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Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
02/07/2010
Evangelho: Mt 9, 9-13
9 Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus, que estava sentado na banca das cobranças, e disse-lhe: «Segue-Me». E ele, levantando-se, O seguiu.10 Aconteceu que, estando Jesus sentado à mesa em casa deste homem, vieram muitos publicanos e pecadores, e se sentaram à mesa com Jesus e com os Seus discípulos. 11 Vendo isto, os fariseus diziam aos Seus discípulos: Por que motivo come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? 12 Jesus, ouvindo isto, disse: «Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. 13 Ide, e aprendei o que significa: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».
Meditação:
“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, poderia muito bem ser o “aviso” que os fariseus deram aos Seus discípulos. Aquilo que os homens constroem como corolários de comportamento não se aplica de modo algum a Jesus. E ainda bem, porque, senão, pobres de nós – todos – pecadores como Mateus ou, piores que Mateus.
Quereria o Senhor, alguma vez, a nossa companhia?
(ama, meditação sobre Mt 9, 9-13, 2010.05.12)
Às vezes ocorre-nos o que ao profano em medicina que vê o médico receitar água a um enfermo e a outro vinho, segundo lhe sugere a sua ciência: não sabendo medicina, pensa que o médico receita estes remédios à sorte. Assim acontece com respeito a Deus. Ele, com conhecimento de causa e segundo a Sua providência, dispõe as coisas que os homens necessitam: aflige uns que talvez sejam bons, e deixa viver em prosperidade outros que são maus.
(S. Tomás de aquino, Sobre o Credo, 1)
SÃO MATEUS
Tem-se qualificado assim por conter os cinco extensos discursos de Nosso Senhor, a que aludimos. Através deles podemos perceber as palavras de Jesus e assistir à Sua pregação. Não se deve esquecer, porém, que, visto que a Bíblia foi escrita sob a inspiração do Espírito Santo e tem Deus como autor principal, toda ela - e não apenas estes discursos - é verdadeiramente palavra de Deus, e «tudo o que o hagiógrafo (isto é, o autor humano) afirma, enuncia ou insinua, deve reter-se como afirmado, enunciado, ou insinuado pelo Espírito Santo»[1].
Estes cinco discursos são: o da montanha (caps. 5-7); o de missão (cap. 10); o das parábolas (cap. 13); o «eclesiástico» (cap. 18); e o escatológico (caps. 24-25).
Há outros discursos de menor extensão, como o das invectivas contra os fariseus e escribas (23,13-36) e os de algumas controvérsias com os fariseus (12,25-45).
Embora os quatro Evangelhos tivessem sido escritos para todos os homens de todos os tempos, lugares e condições, Deus quis que cada um destes escritos tivesse tido, além disso, uns destinatários imediatos. Neste sentido, é claro que o primeiro Evangelho foi escrito num meio e para uns cristãos procedentes do judaísmo, ainda que, sem dúvida, seja evidente também que transcende tais circunstâncias concretas. Por isso São Mateus procura, com peculiar esmero, mostrar como na Pessoa e na obra de Cristo se cumpre todo o AT: em momentos especialmente relevantes da história de Jesus, o Evangelista faz notar expressamente que «assim se cumpriu o que tinha dito Deus por meio do profeta» ou alguma outra frase semelhante. Tal característica, muito acentuada, do primeiro Evangelho, fez que se lhe chamasse «o Evangelho do cumprimento»[2]. Esta compreensão do AT à luz do Novo não é exclusiva do Evangelho segundo São Mateus, pois é a doutrina comum que Jesus ensinou a todos os Seus discípulos e que o Espírito Santo lhes continuou a ensinar: é a ciência do «entendimento das Escrituras»[3]. Mas indubitavelmente tal «inteligência das Escrituras» do AT era de particular relevância para a evangelização dos judeus e para a sua posterior catequese.
Em harmonia com o que se disse do« Evangelho do cumprimento», explica-se aqui como o começo da pregação pública de Nosso Senhor e o resplendor da luz messiânica[4], que tinha sido profetizada por Isaías[5]. Do mesmo modo, as primeiras curas de Jesus[6] 6 são apresentadas como cumprimento dos oráculos dos Profetas, em especial de Isaías[7].
