
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
16/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé
São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Pode parecer a alguns que
falar de amor não é próprio de homens adultos, que é coisa mais própria de
jovens ou feminino.
Quem assim pensa não
entende nada a respeito do amor.
O amor é o sentimento mais
belo do ser humano, aliás é exclusivo do ser humano.
Têm associadas virtudes,
ou sentimentos como o perdão, compreensão, solidariedade.
Sem amor o homem perde-se
em ódios, repúdios, indiferenças,
Normalmente é uma pessoa
sem amigos, amarga, intratável e, pior ainda, egoísta.
Não tenhamos
dúvidas: o amor rege a vida humana em todos os seus aspectos.
Atrever-me-ia
a dizer, até, que mesmo o chamado "amor-próprio", tem a sua
importância na medida em que, bem orientado e sem excessos, nos leva a um
procedimento mais justo e um comportamento mais equilibrado.
(AMA,
reflexões)
Evangelho e comentário
Evangelho: Mc 8, 27-35
27 Jesus partiu com os discípulos para
as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, fez aos discípulos esta pergunta:
«Quem dizem os homens que Eu sou?» 28 Disseram-lhe: «João Baptista; outros, Elias;
e outros, que és um dos profetas.» 29«E vós, quem dizeis que Eu sou?» -
perguntou-lhes. Pedro tomou a palavra, e disse: «Tu és o Messias.» 30 Ordenou-lhes,
então, que não dissessem isto a ninguém. 31 Começou, depois, a ensinar-lhes que
o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos
sumos-sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de
três dias. 32 E dizia claramente estas coisas. Pedro, desviando-se com Ele um
pouco, começou a repreendê-lo. 33 Mas Jesus, voltando-se e olhando para os
discípulos, repreendeu Pedro, dizendo-lhe: «Vai-te da minha frente, Satanás,
porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens.» 34 Chamando
a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser
vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35 Na verdade,
quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por
causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la.
Comentário:
Não posso deixar de sentir
um carinho muito especial por Pedro.
Tão depressa é louvado e
bem-dito pelo Senhor como merece a Sua reprovação contundente.
Pedro é um homem
verdadeiro, com o coração nas mãos, a palavra que não retém, o impulso que o
leva a assumir atitudes, por vezes, drásticas – como no Horto das Oliveiras
atacando à espada os que vinham prender o Mestre – e, ao mesmo tempo, um homem
frágil, medroso – como quando tem medo do mar revolto pelo vento impetuoso e
pede ao Senhor que lhe estenda a mão – e, cobarde como quando nega por três
vezes, no pátio de Caifás, conhecer Jesus.
Em tudo, me parece, que me
assemelho com Pedro com as minhas dúvidas, hesitações, impulsos de amor e, ao
mesmo tempo, negando, mentindo, fugindo.
Que me dera parecer-me com
o Príncipe dos Apóstolos também no meu serviço total e sem condições e levar
para frente – apesar do nada que sou – os planos que o Senhor tem para aminha
vida.
(ama, Comentário sobre Mc 8, 27-35, 16.02.2017)
A Cruz às costas, com um sorriso nos lábios
Quanto mais de Cristo fores, maior graça
terás para a tua eficácia na terra e para a felicidade eterna. Mas tens de
decidir-te a seguir o caminho da entrega: a Cruz às costas, com um sorriso nos
lábios, com uma luz na alma (Via
Sacra, 2ª Estação, n. 3).
Ouves dentro de ti: "Como pesa esse
jugo que livremente tomaste!"... É a voz do diabo; o fardo... da tua
soberba. Pede humildade ao Senhor, e também tu entenderás aquelas palavras de
Jesus: iugum enim meum suave est, et onus
meum leve (Mt 9, 30), que me agrada traduzir, livremente, assim:
o meu jugo é a liberdade, o meu jugo é o amor, o meu jugo é a unidade, o meu
jugo é a vida, o meu jugo é a eficácia (Via Sacra, 2ª Estação, n. 4).
