07/02/2020

THALITA KUM 94


THALITA KUM 94 

(Cfr. Lc 8, 49-56)





Efectivamente a nossa salvação é, em si mesma um milagre já que ela acontece, não por nosso mérito, que não temos, mas unicamente pela soberana Vontade de Deus.

Isto leva-nos a pensar na magnificência da misericórdia divina.

De facto, ao tomarmos consciência do pouco que somos, espanta-nos que o Criador e Senhor de todas as coisas queira “gastar tempo” connosco, mesmo considerando que, Ele, nos quer como filhos.
E não é só o cuidado e o carinho das coisas pequenas que se passam no íntimo do nosso coração, mas até aquelas grandes manifestações do poder e da bondade do Senhor.

E, no entanto, é verdade!

Como um Pai carinhoso Ele está sempre disponível para atender os nossos pedidos e, mesmo quando os não fazemos expressamente, dá-se conta das nossas necessidades mais humanas como a necessidade do alimento.

Um exemplo – dos muitos – que consta no Evangelho é contado por São Marcos. [1]

Pela segunda vez, assistimos a um milagre extraordinário de Jesus.

Não sei se as curas dos numerosos doentes: leprosos, surdos e mudos, paralíticos... têm a mesma dimensão de "espectáculo" que estes da multiplicação dos pães e dos peixes.
Enquanto aqueles pareciam uma resposta imediata da misericórdia do coração amantíssimo do Senhor para com os desgraçados, ou mais desfavorecidos, como que se fosse uma impossibilidade, da parte do Mestre, de contemplar a desgraça humana sem intervir de imediato, estes talvez dêem o real significado dessa mesma misericórdia do Senhor para com os homens.

Desta forma se evidencia que as preocupações de Deus a nosso respeito vão bastante mais além da misericórdia ou simpatia pela desgraça, vão efectivamente, até ao pormenor da subsistência concreta.

Ao contemplarmos tantos cenários de miséria, desconforto, escassez e pobreza tão grandes, algumas vezes podemos ser levados a interrogar-nos sobre a atitude de Deus a este respeito:

‘Mas onde estás Tu, Senhor’?

É muito difícil para o comum ser humano, para nós, portanto, entender bem estas coisas, pois somos sempre levados a pensar que, o nosso Criador e Senhor, deveria estar sempre disposto a tratar dos Seus filhos de tal forma que, estas carências e misérias, fossem imediatamente sanadas.

Assim, como que uma espécie de acto mágico, que com uma simples evocação, pudesse resolver todos esses casos difíceis ou extremos.

O que acontece realmente, está bem patente no trecho do Evangelho que acabámos de ler e, ao deter-nos um pouco na sua apreciação cuidada, descobriremos a forma concreta como Deus actua no homem.

Respeitando a nossa liberdade de forma total, porque é infinitamente justo, Deus não intervém de forma, diria, unilateral, na solução dos problemas dos seus filhos.

Para o fazer, e fá-lo sempre, exige uma participação nossa, por mínima que possa ser.


(AMA, reflexões).



[1] Cfr. Mc 8, 9.

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM

Cinco Chagas do Senhor

Evangelho: Jo 19, 28-37

Naquele tempo, tudo estava sabendo que consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: «Tenho sede». Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca. Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, expirou. Por ser a Preparação da Páscoa, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia aquele sábado – os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele. Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis. Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado». Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram».

Comentário:

Em que Chaga refugiar-me, Senhor?

Na do Teu peito?

Sim, é a minha preferida. Ficar ali, em descanso, junto ao Teu Coração.
Mas não ouso! Parece-me demais!

Nas das Tuas Mãos?

Na Chaga da Mão Direita… essa mão com que abençoas e tocas os doentes?
Mas não ouso! Parece-me demais!

Na Chaga da Mão Esquerda… a mão que segura o caminhante que titubeia na senda da salvação?
Mas não ouso! Parece-me demais!

Nas dos Teus Pés?

Na Chaga do Pé Direito… em que apoias todo o Teu peso quando Te levantas no Caminho do Gólgota?

Mas não ouso! Parece-me demais!

Na Chaga do Pé Esquerdo… com que sacodes o pó contra os que Te rejeitam?