Sobretudo o primeiro Evangelho contém ensinamentos e factos que iluminam, na sua profundidade e dramatismo, o mistério da reprovação de Jesus, o Messias prometido ao longo do AT, por parte dos dirigentes judaicos, que arrastaram atrás de si boa parte do povo. O Evangelista, guiado pela luz da inspiração divina, vai respondendo de diversas maneiras a esse mistério: umas vezes, ao relatar os episódios da repulsa de escribas, fariseus e príncipes dos sacerdotes em relação a Jesus, ou os sofrimentos da Sua Paixão, faz ver como esses acontecimentos da vida de Cristo não são uma frustração do plano divino, mas estavam previstos e anunciados pelos Profetas do AT, e são o seu cumprimento[8]. Outras vezes explica como ao rejeitar o Messias Israel não quebrou a linha de comportamento anterior, mas completou a história das suas infidelidades diante do amor e da generosidade de Deus[9].
Em qualquer dos casos, o Evangelho mostra a dor de Cristo pelo amor não correspondido e o castigo que ameaça Israel se não se emenda[10].
São Mateus fala 51 vezes do Reino; São Marcos 14, e São Lucas 39. Mas enquanto estes últimos usam a frase «o Reino de Deus», Mateus, excepto cinco vezes, utiliza «o Reino dos Céus». Esta era certamente a expressão habitual de Jesus, a julgar pelo costume judaico daqueles tempos de não pronunciar por respeito o nome de Deus, substituindo-o por expressões equivalentes como «os Céus». O Reino de Deus instaura-se com a chegada de Cristo (cfr nota a Mt 3,2); Jesus explica, especialmente nas parábolas, as características do Reino (cfr nota a Mt 13,3). Estes aspectos são postos em realce pelo primeiro Evangelho, chamado por isso «o Evangelho do Reino».
A Divindade de Cristo é afirmada de diversas maneiras no Evangelho de São Mateus. Desde a concepção de Jesus por obra do Espírito Santo (Mt 1,20), até à fórmula trinitária do Baptismo no final (Mt 28,19), o nosso Evangelho afirma e insiste em que Jesus, o Cristo, é o Filho de Deus. São umerosos os passos que mencionam as relações entre o Pai e o Filho: Jesus é o Filho do Pai, o Pai é Deus e o Filho é igual ao Pai.
Alguns textos põem também no mesmo nível o Pai, o Filho e o Espírito Santo (o mais célebre é o mencionado em Mt 28,19). Isso quer dizer que a revelação da Santíssima Trindade, que foi feita expressamente por Jesus Cristo, é afirmada no Evangelho de São Mateus em relação com a revelação de Jesus como Filho do Pai, e Deus como Ele.
A razão estriba em várias observações: uma é que já o próprio nome de Igreja aparece três vezes[11]; outra é que a Igreja, sem ser nomeada expressamente assim, é percebida por detrás da narração: insinuada de diversas formas em bom número de parábolas; anunciada a sua fundação e explicitamente expressada na promessa do Primado a Pedro[12]; incipiente de algum modo no discurso do cap. 18; vista em figura em alguns episódios, p. ex., o da tempestade acalmada[13]; insinuada como o novo e verdadeiro Israel na parábola dos vinhateiros homicidas[14]; fundamentada a sua missão de instrumento universal de salvação no mandato missionário da parte final do Evangelho. Em resumo, a Igreja está a palpitar ao longo do texto evangélico, e sempre presente na mente e no coração do Evangelista, que é como dizer na mente e no coração de Jesus Cristo.
Os Padres mais antigos citam-no constantemente. Os Padres do fim da idade antiga comentam-no amplamente (p. ex., noventa longas homilias de São João Crisóstomo) e o mesmo acontece com os grandes doutores da Idade Média (p. ex., São Tomás de Aquino) e com os escritores eclesiásticos posteriores. (BSAFTUN)
[1] Cf Dei Verbum, 11.
[3] Cfr p. ex. Lc 24,32.45; Act 8,35.
[4] CfrMt4,13-17.
[5] Cfr Is 8,23-9,1.
[6] Cfr Mt 8,16-17.
[7] Cfr Is 53,4-5.
[8] Cfr Mt 12,17; 13,35; 26,54.56; 27,9; ete. 9 Cfr p. ex. Mt 21,28-44; 23,9-33.
[9] Cf p. ex Mt 21,28-44; 23,9-33.
[10] Cfr Mt 23,37-39.
[11] Cfr Mt 16,18; 18,17 duas vezes. 12 Cfr Mt 17-19.
[12] Cf Mt 17-19
[13] Cfr Mt 8,23-27.
[14] Cfr 21,33-45.
