20/01/2017

Bendita perseverança a do burrico

Se não for para construir uma obra muito grande, muito de Deus – a santidade –, não vale a pena entregar-se. Por isso, a Igreja, ao canonizar os Santos, proclama a heroicidade da sua vida. (Sulco, 611)


Se a vida não tivesse por fim dar glória a Deus, seria desprezível; mais ainda, detestável. (Caminho, 783)


Bendita perseverança a do burrico de nora! – Sempre ao mesmo passo. Sempre as mesmas voltas. – Um dia e outro; todos iguais.

Sem isso, não haveria maturidade nos frutos, nem louçania na horta, nem o jardim teria aromas.

Leva este pensamento à tua vida interior. (Caminho, 998)


Qual é o segredo da perseverança? O Amor. – Enamora-te. e não "O" deixarás. (Caminho, 999)

A entrega é o primeiro passo de uma corrida de sacrifício, de alegria, de amor, de união com Deus. E, assim, toda a vida se enche de uma bendita loucura, que faz encontrar felicidade onde a lógica humana não vê senão negação, padecimento, dor. (Sulco, 2)

– Qual é o fundamento da nossa fidelidade?

– Dir-te-ia, a traços largos, que se baseia no amor de Deus, que faz vencer todos os obstáculos: o egoísmo, a soberba, o cansaço, a impaciência...


Um homem que ama calca-se a si próprio; sabe que, até amando com toda a sua alma, ainda não sabe amar bastante. (Forja, 532)

Reflectindo - 219

Reflectindo



Que falta faço eu? -3


Voltando ao tema “que falta faço eu” reparo que o que tenho para contar aos outros se resume a coisas sobre mim:

o que espero, o que me acontece, o que preciso, desejo ou quero... eu, eu, eu!


Toda a vida gira à minha volta e todos, seja quem for tem por obrigação fazer o mesmo porque, eu, sou importante, indispensável.

Eu!

Talvez tenha de concluir que, a ser assim, não faço falta absolutamente nenhuma!

ama, reflexões, 2016.10.04


Evangelho e comentário

 
Tempo comum

Evangelho: Mc 3, 13-19

13 Tendo subido a um monte, chamou a Si os que quis, e aproximaram-se d'Ele.14 Escolheu doze para que andassem com Ele e para os enviar a pregar,15 com poder de expulsar os demónios:16 Simão, a quem pôs o nome de Pedro;17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”;18 e André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Cananeu,19 e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou.

Comentário:

Jesus Cristo dá a estes doze uma missão específica: pregar!

E o que é pregar?

É sempre anunciar o Reino de Deus.

Ontem como hoje os cristãos são "enviados" tal como estes doze, a levar a todas as partes, a todas as gentes a Boa Nova recebida, directamente de Jesus Cristo.

Os Doze foram os primeiros e, depois, sucederam-se continuam a suceder-se milhões de homens e mulheres de todas as condições sociais, de todas as partes do mundo exactamente com a mesma missão.

A Santa Igreja fundada por Jesus Cristo continua viva e actuante alicerçada nesse trabalho dedicado e contínuo, a maior parte das vezes discreto e sem notoriedade, de apostolado.

Pregar é, pois, sobretudo, levar aos outros o exemplo da própria vida cristã pois não se pode pregar o que não se pratica.

Quem acreditará em alguém que sugere ou mesmo aconselha, que não faz o que propõe a outros que façam?

(ama, comentário sobre Mc 3, 13-19 Carvide, 2015.01.2




Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 



Vol. 1

LIVRO IV

CAPÍTULO VI

Ambição do rei Nino, que, para estender os seus domínios, co­meçou por declarar a guerra aos seus vizinhos.