Há no ambiente uma espécie de medo da
cruz, da Cruz do Senhor. Tudo porque começaram a chamar cruzes a todas as
coisas desagradáveis que acontecem na vida, e não sabem aceitá-las com sentido
de filhos de Deus, com visão sobrenatural.
Até tiram as cruzes que os nossos avós
levantaram nos caminhos!
Na Paixão, a Cruz deixou de ser símbolo
de castigo para se converter em sinal de vitória. A Cruz é o emblema do
Redentor: in quo est salus, vita et
ressurrectio nostra, ali está a nossa salvação, a nossa vida e a nossa
ressurreição. (Via Sacra, 2ª Estação, n. 5).
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa 82 a 85
82
Hoje e ontem
A liturgia do Domingo de
Ramos põe na boca dos cristãos este cântico: levantai, portas, os vossos
dintéis; levantai-vos, portas antigas, para que entre o Rei da glória.
Quem fica recluso na
cidadela do seu egoísmo não descerá ao campo de batalha.
Contudo, se levantar as
portas da fortaleza e permitir que entre o Rei da Paz, sairá com ele a combater
contra toda essa miséria que embacia os olhos e insensibiliza a consciência.
Levantai as portas
antigas.
Esta exigência de combate
não é nova no Cristianismo.
É a verdade perene.
Sem luta, não se consegue
a vitória; sem vitória não se alcança a paz.
Sem paz, a alegria humana
será só uma alegria aparente, falsa, estéril, que não se traduz na ajuda aos
homens, nem em obras de caridade e de justiça, de perdão e de misericórdia, nem
em serviço de Deus.
Agora, dentro e fora da
Igreja, em cima e em baixo, dá a impressão de que muitos renunciaram à luta - à
guerra pessoal contra as suas próprias claudicações -, para se entregarem com
armas e bagagens às servidões que envelhecem a alma.
Esse perigo rondará sempre
em tomo de todos os cristãos.
Por isso, é preciso pedir
incessantemente à Santíssima Trindade que tenha compaixão de todos.
Ao falar destas coisas
fico perturbado se recorro à justiça de Deus. Apelo para a sua misericórdia,
para a sua compaixão, a fim de que não olhe para os nossos pecados, mas para os
méritos de Cristo e de sua Santa Mãe, e que é também nossa Mãe, para os do Patriarca
S. José, que Lhe serviu de Pai, para os dos Santos.
O cristão pode viver com a
segurança de que, se quiser lutar, Deus o acolherá na sua mão direita, como se
lê na Missa desta festa.
Jesus, que entra em
Jerusalém montado num pobre burrico, Rei da paz, é quem diz: o, reino dos céus
alcança-se com violência, e os violentos arrebatam-no.
Essa força não se
manifesta na violência contra os outros; é fortaleza para combater as próprias
debilidades e misérias, valentia para não mascarar as nossas infidelidades,
audácia para confessar a fé, mesmo quando o ambiente é contrário.
Hoje, como ontem,
espera-se heroísmo do cristão. Heroísmo em grandes contendas, se é preciso.
Heroísmo - e será o normal
- nas pequenas escaramuças de cada dia. Quando se luta continuamente, com Amor
e deste modo que parece insignificante, o Senhor está sempre ao lado dos seus
filhos, como pastor amoroso:
Eu mesmo apascentarei as
minhas ovelhas e as farei repousar, diz o Senhor Deus.
Irei procurar as que se
tinham perdido, farei voltar as que andavam desgarradas, porei ligaduras às que
tinham algum membro quebrado e fortalecerei as que estavam fracas...
E as minhas ovelhas
habitarão no seu país sem temor; e elas saberão que eu sou o Senhor, quando eu
tiver quebrado as cadeias do seu jugo, e as tiver arrancado das mãos daqueles
que as dominavam.