Sim… ouso refugiar-me aqui.

Assim tomarei parte na defesa do Teu Santo Nome tão ofendido!

E… aqui fico, feliz e contente por ter encontrado refúgio e protecção. Faço Desta Chaga o meu berço onde quero adormecer e acordar todos os dias que me concederes viver.

(ama, comentário sobre Jo 19, 28-37, 2013.02.07)


Leitura espiritual


Novo Testamento

Cartas de São Paulo

1ª Carta a Timóteo

1Tm 6

Os escravos (Tt 2,9-10) –

1 Todos os que se encontram sob o jugo da escravidão considerem os seus senhores dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. 2 E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes, devem servi-los melhor, porque os que beneficiam do seu trabalho são fiéis e amados de Deus.

Falsas doutrinas e verdadeira piedade –

Isto é o que deves ensinar e recomendar. 3 Se alguém ensinar outra doutrina e não aderir às sãs palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo e ao ensinamento conforme à piedade, 4 é um obcecado pelo orgulho, um ignorante, um espírito doentio dado a querelas e contendas de palavras. Daí nascem invejas, rixas, injúrias, suspeitas maldosas, 5 altercações entre homens de espírito corrompido e desprovidos de verdade, que julgam ser a piedade uma fonte de lucro. 6 A piedade é, realmente, uma grande fonte de lucro para quem se contenta com o que tem. 7 Pois nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele. 8 Tendo alimento e vestuário, contentemo-nos com isso. 9 Mas os que querem enriquecer caem na tentação, na armadilha e em múltiplos desejos insensatos e nocivos que precipitam os homens na ruína e na perdição. 10 Porque a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro. Arrastados por ele, muitos se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições. 11 Mas tu, ó homem de Deus, foge dessas coisas. Procura antes a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança, a mansidão. 12 Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e da qual fizeste uma bela profissão na presença de muitas testemunhas. 13 Na presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Jesus Cristo, que deu testemunho perante Pôncio Pilatos numa bela profissão de fé, 14 recomendo-te que guardes o mandato, sem mancha nem culpa, até à manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo. 15 Esta manifestação será feita nos tempos estabelecidos, pelo bem-aventurado e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, 16 o único que possui a imortalidade, que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver. A Ele, honra e poder eterno! Ámen!

Recomendação aos ricos –

17 Aos ricos deste mundo recomenda que não sejam orgulhosos, nem ponham a sua esperança na riqueza incerta, mas em Deus que nos dá tudo com abundância para nosso usufruto; 18 que pratiquem o bem, se enriqueçam de boas obras, sejam generosos, capazes de partilhar. 19 Deste modo, acumularão um bom tesouro para o futuro, a fim de conquistarem a verdadeira vida.

Saudação final –

20 Ó Timóteo, guarda o depósito da fé, evita as vãs conversas profanas e as contradições da falsa ciência, 21 que alguns professam e desviaram-se da fé. A graça esteja convosco!


Cinco Chagas de Cristo

Uma festa portuguesa: As Cinco Chagas de Cristo

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




06/02/2020

NUNC COEPI

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NUNC COEPI


Meu Pai do Céu, ajuda-me


A ti, que desmoralizas, repetir-te-ei uma coisa muito consoladora: a quem faz o que pode, Deus não lhe nega a Sua graça. Nosso Senhor é Pai, e se um filho lhe diz na quietude do seu coração: Meu Pai do Céu, aqui estou, ajuda-me... Se recorre à Mãe de Deus, que é Mãe nossa, vai para a frente. Mas Deus é exigente. Pede amor de verdade; não quer traidores. É preciso ser fiel a essa luta sobrenatural, que é ser feliz na terra à força de sacrifício. (Via Sacra, 10ª Estação, n. 3)

