06/06/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 06 de Junho

O que pode ver em NUNC COEPI em Jun 06

São Josemaria – Textos

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Mc 12 38-44, Ernesto Juliá Diaz

coment (St Agostinho), Oração, Stº Agostinho

Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Quest 28- Art 2,São Tomás de Aquino


Agenda Sábado

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Tempo comum IX Semana


Evangelho: Mc 12 38-44

38 Dizia-lhes ainda nos Seus ensinamentos: «Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com roupas largas, de serem saudados nas praças 39 e de ocuparem as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes, 40 que devoram as casas das viúvas, sob o pretexto de longas orações. Serão julgados com maior rigor». 41 Estando Jesus sentado defronte do cofre das esmolas, observava como o povo deitava ali dinheiro. Muitos ricos deitavam em abundância. 42 Tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que valem um quarto de um asse. 43 Chamando os Seus discípulos, disse-lhes: «Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais que todos os outros que deitaram no cofre, 44 porque todos os outros deitaram do que lhes sobrava, ela porém deitou do seu necessário tudo o que possuía, tudo o que tinha para viver».

Comentário:

O que deito eu nas mãos abertas de Cristo que espera pacientemente pela minha oferta?

As coisas que tenho e que não me fazem falta nenhuma?
Ou as que gostaria de ter como se me fossem necessárias?

Prefiro dar tudo, absolutamente tudo.
É muito pouco, penso eu, mas sendo tudo o que tenho, Deus não deixará de me retribuir como muito mais porque nunca se deixa vencer em generosidade.

É um gesto calculado, então?
Dou pouco para receber muito!
Parece um bom negócio…

Meu Deus, tem piedade de mim que me perco na minha falta de habilidade para fazer o que Tu queres. Os meus preconceitos e suspicácias! Não tenho, na verdade, não tenho que preocupar-me com este assunto: Dou ao Senhor o que Ele quiser pela simples razão que, tudo, absolutamente, é dele e, sendo assim, não faço mais que devolver o que recebi.

(ama, meditação sobre Mc 12, 38-44, 2010.06.05)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS



vi motivo e sentido das tentações

…/2

   
O rebaixamento de Deus não está, propriamente falando, em fazer-se homem mas na humilhação posterior que São Paulo assinala:
«Antes se aniquilou [1], se «despojou» em fazer-se homem e se humilhou em fazer-se pecado.
«”Aniquilar-se” é uma situação metafísica sem deixar de ser Criador, faz-se criatura, tomou a condição de servo sem perder a divindade.
Sem deixar de ser Deus, igual ao Pai, assumiu a natureza humana e nasceu da Virgem.
E sem deixar de ser Deus se «aniquila» porque, sendo Deus, vem a ser Deus e homem.
Humilha-se porque sendo Deus e homem não exige os direitos de «ser Deus» e passa pela terra como «um homem pecador».

        Podemos dizer que Cristo não se limitou a sofrer liminarmente o castigo merecido pelo pecado nem sequer a ser como que o preço dos nossos pecados.
E dizemos isto sem esquecer a afirmação de São Paulo de «que fomos comprados a grande preço».

        Cristo, Filho de Deus feito homem, quis partilhar tudo com o homem: o pecado e o preço do pecado.
Não Lhe bastou ser solidário com o homem pecador, nem considerou ser suficiente devolver ao pecador a paz perdida pelo pecado e, tampouco considerou conveniente redimir o pecado fora do pecado.

        Cristo sofre a paixão e a cruz por causa dos pecados da humanidade, mas não carrega com a cruz simplesmente por amor ao homem «abraça a cruz».
O que significa «abraçar a cruz»?

        Cristo introduziu-se na criação, fez-se criatura sendo Criador.
Assim também se introduziu no pecado do homem sem jamais estar sob a sombra ou influência de Satanás.
Fazendo-se pecado por amor do homem redime o pecado no amor a Deus Pai.
E desta forma restitui ao homem a natureza criadora do seu amor.

