TeRÇa-Feira
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
19/01/2021
Pequena agenda do cristão
TeRÇa-Feira
18/01/2021
A riqueza da fé
Não sejas pessimista. – Não sabes que tudo quanto sucede ou pode suceder é para bem? – O teu optimismo será a consequência necessária da tua fé. (Caminho, 378)
No meio das limitações inseparáveis da nossa situação presente, porque o pecado ainda habita em nós de algum modo, o cristão vê com nova clareza toda a riqueza da sua filiação divina, quando se reconhece plenamente livre porque trabalha nas coisas do seu Pai, quando a sua alegria se torna constante por nada ser capaz de lhe destruir a esperança. Pois é também nesse momento que é capaz de admirar todas as belezas e maravilhas da Terra, de apreciar toda a riqueza e toda a bondade, de amar com a inteireza e a pureza para que foi criado o coração humano. Também é nessa altura que a dor perante o pecado não degenera num gesto amargo, desesperado ou altivo porque a compunção e o conhecimento da fraqueza humana conduzem-no a identificar-se outra vez com as ânsias redentoras de Cristo e a sentir mais profundamente a solidariedade com todos os homens. É então, finalmente, que o cristão experimenta em si com segurança a força do Espírito Santo, de tal maneira que as suas quedas pessoais não o abatem; são um convite a recomeçar e a continuar a ser testemunha fiel de Cristo em todas as encruzilhadas da Terra, apesar das misérias pessoais, que nestes casos costumam ser faltas leves, que apenas turvam a alma; e, ainda que fossem graves, acudindo ao Sacramento da Penitência com compunção, volta-se à paz de Deus e a ser de novo uma boa testemunha das suas misericórdias. Tal é, em breve resumo que mal consegue traduzir em pobres palavras humanas a riqueza da fé, a vida do cristão, quando se deixa guiar pelo Espírito Santo. (Cristo que passa, 138)
LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 18
Evangelho
Em casa de Caifás
57 Os que tinham
prendido Jesus conduziram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás, onde os doutores
da Lei e os anciãos do povo se tinham reunido. 58 Pedro seguiu-o de longe até
ao palácio do Sumo Sacerdote. Aproximando-se, entrou e sentou-se entre os
servos, para ver o desfecho de tudo aquilo. 59 Os sumos sacerdotes e todo o
Conselho procuravam um depoimento falso contra Jesus, a fim de o condenarem à
morte. 60 Mas não o encontraram, embora se tivessem apresentado muitas
testemunhas falsas. Apresentaram-se finalmente duas, 61 que declararam: «Este
homem disse: ‘Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias.’» 62
O Sumo Sacerdote ergueu-se, então, e disse-lhe: «Não respondes nada? Que dizes
aos que depõem contra ti?» 63 Mas Jesus continuava calado. O Sumo Sacerdote
disse-lhe: «Intimo-te, pelo Deus vivo, que nos digas se és o Messias, o Filho
de Deus.» 64 Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste. E Eu digo-vos: Vereis um dia
o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.»
65 Então, o Sumo Sacerdote rasgou as vestes, dizendo: «Blasfemou! Que
necessidade temos, ainda, de testemunhas? Acabais de ouvir a blasfémia. 66 Que
vos parece?» Eles responderam: «É réu de morte.» 67 Depois cuspiam-lhe no rosto
e batiam-lhe. Outros esbofeteavam-no, dizendo: 68 «Profetiza, Messias: quem foi
que te bateu?»
Negações de Pedro
69 Entretanto, Pedro
estava sentado no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe: «Tu também
estavas com Jesus, o Galileu.» 70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: «Não
sei o que dizes.» 71 Dirigindo-se para a porta, outra criada viu-o e disse aos
que ali estavam: «Este também estava com Jesus, o Nazareno.» 72 Ele negou de
novo com juramento: «Não conheço esse homem.» 73 Um momento depois,
aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro: «Com certeza tu és dos
seus, pois até a tua maneira de falar te denuncia.» 74 Começou, então, a dizer
imprecações e a jurar: «Não conheço esse homem!» No mesmo instante, o galo
cantou. 75 E Pedro lembrou-se das palavras de Jesus: «Antes de o galo cantar,
me negarás três vezes.» E, saindo para fora, chorou amargamente.
Conselho do Sinédrio
1 Ao romper da manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e anciãos do
povo tiveram conselho contra Jesus, para O entregarem à morte. 2 Em seguida,
manietado, levaram-n'O e entregaram-n'O ao governador Pôncio Pilatos.
