ficamos a saber algo importante:
Jesus
confirma duas multiplicações de pães e de peixes.
Milagres
extraordinários que deveriam ter deixado os discípulos “esmagados” com a prova
do poder divino de Jesus.
E,
no entanto, São Pedro terá insistido com São Marcos para que fizesse constar no
Evangelho esta ocorrência que relata e põe a nu a fraqueza da fé dos Apóstolos,
as suas dúvidas e insegurança.
Como
devemos estar gratos ao Príncipe dos Apóstolos e ao Evangelista darem-nos este
exemplo de humildade em que se revelam homens comuns – como nós – sem nenhuns
predicados nem conhecimentos especiais.
(AMA,
comentário sobre Mc 8, 14-21, 17.10.20179)
Leitura espiritual
Cartas de São Paulo
Carta a Filémon
Pelo
tema e pelo tom afectuoso, esta é certamente uma Carta autêntica de Paulo
(v.19). Filémon era um cristão de elevada posição social, convertido por Paulo,
e tinha como escravo um outro cristão, Onésimo. Este, tendo fugido ao seu senhor,
refugiou-se junto de Paulo (v.10), que o refere em Cl 4,9 como «irmão fiel e
querido». Este facto era motivo de graves penas civis, tanto para o escravo
como para quem o acolhia.
Paulo,
prescindindo da questão legal, envia-o ao seu senhor com o presente “bilhete” e
pede a Filémon que acolha de novo, não como escravo, mas «como irmão querido»
(v.16), um irmão na fé. Mais: como se fosse o próprio Paulo (v.17).
LUGAR
Pelo
que é dito no v.1, a Carta terá sido escrita num dos cativeiros de Paulo (Roma,
Éfeso ou Cesareia), nos últimos anos da sua vida (ver v.9-10.13.18). Os
companheiros referidos aqui (v.23-24) são os mencionados em Cl 4,7-17.
DIVISÃO
E CONTEÚDO
Esta
tem a estrutura normal das Cartas de Paulo:
Apresentação
e saudação: v.1-3;
Acção
de graças: v.4-7;
Corpo
da Carta: v.8-22;
Saudação
final: v.23-25.
TEOLOGIA
Como
noutras ocasiões em que trata a questão da escravatura, Paulo não se preocupa
em mudar a estrutura social em vigor (1 Cor 7,20-24; Ef 6,5-9; Cl 3,22-4,1). O
que ele faz é prescindir disso e deslocar o problema para a questão do amor
fraterno, mais profunda que a questão legal em vigor, pois, em Cristo, «não há
escravo nem livre» (Gl 3,28).
Daí
em diante, Filémon deve tratar o (antigo) escravo Onésimo como irmão, porque
Paulo está disposto a recompensá-lo monetariamente, isto é, a resgatar Onésimo.
Com
isto, Paulo, embora não se oponha frontalmente à escravatura, tão-pouco a
aprova; e afirma que o amor fraterno, centro do Evangelho de Cristo, é que
levará à eliminação da escravatura.
17/02/2020
É preciso que sejas homem de vida interior
É preciso que sejas "homem de Deus", homem de vida interior,
homem de oração e de sacrifício. – O teu apostolado deve ser uma
superabundância da tua vida "para dentro". (Caminho, 961)
Vida interior. Santidade nas tarefas usuais, santidade nas coisas
pequenas, santidade no trabalho profissional, nas canseiras de todos os
dias...; santidade para santificar os outros. Numa certa ocasião, um meu
conhecido – nunca hei-de chegar a conhecê-lo bem – sonhava que ia a voar num
avião a uma grande altura, mas não dentro da cabine; ia montado nas asas.
Coitado do desgraçado: como sofria e se angustiava! Parecia que Nosso Senhor
lhe dava a conhecer que assim andam pelas alturas – inseguras, inquietas – as
almas apostólicas que não têm vida interior ou que a descuidam: com o perigo
constante de caírem, sofrendo, incertas.