Justino, que, seguindo Trogo Pompeio, escreveu uma História Grega, ou antes História Estrangeira, não somente em latim, como este, mas mais abreviada, começou assim a obra dos seus livros:

No princípio, o poder sobre os povos e as nações encontrava-se todo nas mãos dos reis, guindados a esta suprema dignidade, não pela ambição popular, mas pela sabedoria que os bons lhes reconheciam. O povo ainda não estava vinculado a leis; mais do que estendê-los, era costume proteger os limites do Estado! Para cada um, esses limites identificavam-se com as fronteiras da sua própria pátria. Nino, da Assíria, foi o primeiro que, impelido por uma ambição até então ignorada, mudou estes antigos e quase ancestrais hábitos. Foi ele o primeiro a declarar guerra aos seus vizinhos e a estender o seu domínio até às fronteiras da Líbia sobre populações ainda ignorantes da arte de se defenderem [i].

Depois acrescenta:

Nino consolidou por uma posse duradoura o vasto império que tinha conquistado. Vencidos que foram os seus vizinhos, cada vez mais forte com o aumento das suas tropas, marchou contra os outros povos, servindo cada vitória de instrumento para a segunda, e assim submeteu os povos de todo o Oriente.

Qualquer que seja a fidelidade aos factos referidos por este ou por Trogo (efectivamente, outros escritores mais fiéis evidenciam alguns dos seus erros), consta, porém, nos demais escritores que Nino estendeu e alargou o reino dos Assírios. Sua duração foi até superior à que o Império Romano até agora atingiu. Na verdade, como escreveram os que continuaram a história cronológica, manteve-se este reino durante mil duzentos e quarenta anos desde o primeiro ano em que Nino começou a reinar até passar para os Medos.

Levar a guerra aos vizinhos, avançar depois para novas conquistas, esmagar e submeter por pura ambição de domínio povos pacíficos — que outro nome merece isto senão o de imensa quadrilha de ladrões?

CAPÍTULO VII

Serão os reinos da Terra ajudados ou abandonados pelos deuses no decurso do seu progresso ou do seu retrocesso?

Se este reino foi tão extenso e tão duradouro sem o menor auxílio dos deuses, porquê atribuir aos deuses romanos tão amplo em extensão e tão longo no tempo, o domínio romano? Porque, qualquer que seja a causa daquele, tem que ser a mesma deste. Se se pretende que se deve atribuir aquele ao auxílio dos deuses, pergunto de quais. Porque os outros povos que Nino conquistou e subjugou não adoravam deuses alheios. Ou, se os Assírios tiveram deuses próprios, estes, obreiros mais hábeis na arte de construir e de conservar um império, terão morrido quando esse povo perdeu o seu império? Ou, porque lhes não era pago o devido salário ou porque receberam melhores ofertas, preferiram passar-se para os Medos e destes, mais tarde, para os Persas, a convite de Ciro que lhes fazia ofertas mais vantajosas? De resto, este povo, depois do Império de Alexandre da Macedónia, grande em tamanho, mas muito breve no tempo, perdura até hoje em extensas regiões do Oriente.

Se assim é — ou os deuses são uns traidores que abandonam os seus e se passam para os inimigos (o que nem um simples homem como Camilo fez, quando, depois de ter vencido e tomado de assalto a cidade mais encarniçada inimiga de Roma, sentiu a ingratidão desta; todavia, esqueceu logo a injúria e, lembrado da pátria, livrou-se mais uma vez dos Gauleses);
— ou não são tão fortes como convém aos deuses que se­jam fortes, eles que podem ser vencidos pelas decisões ou força humanas;
— ou guerreiam-se uns aos outros e são vencidos, não por homens mas por outros deuses próprios de cada cidade, alimentando portanto entre si inimizades que cada um exerce a favor da sua facção. Uma cidade não devia, por conseguinte, venerar os seus deuses de preferência a outros pelos quais os seus poderão não ser ajudados.