Vocação
(cont)
Noutro
local já abordámos algumas características do comportamento humano e os
efeitos, consequências e utilidade que têm na vida comum.
Essas características emanam do carácter, ou
melhor, formatam o carácter de cada indivíduo, tornando-o verdadeiramente único
e singular e, que em suma, são as virtudes, as potências, os defeitos, as
capacidades pessoais.
Não
parece haver dúvida que para progredir no sentido da melhoria em cada uma
destas características é fundamental o conhecimento próprio do que se é como
pessoa. Para tal é necessário, em primeiríssimo lugar uma postura de
honestidade completa e uma decisão de proceder conforme o que o resultado desse
exame propuser.
Não
basta concluir que sou volúvel se não fizer um esforço para deixar de o ser.
O
(re)conhecimento do que se é, deve levar, não a ser algo diferente, mas a
concluir que é fundamental corrigir aquilo que, com honestidade, repete-se,
verificamos que está mal ou poderia ser melhor, num esforço contínuo e sem
tréguas por conseguir esse objectivo.
Quando
me apercebo que caio com facilidade na murmuração ou comentários sobre os
outros ou o seu comportamento, terei de esforçar-me para corrigir esta
tendência e estar decidido, não só a fazê-lo, mas ter a consciência que não o
conseguirei sem uma dedicação constante a essa tarefa.
Normalmente,
uma das formas mais aconselhadas de o fazer é actuar de forma positiva, isto é,
não dizer mal ou murmurar, mas não o fazer de todo.
A forma negativa seria dizer bem ou tecer
encómios, coisa que, por vezes, pode não ter justificação.
Aos poucos, talvez muito lentamente, vai-se
criando um hábito de não ceder a essa tendência.
Assim consegue-se uma nítida melhoria tal
como nos propusemos.
É
muito possível verificarmos ter várias características a corrigir, a melhorar
mas é necessário fugir à tentação de travar uma luta, como se diz, em todas as
frentes, porque talvez não consigamos ganhar uma só que seja.
Por
isso, tal como também já se abordou, é fundamental concluir o que é dominante
no nosso carácter e actuar aí com a intenção de corrigir ou de melhorar porque
a luta pela melhoria pessoal não se trava só corrigindo ou evitando o que é
menos bom mas em promover o que temos de melhor.
A um
defeito ou fraqueza opõe-se sempre uma virtude e uma potência e, por vezes,
talvez baste implementar estes para diminuir a importância ou impacto daqueles.
Em
suma, em vez de tentar não fazer algo mau ou sem utilidade, esforçar-se por
praticar o bem contrário.
‘A dificuldade não
está em não furtar os bens alheios, mas sim em não os desejar. É fácil em
tribunal não levantar falso testemunho, mas difícil será em não mentir nas
conversas. Com facilidade nos afastaremos da embriaguez, mas com maior
dificuldade viveremos a sobriedade. [1]
É fundamental que a
consciência do bem e do mal esteja devidamente formada, que as balizas sejam
nítidas e que não se tente esconder a realidade com uma justificação momentânea.
Nada
pode justificar um mau procedimento mesmo com a remota pretensão de que se
alcançará um bem.
Não é
eliminando fisicamente o violentador que se eliminam os efeitos da violência
que perpetrou ou, sequer, atenua o sofrimento que lhe estará adjacente.
Para o conseguir, o caminho a seguir é actuar
junto de quem sofreu a violência assistindo-o para ajudar a ultrapassar a
situação.
Isto
não tem tudo a ver com a justiça que, quase sempre, se preocupa mais com o
primeiro que com o segundo.
Porquê?
Porque
praticar a justiça não pode limitar-se a aplicar a sanção que eventualmente o
prevaricador mereça mas, também, em assistir sériamente a vítima.
Isto
acontece com frequência quando a justiça – o que comummente se apelida justiça
– se limita a aplicar a lei conforme o legislador previu e se tenta compensar a
vítima, ou vítimas, com as indemnizações também previstas, quando o que de
facto necessitavam e, aliás, teriam o direito de esperar, era um apoio concreto
e categorizado para conseguirem ultrapassar a situação que lhes foi imposta.
Na
verdade, um prevaricador pode sempre reabilitar-se, em primeiro lugar cumprindo
a pena aplicada, depois com a reparação estipulada, e, evidentemente, com um
arrependimento sincero que conduza a não repetir acto, ou actos semelhantes, e,
tendo, por assim dizer, pago a sua dívida para com a sociedade, retomar uma
vida normal sem mais consequências.
