26/01/2021

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 26

Evangelho

 

Mc II 23 – 28; III 1 - 12

      

23 Ora num dia de sábado, indo Jesus através das searas, os discípulos puseram-se a colher espigas pelo caminho. 24 Os fariseus diziam-lhe: «Repara! Porque fazem eles ao sábado o que não é permitido?» 25 Ele disse: «Nunca lestes o que fez David, quando teve necessidade e sentiu fome, ele e os que estavam com ele? 26 Como entrou na casa de Deus, ao tempo do Sumo Sacerdote Abiatar, e comeu os pães da oferenda, que apenas aos sacerdotes era permitido comer, e também os deu aos que estavam com ele?» 27 E disse-lhes: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. 28 O Filho do Homem até do sábado é Senhor.»

 

O homem com a mão atrofiada

1 Novamente entrou na sinagoga. E estava lá um homem que tinha uma das mãos paralisada. 2 Ora eles observavam-no, para ver se iria curá-lo ao Sábado, a fim de o poderem acusar. 3 Jesus disse ao homem da mão paralisada: «Levanta-te e vem para o meio.» 4 E a eles perguntou: «É permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar uma vida ou matá-la?» Eles ficaram calados. 5 Então, olhando-os com indignação e magoado com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão.» Estendeu-a, e a mão ficou curada. 6 Assim que saíram, os fariseus reuniram-se com os partidários de Herodes para deliberar como haviam de matar Jesus.

 

Jesus e a multidão

7 Jesus retirou-se para o mar com os discípulos. Seguiu-o uma imensa multidão vinda da Galileia. E da Judeia, 8 de Jerusalém, da Idumeia, de além-Jordão e das cercanias de Tiro e de Sídon, uma grande multidão veio ter com Ele, ao ouvir dizer o que Ele fazia. 9 E disse aos discípulos que lhe aprontassem um barco, a fim de não ser molestado pela multidão, 10 pois tinha curado muita gente e, por isso, os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para lhe tocarem. 11 Os espíritos malignos, ao vê-lo, prostravam-se diante dele e gritavam: «Tu és o Filho de Deus!» 12 Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer.

 


Deveres e obrigações (cont)

  Em Babel, segundo rezam as crónicas, houve essa pretensão de unidade entre povos e pessoas e tal seria conseguido se não faltasse um elemento importantíssimo: Dar a Deus o que é de Deus.

  De facto os construtores da famosa torre tiveram preocupações e objectivos meramente Cesarianos, por assim dizer, pretendendo alcançar um inefável bem comunitário que se traduziria numa felicidade de vida organizada em volta de um princípio de igualdade.

Deus ficou de fora e, como se sabe à saciedade, as obras exclusivamente humanas são passageiras e mais ou menos efémeras porque estão em constante evolução, mudando de sentido e até, conteúdo, conforme as circunstâncias do tempo.

  Deus não muda, é o mesmo, sempre, desde Isaac e Abraão até aos nossos dias e… sempre.

Não pode mudar porque é eterno o que, em suma, significa que não tendo princípio nem fim,

O que É, não evolui, não muda, não Se altera, não Se adapta.

  O problema de Babel foi exactamente esse esquecimento das duas obrigações simultâneas e intimamente ligadas:

Dar a César o que pertence a César e a Deus o que é de Deus!

Escolher uma apenas revela-se uma opção errada e com consequências conhecidas.

  Na discussão que houve no Sinédrio, sobre o que fazer com os discípulos de Jesus Cristo, levantou-se a voz de Gamaliel numa locução cheia de sabedoria e bom senso:

  “Se este desígnio ou esta obra for de homens, será derrubada; mas, se for de Deus, não podereis derrubá-los... podereis talvez ser realmente achados como lutadores contra Deus.” [1]

  A opção de seguir as instruções de Cristo foi tomada livremente pelos Apóstolos, é verdade, mas a força, stamina [2] e destemor só lhes foi possível com a sua decisão de dar a Deus o que era de Deus, neste caso, a missão que o próprio Jesus Cristo, lhes tinha confiado.