Enfim, de qualquer modo que se interprete essa passagem para o inimigo, ou essa fuga, ou essa migração ou essa defecção dos deuses em pleno combate, — ainda o nome de Cristo não tinha sido pregado nesses tempos e nessas regiões da Terra, quando aqueles impérios, no decurso de ingentes calamidades bélicas, se perderam ou passaram a outros. Mas, se a religião cristã já aí tivesse pregado um outro reino, esse eterno, e proscrito o culto sacrílego dos falsos deuses quando, depois de uma existência de mais de mil e duzentos anos, o seu reino tivesse sido arrebatado aos Assírios, — que não teriam dito os espíritos frívolos dessa nação, senão que um reino conservado durante tanto tempo não podia perecer senão por uma causa: o abandono da sua religião e a introdução de uma religião nova?

Fixem neste possível clamor da vaidade a sua atenção e, se lhes resta ponta de pudor, envergonhem-se de queixumes semelhantes. O Império Romano sofreu mais um duro choque do que uma mudança; suportou provas como as doutros tempos antes do nome de Cristo, das quais se refez. Não se deve, pois, desesperar, nos tempos que correm. Efectivamente, quem conhece, a este respeito, a vontade de Deus?

CAPÍTULO VIII

Com o patrocínio de que deuses julgam os Romanos que o Império se dilatou e manteve, uma vez que se convence­ram de que a protecção de cada coisa devia ser confiada a cada deus em particular.

Se estais de acordo, indaguemos agora qual é ou quais são, no meio de tamanha turba de deuses adorados pelos Romanos, qual ou quais os que eles julgam que dilataram e mantiveram o império. Em trabalho tão preclaro e tão cheio de dignidade não ousarão com certeza atribuir qualquer quinhão à deusa Cluacina nem a Volúpia — assim chamada devido à voluptuosidade; nem a Lubertina, cujo nome vem de libido [ii] nem a Vaticano, que preside aos vagidos das crianças; nem a Cunina, que vigia sobre os seus berços (cunae). Mas, como é que num só capítulo deste livro podem ser mencionados os nomes de todos os deuses e de todas as deusas que dificilmente poderão caber em grossos volumes que tratam dos ofícios de cada deus para cada tarefa? Acharam que nem sequer deviam confiar a um só deus os trabalhos de campo mas entregaram os plainos à deusa Rusina (nus — campo), os cumes (juga) dos montes a Jugatino, as encostas (collis) à deusa Collatina, os vales a Valónia. Nem mesmo puderam reservar só para Segetia as ceifas (segetes) — mas puseram a deusa Seia a presidir às sementes, enquanto estão debaixo da terra; a deusa Segetia, quando já estão acima da terra até à ceifa; a deusa Tutilina, à conservação do grão colhido e recolhido para se conservar em segurança (tuta). A quem é que não pareceria suficiente aquela Segetia a todo o desenvolvimento da messe desde que nasce até que a espiga amadureça? Tal não bastou, porém, a homens amantes de uma multidão de deuses — e assim prostituíram a sua mísera alma à turba de demónios, desprezando o casto abraço do único Deus verdadeiro. Puseram por isso Prosérpina a presidir à germinação do trigo, o deus Nóduto aos gomos e nós (nodus) dos caules, a deusa Volutina ao envoltório das folhas; a deusa Patelana à abertura dos folículos para que a espiga passe; a deusa Hostilina, quando as espigas vão igualando as suas barbas, pois os antigos para «igualar» (aequare) usavam o verbo hostire; a deusa Flora à floração do trigo; o deus Lactumus quando está leitoso; a deusa Matuta à maturação; a deusa Runcina quando se arrancam (run­care), isto é, quando o levam da terra. E não enumero a todos porque me aborrece o que a eles não causa vergonha.

