10/03/2016

Índice de publicações em Mar 10

nunc coepi – Índice de publicações em Mar 10

São Josemaria – Textos

AMA - Reflectindo - Conhecer-se

AMA - Comentários ao Evangelho Jo 5 31-47,Confissões - Santo Agostinho

Doutrina – Demónio

JMA - Quaresma

AT - Salmos - 129

Filipe Aquino, Silêncios de Deus


Agenda Quinta-Feira

Reflexões quaresmais

 Quaresma de 2016 – 28ª Reflexão

E a mansidão, Senhor?

Mais uma vez que me convidas a passear contigo e vais-me colocando perante mim:

A mansidão, meu filho, é uma virtude que te faz viver em paz contigo e com os outros, nas coisas mais simples e nas coisas mais difíceis. É aceitares os outros como eles são, e aceitares-te também a ti, como tu és.

É seres aberto a ser ensinado em tudo, às vezes por aqueles que julgas nada te poderem ensinar, (porque os julgas simples, sem nada para ensinar), mas que num gesto ou numa palavra te podem fazer perceber os teus erros e fraquezas ou tantas coisas que desconheces.

É não levantares a voz, nem externa, nem internamente, mas procurares, por exemplo, numa discussão, fazê-la de coração aberto, atento ao que te dizem e respondendo em paz e tranquilidade.

É um caminho tão vasto, meu filho, que só confiando no Espírito Santo e a Ele se entregando, é possível verdadeiramente percorrer.

Queres perceber, meu filho, numa coisa muito simples, onde podes viver também a mansidão?

Por exemplo, quando conduzes o teu automóvel e te irritas com aquilo que achas serem as asneiras dos outros. Serão mesmo asneiras e não as praticas tu também, de quando em vez? Sabes qual é o estado de espírito daquele que as praticou?

E não te esqueças, meu filho, que só pode ser manso aquele que é forte, porque só na fortaleza e na humildade se encontra a mansidão.

Nem sei o que Te dizer, mas peço-Te:

Faz com que o meu coração e a minha mente reflictam sempre na mansidão, antes de reagirem, antes de responderem, seja a quem for e a tudo aquilo que acontecer no dia-a-dia da vida que me dás.
Que eu me saiba entregar ao Espírito Santo, para que na Sua fortaleza, eu possa ser manso como Tu queres que seja.
Ensina-me a mansidão, Senhor, faz-me manso e humilde como Tu!

Obrigado, Senhor, pelos mansos e humildes de coração.



joaquim mexia alves, Monte Real, 9 de Março de 2016

Evangelho, comentário, L. espiritual


Quaresma

Semana IV

Evangelho: Jo 5, 31-47

31 «Se dou testemunho de Mim mesmo, o Meu testemunho não é verdadeiro. 32 Outro é o que dá testemunho de Mim; e sei que é verdadeiro o testemunho que dá de Mim. 33 Vós enviastes mensageiros a João e ele deu testemunho da verdade. 34 Eu, porém, não recebo o testemunho dum homem, mas digo-vos estas coisas a fim de que sejais salvos. 35 João era uma lâmpada ardente e luminosa. E vós, por uns momentos, quisestes alegrar-vos com a sua luz. 36 «Mas tenho um testemunho maior que o de João: as obras que o Pai Me deu que cumprisse, estas mesmas obras que Eu faço dão testemunho de Mim, de que o Pai Me enviou. 37 E o Pai que Me enviou, Esse mesmo deu testemunho de Mim. Vós nunca ouvistes a Sua voz nem vistes a Sua face 38 e não tendes em vós, de modo permanente, a Sua palavra, porque não acreditais n'Aquele que Ele enviou. 39 «Examinai as Escrituras, visto que julgais ter nelas a vida eterna: elas são as que dão testemunho de Mim. 40 E não quereis vir a Mim, para terdes vida. 41 A glória, não a recebo dos homens, 42 mas sei que não tendes em vós o amor de Deus. 43 Vim em nome de Meu Pai e vós não Me recebeis; se vier outro em seu próprio nome, recebê-lo-eis. 44 Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros e não buscais a glória que só de Deus vem? 45 Não julgueis que sou Eu que vos hei-de acusar diante do Pai; Moisés, em quem confiais, é que vos acusará. 46 Se acreditásseis em Moisés, certamente acreditaríeis também em Mim, porque ele escreveu de Mim. 47 Porém, se não dais crédito aos seus escritos, como haveis de dar crédito às Minhas palavras?».