        E precisamente por ter-se «feito pecado» sofreu as tentações.

        O «fazer-se pecado» impediu Satanás de ver o resplendor de Deus Pai no rosto de Deus Filho.
Satanás sabe que jamais poderia ter tentado Deus e também sabe o extraordinário contrassenso que tal comporta.

        Cristo, sofreu tentações no deserto em Getsémani, na Cruz.
Não no sentido de ser tentado ao nível dos sentidos nem tampouco na grande variedade de situações pelas quais o homem passa. E que para o homem se podem converter em tentação.
Cristo, por exemplo, jamais teve que «lutar asceticamente» para vencer uma tentação.
Parece-nos que não se justifica, de modo algum, falar de Jesus Cristo «tentado» pela gula, a sensualidade, o orgulho, a preguiça, etc.

        As tentações de Cristo, sempre externas, nunca no interior do seu espírito, estão directamente relacionadas com as virtudes em que se expressa e desenvolve a vida cristã: contra a Fé, contra a Esperança, contra a Caridade.

 Nesta perspectiva podemos dizer que Cristo sofre a tentação para que o cristão sofrendo a tentação com Ele, viva com Ele a redenção do pecado.

        O cristão, lutando por não cair na tentação faz murchar na sua alma as raízes do pecado porque na luta cresce em Fé, em Esperança, em Caridade ao vencer por Cristo, em Cristo, com Cristo.

        São Paulo recorda-nos: «Gloriamo-nos até na tribulação, sabendo que a tribulação produz a paciência, uma virtude posta à prova, e a virtude posta à prova, a esperança» [2].


***
       
        Como resumo podemos dizer que a tentação é uma componente necessária da vida cristã como o foi na vida de Cristo.
Além disso, ao padecer e vencer a tentação o cristão desenvolve a sua condição de «filho de Deus» porque está vivendo com Cristo a vitória sobre o pecado na disposição de espírito que Cristo viveu: «sendo manso e humilde de coração».
Desta forma transforma-se verdadeiramente em «filho de Deus em Cristo» ao participar da missão de Cristo na terra: a Redenção.

        Podemos assim entender no seu verdadeiro sentido estas frases de São Tiago:

«Bem-aventurado o varão que suporta a tentação porque, posto à prova, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que o amam» [3].

        «Tende irmãos por sumo gozo ver-vos rodeados de diversas tribulações considerando que a prova da vossa fé engendra a paciência» [4].

        Parafraseando Santo Agostinho podemos concluir dizendo que o cristão é tentado enquanto assume com Cristo o pecado do mundo, faz-se pecado com Cristo e triunfa sobre as tentações morrendo com Cristo na Cruz, por amor, redimindo o pecado do mundo.



vii significado da mortificação


        A tentação, em não poucas ocasiões, encontra-se unida a dores, penos, sofrimentos morais e físicos.
O cristão desde sempre compreendeu que todas essas situações são o fruto de ter tomado a cruz de Cristo para morrer com Ele e abrir a alma à glória da Ressurreição, vivendo na nossa carne e no nosso espírito as batalhas contra o pecado que Cristo combateu ao longo de toda a sua vida e especialmente no Getsémani e no Calvário.

        «O caminho da perfeição passa pela cruz.
Não há santidade sem renúncia e sem combate espiritual [5].
O combate espiritual implica a ascese e a mortificação que conduzem gradualmente a viver na paz e no gozo das Bem-Aventuranças» [6].

        Cristo quis sofrer e morrer na sua tarefa de redimir-nos do pecado e da morte.
Poderia ter escolhido outros caminhos para alcançar o mesmo fim.
Um acto do amor de Cristo vence todos os pecados do mundo e todas as insídias que o pecado possa semear no coração dos homens.

        Todavia, quis levar a cabo a sua obra da forma que o fez e deixar-nos, para os homens as contemplemos até ao fim do mundo, as cenas da sua Agonia, da sua Paixão e da sua Morte e descubramos o amor de Deus que tornará possível que gozemos desse amor vivendo com Cristo a sua Ressurreição.