O pouco que disse é para que se compreenda que os Romanos de nenhuma forma ousavam atribuir o estabelecimento do Império Romano, a sua dilatação, a sua manutenção a divindades que estavam de tal modo especializadas, cada uma em seu ofício, que a nenhuma foi confiado um emprego global. Como é que, portanto, Segetia teria tomado a seu cuidado o Império, ela a quem não era permitido ocupar-se ao mesmo tempo das searas e das árvores? Como é que Cunina poderia pensar nas armas, ela a quem não era permitido deixar o berço das crianças? Como é que Nóduto poderia prestar ajuda na guerra, ele que nem ao invólucro da espiga mas apenas aos nós dos caules estava vinculado? Cada um põe em sua casa apenas um porteiro e embora seja um só homem, basta perfeitamente; mas eles colocaram três deuses — Fórculo nas portas (fores), Cárdea nos gonzos (cardo), Limentino à soleira (limen). E assim Fórculo não podia guardar ao mesmo tempo os gonzos e a soleira.

CAPÍTULO IX

Se a extensão e a duração do Império Romano se devem atribuir a Júpiter, que os seus adoradores consideram como o maior dos deuses.

Deixemos, pelo menos por momentos, essa turba de minúsculos deuses, e procuremos, como devemos, o papel dos deuses maiores, graças ao qual Roma se tomou tão grande a ponto de dominar tantos povos desde há tanto tempo. De certeza que isto é obra de Júpiter. Querem, efectivamente, que ele seja o rei de todos os deuses e de todas as deusas: indica-o o seu cetro, indica-o o Capitólio no alto da colina. Declaram que é acertadíssimo, embora proferido por um poeta, este dito a res­peito deste deus:

Tudo está cheio de Júpiter [iii].

Varrão crê que ele é adorado mesmo por aqueles que adoram um só deus sem imagem, mas com outro nome. Se assim é, porque é que ele é tão maltratado em Roma, como de resto entre outros povos, erigindo-lhe uma está­ tua? Isto desagradava tanto ao próprio Varrão que, embora pressionado pelo costume perverso duma semelhante cidade, não receou dizer e escrever que os que levantaram estátuas aos deuses aos povos tiraram o medo, mas infundiram o erro.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Trogo Pompeio, um historiador romano de origem gaulesa, contemporâneo de Augusto, com o título de Historiae Philipicae escreveu uma história em quarenta e quatro livros, em continuação de Tito Lívio. Era a descrição da história de vários povos, excepto os Romanos, a partir da Macedónia, reino de Filipe. Toda a obra se perdeu e é actualmente conhecida apenas pelo resumo que dela fez no Séc. II Juniano Justino
[ii] Lascívia.
[iii] Vergílio, Bucólicas, III, 60.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

III. MISSÕES DE PAULO [i]

Capítulo 13

1.ª Viagem Missionária: [ii]

Evangelização de Chipre

4Enviados, pois, pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e ali meteram-se num barco, rumo à ilha de Chipre. 5Chegados que foram a Salamina, começaram a anunciar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham também João como auxiliar. 6Percorreram toda a ilha até Pafos e encontraram lá um mago, falso profeta, judeu, chamado Barjesus, 7que estava ao serviço do procônsul Sérgio Paulo, homem ponderado. Este mandou chamar Barnabé e Saulo, desejoso de ouvir a palavra de Deus. 8Mas o mago Elimas - assim se traduz o seu nome - opôs-se-lhe, procurando desviar da fé o procônsul. 9Então Saulo - também chamado Paulo - cheio do Espírito Santo, fitou nele os olhos 10e disse-lhe: «Ó criatura, cheia de todas as astúcias e de toda a iniquidade, filho do diabo, inimigo de toda a justiça, quando é que cessarás de perverter os rectos caminhos do Senhor? 11Mas agora a mão do Senhor está sobre ti: vais ficar cego e, durante algum tempo, não hás-de ver o sol.» No mesmo instante, caíram sobre ele o nevoeiro e as trevas e, voltando-se para todos os lados, procurava alguém que o guiasse pela mão. 12Vendo, então, o que se tinha passado, o procônsul abraçou a fé, vivamente impressionado com a doutrina do Senhor.



