29/01/2020

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Mc 4, 1-20

1 De novo começou a ensinar à beira-mar. Uma enorme multidão vem agrupar-se junto dele e, por isso, sobe para um barco e senta-se nele, no mar, ficando a multidão em terra, junto ao mar. 2 Ensinava-lhes muitas coisas em parábolas e dizia nos seus ensinamentos: 3 «Escutai: o semeador saiu a semear. 4 Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho e vieram as aves e comeram-na. 5 Outra caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra e logo brotou, por não ter profundidade de terra; 6 mas, quando o sol se ergueu, foi queimada e, por não ter raiz, secou. 7 Outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, sufocaram-na, e não deu fruto. 8 Outra caiu em terra boa e, crescendo e vicejando, deu fruto e produziu a trinta, a sessenta e a cem por um.» 9 E dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.» 10 Ao ficar só, os que o rodeavam, juntamente com os Doze, perguntaram-lhe o sentido da parábola. 11 Respondeu: «A vós é dado conhecer o mistério do Reino de Deus; mas, aos que estão de fora, tudo se lhes propõe em parábolas, 12 para que ao olhar, olhem e não vejam, ao ouvir, oiçam e não compreendam, não vão eles converter-se e ser perdoados.» 13 E acrescentou: «Não compreendeis esta parábola? Como compreendereis então todas as outras parábolas? 14 O semeador semeia a palavra. 15 Os que estão ao longo do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; e, mal a ouvem, chega Satanás e tira a palavra semeada neles. 16 Do mesmo modo, os que recebem a semente em terreno pedregoso, são aqueles que, ao ouvirem a palavra, logo a recebem com alegria, 17 mas não têm raiz em si próprios, são inconstantes e, quando surge a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo desfalecem. 18 Outros há que recebem a semente entre espinhos; esses ouvem a palavra, 19 mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e as restantes ambições entram neles e sufocam a palavra, que fica infrutífera. 20 Aqueles que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, a recebem, dão fruto e produzem a trinta, a sessenta e a cem por um.»


Comentário:

Como comentar este trecho do Evangelho?

Com as minhas pobres palavras humanas?

Não!

Deixo o comentário mais completo, esclarecedor e definitivo que é aquele que o próprio Senhor faz, na explicação da parábola.

(AMA, comentário sobre Mc 4, 1-20, 02.10.2017)


Leitura espiritual


Cartas Católicas

1ª Carta de João

O Novo Testamento inclui três Cartas atribuídas a João. A 1.ª sempre foi aceite como escrito inspirado; as dúvidas de autenticidade incidem na 2.ª e na 3.ª, certamente por serem menos conhecidas e utilizadas, dado o seu menor interesse e importância. No entanto, já aparecem no Cânon de Muratori (pelo ano 180).

AUTOR

Deve ser o mesmo do IV Evangelho, atendendo às enormes semelhanças de vocabulário, estilo, ideias e doutrina. As Cartas não aparecem assinadas, como as restantes do NT; apenas a 2.ª e a 3.ª se dizem ser do Ancião (Presbítero), sem declarar o seu nome. Toda a tradição as atribuiu ao Apóstolo João. O título de «o Ancião» não constitui uma dificuldade para a autoria apostólica dos escritos, pois o artigo “o” deixa ver que não se trata de um ancião qualquer, mas de «o Ancião» por excelência, dotado de grande autoridade, quando o Apóstolo já teria uma idade muito avançada. Pedro também assim se autodesigna em 1 Pe 5,1.

Se é certo que na 1.ª DE JOÃO o autor faz parte de um “nós”, também é certo que não fica diluído nesse colectivo, pois sobressai acima da sua comunidade como alguém que teve um contacto pessoal e directo com o próprio Jesus: «O que ouvimos, o que vimos... e as nossas mãos tocaram…» (1 Jo 1,1-4).

COMPOSIÇÃO

A crítica levantou objecções contra a unidade da 1.ª Carta, partindo de que se misturam nela dois estilos um polémico, outro homilético e também posições contrárias quanto à pecabilidade dos cristãos: não podem pecar (3,6.9; 5,18); podem pecar (1,8-2,1; 3,3; 5,16-17). Mas esta contradição parece ser apenas aparente: deve-se ao estilo semita do autor, que gosta de afirmações absolutas e contundentes, sem se preocupar com os matizes; assim, o cristão «não pode pecar» (3,9), corresponde a o cristão “não deve pecar”.