83
Antes do dia da festa da
Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo ao Pai,
tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim.
Este versículo de S. João
anuncia ao leitor que vai acontecer algo de importante nesse dia.
É um preâmbulo terno e
afectuoso, que corresponde àquele que S. Lucas recolhe no seu relato: Tenho
desejado ardentemente - afirma o Senhor - comer convosco esta Páscoa, antes de
sofrer.
Devemos começar desde já
por pedir ao Espírito Santo que nos prepare de forma a podermos compreender
todas as expressões e todos os gestos de Jesus Cristo, porque queremos viver
vida sobrenatural, porque o Senhor nos manifestou a sua vontade de se nos
oferecer como alimento da alma e porque reconhecemos que só Ele tem palavras de
vida eterna.
A fé leva-nos a confessar
com Simão Pedro: nós acreditamos e conhecemos que tu és Cristo, Filho de Deus.
E é também ela, fundida
com a nossa devoção, que nesses momentos transcendentes nos incita a imitar a
audácia de João.
Assim, aproximamo-nos de
Jesus e reclinamos a cabeça no peito do Mestre que, como acabamos de ouvir, por
amar ardentemente os seus, os iria amar até ao fim.
Todos os modos de dizer
são demasiadamente pobres quando pretendem explicar, mesmo de longe, o mistério
da Quinta-Feira Santa. No entanto, não é difícil imaginar os sentimentos do
Coração de Jesus Cristo naquela tarde, a última que passava com os seus antes
do sacrifício do Calvário.
Lembremo-nos da
experiência tão humana da despedida de duas pessoas muito amigas.
Desejariam ficar sempre
juntas, mas o dever - ou seja o que for - obriga-as a afastar-se uma da outra.
Não podem, portanto,
continuar uma junto das outra, como seria do seu gosto.
Nestas ocasiões, o amor
humano, que por maior que seja, é sempre limitado, costuma recorrer aos
símbolos.
As pessoas que se despedem
trocam lembranças entre si, talvez uma fotografia onde se escreve uma
dedicatória tão calorosa, que até admira que não arda o papel.
Mas não podem ir além
disso, porque o poder das criaturas não vai tão longe como o seu querer.
Ora o que não está na
nossa mão, consegue-o o Senhor. Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem,
não deixa um símbolo, mas uma realidade.
Fica Ele mesmo.
Embora vá para o Pai,
permanece entre os homens.
Não nos deixará um simples
presente que nos faça evocar a sua memória, alguma imagem que tenda a apagar-se
com o tempo, como uma fotografia que a pouco e pouco se vai esvaindo e amarelecendo
até perder o sentido para quem não interveio naquele momento amoroso.
Sob as espécies do pão e
do vinho está Ele, realmente presente, com o seu Corpo, o seu Sangue, a alma e
a sua Divindade.
84
A
alegria da Quinta-Feira Santa
Como é fácil de explicar
agora o clamor incessante dos cristãos diante da Hóstia Santa, em todos os
tempos!
Canta, ó língua, o
mistério do Corpo glorioso e do Sangue precioso que o Rei dos povos, filho do
ventre fecundo, derramou para resgate do mundo.
É preciso adorar
devotamente este Deus escondido.
Ele é o mesmo Jesus Cristo
que nasceu da Virgem Maria; o mesmo, que padeceu e foi imolado na Cruz; o
mesmo, enfim, de cujo peito trespassado jorrou água e sangue.
Este é o sagrado banquete
em que se recebe o próprio Cristo e se renova a memória da Paixão e, com Ele, a
alma pode privar na intimidade com o seu Deus e possui um penhor da glória
futura.
Assim, a liturgia da
Igreja resumiu, em breve estrofe, os capítulos culminantes da história da
ardente caridade que o Senhor tem para connosco.
O Deus da nossa fé não é
um ser longínquo, que contempla com indiferença a sorte dos homens, os seus
afãs, as suas lutas, as suas angústias.