[i] (13,1-28,31)
[ii] 13,1-14,28

Remédios para acabar com a tristeza - 4

Quarto remédio: contemplar a verdade



Trata-se do fulgor veritatis de que falava Santo Agostinho. Contemplar o esplendor das coisas, a natureza, uma obra de arte, escutar uma boa música, surpreender-se pela beleza de uma paisagem são coisas que podem servir como um eficaz bálsamo contra a tristeza.



(cont.)


(Cinco Remédios de são tomás de aquino para acabar com a tristeza)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





19/01/2017

Cristo também vive agora

Vive junto de Cristo! Deves ser, no Evangelho, uma personagem mais, convivendo com Pedro, com João, com André..., porque Cristo também vive agora: "Iesus Christus, heri et hodie, ipse et in saecula!" Jesus Cristo vive!, hoje como ontem; é o mesmo, pelos séculos dos séculos. (Forja, 8)


É esse amor de Cristo que cada um de nós deve se esforçar por realizar na sua vida. Mas para ser ipse Christus é preciso mirar-se Nele. Não basta ter-se uma ideia geral do espírito que Jesus viveu; é preciso aprender com Ele pormenores e atitudes. É preciso contemplar a sua vida, sobretudo para daí tirar força, luz, serenidade, paz.


Quando se ama alguém, deseja-se conhecer toda a sua vida, o seu carácter, para nos identificarmos com essa pessoa. Por isso temos de meditar na vida de Jesus, desde o Seu nascimento num presépio até à Sua morte e à Sua Ressurreição. Nos primeiros anos do meu labor sacerdotal costumava oferecer exemplares do Evangelho ou livros onde se narra a vida de Jesus, porque é necessário que a conheçamos bem, que a tenhamos inteira na mente e no coração, de modo que, em qualquer momento, sem necessidade de nenhum livro, cerrando os olhos, possamos contemplá-la como um filme; de forma que, nas mais diversas situações da nossa vida, acudam à memória as palavras e os actos do Senhor.



Sentir-nos-emos assim metidos na sua vida. Na verdade, não se trata apenas de pensar em Jesus e de imaginar aqueles episódios; temos de meter-nos em cheio neles, como actores. (Cristo que passa, 107)

Temas para meditar - 686

Oração



Olhai que perdeis um grande tesouro e que fareis muito mais com uma palavra de quando em vez do Pater noster, que dizer-Lhe muitas vezes apressadamente; estai muito junto a quem pedis, não deixará de vos ouvir; e acreditai que aqui está o verdadeiro louvar e santificar o Seu Nome.





(santa teresa de jesus Caminho de perfeição 31 13)

Evangelho e comentário

 
Tempo comum

Evangelho: Mc 3, 7-12

7 Jesus retirou-Se com Seus discípulos para o mar, e segiu-O uma grande multidão do povo da Galileia; também da Judeia,8 de Jerusalém, da Idumeia, da Transjordânia e das vizinhanças de Tiro e de Sidónia, tendo ouvido as coisas que fazia, foram em grande multidão ter com Ele.9 Mandou aos Seus discípulos que Lhe aprontassem uma barca para que a multidão não O apertasse.10 Porque, como curava muitos, todos os que padeciam algum mal lançavam-se sobre Ele para O tocarem.11 E os espíritos imundos, quando O viam, prostravam-se diante d'Ele e gritavam: «Tu és o Filho de Deus».12 Mas Ele ordenava-lhes com severidade que não O manifestassem.

Comentário:

As pessoas percorriam grandes distâncias para terem uma oportunidade de estar com Jesus.

E não seria fácil nem cómodo, naqueles tempos recuados, fazer tão grandes deslocações, mas, o desejo de estar com o Mestre, tudo vencia e tudo merecia.

Nós que nos queixamos – tantas vezes – com os pequenos incómodos de ir-mos até à Igreja mais próxima, por vezes… bem próxima, deveríamos ter os olhos postos nestes exemplos e, dar muitas graças a Deus pelas “facilidades” que usufruímos em poder estar com Ele mais propriamente na Santa Missa.