Quanto
à vítima, é diferente, se não receber ou, de alguma forma, tiver acesso aos
apoios adequados, tenderá a arrastar indefinidamente o fardo da violência a que
foi sujeita não conseguindo retomar a vida como a tinha antes de tal ter
acontecido.
Esta
é a forma comum e usual de administração da justiça humana.
Mas, quando se refere às relações do homem
com Deus já não é assim.
Reflexão
O amor próprio
É difícil conviver com ele e admitir que o tenho.
E, de facto, está na raiz de muitos sentimentos
errados como, por exemplo, o sentir-me ofendido por alguém não reconhecer os
meus méritos ou predicados.
Talvez que a solução esteja em pensar: ‘O que diria
se me conhecesse bem... muito pior seguramente...’
13.12.2020
FILOSOFIA E RELIGIÃO
CONTROLO DA NATALIDADE
Do ponto de vista da
gravidade do pecado, a prática anticonceptiva vem logo a seguir ao homicídio,
porque, se o homicídio destrói o ser humano já existente, a anticoncepção nem
sequer permite que nele comece a existir. O resultado é o mesmo, que é, em
ultima análise, a destruição da raça humana. Só o modo é diferente.
São Tomás. d'Aquino, Contra Gentes, III, cap.
122
Pequena agenda do cristão
17/01/2021
O amor manifesta-se com factos
Vai até Belém, aproxima-te do Menino, baila com Ele, diz-lhe muitas coisas vibrantes, aperta-o contra o coração... Não estou a falar de infantilidades: falo de amor! E o amor manifesta-se com factos: na intimidade da tua alma, bem o podes abraçar! (Forja, 345)
É
preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que
estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé,
aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da
alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres
conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na
sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens. Ao falar diante do
presépio sempre procurei ver Cristo Nosso Senhor desta maneira, envolto em
paninhos sobre a palha da manjedoura, e, enquanto ainda menino e não diz nada,
vê-Lo já como doutor, como mestre. Preciso de considerá-Lo assim, porque tenho
de aprender d'Ele. E para aprender d'Ele é necessário conhecer a sua vida: ler
o Santo Evangelho, meditar no sentido divino do caminho terreno de Jesus.
Na
verdade, temos de reproduzir na nossa, a vida de Cristo, conhecendo Cristo à
força de ler a Sagrada Escritura e de a meditar, à força de fazer oração, como
agora estamos fazendo diante do presépio. É preciso entender as lições que nos
dá Jesus já desde menino, desde recém-nascido, desde que os seus olhos se
abriram para esta bendita terra dos homens. Jesus, crescendo e vivendo como um
de nós, revela-nos que a existência humana, a vida corrente e ordinária, tem um
sentido divino. (Cristo que passa, 13–14)
LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 17
Evangelho
Mt XXVI 30 - 56
Jesus prediz o abandono dos discípulos
30 Depois de cantarem os salmos, saíram para o Monte das Oliveiras. 31 Jesus disse-lhes, então: «Nesta mesma noite, todos ficareis perturbados por minha causa, porque está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho serão dispersas. 32 Mas, depois da minha ressurreição, hei-de preceder-vos na Galileia.» 33 Tomando a palavra, Pedro respondeu-lhe: «Ainda que todos fiquem perturbados por tua causa, eu nunca me perturbarei!» 34 Jesus retorquiu-lhe: «Em verdade te digo: Esta mesma noite, antes de o galo cantar, vais negar-me três vezes.» 35 Pedro disse-lhe: «Mesmo que tenha de morrer contigo, não te negarei!» E todos os discípulos afirmaram o mesmo.
Em Getzemani
36 Entretanto, Jesus com os seus discípulos chegou a um lugar chamado Getsémani e disse-lhes: «Sentai-vos aqui, enquanto Eu vou além orar.» 37 E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38 Disse-lhes, então: «A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo.» 39 E, adiantando-se um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo: «Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.» 40 Voltando para junto dos discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo! 41 Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é débil.» 42 Afastou-se, pela segunda vez, e foi orar, dizendo: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» 43 Depois voltou e encontrou-os novamente a dormir, pois os seus olhos estavam pesados. 44 Deixou-os e foi orar de novo pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45 Reunindo-se finalmente aos discípulos, disse-lhes: «Continuai a dormir e a descansar! Já se aproxima a hora, e o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. 46 Levantai-vos, vamos! Já se aproxima aquele que me vai entregar.»