É um pai que ama os seus
filhos até ao ponto de enviar o Verbo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a
fim, com a sua encarnação, morrer por nós e nos redimir.
É ele ainda o mesmo Pai
amoroso que agora nos atrai suavemente para Si, mediante a acção do Espírito
Santo que habita nos nossos corações.
A alegria da Quinta-Feira
Santa parte, portanto, do facto de nós compreendermos que o Criador se desfez
em carinho pelas suas criaturas.
Nosso Senhor Jesus Cristo,
como se já não fossem suficientes todas as outras provas da sua misericórdia,
institui a Eucaristia para que possamos tê-Lo sempre perto de nós e porque -
tanto quanto nos é possível entender - movido pelo seu Amor, Ele, que de nada
necessita, não quis prescindir de nós.
A Trindade apaixonou-se
pelo homem, elevado à ordem da graça e feito à sua imagem e semelhança,
redimiu-o do pecado - do pecado de Adão que se propagou a toda a sua
descendência e dos pecados pessoais de cada um - e deseja vivamente morar na
nossa alma, como diz o Evangelho: se alguém Me ama, guardará a minha palavra, e
Meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e faremos nele morada:
85
A Eucaristia e o mistério
da Trindade
Esta corrente trinitária
de amor pelos homens perpetua-se de maneira sublime na Eucaristia.
Há já muitos anos, todos
aprendemos no catecismo que a Sagrada Eucaristia pode ser considerada como
Sacrifício e como Sacramento e que o sacramento se nos apresenta como Comunhão
e como um tesouro no altar, mais concretamente, no Sacrário.
A Igreja dedica outra
festa ao mistério eucarístico - Corpus Christi - presente em todos os
tabernáculos do mundo.
Hoje, Quinta-feira Santa,
vamos deter-nos na Sagrada Eucaristia, Sacrifício e alimento, na Santa Missa e
na Sagrada Comunhão.
Falava de corrente
trinitária de amor pelos homens.
E onde poderá alguém
aperceber-se melhor dela do que na Missa? Toda a Trindade actua no santo
sacrifício do altar.
Por isso agrada-me tanto
repetir na colecta, na secreta e na oração depois da comunhão aquelas palavras
finais: Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, - dirigimo-nos ao Pai - ,
que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus por todos os
séculos dos séculos. Ámen.
Na Santa Missa, a oração
ao Pai é constante. O sacerdote é um representante do Sacerdote eterno, Jesus
Cristo, que é ao mesmo tempo a Vítima.
E a acção do Espírito
Santo não é menos inefável nem menos certa. Pela virtude do Espírito Santo,
escreve S. João Damasceno, dá-se a conversão do pão no Corpo de Cristo.
Esta acção do Espírito
Santo exprime-se claramente, quando o sacerdote invoca a bênção divina sobre a
oferenda: Vinde, ó Deus santificador, eterno e omnipotente, e abençoai este
sacrifício preparado para o vosso santo nome, o holocausto que dará ao Nome
santíssimo de Deus a glória que lhe é devida.
A santificação, que
imploramos, é atribuída ao Paráclito, que o Pai e o Filho nos enviam.
Reconhecemos também essa
presença activa do Espírito Santo no sacrifício quando dizemos, pouco antes da
comunhão: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, que, por vontade do Pai, com
a cooperação do Espírito Santo, com a vossa morte destes a vida ao mundo...
(cont)
15/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.
Lembrar-me:
Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.
Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Sábado
Reflectir
sobre o Sábado não é deter-se num dia qualquer.
O
Sábado é um dia especialmente dedicado pela Santa Igreja à consideração da
pessoa da Santíssima Virgem, como Mãe de Deus e nossa Mãe, as suas virtudes e
predicados, considerando a sua protecção, auxílio e ajuda como Mãe e
Intercessora por excelência junto do seu divino Filho e caminho seguro para
Deus.