(AMA Comentário sobre Mc 3, 7-12, 2014.01.23)




Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 



Vol. 1

LIVRO IV

CAPÍTULO II

Assuntos contidos nos livros segundo e terceiro.

Tínhamos pois prometido que havíamos de opor certos argumentos aos que atribuem à nossa religião os desastres da República Romana, e de relembrar (quaisquer que eles fossem e por muito grandes que fossem, à medida que eles se apresentassem ou tanto quanto fosse necessário) os males suportados por Roma e pelas províncias dependentes do Im­pério antes da proibição dos seus sacrifícios — males que eles nos atribuiriam sem dúvida se já então a nossa religião tivesse sobre eles difundido a sua luz ou se já lhes tivesse proibido as suas sacrílegas cerimónias.

Parece-me que desenvolvemos suficientemente estes assuntos no segundo e terceiro livros:
— no segundo, ao tratarmos dos males morais, que se devem considerar como os únicos verdadeiros males ou, pelo menos, como os maiores,
— no terceiro, ao tratarmos dos males ligados ao corpo e às coisas exteriores, únicos que os insensatos suportam com horror e que também os bons suportam. Aqueles males, não digo que os aceitam com paciência, mas antes com prazer; e, todavia, estes males é que os tornam maus.

E bem pouco disse acerca de Roma e do seu império — e muito menos até César Augusto. Se eu quisesse recordar e exagerar tais males — não já os males que os homens fazem uns aos outros, tais como as devastações e as destruições dos guerreiros, mas aqueles que surgem dos elementos terrenos do próprio mundo (Apuleio faz deles um breve relato numa passagem do seu livro DE MUNDO [i]. Refere que todas as coisas terrestres estão sujeitas a mutações, transformações, destruições: «tremores de terra sem medida» — utilizo as suas palavras — «abriram o solo e engoliram cidades com as suas populações»;
trombas de água inundaram regiões inteiras;
antigos continentes transformaram-se em ilhas pela invasão de estranhas ondas;
outras ilhas, devido ao recuo do mar, tomaram-se acessíveis a pé enxuto;
ventanias e procelas arrasaram cidades;
fogo caído das nuvens abrasou e consumiu regiões do Oriente;

no Ocidente, trombas de água e inundações causaram idênticas devastações. Assim, certo dia o Etna esvaziou a sua cratera e rios de fogo precipitaram-se, como um incêndio vindo do céu, do cume ao longo das encostas, como uma torrente de chamas) — se eu quisesse recolher, de onde pudesse, estes factos e outros semelhantes que a história refere, quando é que eu acabaria? E estas calamidades aconteceram nesses tempos em que o nome de Cristo não tinha reprimido qualquer dessas fúteis práticas, perniciosas à verdadeira salvação.

Também tinha prometido mostrar de que qualidade eram os hábitos morais dos Romanos, e por que razão o verdadeiro Deus, em cujo poder estão todos os reinos, se dignou ajudá-los a estender o seu império, e como aqueles, que consideram deuses, em nada os auxiliaram, mas antes inúmeros danos lhes têm causado com disfarces e enganos. Parece-me que agora devo, portanto, falar (e mais demoradamente) do incremento do Império Romano. De facto, acerca da nociva falácia dos demónios que eles adoram como deuses, já se disse, e não pouco, principalmente no livro segundo, quantos males introduziram nos seus costumes. No decurso dos três livros findos, assinalámos, quando nos pareceu oportuno, quantas consolações, mesmo nas desgraças da guerra, graças ao nome de Cristo, a quem os bárbaros testemunharam tanta honra, ao contrário dos costumes de guerra, Deus carreou para os bons e para os maus,

Ele que fez nascer o sol sobre os bons e sobre os maus e chover sobre os justos e os injustos [ii].

CAPÍTULO III

Se a dilatação do Império, que só por guerras se conseguiu, se deve considerar um dos bens dos sábios e dos felizes.

Vejamos então agora o que valem as suas razões para se atreverem a atribuir aos deuses tamanha extensão e duração do Império Romano, e afirmarem que se comportaram honestamente, venerando-os com jogos torpes representados por torpes comediantes.