Comentário:

Talvez possa espantar alguns a paciência com que Jesus Cristo trata os Seus principais detractores que se Lhe opõem tenazmente.

De facto Ele é O Mestre que ensina repetindo uma e outra vez quase com as mesmas palavras a verdade a Seu respeito.

Quase parece que se dirige a analfabetos, a pessoas sem qualquer educação ou conhecimentos.

Mas a nós, que sabemos que Ele é o Filho de Deus e nosso Salvador, não nos espanta porque Ele procede exactamente da mesma forma connosco.

Pacientemente vai-nos levando por caminhos de verdade e rectidão tentando sempre sem interrupções ou desfalecimentos que compreendamos e, compreendendo, aceitemos e, aceitando nos convertamos em cristãos autênticos a caminho da Salvação.

(ama, comentário sobre Jo 5, 31-47, 2014.03.31)


Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO - CONFISSÕES

LIVRO QUATRO

CAPÍTULO II

Professor de retórica

Naqueles anos eu ensinava retórica e, movido pela cobiça, vendia a arte de vencer pela loquacidade. Contudo, bem sabes, Senhor, que preferia ter bons discípulos, dos que se chamam “bons”, aos quais ensinava sem rodeios a arte de enganar, não para que usassem dela contra a vida de um inocente, mas para algum dia defender algum culpado. Mas, ó Deus, tu me viste de longe vacilar sobre um caminho escorregadio, viste brilhar, entre espesso fumo, os fulgores da boa fé que eu demonstrava ao ensinar àqueles amantes da vaidade, àqueles pesquisadores de mentiras, eu, seu irmão e semelhante.

Por essa mesma época tive em minha companhia uma mulher, não reconhecida pelo chamado matrimónio legítimo, mas procurada pelo inquieto ardor de minha paixão imprudente; mas era só uma, e eu era-lhe fiel. E assim experimentei pessoalmente a distância que há entre o amor conjugal contraído com o fim de ter filhos, e o amor lascivo, no qual a prole também nasce, mas contra o desejo dos pais, embora, uma vez nascida, os obrigue a amá-la.

Lembro-me também de que, querendo participar de um certame de poesia, um arúspide mandou-me indagar que dádiva lhe daria para eu sair vencedor. Mas eu, que abominava aqueles nefandos sortilégios, respondi-lhe que não consentiria que se matasse uma mosca para obter a vitória, mesmo que o prémio fosse uma coroa de ouro incorruptível; sabia eu que ele teria de matar animais nos seus sacrifícios, julgando com tais honras assegurar para mim os votos do demónio.

Mas, confesso, Deus de meu coração, que se repudiei tal crime, não o fiz por amor da tua pureza. Pois ainda não sabia amar-te, eu, que sabia conceder apenas esplendores corpóreos.

Não é pois verdade que a alma que suspira por semelhantes fábulas não se aniquila longe de ti, e se apoia na falsidade, e se apascenta de vento? Mas eis que, não querendo que se oferecessem sacrifícios aos demónios, eu mesmo me sacrificava a eles com aquela superstição. Com efeito, que significa apascentar ventos, senão apascentar os espíritos diabólicos, isto é, tornarmo-nos, por nossos erros, objecto de seu riso e escárnio?

CAPÍTULO III

A atracção da astrologia

Por isso, não cessava de consultar os impostores chamados matemáticos, já que estes não usavam nas suas adivinhações de quase nenhum sacrifício, nem dirigiam preces a nenhum espírito o que, consequentemente, é condenado e repelido com razão pela piedade cristã e verdadeira. Porque o bom é confessar-te, Senhor, e dizer-te: Tem misericórdia de mim, e cura a minha alma, porque pecou contra ti, e não abusar da tua indulgência para pecar mais livremente, mas ter sempre presente a sentença do Senhor: Eis-te curado: não peques mais, para que te não suceda algo pior – Estas palavras, cujo efeito salutar os astrólogos querem destruir, dizendo: “O impulso de pecar vem dos céus; foi Vénus, Saturno ou Marte que fizeram isto” – e tudo para que o homem, que é carne, e sangue, e soberba podridão, se sinta sem culpa, e atribua esta ao criador e ordenador do céu e das estrelas. E quem é este, senão tu, nosso Deus, suavidade e fonte de justiça, que dás a cada um de acordo com suas obras, e não desprezas ao coração contrito e humilhado?