E penso, efectivamente, que correm um sério risco de se
extraviarem os que se lançam à acção – ao activismo – prescindindo da oração,
do sacrifício e dos meios indispensáveis para conseguir uma piedade sólida: a
frequência dos Sacramentos, a meditação, o exame de consciência, a leitura
espiritual, a convivência assídua com a Virgem Santíssima e com os Anjos da
Guarda... Tudo isto contribui, além disso, com uma eficácia insubstituível,
para que o caminho do cristão seja tão agradável, porque da sua riqueza
interior jorram a doçura e a felicidade de Deus como o mel do favo.
Na intimidade pessoal, na conduta externa, no convívio com os outros,
no trabalho, cada um há-de procurar manter-se numa contínua presença de Deus,
com uma conversa – um diálogo – que não se manifesta exteriormente. Melhor
dito, não se exprime normalmente com ruído de palavras, mas há-de notar-se pelo
empenho e pela diligência amorosa com que acabamos bem as tarefas, tanto as
importantes como as insignificantes. Se não procedêssemos com essa constância,
seríamos pouco coerentes com a nossa condição de filhos de Deus, pois teríamos
desperdiçado os recursos que Nosso Senhor colocou providencialmente ao nosso
alcance, para chegarmos ao estado de homem perfeito, à medida da idade perfeita
segundo Cristo. (Amigos
de Deus, 18–19)
THALITA KUM 104
(Cfr. Lc 8, 49-56)
Jesus retoma a
conversa com Jairo, mas por pouco tempo. Este é interpelado por dois de sua
casa que, pressurosos, «vêm dizer-lhe:
Tua filha morreu. Para que incomodar mais o Mestre?»
É um choque para Jairo,
desconsolado, pensa que se não fosse, talvez, a interrupção da hemorroíssa, já
teriam chegado a casa e ainda a tempo de evitar tão doloroso desfecho. Fica
abatido e amargurado. Fora em vão o seu intento de arrastar Jesus a sua casa
para que operasse o milagre da cura da sua querida filha.
Mas, Jesus, retoma
o seu braço e, na sua voz profunda e apaziguadora diz-lhe:
«Não temas; basta que tenhas fé.»
Jairo recompõe-se.
A mesma fé que o
trouxera ao Mestre, regressa agora mais forte. Por momentos duvidara, mas
agora, a dúvida converte-se em certeza:
Jesus fará o que
lhe pediu.
Connosco acontece
muitas vezes o mesmo que a Jairo.
Rezamos, cheios de
fé pedindo auxílio, protecção, um favor. No
nosso íntimo reside a convicção que o Senhor nos ouve e nos fará o que Lhe
pedimos. Mas, quando não se verifica o que ambicionámos, quando parece que foi
em vão o nosso pedido, não obstante a confiança que nele pusemos, o desânimo
apodera-se de nós e como que uma frustração entra insidiosamente destruindo a
nossa confiança.
Queremos que Deus
nos faça exactamente o que Lhe pedimos e, se o não faz, sentimo-nos abandonados
e preteridos na nossa petição. Chegamos, por vezes, a duvidar que Deus nos
escute.
Atrever-me-ia a
dizer que o Senhor concede a graça que pedimos movido pelo esforço, empenho e
persistência que pusemos da nossa parte em conquistá-la.
Com Deus não se
fazem chantagens ou exercem pressões, ou se fazem negócios do género: se me
concederes isto eu, faço aquilo.
O leproso diz-lhe
muito claramente:
E temos de admitir, reconhecer e
estar preparados para que Deus não queira.
Nos Seus desígnios,
Ele sabe o que é melhor para nós.
Confiança no
Senhor, sem dúvida, mas uma confiança total, absoluta.
Uma confiança de
filhos que têm a certeza que o seu Pai jamais lhes concederá algo que não seja
para seu próprio bem.
(AMA, reflexões).
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