01/07/2010
Textos de Reflexão 01 de Julho
Evangelho: Mt 9, 1-8
1 Subindo para uma pequena barca, tornou a passar o lago, e voltou para a Sua cidade. 2 Eis que Lhe apresentaram um paralítico que jazia no leito. Vendo Jesus a fé que eles tinham, disse ao paralítico: «Filho, tem confiança, são-te perdoados os teus pecados». 3 Então, alguns dos escribas disseram para consigo: «Este blasfema». 4 Tendo Jesus visto os seus pensamentos, disse: «Porque pensais mal nos vossos corações? 5 Que coisa é mais fácil de dizer: “São-te perdoados os teus pecados”, ou dizer: “Levanta-te e caminha”? 6 Pois, para que saibais que o Filho do Homem tem poder sobre a terra de perdoar pecados», disse então ao paralítico: «Levanta-te, toma o teu leito e vai para a tua casa». 7 E ele levantou-se, e foi para sua casa. 8 Vendo isto, as multidões ficaram possuídas de temor, e glorificaram a Deus por ter dado tal poder aos homens.
Meditação:
Jesus Cristo não espera que o necessitado vá ter com Ele ou que por Ele chame. Passa ao seu lado e dá-se conta do seu estado e, como sempre, enche-se de compaixão e derrama a Sua misericórdia. Mas não de uma forma qualquer; não, dá-a na maior proporção que pode dar – que só Ele pode dar: uma vida nova, uma alma remoçada, o perdão dos pecados.
Mas… que está doente, paralítico, inerme?
Pois sim, isso também é importante e Jesus não deixa passar em claro. A Sua misericórdia não é a meias, a conta-gotas. É completa, total. Interessando-lhe muito mais a nossa alma, não fica indiferente ao nosso estado físico. Por isso Lhe digo: Tu sabes bem o que preciso e como preciso, por isso, não Te peço nada. Tenho confiança. (ama, Orações diárias, 2007.04.28). (ama, meditação sobre Mt 9, 1-8, Março de 2009)
Jesus cura a doença física, mas ao mesmo tempo liberta do pecado. Revela-Se desta forma com o Messias anunciado pelos Profetas, que tomou sobre si as nossas enfermidades e assumiu os nossos pecados (cfr. Is 53,3-12) para nos libertar de toda a doença espiritual e material. (joão Paulo II, Homília no estádio de Maracanã, Rio de Janeiro, 1980.07.02)
Santa Missa 1
A Santa Missa, por si mesma e mais ainda quando se luta para que seja o centro da própria vida interior, possui um poder verdadeiramente unificante da existência humana. Jesus sacramentado, na renovação incruenta do Seu sacrifício no Calvário, toma por completo os trabalhos e as intenções da pessoa que se une à Sua oblação; e recapitula-os na adoração que Ele rende ao pai, no agradecimento que Lhe manifesta, na expiação que Lhe oferece, e na petição que Lhe dirige.
(D. javier echevarría, Carta aos fiéis da Prelatura do Opus Dei, Ano da Eucaristia, Roma 2004.10.06)
30/06/2010
Textos de Reflexão para 30 de Junho
Evangelho: Mt 8, 28-34
28 Quando Jesus chegou à outra margem do lago, à região dos gadarenos, vieram-Lhe ao encontro dois endemoninhados, que saíam dos sepulcros. Eram tão ferozes que ninguém ousava passar por aquele caminho. 29 E puseram-se a gritar, dizendo: «Que tens Tu connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?». 30 Estava não longe deles uma vara de muitos porcos, que pastavam.31 Os demónios suplicaram a Jesus: «Se nos expulsas daqui, manda-nos para aquela vara de porcos». 32 Ele disse-lhes: «Ide». Eles, saindo, entraram nos porcos, e imediatamente toda a vara se precipitou, com ímpeto, de um despenhadeiro, no mar e morreram nas águas. 33 Os pastores fugiram, e indo à cidade, contaram tudo o que se tinha passado com os possessos do demónio. 34 Então toda a cidade saiu ao encontro de Jesus e, quando O viram, pediram-Lhe que se retirasse do seu território.
Meditação:
O que vale mais a vida de dois homens ou uma vara de porcos? (Valor, intrínseco, aos olhos humanos e aos olhos de Deus). Decerto que a vida humana. Nada no mundo, tem maior valor.
A atitude dos gadarenos demonstra exactamente o contrário, a inversão destes valores.