Havia então um varão muito sábio, peritíssimo na arte médica, na qual era célebre; sendo procônsul, pôs com as suas próprias mãos sobre minha cabeça insana a coroa da vitória do concurso; foi como procônsul, e não como médico, porque daquela minha enfermidade só tu me podias sarar, pois resistes aos soberbos e dás a tua graça aos humildes.

Contudo, deixaste acaso de cuidar de mim também por meio daquele ancião? Ou talvez desistisse de curar minha alma? Tendo-me familiarizado muito com ele, passei a ser assistente assíduo e frequente de suas conversas, que eram agradáveis e graves, não pela elegância da linguagem, mas pela vivacidade das sentenças. Assim que ficou sabendo, por conversa, que eu me dedicava à leitura dos livros dos astrólogos, admoestou-me benigna e paternalmente a que os deixasse, e a que não gastasse inutilmente nessas quimeras os meus cuidados e trabalho, que melhor empregaria em coisas úteis. Acrescentou que também ele havia cultivado aquela arte, a ponto de querer adoptá-la, na sua juventude, como profissão para ganhar a vida, pois, se havia entendido Hipócrates, podia também entender aqueles livros; por fim, deixara aqueles estudos pelos da medicina, por causa da sua falsidade, não querendo, como homem sério, ganhar o pão enganando os outros. “Mas tu, disse-me ele – que tens para manter entre os homens tuas aulas de retórica, segues essas mentiras não por necessidade, mas por mera curiosidade; mais um motivo para que acredites no que te digo, pois cuidei de aprendê-la tão perfeitamente que quis viver apenas de seu exercício”.

Indaguei-lhe então por que muitas das coisas prognosticadas pela tal ciência se revelavam verdadeiras, respondeu-me, como pôde, que a força do acaso está espalhada por toda a natureza. “Se alguém – dizia ele – consultando as vezes as páginas de um poeta qualquer, encontra um verso que, apesar do poeta pensar em coisas muito diversas quando o compôs, adapta-se admiravelmente ao assunto que o preocupa; assim pois nada tem de estranho que a alma humana, movida por instinto superior, inconsciente do que se passa no seu íntimo, diga, não por arte, mas por sorte, algo que corresponda aos atos e gestos do consulente”.

E isto, Senhor, ensinou-me ele, ou melhor, ensinaste-me por teu intermédio, e delineaste tu na minha memória o que eu mesmo mais tarde devia procurar. Mas então, nem ele, nem meu caríssimo Nebrídio, jovem muito bom e casto, que zombava de toda aquela arte divinatória, puderam convencer-me a abandoná-la, porque ainda impressionava-me mais a autoridade daqueles autores. Não tinha eu encontrado ainda o argumento evidente que procurava, que me demonstrasse sem ambiguidade que os presságios acertados dos astrólogos são obra da sorte ou casualidade, e não da arte de observar os astros.

CAPÍTULO IV

A morte do amigo

Por aqueles anos, quando comecei a ensinar em minha cidade natal, conheci um amigo, a quem amei em demasia por ser meu companheiro de estudos, de minha idade, e por estarmos ambos na flor da juventude. Juntos fomos criados quando crianças, juntos íamos à escola, juntos havíamos brincado. Mas nessa época não era amigo tão íntimo como o foi depois, embora também não o fosse tanto quanto o exige a verdadeira amizade, uma vez que esta só existe entre os que unes por meio da caridade, derramada em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Contudo, aquela amizade, aquecida ao calor de estudos semelhantes era-me sumamente grata. Consegui até afastá-lo da verdadeira fé, pouco profunda e arraigada em sua adolescência, arrastando-o para as fábulas supersticiosas e prejudiciais, razão das lágrimas de minha mãe.

