
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
09/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé
São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Quando tinha quinze anos
cheguei a casa radiante pois tinha um "presente de Natal" para o meu
Pai.
Entreguei-lho orgulhoso:
'Aqui tem, Pai, a
caderneta com as minhas notas deste período: terceiro classificado na classe
com média de dezoito valores!
O meu Querido Pai recebeu
a caderneta, conferiu e disse-me:
Muito bem!
Mas, continuou, se bem
entendo, houve, pelo menos dois colegas teus que tiveram médias de dezanove e
vinte e que foram os segundo e primeiro classificados!
Isto, claro, era
absolutamente verdade, mas eu fiquei chocado e desiludido.
Fui para o meu quarto
pensando na tremenda injustiça com que fora tratado.
Durante as férias não se
falou mais no assunto.
A verdade é que chegadas
as férias da Páscoa a caderneta que ofereci ao meu Pai atestava uma média de
vinte valores e o Primeiro lugar na minha turma.
O meu Pai dando-me um
enorme beijo só me disse:
Vês como eu tinha razão?
Tu podes e, se podes tens
de alcançar!
E, claro, uma vez mais, o
meu Pai tinha inteira razão.
AMA,
reflexões, 29.05.2018
Evangelho e comentário
Evangelho: Mc 7, 31-37
31 Tornando a sair da região de Tiro,
veio por Sídon para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole.
32 Trouxeram-lhe um surdo tartamudo e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre
ele. 33 Afastando-se com ele da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos
e fez saliva com que lhe tocou a língua. 34 Erguendo depois os olhos ao céu,
suspirou dizendo: «Effathá», que quer dizer «abre-te.» 35 Logo os ouvidos se
lhe abriram, soltou-se a prisão da língua e falava correctamente. 36 Jesus
mandou-lhes que a ninguém revelassem o sucedido; mas quanto mais lho
recomendava, mais eles o apregoavam. 37 No auge do assombro, diziam: «Faz tudo
bem feito: faz ouvir os surdos e falar os mudos.»
Comentário:
«Effathá», abre-te! E, a estas palavras, abriram-se os ouvidos do
surdo!
Muitas vezes esperamos por
algo semelhante, a exclamação que nos desperte da nossa modorra, um gesto que
nos urja a levantarmo-nos do nosso torpor e a seguir o caminho, enfim, algo que
nos entusiasme, nos anime e faça decidir a continuar o caminho traçado.
E, algumas vezes, nada
disto acontece, ou melhor, não nos damos conta que aconteça, de tal forma
estamos absorvidos com os nossos próprios problemas e as soluções que procuramos
para os mesmos. Entregamo-nos com ardor e pertinácia na busca dessas soluções,
desses remédios e descuramos o que está mesmo à nossa frente, ao nosso alcance.
Ele que nos diz, «Effathá», não nos deixa nunca, não se
afasta e, quando nos afastamos – porque somos nós que nos afastamos – espera
pacientemente que retrocedamos sobre os nossos passos e nos deixemos curar pela
Sua ciência de Médico Divino.
(ama, comentário sobre Mc 7, 31-37, V.
Moura, 2012.09.19)
Tens de ir ao passo de Deus; não ao teu
Dizes-me
que sim, que estás firmemente decidido a seguir Cristo. – Então tens de ir ao
passo de Deus; não ao teu! (Forja, 531)
–
Qual é o fundamento da nossa fidelidade?
–
Dir-te-ia, a traços largos, que se baseia no amor de Deus, que faz vencer todos
os obstáculos: o egoísmo, a soberba, o cansaço, a impaciência...
Um
homem que ama calca-se a si próprio; sabe que, até amando com toda a sua alma,
ainda não sabe amar bastante. (Forja, 532)
Na
vida interior, como no amor humano, é preciso ser perseverante.
Sim,
hás-de meditar muitas vezes os mesmos assuntos, insistindo até descobrir um
novo aspecto.
–
E como é que não tinha visto isto antes, assim tão claramente? –
perguntar-te-ás surpreendido. – Simplesmente, porque às vezes somos como as
pedras, que deixam resvalar a água, sem absorver nem uma gota.