Iter paraTuto!
(AMA,
reflexões, 29.07.2017)
Evangelho e comentário
Nossa
Senhora das Dores
Evangelho: Jo 19, 25-27
25
Estavam, de pé, junto à cruz de Jesus, Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria,
mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26 Jesus, vendo Sua mãe e, junto dela, o
discípulo que amava, disse a Sua mãe: «Mulher, eis o teu filho». 27 Depois
disse ao discípulo: «Eis a tua mãe». E, desde aquela hora, o discípulo
recebeu-a na sua casa.
Comentário:
Ó Mater dolorosa junto da Cruz donde o Filho pendia
Estoicamente participando
No Sacrifício supremo, lacrimosa
Mas orando
Ao Pai que tal consente.
Ó Mater dolorosa
Que te traz aqui, Senhora minha?
Não sabes que Ele morreu?
Esse Filho teu
Teve uma morte gloriosa
Que na Cruz
Nos salvou a todos
Da morte mais horrorosa
A que ao pecado conduz.
Ó Mater Dolorosa
Como é bela a tua dor
Que torna mais preciosa
A morte do Salvador.
(ama,
meditação sobre Jo 19, 25-27, 15.09.2010, Convento de Monte Real)
Não te fias em nada de ti, e te fias em tudo de Deus
Nunca te tinhas sentido tão livre,
libérrimo, como agora que a tua liberdade está tecida de amor e desprendimento,
de segurança e insegurança, porque já não te fias em nada de ti, e te fias em
tudo de Deus. (Sulco, 787)
O amor de Deus é ciumento; não fica
satisfeito, se nos apresentarmos com condições no encontro marcado: espera com
impaciência que nos entreguemos totalmente, que não guardemos no coração
recantos escuros, onde o gozo e a alegria da graça e dos dons sobrenaturais não
consigam chegar. Talvez pensem: responder sim a esse Amor exclusivo não é,
porventura, perder a liberdade?
(…) Cada um de nós sabe por experiência
que, algumas vezes, seguir Cristo Nosso Senhor implica dor e fadiga. Negar esta
realidade significaria não se ter encontrado com Deus. A alma apaixonada sabe
que essa dor é uma impressão passageira e bem depressa descobre que o seu peso
é leve e a sua carga suave, porque Ele a leva às costas, tal como se abraçou ao
madeiro quando estava em jogo a nossa felicidade eterna. Mas há homens que não
entendem, que se revoltam contra o Criador – uma rebelião impotente, mesquinha,
triste –, que repetem cegamente a queixa inútil que o Salmo regista: Quebremos
os seus laços! Para longe de nós o seu jugo. Resistem a realizar, com silêncio
heróico, com naturalidade, sem brilho e sem lamentações, o trabalho duro de
cada dia. Não compreendem que a Vontade divina, mesmo quando se apresenta com
matizes de dor, de exigências que ferem, coincide exactamente com a liberdade,
que só reside em Deus e nos seus desígnios.
São almas que fazem barricadas com a
liberdade. A minha liberdade, a minha liberdade! Têm-na e não a seguem;
olham-na e põem-na como um ídolo de barro dentro do seu entendimento mesquinho.
É isso liberdade? Que aproveitam dessa riqueza sem um compromisso sério, que
oriente toda a existência? Um tal comportamento opõe-se à categoria própria, à
nobreza, da pessoa humana. Falta a rota, o caminho claro que oriente os seus
passos na terra; essas almas – decerto já as encontraram, como eu – depressa se
deixarão arrastar pela vaidade pueril, pela presunção egoísta, pela
sensualidade. (Amigos de Deus, 28–29)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa 78 a 80
78
Os sacramentos da graça de
Deus
Quem deseja lutar, usa os
devidos meios.
E os meios não mudaram
nestes vinte séculos de Cristianismo: oração, mortificação e frequência de
Sacramentos.