E, o facto é que, três séculos mais tarde ([3]), César vem a reconhecer que era perfeitamente possível – melhor, natural e benéfico – as duas opções coexistirem.

Mais, este facto trouxe a unidade e coesão de um vasto Império em risco de colapso.

  Daqui que não se entenda como, nos dias de hoje, persistam próceres de diversa origem que advogam uma sociedade sem Deus, ou melhor, que não deve nada a Deus nem haverá que se preocupar com isso.

Dir-se-á que tal tem a ver com questões de fé - o que é provável - mas omite-se que tem sobretudo a ver com questões de inteligência e bom senso com base no que, neste aspecto, foi acontecendo ao longo de, pelo menos, três mil anos de história, o que parece ser muito.

  Talvez venha a propósito considerar que não se pode negar o que não existe, trata-se de um contra-senso, uma impossibilidade concreta.

Confunde-se, quase sempre, a falta de Fé com a negação da existência de Deus o que revela uma ignorância crassa e grave.

 

 



[1] Discurso de S. Paulo em Actos dos Apóstolos.5:34-39.

[2] Stamina: a capacidade de sustentar um esforço prolongado e cheio de dificuldades

[3] Constantino legalizou e apoiou fortemente a cristandade por volta do tempo em que se tornou imperador, com o Édito de Milão, 313 d. c.

Pequena agenda do cristão

  


TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)

25/01/2021

Festas

 


CONVERSÃO DE SÃO PAULO, Apóstolo

Que vos saibais perdoar

Com quanta insistência o Apóstolo São João pregava o "mandatum novum"! "Amai-vos uns aos outros!". Pôr-me-ia de joelhos, sem fazer teatro – grita-mo o coração –, para vos pedir, por amor de Deus, que vos estimeis, que vos ajudeis, que vos deis a mão, que vos saibais perdoar. Portanto, vamos banir a soberba, ser compassivos, ter caridade; prestar-nos mutuamente o auxílio da oração e da amizade sincera. (Forja, 454)

Jesus Cristo, Nosso Senhor, encarnou e tomou a nossa natureza, para se mostrar à humanidade como modelo de todas as virtudes. Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, convida-nos Ele. Mais tarde, quando explica aos Apóstolos o sinal pelo qual os reconhecerão como cristãos, não diz: porque sois humildes. Ele é a pureza mais sublime, o Cordeiro imaculado. Nada podia manchar a sua santidade perfeita, sem mácula. Mas também não diz: saberão que se encontram diante de discípulos meus, porque sois castos e limpos. Passou por este mundo com o mais completo desprendimento dos bens da terra. Sendo Criador e Senhor de todo o universo, faltava-lhe até um sítio onde pudesse reclinar a cabeça. No entanto, não comenta: saberão que sois dos meus porque não vos apegastes às riquezas. Permanece quarenta dias e quarenta noites no deserto em jejum rigoroso, antes de se dedicar à pregação do Evangelho. E também não afirma aos seus: compreenderão que servis a Deus, porque não sois comilões nem bebedores. A característica que distinguirá os apóstolos, os cristãos autênticos de todos os tempos, já a ouvimos: nisto – precisamente nisto – conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. (Amigos de Deus, 224)

 

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 25

Evangelho

 

Mc II 1 – 22

 

Cura de um paralítico

1 Dias depois, tendo Jesus voltado a Cafarnaúm, ouviu-se dizer que estava em casa. 2 Juntou-se tanta gente que nem mesmo à volta da porta havia lugar, e anunciava-lhes a Palavra. 3 Vieram, então, trazer-lhe um paralítico, transportado por quatro homens. 4 Como não podiam aproximar-se por causa da multidão, descobriram o tecto no sítio onde Ele estava, fizeram uma abertura e desceram o catre em que jazia o paralítico. 5 Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados.» 6 Ora estavam lá sentados alguns doutores da Lei que discorriam em seus corações: 7 «Porque fala este assim? Blasfema! Quem pode perdoar pecados senão Deus?» 8 Jesus percebeu logo, em seu íntimo, que eles assim discorriam; e disse-lhes: «Porque discorreis assim em vossos corações? 9 Que é mais fácil? Dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega no teu catre e anda’? 10 Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados, 11 Eu te ordeno - disse ao paralítico: levanta-te, pega no teu catre e vai para tua casa.» 12 Ele levantou-se e, pegando logo no catre, saiu à vista de todos, de modo que todos se maravilhavam e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim!»