Alguns autores consideram que, assim como no IV Evangelho pode ter havido uma redacção sucessiva com a intervenção de um redactor final, discípulo e continuador fiel do Apóstolo, o mesmo poderia ter acontecido também com esta Carta. Com efeito, o “nós” coaduna-se bem com o grupo de colaboradores e chefes da comunidade dirigida pelo Discípulo Amado.

Um caso à parte foi o do chamado “Comma ioanneum” (o acrescento a 1 Jo 5,7: «No Céu: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e estes três são um só.

E são três a dar testemunho na terra»), que motivou tanta discussão inútil. Hoje não há dúvidas de que não é autêntico, por se tratar de uma glosa tardia, posterior à própria Vulgata.

DESTINATÁRIOS, FINALIDADE E DATA

Cada uma das Cartas tem as suas características próprias:

1.ª Carta não tem endereço e não parece ser dirigida apenas a uma comunidade, mas provavelmente ao conjunto das igrejas que estavam ligadas ao Apóstolo João. A tradição diz que ele passou os seus últimos tempos em Éfeso; os destinatários seriam provavelmente as comunidades cristãs da Ásia Proconsular, sobretudo aquelas a quem se endereçam as Cartas do início do Apocalipse.

DIVISÃO E CONTEÚDO

1 Jo pode estruturar-se do modo seguinte:

Prólogo: 1,1-4;
I. Caminhar na Luz: 1,5-2,29;
II. Viver como filhos de Deus: 3,1-24;
III. A fé e o amor: 4,1-5,12;
Conclusão: 5,13-21.

A Carta não foi escrita apenas para reavivar a fé em Cristo e o amor aos irmãos; parece ser, antes de mais, um escrito polémico: perante a ameaça de erros graves, apresenta fórmulas claras e confissões obrigatórias da fé, como garantia da fé genuína e sinal da ortodoxia (4,1-3).

Parece que se enfrenta com os gnósticos, que afirmavam ter um conhecimento directo de Deus e negavam tanto a vinda de Deus «em carne mortal» (4,2) como a identidade entre o Cristo celeste e o Jesus terreno (2,22). Para eles, o Jesus terreno não passava de um mero instrumento de que o Cristo celeste se tinha servido para comunicar a sua mensagem, descendo a Ele por ocasião do Baptismo e abandonando-o por ocasião da Paixão; e assim negavam a Incarnação e a morte do Filho de Deus, e o seu valor redentor. Daí o seu ensino categórico: o Filho de Deus, «Jesus Cristo, é aquele que veio com água e com sangue; e não só com a água, mas com a água e com o sangue» (5,6); isto é, Deus não abandonou o homem Jesus antes da sua Paixão e Morte.

Esta Carta, de uma notável riqueza doutrinal e numa forma mais desenvolvida, é considerada posterior ao IV Evangelho e terá sido escrita nos últimos anos do séc. I.


Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?








28/01/2020

NUNC COEPI Publicações de hoje


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NUNC COEPI


A correcção fraterna


A prática da correcção fraterna – que tem tradição evangélica – é uma manifestação de carinho sobrenatural e de confiança. Agradece-a quando a receberes, e não deixes de praticá-la com quem convives. (Forja, 566)


Sede prudentes e actuai sempre com simplicidade, virtude tão própria dos bons filhos de Deus. Sede naturais na vossa linguagem e na vossa actuação. Chegai ao fundo dos problemas; não fiqueis à superfície. Reparai que é preciso contar antecipadamente com o sofrimento alheio e com o nosso, se desejamos deveras cumprir santamente e com honradez as nossas obrigações de cristãos.

Não vos oculto que, quando tenho que corrigir ou tomar uma decisão que fará sofrer alguém, padeço antes, durante e depois; e não sou um sentimental. Consola-me pensar que só os animais não choram; nós, os homens, filhos de Deus, choramos. Sei que em determinados momentos, também vós tereis que sofrer, se vos esforçardes por levar a cabo fielmente o vosso dever. Não vos esqueçais de que é mais cómodo – mas é um descaminho – evitar o sofrimento a todo o custo, com o pretexto de não magoar o próximo; frequentemente o que se esconde por trás desta omissão é uma vergonhosa fuga ao sofrimento próprio, porque normalmente não é agradável fazer uma advertência séria a alguém. Meus filhos, lembrai-vos de que o inferno está cheio de bocas fechadas.