Esse homem já errava em espírito comigo, e minha alma não podia viver sem ele.

Mas eis que, seguindo de perto no encalço de teus servos fugitivos, ó Deus das vinganças, que és a um tempo fonte de misericórdia, e nos converte a ti por estranhos caminhos, eis que tu o arrebataste desta vida, quando eu apenas havia gozado um ano de sua amizade, mais doce para mim que todas as doçuras da minha vida.

Quem poderá enumerar teus louvores, mesmo limitando-se ao que experimentou em si mesmo? Que fizeste então, meu Deus! E quão impenetrável é o abismo dos teus juízos! Lutando meu amigo contra a febre, ficou por muito tempo sem sentidos, banhado no suor da morte; e, como temessem pela sua vida, baptizaram-no sem que ele o soubesse, com o que não me importei, convencido que estava de que seu espírito reteria melhor aquilo que eu lhe havia inculcado do que o sinal que recebera sobre o corpo inconsciente.

A realidade, contudo, foi muito outra. Melhorando, e estando fora de perigo, logo que lhe pude falar – e o fiz logo que ele o pôde, e como dependíamos mutuamente um do outro eu não me afastava do seu lado – tentei rir-me na sua presença do baptismo, julgando que também ele zombaria comigo de um baptismo recebido sem conhecimento nem sentidos, mas ele já sabia que o havia recebido. Olhando-me então com horror, como a um inimigo, admoestou-me com admirável e repentina franqueza, dizendo-me que se queria continuar a ser seu amigo deixasse de tais palavras. Admirado e perturbado, reprimi toda minha emoção, esperando que convalescesse primeiro, para, recobradas as forças, estar disposto a discutir comigo o que quisesse. Mas tu, Senhor, livraste-o de minha louca amizade, guardando-o em ti para o meu consolo, pois, poucos dias depois, na minha ausência, voltaram-lhe as febres e morreu.

Que dor fez anoitecer o meu coração! Tudo o que via era morte para mim. A pátria era-me um suplício, e a casa paterna tormento insuportável, e tudo o que o lembrava transformava-se para mim em crudelíssimo martírio. Buscavam-no por toda parte meus olhos, e o mundo não mo devolvia. Cheguei a odiar todas as coisas, porque nada o continha, e ninguém mais me podia dizer como antes, quando chegava depois de alguma ausência: “Ali vem ele”. Transformara-me mesmo num grande problema. Perguntava à minha alma porque andava triste, e se perturbava tanto, e ela não sabia o que responder-me. E se eu lhe dizia: “Espera em Deus” – a minha alma não me obedecia, e com razão, porque para mim, era mais real e melhor o amigo querido que perdera, que o fantasma em que mandava tivesse esperança. Só o pranto me era doce. Ocupava o lugar de meu amigo nas delícias de meu coração.

(cont)

(Revisão de versão portuguesa por ama)


Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Antigo testamento / Salmos

Salmo 129







1 Muitas vezes me oprimiram desde a minha juventude; que Israel o repita:
2 Muitas vezes me oprimiram desde a minha juventude, mas jamais conseguiram vencer-me.
3 Passaram o arado em minhas costas e fizeram longos sulcos.
4 O Senhor é justo! Ele libertou-me das algemas dos ímpios.
5 Retrocedam envergonhados todos os que odeiam Sião.
6 Sejam como a erva do terraço, que seca antes de crescer, que não enche as mãos do ceifeiro nem os braços daquele que faz os fardos.

7 E que ninguém que passa diga: "Seja sobre vós a bênção do Senhor; nós os abençoamos em nome do Senhor!" Os filhos dos seus filhos. Haja paz em Israel!

Renova a alegria de lutar

Em certos momentos angustia-te um princípio de desânimo, que mata todo o teu entusiasmo, e que mal consegues vencer à força de actos de esperança. Não importa; é a melhor hora de pedir mais graça a Deus, e avante! Renova a alegria de lutar, ainda que percas uma escaramuça. (Sulco, 77)

Com monótona cadência sai da boca de muitos o ritornello já tão vulgar, de que a esperança é a última coisa que se perde; como se a esperança fosse um apoio para continuarmos a deambular sem complicações, sem inquietações de consciência; ou como se fosse um expediente que permite adiar sine die a oportuna rectificação do procedimento, a luta para alcançar metas nobres e, sobretudo, o fim supremo de nos unirmos com Deus.