Felizmente que, o Senhor, não se guia por critérios humanos, sempre falíveis e curtos, mas sim pelo Seu, que é divino. Se assim não fosse estaríamos perdidos, condenados. Entregues a nós próprios e aos nossos critérios e juízos acabaríamos por ter o mesmo fim dos porcos dos gadarenos: possuídos pelo demónio enfrentaríamos a perdição.
(AMA, comentário sobre Mt 8, 28-34, Julho 2008)
Que sentido teria falar da dignidade do homem, do seus direitos fundamentais, se não se protege um inocente o se chega inclusive a facilitar os meios ou serviços, privados ou públicos, para destruir vidas humanas indefesas?
(joão Paulo II, Homília da missa para as famílias cristãs em Madrid, 1982.11.02) (citado por ama)
Nota Histórica
Na primeira perseguição contra a Igreja, desencadeada pelo imperador Nero, depois do incêndio da cidade de Roma no ano 64, muitos cristãos foram martirizados com atrozes tormentos. Este facto é atestado pelo escritor pagão Tácito (Annales 15, 44) e por S. Clemente, bispo de Roma, na sua Epístola aos Coríntios (cap. 5-6).
(SNL) (cita. AMA)
FILOSOFIA E RELIGIÃO
“Como o ateu mais conhecido do mundo mudou de opinião"
“Como o ateu mais conhecido do mundo mudou de opinião": este é o subtítulo de um livro recente do professor Anthony Flew ("There Is a God: How the World's most Notorious Atheist Changed His Mind", 2007/2008). Não posso avaliar se ele era ou não o ateu mais conhecido do mundo, mas era seguramente bastante conhecido.
TEOLOGIA E FALSIFICAÇÃO
Em 1950, numa sessão do Oxford University Socratic Club, presidida por C. S. Lewis, Flew apresentara uma comunicação que ficou famosa: "Theology and Falsification". A tese era inspirada na teoria da refutação de Karl Popper e pretendia excluir a hipótese de existência de Deus com base no argumento de que essa hipótese não era susceptível de refutação (Popper, diga-se de passagem, nunca subscreveu esse argumento de Flew). Mais tarde, Flew desenvolveria o argumento em dois livros com bastante sucesso: "God and Philosophy" e "The Presumption of Atheism".
Durante mais de 50 anos, Anthony Flew foi sem dúvida um influente crítico da religião, bem como um filósofo respeitado, que ensinou em Oxford, Reading, Keele e Aberdeen. O anúncio público da sua conversão, em 2004, criou de facto um certo furor, sobretudo no mundo de língua inglesa. Embora muitos outros filósofos e cientistas tenham ultimamente escrito em defesa da existência de Deus, o caso de Flew assume no entanto um interesse especial. Tendo sido um reputado ateu com base na razão, agora defende que, precisamente com base na razão, foi levado a concluir que Deus existe.
EM NOME DA RAZÃO
"Agora acredito", escreve Anthony Flew, "que o universo foi trazido à existência por uma Inteligência infinita. Acredito que as intricadas leis deste universo manifestam aquilo que os cientistas têm chamado a Mente de Deus. Acredito que a vida e a reprodução têm origem numa Fonte divina." (p. 88)
Como explicar estas novas convicções de Anthony Flew, quando ele passara 50 anos a defender o contrário? A resposta é simples, diz o autor: "Esta é a visão do mundo que emerge da ciência moderna. A ciência destaca três dimensões da natureza que apontam para Deus. A primeira reside no facto de a natureza obedecer a leis. A segunda é a dimensão da vida, de seres inteligentemente organizados e que se dirigem por propósitos, que emerge da matéria. A terceira é a própria existência da natureza." (p. 89)
ABERTURA RACIONAL
Não se trata de uma mudança de paradigma, explica Anthony Flew, porque o seu paradigma continua o mesmo, ditado por Sócrates: "seguir o argumento, onde quer que ele leve".
Uma questão relativamente óbvia emerge desta explicação. Se Anthony Flew sempre se pautou pelo mesmo princípio - seguir o argumento racional, onde quer que ele leve -, por que razão não foi conduzido antes à hipótese de Deus? A resposta é interessante: porque, explica ele, o seu entendimento de razão não era suficientemente aberto a todas as hipóteses explicativas para a grande pergunta "por que razão existe alguma coisa em vez de nada?".