Recorrei semanalmente – e sempre que o necessiteis, sem dar lugar aos escrúpulos – ao santo Sacramento da Penitência, ao sacramento do perdão divino. Revestidos da graça, caminharemos por entre os montes e subiremos a encosta do cumprimento do dever cristão, sem nos determos. Utilizando estes recursos com boa vontade e rogando ao Senhor que nos conceda uma esperança cada dia maior, possuiremos a alegria contagiosa dos que se sabem filhos de Deus: Se Deus está connosco, quem nos poderá derrotar? Optimismo, portanto. Incitados pela força da esperança, lutaremos para apagar a mancha viscosa que espalham os semeadores do ódio e redescobriremos o mundo com uma perspectiva jubilosa, porque saiu formoso e limpo das mãos de Deus, e restituir-lho-emos assim belo, se aprendermos a arrepender-nos.
Cresçamos na esperança, que deste modo nos consolidaremos na fé, verdadeiro fundamento das coisas que se esperam e prova das que não se veem. Cresçamos nesta virtude, que é suplicar ao Senhor que aumente a sua caridade em nós, porque só se confia verdadeiramente no que se ama com todas as forças. E vale a pena amar o Senhor. Vós haveis experimentado, como eu, que a pessoa enamorada se entrega confiante, com uma sintonia maravilhosa, em que os corações batem num mesmo querer. E que será o Amor de Deus? Não sabeis que Cristo morreu por cada um de nós? Sim, por este nosso coração pobre, pequeno, se consumou o sacrifício redentor de Jesus.
Frequentemente, o Senhor fala-nos do prémio que nos ganhou com a sua Morte e Ressurreição. Vou preparar um lugar para vós. Depois que eu tiver ido e vos tiver preparado o lugar, virei novamente e tomar-vos-ei comigo para que, onde eu estou, estejais Vós também. O Céu é a meta do nosso caminho terreno. Jesus Cristo precedeu-nos e ali, na companhia da Virgem e de S. José – a quem tanto venero – dos Anjos e dos Santos, aguarda a nossa chegada. (Amigos de Deus, nn. 219–220)

THALITA KUM 93


THALITA KUM 93 

(Cfr. Lc 8, 49-56)



Às vezes não posso deixar de reparar em algumas pessoas que, durante a Santa Missa, parecem estar a rezar o Terço. É como se fossem ao cinema e, durante a projecção do filme, tentassem ler um jornal.
Evidentemente que não conseguem nenhuma das duas coisas: nem vêm o filme nem conseguem ler o jornal.
Isto resulta numa perda de tempo, uma despesa inútil, um disparate.
Na realidade, não fazem mal a ninguém, excepto a si mesmos por terem gasto dinheiro inutilmente, e não aproveitaram a projecção do filme nem a leitura do jornal.

Na Santa Missa oiçamos, participemos com a maior atenção e devoção.

Na recitação do Terço, sozinhos ou com outras pessoas, recitemos o Terço.

Tenhamos, pois, claro que, as nossas atitudes exteriores devem, sempre, reflectir a nossa disposição interior.
Só assim podemos ser coerentes.
   
Não há forma de agradar a Deus sem coerência.
   
Peçamos à Santíssima Virgem que nos ajude a ter sempre sãs e correctas disposições na nossa alma e no nosso coração e que elas se reflictam nos nossos actos externos.

As correctas disposições são também as disposições de exame, de entrarmos dentro de nós mesmos e vermos com cuidadoso detalhe a seriedade da nossa conduta, do nosso comportamento.
Algumas vezes, talvez, ao dar-nos conta do pouco que somos, das nossas misérias e deficiências poderemos ser levados pensar que “não vale a pena”, que só um milagre nos poderá salvar.

Quero receber-te, Senhor, como se fosse um Santo, um Anjo, a Tua Santíssima Mãe! Sim, é com essas mesmas disposições, humildade e abandono que desejo receber-te na minha alma.
Temo bem, Senhor, que vás encontrar pouco mais que isso: desejos... Mas, confio na Tua Bondade e Misericórdia para os ir transformando em realidade.[1]


(AMA, reflexões).



[1] AMA, orações pessoais

Evangelho e comentário

TEMPO COMUM



Evangelho: Mt 28, 16-20

Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

Comentário:

A nós, simples homens correntes, parece-nos de certo modo difícil de aceitar que daqueles onze alguns ainda duvidassem.

De facto, sabemos muito mais que eles, conhecemos muitíssimo melhor a missão de Jesus, aceitamos com muito mais facilidade quanto nos deixou dito.

Mas foi preciso que aqueles onze, apesar de todas as suas deficiências e fraquezas de homens simples e pouco cultos nos fizessem constar – com suprema humildade – essas mesmas fraquezas e dúvidas para que a nossa Fé se confirme e assente na rocha firme que é o próprio Evangelho.