(...) Para curar uma ferida, primeiro limpa-se esta muito bem e inclusivamente ao seu redor, desde bastante distância. O médico sabe perfeitamente que isso dói, mas se omitir essa operação, depois doerá ainda mais. A seguir, põe-se logo o desinfectante; arde – pica, como dizemos na minha terra – mortifica, mas não há outra solução para a ferida não infectar.

Se para a saúde corporal é óbvio que se têm de tomar estas medidas, mesmo que se trate de escoriações de pouca importância, nas coisas grandes da saúde da alma – nos pontos nevrálgicos da vida do ser humano – imaginai como será preciso lavar, como será preciso cortar, como será preciso limpar, como será preciso desinfectar, como será preciso sofrer! A prudência exige-nos intervir assim e não fugir ao dever, porque não o cumprir seria uma falta de consideração e inclusivamente um atentado grave, contra a justiça e contra a fortaleza. (Amigos de Deus, nn. 160–161)



THALITA KUM 84


THALITA KUM 84

(Cfr. Lc 8, 49-56)


Esta pureza de coração, esta simplicidade há-de levar-nos a um diálogo íntimo com Jesus, com confiança plena de sermos atendidos e que Ele nos mandará em paz, curados dos nossos males.
Esta é uma atitude interior, repito, que devemos lutar diariamente por conseguir.
Sendo homens, “muito homens”, aplicando e pondo em prática todas as nossas capacidades e os nossos talentos, mas com a simplicidade interior de quem sabe que não vale nada, porque não somos mais que instrumentos nas mãos de Deus.
Tanto vale que ensinemos numa Universidade, como trabalhemos no campo, atrás de um balcão de loja, ou à secretária de um escritório.

Aos olhos do Senhor temos, cada um de nós, um valor intrínseco de homens como tais, não pelo que somos, mas pelo que fazemos e como fazemos.

Cito novamente S. Josemaria:

«Sê instrumento de ouro ou de aço, de platina ou de ferro...grande ou pequeno, delicado ou tosco...
Todos são úteis; cada um tem a sua missão própria. Como no mundo material: quem se atreverá a dizer que é menos útil o serrote do carpinteiro do que as pinças do cirurgião? O teu dever é ser instrumento». [1]

«A tua fé te salvou», disse Jesus à hemorroíssa.


AMA, reflexões sobre o Evangelho, 2006)



[1] S. Josemaria Escrivá, Caminho, 484.

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM


São Tomás de Aquino – Doutor da Igreja

Evangelho: Mc 3, 31-35

31 Nisto chegam sua mãe e seus irmãos que, ficando do lado de fora, o mandam chamar. 32 A multidão estava sentada em volta dele, quando lhe disseram: «Estão lá fora a tua mãe e os teus irmãos que te procuram.» 33 Ele respondeu: «Quem são minha mãe e meus irmãos?» 34 E, percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: «Aí estão minha mãe e meus irmãos. 35 Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.»

Comentário:

Sendo da família de Cristo temos de convir que não somos pouca coisa, bem pelo contrário, gerados no amor de Deus temos que tentar por todos os meios duas coisas principais:

Pagar amor com amor e, ser dignos da linhagem a que pertencemos.

Só a dignidade e unidade de vida permitirá que o consigamos.

Sermos um com Ele como Ele é um com o Pai


(AMA, comentário sobre Mc 3, 31-35, Monte Real, Convento, 24.01.2017)


Leitura espiritual


Cartas Católicas

2ª Carta de Pedro

2Pe 3

III. A SEGUNDA VINDA DO SENHOR (3,1-16)

A doutrina da Fé –

1 Caríssimos, esta é a segunda Carta que vos escrevo. Tanto numa como noutra, procuro com as minhas exortações despertar em vós uma correcta maneira de pensar, 2 a fim de que vos recordeis das coisas preditas pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador, transmitido pelos vossos Apóstolos.