UMA PARÁBOLA
Comecemos com uma parábola, propõe Anthony Flew. Imaginemos que um telefone por satélite aparece numa ilha habitada por uma tribo que nunca teve contacto com a civilização. Os nativos carregam ao acaso nas teclas e ouvem diferentes vozes humanas após digitarem algumas sequências. Assumem que é o instrumento que produz aquelas vozes.
Surge então um membro solitário da tribo que diverge dos outros. Este propõe outra hipótese: o aparelho está basicamente a comunicar com outros seres humanos, que existem para lá dos limites estreitos da única ilha que a tribo conhece. A tribo responde com uma gargalhada geral: isso é pura superstição. Basta ver que, uma vez destruído o aparelho, as vozes deixam de se ouvir. Logo, as vozes são produto do aparelho.
FACTOS E PRECONCEITOS
Este é um exemplo, diz Anthony Flew, de como ideias preconcebidas dão forma aos dados empíricos, em vez de se deixarem desafiar pelos dados empíricos. Algo semelhante acontece quando os ateus (como era o seu próprio caso) dizem que "não devemos procurar uma explicação para a existência do mundo, ele simplesmente existe". Ou quando "porque não podemos aceitar uma fonte transcendente da vida, simplesmente escolhemos acreditar no impossível: que a vida emergiu espontaneamente e por acidente da matéria". Ou ainda que "as leis da física são 'leis sem lei' que emergem do vazio" (pp. 85-87)
(João Carlos Espada, 17 de Abril de 2010 In http://www.ionline.pt/conteudo/55690-filosofia-e-religiao)
29/06/2010
SÃO PEDRO e SÃO PAULO
Dois homens tão diferentes e com caminhos tornados paralelos por causa de Cristo.
Um, pescador da Galileia, sem instrução, mal sabendo fazer as contas necessárias para o seu negócio, corajoso e indómito, capaz de se atirar ao mar para ir ter com o Mestre e logo duvidando, discutindo e, até, negando conhecer Aquele por quem dissera estar disposto a morrer.
O outro rapaz de boas famílias, bem-educado e de sólida formação intelectual, também corajoso e indómito e de se atrever nos caminhos de Damasco para cumprir o que julgava ser sua missão: prender os discípulos de Jesus a quem tinha por perigosos dissidentes da verdadeira doutrina.
O primeiro ressurge outro homem após o derrame de lágrimas de arrependimento sincero, sentido, verdadeiro.
O segundo ressurge outro homem após a queda das escamas que lhe impediam os olhos de ver a Verdade revelada por Jesus a Quem perseguia.
Jesus Cristo junta-os na edificação da Sua Igreja; ao primeiro confiando-lhe as chaves do Reino, ao segundo enviando-o na mais espantosa missão evangelizadora que o mundo conheceu até hoje.
Um chama-se Pedro, o outro Paulo, ambos são colunas sólidas, robustas, necessárias para sustentar o grande edifício da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.
(ama, sobre S. Pedro e S. Paulo, 2010.06.29)
Textos de Reflexão para 29 de Junho
Evangelho: Mt 6, 13-19
13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14 «Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. 15 Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não perdoará as vossas ofensas. 16 «Quando jejuais, não vos mostreis tristes como os hipócritas que desfiguram o rosto para mostrar aos homens que jejuam. Na verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. 17 Mas tu, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, 18 a fim de que não pareça aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está presente no oculto, e teu Pai, que vê no oculto, te dará a recompensa. 19 «Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões arrombam as paredes e roubam.
Comentário:
(S. Francisco de Sales, Introdução à Vida Devota, Cap. XV) (citado por ama)
Ainda que vísseis algo mau, não julgueis imediatamente o vosso próximo, antes desculpai-o no vosso interior. Desculpai a intenção, se não podeis desculpar a acção. Pensai que o terá feito por ignorância, ou por surpresa, ou por debilidade. Se a coisa é tão clara que não podeis dissimulá-la, ainda assim procurai acreditar deste modo, e dizei para vós mesmos: a tentação terá sido muito forte.
(S. Bernardo, sermão sobre o Cantar dos Cantares) (citado por ama)
Festa: S. Pedro e S. Paulo
Festa: S. Pedro e S. Paulo
Nota Histórica
Desde o século III que a Igreja une na mesma solenidade os Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, as duas grandes colunas da Igreja. Pedro, pescador da Galileia, irmão de André, foi escolhido por Jesus Cristo como chefe dos Doze Apóstolos, constituído por Ele como pedra fundamental da Sua Igreja e Cabeça do Corpo Místico. Foi o primeiro representante de Jesus sobre a terra.