Por
isso é necessário voltar a discorrer sobre o mesmo, que não é o mesmo!, para
nos embebermos das bênçãos de Deus. (Forja,
540)
Deus
não se deixa ganhar em generosidade e – podes ter a certeza! – concede a
fidelidade a quem se lhe rende. (Forja,
623)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa
56
José foi, no aspecto
humano, mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e
cuidou dele com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para
considerarmos este varão justo, este Santo Patriarca, no qual culmina a Fé da
Antiga Aliança, Mestre de vida interior?
A vida interior não é
outra coisa senão o convívio assíduo e intimo com Cristo, para nos
identificarmos com Ele.
E José saberá dizer-nos
muitas coisas sobre Jesus.
Por isso, não deixeis
nunca de conviver com ele; ite ad Joseph, como diz a tradição cristã com uma
frase tomada do Antigo Testamento.
Mestre da vida interior,
trabalhador empenhado no seu trabalho, servidor fiel de Deus em relação
contínua com Jesus: este é José.
Ite
ad Joseph.
Com S. José o cristão
aprende o que é ser Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o
mundo.
Ide a José e encontrareis
Jesus. Ide a José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável
oficina de Nazaré.
57
Entramos no tempo da
Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão.
Não é fácil tarefa.
O cristianismo não é um
caminho cómodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem.
Na nossa vida, na vida dos
cristãos, a primeira conversão - esse momento único, que cada um de nós
recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede - é
importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões
sucessivas.
É preciso manter a alma
jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão,
para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões.
Invocabit me et ego
exaudiam eum, lemos na liturgia deste Domingo: Se me chamardes, Eu vos
escutarei, diz o Senhor.
Reparai nesta maravilha
que é o cuidado que Deus tem por nós, sempre disposto a ouvir-nos, atento em
cada momento à palavra do homem.
Em qualquer altura - mas
agora de modo especial, porque o nosso coração está bem disposto, decidido a
purificar-se - Ele nos ouve e não deixará de atender ao que Lhe pede um coração
contrito e humilhado.
O Senhor ouve-nos para
intervir, para Se meter na nossa vida, para nos livrar do mal e encher-nos de
bem: eripiam eum et glorificabo eum, Eu o livrarei e o glorificarei, diz do
homem.
Portanto: esperança do
Céu.
E aqui temos, como doutras
vezes, o começo desse movimento interior que é a vida espiritual.
A esperança da
glorificação acentua a nossa fé e estimula a nossa caridade. E, deste modo, as
três virtudes teologais - virtudes divinas que nos assemelham ao nosso Pai,
Deus - põem-se em movimento.
Haverá melhor maneira de
começar a Quaresma?
Renovamos a Fé, a
Esperança, a Caridade. Esta é a fonte do espírito de penitência, do desejo de
purificação.
A Quaresma não é apenas
uma ocasião de intensificar as nossas práticas externas de mortificação; se
pensássemos que era isso apenas, escapar-nos-ia o seu sentido profundo na vida
cristã, porque esses actos externos são, repito, fruto da Fé, da Esperança e do
Amor.
58
A arriscada segurança do
Cristão
Qui habitat in adiutorio
Altissimi in protectione Dei coelí commorabitur - Habitar sob a protecção de
Deus, viver com Deus: eis a arriscada segurança do cristão.
É necessário
convencermo-nos de que Deus nos ouve, de que está sempre solícito por nós, e
assim se encherá de paz o nosso coração. Mas viver com Deus é indubitavelmente
correr um risco, porque o Senhor não Se contenta compartilhando; quer tudo.
E aproximar-se d'Ele um
pouco mais significa estar disposto a uma nova rectificação, a escutar mais
atentamente as suas inspirações, os santos desejos que faz brotar na nossa
alma, e a pô-los em prática.
Desde a nossa primeira
decisão consciente de viver integralmente a doutrina de Cristo, é certo que
avançámos muito pelo caminho da fidelidade à sua Palavra.