Erros escatológicos –

3 Antes de mais, ficai a saber que, nos últimos dias, hão-de vir uns impostores trocistas, que viverão segundo as suas más paixões e, troçando, 4 vos perguntarão: «Em que fica a promessa da sua vinda? Desde que os pais morreram, tudo continua na mesma, como desde o princípio do mundo!» 5 Esquecem-se propositadamente de que, noutros tempos, havia uns céus e uma terra que a palavra de Deus tornou firmes a partir da água e no meio das águas; 6 e, em virtude destas, o mundo de então pereceu afogado. 7 Quanto aos céus e à terra que agora existem, a mesma palavra os tem reservados para o fogo, mantendo-os até ao dia do juízo e da perdição dos ímpios. 8 Mas há uma coisa, caríssimos, que não deveis esquecer: um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um só dia. 9 Não é que o Senhor tarde em cumprir a sua promessa, como alguns pensam, mas simplesmente usa de paciência para convosco, pois não quer que ninguém pereça, mas que todos se convertam. 10 Porém, o Dia do Senhor chegará como um ladrão: os céus desaparecerão com estrondo, os elementos do mundo abrasados dissolver-se-ão, assim como a terra e as obras que nela houver.

Urgência de estar preparados –

11 Uma vez que todas as coisas serão assim destruídas, como deve ser santa a vossa vida e a vossa piedade, 12 enquanto esperais e apressais a chegada do dia de Deus, quando os céus, a arder, se desintegrarem e os elementos do mundo, com o ardor do fogo, se derreterem! 13 Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos uns novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça. 14 Portanto, caríssimos, enquanto esperais estes acontecimentos, esmerai-vos para que Ele vos encontre imaculados, irrepreensíveis e em paz. 15 Considerai que a paciência de Nosso Senhor é para nossa salvação. Nesta ordem de ideias, escreveu-vos também o nosso caríssimo irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi concedida. 16 E assim fala em todas as Cartas em que trata destes temas; há nelas alguns temas difíceis, que os ignorantes e pouco firmes deturpam - como fazem às restantes Escrituras - para a sua própria perdição.

Conclusão –

17 Vós, caríssimos, dado que sabeis isto de antemão, estai alerta para que não venhais a descair da vossa firmeza, arrastados pelo erro desses malvados. 18 Crescei, antes, na graça e no conhecimento do Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A Ele seja dada glória, agora e até ao dia eterno. Ámen.




Perguntas e respostas

A EUTANÁSIA

1.           Nestes casos pode aplicar-se a eutanásia?

Não, não.
Para entendê-lo pode ser suficiente pensar na questão temporal: se em vez de ser incurável, fosse uma enfermidade que durasse uma semana ou um mês, seria correcta a eutanásia?...
E se em vez de um mês durasse um ano ou três a curar-se?...
E se fossem oito ou quinze?
E se a saúde voltasse ao fim de 30 ou 40 anos?...
E se fosse ao fim de cinquenta anos que se restabelecesse, seria correcto matá-lo agora?...
E se ao cabo de uns anos os médicos descobrissem uma antídoto ou uma prótese, ou uma técnica por computador nova?...

Definitivamente, uma circunstância de tempo não legitima um assassinato.

ID, (Tradução por AMA)

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




27/01/2020

NUNC COEPI Nota de AMA

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NUNC COEPI


Nunca actueis por medo ou por rotina


Atravessas uma etapa crítica: um certo vago temor; dificuldade em adaptares o plano de vida; um trabalho angustiante, porque não te chegam as vinte e quatro horas do dia para cumprir todas as tuas obrigações... Já experimentaste seguir o conselho do Apóstolo: "Faça-se tudo com decoro e com ordem", quer dizer, na presença de Deus, com Ele, por Ele e só para Ele? (Sulco 512)


E como é que vou conseguir – parece que me perguntas – actuar sempre com esse espírito, que me leve a concluir com perfeição o meu trabalho profissional? A resposta não é minha. Vem de S. Paulo: Trabalhai varonilmente, sede fortes. Que tudo, entre vós, se realize na caridade. Fazei tudo por Amor e livremente. Nunca actueis por medo ou por rotina: servi ao Nosso Pai Deus.