Eu diria que esse é o caminho para confundir a esperança com a comodidade. No fundo, não há ânsias de conseguir um verdadeiro bem, nem espiritual, nem material legítimo; a mais alta pretensão de alguns reduz-se a evitar o que poderia alterar a tranquilidade – aparente – de uma existência medíocre. Com uma alma tímida, acanhada, preguiçosa, a criatura enche-se de egoísmos subtis e conforma-se com o facto de os dias, os anos decorrerem sine spe nec metu, sem aspirações que exijam esforço, sem os perigos da peleja: o que importa é evitar o risco do desaire e das lágrimas. Que longe se está de obter uma coisa, se se malogrou o desejo de a possuir, por temor das exigências que a sua conquista comporta! (Amigos de Deus, n. 207)

Avançar na Fé

E os silêncios de Deus? -5

Este “avançar na fé” pode ser comparado a um complicado jogo de “quebra-cabeça”; no seu início não temos a menor ideia do quadro a compor, parece que o “quebra-cabeça” não tem solução, a charada é desafiadora; mas, devagar, com paciência, vamos juntando as peças (…) começa a surgir alguma coisa.
Ao combinar as peças começa a surgir o quadro, e então, vai ficando cada vez mais fácil, até o fim.



filipe aquino


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Doutrina - 80

O demónio realmente existe?

…/10

Os cristãos acreditam que a vitória definitiva do bem e a destruição definitiva do mal se darão no final dos tempos.
Enquanto isso, o tempo em que vivemos caracteriza-se por esta luta entre o bem e o mal.
A vida dos santos testemunha esta luta, às vezes face a face, com os demónios.

O poder de Satanás manifesta-se de muitas formas; a possessão diabólica é somente uma manifestação extraordinária.

(cont)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Reflectindo - 162

Conhecer-se - 1


Dissertar sobre este tema coloca imediatamente uma questão óbvia: quem sou eu?
Daqui parte-se para um dilema que se apresenta como inevitável: sou quem sou ou quem pretendo ser, ou, talvez de outro ângulo: actuo de acordo ou desvio-me como pretendo?

Pode - e talvez seja - mera especulação filosófica muito conveniente para mascarar a realidade. Não estar absolutamente satisfeito com o que se faz parece-me normal e saudável exactamente porque desperta o desejo de melhoria ou, a convicção de não se fazer quanto realmente está ao nosso alcance fazer.


(cont)

09/03/2016

Índice de publicações em Mar 09

nunc coepi – Índice de publicações em Mar 09

São Josemaria – Textos

Cuidar da vida até à morte (CEP), Dignidade Humana, Eutanásia, 

AMA - Comentários ao Evangelho Jo 5 17-30, Confissões - Santo Agostinho

Doutrina – Demónio

JMA – Quaresma

Matrimónio, Ramiro Pellitero Iglesias

AT - Salmos – 128


Agenda Quarta-Feira

Reflexões quaresmais

Quaresma de 2016 – 27ª Reflexão

Trazes, Senhor, ao meu coração a Mãe do Céu, a Mãe que Tu nos deste naquele dia na Cruz.

E é Ela que me senta ao seu colo e me fala ao coração:
Meu Joaquim, o meu único e grande desejo é mostrar-te Jesus, todos os dias, desde que te levantas até que te deitas.
Discretamente, como sempre fiz, caminho a teu lado e vou-te mostrando, com o coração de Mãe, a presença do meu Filho sempre junto de ti e de todos.
Por vezes estás distraído ou olhas para o lado, quando te surge aquele que não conheces ou te incomoda, mas Eu chamo-te a atenção para que vejas Jesus no teu irmão.
Não sou Eu, por vontade dEle, Mãe de todos?
Meu Joaquim, a melhor honraria, a melhor devoção que me podem fazer, é amar Jesus acima de todas as coisas, fazer em tudo a Sua vontade e só a Ele adorar e glorificar.