Como a mortificação é
também oração - oração dos sentidos - podemos descrever esses meios com duas
palavras apenas: oração e Sacramentos.
Gostaria que
considerássemos agora esse manancial de graça divina dos Sacramentos,
maravilhosa manifestação da misericórdia de Deus. Meditemos devagar a definição
que se insere no Catecismo de S. Pio V: determinados sinais sensíveis que
causam a graça e, ao mesmo tempo, a declaram, como que pondo-a diante dos
olhos.
Deus Nosso Senhor é
infinito e o seu amor é inesgotável, a sua clemência e a sua piedade para
connosco não admitem limites.
E embora nos conceda a sua
graça de muitos outros modos, instituiu expressa e livremente - só Ele podia
fazê-lo - estes sete sinais eficazes, para que os homens possam participar dos
méritos da Redenção, duma maneira estável, simples e acessível a todos.
Se abandonarmos os
Sacramentos, desaparece a verdadeira vida cristã. Contudo, não se nos oculta
que particularmente nesta época não falta quem pareça esquecer, e até a chegue
a desprezar, esta corrente redentora da graça de Cristo.
É doloroso falar desta
chaga da sociedade que se chama cristã, mas torna-se necessário, para que nas
nossas almas se afinque o desejo de recorrermos com mais gratidão e amor a
essas fontes de santificação.
Decidem sem o menor
escrúpulo retardar o baptismo dos recém-nascidos, privando-os - e cometendo
assim um grave atentado contra a justiça e contra a caridade - da graça da fé,
do tesouro incalculável da inabitação da Santíssima Trindade na alma, que vem
ao mundo manchada pelo pecado original.
Pretendem também
desvirtuar a natureza própria do Sacramento da Confirmação, no qual a Tradição
viu sempre unanimemente um robustecimento da vida espiritual, uma efusão calada
e fecunda do Espírito Santo, para que, fortalecida sobrenaturalmente, a alma
possa lutar - milites Christi, como soldado de Cristo - nessa batalha interior
contra o egoísmo e a concupiscência.
Se se perde a
sensibilidade para as coisas de Deus, dificilmente se compreenderá o Sacramento
da Penitência.
A confissão sacramental
não é um diálogo humano, é um colóquio divino; é um tribunal de segura e divina
justiça e, sobretudo, de misericórdia, com um juiz amoroso que não deseja a
morte do pecador, mas que ele se converta e viva.
É verdadeiramente infinita
a ternura de Nosso Senhor. Olhai com que delicadeza trata os seus filhos.
Fez do matrimónio um
vínculo santo, imagem da união de Cristo com a sua Igreja, um grande sacramento
em que se fundamenta a família cristã, que há-de ser, com a graça de Deus, um
ambiente de paz e de concórdia, escola de santidade.
Os pais são cooperadores
de Deus.
Daí nasce o amável dever
de veneração, que corresponde aos filhos.
Com razão, o quarto
mandamento pode chamar-se - escrevi-o há tantos anos - o dulcíssimo preceito do
Decálogo.
Se se vive o matrimónio
como Deus quer, santamente, o lar será um lugar de paz, luminoso e alegre.
79
O Nosso Pai, Deus,
deu-nos, com a Ordem sacerdotal, a possibilidade de que alguns fiéis, em
virtude duma nova e inefável infusão do Espírito Santo, recebam um carácter
indelével na alma, que os configura com Cristo Sacerdote, para actuarem em nome
de Cristo Jesus, Cabeça do seu Corpo Místico.
Com este sacerdócio
ministerial, que difere do sacerdócio comum de todos os fiéis, essencialmente e
não com diferença de grau, os ministros sagrados podem consagrar o Corpo e o
Sangue de Cristo, oferecer a Deus o Santo sacrifício, perdoar os pecados na
confissão sacramental e exercitar o ministério de doutrinar as pessoas in iis
quae sunt ad Deum, em tudo e só no que se refere a Deus.