Gosto muito de repetir – porque tenho experimentado bem a sua mensagem – aqueles versos pouco artísticos, mas muito gráficos: Minha vida é toda amor / Se em amor sou entendido, / Foi pela força da dor, / Pois ninguém ama melhor / Que quem muito haja sofrido.

Ocupa-te dos teus deveres profissionais por Amor. Faz tudo por Amor – insisto – e comprovarás as maravilhas que produz o teu trabalho, precisamente porque amas, embora tenhas de saborear a amargura da incompreensão, da injustiça, da ingratidão e até do próprio fracasso humano. Frutos saborosos, sementes de eternidade!

Acontece, porém, que algumas pessoas – são boas, bondosas – afirmam por palavras que aspiram a difundir o formoso ideal da nossa fé, mas se contentam na prática com uma conduta profissional superficial e descuidada, própria de cabeças-no-ar. Se nos encontrarmos com alguns destes cristãos de fachada, temos de ajudá-los com carinho e com clareza e recorrer, quando for necessário, a esse remédio evangélico da correcção fraterna: Irmãos, se porventura alguém for surpreendido nalguma falta, vós, os espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão; e tu, acautela-te a ti mesmo, não venhas também a cair na tentação. Levai os fardos uns dos outros e desse modo cumprireis a lei de Cristo. (Amigos de Deus, nn. 68–69)


THALITA KUM 83


THALITA KUM 83 

(Cfr. Lc 8, 49-56)


Na nossa vida corrente com certeza que já passamos por dificuldades e tivemos de pedir ajuda: a um amigo, a uma instituição etc.
Nessas ocasiões procuramos ser claros e muito concretos, não escondendo a dificuldade nos seus contornos.
É natural que nos tenha custado ter de relatar e esclarecer as circunstâncias ou motivos que nos levaram a esse pedido de auxílio, mas pensamos, com lógica, que se quem nos atende desconfiasse, por intuição ou por informações que tivesse, que não estávamos a ser totalmente verdadeiros, ficaria comprometida a ajuda.

Pois com Deus as coisas são mais sérias, pois Ele conhece, com certeza absoluta, tudo que temos dentro de nós.
Qual é o Pai que não fica "desarmado" perante o filho pequeno que lhe confessa um disparate?
Deus Nosso Senhor, Pai amorosíssimo, deixa-se tocar pela nossa sinceridade.

Diz S. Josemaria:

«Não te esqueças que o Senhor tem predilecção pelas crianças e pelos que se fazem como crianças». [1]

O facto é que na nossa vida de homens adultos, as nossas preocupações e problemas, fazem-nos esquecer esta predilecção de Jesus pelas crianças.
Esquecemo-nos até, frequentemente, daquela passagem do Evangelho:

«Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele». [2]

Esta atitude de criança que o Senhor pretende e deseja ver em nós, não é senão a simplicidade.
As crianças são simples e vêm as coisas com olhos puros. Assumem com naturalidade os pequenos disparates que fazem porque sabem que o seu Pai lhes perdoará.
Não têm malícia nem procuram esquemas complicados para tornear a verdade.


AMA, reflexões sobre o Evangelho, 2006)



[1] S. Josemaria Escrivá, Caminho, 872.
[2] Mc 10, 15.

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Mc 3, 22-30

22 E os doutores da Lei, que tinham descido de Jerusalém, afirmavam: «Ele tem Belzebu!» E ainda: «É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios.» 23 Então, Jesus chamou-os e disse-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? 24 Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar; 25 e se uma família se dividir contra si mesma, essa família não pode subsistir. 26 Se, portanto, Satanás se levanta contra si próprio, está dividido e não poderá subsistir; é o seu fim. 27 Ninguém consegue entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens sem primeiro o amarrar; só depois poderá saquear-lhe a casa. 28 Em verdade vos digo: todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem os filhos dos homens, tudo lhes será perdoado; 29 mas, quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão: é réu de pecado eterno.» 30 Disse-lhes isto porque eles afirmavam: «Tem um espírito maligno.»

Comentário:

Este trecho de São Marcos demonstra bem até onde pode chegar o espírito retorcido e malévolo, a ausência critério e, até o simples senso comum.

Na ânsia de criticar, descobrir algo passível de reprovação chega-se ao extremo de apresentar argumentos sem nexo nem lógica.