Mas não é verdade que
restam ainda tantas coisas por fazer?
Não é verdade que resta,
sobretudo, tanta soberba?
É precisa, sem dúvida, uma
outra mudança, uma lealdade maior, uma humildade mais profunda, de modo, que,
diminuindo o nosso egoísmo, cresça em nós Cristo, pois illum oportet crescere,
me autem minui, é preciso que Ele cresça e que eu diminua.
Não é possível deixar-se
ficar imóvel.
É necessário avançar para
a meta que S. Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim.
A ambição é alta e
nobilíssima: a identificação com Cristo, a santidade. Mas não há outro caminho,
se se deseja ser coerente com a vida divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer
nas nossas almas. O avanço é o progresso na santidade; o retrocesso é negar-se
ao desenvolvimento normal da vida cristã.
Porque o fogo do amor de
Deus precisa de ser alimentado, de aumentar todos os dias arreigando-se na
alma; e o fogo mantém-se vivo queimando novas coisas.
Por isso, se não aumenta,
está a caminho de se extinguir.
Recordai as palavras de
Santo Agostinho: Se disseres basta, estás perdido. Procura sempre mais, caminha
sempre, progride sempre. Não permaneças no mesmo sítio, não retrocedas, não te
desvies.
A Quaresma coloca-nos
agora perante estas perguntas fundamentais: Avanço na minha fidelidade a
Cristo?
Em desejos de santidade?
Em generosidade apostólica
na minha vida diária, no meu trabalho quotidiano entre os meus companheiros de
profissão?
Cada um que responda a
estas. perguntas, sem ruído de palavras, e verá como é necessária uma nova
transformação para que Cristo viva em nós, para que a sua imagem se reflicta
limpidamente na nossa conduta.
Se alguém quer vir atrás
de Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia, e siga-Me.
Cristo repete-o a cada um
de nós, ao ouvido, intimamente: a Cruz de cada dia.
Não só - escreve S.
Jerónimo - em tempo de perseguição, ou quando se apresenta a possibilidade do
martírio, mas em todas as situações, em todas as actividades, em todos os
pensamentos, em todas as palavras, neguemos aquilo que antes éramos e
confessemos o que agora somos, visto que renascemos em Cristo.
Estas considerações não
são, afinal, senão o eco das do Apóstolo: Outrora éreis trevas, mas agora sois
luz no Senhor. Comportai-vos como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste
na bondade, na justiça e na verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor.
A conversão é coisa de um
instante; a santificação é tarefa para toda a vida.
A semente divina da
caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em
obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao
Senhor.
Por isso, é indispensável
estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar - nas novas situações da nossa
vida - a luz, o impulso da primeira conversão.
E essa é a razão pela qual
havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para
podermos conhecê-Lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos.
Não há outro caminho para
nos convertermos de novo.
(Continua)
08/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.
Lembrar-me:
Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.
Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Evidentemente que ter
"presença Deus" é ter consciência que Deus está presente na nossa
vida SEMPRE!
Que nos vê e nos ouve,
acompanhando os nossos passos, ouvindo o mais íntimo do nosso coração.
Ter esta consciência
condiciona a nossa vida?
Penso que sim ou, melhor,
acho que deve.
Isto pela simples razão
de, naturalmente queremos fazer o que Lhe agrada e evitar o que possa magoar o
Seu Coração Amantíssimo.
Como crianças, pois claro,
que desejam ver o sorriso no rosto do seu Pai e não vê-lo "franzir o
sobrolho".
Para uma criança o Pai tem
sempre razão por isso confia totalmente no que lhe diz, sugere ou aconselha.
A criança adolescente
inicia um percurso difícil que é o começar a pensar pela sua própria cabeça.
É aqui que também de certa
forma enfraquece a sua confiança "cega" no Pai questionando as suas
"razões" e debatendo consigo mesmo se o Pai ou está enganado ou,
pior, se não está a ser injusto.
Bom. Isto pode de facto
ser verdade porque os Pais são seres humanos e não têm o dom de infalibilidade.