Olho-te nos olhos, e uma lágrima teimosa aparece, quando te peço:
Ajuda-me e ensina-me, Mãe, a amar Jesus acima de todas as coisas e a segui-lO em tudo e sempre.
Ajuda-me e ensina-me, Mãe, a reconhecer Jesus em cada irmã e cada irmão que passam na minha vida, seja em que circunstância for, mas sobretudo naqueles que mais necessitam.
Ajuda-me e ensina-me, Mãe, a fazer sempre tudo o que Ele me disser.
E não cesses nunca, Mãe, de interceder por todos e por mim, junto do teu Filho, que sempre te ouve, porque pedes sempre segundo a Sua vontade.

Obrigado, Mãe, obrigado!


Joaquim Mexia Alves, Monte Real, 8 de Março de 2016


Evangelho, comentário, L. espiritual


Quaresma

Semana IV

Evangelho: Jo 5, 17-30

17 Mas Jesus respondeu-lhes: «Meu Pai não cessa de trabalhar, e Eu trabalho também». 18 Por isso, os judeus procuravam com maior ardor matá-l'O, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era Seu Pai, fazendo-Se igual a Deus. Jesus respondeu e disse-lhes: 19 «Em verdade, em verdade vos digo: O Filho não pode por Si mesmo fazer coisa alguma, mas somente o que vir fazer ao Pai; porque tudo o que fizer o Pai o faz igualmente o Filho. 20 Porque o Pai ama o Filho e mostra-Lhe tudo o que faz; e Lhe mostrará maiores obras do que estas, até ao ponto de vós ficardes admirados. 21 Porque assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida àqueles que quer. 22 O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho o poder de julgar 23 a fim de que todos honrem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que O enviou. 24 Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a Minha palavra e crê n'Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não incorre na sentença de condenação, mas passou da morte para a vida. 25 Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. 26 Com efeito, assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim deu ao Filho ter vida em Si mesmo; 27 e deu-Lhe o poder de julgar, porque é o Filho do Homem. 28 Não vos admireis disso, porque virá tempo em que todos os que se encontram nos sepulcros ouvirão a Sua voz, 29 e os que tiverem feito obras boas sairão para a ressurreição da vida, mas os que tiverem feito obras más sairão ressuscitados para a condenação. 30 Não posso por Mim mesmo fazer coisa alguma. Julgo segundo o que ouço, e o Meu juízo é justo, porque não busco a Minha vontade, mas a d'Aquele que Me enviou.

Comentário:
Há uma “segurança” de que dispomos para nos salvarmos:

«Quem ouve a Minha palavra e crê n'Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não incorre na sentença de condenação». [i]

Ouvir e acreditar é essa a “segurança” que se fala.

Segundo as palavras do próprio Jesus Cristo bastará para evitar a condenação eterna mas, nós, devemos querer mais, desejar ir mais longe que evitar a condenação; o objectivo é fazer parte dos escolhidos para participar da vida eterna contemplando a Face de Deus para todo o sempre.

Assim, o que precisamos fazer é pôr em obra aquilo em que acreditamos e que o próprio Senhor nos ensinou.

Ou seja cumprir em tudo a Sua Vontade.

(ama, comentário sobre Jo 5, 17-30, 2015.03.24)



Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO - CONFISSÕES

LIVRO TERCEIRO

CAPÍTULO IX

Pecados e imperfeições

Mas, entre tantas maldades, crimes e iniquidades, estão os pecados dos que progridem, pecados que os homens de bom juízo vituperam, segundo a regra da perfeição, e louvam pela esperança de frutos futuros, como o verde é promissor das colheitas.

Há outras acções semelhantes a acções maldosas ou a delitos, e que não são pecados, porque nem te ofendem a ti, Senhor, nosso Deus, nem tampouco à sociedade humana; como por exemplo quando procuramos coisas convenientes para o uso da vida e às circunstâncias, sem que se saiba se essa busca é cobiça, ou quando castigamos a alguém como desejo de que se corrija, fazendo uso do poder ordinário, e não se sabe se o fazemos por vontade de mortificar.