Entrega e prisão de Jesus
47 Ainda Ele falava, quando apareceu Judas, um dos Doze, e com ele muita gente, com espadas e varapaus, enviada pelos sumos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48 O traidor tinha-lhes dado este sinal: «Aquele que eu beijar, é esse mesmo: prendei-o.» 49 Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: «Salve, Mestre!» E beijou-o. 50 Jesus respondeu-lhe: «Amigo, a que vieste?» Então, avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-no. 51 Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe uma orelha. 52 Jesus disse-lhe: «Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada morrerão à espada. 53 Julgas que não posso recorrer a meu Pai? Ele imediatamente me enviaria mais de doze legiões de anjos! 54 Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve acontecer?» 55 Voltando-se, depois, para a multidão, disse: «Viestes prender-me com espadas e varapaus, como se eu fosse um ladrão! Todos os dias estava sentado no templo a ensinar, e não me prendestes. 56 Mas tudo isto aconteceu, para que se cumprissem as Escrituras dos profetas.» Então, todos os discípulos o abandonaram e fugiram.
Vocação
A
descoberta da vocação implica uma finura interior, de carácter, de estabilidade,
de emoções e sentimentos que deram as pistas necessárias para que essa
descoberta seja concretizada numa certeza: ‘Sim, é isto que eu,
definitivamente, quero para a minha vida.’
Sem
estas características o homem debate-se em mil opções diferentes que lhe vão
surgindo com diversos matizes, quase sempre, vagos ou pouco concretos.
O
pior é que pode passar o resto da sua vida neste estado de indecisão,
movendo-se de uma opção para outra, mudando de sentido ou orientação ao sabor
quer de conveniências que julga importantes, ou quimeras com pouca ou nenhuma
profundidade ou sustentação.
Daí
surgem os maus profissionais que não cumprem o que é lícito esperar deles e que
arrastam a tal vida medíocre e conformada que citámos antes.
Se
este factos têm uma importância fundamental na vida do indivíduo e da sua
integração na sociedade, ajustando-se num lugar e papel que sabe ser o seu e
para o qual tem aptidões que adquiriu, ou seja, se exerce aquilo para o qual a
sua vocação o inclinou, parece legítimo deduzir-se que, na ausência destas
linhas mestras, a pessoa tenda para um desajustamento e uma insatisfação
pessoal permanentes, podendo cair na tentação de procurar soluções tardias que
pode ser levado a experimentar na tentativa de colmatar essas faltas.
Daqui
o abandono da profissão, ou da família, que entretanto se foi formando, a troca
das realidades estáveis pela cedência a impulsos criadores, quase sempre, de
situações precárias de instabilidade.
Poderiam
– a palavra é forte – chamar-se “desajustados” que arrastam atrás de si
inúmeras pessoas que, de alguma forma, são afectadas por essas decisões.
Perante
a resposta de Cristo a quem Lhe perguntava sobre a indissolubilidade do
matrimónio, alguém terá dito: «então é
melhor não casar» [1] o que parece uma
conclusão lógica se não se tiver em conta a magnitude do acto matrimonial, ou
seja, se de facto não se está absolutamente seguro – ou se tem uma certeza
razoável – de que o matrimónio celebrado com aquela pessoa concreta é,
realmente, o que se deseja, quer e, em consciência, deve fazer, então, de
facto, é preferível não casar.
Consideremos
que, se a descoberta da vocação indicar o matrimónio com o objectivo de
constituir uma família – o principal e determinante objectivo –, a pessoa tem
de ter a noção de que uma vida a dois não congela os anseios, desejos e
esforços de melhoria pessoal, antes os torna num objectivo comum, cada um com a
sua especificidade mas, evidentemente, numa troca constante e séria de ajudas,
apoios e solidariedades nas coisas grandes e nas pequenas de cada dia.
O
próprio amor deve evoluir de um sentimento entusiasmante e cheio de promessas
para uma certeza estável e comprometida, como se passasse a existir uma
terceira pessoa entre os dois.
Porquê?
Porque
se o amor não gera amor, acaba por definhar e morrer e acaba por quebrar-se o
elo que unia os dois seres.
A
capacidade de amar não se esgota num acto, nem, sequer, numa vida longa e, não
parece que se possa amar muito, muitíssimo ou amar muito pouco ou quase nada.
Ou seja, amar é definitivo, para sempre.