 

Vocação de Levi

13 Jesus saiu de novo para a beira-mar. Toda a multidão ia ao seu encontro, e Ele ensinava-os. 14 Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me.» E, levantando-se, ele seguiu Jesus. 15 Depois, quando se encontrava à mesa em casa dele, muitos cobradores de impostos e pecadores também se puseram à mesma mesa com Jesus e os seus discípulos, pois eram muitos os que o seguiam. 16 Mas os doutores da Lei do partido dos fariseus, vendo-o comer com pecadores e cobradores de impostos, disseram aos discípulos: «Porque é que Ele come com cobradores de impostos e pecadores?» 17 Jesus ouviu isto e respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»

 

O jejum

18 Estando os discípulos de João e os fariseus a jejuar, vieram dizer-lhe: «Porque é que os discípulos de João e os dos fariseus guardam jejum, e os teus discípulos não jejuam?» 19 Jesus respondeu: «Poderão os convidados para a boda jejuar enquanto o esposo está com eles? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar. 20 Dias virão em que o esposo lhes será tirado; e então, nesses dias, hão-de jejuar.» 21 «Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, pois o pano novo puxa o tecido velho e o rasgão fica maior. 22 E ninguém deita vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho romperá os odres e perde-se o vinho, tal como os odres. Mas vinho novo, em odres novos.»

 


Humanismo

  Concepção filosófica que põe o homem e os valores humanos acima dos outros valores.

 

Humanitarismo

  Conjunto de concepções humanitárias tidas como ilusórias ou utópicas.

 

Deveres e obrigações

  A César, o que é de César, a Deus o que é de Deus. ([1])

  Mas o que é que, no homem, é devido a César, aqui representado pelo poder que rege os povos, e o que pertence a Deus?

  A fronteira não é muito nítida porque, em princípio, tudo pertence a Deus se encararmos que a realidade é que tudo, absolutamente, nos vem dele.

 Na verdade, ao cumprir as suas obrigações e deveres para com a sociedade, o Estado, a pessoa está a seguir os mandamentos de Deus que, como se sabe, são a Lei Natural.

  Por isso mesmo, tal - dar a César o que por direito lhe pertence - constitui um dever do homem que não pode deixar de o satisfazer sem ofender a Deus.

  Visto assim, parece que a tal fronteira, na realidade não existe.

  É comum, infelizmente, um certo adormecimento da consciência de muitos cristãos que encaram o não cumprimento dessas obrigações, como o pagamento de impostos, por exemplo, com ligeireza e sem preocupação.

  As justificações são várias, as mais comuns, talvez, 'que todos o fazem' ou que 'os impostos são injustos' ou que 'as verbas deles resultantes são mal aplicadas'.

  Evidentemente, tudo isto pode ser verdade mas nem por isso se exime a pessoa de cumprir a lei.

  As leis emanadas pelo poder constituído são de cumprimento obrigatório, salvo no caso de atentarem contra a dignidade, a liberdade individual de decisão, a escolha pessoal de educação dos filhos, da religião e tudo aquilo que, em suma, pertença exclusivamente ao livre arbítrio da pessoa.

  Daqui - e parece ser muito a propósito - a obrigação grave de votar nas eleições que se destinam a escolher os que devem exarar as leis e demais normas que regem uma sociedade.

Exercer esse direito reveste-se de capital importância já que, das escolhas efectuadas dependerá o futuro legislativo, leis boas, más ou, mesmo como já se tem verificado, leis iníquas.

  Participar da Vida social é um direito e uma obrigação que vem com as características da cidadania.

  Como a única forma legal - aceitável e legítima - de participar na vida pública alterando a forma de governo ou legislação é através do sufrágio, este torna-se, assim, numa obrigação inalienável.

Não cabe aqui discorrer sobre o assunto já que o mesmo se insere na esfera da política o que está fora do que estamos a tratar.