Mas, antes, quereria averiguar brevemente se é razoável e sensato querer gabar-se da extensão e grandeza do Império — quando se não pode demonstrar a felicidade de homens sempre mergulhados em guerras, em calamidades, no sangue do concidadão ou do inimigo (mas sempre sangue humano) e sob tenebroso terror e cruenta cupidez. Essa «felicidade» brilhante como o vidro e como ele frágil, vive-se no terrível receio de que de repente se estilhace.

Para mais à-vontade sobre isto fazermos um juízo, não nos desvane­çamos com vãs jactâncias, nem enfraque­çamos a força do pensamento com palavras altissonantes como «povos», «reinos», «províncias». Imaginemos dois homens (porque cada homem, tal como uma letra na frase, é um elemento da cidade e do reino, por maior que seja a extensão do seu território) — pensemos que, destes dois homens, um é pobre ou antes de classe média, e o outro muito rico. O rico é atormentado de temores, consumido de desgostos, arde em cobiça, nunca seguro, sempre inquieto, ofegante em perpétuos conflitos de inimizades, aumentando sem dúvida o seu património sem limite à custa destas misérias, mas àqueles aumentos juntando também amaríssimos cuidados.

O de condição média, porém, está satisfeito com o seu pequeno e apertado património familiar, é dos seus muito querido, goza da mais doce paz com os parentes, vizinhos e amigos, é piedosamente religioso e dotado de grande afabilidade, tem o corpo sadio, na vida parco, casto nos costumes, sereno de consciência. Não sei se haverá alguém tão louco que duvide qual deverá preferir.


Ora, como nestes dois homens, assim é a regra da equidade a seguir em duas famílias, em dois povos, em dois reinos. Aplicando como deve ser e com a condição de rectificar o nosso pensamento, veremos facilmente onde estão as aparências e onde está a felicidade. É por isso que, se o verdadeiro Deus for adorado e for servido com verdadeiros sacrifícios e costumes puros, é útil que os bons estendam até muito longe e por muito tempo o seu poder, e isto não tanto por eles próprios mas por aqueles que eles governam. Porque, quanto a eles próprios, a sua piedade, a sua justiça, que são grandes dons de Deus, bastam-lhes para a verdadeira felicidade: a de viverem bem nesta vida e obterem depois a vida eterna. Nesta Terra, portanto, o reino dos bons é um benefício não tanto para eles próprios como para a humanidade. Porém, o reino dos maus é-lhes funesto principalmente a eles, pois arruínam as almas com a maior facilidade de cometerem crimes. Mas, àqueles que lhes estão submetidos, nada mais é prejudicial do que a iniquidade própria. Efectivamente, os sofrimentos que aos justos advêm dos senhores injustos não são o castigo de uma falta, mas a provação da virtude. Por conseguinte, o bom, mesmo que reduzido à escravidão, é livre; ao passo que o mau, mesmo que seja rei, é escravo — não de um homem mas, o que é mais grave, de tantos senhores quantos os vícios. A estes vícios se refere a Sagrada Escritura quando diz:

Quando alguém se deixa vencer por alguma coisa, toma-se dela escavo [iii].

CAPÍTULO IV

Os reinos sem justiça assemelham-se a uma quadrilha de la­drões.

Afastada a justiça, que são, na verdade, os reinos senão grandes quadrilhas de ladrões? Que é que são, na verdade, as quadrilhas de ladrões senão pequenos reinos? Estas são bandos de gente que se submete ao comando de um chefe, que se vincula por um pacto social e reparte a presa segundo a lei por ela aceite. Se este mal for engrossando pela afluência de numerosos homens perdidos, a ponto de ocuparem territórios, constituírem sedes, ocuparem cidades e subjugarem povos arroga-se então abertamente o título de reino, título que lhe confere aos olhos de todos, não a renúncia à cupidez, mas a garantia da impunidade. Foi o que com finura e verdade respondeu a Alexandre Magno certo pirata que tinha sido aprisionado. De facto, quando o rei perguntou ao homem que lhe parecia isso de infestar os mares, respondeu ele com franca audácia: «O mesmo que a ti parece isso de infestar todo o mundo; mas a mim, porque o faço com um pequeno navio, chamam-me ladrão; e a ti porque o fazes com uma grande armada, chamam-te imperador».