O
amor não cresce, aprofunda-se, não se torna em hábito mas sim em algo sempre
novo e renovado diariamente.
Por
ser algo muito sério é que o carácter tem uma importância determinante.
Mal formado, ou com lacunas, a pessoa está
muito afectada e diminuída nessa capacidade de dar e receber que, no fim e ao
cabo, é o amor.
E os
Pais, professores e outros formadores o que têm a ver com o amor?
Tudo! Têm tudo a ver.
Ao
contribuírem decisivamente para a formação do carácter da pessoa deram-lhe a
chave para abrirem o caminho à capacidade de satisfação pessoal de acordo com
as suas características pessoais e irrepetíveis que determinarão a sua escolha
e opção de vida.
Mais… ao instilarem na pessoa esse desejo
concreto de melhoria, enriquecimento da sua personalidade, estão não só a
dar-lhe a chave, mas também, a proporcionar-lhe importantes capacidades para
que a utilizem para abrir a porta do caminho que lhe convém à felicidade
pessoal e à felicidade dos outros com quem se relacione.
Reflexão
Importa muito – mais ainda, tudo – uma grande e muito determinada determinação de não parar até chegar (à meta), venha o que vier, aconteça o que acontecer, trabalhe-se o que se trabalhar, murmure quem murmurar, ainda que se morra no caminho, ainda que se afunde o mundo.
(Santa Teresa de Ávila, Camino de
perfección, 21, 3)
SACRAMENTOS
3.
Propriedades essenciais do matrimónio
Na
sua pregação, Jesus ensinou sem equívocos o sentido original da união do homem
e da mulher, tal como o Criador a quis no princípio: a permissão de repudiar a
sua mulher, dada por Moisés, era uma concessão à dureza do coração (cf.
Mt 19, 8): a união matrimonial do homem e da mulher é
indissolúvel: foi o próprio Deus que a estabeleceu: «Não separe, pois, o
homem o que Deus uniu» (Mt 19, 6)» (Catecismo,
1614).
Em virtude do sacramento, em que os esposos cristãos manifestam e participam do
mistério da unidade e do amor fecundo entre Cristo e a Igreja (Ef
5, 32),
a indissolubilidade adquire um novo sentido e mais profundo aumentando a
solidez original do vínculo conjugal, de modo que “o matrimónio rato (isto é,
celebrado entre baptizados) e consumado não pode ser dissolvido por nenhum
poder humano, nem por nenhuma causa, além da morte” (CDC,
1141).
Pequena agenda do cristão
16/01/2021
Dar é próprio dos apaixonados
E, abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra. Detenhamo-nos um pouco para entender este passo do Santo Evangelho. Como é possível que nós, que nada somos e nada valemos, ofereçamos alguma coisa a Deus? Diz a Escritura: toda a dádiva e todo o dom perfeito vem do alto. O homem não consegue descobrir plenamente a profundidade e a beleza dos dons do Senhor: se tu conhecesses o dom de Deus... – responde Jesus à mulher samaritana. Jesus Cristo ensinou-nos a esperar tudo do Pai, a procurar antes de mais o Reino de Deus e a sua justiça, porque tudo o resto se nos dará por acréscimo e Ele conhece bem as nossas necessidades.
Na
economia da salvação, o nosso Pai cuida de cada alma com amor e delicadeza:
cada um recebeu de Deus o seu próprio dom; uns de um modo, outros de outro.
Portanto, podia parecer inútil cansarmo-nos, tentando apresentar ao Senhor algo
de que Ele precise; dada a nossa situação de devedores que não têm com que
saldar as dívidas, as nossas ofertas assemelhar-se-iam às da Antiga Lei, que
Deus já não aceita: Tu não quiseste os sacrifícios, as oblações e os
holocaustos pelo pecado, nem te são agradáveis as coisas que se oferecem
segundo a Lei. Mas o Senhor sabe que o dar é próprio dos apaixonados e Ele
próprio nos diz o que deseja de nós. Não lhe interessam riquezas, nem frutos,
nem animais da terra, do mar ou do ar, porque tudo isso lhe pertence. Quer algo
de íntimo, que havemos de lhe entregar com liberdade: dá-me, meu filho, o teu
coração. Vedes? Se compartilha, não fica satisfeito: quer tudo para si. Repito:
não pretende o que é nosso; quer-nos a nós mesmos. Daí – e só daí – advêm todas
as outras ofertas que podemos fazer ao Senhor. (Cristo que passa,
35)