  Dar a César pode muito bem ser, também, ter a disponibilidade para aceitar responsabilidades públicas, como, por exemplo, fazendo parte dos órgãos do Estado.

É claro que, para o cristão, isto quererá dizer disponibilizar-se para servir os outros, a sociedade nos moldes em que esse serviço requeira.

Como serviço nunca poderá ser sacrifício - porque o trabalho nunca o deve ser - mas o desempenho de um trabalho dedicadamente e nele empenhando todas as capacidades e potências que se possuem.

  Engana-se gravemente quem aceitar um encargo para o qual não esteja apto ou possua as qualificações que o mesmo requeira.

Mais grave porém será - se o fizer - as consequências que daí podem advir para o bem da sociedade, para César.

  Como se um pianista principiante aceitasse ser cabeça de cartaz na execução de uma peça musical de relevância excepcional.

Enganaria as justas expectativas dos que acorressem ao evento, defraudaria os promotores da iniciativa, ridiculizaria o autor da obra e, sobretudo, enganar-se-ia a si próprio ao pretender executar algo para o qual sabe não ter nem capacidade nem qualificação bastante.

  Assim os que assumem cargos públicos para os quais não têm aptidão, mais não fazem que fazer de péssimos actores de uma peça da qual não conhecem nem o argumento e, muito menos, a mensagem que, se espera, têm de transmitir aos espectadores.

  Ora, a vida real, concreta, comum, não é uma peça de teatro que, normalmente, traduz situações inventadas num determinado contexto, mas sim, uma realidade concreta feita de inúmeras e diversificadas facetas, de coisas pequenas e grandes, de actos de coragem e fugas cobardes, atitudes mesquinhas e, outras, grandiosas em que seres humanos muito ou pouco diferentes entre si, têm objectivos, esperanças, ambições e propósitos, por vezes díspares e antagónicos.

Servir nestas condições é, sem dúvida, um acto de coragem que, para ser verdadeiro, necessita de reflexão e séria ponderação.

  ‘Aceito e, depois… logo se vê…’

Parece ser, cada vez mais atitude frequente.

E, o ‘logo se vê’ traduz-se inevitavelmente numa sucessão de disparates, erros, por vezes graves e com consequências tremendas.

  Mas, isto tudo, de facto, não é de César que não espera, não pode querer nada semelhante.

  Não convém, portanto, dar-lho porque, mais tarde ou mais cedo, César rejeitá-lo-á e, muito provavelmente, exigirá ser ressarcido do engano.

Ao contrário de Deus, César não perdoa sem castigar, ou seja: O seu perdão tem sempre um preço proporcional.

  Voltando à questão: Mas o que é que, no homem é devido a César…?

  Parece fácil a resposta.

O que, em princípio se deve a César é o que de César se recebeu.

  Podemos destacar, pelo menos, dois:

  A educação recebida pondo ao serviço de César os conhecimentos adquiridos que a mesma nos proporcionou; (veremos este ponto mais adiante)

O exercício de uma actividade que garanta o sustento próprio e dos que de nós dependem.

  Os bens que a actividade que o Estado, nos permitiu ter e desenvolver têm necessariamente de lhe ser restituídos, ou melhor, distribuídos por outros, principalmente aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades;

  A esta acção de restituição ou serviço costuma chamar-se solidariedade.

A solidariedade, exigência da fraternidade humana e cristã, manifesta-se, em primeiro lugar, na justa repartição dos bens, équa na remuneração do trabalho e no esforço por uma ordem social mais justa. A virtude da solidariedade pratica também a repartição dos bens espirituais da fé, ainda mais importantes que os materiais. [2]

  Como já vimos noutros locais [3], o ser humano é social por natureza, vive em sociedades organizadas segundo um esquema de leis e princípios cujo fim básico deve ser o dar a todos, sem qualquer distinção, oportunidades iguais em todos os aspectos da vida comum e, também, a liberdade de eleição do próprio estilo de vida, de opções pessoais que, naturalmente, se enquadrem nesse conjunto de leis e princípios.

Não tem, pois, o homem alternativa que viver em sociedade, naquela que escolher livremente por vontade própria.