Não interessa, o que não se quer entender e muito menos aceitar: tem de ser denegrido qualquer forma.

Também, hoje em dia não faltam estes "iluminados" por umas teorias e ideologias que pretendem ser a "nova ordem" pela qual o mundo se tem de reger.

Atenção às palavras de Cristo: tais pecados que revelam total ausência respeito devido a Deus e mantêm o homem voluntariamente afastado dele, não terão perdão!


(AMA, comentário sobre Mc 3, 22-30, Carvide, 27,01.2017)


Leitura espiritual

Cartas Católicas

2ª Carta de Pedro

2Pe 2

II. DENÚNCIA DOS FALSOS MESTRES (2,1-22)

Os falsos mestres (Jd 4-19) –

1 Assim como houve entre o povo de Israel falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres; introduzirão disfarçadamente heresias perniciosas e, indo ao ponto de negar o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si mesmos uma rápida perdição. 2 Muitos hão-de segui-los na sua libertinagem e, por causa deles, o caminho da verdade será blasfemado; 3 movidos pela cobiça, hão-de explorar-vos com palavras enganadoras. Mas a sua condenação há muito que não perde pela demora e a sua ruína não dorme.

Um castigo inevitável –

4 Com efeito, Deus não poupou os anjos que pecaram mas, precipitando-os no Inferno, entregou-os a um fosso de trevas, onde estão reservados para o Juízo; 5 e não poupou o mundo antigo, embora tenha preservado oito pessoas, contando Noé, o arauto da rectidão, quando desencadeou o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; 6 e condenou as cidades de Sodoma e Gomorra à destruição, reduzindo-as a cinzas, para servirem de exemplo aos ímpios que viriam depois; 7 mas livrou o justo Lot, deprimido pela vida dissoluta daquela gente depravada, 8 pois este justo, morando no meio deles, sentia atormentada a sua alma recta, devido às obras malvadas que via e ouvia, dia após dia. 9 É que o Senhor sabe livrar da provação quem é piedoso e reservar os maus para o castigo do dia do juízo, 10 principalmente aqueles que correm atrás dos desejos impuros do corpo e desprezam a autoridade do Senhor.

A moral dos falsos mestres –

11 Audaciosos e arrogantes, não temem ultrajar seres gloriosos, ao passo que os anjos, superiores em força e poder, não pronunciam um juízo injurioso contra eles, diante do Senhor. 12 Estes, porém, semelhantes a animais irracionais, destinados por natureza a serem caçados e mortos, falam mal do que não conhecem e, assim, morrerão como animais, 13 sofrendo o mal pelo mal que fizeram. Põem a sua satisfação no gozo de um dia e são homens imundos e corrompidos, que sentem prazer em enganar, enquanto se banqueteiam convosco. 14 Os seus olhos estão cheios de adultério e não se fartam de pecar. Seduzem as almas débeis; o seu coração está acostumado à cobiça; são filhos da maldição. 15 Abandonaram o caminho recto e extraviaram-se no caminho de Balaão, filho de Bosor que foi atrás do salário da iniquidade, 16 mas foi repreendido pela sua desobediência: um jumento mudo, falando com voz humana, deteve a insensatez do profeta. 17 Esses são fontes sem água e nuvens agitadas pela tempestade, para quem está reservada a mais tenebrosa escuridão. 18 Gritam discursos empolados e vazios e, excitando as paixões carnais e a devassidão, seduzem aqueles que começam a afastar-se dos que vivem no erro. 19 Prometem-lhes a liberdade, quando eles próprios são escravos da corrupção, pois é-se escravo daquele por quem nos deixamos vencer.

Gravidade da apostasia –

20 Com efeito, se aqueles que fugiram da corrupção do mundo, pelo conhecimento de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador, se deixam de novo enredar e vencer por ela, o seu último estado torna-se pior do que o primeiro. 21 Melhor lhes fora não ter conhecido o caminho da justiça do que, depois de o conhecer, voltar atrás, abandonando a lei santa que lhes foi transmitida. 22  Acontece-lhes o que diz aquele provérbio tão acertado: «O cão volta ao seu vómito e a porca, acabada de lavar, volta a revolver-se na lama.»