        Desde muito cedo os Apóstolos foram conscientes das contrariedades, dificuldades, obstáculos que deveriam vencer no seu caminho de viver com Cristo, por Cristo e em Cristo.
«Chamaram os Apóstolos, açoitaram-nos, proibiram-lhes terminantemente falar mais de Jesus e soltaram-nos. Eles saíram do tribunal muito contentes por terem sido dignos de serem ultrajados por tal nome. Não deixavam de ensinar no Templo diariamente e nas casa e de anunciar a boa notícia que Jesus é o Messias» [7].

        É de todos bem conhecida a exposição que São Paulo faz aos fiéis de Corinto das fadigas com que há-de viver o seu ministério e dar a conhecer o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo:
«Com grande paciência em sofrimentos, escassez, angústias, golpes, cárceres…, tratados como impostores sem verdadeiros…, no meio da calúnia e da boa fama» [8].

        Dentro do esforço que o cristão há-de realizar para se ir convertendo em «filho de Deus» e na «linhagem eleita», sacerdócio real, nação santa, povo adquirido» [9], temos de fixar agora a nossa atenção nesse conjunto de acções provocadas ou sofridas passivamente que a tradição recolheu com o nome de «mortificações».

        O seu nome está unido à consideração, comum na literatura espiritual cristã, de relacionar o crescimento da vida cristã com a morte das raízes do pecado no espírito do crente.
Neste sentido, «ascese e mortificação, que vêm a ser luta e esforço que comportam exigência e até por vezes, dor, pena, sofrimento, têm o fim de afastar o cristão do pecado e de todas as suas consequências e facilitar que a vida da «nova criatura» em Cristo Jesus se desenvolva paulatinamente.

        Ou seja, que a boa semente da Graça, a vida de Cristo enxertada em nós, desenvolva toda a sua eficácia de conversão e transformação com a mortificação.

        Como já fizemos com outras questões da vida espiritual não vamos agora deter-nos nesta matéria.
Basta-nos deixar testemunho da presença da Cruz ao longo da vida do cristão acrescentando que a Cruz é sempre a ante-sala do anúncio da Ressurreição.
A mortificação não significa tristeza.
O sorriso pode ser, às vezes, e com palavras de São Josemaria Escrivá, «a melhor mortificação».


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Nota de ama: anononadó no original. Não tem uma tradução específica, mas significa tornar-se como que tornar-se “anão”, diminuído na sua estatura ou no seu todo, aniquilar-se, fazer-se nada. Prefiro a palavra “aniquilar” porque me parece traduzir melhor o significado: Deus, de certo modo, aniquila-se como Divindade ao assumir a pessoa humana, como aliás. São Paulo explica.
[2] Rm 5, 4
[3] Tg 1, 12
[4] Tg 1, 2-3
[5] Cfr. 2 Tm 4
[6] Catecismo, n. 2015
[7] Act 5, 40-42
[8] 2 Cor 6, 4-10
[9] 1 Pd 2, 9

Tratado da vida de Cristo 8

Questão 28: Da virgindade da Santa Virgem Maria

Art. 2 — Se a mãe de Cristo foi virgem no parto.

 O segundo discute-se assim. — Parece que a mãe de Cristo não foi virgem no parto.

1. — Pois, diz Ambrósio: Quem santificou o ventre de uma mulher para que dela nascesse um profeta, esse foi o mesmo que abriu o ventre de sua mãe, para sair dele imaculado. Ora, tal facto exclui a virgindade. Logo, a mãe de Cristo não foi virgem no parto.

2. Demais. — No mistério de Cristo não devia haver nada, que nos levasse a lhe considerar o corpo como imaginária. Ora, não convém a um corpo verdadeiro, mas só a um fantástico, poder atravessar o que está fechado; porque dois corpos não podem ocupar simultaneamente o mesmo lugar. Logo, o corpo de Cristo não devia sair do ventre materno, sem ele se romper. Portanto, a virgem não pôde ser virgem no parto.