Já quanto à injustiça
parece-me que tal não se coloca porque seria como que "contra
natura".
AMA,
reflexões, 28.05.2018
Evangelho e comentário
Natividade da Virgem
Santa Maria
Evangelho: Mt 1, 18-23
18
Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada
com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do
Espírito Santo. 19 José, seu esposo, que era um homem justo e não queria
difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. 20 Andando ele a pensar nisto, eis
que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David,
não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito
Santo. 21 Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele
salvará o povo dos seus pecados.» 22 Tudo isto aconteceu para se cumprir o que
o Senhor tinha dito pelo profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um
filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco. 24 Despertando
do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa. 25 E,
sem que antes a tivesse conhecido, ela deu à luz um filho, ao qual ele pôs o
nome de Jesus.
Comentário:
O
Evangelista descreve com minúcia a Natividade da Santíssima Virgem que hoje
comemoramos.
É
um texto fundamental para consolidação da nossa fé.
O
mistério que rodeia o acontecimento maior da história da humanidade, ou seja,
quando verdadeiramente começam a cumprir-se os desígnios de Deus respeitantes à
salvação da humanidade, fica como que “garantido” pela própria Escritura.
Não
falta absolutamente nada nem sequer os momentos de dúvida do Santo Patriarca.
A
intervenção do Anjo é decisiva e fundamental para que os planos de Deus se
cumpram exactamente.
E
o Evangelista termina dizendo com toda a simplicidade:
«ela
deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome de Jesus.»
A
grandiosidade de Deus Nosso Senhor, Omnipotente tem esta característica: a
simplicidade.
Daqui
que a nossa identificação com Ele seja mais acessível, mais fácil e, sobretudo,
mais verdadeira, porque nada há mais simples que a VERDADE.
(AMA, comentário sobre Mt 1, 18-23, 18.05.2018)
Enamora-te e não "O" deixarás
Faz-me
tremer aquela passagem da segunda epístola a Timóteo, quando o Apóstolo se
lamenta por Demas ter escapado para Tessalónica, atrás dos encantos deste
mundo... Por uma bagatela e por medo às perseguições, um homem que São Paulo
noutras epístolas cita entre os santos atraiçoou o empreendimento divino.
Faz-me
tremer ao conhecer a minha pequenez; e leva-me a exigir-me fidelidade ao Senhor
até nos acontecimentos que podem parecer indiferentes, porque, se não me servem
para me unir mais a Ele, não os quero! (Sulco,
343)
O
desalento é inimigo da tua perseverança. – Se não lutares contra o desalento,
chegarás ao pessimismo, primeiro, e à tibieza, depois. – Sê optimista. (Caminho, 988)
Bendita
perseverança a do burrico de nora! – Sempre ao mesmo passo. Sempre as mesmas
voltas. – Um dia e outro; todos iguais.
Sem
isso, não haveria maturidade nos frutos, nem louçania na horta, nem o jardim
teria aromas.
Leva
este pensamento à tua vida interior. (Caminho,
998)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa
51
Além disso, esse serviço
humano, essa capacidade a que poderíamos chamar técnica, saber realizar o nosso
ofício, deve ter uma característica que foi fundamental no trabalho de S. José
e que devia ser fundamental em todo o cristão: o espírito de serviço, o desejo
de trabalhar para contribuir para o bem dos outros homens.
O trabalho de S. José não
foi um trabalho que visasse a auto-afirmação, embora a dedicação de uma vida
laboriosa tenha forjado nele uma personalidade madura, bem delineada.
O Santo Patriarca
trabalhava com a consciência de cumprir a vontade de Deus, pensando no bem dos
seus, Jesus e Maria, e tendo presente o bem de todos os habitantes da pequena
Nazaré.
Em Nazaré José era um dos
poucos artesãos da terra, se não era o único.
Possivelmente,
carpinteiro.
E, como é costume nas
pequenas povoações, também era capaz de fazer outras coisas: pôr a funcionar um
moinho que não funcionava ou arranjar, antes do inverno, as fendas de um tecto.