Cada vez mais a ideia de um mundo global onde cada um possa escolher onde deseja viver ganha uma inusitada força e importância e, na verdade, parece ser o melhor que o homem pode aspirar.

Nascer neste ou naquele país pode não passar de um acidente no percurso da sua vida e nada, nem ninguém, deve ter o poder de o obrigar a permanecer ali ou impedir a desenvolver a sua vida, actividade, vocação onde muito bem lhe aprouver.

Os primeiros passos estão a ser dados nalgumas regiões do mundo, como por exemplo, a moeda única para extensas áreas englobando vários países raças e culturas.

Sem pretender fazer futurismo parece mais que provável que este é o caminho para o qual tende a humanidade e, talvez o sonho de uma sociedade justa e equitativa.

 

 



[1] Cfr. Mt. 22, 15-22

[2] CIC 1939 – 1942; 1948

[3] Citação de NUNC COEPI

Reflexão

 

Existem portanto dois tipos de paz: a que os homens são capazes de construir por si sós, e a que é dom de Deus; (...) a que vem imposta pelo poder das armas e a que nasce do coração. A primeira é frágil e insegura; poderia chamar-se uma mera aparência de paz porque se funda no medo e na desconfiança. A segunda, pelo contrário, é uma paz forte e duradoira porque, ao fundar-se na justiça e no amor, penetra no coração; é um dom que Deus concede aos que amam a Sua lei.

 

(São João Paulo II, Discurso à UNIV, Roma, 24.02. 1986)

Filosofia e Religião, Vida Humana

 

A Doutrina Sagrada é uma ciência?



Existem dois tipos de ciência:

Algumas procedem de princípios que são conhecidos à luz natural do intelecto (aritmética, geometria); Outras procedem de princípios conhecidos à luz de uma ciência superior (por ex.: perspectiva: princípios tomados à geometria; música: princípios tomados à aritmética).

Pequena agenda do cristão

 

SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


24/01/2021

Nunca amarás bastante

Por muito que ames, nunca amarás bastante. O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, dilata-se num crescendo de carinho que supera todas as barreiras. Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar no teu coração. (Via Sacra, 8ª Estação, n. 5)

Vede agora o mestre reunido com os seus discípulos na intimidade do Cenáculo. Ao aproximar-se o momento da sua Paixão, o Coração de Cristo, rodeado por aqueles que ama, abre-se em inefáveis labaredas: dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros e que, do mesmo modo que eu vos amei, vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. (Ioh XIII, 34–35.) (...). Senhor, porque chamas novo a este mandamento? Como acabamos de ouvir, o amor ao próximo estava prescrito no Antigo Testamento e recordareis também que Jesus, mal começa a sua vida pública, amplia essa exigência com divina generosidade: ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu peço-vos mais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Senhor, deixa-nos insistir: porque continuas a chamar novo a este preceito? Naquela noite, poucas horas antes de te imolares na Cruz, durante aquela conversa íntima com os que - apesar das suas fraquezas e misérias pessoais, como as nossas - te acompanharam até Jerusalém. Tu revelaste-nos a medida insuspeitada da caridade: como eu vos amei. Como não haviam de te entender os Apóstolos, se tinham sido testemunhas do teu amor insondável! Se professamos essa mesma fé, se ambicionamos verdadeiramente seguir as pegadas, tão nítidas, que os passos de Cristo deixaram na terra, não podemos conformar-nos com evitar aos outros os males que não desejamos para nós mesmos. Isto é muito, mas é muito pouco, quando compreendemos que a medida do nosso amor é definida pelo comportamento de Jesus. Além disso, Ele não nos propõe essa norma de conduta como uma meta longínqua, como o coroamento de toda uma vida de luta. É – e insisto que deve sê-lo para que o traduzas em propósitos concretos – o ponto de partida, porque Nosso Senhor o indica como sinal prévio: nisto conhecerão que sois meus discípulos. (Amigos de Deus, 222-223)

 

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 24

Evangelho

 

Mc I 23 – 45

 

Milagre na Sinagoga

23 Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: 24 «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.» 25 Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» 26 Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. 27 Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» 28 E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

 

Cura da sogra de Pedro

29 Saindo da sinagoga, foram para casa de Simão e André, com Tiago e João. 30 A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo lhe falaram dela. 31Aproximando-se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los.