Por isso, muitas acções que parecem condenáveis aos homens, são aprovadas pelo teu testemunho; e muitas, louvadas pelos homens, são condenadas pelo teu testemunho, porque muitas vezes as aparências do acto diferem das intenções do seu autor, assim como circunstâncias ocultas do tempo.

Mas quando ordenas, algo insólito e imprevisto, mesmo que o tenhas proibido uma vez, mesmo que escondas por algum tempo as razões do teu mandamento, mesmo que seja contra as convenções de alguns homens da sociedade, quem pode duvidar de que se há de obedecer, sendo que só é justa a sociedade humana que te obedece? Felizes dos que sabem o que tu ordenaste, porque os que te servem fazem tudo o que mandas, ou porque assim o exige o tempo presente, ou para preparar o futuro.

CAPÍTULO X

Ridicularias dos maniqueus

Desconhecendo eu essas verdades, ria-me de teus santos e profetas. Mas, que fazia eu quando me ria deles, senão dar motivo para que te risses de mim? Deixei-me cair insensivelmente, aos poucos, em tais extravagâncias, a ponto de acreditar que o figo, quando colhido, chora lágrimas de leite junto com a mãe figueira, e que se um “santo” da seita comesse o tal figo, colhido não por seu delito, mas de outrem, misturando-o em suas entranhas, gemendo e arrotando enquanto rezava, exalaria anjos e até mesmo partículas de Deus, partículas essas do verdadeiro Deus que ficariam cativas para sempre naquele fruto se não fossem libertadas pelos dentes e pelo estômago do “santo eleito”!

Também acreditei, pobre de mim, que se devia ter mais misericórdia com os frutos da terra que com os homens para os quais foram criados. Pois, se algum faminto, que não fosse maniqueísta me pedisse de comer, parecia-me que atendê-lo era como merecer, por aquele bocado, a pena de morte.

CAPÍTULO XI

O sonho de Mónica

Mas estendeste a tua mão do alto, e arrancaste a minha alma deste abismo de trevas, enquanto a minha mãe, tua fiel serva, me chorava diante de ti muito mais do que as outras mães costumam chorar sobre o cadáver dos filhos, pois via a morte da minha alma com a fé e o espírito que havia recebido de ti. E tu a escutaste, Senhor, tu a ouviste e não desprezaste suas lágrimas que, brotando copiosas, regavam o solo debaixo dos seus olhos por onde fazia sua oração; sim, tu a escutaste, Senhor. Com efeito, donde podia vir aquele sonho, com que a consolaste, ao ponto de me admitir na sua companhia e mesa, facto que me havia negado porque aborrecia e detestava as blasfémias do meu erro?

Nesse sonho viu-se de pé sobre uma régua de madeira; e um jovem resplandecente, alegre e risonho que vinha ao seu encontro, triste e amarga. Este lhe perguntou a causa da sua tristeza e lágrimas diárias, não por curiosidade, como sói acontecer, mas para instruí-la; e respondendo-lhe ela que chorava a minha perdição, mandou-lhe, para sua tranquilidade, que prestasse atenção e visse por onde ela estava também estaria eu. Apenas olhou, viu-me junto de si, de pé sobre a mesma régua.

De onde veio este sonho, senão dos ouvidos que tinhas atentos ao seu coração, ó Deus bom e omnipotente, que cuidas de cada um de nós como se não tivesses outro para cuidar, zelando de todos como de cada um!

E como explicar o que se segue? Contou-me minha mãe esta visão, e querendo eu persuadi-la de que significava o contrário, e que não devia desesperar de ser algum dia o que eu era, isto é, maniqueísta, ela, sem nenhuma hesitação, respondeu-me: “Não; não me foi dito: onde ele está ali estarás tu, mas onde tu estás ali estará ele também”.

Confesso, Senhor, e muitas vezes disse que, pelo que me recordo, me abalou mais esta tua resposta pela solicitude da minha mãe, imperturbável diante de explicação falsa e ardilosa, e por ter visto o que se devia ver – e que eu certamente não veria sem que ela o dissesse – que o mesmo sonho com o qual anunciaste a esta piedosa mulher com tanta antecedência, a fim de consolá-la na sua aflição presente, uma alegria que só havia de se realizar muito tempo depois.