José tirava muita gente de
apuros, certamente com um trabalho bem acabado.
O seu trabalho
profissional era uma ocupação orientada para o serviço, para tornar agradável a
vida das outras famílias da aldeia, acompanhada de um sorriso, de uma palavra
amável, de um comentário feito como que de passagem, mas que devolve a fé e a
alegria a quem está a ponto de perdê-las.
52
Às vezes, quando se
tratava de pessoas mais pobres do que ele, José trabalharia aceitando alguma
coisa de pouco valor, que deixava a outra pessoa com a satisfação de pensar que
tinha pago.
Normalmente José cobraria
o que fosse razoável; nem mais nem menos.
Saberia exigir o que em
justiça lhe era devido, já que a fidelidade a Deus não significa renúncia a
direitos que na realidade são deveres; S. José tinha de exigir o que era justo,
porque tinha de sustentar a família que Deus lhe tinha confiado, com a
recompensa desse trabalho.
A exigência dos nossos
direitos não deve ser fruto de um egoísmo individualista.
Não se ama a justiça se
não se deseja vê-la também cumprida para com os outros.
Como também não é lícito
encerrar-se numa religiosidade cómoda, esquecendo as necessidades dos outros.
Quem deseja ser justo aos
olhos de Deus também se esforça para que a justiça se realize de facto entre os
homens.
E não apenas pelo bom
motivo de que o nome de Deus não seja injuriado, mas porque ser cristão
significa captar e corresponder a todos os anseios nobres do homem.
Parafraseando um texto
conhecido, do Apóstolo S. João, pode-se dizer que mente quem afirma que é justo
com Deus mas não é justo com os outros homens; e a verdade não habita nele.
Como todos os cristãos que
viveram aquele momento, recebi com emoção e alegria a decisão de festejar a
festa litúrgica de S. José Operário.
Esta festa, que é uma
canonização do valor divino do trabalho, mostra como a Igreja, na sua vida
colectiva e pública, se fez eco das verdades centrais do Evangelho, que Deus
quer que sejam especialmente meditadas nesta nossa época.
53
Já falámos muito deste
tema noutras ocasiões, mas permiti-me insistir de novo na naturalidade e na
simplicidade da vida de S. José, que não se distinguia da dos seus vizinhos nem
levantava barreiras desnecessárias.
Por isso, ainda que possa
ser conveniente nalguns momentos ou em algumas situações, habitualmente não
gosto de falar de operários católicos, de engenheiros católicos, de médicos
católicos, etc., como se se tratasse de uma espécie dentro dum género, como se
os católicos formassem um grupinho separado dos outros, dando assim a sensação
de que existe um fosso entre os cristãos e o resto da humanidade.
Respeito a opinião oposta,
mas penso que é muito mais correcto falar de operários que são católicos, ou de
católicos que são operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos
que são engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão
intelectual, técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos
outros, com os mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar,
com o mesmo empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar
a solução.
O católico, assumindo tudo
isto, saberá fazer da sua vida diária um testemunho de Fé, de Esperança e de
Caridade; testemunho simples, normal, sem necessidade de manifestações aparatosas,
pondo de manifesto - com a coerência da sua vida - a presença constante da
Igreja no mundo, visto que todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois
são membros, com pleno direito, do único Povo de Deus.
54
As relações entre José e
Jesus
Há bastante tempo que
gosto de recitar uma comovedora invocação a S. José, que a própria Igreja nos
oferece entre as orações preparatória da Missa: José, varão bem-aventurado e
feliz, ao qual foi concedido ver e ouvir a Deus, a Quem muitos reis quiseram
ver e ouvir e não viram nem ouviram; e não só vê-Lo e ouvi-Lo mas trazê-Lo nos
braços, beijá-Lo, vesti-Lo e guardá-Lo: rogai por nós.
Esta oração servir-nos-á
para entrar no último tema que hoje vou tocar: a convivência íntima e carinhosa
de José com Jesus.
Para S. José, a vida de
Jesus foi uma contínua descoberta da sua vocação.