 

Outros milagres

32 À noitinha, depois do sol-pôr, trouxeram-lhe todos os enfermos e possessos, 33 e a cidade inteira estava reunida junto à porta. 34 Curou muitos enfermos atormentados por toda a espécie de males e expulsou muitos demónios; mas não deixava falar os demónios, porque sabiam quem Ele era. 35 De madrugada, ainda escuro, levantou-se e saiu; foi para um lugar solitário e ali se pôs em oração. 36 Simão e os que estavam com Ele seguiram-no. 37 E, tendo-o encontrado, disseram-lhe: «Todos te procuram.» 38 Mas Ele respondeu-lhes: «Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim.» 39 E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demónios.

 

Cura de um leproso

40 Um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.» 41 Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.» 42 Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado. 43 E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo: 44 «Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.» 45 Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.

 


A filiação divina e vida interior (cont)

  A construção da Vida Interior passa, assim, a ser um trabalho constante com a finalidade de, pode dizer-se, tornar-se uma pessoa completa, carne e espírito, com domínio da vontade, agindo sob determinação do que considera conveniente e bom em detrimento da cedência fácil ao instinto ou apelo mais ou menos mirífico de felicidade.

A couraça, por chamar-lhe assim, que se vai construindo, alicerçada nos valores que se têm - e sabem – como sérios, válidos, importantes e fundamentais, vai-se fortalecendo constantemente não só com o esforço de interiorização, mas com a prática continuada de actos bons e meritórios que tornam verdadeiros e credíveis os desejos de melhoria interior.

  Por aqui se vê que a Vida Interior não é uma atitude estática, não se estabelece um qualquer patamar a partir do qual se considera completa e satisfeita a ânsia de melhoria, é, antes, um esforço contínuo de aperfeiçoamento que nunca se dá por satisfeito nem completo.

  À medida que os obstáculos vão sendo removidos, surgem novas arestas a limar, contornos a definir, emoções a estabilizar.

Evidentemente que tem a ver com a estreita ligação com Deus porque a consciência leva a orientar-se a vida de forma a agradar-lhe em tudo e num desejo de satisfazer a Sua vontade nas coisas pequenas como nas grandes.

  O pensador, a pessoa que por feitio ou profissão está em permanente evolução de pensamento, se não orienta esta acção para Deus fica-se sempre muito aquém de uma satisfação completa.

Trata-se de insistir nos pequenos vencimentos diários, ultrapassagens de obstáculos pouco importantes, metas intermédias que se vão alcançando sem desprezar qualquer oportunidade ou ensejo, não cedendo à tentação de deixar para depois, para uma ocasião que, por uma razão qualquer, se ache mais propícia.

  Esta ocasião ideal, de facto, nunca surge porque o ideal, o que convém realmente, é fazer o que tem de ser feito quando deve ser feito.

  Uma tarefa adiada è uma tarefa meio perdida ou, talvez, nunca concluída porque entretanto, outras surgiram que mereceram atenção e requereram acção da nossa parte.

  A Vida Interior não é uma postura mas um estado de alma, quer dizer, não é algo que se tenha de vez em quando mas sempre, seja qual for o ambiente ou circunstância.

  Por isso ligámos tão estreitamente a Vida Interior à Filiação Divina porque a constatação da segunda como sendo uma realidade, leva a considerar a primeira como uma necessidade.

  Com uma Vida Interior sólida, a pessoa é naturalmente alegre, com aquela alegria sã e serena que advém da certeza de que os actos que se praticam são convenientes e agradam a Deus, ao mesmo tempo que as preocupações ou adversidades que a vida corrente sempre traz consigo, nunca tomam dimensões desproporcionadas nem condicionam desmesuradamente a vida pessoal.

Antes são encaradas com naturalidade e a predisposição para as resolver e ultrapassar é muito maior porque não se encaram esses incidentes como fardos insuportáveis ou insolúveis mas, antes, vem ao de cima a confiança, a esperança e a certeza que nada é superior às próprias forças porque se sabe, com segurança, que Deus, se permite a carga também proporciona os meios para a suportar.