Por isso, o sacerdote deve
ser exclusivamente um homem de Deus, rejeitando o pensamento de querer brilhar
em campos em que os outros cristãos não precisem dele.
O sacerdote não é um
psicólogo, nem um sociólogo, nem um antropólogo: é outro Cristo, o próprio
Cristo, para atender as almas dos seus irmãos.
Seria triste que o
sacerdote, baseando-se numa ciência humana - que só cultivará como amador e
aprendiz, se se dedicar à sua tarefa sacerdotal - se julgasse, sem mais nem
menos, habilitado a pontificar em teologia dogmática ou moral.
A única coisa que faria,
era demonstrar uma dupla ignorância - na ciência humana e na ciência teológica
- ainda que com ar superficial de sábio conseguisse enganar alguns leitores ou
ouvintes indefesos.
É um facto público que
alguns eclesiásticos parecem hoje dispostos a fabricar uma nova Igreja, traindo
Cristo, mudando os fins espirituais - a salvação das almas, uma a uma - por
fins temporais.
Se não resistirem a essa
tentação, deixarão de cumprir o seu sagrado ministério, perderão a confiança e
o respeito do povo e produzirão uma tremenda destruição dentro da Igreja,
intrometendo-se, além disso, indevidamente, na liberdade política dos cristãos
e dos restantes homens, com a consequente confusão - tornam-se eles mesmos
perigosos - na convivência civil.
A Sagrada Ordem é o
sacramento do serviço sobrenatural aos irmãos na fé; alguns parecem querer
convertê-la no instrumento terreno dum novo despotismo.
80
Mas continuemos a contemplar
a maravilha dos Sacramentos.
Na Unção dos Enfermos,
como agora chamam à Extrema Unção, assistimos a uma amorosa preparação da
viagem, que terminará na casa do Pai.
E com a Sagrada
Eucaristia, sacramento - se assim nos podemos exprimir - da loucura do amor
divino, concede-nos a sua graça, e entrega-se-nos o próprio Deus, Jesus Cristo,
que está realmente sempre presente nas espécies consagradas - e não apenas
durante a Santa Missa - com o seu Corpo, com a sua Alma, com o seu Sangue e com
a sua Divindade.
Penso repetidas vezes na
responsabilidade que incumbe aos sacerdotes, de assegurar a todos os cristãos
esse caminho divino dos Sacramentos.
A graça de Deus vem em
socorro de cada alma; cada criatura requer uma assistência concreta, pessoal.
As almas não se podem
tratar massivamente!
Não é lícito defender a
dignidade humana e a dignidade de filho de Deus, não atendendo a cada um
pessoalmente com a humildade de quem se sabe instrumento para ser veículo do
amor de Cristo; porque cada alma é um tesouro maravilhoso; cada homem é único,
insubstituível. Cada um vale todo o sangue de Cristo.
Falávamos antes de luta.
Mas a luta exige treino,
uma alimentação adequada, uma terapêutica urgente em caso de doença, de
contusões, de feridas.
Os Sacramentos, medicina
principal da Igreja, não são supérfluos: quando se abandonam voluntariamente,
não é possível dar um passo no caminho por onde se segue Cristo.
Necessitamos deles como da
respiração, como da circulação do sangue, como da luz, para poder apreciar em
qualquer instante o que o Senhor quer de nós.
A ascética do cristão
exige fortaleza; e essa fortaleza encontra-a no Criador.
Nós somos a obscuridade e
Ele é resplendor claríssimo; somos a doença e Ele a saudável robustez; somos a
escassez e Ele a infinita riqueza; somos a debilidade e Ele sustenta-nos, quia
tu es, Deus, fortitudo mea, porque és sempre, ó meu Deus, a nossa fortaleza.
Nada há nesta terra capaz
de se opor ao brotar impaciente do Sangue redentor de Cristo.