S. Paulo, nascido em Tarso, na Cilícia, duma família judaica, não pertenceu ao número daqueles que, desde o princípio, conviveram com Jesus. Perseguidor dos cristãos, converte-se, pelo ano 36, a caminho de Damasco, tornando-se, desde então, Apóstolo apaixonado de Cristo. Ao longo de 30 anos, anunciará o Senhor Jesus, fundando numerosas Igrejas e consolidando na fé, com as suas Cartas, as jovens cristandades. Foi o promotor da expansão missionária, abrindo a Igreja às dimensões do mundo.
S. Paulo, nascido em Tarso, na Cilícia, duma família judaica, não pertenceu ao número daqueles que, desde o princípio, conviveram com Jesus. Perseguidor dos cristãos, converte-se, pelo ano 36, a caminho de Damasco, tornando-se, desde então, Apóstolo apaixonado de Cristo. Ao longo de 30 anos, anunciará o Senhor Jesus, fundando numerosas Igrejas e consolidando na fé, com as suas Cartas, as jovens cristandades. Foi o promotor da expansão missionária, abrindo a Igreja às dimensões do mundo.
Figuras muito diferentes pelo temperamento e pela cultura, viveram, contudo, sempre irmanados pela mesma fé e pelo mesmo amor a Cristo. S. Pedro, na sua maravilhosa profissão de fé, exclamava: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». E, no seu amor pelo Mestre, dizia: «Senhor, Tu sabes que eu Te amo». S. Paulo, por seu lado, afirmava: «Eu sei em quem creio», ao mesmo tempo que exprimia assim o seu amor: «A minha vida é Cristo»!
Depois de ambos terem suportado toda a espécie de perseguições, foram martirizados em Roma, durante a perseguição de Nero. Regando, com o seu sangue, no mesmo terreno, «plantaram» a Igreja de Deus.
AO AMOR DOS AMORES
Sacrário do Altar o ninho dos teus mais ternos e disponíveis amores.
Amor me pedes, meu Deus, e amor me dás; o Teu amor é amor do céu, e o meu, amor mistura de terra e céu; o teu é infinito e puríssimo; o meu, imperfeito e limitado. Seja eu, meu Jesus, desde hoje, tudo para Ti, como Tu és tudo para mim. Que Te ame sempre, como Te amaram os Apóstolos; e os meus lábios beijem os Teus benditos pés, como os beijou a Madalena convertida. Vê e escuta os extravios do meu coração arrependido, como escutaste Zaqueu e a Samaritana. Deixa-me reclinar a minha cabeça no Teu peito sagrado como o Teu discípulo amado São João. Desejo viver contigo, porque és vida e amor.
Só pelos Teus amores, Jesus, meu bem-amado, pus em Ti a minha vida, a minha glória e futuro. E já que para o mundo sou uma flor murcha, não tenho outro anseio que, amando-te, morrer.
Oração de Santa Teresa de Lisieux
28/06/2010
Evangelho: Mt 8, 18-22
18 Vendo-Se Jesus rodeado por uma grande multidão, ordenou que passassem para a outra margem do lago. 19 E, aproximando-se um escriba, disse-Lhe: «Mestre, eu seguir-Te-ei para onde quer que fores». 20 Jesus disse-lhe: «As raposas têm tocas, e as aves do céu ninhos; porém, o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça». 21 Um outro dos Seus discípulos disse-Lhe: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». 22 Jesus, porém, respondeu-lhe: «Segue-Me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos».
Meditação:
Eu, também, quero seguir-te para onde quer que fores, sempre. Não quero que este desejo seja coarctado pelas necessidades – o que eu julgo que são necessidades – pela apreensão de ter coisas ou meios com que resolver os problemas de todos os dias. E, embora eles possam surgir no horizonte próximo, sei que nunca me faltará a graça de Deus para O seguir, pois que, estou convicto, só seguindo Cristo encontrarei paz para a minha alma e serei feliz.
(AMA, meditação sobre Mt 8, 18-22, Junho 2008)
Tema:Prioridades
A escolha pe rtence-nos, sempre. A decisão é nossa, sempre. Ponderar demasiado os prós e os contras pode levar-nos a perder o ensejo de fazer o que devemos quando devemos fazê-lo. Desculpas e “motivos” para adiar, esperar por uma ocasião propícia (no nosso entender), sempre os teremos porque para estabelecer prioridades é preciso um espírito livre e decidido.
(ama, comentário sobre “prioridades”, 2010.05.16)
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