3. Demais. — Como diz Gregório, quando, depois da ressurreição, o Senhor passou através de portas fechadas e entrou a ter com os discípulos, mostrou ser o seu corpo da mesma natureza, mas revestido de uma outra glória. E assim, é próprio do corpo glorioso atravessar portas fechadas. Ora, o corpo de Cristo, na sua concepção, não foi glorioso, mas passível, tendo a Semelhança da carne do pecado, no dizer do Apóstolo. Logo, não saiu do ventre materno, sem que ele se abrisse.

Mas, em contrário, diz o concílio Efesino: A natureza destrói, com o parto, a virgindade. Mas a graça uniu o parto e a maternidade com a virgindade. Logo, a mãe de Cristo foi Virgem, mesmo no parto.

Sem nenhuma dúvida devemos afirmar que a mãe de Cristo foi Virgem, mesmo no parto. Pois, o Profeta não só disse — Eis que uma Virgem conceberá, mas acrescentou — e parirá um filho. E isto funda-se numa tríplice conveniência. — Primeiro, por convir à propriedade do que ia nascer, que era o Verbo de Deus. Pois, o Verbo não somente é concebido no coração, sem nenhum detrimento, mas também sem nenhuma corrupção dele procede. E por isso, para mostrar que esse era o próprio corpo do Verbo de Deus, foi conveniente que nascesse do ventre incorrupto da virgem. Por isso, lemos no concílio Efesino: A que gera uma carne puramente humana perde a sua virgindade. Mas o Verbo de Deus, nascendo na carne, conserva a virgindade da Mãe, mostrando assim ser lealmente o Verbo. Pois também o nosso verbo, quando gerado, não corrompe a mente; nem o Verbo substancial, que é Deus, havia de destruir a virgindade, quando nasceu. — Segundo, tal foi conveniente quanto ao efeito da Encarnação de Cristo. Pois, veio para tirar a nossa corrupção. E por isso não convinha que, ao nascer, destruísse a virgindade materna. Donde o dizer Agostinho, que não era justo que quem veio sanar a corrupção violasse, com o seu advento, a integridade virginal. — Terceiro, isso foi conveniente a fim de que quem mandou honrarmos os pais não viesse, com o seu nascimento, diminuir a honra materna.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Ambrósio assim o diz, quando expõe as palavras da lei citadas pelo evangelista. Todo o filho macho que for primogénito será consagrado ao Senhor. O que, como diz o Venerável Beda, é um modo habitual de se referir à natividade, sem querer significar devamos crer que o Senhor desvirginou, ao nascer, o ventre que lhe serviu de asilo e que santificou. Donde, o abrir, a que se refere Ambrósio, não significa a ruptura do claustro do pudor virginal, mas só o nascer do filho, do ventre materno.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Cristo quis mostrar que tinha verdadeiramente corpo, mas de modo que também manifestasse a sua divindade. Por isso juntou causas miraculosas com coisas humildes. Assim, para mostrar que tinha um verdadeiro corpo, nasce de uma mulher; e para mostrar a sua divindade, nasce de uma virgem, pois, tal é o parto que convém a Deus, como diz Jerónimo.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Alguns disseram que Cristo, na sua natividade, assumiu o dote da subtileza; assim, quando andou, sem molhar os pés, sobre o mar, dizem que assumiu o dote da agilidade. - Mas, isto não concorda com o que foi determinado antes. Pois, tais dotes do corpo glorioso provêm da redundância da glória da alma para o corpo, como diremos quando tratarmos dos corpos gloriosos. Ora, segundo dissemos, Cristo, antes da sua paixão permitia ao seu corpo fazer e sofrer o que lhe é próprio; nem havia tal redundância da glória, da alma para o corpo. Donde, devemos concluir todos esses factos supra referidos serem miraculosos, por virtude divina. Por isso diz Agostinho: Um corpo tal unido à divindade, não era impedido por nenhum obstáculo. Pois, aquele podia entrar, sem que portas lhe fossem abertas, que veio ao mundo sem que sua mãe perdesse a virgindade. E Dionísio diz que Cristo realizava as obras próprias do homem, de um modo superior; e isso o demonstra a concepção sobrenatural da virgem, e o lhe ser o peso material dos pés suportado pela superfície móvel das águas.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.