Mas a pequenez humana pode
velar os olhos de modo a que não descortinem a grandeza divina.
Daí a responsabilidade de
todos os fiéis e especialmente dos que têm o ofício de dirigir - de servir -
espiritualmente o Povo de Deus, de não fecharem as fontes da graça, de não se
envergonharem da Cruz de Cristo.
81
Responsabilidade dos
pastores
Na Igreja de Deus, o
empenho constante por sermos cada vez mais leais à doutrina de Cristo é
obrigação de todos.
Ninguém está isento. Se os
pastores não lutassem pessoalmente por adquirir finura de consciência, respeito
fiel ao dogma e à moral - que constituem o depósito da fé e o património comum
-, voltariam a ser reais as proféticas palavras de Ezequiel: Filho do homem
profetiza acerca dos pastores de Israel; profetiza e diz aos pastores: - Isto
diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si próprios!
Porventura não são os rebanhos os que devem ser apascentados pelos pastores?
Vós lhes tomais o leite e vos vestis com as suas lãs e matais as reses mais
gordas, mas não apascentais o meu rebanho. Não fortalecestes as ovelhas débeis,
não curastes as doentes, não pusestes ligaduras às que tinham algum membro
quebrado, não fizestes voltar as desgarradas, nem buscastes as que se tinham
perdido; mas dominastes sobre elas com aspereza e com prepotência.
São repreensões fortes,
mas mais grave é a ofensa que se faz a Deus quando, tendo recebido o cargo de
velar pelo bem espiritual de todos, se maltratam as almas, privando-as da água
limpa do Baptismo que regenera a alma, do óleo balsâmico da Confirmação, que a
fortalece, do tribunal que perdoa, do alimento que dá a vida eterna.
Quando é que isto pode
acontecer?
Quando se abandona esta
guerra de paz. Quem não luta, expõe-se a qualquer daquelas escravidões, que têm
o efeito de aferrolhar os corações de carne: a escravidão duma visão
exclusivamente humana, a escravidão do desejo afanoso de poder e de prestígio
temporal, a escravidão da vaidade, a escravidão do dinheiro, a escravidão da
sensualidade...
Se alguma vez - porque
Deus pode permitir essa prova - tropeçais com pastores indignos deste nome, não
vos escandalizeis. Cristo prometeu assistência infalível e indefectível à sua
Igreja, mas não garantiu a fidelidade dos homens que a compõem.
A estes não lhes faltará a
graça abundante, generosa - se puserem da sua parte o pouco que Deus pede:
vigiar atentamente, empenhando-se em remover, com a graça de Deus, os
obstáculos para conseguir a santidade.
Se não há luta, quem
parece estar nos píncaros pode estar muito baixo aos olhos de Deus.
Conheço as tuas obras, a
tua conduta, sei que tens fama de que vives e estás morto.
Sê vigilante e consolida
os restos do teu rebanho, que está para morrer, porque não acho as tuas obras
perfeitas diante do meu Deus. Lembra-te, pois, do que recebeste e ouviste, e
observa-o, e faz penitência.
São exortações do apóstolo
S. João, no século primeiro, dirigidos a quem tinha a responsabilidade da
Igreja na cidade de Sardes.
Porque a possível
decadência do sentido da responsabilidade em alguns pastores não é um fenómeno
moderno; surge já no tempo dos Apóstolos, no próprio século em que Nosso Senhor
Jesus Cristo tinha vivido na terra.
E ninguém está seguro, se
deixa de lutar consigo mesmo.
Ninguém pode salvar-se
isoladamente.
Todos na Igreja precisamos
desses meios concretos que nos fortalecem: da humildade, que nos dispõe a
aceitar a ajuda e o conselho; das mortificações, que nos removem o coração,
para que nele reine Cristo; do estudo da Doutrina segura de sempre, que nos
leva a conservar em nós a fé e a propagá-la.
(cont
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