CAPÍTULO V

Os gladiadores fugitivos cujo poderio se assemelhou à dignidade régia.

Não me detenho a averiguar que tipo de gente congregou Rómulo. Muito fez por eles quando os admitiu na comunidade da cidade, pois desta maneira afastou-os daquela vida, impediu-os de pensarem nas devidas penas, cujo receio os arrastava para crimes ainda mais graves, e levou-os a que doravante se tomassem mais pacíficos na vida social.
Pois digo-vos que, quando o Império Romano já era grande pelo número de povos subjugados e temível para os demais, sofreu amargamente, teve grandes receios e não conseguiu senão à custa de grandes esforços evitar um ingente desastre, quando pouquíssimos gladiadores, fugidos da sua escola de exercícios na Campânia, forma­ram um grande exército, nomearam três chefes e devastaram cruelmente grande parte da Itália. Dirão: que Deus é que os terá ajudado de forma a chegarem, de um pequeno e desprezível bando de ladrões, a um poder capaz de meter medo às forças e fortalezas romanas tão imponentes? Teremos que lhes negar o auxílio divino porque duraram pouco tempo? Como se, na verdade, a vida de qualquer homem fosse longa! Deste modo, os deuses a ninguém ajudariam a reinar, pois que cedo cada um morrerá — nem poderia ser tomado como um benefício o que em cada homem, e, portanto, em todos, em pouco tempo se desvanece como fumo. Que importa, de facto, aos que veneraram os deuses no tempo de Rómulo e que morreram há muito tempo, que o Império Romano tanto se tenha dila-tado depois da sua morte, quando já enfrentam as suas causas nos infernos? Se são boas ou más, isso já não importa ao caso presente. O mesmo é de pensar de todos aqueles que passaram a correr através do próprio Império (mesmo que a sua duração se estenda por várias épocas, dado o desaparecimento e a sucessão dos mortais), transportando o fardo dos seus actos durante a curta vida. Mas, se mesmo as vantagens desses tempos efémeros se devem atribuir à ajuda dos deuses — em pouco não foram ajudados os gladiadores que quebraram os grilhões da condição servil, que fugiram, que escaparam, que se agruparam num enorme e fortíssimo exército, e que, obedecendo às directrizes e ordens dos seus reis, fizeram trem er a grandeza romana e, depois de se terem mantido invictos perante vários generais romanos, se apoderaram de muitos despojos, conseguiram inúmeras vitórias, deram satisfação aos prazeres por que ansiavam e fizeram tudo o que a paixão lhes sugeria. Por fim, até serem vencidos — o que mui dificilmente aconteceu — viveram gloriosos como reis. Mas passemos a assuntos mais importantes.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Acerca do Mundo. Tem-se hoje quase como ponto assente que o De Mundo é uma adaptação do tratado do pseudo-Aristóteles.
[ii] Mat., V, 45.
[iii] II Pedro, II, 19.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

III. MISSÕES DE PAULO [i]

Capítulo 13


1.ª Viagem Missionária: [ii]

Barnabé e Saulo em missão

1Havia na igreja, estabelecida em Antioquia, profetas e doutores: Barnabé, Simeão, chamado ‘Níger’, Lúcio de Cirene, Manaen, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. 2Estando eles a celebrar o culto em honra do Senhor e a jejuar, disse-lhes o Espírito Santo: «Separai Barnabé e Saulo para o trabalho a que Eu os chamei.»

3Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir.



[i] (13,1-28,31)
[ii] 13,1-14,28