(AMA, comentário sobre Mt 28, 16-20, 08.01.2017)

Leitura espiritual

Novo Testamento

Cartas de São Paulo

1ª Carta a Timóteo

1Tm 5

II. CONSELHOS A VÁRIAS CLASSES DE PESSOAS (5,1-6,19)

As viúvas –

1 Não repreendas com dureza um ancião, mas exorta-o como um pai; 2 rata os jovens como irmãos, as anciãs como mães, as jovens como irmãs, com toda a pureza. 3 Honra as viúvas, as que são verdadeiramente viúvas. 4 Mas se alguma viúva tiver filhos ou netos, aprendam estes, antes de mais, a cumprir os seus deveres de piedade para com a própria família e a retribuir aos pais o que deles receberam, pois isso é agradável diante de Deus. 5 A que é verdadeiramente viúva e ficou só, põe a sua esperança em Deus e persevera em súplicas e orações, noite e dia. 6 Mas aquela que se entrega aos prazeres, embora vivendo, já está morta. 7 E recomenda-lhes isto, para que sejam irrepreensíveis. 8 Se alguém não cuida dos seus, e principalmente dos da sua própria casa, renegou a fé e é pior do que um infiel. 9 Só pode ser inscrita como viúva a que tiver pelo menos sessenta anos, tiver sido esposa de um só marido, 10 gozar do testemunho de boas obras, tiver educado os filhos, praticado a hospitalidade, lavado os pés dos santos, assistido os atribulados e for dedicada a toda a obra boa. 11 Não admitas as viúvas mais jovens, porque, quando são arrastadas por uma paixão que as afasta de Cristo, querem voltar a casar-se, 12 incorrendo na condenação de terem rompido o primeiro compromisso. 13 Além disso, estando na ociosidade, habituam-se a andar de casa em casa e a ser, não só ociosas, mas também loquazes e indiscretas, falando do que não convém. 14 Quero, pois, que as viúvas mais jovens se casem, tenham filhos, governem a sua casa, para não darem ao adversário nenhuma ocasião de maledicência. 15 Algumas, com efeito, já se desviaram, seguindo a Satanás. 16 Se alguma mulher crente tem viúvas na família, dê-lhes assistência e não se sobrecarregue a igreja, a fim de que esta possa assistir as que são verdadeiramente viúvas.

Os presbíteros –

17 Os presbíteros que exercem bem a presidência sejam julgados dignos de dupla honra, principalmente os que trabalham na pregação e no ensino. 18 Pois a Escritura diz: Não açaimarás a boca do boi que debulha; e ainda: o operário é digno do seu salário. 19 Não aceites denúncia contra um presbítero, se não for confirmada por duas ou três testemunhas. 20 Aos que cometem faltas, repreende-os na presença de todos, para que também os demais se encham de temor. 21 Conjuro-te, diante de Deus e de Cristo Jesus e dos anjos eleitos, que observes estas regras com imparcialidade, nada fazendo por favoritismo. 22 Não imponhas as mãos a ninguém precipitadamente, nem te tornes cúmplice de pecados alheios. Conserva-te puro. 23 Não continues a beber só água, mas toma também um pouco de vinho, por causa do estômago e das tuas frequentes indisposições. 24 Enquanto os pecados de alguns são manifestos, mesmo antes de serem submetidos a juízo, os de outros só aparecem depois.

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





05/02/2020

NUNC COEPI

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NUNC COEPI


Vivei uma particular Comunhão dos Santos


Comunhão dos Santos. – Como to hei-de dizer? – Sabes o que são as transfusões de sangue para o corpo? Pois assim vem a ser a Comunhão dos Santos para a alma. (Caminho, 544)

Vivei uma particular Comunhão dos Santos: e cada um sentirá, à hora da luta interior, e à hora do trabalho profissional, a alegria e a força de não estar só. (Caminho, 545)