Temas para meditar - 447

Oração




A oração é como uma conversa com Deus.

Quando lês, Deus fala-te a ti; quando rezas, tu falas-Lhe a Ele.




(Santo agostinho, Comentário sobre sobre os Salmos, 85)

Saber-se nada diante de Deus

Grande coisa é saber-se nada diante de Deus, porque é assim mesmo. (Sulco, 260)


Deixa-me que te recorde, entre outros, alguns sinais evidentes de falta de humildade:

– pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou mais bem dito do que o que os outros fazem ou dizem;

– querer levar sempre a tua avante;

– discutir sem razão ou, quando a tens, insistir com teimosia e de maus modos;

– dar a tua opinião sem ta pedirem ou sem a caridade o exigir;

– desprezar o ponto de vista dos outros;

– não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados;

– não reconhecer que és indigno de toda a honra e estima, inclusive da terra que pisas e das coisas que possuis;

– citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;

– falar mal de ti mesmo, para fazerem bom juízo de ti ou te contradizerem;

– desculpar-te quando te repreendem;

– ocultar ao Director algumas faltas humilhantes, para que não perca o conceito que faz de ti;

– ouvir com complacência quem te louva, ou alegrar-te por terem falado bem de ti;

– doer-te que outros sejam mais estimados do que tu;

– negar-te a desempenhar ofícios inferiores;

– procurar ou desejar singularizar-te;

– insinuar na conversa palavras de louvor próprio, ou que dão a entender a tua honradez, o teu engenho ou destreza, o teu prestígio profissional...;


– envergonhar-te por careceres de certos bens... (Sulco, 263)

Pequena agenda do cristão


SÁBADO


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

05/06/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 05 de Junho

O que pode ver em NUNC COEPI em Jun 05

São Josemaria – Textos

História de uma alma ( Stª Teresa do Menino Jesus), Leitura espiritual, Santa Teresinha do Menino Jesus

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), Ernesto Juliá Diaz

Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Quest 28- Art 1,São Tomás de Aquino


Agenda Sexta-Feira

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Tempo comum IX Semana


Evangelho: Mc 12 35-37

35 Continuando a ensinar no templo, Jesus tomou a palavra e disse: «Como dizem os escribas que o Cristo é filho de David? 36 O mesmo David inspirado pelo Espírito Santo diz: “Disse o Senhor ao Meu Senhor: Senta-Te à Minha direita, até que Eu ponha os Teus inimigos debaixo dos Teus pés”. 37 O próprio David, portanto, chama-Lhe Senhor; como é Ele, pois, seu filho?». A numerosa multidão ouvia-O com gosto.

Comentário:


 O Senhor explica quanto a Ele próprio diz respeito. Fá-lo de forma clara com perguntas cuja resposta encerram a verdade acerca da Sua Pessoa.

Mas, além disso, com uma explanação lógica que não admite refutação.

E, assim mesmo, o entendeu a numerosa multidão que o ouvia com gosto, segundo relata o Evangelista.

(AMA, comentário sobre Mc 12, 35-37, 2015.06.02)

Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS




v o que é verdadeiramente uma conversão?


        …/2



        Todo o cristão adulto consciente das suas misérias, dos seus pecados e do amor que Deus lhe tem, aceita humildemente o convite de Cristo e põe em marcha dentro do seu espírito toda a riqueza da conversão original e primeira com poderíamos chamar-lhe.