  Porque é que São Josemaria, como já se disse, é de facto um santo dos nossos dias com algo de revolucionário?

Porque, realmente, veio ensinar uma nova forma de focar a vida comum e corrente: ‘Os cristãos são para o mundo o que a alma é para o corpo. Vivem no mundo, mas não são mundanos, como a alma está no corpo, mas não é corpórea. Habitam em todos os povos, assim como a alma está em todas as partes do corpo. Actuam pela sua vida interior sem se fazerem notar, como a alma pela sua essência. Vivem como peregrinos entre coisas perecíveis, na esperança da incorruptibilidade dos céus, assim como a alma imortal vive agora numa tenda mortal. Multiplicam-se de dia para dia no meio das perseguições, assim como a alma se embeleza mortificando-se... E não é lícito aos cristãos abandonarem a sua missão no mundo, como não é permitido à alma separar-se voluntariamente do corpo.» ([1]); ou ainda:

  ‘A filiação divina é uma verdade feliz, um mistério consolador. A filiação divina empapa toda a nossa vida espiritual, porque nos ensina a procurar, conhecer e amar o nosso Pai do Céu, e assim cumula de esperança a nossa luta interior e nos dá a simplicidade confiante dos filhos pequenos. Mais ainda: precisamente porque somos filhos de Deus, esta realidade leva-nos também a contemplar com amor e com admiração todas as coisas que saíram das mãos de Deus Pai Criador. E deste modo somos contemplativos no meio do mundo, amando o mundo.» [2] 

  A constatação da nossa Filiação Divina leva-nos à necessidade da contemplação de tão magnífico dom.

Ser filho de Deus, com todos os direitos e prerrogativas que tal implica, é algo que não se apreende na totalidade.

Deus ama-nos como seres criados por Ele próprio mas, como se tal não bastasse, outorga-nos, com o Baptismo, essa filiação autêntica, real, efectiva!

Fazemos parte da Sua família íntima, somos amados verdadeira e incondicionalmente, sem mérito algum da nossa parte. E, este amor preenche por completo as nossas necessidades porque é um amor imenso, divino, sem comparação alguma com o mais excelente amor humano.

  Como todo o amor, pede retorno, - já vimos que amar é dar e receber - e o interessante e de espantar é que Deus, nosso Senhor e Criador, que não precisa do nosso amor para nada, espera verdadeiramente que Lhe retribuamos - tentemos sériamente retribuir - o Seu amor divino com o nosso amor humano, para o divinizar e devolver expurgado de qualquer impureza que possa conter.

  Quantas vezes, ao longo do dia, nas situações mais correntes, nos detemos nem que sejam uns escassos segundos a interiorizar estas realidades?

E não é nada de mais se considerarmos que Ele nos vê e nos ouve sempre, sempre!

 E, a Vida Interior é, finalmente, isso mesmo:

Essa disposição da alma para considerar a presença de Deus na nossa vida e, tomando consciência disto, fazer tudo para Lhe agradar como forma de retribuir tão grande bem.

  Educar a consciência, formar o carácter, esclarecer a mente, ter claras e bem definidas as balizas dentro das quais decorre a nossa vida com essa tendência e desejo de a concretizar:

Tudo, absolutamente, para Ti, meu Senhor e meu Deus: que tudo, absolutamente em Ti comece e acabe sempre!

 

 



[1] são josemaria escrivá,  Amigos de Deus, 63

           [2] s. josemaria escrivá, Cristo que Passa, 65

Sacramentos

 O Matrimónio

O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper o contrato livremente aceite pelos esposos de viverem um com o outro até à morte. O divórcio é uma injúria contra a aliança da salvação, de que o matrimónio sacramental é sinal (Catecismo , 2384). Pode acontecer que um dos cônjuges seja a vítima inocente do divórcio declarado pela lei civil; esse, então, não viola o preceito moral. Há uma grande diferença entre o cônjuge que sinceramente se esforçou por ser fiel ao sacramento do matrimónio e se vê injustamente abandonado, e aquele que, por uma falta grave da sua parte, destrói um matrimónio canonicamente válido. (Catecismo, 2386)