Recordámos acima aqueles
primeiros anos cheios de circunstâncias aparentemente contraditórias:
glorificação e fuga, majestade dos magos e pobreza da gruta, canto dos Anjos e
silêncio dos homens. Quando chega o momento de apresentar o Menino no Templo,
José, que leva a modesta oferenda de um par de rolas, vê como Simeão e Ana
proclamam que Jesus é o Messias.
Seu pai e sua mãe ouviram
com admiração, diz S. Lucas.
Mais tarde, quando o
Menino fica no templo sem que Maria e José o saibam, ao encontrá-Lo de novo
depois de O procurarem três dias, o mesmo evangelista narra que se
maravilharam.
José surpreende-se, José
admira-se.
Deus vai-lhe revelando os
seus desígnios e ele esforça-se por compreendê-los.
Como toda a alma que quer
seguir de perto Jesus, descobre logo que não é possível andar com passo
ronceiro, que não pode viver da rotina.
Porque Deus não se
conforma com a estabilidade num nível conseguido, com o descanso no que já se
tem. Deus exige continuamente mais e os seus caminhos não são os nossos
caminhos humanos.
S. José, como nenhum outro
homem antes ou depois dele, aprendeu de Jesus a estar atento para conhecer as
maravilhas de Deus, a ter a alma e o coração abertos.
55
Mas, se José aprendeu de
Jesus a viver de um modo divino, atrever-me-ia a dizer que, no aspecto humano,
ensinou muitas coisas ao Filho de Deus.
Há qualquer coisa que não
me agrada no título de pai adoptivo com que às vezes se designa José, porque
tem o perigo de fazer pensar que as relações entre José e Jesus eram frias e
externas.
Certamente que a nossa fé
nos diz que não era pai segundo a carne, mas não é essa a única paternidade.
A José - lemos num sermão
de Santo Agostinho - não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido
mais do que a qualquer outro. E continua: Como era pai? Tanto mais
profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade. Alguns pensavam que
era pai de Nosso Senhor Jesus Cristo da mesma forma que são pai os outros, que
geram segundo a carne e não recebem os seus filhos só como fruto do seu afecto
espiritual. Por isso, diz S. Lucas: pensava-se que era pai de Jesus.
Porque diz apenas
pensava-se?
Porque o pensamento e o
juízo humanos referem-se àquilo que costuma acontecer entre os homens.
E o Senhor não nasceu do
germe de José. Mas à piedade e caridade de José nasceu um filho da Virgem
Maria, que era Filho de Deus.
José amou Jesus como um
pai ama o seu filho, tratou-o dando-lhe tudo que de melhor tinha. José,
cuidando daquele Menino como lhe tinha sido ordenado, fez de Jesus um artesão:
transmitiu-lhe o seu ofício.
Por isso, os vizinhos de
Nazaré falavam de Jesus chamando-lhe indistintamente faber e fabri filius”:
artesão e filho do artesão. Jesus trabalhou na oficina de José e junto de José.
Como seria José, como
teria actuado nele a graça, para ser capaz de levar a cabo a tarefa de
desenvolver no aspecto humano o Filho de Deus?
Por isso, Jesus devia
parecer-se com José no modo de trabalhar, nos traços do seu carácter, na
maneira de falar.
No realismo de Jesus, no
seu espírito de observação, no seu modo de se sentar à mesa e de partir o pão,
no seu gosto por falar dum modo concreto tomando como exemplo as coisas da vida
corrente, reflecte-se o que foi a infância e a juventude de Jesus e, portanto,
a sua convivência com José.
Não é possível desconhecer
a sublimidade do mistério.
Esse Jesus que é homem,
que fala com o sotaque de uma determinada região de Israel, que se parece com
um artesão chamado José, esse é o Filho de Deus.
E quem pode ensinar alguma
coisa a Deus?
Mas é realmente homem e
vive normalmente: primeiro como menino; depois, como rapaz que ajuda na oficina
de José; finalmente como homem maduro, na plenitude da idade.
Jesus crescia em
sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens.
(Continua)
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