Aqui estamos, consummati in unum, em unidade de petição e de intenções, dispostos a começar este tempo de conversa com o Senhor com renovado desejo de sermos instrumentos eficazes nas suas mãos. Diante de Jesus Sacramentado – como gosto de fazer um acto de fé explícita na presença real do Senhor na Eucaristia! – fomentai nos vossos corações o desejo de transmitir, pela vossa oração, um impulso fortíssimo que chegue a todos os lugares da terra, até ao último recanto do planeta, onde houver alguém gastando a sua existência ao serviço de Deus e das almas. Com efeito, graças à inefável realidade da Comunhão dos Santos, somos solidários – cooperadores, diz S. João – na tarefa de difundir a verdade e a paz do Senhor. (Amigos de Deus, 154)

THALITA KUM 92


THALITA KUM 92

(Cfr. Lc 8, 49-56)



O aparato, ou declarada intenção, de dar nas vistas, são ridículos e até condenáveis - as múltiplas rezas e benzeduras, o orar a todos os santinhos de uma Igreja percorrendo os diversos altares, o assistir e comungar em várias Missas por dia -, são falsas manifestações de piedade que Deus não deseja.

O contrário: a postura correcta numa Missa, ajoelhando-nos quando está indicado que o façamos, uma genuflexão bem-feita diante do Sacrário, o recitar as orações comuns, são atitudes que agradam a Deus porque demonstram os nossos sentimentos de respeito, veneração e adoração que devemos ao Nosso Senhor e Criador e que, também, atestam perante os outros, a nossa pública manifestação desses mesmos sentimentos, servindo-lhes de exemplo a imitar.

Muitos têm a tentação de ler com olhos estreitos os ensinamentos do Evangelho.
Para não participarem em manifestações religiosas - Santa Missa, a recitação do Terço, uma procissão etc. - dizem que Jesus disse que:

«Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta pà chave e ora a teu Pai que está em lugar secreto». [1]

À primeira vista até parece contraditório com a instrução antes dada sobre a luz que se deve pôr onde ilumine todos.

De facto, não é.

Jesus não se contradiz, antes pelo contrário, reforça a Sua doutrina.
Com efeito, devemos procurar participar nas cerimónias e manifestações religiosas públicas, conduzidas pela Igreja, porque a ela pertencemos e fazemos parte do Povo de Deus, mas, não devemos ficar-nos por aqui.
É preciso, também, procurar aquela conversa íntima com o Senhor, aquilo a que chamamos oração mental, que é aquela oração que fazemos recolhidos, num contacto íntimo com Deus.

Recolhidos, entenda-se, não necessariamente no nosso quarto - que apenas é uma expressão - mas no nosso coração, no nosso íntimo.

«Quem tem ouvidos para ouvir, oiça», diz-nos Jesus neste trecho do Evangelho que estamos a meditar, como de resto no-lo repete por várias vezes.

O Senhor faz um apelo muito sério à recta intenção que devemos ter em todos os nossos actos, nomeadamente, naqueles que de alguma forma estão relacionados com Deus.
Seria um disparate, e um gravíssimo erro, tentar enganar Deus ou, de qualquer maneira, pressioná-lo, com práticas ou atitudes que não traduzam um são e correcto sentimento interior.

Tirar o chapéu, ou benzer-se, quando se passa em frente de uma Igreja, pode ser um acto de ofensa a Deus se for feito apenas mecanicamente, ou, pior ainda, para que alguém veja como somos respeitosos, porque revelará ou indiferença ou vaidade.
Pelo contrário, quem passe em frente de uma Igreja sem se descobrir ou benzer, mas no seu coração eleve um pensamento, uma saudação, ao Senhor ali presente na Sagrada Eucaristia, terá, com certeza, agradado muito a Deus.
Porque, o importante não é descobrir-se ou benzer-se, embora possa ser muito meritório, se for feito correspondendo a um verdadeiro desejo interior de saudar respeitosamente o Senhor ali presente, o importante é, sim, a atitude interior que nos brota do coração.

É importante preparar os nossos sentidos para participar na Santa Missa.

‘Vejo-me tal como sou: nada, absolutamente. E tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
Eu, António, este pobre homem com pés de barro e vontade frágil, estou aqui na expectativa do momento sublime em que Te receberei, meu Deus e Senhor.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes.
Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno!
Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse.
Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.’ [2]


(AMA, reflexões).




[1] Mt 6, 6.
[2] AMA, orações pessoais.