Seguiram-se, efectivamente, quase nove anos, durante os quais continuei a revolver-me naquele abismo de lodo e trevas de erro, afundando-me tanto mais quanto mais esforços fazia para me libertar. Entretanto, aquela piedosa viúva, casta e sóbria como as que tu amas, já um pouco mais alegre com a esperança, porém, não menos solícita nas suas lágrimas e gemidos, não cessava de chorar por mim na tua presença em todas as horas das suas orações; e as suas preces eram aceites a teus olhos, mas deixava-me ainda revolver-me e envolver-me naquela escuridão.

CAPÍTULO XII

Uma profecia

Nessa mesma ocasião deste à minha mãe outra resposta, de que ainda me lembro – pois passo em silêncio muitas circunstâncias, pela pressa que tenho de chegar àquelas que te devo confessar com mais urgência, ou porque não as recordo – deste-lhe outra resposta por meio de um teu bispo, educado na tua Igreja e exercitado nas tuas Escrituras. Como ela pedisse que se dignasse falar comigo, para refutar meus erros e desenganar-me das minhas más doutrinas e ensinar-me as boas – pois assim fazia com quantos julgava idóneos – ele negou-se com muita prudência, como pude verificar depois; respondeu-lhe que eu estava incapacitado para receber qualquer ensinamento, por estar enfatuado com a novidade da heresia maniqueísta, e por haver criado embaraço a muitos ignorantes com algumas questões fáceis, como ela mesma lhe relatara.

“Deixe-o – disse – e unicamente ore por ele ao Senhor! Ele mesmo, lendo os livros dos hereges, descobrirá o erro e reconhecerá a sua grande impiedade”. – Ao mesmo tempo contou-lhe que, quando criança, a sua mãe, seduzida pelo erro, entregara-o aos maniqueus, chegando não só a ler, mas a copiar quase todas as suas obras; e que ele mesmo, sem necessidade de que ninguém o contestasse ou convencesse, chegara a perceber a falácia daquela doutrina, abandonando-a enfim.

Depois de assim falar, a minha mãe não se aquietava, instando com maiores rogos e mais copiosas lágrimas para que me visitasse, para discutir comigo sobre o tal assunto. O bispo, já com certo enfado da sua insistência, disse-lhe: “Vai-te em paz, mulher, e continua a viver assim, que não é possível que pereça o filho de tantas lágrimas” – palavras que ela recebeu como vindas do céu, segundo me recordava muitas vezes em seus colóquios comigo.

LIVRO QUATRO

CAPÍTULO I

Dos dezanove aos vinte e oito anos

Durante esse período de nove anos – dos dezanove até os vinte e oito anos – fui seduzido e sedutor, enganado e enganador, conforme as minhas muitas paixões; publicamente, com aquelas doutrinas que se chamam liberais; ocultamente, com o falso nome de religião, mostrando-me aqui soberbo, ali supersticioso, e em toda parte vaidoso. Ora perseguindo a aura da glória popular até os aplausos do teatro, os certames poéticos, os torneios de coroas de palha, as bagatelas de espectáculos e a intemperança da luxúria; ora, desejando muito purificar-me dessas imundícies, levando alimento aos chamados “eleitos” e “santos”, para que na oficina do seu estômago fabricasse anjos e deuses que me libertassem. Tais coisas eu seguia e praticava com meus  os amigos, iludidos comigo e por mim.

Riam-se de mim os arrogantes, e os que ainda não foram prostrados e salutarmente esmagados por ti, meu Deus; mas eu, pelo contrário, hei-de confessar diante de ti as minhas torpezas para teu louvor. Permite-me, te suplico, e concede-me que me lembre fielmente dos desvios passados do meu erro, e que eu te sacrifique uma vítima de louvor.

De facto, sem ti, que sou eu para mim mesmo senão um guia que conduz ao abismo? Ou que sou eu, quando tudo me corre bem, senão uma criança que suga o leite, e que se alimenta de ti, alimento incorruptível? E que é o homem, seja ele quem for, se é homem?
Riam-se de nós os fortes e poderosos, que nós, débeis e pobres, confessaremos o teu santo nome.

(cont)

(Revisão de versão portuguesa por ama)




[i] Cfr Jo 5, 24