        Arrepende-se: primeiro passo de qualquer conversão.
Umas vezes será o arrependimento por um pecado, outras por um desamor para com Deus, noutras ocasiões a consciência da própria debilidade, da fragilidade, da falta de generosidade nas quais não se descobre uma chamada de Deus.
O homem pode sempre encontrar motivos para pedir perdão a Deus e voltar o seu coração para Ele e, assim, amá-lo mais.

        O arrependimento origina no arrependido uma disposição mais profunda para descobrir a verdade e nela assentar o seu espírito.
E origina-se assim um segundo passo de qualquer conversão: Acreditai no Evangelho.

        Neste processo o «acreditai no Evangelho» podemos resumi-lo em acreditar em Cristo, que é «o caminho, a verdade, a vida».
Acreditando em Cristo, desenvolvendo a verdade que Cristo é «o Filho de Deus feito homem» o cristão descobre a verdade que o constitui na sua realidade mais profunda: a filiação divina.
To o cristão consciente de ser «filho de Deus em Cristo» e consciente de necessitar do perdão de Deus pode dizer que tem o rosto no Senhor, que está convertido em Deus e para Deus.

        Quando podemos dizer que há verdadeira «conversão»?
Esta pergunta, na realidade, ainda que possa responder-se dizendo que sempre que há arrependimento e regresso a Deus há conversão, também pode revelar-se desnecessária.
Porquê?
Simplesmente porque toda a vida cristã – na medida em que é uma busca do reino de Deus – no seu verdadeiro e profundo significado, é uma conversão contínua: tudo se «nos dará por acrescento».

        Pode haver momentos especialmente assinalados mas não há-de ser necessariamente assim.
E sabemos que o baptizado se converte em filho de Deus, ao receber a Graça, «certa participação na vida divina».
Essa Graça é, na realidade, uma nova vida – a vida cristã – que o baptizado, o cristão, começa já a desenvolver desde o momento que a recebe.
E, ao mesmo tempo, a plenitude da sua pessoa vai surgindo no âmbito dessa Graça.
Este é um processo do qual talvez não sejamos de todo conscientes mas que alcança passo a passo todas as facetas do nosso ser humano, sem nunca chegar a terminar totalmente.
No homem o humano vai-se tornando divino sem deixar de ser humano.
E não há no homem nada divino que não seja ao mesmo tempo profundamente humano.

        A «conversão» é um processo que há-de ser sempre actual numa vida cristã pessoal em desenvolvimento e a razão está em que toda a vida cristã tende para que cada crente possa dizer que Cristo vive nele como horizonte último.

        O «no cristão o viver em Cristo» manifesta-se, por um lado e fundamentalmente, como já vimos na Primeira Parte, no crescimento do homem na Fé, na Esperança e em caridade e, por outro lado, quando no espírito do crente deitam raízes as disposições profundas com as quais Cristo veio ao mundo e nos recomendou que sigamos.
São os sinais inequívocos de que Ele vive no homem.

        Poderíamos resumir essas disposições em três: o espírito de «serviço», as virtudes da humildade e da mansidão e a caridade.

        Cristo expressou claramente estas disposições referindo-as a si próprio e convidando o homem q que aprenda com Ele:

        «Não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em redenção por muitos» [1].

        «Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração» [2].

        «Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como eu vos amei, nisso conhecerão que sois meus discípulos» [3].

        Logicamente a conversão comporta uma transformação contínua, uma mudança em cada pessoa que Deus não impõe à força e que requer sempre a colaboração humana.
Aqui podemos aplicar o dito de Santo Agostinho: «Deus que te criou sem ti não te salvará sem ti» e cabe acrescentar que, logicamente, tampouco te converterá nem te mudará sem ti.
É uma tarefa que também requer uma acção conjunta de Deus e do homem.

        O processo desta «conversão-transformação» supõe portanto uma cooperação activa de cada crente com a acção da Graça.
Deus sempre respeita e cultiva a liberdade do homem.

        Já consideramos a influência e o significado da oração e da união com Cristo na Eucaristia e na celebração do sacrifício da Missa no processo de conversão.
E examinámos, também brevemente, o papel que joga neste processo o que normalmente se conhece com o nome de direcção espiritual.
Vamos agora examinar a cooperação activa que se requer do cristão além do esforço que já consideramos para se aproximar mais de Cristo e permitir que a Graça se desenvolva mais plenamente no seu espírito.

        Poderíamos resumir esta cooperação num decidido esforço que se desenvolve numa direcção dupla.
a)   Para não se deixar vencer pelas insídias do demónio que induz a cair em pecado
b)   Para não se desviar do caminho para Deus.

Em consequência, a conversa comporta a necessidade de enfrentar de maneira adequada os obstáculos que o cristão encontrará ao longo da sua vida: as tentações e as mortificações e esclarecer o verdadeiro sentido da luta ascética.



vi motivo e sentido das tentações



    Normalmente considera-se a tentação como uma mera incitação ao mal, ao pecado, um convite ao cristão para que não se arrependa e para que não acredite.
E certamente essa realidade dá-se em todas as tentações e, talvez de forma particular, na que considerámos ao analisar o texto do Pai-nosso como a tentação básica: abandonar a procura do Senhor, deixar de nos dirigir a Cristo, deixar de orar.

    Parece agora muito oportuno prestar atenção ao significado e aos efeitos positivos que o cristão obtém na sua «conversão» ao lutar com as tentações.

    Limitar-nos-emos dentro dos objectivos deste livro, a assinalar o sentido da tentação sem entrar na grande variedade de motivos, situações, formas e modos nos quais o cristão é tentado.
Além disso, somos conscientes de que por ser uma experiência normal na vida cristã nenhum leitor é alheio à realidade existencial da tentação: soberba, orgulho, sensualidade, preguiça, ira, falta de piedade, desespero, etc.

    Porque somos tentados?
«’O homem persuadido pelo Maligno, abusou da sua liberdade desde o começo da história» [4].
Sucumbiu à tentação e cometeu o mal.
Todavia, conserva o desejo do bem mas a sua natureza tem a ferida do pecado original.
Ficou inclinado ao mal e sujeito ao erro, bem consciente, por outro lado, que essa inclinação ao mal não o impede, em absoluto, procurar e fazer o bem.
‘Daí que o homem esteja dividido no seu interior.
Por isto toda a vida humana singular ou colectiva aparece como uma luta certamente dramática entre o bem e o mal, entre a luz  e as trevas’ [5].

    Já assinalámos que ao viver com Cristo, o cristão se vai convertendo em Cristo, ao espírito de Cristo que veio «não para ser servido mas para servir».

    O acto mais definitivo de serviço ao homem que Cristo leva a cabo é o «fazer-se pecado».
São Paulo expressa-o de forma inequívoca:
«Em nome de Cristo vos suplicamos: reconciliai-vos com Deus! A quem não cometeu pecado, fê-lo pecado por nós para que viéssemos a ser justiça de Deus nele» [6].

    Feito pecado, não feito pecador.
E, feito pecado Ele «que não conheceu o pecado».
O que significa «feito pecado»?
É doutrina comum afirmara que Cristo assumiu os pecados de todos os homens e se ofereceu na Cruz como sacrifício expiatório por todos esses pecados [7].

    Um breve esclarecimento sobre estes termos.
    A alguns pagãos parece-lhes blasfémia afirmar que Deus se fez homem porque consideram indigno da majestade de Deus ser homem.
A alguns cristãos parece-lhes incompreensível afirmar que Cristo se fez pecado sem por isso deixar de ser «santo, inocente e sem mancha» [8].




(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)







[1] Mt 20, 28
[2] Mt 11, 29
[3] Jo 13, 34
[4] Gaudium et spes, 13, 1
[5] Gaudium et spes, 13, 2
[6] 2 Cor 5, 20-21
[7] 1 Ped 2, 22-25
[8] Hb 7, 26